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Missionários, cristãos, “antifeministas”: como é o novo Ministério de Direitos Humanos comandado por Damares Alves

Pública - seg, 14/01/2019 - 16:07

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH) tem gerado polêmica desde a sua instituição pela Medida Provisória (MP) 870/19, assinada no primeiro dia do governo Bolsonaro. A MP não mencionava diretamente os direitos LGBT como atribuição da pasta, provocando críticas e suscitando temores na comunidade. Além da ministra, pastora evangélica, a maioria das oito secretarias é dirigida por católicos ou evangélicos ativistas, comprometidos com movimentos que pregam valores religiosos.

A Pública, porém, apurou que até o momento não houve mudanças na equipe de nove pessoas que fazem parte da Diretoria de Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – principal grupo de defesa LGBT dentro do governo federal. Transferida para a Secretaria de Proteção Global, a equipe é liderada por Marina Reidel, primeira mulher trans à frente de uma diretoria ministerial. Segundo o MDH, ela será mantida no cargo.

Marina Reidel é a primeira mulher trans à frente de uma diretoria ministerial

“Toda fala da ministra é no sentido de não tirar direitos e de trabalhar em combate à questão da violência. Até o momento, percebemos interesse do governo em trabalhar em cima dessas questões”, explicou Marina, que assumiu a direção durante o governo Temer, quando os Direitos Humanos voltaram a ter status de ministério. Segundo ela, a mudança de secretarias não tem impactado o trabalho ou a estrutura da diretoria. A diretora é presidente do Conselho Nacional de Combate à Discriminação de LGBT (CNCD-LGBT), ligado ao MDH, e que será mantido.

Trabalhamos normalmente, diz diretora de promoção de direitos LGBT

A diretoria é responsável por realizar o diálogo transversal com os estados e a Presidência e tem como principal atribuição articular políticas públicas no âmbito federal. Também está a cargo da equipe realizar pesquisas e fazer planejamentos e campanhas. “Recentemente, fizemos um pacto contra a violência, com o objetivo de comprometer os estados na tentativa de diminuir o índice de violência contra LGBTs no Brasil”, diz Marina. O projeto, lançado em junho do ano passado, será mantido. “Abrimos edital com recursos para convênios através de projetos nos estados e instituições indicadas por emendas parlamentares”, explica.

Depois da posse, a ministra Damares Alves ainda não se reuniu com a equipe para definir as prioridades. Com isso, o grupo continua tocando a pauta normalmente. Em dezembro, eles deram início a uma pesquisa para avaliar a violência sofrida por LGBTs dentro do sistema prisional brasileiro.

No dia 20 de dezembro, a diretoria e 30 entidades LGBT se reuniram com a ministra no Gabinete de Transição, em Brasília. Segundo diversos relatos, eles ouviram de Damares que não haverá perda de direitos e de espaço. Militantes de direitos humanos afirmaram que a pastora estava “aberta ao diálogo”, de acordo com quatro pessoas ouvidas pela Pública.

Na oportunidade, os ativistas entregaram uma carta à ministra e ao secretário Sérgio Queiroz, que comanda a Secretaria de Proteção Global. No documento, assinado por 30 organizações, entre elas a Aliança Nacional LGBTI+, Articulação Brasileira de Gays (ArtGay), Rede Trans, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Evangélicos pela Diversidade, são expostas políticas públicas prioritárias para os LGBTs nas áreas de saúde, educação, emprego, segurança pública e assistência social. Um dos destaques é o alto índice de assassinatos anuais – média de cerca de 300 por ano, segundo a Aliança Nacional LGBTI+.

“Fomos muito bem recepcionados, tivemos uma grande empatia por parte dela e da equipe. O secretário Sérgio pareceu solícito, e os dois nos receberam de uma forma bastante republicana”, explica Toni Reis, presidente da Aliança Nacional LGBTI+. No entanto, ele diz que organizações em defesa das minorias devem continuar em alerta. “Sabemos que o governo que ganhou é mais conservador. Eles são resistentes à nossa pauta em geral. Por isso, precisamos denunciar toda e qualquer forma de discriminação. É preciso fazer muita pesquisa sobre índice de violência, pois precisamos ter provas do que está acontecendo”, afirma.

ArquivoAliança Nacional LGBTI+

Pessoas que estavam na reunião contaram que a ministra Damares falou pouco, mas defendeu a necessidade de combater a violência e disse que, se preciso, estará nas ruas com as travestis e na porta da escola com crianças que são discriminadas pela orientação sexual. Ela também destacou a importância de respeitar os direitos humanos, sem fazer ressalvas a pautas específicas para o público LGBT ou detalhar futuras ações. Definições mais concretas viriam após a posse – mas isso ainda não ocorreu.

Para a presidente da Rede Trans Brasil, Tathiane Araújo, que participou da reunião, a fala da ministra sobre as travestis é importante, mas não servirá de nada “se ficar só em palavras”. “A travesti vai parar na esquina não por uma escolha, mas porque muitas vezes ela desiste de estudar ainda na escola, por não conseguir enfrentar o preconceito dentro de sala de aula. Então, para resolver esse problema, seria necessário investir em educação, e o que o governo faz? Tira o debate de gênero da sala de aula”, critica.

A ativista afirma que a escolha de abrigar a Diretoria LGBT dentro da Secretaria de Proteção Global diz muito sobre a atuação que o MDH deve ter. “Temos uma Secretaria da Família no ministério, mas não estamos dentro dela. Por que estamos apenas na de proteção? Pelo visto, por sermos excluídos do seio familiar. Se querem mesmo investir em uma política contra a violência a LGBTs, precisam nos promover socialmente”, diz a presidente da Rede Trans. “Nosso pedido é que se combata a homofobia com educação, desde a sala de aula, onde o preconceito nasce. Atualmente, só se cria políticas para remediar a violência depois que ela já foi causada.”

As mesmas entidades que participaram da reunião com Damares estiveram em audiência em 29 de novembro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. “Ele garantiu que não tem como o presidente da República retirar direitos que foram garantidos pelo Supremo”, explica o presidente da Aliança. Entre os avanços já garantidos estão o casamento homoafetivo, assegurado desde 2013 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após entendimento do STF em 2011.

A próxima reunião do Conselho Nacional contra Discriminação LGBT ocorrerá em 11 de fevereiro. A ministra Damares Alves está convidada, representando o governo, mas ainda não confirmou presença. O grupo tem denunciado a retirada pelo Ministério da Saúde das cartilhas de saúde do homem trans e de prevenção às IST, hepatites virais e HIV/aids.

“Esperamos a representação do governo pelo pessoal da ministra, para ter um quadro mais detalhado do futuro. Porque, até então, o que temos visto é um quadro de desmonte em diversos aspectos”, afirma a presidente da Rede Trans.

Secretários conservadores

A pauta LGBT não é a única que vive momento de incertezas dentro do MDH, já que há promessa de mudanças em todas as áreas. A pasta agora conta com oito secretarias – duas a mais que na gestão Temer. Além da Secretaria de Proteção Global, a nova estrutura conta com as Secretarias Nacionais da Família, Juventude, Criança e Adolescente, Pessoa Idosa, Mulher, Pessoa com Deficiência e Igualdade Racial.

A maioria dos secretários que assumiram pastas no MDH são evangélicos ou católicos militantes, tendo atuado na promoção das pautas “cristãs” ou no combate aos direitos LGBT e ao aborto.

A Secretaria de Proteção Global, pasta que abriga agora a Diretoria LGBT, tem como líder o procurador da Fazenda e pastor evangélico Sérgio Augusto de Queiroz. Ele participou do governo de transição e prega nas igrejas Batista Cidade Vida e Batista da Lagoinha, sendo a última frequentada pela própria Damares Alves.

Valter Campanato/Agência BrasilO presidente Jair Bolsonaro empossa a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves

Já a ex-deputada federal Tia Eron (PRB/BA), que lidera a Secretaria da Mulher, é frequentadora da Igreja Universal do Reino de Deus. Ela ministrava aulas na Escola Bíblica Infantil e liderava ações de caridade com as crianças, por isso recebeu o apelido de “tia”. Ganhou visibilidade na mídia em 2016, ao dar o voto decisivo que derrubou o presidente da Câmara Eduardo Cunha na Comissão de Ética.

Uma das ações mais polêmicas da parlamentar, que fazia parte da bancada evangélica, foi assinar Projeto de Decreto Legislativo (PDC) para sustar um decreto do governo Dilma Rousseff que autorizava o uso de nome social por travestis e trans na administração pública. Ela acabou criticada na mídia e nas redes sociais, principalmente porque ela mesma utilizava outro nome na política.

Tia Eron vai liderar a Secretaria que é responsável pelo Disque 180, que recebe denúncias de violência doméstica, e será encarregada de debater – ou não debater – políticas públicas relacionadas ao aborto.

Outra pasta que pode debater o tema é a da Família, que será liderada pela advogada Ângela Vidal Gandra da Silva Martins, filha do jurista Ives Gandra Martins, um grande crítico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e membro notório do Opus Dei.

Formada em direito pela Universidade de São Paulo e doutora em filosofia do direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ela é membro da União dos Juristas Católicos de São Paulo (Ujucasp). No ano passado, defendeu uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no STF contrária à descriminalização do aborto até a 12ª semana.

Já a jornalista e presidente da ONG Aldeia Brasil, Sandra Terena, comanda a Secretaria de Igualdade Racial, sendo a primeira indígena a liderar a pasta. Assim como Damares, que é conhecida pela evangelização indígena, ela ganhou fama graças à campanha contra o “infanticídio indígena”. Na organização que preside, trabalha com crianças e jovens indígenas e lançou o documentário Quebrando o silêncio, que narra supostas práticas de infanticídio em comunidades indígenas.

Sandra segue a religião do seu povo que é monoteísta e cujo deus se chama Ituko’ovoti e também frequenta a igreja evangélica ICP, de Curitiba, ligada à Rede Inspire. É amiga de Damares, que responde a ação do Ministério Público Federal (MPF) por causa de outro documentário, Hakani – Voz pela vida, que inclui dramatização de cenas de infanticídio. Para o MPF, que alega “dano moral coletivo decorrente de suas manifestações de caráter discriminatório à comunidade indígena”, o filme gera manifestações preconceituosas com o objetivo de legitimar ações missionárias nas comunidades. Para a filmagem foram utilizadas crianças da etnia Karitiana, povo que não tem a prática cultural do infanticídio. Segundo o MPF, os indígenas passaram a ser acusados de matar crianças.

Em entrevista ao Jornal Gazeta do Povo, Sandra Terena afirmou que o governo Bolsonaro “está dando uma visibilidade inédita para minorias”. Mesmo sendo ativista da causa indígena, a secretária diz concordar com ações polêmicas de Bolsonaro, como transferir ao Ministério da Agricultura a demarcação de terras indígenas.

A pasta da Juventude será chefiada por Jayana Nicaretta da Silva, de 24 anos. Formada em engenharia do petróleo, ela é filiada ao PP, partido pelo qual se elegeu vereadora de União do Oeste, em Santa Catarina, aos 18 anos. Militante pró-Bolsonaro, é católica e se apresenta nas redes sociais como “antifeminista”. Em uma postagem no Instagram, a ex-vereadora conta que recebeu diversos convites para participar de fóruns sobre aborto, machismo e participação feminina na política, mas recusou por não querer dialogar sobre assuntos apenas de mulheres. “Eu gostaria de pedir uma a uma das feministas (as ativistas histéricas) o que exatamente as impedem de conseguir chegar onde querem, qual a força física que as impede, o que exatamente as barra de fazer algo”, escreveu na publicação.

Jayana recebeu a indicação para chefia da Juventude após polêmica ter desgastado o nome de Desire Queiroz (PRB), que tentou ser deputada estadual pelo Mato Grosso, favorita à vaga. Desire integrava a equipe do governo de transição, mas acabou sendo alvo de críticas após ter defendido no Facebook a vereadora Marielle Franco (Psol), assassinada em março do ano passado. Ela foi considerada “esquerdista” por apoiadores do governo e ficou de fora do secretariado.

A liderança da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência será de Priscilla Gaspar Oliveira, professora de libras e mestranda na área da educação e currículo na PUC-SP. Surdo-muda, Priscilla é amiga da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que a indicou para o cargo. A professora fazia transmissão em libras de alguns dos pronunciamentos de Jair Bolsonaro pelo Facebook durante a campanha presidencial.

Em 2011, criou um canal no YouTube com vídeos em libras, onde postava variedades do dia a dia, reflexões sobre barreiras enfrentadas por deficientes auditivos e poemas cristãos. Em 2016 criou outra página, usada para ensinar receitas em linguagem de sinais. Pelo Facebook, defende ideias de Jair Bolsonaro e critica opositores.

A Secretária da Pessoa Idosa será liderada pelo dentista Antônio Fernandes Toninho Costa, que já atuou como pastor evangélico da Primeira Igreja Batista no Guará, em Luziânia, Goiás. Especialista em saúde indígena pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) entre janeiro e maio de 2017, durante o governo de Michel Temer. Antes disso, era assessor parlamentar do Partido Social Cristão (PSC) na Câmara dos Deputados, que o indicou para o cargo.

A Secretaria Nacional da Criança e do Adolescente será chefiada pela psicóloga e consultora de políticas públicas Petrúcia de Melo Andrade. A secretária é frequentadora da Igreja Batista Getesêmani, mas, à diferença dos companheiros, não é discípula de Bolsonaro. Ao contrário, Petrúcia é filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 14 de janeiro, o registro da secretária está regular, feito no município de Contagem, em Minas Gerais.

Petrúcia fez parte dos Cristãos Progressistas e esteve entre os 399 evangélicos que, em 2015, assinaram o manifesto “Um Apelo Evangélico: O caminho é mais oração, mais democracia e mais ética”, contrário ao impeachment de Dilma Rousseff (PT).

Medo de perseguição

Do quadro do ministério, quatro exonerações foram publicadas no Diário Oficial da União – todas na edição do dia 7 de dezembro, sendo três na Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e uma na antiga Secretaria de Cidadania. Segundo a assessoria de imprensa, não houve mais exonerações ou contratações.

No entanto, os funcionários terceirizados e comissionados estão inseguros depois de declarações do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni sobre acabar com “ideias socialistas e comunistas” nas repartições, feitas no dia 3 de janeiro, após reunião do presidente Jair Bolsonaro com sua equipe ministerial no Palácio do Planalto. Segundo funcionários ouvidos pela reportagem – que pediram anonimato –, há receio de que o trabalho em defesa de pautas de igualdade para mulheres, discriminação racial e contra a homofobia em redes sociais no passado, por qualquer servidor, seja entendido como “ideologia comunista”.

É comum funcionários usarem suas redes sociais para fazer denúncias de racismo, textos sobre igualdade racial e defesa de ações do próprio ministério. “Nós convivemos e falamos muito sobre esses temas, então vejo como normal usar as redes sociais para fazer publicações falando desses assuntos”, conta uma terceirizada.

Segundo uma funcionária terceirizada ouvida pela reportagem, os colegas ainda estão no escuro sobre como será a atuação do ministério. “Não sabemos se o quadro de funcionários será reduzido. Fomos informados de que mudanças vão ocorrer, mas não disseram quando ou como, e nem se serão mantidas pautas tidas como polêmicas para o novo governo.”

Dentre essas pautas, destaca-se a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que trata da procura de mortos e desaparecidos políticos, tendo foco, principalmente, em casos que ocorreram na época da ditadura militar. “O governo não é a favor da nossa pauta. Para eles, ‘quem procura osso é cachorro’”, afirma um funcionário, relembrando um episódio em que Bolsonaro posou em frente a um cartaz sobre desaparecidos na guerrilha do Araguaia. A comissão é ligada ao MDH desde 2004 e conta atualmente com equipe de oito pessoas.

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World ‘not yet on track’ to ensure children a better future: UN rights chief

UN SGDs - seg, 14/01/2019 - 13:40
Some Member States have fallen short of offering a better future to children who continue to die prematurely or fall victim to poverty, trafficking and slavery, UN rights chief Michelle Bachelet said on Monday.
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Acnur invita a ponerse en los zapatos de los refugiados

IPS español - seg, 14/01/2019 - 13:14

Una pareja rohinyá, Mohammad Faisal y su esposa Hajera, posan para la foto con su hijo en el campamento de refugiados en el parque Teknaf Nature, en Bangladesh. Crédito: Farid Ahmed/IPS.

Por Tharanga Yakupitiyage
NACIONES UNIDAS, Jan 14 2019 (IPS)

Frente a la situación de millones de refugiados que escapan de la persecución con la esperanza de encontrar un futuro más próspero y seguro, una nueva campaña procura generar conciencia sobre las dificultades que atraviesan en su huida en distintas partes del mundo.

La campaña “2.000 millones de kilómetros hacia la seguridad”, del Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados (Acnur), busca concienciar sobre las largas y precarias travesías que muchos refugiados realizan buscando protección y seguridad y llama a todo el mundo a redoblar su apoyo.

“Todos los días, nos inspiran los gestos de generosidad de la gente que hace todo lo posible por mejorar la vida de los refugiados, como activistas, comunidades de destino, empresas, donantes y voluntarios”, destacó Kelly T. Clements, comisionada adjunta de Acnur.

“Esta campaña motivará a la gente a ayudar a los refugiados con lo que ya están haciendo, caminando, andando en bicicleta o corriendo”, añadió.

Según Acnur, los refugiados recorren unos 2.000 millones de kilómetros cada año para llegar a un destino seguro.

En 2016, refugiados sursudaneses recorrieron unos 643 kilómetros para llegar a Kenia, mientras que los rohinyás, en Birmania (Myanmar) tuvieron que desplazarse unos 80,4 kilómetros para llegar a Bangladesh.

Con ayuda de Acnur, Alin Nisa y su familia se refugiaron en Bangladesh, luego de que un grupo armado atacara su aldea en Birmania y secuestrara a muchos integrantes de su comunidad.

Nisa cargó a sus hijos pequeños a través de montañas y ríos, mientras su marido llevaba a su madre que no podía caminar.

La familia recorrió más de 96 kilómetros a pie hasta llegar al campamento de refugiados de Kutupalong, en Bangladesh.

Asimismo, Zeenab y su familia huyeron de Siria luego de que su casa fuera destruida y recorrieron casi 145 kilómetros hasta el campamento de refugiados de Zaatari, en Jordania.

“Estamos agradecidos. El invierno aquí es difícil, pero aun así es mejor que en Siria”, relató a Acnur.

Y qué mejor forma de comprender la difícil situación que viven esas personas obligadas a abandonar sus hogares que caminar y recorrer la misma distancia que algunos deben andar para ponerse a salvo.

Clements subrayó la importancia de recordar las travesías reales y peligrosas que deben recorrer los refugiados, en especial en un momento en que se siguen difundiendo ideas equivocadas sobre ellos.

El secretario general de la Organización de las Naciones Unidas, António Guterres, coincidió con esa visión durante la adopción del Pacto Mundial sobre Migración, en diciembre de 2018.

“Hay muchas ideas falsas sobre los migrantes. Pero no debemos de sucumbir al miedo ni a las falsas narrativas. Debemos pasar del mito a la realidad”, declaró entonces.

Ese tipo de relatos son evidentes en Estados Unidos, que busca cerrar la puerta a los refugiados.

El gobierno de Donald Trump, primero, dispuso una prohibición de 120 días al ingreso de refugiados, seguida de otra para quienes procedían de países de “alto riesgo”, como Sudán del Sur y Siria.

En enero de 2017, el gobierno de Estados Unidos redujo a más de la mitad la cuota para el ingreso de refugiados, con lo que solo 22.000 personas en esa situación pudieron ser reasentadas en el país en 2018, el número más bajo desde 1980.

En los últimos tiempos, el gobierno desplegó tropas en la frontera sur de Estados Unidos en un intento de evitar que migrantes procedentes de América Central ingresaran el país o solicitaran asilo.

La retórica en contra de los refugiados también aumenta en Europa, como es el caso de Bélgica, donde hubo protestas violentas por la participación de ese país en el pacto sobre migración.

Muchas personas en 27 países participarán en la campaña 2.000 millones de kilómetros hacia la seguridad, con lo que Acnur espera reunir más de 15 millones de dólares para ayudar a los refugiados a registrarse y suministrarles alimentos, agua, refugio y atención médica.

Las necesidades económicas de Acnur para 2019 ascienden a 8.500 millones de dólares, y hasta ahora solo recibió la promesa de 926 millones.

El Pacto Mundial sobre Migración es un paso importante para la concienciación y la acción, pero todavía queda mucho por hacer.

“Para las millones de personas que dejaron sus tierra natal hace poco o hace mucho tiempo atrás, la mayoría respetando totalmente la ley, tenemos mucho más para ofrecer”, observó Louise Arbour, representante especial para la migración internacional, en el cierre de la conferencia para adoptar el Pacto Mundial sobre Migración.

“Ya sea mediante la oportunidad de regresar a su país después de años en el exterior, volviendo con sus capacidades y los frutos de su trabajo, o mejorando las posibilidades de ver cómo sus hijos acceden a un futuro mejor en un país que, con orgullo, consideran suyo”, precisó.

Hay 68 millones de personas en el mundo obligadas a abandonar sus hogares, de las cuales 25 millones son refugiadas, casi tres millones más en tan solo un año.

Traducción: Verónica Firme

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Santa Marta destapa el sol para favelas de Río de Janeiro

IPS español - sex, 11/01/2019 - 17:02

Por Mario Osava
RÍO DE JANEIRO, Jan 11 2019 (IPS)

El Morro de Santa Marta llama la atención por sus casas de vivos colores, en contraste con otras favelas, uniformadas por el predominante color rojizo de los ladrillos sin revoque. Pionero en muchas iniciativas, este barrio pobre y hacinado de esta ciudad brasileña de Río de Janeiro vuelve a serlo ahora por el desarrollo de la energía solar.

Pequeña, con 1.177 domicilios y 3.913 habitantes, según el censo de 2010, que los pobladores consideran muy inferior a la cifra real, la favela es muy visible en el tradicional barrio de Botafogo, al ubicarse en una escarpada pendiente del complejo montañoso y forestal al que rodea la urbe carioca.

 

 

Eso contribuye a atraer proyectos que luego se pretende extender a otros “aglomerados subnormales” (nombre de las favelas en las estadísticas) que, en algunos casos superan 100.000 habitantes.

Allí empezó en 2008 la implantación de Unidades de Policía Pacificadora (UPP) que por algunos años redujeron la violencia del narcotráfico en algunas favelas cariocas, pero los tiroteos volvieron a ser comunes en Santa Marta desde 2017.

El “Plan inclinado”, un tren ascensor que transporta hasta 20 personas, es otra marca local. Facilita desde 2008 la subida de 360 metros o cerca de 800 peldaños para llegar a la cumbre del morro, una palabra que forma parte de las favelas de Río de Janeiro, porque usualmente ocupan las laderas de los cerros que le imprimen carácter.

Una estatua de Michael Jackson, el cantante pop estadounidense, fallecido en 2009, es un punto turístico en una terraza en el centro de Santa Marta, la favela que él popularizó mundialmente al grabar en ella en 1996 su clip musical “They don’t care about us”.

Una mirada desde la parte alta muestra la novedad de los tres últimos años, paneles fotovoltaicos se incorporaron a algunos techos. La energía solar ya beneficia a guarderías, una clínica, una escuela de música y otras instituciones públicas, por iniciativa de Insolar, una empresa cuyo fundador, Henrique Drumond, define como un “negocio social”.

La guardería CEPAC (Centro Educativo Padre Agostinho Castejón), sostenida por la católica Compañía de Jesús, ahorra el equivalente a cerca de mil dólares mensuales en energía, gracias al mayor sistema solar de la favela.

Eso le permitió ampliar la biblioteca y ofrecer mejores materiales pedagógicos a los 150 niños atendidos, los más pobres, que son la mayoría, de forma gratuita.

La Asociación de Moradores del Morro de Santa Marta también cuenta con energía solar y trata de expandirla a las residencias, una meta dificultada por los bajos ingresos de las familias de la favela y las reglas para la generación de energía distribuida, solo permitida para el autoconsumo y no para venta.

Insolar movilizó apoyo financiero de instituciones y empresas, como la compañía angloholandesa Shell, para instalar esos sistemas y asegurar iluminación de emergencia en locales muy concurridos durante los frecuentes apagones, además de enchufes para cargar baterías de teléfonos celulares.

El próximo paso deberá favorecer parte de los 100 negocios que se estima que hay en  Santa Marta, cuyo bienestar aún es afectado por el agua servida a cielo abierto, algunas endebles viviendas en peligro de derrumbe y eventuales interrupciones en el suministro de agua, energía y en el ascensor de rieles.

Para mayor información, le invitamos a visitar el artículo Enegía solar empuja desarrollo social en barrios pobres de Brasil

Edición: Estrella Gutiérrez

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Cómo evitar una nueva carrera armamentista en Europa

IPS español - sex, 11/01/2019 - 13:18

El misil ruso 9M729 fue probado mediante un sistema de lanzamiento móvil similar al utilizado para el 9K720 Iskander-M, que figura en esta fotografía, el 18 de septiembre de 2017. Crédito: Ministerio de Defensa de Rusia.

Por Daryl G. Kimball
WASHINGTON, Jan 11 2019 (IPS)

Es muy probable que el mes que viene, el presidente de Estados Unidos, Donald Trump, dé el próximo paso para cumplir con su amenaza de poner fin a uno de los acuerdos de reducción de armas nucleares más exitoso y de mayor alcance.

El Tratado sobre Fuerzas Nucleares de Alcance Intermedio fue suscrito en 1987 por la entonces Unión Soviética y Estados Unidos, y permitió la eliminación de 2.692 misiles soviéticos y estadounidenses estacionados en Europa.

El acuerdo contribuyó a poner fin a la Guerra Fría y permitió llegar a otros acuerdos de reducción de arsenales nucleares estratégicos y retirar miles de armas tácticas de las áreas donde estaban desplegadas.

El 4 de diciembre, el secretario de Estado (canciller) de Estados Unidos, Mike Pompeo, declaró que Rusia había presentado un sistema de lanzamientos de misiles desde tierra, el 9M729, que excede el límite de 500 kilómetros previsto en el tratado.

También anunció que en 60 días, el gobierno “suspendería” las obligaciones de Estados Unidos en el marco del tratado y anunció formalmente su intención de retirarse del mismo en seis meses, a menos que Rusia vuelva a respetarlo.

La suspensión permitirá a Washington tratar de acelerar el desarrollo de nuevos misiles, actualmente prohibidos por el tratado.

El no cumplimiento es inaceptable y se merece una respuesta fuerte. Pero las declaraciones públicas de Trump no harán que Rusia regrese.

Lo peor de todo, aniquilar el tratado sin otro plan podría abrir la puerta a una era peligrosa de competencia militar ilimitada con Rusia.

Sin ese tratado, varias tensiones aumentarán pues Washington considera desplegar nuevos misiles de mediano alcance en Europa, y quizá en otra parte, y Rusia considera aumentar el despliegue de 9M729 y de otros nuevos sistemas.

Esas armas nucleares, si se vuelven a desplegarse, podrían golpear objetivos dentro de Rusia y Europa occidental. Su capacidad de golpear un blanco en un lapso breve aumenta el riesgo de un mal cálculo en una crisis.

Cualquier ataque nuclear contra Rusia con misiles nucleares de alcance medio desde Europa podría derivar en un contraataque ruso en Europa y en territorio estadounidense.

El anunciar el ultimátum de Estados Unidos en relación con el tratado, Pompeo expresó su “esperanza” de que Rusia “cambie de curso” y vuelva a respetarlo. Esperar que Rusia reconozca su error de repente y elimine su sistema 9M729 no es una estrategia seria ni una con la que pueda contar la Organización del Tratado del Atlántico Norte (OTAN).

En cambio, los miembros de la OTAN deben insistir en que Estados Unidos y Rusia redoblen sus esporádicas conversaciones sobre el tratado, accedan a reunirse en un contexto formal y hagan propuestas para resolver los asuntos de mutuo interés relacionados con el tratado.

Lamentablemente, funcionarios estadounidenses se negaron a tomar la oferta rusa de discutir “toda propuesta de mutuo beneficio que tome en cuenta intereses y preocupaciones de ambas partes”. Eso es un grave error. La falta de disposición de ambas partes a involucrarse diplomáticamente desde que se probó por primera vez el misil 9M729, hace cinco años, nos trajo hasta este punto.

Salvo que haya un logro diplomático de último momento, los días del tratado están contados. No hacer nada no es una opción. Frente a la posibilidad de que el documento desaparezca este año, no es demasiado pronto para considerar cómo alejarse de una nueva carrera armamentística peligrosa y costosa en Europa.

Una opción sería que la OTAN declare, como bloque, que ninguno de sus miembros retirará ningún misil prohibido por el tratado ni ninguna capacidad nuclear similar en Europa mientras Rusia no levante los sistemas prohibidos en el tratado con posibilidad de llegar a territorio europeo. Eso obligaría a Rusia a retirar los misiles 9M729 desplegados en el oeste de su territorio.

Como Estados Unidos y sus aliados en la OTAN ya pueden desplegar sistemas de lanzamiento desde el aire y desde el mar contra objetivos clave de Rusia, no hay necesidad de un sistema de ese tipo.

También implicaría renunciar a los planes de Trump para un nuevo sistema prohibido por el tratado.

Aliados clave, entre los que incluso está Alemania, ya declararon que están en contra de estacionar nuevos misiles de alcance medio en Europa.

Ante la falta de un tratado, otro enfoque posible sería negociar un nuevo acuerdo que prohíba, de tal forma que se pueda verificar, los misiles lanzados desde tierra de mediano alcance con ojivas nucleares.

Como explica un estudio del Instituto de Investigación sobre Desarme de las Naciones Unidas, la tecnología y los procedimientos de verificación complejos que ya existen bajo el nuevo Tratado de Reducción de Armas Estratégicas (nuevo START), de 2010, se pueden aplicar casi sin modificación para verificar la falta de ojivas nucleares desplegadas en misiles de corto alcance.

Ese enfoque necesitará de mayores declaraciones e inspecciones de cualquier sistema de lanzamiento desde tierra previsto en el tratado. Para que tenga un valor duradero, ese marco requerirá que Moscú y Washington se pongan de acuerdo en ampliar el nuevo START, que se termina en 2021.

La crisis por el Tratado sobre Fuerzas Nucleares de Alcance Intermedio es un problema de seguridad global.

Sin propuestas serias de parte de Washington y Moscú, otros países tendrán que dar un paso al frente con soluciones creativas y pragmáticas, capaces de crear las condiciones necesarias para garantizar que los dos mayores actores nucleares cumplan con sus obligaciones legales para poner fin a la carrera armamentista y así reducir la amenaza nuclear.

Traducción: Verónica Firme

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La revolución cubana es también un producto turístico

IPS español - sex, 11/01/2019 - 11:08

Tres efectivos de las Fuerzas Armadas Revolucionarias, ante la entrada del mausoleo dedicado al héroe nacional de Cuba, José Martí, en el cementerio de Santa Ifigenia, donde también reposan las cenizas de Fide Castro, en la oriental ciudad de Santiago de Cuba. Crédito: Jorge Luis Baños/IPS

Por Ivet González
LA HABANA, Jan 11 2019 (IPS)

Monumentos, escenas de batallas, arquitectura colonial y paisajes naturales deslumbrantes, componen el potencial turístico de Santiago de Cuba, una ciudad del este de este país insular, que basa su atractivo en la historia de la Revolución que este año cumple 60 años.

“Por lo general, se conoce a Santiago como una ciudad de la Historia, que ha tenido que ver mucho con páginas trascendentes del país”, explicó a IPS el arquitecto Omar López, quien dirige la Oficina del Conservador de la Ciudad, conocida por epítetos como “La capital del Caribe”, “Ciudad Heroica” o “La cuna de la Revolución”.

Algunas maneras de poner en valor turístico y comercial a íconos como el guerrillero Ernesto “Che” Guevara (1928-1967), otras figuras de la Revolución Cubana de 1959 y los símbolos patrios cubanos, han causado polémicas, algunas de ellas recientes, aunque esta vía de revalorización parece hoy más aceptada en el país de gobierno socialista.

En Santiago de Cuba, a 847 kilómetros al este de La Habana, intentan romper con esos prejuicios y aportan otro punto de vista al problema, cuando se conmemoran diversas efemérides del acontecimiento emblemático del siglo XX, que hoy sigue provocando las reacciones más polarizadas dentro y fuera de la isla caribeña.

“La historia de la Revolución Cubana ya es reconocida mundialmente, pues jugó y sigue jugando un papel extraordinario a nivel continental y global. Esos escenarios históricos hay que mostrarlos y cuesta mucho dinero sostenerlos”, evaluó López, que coordina un equipo de 1.200 personas.

Fundada por los conquistadores españoles alrededor de una bahía de condiciones geográficas privilegiadas, la urbe ostenta un rostro remozado desde que en 2015 cumplió 500 años. Pero aún afronta obstáculos para beneficiarse del turismo, que es el segundo renglón de la economía cubana.

“Santiago tiene muchos escenarios relevantes en los cuales hay que trabajar para ponerlos en valores. Eso intentamos hacerlo bajo el principio de la sustentabilidad para que sea algo con futuro y que en el tiempo se consolide como forma económica”, continúo el arquitecto, sobre un reto para la segunda ciudad en importancia del país.

Autoridades y especialistas locales consultados por IPS coinciden en que la provincia de Santiago de Cuba tiene un potencial elevado por explotar, pero necesita reorganizar su producto turístico, elevar la capacidad de alojamiento y diversificar las limitadas posibilidades de transportación para llegar y luego recorrerla.

“La oferta al turismo, nacional o internacional, tiene que estar encaminada hacia la explotación de los valores históricos del territorio”, opinó Odalis Jiménez, la especialista principal del Museo Histórico 26 de Julio, quien remarcó la importancia de los visitantes nacionales, un segmento que crece gracias a las reformas económicas.

Fachada de la Ciudad Escolar 26 de Julio, el antiguo Cuartel Moncada, donde una parte es ocupada por el museo, en la ciudad de Santiago de Cuba, la segunda ciudad de este país caribeño. Crédito: Jorge Luis Baños/IPS

Rodeado de cercas amarillas y con la bandera rojinegra del movimiento principal del triunfo revolucionario del primero de enero de 1959, el museo donde trabaja Jiménez está en el otrora Cuartel Moncada, que asaltó, sin éxito, un grupo de jóvenes el 26 de julio de 1953 e inició lucha contra la dictadura de Fulgencio Batista (1952-1959).

“Este es uno de los lugares más visitados en la ciudad”, continuó la museóloga, para quien este y otros acontecimientos relacionados con el líder histórico de la Revolución Cubana, Fidel Castro (1926-2016), resultan atractivos para el turismo.

“La muerte de Fidel y su presencia en Santiago de Cuba ha provocado que se eleve la cifra de visitantes, si bien fluctúa a lo largo del año debido a las temporadas turísticas”, observó la historiadora, sobre el impacto en ese sentido de que las cenizas de Castro reposen en el cementerio patrimonial de Santa Ifigenia.

Casi a la hora de cierre del museo, en un tarde lluviosa, tres turistas extranjeros recorrían las instalaciones donde se muestran fotos de los acontecimientos y los artefactos que usaban para torturar las fuerzas de Batista. Ninguno quiso identificarse ni ser fotografiado por IPS.

“Estamos haciendo una ruta por Cuba durante tres semanas, por diferentes ciudades. Vinimos aquí más bien porque era una ciudad grande”, dijo Arnau, un joven español que viajó junto con una chica alemana llamada Verena.

“Vinimos porque no sabíamos mucho de la historia… Queríamos saber detalles, donde empezó todo”, compartió, después de preferir omitir sus apellidos.

Para el último visitante del día, “Santiago de Cuba es un buen lugar para explorar el oriente. La ciudad en sí misma es muy interesante al igual que la naturaleza”. Puntualizó que estaba más interesado en “la historia de las áreas alrededor de la Sierra Maestra”, en cuyas montañas se conformó el ejército liderado por Fidel Castro.

La polarización ideológica que rodea a la Revolución Cubana, tanto en el ámbito nacional como internacional, puede ser un obstáculo para la afluencia de turistas a esta ciudad.

 

Exterior del restaurado edificio patrimonial que alberga la sede del actual gobierno municipal, ubicado en el parque Carlos Manuel de Céspedes, en la ciudad de Santiago de Cuba. Crédito: Jorge Luis Baños/IPS

Su 60 aniversario mostró la persistencia del problema pues provocó desde grandes celebraciones de las autoridades cubanas en esta ciudad, una presunta amenaza de bomba en un acto planificado en Chile hasta polémicas en Internet.

Sin embargo, esta ciudad ha sido también el escenario y cuna de hechos y personalidades fundacionales de la nación cubana, desde el ámbito político hasta religioso.

“Aquí se respira historia”, comentó la trabajadora privada Anabel Pérez, que vive en la provincia central de Camagüey. “Todo está muy lindo y ha sido muy bueno para la educación de los niños ver monumentos como la tumba de José Martí (1853-1895)”, dijo la mujer, que recorría las calles de esta ciudad de 510.000 habitantes por primera vez.

Abrasada por el húmedo calor del oriente cubano, que a ratos espanta la brisa marina, la ciudad es una meca para el turismo nacional por sus valores patrimoniales e históricos, para admirar la restauración de la que tanto se habla en la isla y por estar en el camino al Santuario Nacional de El Cobre, donde se venera a la Virgen de la Caridad, patrona católica de Cuba y a la que siguen fieles de otras confesiones.

Autoridades locales consultadas por IPS indican que la afluencia de turistas nacionales e internacionales se comporta casi por igual, en una provincia donde el turismo no figura entre los rubros claves de la economía.

Este país insular caribeño de 11,2 millones de habitantes recibió 4,75 millones de visitantes internacionales en 2018, lo que representó 1,3 por ciento más que el año precedente.

Pero la cifra estuvo por debajo de la meta prevista de alcanzar por primera vez cinco millones de turistas, en un sector que debe diversificarse para elevar los ingresos promedio por visitante.

Ahora ralentizado, la isla caribeña vive desde 2015 un boom turístico, al que contribuyó en buena parte el histórico acercamiento con Estados Unidos.

Pero pese al enfriamiento entre La Habana y Washington, desde la llegada a la presidencia estadounidense de Donald Trump, se registraron 639.000 visitantes del país vecino en 2018.

Colindante con la ciudad de Santiago, el municipio de Guamá, que es el más largo de Cuba, presenta problemas parecidos a la histórica urbe de cara a la explotación turística.

“Existe la ruta turística, pero falta organizarla mejor y promoverla”, evaluó el alcalde Eldis Hermida Benítez. “Tenemos sitios históricos y condiciones naturales como cascadas, montañas y extracción de madera, para favorecer el turismo de senderismo”, estimó.

Edición: Estrella Gutiérrez

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Venezuela repite presidente con caída libre de su economía y calidad de vida

IPS español - qui, 10/01/2019 - 18:43

Nicolás Maduro juró para un segundo período como presidente de Venezuela y en cadena de radio y TV criticó a los gobiernos americanos y europeos que lo consideran ilegítimo y piden una nueva elección. Crédito foto: Ministerio de Comunicación e Información

Por Humberto Márquez
CARACAS, Jan 10 2019 (IPS)

Nicolás Maduro inició este jueves su segundo mandato sexenal (2019-2025) en Venezuela, con el desconocimiento de la oposición y decenas de gobiernos de América y Europa, mientras la mayoría de sus compatriotas permanece sumida en una crisis marcada por el desplome de la economía y de los indicadores de la calidad de vida.

Al inicio del nuevo período “tendremos tres líneas de trabajo: consolidación de la paz, recuperación de la economía y lucha contra la indolencia, la burocracia y la corrupción”, proclamó el presidente en un discurso en el que dedicó largos tramos a criticar a los gobiernos de Estados Unidos, de la Unión Europea (UE) y parte de América Latina y el Caribe.

Mientras Maduro juraba su cargo, un termómetro de la economía, la cotización del dólar en el mercado paralelo, se triplicaba con respecto a su valor el último día de diciembre, mientras los precios de los productos básicos han seguido un comportamiento similar, dislocando aún más la situación social y económica.“A partir de este 10 de enero, Venezuela pierde su GPS constitucional y entramos en un terreno de incertidumbre en el que se borran las reglas de la lucha política”: Luis Salamanca.

Fuera del país, el Consejo Permanente de la Organización de Estados Americanos (OEA) acordó este mismo jueves, con 19 votos a favor, seis en contra y ocho abstenciones, “no reconocer la legitimidad” del mandato de Maduro y llamó a que se celebren nuevos comicios, con observación internacional, “en una fecha cercana”.

En tanto, la jefa de la diplomacia de la Unión Europea, Federica Mogherini, declaró desde Bruselas que “la UE lamenta que el presidente Maduro emprenda hoy un nuevo mandato sobre la base de elecciones no democráticas” y advirtió que ese grupo de 28 naciones tomará “medidas adecuadas” si se deterioran las condiciones de la democracia y los derechos humanos.

El acto de investidura también mostró la situación política interna.

Maduro, en el poder desde 2013, juró ante el Tribunal Supremo de Justicia (TSJ), que invariablemente ha respaldado su gobierno. Se trata de una previsión excepcional de la Constitución, que regularmente ordena juramentarse ante la legislativa Asamblea Nacional.

La razón es que el parlamento unicameral  ya declaró al gobernante como “usurpador” de la presidencia.

La Asamblea Nacional, de mayoría opositora (112 de los 165 diputados electos en 2015) y principal ariete político de los adversarios de Maduro, está en “desacato” según dictaminó el TSJ hace dos años, y las demás instituciones del Estado, incluida la Fuerza Armada, hacen oídos sordos a sus decisiones.

“A partir de este 10 de enero, Venezuela pierde su GPS constitucional y entramos en un terreno de incertidumbre en el que se borran las reglas de la lucha política”, dijo a IPS el politólogo Luis Salamanca, utilizando un símil con el conocido sistema de posicionamiento global.

La mayoría de los gobiernos de América y Europa basan su desconocimiento a Maduro en que su elección habría sido fraudulenta, y en cambio reconocen como legítima a la Asamblea Nacional, cuyo mandato comenzó hace cuatro años.

El 20 de mayo de 2018, con una abstención oficial récord de 54 por ciento que la oposición y organismos independientes elevan a cotas superiores, las urnas entregaron a Maduro 6,1 millones de votos frente a 2,8 millones reunidos por dos adversarios.

Los principales partidos y líderes de la oposición estaban ilegalizados y los gobiernos críticos junto a la UE y al secretario general de la OEA, Luis Almagro, consideraron que no hubo limpieza ni imparcialidad, en unos comicios bajo una autoridad electoral también cercana al gobierno.

Salamanca, docente de la pública Universidad Central de Venezuela, considera que el panorama que gobernará Maduro “es inédito y precario”.

“Se sostiene por la fuerza y sus opositores se han dividido, pero su gobierno presenta varias líneas de erosión: la crisis económica, la crisis fiscal del Estado, una población con graves necesidades y una búsqueda de vencer la resistencia a ceder que tiene este régimen”, analizó.

La crisis económica es descrita con indicadores esenciales: el producto interno bruto cayó 51 por ciento entre 2015 y 2018 según el Banco Mundial, al pasar de un estimado de 300.000 millones de dólares a comienzos de la década a bordear al cierre de 2018 los 100.000 millones.

Y en 2019 la previsión es que retroceda otro 10 por ciento, adelantó el 20 de diciembre la Comisión Económica para América Latina y el Caribe (Cepal).

El indicador más dramático es el de la hiperinflación, la más larga y profunda conocida en la historia de América, cifrada para 2018 en 1.698.488 por la Asamblea Nacional, a falta, desde 2015, de cifras del emisor Banco Central o del gobierno.

El Fondo Monetario Internacional ha dicho que en 2019 la inflación venezolana podría llegar a diez millones por ciento.

Ese panorama “ha dividido a los venezolanos en dos grupos: los que tienen algún ingreso en moneda extranjera y así pueden protegerse parcialmente de la hiperinflación, no más del 30 por ciento de la población, y los que solo obtienen ingresos en bolívares, que son la mayoría y su capacidad de defenderse de la crisis es muy limitada”, dijo a IPS el economista Asdrúbal Oliveros, de la firma de consultoría Ecoanalítica, una de las principales del país.

Las perspectivas son cada vez más sombrías: durante un siglo gran productor y exportador de petróleo, Venezuela extrae y vende cada vez menos crudo, algo más de un millón de barriles (de 159 litros) por día, versus tres millones de unidades hace seis años.

Los ingresos por petróleo, casi única fuente de divisas, dijo Oliveros, “fueron de unos 26.000 millones de dólares en 2018 y este año pueden caer a la mitad, resultar mínimos a partir de junio e incidir en el abastecimiento de combustible (que precisa de componentes importados) y de las CLAP”, como se conoce a las cajas con alimentos subsidiados que distribuye el gobierno.

La carestía disparada por la hiperinflación, sumada a la inseguridad (más de 20.000 homicidios por año en este país de 31,8 millones de habitantes) y el deterioro de servicios esenciales como electricidad, gas, agua potable y, sobre todo, de la salud, han impulsado un éxodo masivo de más de tres millones de habitantes, según agencias del sistema de Naciones Unidas.

La Encuesta Nacional de Condiciones de Vida, que desde 2014 realizan tres de las principales  universidades,  ha mostrado que la pobreza en Venezuela alcanzaba en 2017-2018, el período en que se intensificó la migración, a 87 por ciento de la población, medida de acuerdo a sus niveles de ingreso, y 48 por ciento al ponderar las condiciones de vida de los hogares.

Según ese estudio 16 millones de personas reciben las cajas de alimentos a precios subsidiados, generalmente una vez al mes, pero la insuficiencia de alimentos se refleja por ejemplo en la deserción escolar, que en 2018 alcanzó a 30 por ciento de la matrícula.

Para los venezolanos de a pie, dijo Salamanca, la situación política y económica está “repleta de frustración e incertidumbre, sin salida a la vista”.

Mientras, a su juicio, el gobierno de Maduro “aún bajo la presión internacional puede continuar y que no cambie nada, pero también en el nuevo cuadro político marcado por esa incertidumbre puede ocurrir cualquier cosa”.

Edición: Estrella Gutiérrez

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Periodismo de Nicaragua bajo tormenta represiva

IPS español - qui, 10/01/2019 - 17:08

Entrega del Premio a la Excelencia del Periodismo Pedro Joaquín Chamorro, origen de una dinastía periodística en Nicaragua, de la Fundación Violeta Barrios de Chamorro. Durante el acto, el 9 de enero en Managua, se lanzó también un informe sobre la dura represión al periodismo durante 2018. Crédito: José Adán Silva/IPS

Por José Adán Silva
MANAGUA, Jan 10 2019 (IPS)

Ocho meses de crisis social y política en Nicaragua han golpeado al periodismo crítico de país, con 712 casos de violación al libre ejercicio del periodismo, un periodista asesinado, dos presos y decenas exiliados, además de varios medios asaltados por la fuerza pública.

Un informe de la no gubernamental Fundación Violeta Barrios de Chamorro, denominado “2018 Año de Jornada Represiva contra la Libertad de Prensa en Nicaragua” y presentado el miércoles 9, revela que entre abril y diciembre se produjeron 712 violaciones a la libertad de prensa y el ejercicio periodístico.

Guillermo Medrano, autor del informe, dijo a IPS que el estudio refleja que el periodismo nicaragüense se ha convertido en una profesión de alto riesgo, “llegando al extremo de que se ha criminalizado oficialmente el ejercicio periodístico al acusarse penalmente por terrorismo a dos periodistas que criticaban al gobierno”.

Medrano se refiere a los periodistas Lucía Pineda Ubau y Miguel Mora, directora de prensa y propietario del canal informativo de televisión 100% Noticias, respectivamente.

Los dos profesionales fueron detenidos el 21 de diciembre en la sede del canal y acusados posteriormente como autores de los delitos de “proposición, provocación y conspiración para cometer actos de terrorismo”.

Antes de ser apresados y permanecer desaparecidos varios días, simpatizantes del gobierno de Daniel Ortega habían denunciado ante el Ministerio Público (fiscalía) a Pineda, Mora y otros periodistas del canal por supuesta “promoción del odio”, por su línea editorial crítica.

Los familiares y abogados no han podido ver a los periodistas, que serían enjuiciados este mismo mes. El edificio donde funcionaba la televisora fue clausurado, su señal sacada del aire y sus cuentas y bienes embargados por las autoridades.

Las detenciones de los dos comunicadores ha generado el reclamo de organizaciones internacionales de derechos humanos y de defensa de la libertad de expresión.

El Comité para la Protección de Periodistas (CPJ, en inglés), emitió un comunicado respaldado por 300 reconocidos periodistas de todo el mundo, donde condenó las detenciones y exigió su pronta liberación.

El documento incluye también una condena enérgica contra el Estado de Nicaragua por el asalto y toma de las redacciones de la revista  Confidencial, su portal digital, el sitio Niú y los programas de televisión Esta Semana y Esta Noche.

Ese grupo de medios pertenece al periodista Carlos Fernando Chamorro y esta acción, ocurrida el 14 de diciembre, fue el comienzo de la última y radical ofensiva de Ortega contra el periodismo independiente.

Aparte de la criminalización de los dos periodistas, el informe detalla que un periodista fue asesinado en abril, al menos 54 se han exiliado por amenazas y persecución política, y 93 fueron heridos y golpeados.

Además, 102 medios y periodistas fueron censurados en sus espacios informativos, 21 sufren hostigamiento judicial o procesos investigativos y 171 han sido intimidados de diferentes maneras.

Un efectivo custodia la clausurada sede de la revista Confidencial y otros medios digitales y de televisión, propiedad de Carlos Fernando Chamorro, que fue tomada el 14 de diciembre por la Policía Nacional de Nicaragua y permanece confiscada desde entonces. Crédito: Jader Flores/IPS

“Es una situación que no habíamos visto desde los años de (la dictadura dinástica de los) Somoza, ni en tiempos de la guerra contra Estados Unidos. Es aterrador”, dijo a IPS la escritora Gioconda Belli, presidenta del capítulo Nicaragua de la Asociación Internacional de Periodistas y Escritores, más conocida como PEN-International.

Según la escritora, el régimen del exguerrillero sandinista “ha sobrepasado los horrores de las dictaduras del pasado que América Latina recuerda”, al enfilar sus ataques contra campesinos, estudiantes, mujeres feministas, sectores religiosos y, finalmente, contra los periodistas y medios de comunicación.

“Ha cometido la atrocidad de declarar como terrorismo al periodismo; ha secuestrado y enjuiciado como delincuentes a dos periodistas, Miguel Mora y Lucía Pineda; ha asaltado las salas de redacción y confiscado medios de comunicación privado, como el Confidencial”, denunció.

Además, “ahora quiere ahogar a La Prensa al negarle el papel”, alertó Belli.

Los periódicos de mayor circulación en Nicaragua, La Prensa y El Nuevo Diario, ambos de línea opositora, han informado que sus reservas de papel se agotarán en pocos meses y que las autoridades aduaneras les bloquean las importaciones de la materia prima.

Un periódico pequeño, Q´hubo, de la editorial ND Medios, ya cerró en diciembre su circulación por falta de papel.

El edificio donde funcionaba el grupo del Confidencial fue tomado por la Policía Nacional, luego que la Asamblea Nacional eliminara las personalidades jurídicas de varias organizaciones no gubernamentales.

El gobierno vincula a esos medios al Centro de Investigaciones de la Comunicación, una de las organizaciones no gubernamentales que fue anulada junto a otras ocho, bajo la acusación de “promover el terrorismo”.

Sin embargo, Chamorro aseguró que tanto el edificio de oficinas y los medios censurados pertenecen a la empresa Invermedia y Promedia y no tienen relación alguna con la oenegé clausurada.

Carlos Fernando Chamorro, entre un enjambre de colegas periodistas, presenta ante la Fiscalía General de la República de Nicaragua, el 19 de diciembre, la denuncia sobre el asalto y confiscación de las instalaciones y equipos del Confidencial y otros medios informativos por efectivos policiales, cinco días antes. Crédito: Jader Flores/IPS

El asalto y la confiscación de sus equipos e instalaciones son, denunció, “un ataque directo contra el periodismo y la empresa privada”.

Arlen Cerda, jefa de redacción de Confidencial y bajo medidas cautelares de protección de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH), dijo que la publicación es víctima de una escalada represiva “sin precedentes” en el periodismo moderno nicaragüense, mientras manifestó la voluntad de sus periodistas de seguir informando, “aunque sea con las uñas”.

“Con el asalto nos llevaron los equipos, los archivos, las bases de datos, no teníamos un techo para trabajar”, explicó. “Pero también desde el principio hemos mantenido la convicción firme de que no nos van a callar, haciendo lo posible desde lo mínimo, con calidad, para responder a las audiencias que están pendiente de nuestro contenido”, dijo.  

En crisis desde abril

Ortega, de 74 años, ya gobernó el país entre 1985 y 1990, como líder del Frente Sandinista de Liberación Nacional (FSLN), que derrotó en 1979 a Anastasio Somoza. Desde el triunfo de la revolución sandinista, integró además la Junta de Gobierno de reconstrucción nacional.

La actual crisis en este país centroamericano con 6,4 millones de personas comenzó en abril del 2018, detonada por una polémica reforma de la seguridad social luego retirada, que desnudó el descontento con el gobierno de amplios sectores populares.

Las protestas, encabezadas por estudiantes universitarios, se prolongaron hasta julio y durante ellas, según la CIDH, 325 personas fueron asesinadas, la mayoría a manos de policías y fuerzas irregulares organizadas por el gobierno.

El gobierno reduce las víctimas mortales a 199, cuya responsabilidad achaca a” grupos terroristas que intentaban dar un golpe de Estado”.

Desde el exilio

Luis Galeano, director del programa Café con Voz, que se transmitía en el canal 100% Noticias, salió del país en diciembre, luego que el gobierno dictara una orden de captura en su contra por “promover el terrorismo”.

“Las acusaciones son absurdas, buscan callar las voces críticas, pero no lo van a lograr, porque nosotros como periodistas vamos a seguir informando desde donde sea, desde el exilio, desde la cárcel, desde las redes sociales, desde la clandestinidad, de donde sea”, dijo a IPS desde Miami.

De igual modo la periodista Jeniffer Ortiz, directora de la plataforma digital  Nicaragua Investiga, contó a IPS que salió del país por amenazas directas contra ella por su trabajo periodístico.

“Tengo un par de meses de estar fuera de Nicaragua. Salí a causa de las constantes amenazas y asedios en nuestra casa. Nos enviaban también mensajes por redes”, contó desde San José de Costa Rica.

Ella narró que debido al aumento de la represión, muchas de sus fuentes dejaron de hablar con su medio, lo cual sumado a la crisis económica y las amenazas, la forzaron a continuar su labor desde fuera de Nicaragua.

“Ahora estamos en el exilio conscientes que a nuestros colegas allá se le complica cada vez más hacer su trabajo por las amenazas. Las fuentes tienen miedo y nosotros desde aquí podemos continuar el trabajo y aportar al flujo de información diario que tanto demanda la gente”, dijo a IPS.

Edición: Estrella Gutiérrez

 

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El mundo registra un aumento de la trata personas

IPS español - qui, 10/01/2019 - 13:15

Niñas y niños malnutridos corretean afuera de las tiendas de raciones en India. La inscripción en la pared del comercio forma parte de la publicidad de una compañía multinacional de telecomunicaciones ofreciendo teléfonos baratos en este país con el mayor número de personas pobres con hambre. Crédito: Neeta Lal/IPS

Por Tharanga Yakupitiyage
NACIONES UNIDAS, Jan 10 2019 (IPS)

La trata de personas aumenta en el mundo y adquiere una dimensión “horrible” como nunca antes, concluye un estudio de la Organización de las Naciones Unidas.

En el nuevo documento, que analiza las distintas modalidades de trata de personas, la Oficina de las Naciones Unidas contra la Droga y el Delito (UNODC) concluyó que aumenta la tendencia global de forma sostenida desde 2010.

“La trata de personas adquirió una dimensión espantosa, pues grupos armados y terroristas lo usan para propagar el miedo y obtener víctimas para ofrecer como incentivo para reclutar nuevos combatientes”, explicó el director ejecutivo de UNODC, Yury Fedotov.

Asia y América registró el mayor aumento en la identificación de víctimas, pero el informe señala que también puede reflejar una mayor capacidad para identificar y registrar datos sobre trata de personas.

Las mujeres y las niñas son especialmente vulnerables, y representan 70 por ciento de las víctimas en todo el mundo. Son, principalmente, mujeres adultas, pero las niñas son un blanco creciente de los traficantes.

Según el Informe Global sobre la Trata de Personas, las niñas representan 23 por ciento de las víctimas, por encima del 21 por ciento registrado en 2014, y del 10 por ciento, de 2004.

UNODC también subrayó que los conflictos aumentaron la vulnerabilidad de esas personas, pues los grupos armados recurren a esas prácticas para financiar sus actividades o aumentar sus fuerzas.

La activista y embajadora de buena voluntad de las Naciones Unidas, Nadia Murad, fue una de las miles de mujeres yazidíes secuestrada en su pueblo natal y vendida como esclava sexual por el Estado Islámico en Iraq, una estrategia utilizada para aumentar sus reclutas y recompensar a los soldados.

Murad recibió el Premio Nobel de la Paz, en 2018, que dedicó a las sobrevivientes de violencia sexual y genocidio.

“Las sobrevivientes se merecen un camino seguro y protegido hacia su hogar y un paso seguro a otro lugar. Debemos apoyar los esfuerzos para concentrarnos en la humanidad y superar las divisiones políticas y culturales”, subrayó.

“No solo tenemos que imaginar un futuro mejor para las mujeres, niñas, niños y minorías perseguidas, sino también tenemos que trabajar de forma consistente para que se concrete, priorizando la humanidad, no la guerra”, añadió.

“El hecho sigue siendo que la única recompensa en el mundo que puede restablecer nuestra dignidad es la justicia y el procesamiento de los criminales”, añadió Murad.

La explotación sexual continúa siendo el principal motivo de la trata, y representa casi 60 por ciento de los casos identificados, seguida del trabajo forzado, 34 por ciento.

Las tres cuartas partes de las mujeres víctimas de trata terminan sufriendo explotación sexual.

El informe también concluyó por primera vez que la mayoría de las víctimas de trata se encuentran en esa situación dentro de las fronteras de su propio país.

La proporción de víctimas “domésticas” aumentó a más del doble, de 27 por ciento, en 2010, a 58 por ciento, en 2016.

Eso quizá se deba al mayor control de las fronteras, que impiden el cruce de los delincuentes, así como una mayor conciencia sobre las diferentes formas de trata, analiza el informe.

Las condenas comenzaron a aumentar hace poco y, en muchos países, siguen siendo demasiado bajas, lo que genera gran preocupación.

En Europa, la proporción de condenas cayó de 988 traficantes, en 2011, a 742, en 2016.

En ese período, el número de víctimas detectadas aumentó de 4.248 a 4.429.

Sigue faltando información y conocimiento, en particular en ciertas partes de África, Medio Oriente y Asia Pacífico, donde todavía no hay suficiente capacidad para registrar y compartir datos sobre este flagelo.

“Este informe muestra que debemos intensificar la asistencia técnica y fortalecer la cooperación para apoyar a todos los países con el fin de que puedan proteger a las víctimas y llevar a los criminales ante la justicia y, así, lograr los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS)”, destacó Fedotov en la presentación del estudio.

Adoptados en 2015, los históricos ODS incluyen ambiciosas metas como la 16.2 que insta a los Estados miembros a que pongan fin al abuso, a la explotación, a la trata de personas y a todas las formas de violencia y tortura contra niñas y niños.

El indicador para medir su logro exige medir el número de víctimas de trata cada 100.000 personas y desagregarlas por sexo, edad y forma de explotación, lo que refleja la importancia de mejorar el registro de datos, la recolección y la diseminación.

“La comunidad internacional necesita poner fin a la trata de personas en situaciones de conflicto y en todas nuestras sociedades donde este es un crimen terrible que sigue operando en las sombras”, señaló Fedotov.

“Insto a la comunidad internacional a prestar atención al reclamo de justicia de Nadia (Murad)”, añadió.

Traducción: Verónica Firme

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Cambio climático amenaza la costa atlántica mexicana

IPS español - qua, 09/01/2019 - 14:22

Ecosistemas como la laguna de Síijil Noh Há (donde nace el agua, en maya), en Felipe Carrillo Puerto, en la península de Yucatán, soportan ya los impactos del cambio climático en uno de los municipios de México incluidos entre los más vulnerables a fenómeno. Crédito: Emilio Godoy/IPS

Por Emilio Godoy
FELIPE CARRILLO PUERTO, México, Jan 9 2019 (IPS)

“No pude sembrar la milpa en mayo, porque llovió antes. Perdí todo”, lamentó el indígena maya Marcos Canté al contar los estragos que el cambio climático ocasiona en este municipio de la costa caribeña de México.

El fenómeno, causado por las actividades humanas relacionadas especialmente con la quema de combustibles fósiles, ha alterado las prácticas ancestrales indígenas que vaticinan el tiempo de sequía y de lluvia para trabajar la tierra para la milpa, el cultivo conjunto de maíz, calabaza, frijol y chile (ají o pimiento), tradicional desde el centro de México hasta el norte de Nicaragua.

Ello mismo ha variado la práctica de “roza, tumba y quema”, como se denomina localmente la remoción de vegetación en un terreno, su incineración y la preparación para la siembra.

Canté, representante de la cooperativa ecoturística Xyaat (un tipo de palma, en lengua maya), aseguró en diálogo con IPS que “el cambio climático afecta mucho, el clima va cambiando demasiado. La agricultura ya no da”. Mientras, se prepara para la nueva temporada de siembra, con la esperanza de que el cielo llore y riegue los surcos.

El productor maya vive en el ejido Señor, parte de este municipio, Felipe Carrillo Puerto (FCP), en el sudoriental estado de Quintana Roo. En Señor viven unos 450 ejidatarios, bajo este sistema tradicional azteca de tierras de explotación colectiva que pueden venderse.

Este estado y sus vecinos Campeche y Yucatán componen la península de Yucatán y son altamente vulnerables a las secuelas del cambio climático, así como los estados de Tamaulipas, Veracruz y Tabasco, contiguos al Golfo de México que, con el mar Caribe, forman parte de la costa atlántica mexicana.

Entre esas consecuencias aparecen el aumento de la temperatura, huracanes y tormentas más intensas y frecuentes, la subida del nivel del mar por el derretimiento del océano Ártico, sequías y pérdida de biodiversidad.

La península de Yucatán está poblada por 4,5 millones de habitantes, en un país con una población de 129 millones, y suma 151.515 kilómetros cuadrados y una costa caribeña de1.766 kilómetros cuadrados.

Además, esta región peninsular padece la mayor tasa de deforestación en el país, sin que los subsidios gubernamentales haya revertido esa condición, según el informe “Subsidios forestales sin rumbo”, divulgado en diciembre por el no gubernamental Consejo Civil Mexicano para la Agricultura Sostenible.

La península alberga el macizo selvático más importante de América Latina, después de la Amazonia, y un área clave en la conservación de la riqueza natural en México, que ocupa el puesto 12 entre los países más megadiversos del planeta.

La indígena María Eugenia Yam, también residente en FCP, un municipio de 81.000 habitantes, coincidió con Canté en resaltar a IPS con preocupación que “las lluvias ya no son las de antes y la milpa ya no da”.

Yam, empleada de la cooperativa Síijil Noh Há (donde brota el agua, en  maya), propiedad del ejido Felipe Carrillo Puerto, en el municipio homónimo, lamentó que la producción agrícola esté decayendo, en detrimento de los campesinos de la zona que también siembran yuca y cultivan miel.

Un sendero en la reserva comunitaria de Síijil Noh Há (donde nace el agua, en maya), en Felipe Carrillo Puerto, en el sudoriental estado de Quintana Roo, parte de la península de Yucatán, en México. La conservación de la selva es una medida de adaptación al cambio climático, pues contribuye a mantener la temperatura y contiene los embates de los huracanes. Crédito: Emilio Godoy/IPS

Los tres estados de la península aportan una cuota baja de emisiones, donde el mayor contaminador es Campeche, con 14,5 millones de toneladas de gases de efecto invernadero (GEI), responsables del recalentamiento planetario. Le sigue Yucatán (10,9 millones) y Quintana Roo (3,48 millones), según las últimas mediciones realizadas por cada una de sus gobernaciones.

En 2016, México emitió a la atmósfera 446,7 millones de toneladas netas de GEI, estableció el estatal Instituto Nacional de Ecología y Cambio Climático (INECC).

Dentro de la península, el estado de Yucatán cuenta con 17 alcaldías vulnerables al cambio climático, Campeche, 10, y Quintana Roo, tres, entre ellas la de FCP. En total, 480 municipios mexicanos están especialmente expuestos al fenómeno, de los 2.457 en que se divide el país, según un informe del INECC.

En Campeche, el Programa Estatal de Acción ante el Cambio Climático 2030 presagia un incremento de entre 2,5 y cuatro grados centígrados entre 1961 y 2099, con impactos sobre las comunidades, las actividades económicas y la riqueza natural.

Asimismo, el estudio de 2012 “Impactos del incremento en el nivel medio del mar en la zona costera del Estado de Campeche, México”, elaborado por el Banco Mundial y el gobierno estadal, alerta de que la vulnerabilidad por la subida del nivel del mar afecta a 440.000 personas, más de la mitad de la población local- están bajo vulnerabilidad por la subida del nivel del mar.

“El cambio climático incrementará la inundación y erosión costera en un futuro” y se producirá una vigorización en la probabilidad de mareas por tormenta extremas sobre las costas, según el análisis, que predice una crecida de la línea de agua de 0,1 a 0,5 metros en 2030 y de 0,34 a un metro en 2100.

En Quintana Roo, la lluvia anual será cada vez más irregular. El periodo de precipitaciones se acortará entre 5 y 10 por ciento en 2020, mientras que oscilará entre un aumento de 10 por ciento y una caída de 20 por ciento en 2080. Además, la temperatura se calentará entre 0,8 y 1,2 grados centígrados en 2020 y entre 1,5 y 2,5 grados en 2080.

En el estado de Yucatán enfrenta un panorama similar, con un caldeamiento de la temperatura anual de entre 0,5 y 0,8 grados para el período 2010-2039. Las precipitaciones anuales alternarán caídas de hasta casi 15 por ciento y ascensos de uno por ciento en ese lapso.

Si bien los tres estados cuentan con instrumentos para contraponerse al fenómeno, como leyes de cambio climático –a excepción de Campeche-, programas especiales e incluso un plan regional, la perspectiva difiere en el plano local, pues muchos municipios carecen de esas medidas.

La Estrategia de Cambio Climático de la Península de Yucatán, elaborada por los tres gobiernos estadales, aspira a desarrollar una estrategia regional de adaptación, la ejecución del programa regional de reducción de emisiones provenientes de la deforestación y la degradación del bosque, así como la creación del fondo climático.

El plan busca reducir las emisiones de esta región en 20 por ciento en 2018 y en 40 por ciento en 2030, con base en los niveles de 2005.

La región lanzó en septiembre de 2017 el Fondo Climático de la Península de Yucatán, pero apenas empieza a operar.

Hasta ahora, el escrutinio de las acciones aplicadas resulta complejo.

La “Evaluación estratégica del avance subnacional de la política nacional de cambio climático”, publicada por el INECC en noviembre y que indagó en tres municipios de la península, concluyó  que las autoridades estadales y municipales reportan múltiples acciones de adaptación, pero sin acreditar cómo se abate la vulnerabilidad.

Por ello, considera “necesidad urgente” la creación y fomento de capacidades para enfrentar el cambio climático.

“Tenemos que hacer todo más sostenible, pero es un esfuerzo local. Si los que gobiernan y toman decisiones tuvieran más conciencia, lo lograríamos”, planteó Canté.

Por su parte, Yan propuso reforestar, reducir la generación de basura, conservar la biodiversidad y educar a la niñez sobre la importancia del cuidado ambiental. “Mantener la selva es una buena medida de adaptación. Pero los municipios deben tener programas climáticos y nombrar a funcionarios que sepan” del tema, sugirió.

Edición: Estrella Gutiérrez

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Camboya a 40 años de la caída del Jemer Rojo

IPS español - qua, 09/01/2019 - 13:15

Un turista observa las fotografías de las personas que murieron durante el régimen del Jemer Rojo. Crédito: Robert Carmichael/IPS.

Por Kris Janssens
PHNOM PENH, Jan 9 2019 (IPS)

Esta semana se conmemora el triunfo del ejército de Vietnam sobre el régimen camboyano del Jemer Rojo. Entre abril de 1975 y enero de 1979 murieron entre 1,5 y dos millones de camboyanos, una cuarta parte de la población de este país asiático.

El aniversario, cumplido el 7 de enero, no se celebra realmente, pues después de tantos años, sigue siendo un asunto delicado y controvertido, en parte porque el genocidio vino “de adentro”. Casi todas las familias tienen alguna disputa que se remonta a esa época oscura de Camboya.

¿Cómo pudo pasar?

La guerrilla marxista creció con apoyo de Vietnam del Norte. El general camboyano Lon Nol, quien llegó al poder en 1970 tras un golpe de Estado, quiso luchar contra el avance de los comunistas y recibió apoyo de Estados Unidos, que estaba saliendo de la guerra de Vietnam (1955-1975).

Los bombardeos estadounidense golpearon a muchos civiles, que comenzaron a descreer del gobierno y dieron la bienvenida a los soldados del Jemer Rojo, cuando estos marcharon hacia Phnom Penh, en 1975.

Pero la euforia se volvió temor. La vida de la gente corría peligro si la consideraban “intelectual”. Ser capaz de leer, hablar otros idiomas o incluso, usar gafas, podía ser fatal.

En el documental “Iron legs” (piernas de hierro), de la realizadora Vanna Hem, San Sovan explica cómo escapó de la muerte.

“Me pidieron que escribiera algo”, recuerda. Ella es zurda, pero usó la derecha para que la letra le quedara ilegible y así quedó libre, tildada de “analfabeta”.

Hambre y tortura

El líder guerrillero Pol Pot quería construir una sociedad agraria, sin interferencia externa. La gente tuvo que abandonar las ciudades y fue obligada a trabajar en el campo. Muchas personas murieron de hambre, de agotamiento o por enfermedades.

El régimen sospechaba de todo y todo posible enemigo sufría torturas y era asesinado. La ejecuciones ocurrían en “Tuol Sleng” o “prisión S21”, en la capital camboyana, la que refleja claramente la violencia vivida en aquellos años.

Como era una escuela, todavía se pueden ver los salones convertidos en cámaras de tortura. El edificio permanece intacto desde entonces.

Este periodista de IPS visitó el museo del genocidio el joven tailandés Toby, quien se encontraba por primera vez en la capital de Camboya. Durante la recorrida, Toby permanece muy callado. “¿Podemos irnos?”, preguntó al rato.

Cuando supo que soldados del Jemer Rojo habían matado niños, dio por terminada la visita. El régimen consideró que se vengarían cuando se enteraran de que habían sido asesinado a sus padres.

Justicia

En una rara entrevista con el periodista estadounidense Nate Thayer, Pol Pot declararía que “tiene la conciencia tranquila”.

El líder del Jemer Rojo reconoció haber matado enemigos del movimiento, pero arguyó: “teníamos que defendernos. Decir que millones murieron es demasiado”.

La entrevista tuvo lugar en Anlong Veng, cerca de la frontera con Tailandia, donde Pol Pot vivió más de 20 años tras la caída del régimen. Murió en 1998 y nunca compareció ante la justicia. Lo mismo sucedió con la mayoría de los líderes del movimiento.

Hay un tribunal del Jemer Rojo, que en noviembre de 2018 emitió un veredicto final, tras 20 años de investigaciones.

Dos altos comandantes, Nuon Chea, de 92 años, y Khieu Samphan, de 87, fueron procesados y condenados a cadena perpetua. El primero era la mano derecha de Pol Pot, y el otro, el jefe de Estado.

Antes, Kaing Guek Eav, conocido como Duch, de 76 años y quien fuera el jefe de la prisión S21, había sido condenado a cadena perpetua.

Esas son las únicas condenas emitidas por el Tribunal de Camboya, desde su creación en 1997, en colaboración con la Organización de las Naciones Unidas. El costo total del tribunal asciende a 300 millones de dólares.

Casi no se enseña

“Gracias al juicio, la gente por lo menos habla de ese período difícil”, comentó un joven consultado por IPS. “En mi escuela había muy poca información sobre el Jemer Rojo en clases de historia, a pesar de que el régimen se mantuvo durante casi cuatro años”, acotó.

En Europa, las escuelas enseñan sobre la llegada al poder y las consecuencias del régimen Nazi, comparable al del Jemer Rojo en materia de atrocidades cometidas y del número de víctimas. Enseguida después de la Segunda Guerra Mundial (1939-1945), los juicios de Núremberg ayudaron a procesar los traumas.

Primer ministro controvertido

¿Por qué le llevó tanto tiempo a Camboya condenar a tres personas?

“Si fueran más profundo, inevitablemente llegarían a la responsabilidad de los dirigentes políticos actuales”, opinó un entrevistado que prefirió no revelar su identidad, y enseguida susurró: “Como Hun Sen”.

Es una costumbre de los camboyanos bajar la voz cuando se refieren al primer ministro. No por respeto, sino por temor a meterse en problemas.

Hun Sen fue un comandante durante la época del Jemer Rojo. Pero siempre negó haber desempeñado un papel activo en el genocidio. En 1977 desertó y se fue a Vietnam.

Ese país vecino, que invadió Camboya dos años después, lo puso en el nuevo gobierno camboyano, y en 1985, se convirtió en primer ministro, puesto que ocupa hasta ahora.

Futuro

Hun Sen se opuso, de hecho, a la idea de seguir procesando a los responsables del genocidio “pues podría derivar en una guerra civil”, una de sus declaraciones preferidas para defender su política, una dictadura de hecho.

El primer ministro destaca la paz y la estabilidad de los últimos 15 años gracias a su gobierno, un mensaje popular entre la generación de sobrevivientes del Jemer Rojo.

Este país tiene una población muy joven; casi la tercera parte tiene menos de 30 años. Esta generación nació después de la guerra civil y no se crío con miedo.

Hay personas jóvenes y ambiciosas con sueños y esperanzas para el futuro. Muchas de ellas no necesitan que un tribunal les dé un veredicto sobre los dirigentes políticos actuales, los que, claramente, tiene raíces en el pasado oscuro del Jemer Rojo.

Traducción: Verónica Firme

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Los indígenas, primeras víctimas del nuevo gobierno en Brasil

IPS español - ter, 08/01/2019 - 18:30

“Luchamos por la demarcación de nuestro territorio”, dice una pancarta en una marcha de indígenas de las que llegan hasta Río de Janeiro desde las comunidades de los 305 pueblos originarios de Brasil, para reclamar los derechos que les reconoce la Constitución y que el presidente ultradrechista Jair Bolsonaro comenzó a desconocer nada más comenzar su mandato. Crédito: Mario Osava/IPS

Por Mario Osava
RÍO DE JANEIRO, Jan 8 2019 (IPS)

“Ya fuimos diezmados, tutelados y víctimas de la política integracionista de gobiernos y el Estado Nacional”, recordaron líderes indígenas, para rechazar las propuestas y medidas del nuevo gobierno de Brasil sobre los pueblos originarios.

En carta abierta al presidente Jair Bolsonaro, líderes de los pueblos aruak baniwa y apurinã, que viven en las cuencas de los ríos Negro y Purus, en el noroeste amazónico de Brasil, protestaron contra el decreto que somete desde ahora las tierras indígenas al Ministerio de Agricultura, gestor de intereses contrarios a los de pobladores originarios.

Los indígenas representarán probablemente la resistencia más inflamable a la ofensiva del nuevo gobierno de extrema derecha en Brasil, que tomó posesión el 1 de enero y cuyas primeras medidas tienden a desmantelar avances durante las tres últimas décadas a favor de los 305 pueblos originarios registrados en este país.

Para eso cuentan con el artículo 231 de la Constitución brasileña, vigente desde 1988, que les asegura “derechos originarios sobre las tierras que tradicionalmente ocupan”, además de reconocerles “su organización social, costumbres, lenguas, creencias y tradiciones”.

A eso se suman reglas internacionales ratificadas por el país, como el Convenio 169 sobre Pueblos Indígenas y Tribales de la Organización Internacional del Trabajo, que defiende derechos indígenas y condiciona proyectos que los afectan a consulta previa, libre e informada a las comunidades amenazadas.

Fue indígena la más aguerrida resistencia a la construcción de centrales hidroeléctricas que represan grandes ríos amazónicos, especialmente la de Belo Monte, construida sobre el río Xingu entre 2011 y 2016 y cuyas turbinas está previsto que terminen de instalarse este año.

Quitar a la Fundación Nacional del Indígena (Funai) la competencia de identificar y demarcar legalmente las llamadas Tierras Indígenas, transfiriéndola al Ministerio de Agricultura, significa que se estancará la definición de nuevas áreas y se pondrá en peligro a las ya establecidas.

Habrá una revisión de las demarcaciones de tierras indígenas hechas en los 10 últimos años, anunció el flamante secretario de Asuntos de Tierras de ese ministerio, Luiz Nabhan García, que ahora es el responsable del tema.

García es el líder de la Unión Democrática Ruralista, un colectivo de terratenientes, especialmente ganaderos, protagonista de frecuentes y violentos conflictos por la tierra.

El mismo Bolsonaro ya anunció la intención de revisar el área de Raposa Serra do Sol, tierra indígena homologada en 2005, en medio de batallas jurídicas que terminaron en 2009 con un fallo del Supremo Tribunal Federal, que reconoció la validez de la demarcación.

El guaraní Hamilton Lopes y su hija, frente a su choza, donde su familia vive muy precariamente en tierras sin demarcar y con amenazas de expulsión, en la frontera de Brasil con Paraguay. Los terratenientes se apropiaron de las tierras del segundo pueblo más numeroso del país, provocando el un gran número de asesinatos y suicidios de indígenas. Crédito: Mario Osava/IPS

Ese territorio indígena abarca 17.474 kilómetros cuadrados y cerca de 20.000 pobladores de cinco etnias distintas, en el norteño estado de Roraima, fronterizo con Guyana y Venezuela.

En Brasil existen actualmente 486 Tierras Indígenas homologadas, es decir, con el proceso de demarcación concluido totalmente, y 235 unidades aún por demarcar, de las que 118 están en fase de identificación, 43 ya identificadas y 74 declaradas.

“Los gobernantes hablan, pero revisar exigiría cambios constitucionales o la comprobación de fraudes y vicios en el proceso que no parecen usuales”, matizó  Adriana Ramos, directiva del Instituto Socioambiental, organización no gubernamental con una amplia y respetada actuación indigenista y ambiental.

“Ya hubo retrocesos en las primeras decisiones del gobierno, con la mengua del órgano indigenista y separación de sus funciones. También el Ministerio de Salud anunció modificaciones en la política hacia la población indígena, sin presentar propuestas, amenazando empeorar lo que ya es malo”, acotó a IPS desde Brasilia.

“La tendencia es paralizar el proceso de demarcación de tierras, que ya venía muy lento en los gobiernos anteriores” y lo peor es que las declaraciones contra derechos “operan como gatillo para violaciones que agravan conflictos, generando inseguridad entre los pueblos indígenas”, advirtió Ramos.

En los primeros días del año, y del gobierno de Bolsonaro, taladores de madera ya invadieron la tierra indígena del pueblo arara, cerca de Belo Monte, con el riesgo de confrontaciones armadas, señaló.

Los indígenas del pueblo guaraní, el segundo grupo indígena más numeroso del país -detrás del tikuna, que residen en el norte-, son los más vulnerables a la situación, especialmente sus comunidades establecidas en el centrooriental estado de Mato Grosso do Sul.

Batallan por la demarcación de varias tierras y la ampliación de las ya demarcadas en áreas insuficientes, y en esa lucha ya sufrieron el asesinato de decenas de líderes, mientras soportan condiciones de sobrevivencia cada vez más precarias.

Indígenas karioca cupobos, pintados y armados para el combate, antes de participar en una manifestación por los derechos indígenas en Río de Janeiro, en Brasil. Crédito: Mario Osava/IPS

“La grave situación se hace peor con el nuevo gobierno. Nos ahorcan al dividir la Funai  y atribuir la demarcación al Ministerio de Agricultura, dirigido por ruralistas, enemigos número uno de los indígenas”, resumió Inaye Gomes Lopes, una joven profesora indígena que vive en la Aldea Ñanderu Marangatu, en Mato Grosso do Sul, cerca de la frontera con Paraguay.

La Funai mantiene sus funciones asistenciales y de defensa de derechos pero pasa a estar subordinada al nuevo Ministerio de la Mujer, Familia y Derechos Humanos, comandad por Damares Alves, una abogada y pastora evangélica de polémicas opiniones.

“Solo tenemos ocho tierras demarcadas en el estado y una fue anulada (en diciembre). Lo que tenemos se debe a muchos que murieron, sin que sus asesinos fuesen encarcelados”, sostuvo Lopes, quien imparte clases en una escuela que homenajea en lengua indígena a Marçal de Souza, líder guaraní asesinado en 1982.

“Buscamos formas de resistir y ‘apoyadores’, incluso internacionales. Estoy preocupada, no duermo de noche”, confesó a IPS en diálogo desde su aldea, en relación al nuevo gobierno, cuyas manifestaciones en relación a los indígenas considera “una injusticia con nosotros”.

Bolsonaro aboga por la “integración” de los indígenas, con lo que se refiere a la asimilación con la sociedad blanca, una vieja y sobrepasada pretensión de la élite blanca.

Condenó que los indígenas sigan viviendo “como en zoológicos”, ocupando “15 por ciento del territorio nacional”, cuando suman, según sus datos, menos de un millón de personas, en un país de 209 millones de habitantes.

“No somos nosotros que tenemos gran parte del territorio brasileño, pero si los grandes latifundistas, los ruralistas, el agronegocio y otros que poseen más de 60 por ciento del territorio nacional”, contrarrestó la carta pública de los pueblos baniwa y apurinã.

En realidad las tierras indígenas suman 13 por ciento de Brasil y 90 por ciento se ubican en la Amazonia, corrigieron los firmantes del manifiesto.

“No somos manipulados por ONG (organizaciones no gubernamentales)”, respondieron a otra acusación “fruto de prejuicios” del presidente.

La paranoia de algunos jerarcas militares, como el ministro del Gabinete de Seguridad Institucional, el general retirado Augusto Heleno Pereira, es que los pobladores de Tierras Indígenas bajo influencia de ONG declaren la independencia de sus territorios, apartándose de Brasil.

El temor obedece principalmente, se aduce, a áreas fronterizas y, peor, a aquellas ocupadas por pueblos que viven en los dos lados de la frontera, como los yanomamis, que reparte su población entre Brasil y Venezuela.

Pero a juicio de Ramos, no son los grupos de ascendencia militar que comparten el poder en el gobierno de Bolsonaro, como los generales que ocupan cinco ministerios, la vicepresidencia y otras funciones importantes, los que más amenazan los derechos indígenas.

Muchos militares activos tienen indígenas en sus tropas y reconocen un papel relevante de los nativos en la defensa de las fronteras, arguyó.

Son los ruralistas, que codician tierras de indígenas, y los dirigentes de iglesias evangélicas, con sus prédicas agresivas,  quienes constituyen las amenazas más violentas, dictaminó.

Para otros sectores, como los quilombolas (comunidades afrodescendientes), los campesinos sin tierra y las ONG, también comenzaron tiempos adversos.

Bolsonaro anunció que su gobierno no entregará “un centímetro de tierra” tanto a indígenas como quilombolas y tratará como terroristas a los que invaden haciendas u otras propiedades.

A las ONG, el gobierno las amenaza con “supervisión y monitoreo”. Pero “las leyes son claras sobre sus derechos de organización”, así como la autonomía de las que no reciben aportes financieros estatales, recordó Ramos.

Edición: Estrella Gutiérrez

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Recuperación de manglares, una esperanza para la costa birmana

IPS español - ter, 08/01/2019 - 13:13

Jóvenes plantadores observan el bosque de manglares en Shwe Thaung Yan, en la región de Ayyerwady, en Birmania (Myanmar). Crédito: Stella Paul/IPS

Por Stella Paul
SHWE THAUNG YAN, Birmania, Jan 8 2019 (IPS)

“Dedicamos tres años de trabajo duro a plantar esos árboles”, comenta el profesor de Ciencias Marinas, Htay Aung, jubilado de 63 años, mientras contempla, al atardecer y desde lo alto de una estatua de Buda, en el distrito birmano de Shwe Thaung Yan, el bosque de manglares llamado Parque Climático Thor Heyerdahl.

“Ahora es tán alto; pronto serán el mayor valor de nuestro pueblo”, acotó, señalando el bosque y el pequeño caserío que se divisa en el horizonte.

Manglares en Birmania (Myanmar)

El bosque de manglares ocupa un área de 2.557 kilómetros cuadrados, casi el tamaño de Luxemburgo.

Pero en la mayor parte de él, es poca la densidad porque cada vez se tala más para criar camarones y fabricar leña. Birmania pierde unos 21 kilómetros cuadrados de bosque de manglares cada año, según un estudio realizado por Pierre Taillerdat, Massimo Lupascu y Daniel Friess.

El bosque de manglares recuperado en Shwe Thaung Yan, en la región de Ayyerwady, en Birmania (Myanmar). Crédito: Stella Paul/IPS

Shwe Thaung Yan, 185 kilómetros al norte de Yangón, tuvo un bosque que sufrió una gran degradación, que destruyó 75 por ciento de los manglares. Pero la historia cambió.

En 2015, justo antes de la temporada de lluvias, un grupo variopinto de cientos de hombres, mujeres y jóvenes de las aldeas de pescadores de la zona, se calzaron botas de goma y se reunieron con plántulas alrededor del pantano, en Myagi, uno de los tres pueblo de Shwe Thaung Yan.

Se pasaron varias horas al día plantando los arbolitos en el suelo fangoso, fertilizado y rico en nutrientes gracias a las mareas regulares. Para octubre de ese año, habían plantado 700.000 árboles en tres kilómetros cuadrados.

Desde entonces, todos los años hay nuevas campañas de plantación. Y para octubre de 2018, la comunidad había plantado seis millones de árboles en los tres pueblos, cubriendo una superficie de nueve kilómetros cuadrados, cuatro veces más grande que Mónaco.

Además de Aung, estuvieron al frente de la iniciativa U BoNi y Aung Aung Myint, especialistas en manglares y en recuperación de ecosistemas costeros. Los tres están vinculados a la Fundación Worldviews International (WIF), una organización noruega fundada por Arne Fjortoft, periodista devenido político, además de reconocido ambientalista.

“Usamos imágenes satelitales, las estudiamos meticulosamente y creamos un mapa que muestra los lugares exactos del bosque sin vegetación”, explicó BoNi.

“Compartimos la información con los pobladores. También marcamos las áreas y dividimos a los plantadores en varios grupos y asignamos a cada uno un área específica”, detalló.

Antes del lanzamiento de la iniciativa, la WIF logró un acuerdo con el Ministerio de Conservación Ambiental de Birmania y dos instituciones educativas, las universidad de Myeik y de Pathein.

El área para plantar manglares, más de siete kilómetros cuadrados en total, fue proporcionada por la Universidad de Pathein, que también promueve la ciencia marina a lo largo de la costa de Shwe Thaung Yan.

Mitigación del cambio climático

Los manglares solo representan 0,7 por ciento de los bosques del mundo, pero pueden almacenar hasta 2,5 veces del dióxido de carbono (CO2) producido por las actividades humanas en el mundo. Un estudio de 2017, estimó que el total de CO2 almacenado en esos ecosistemas es de 4.200 millones de toneladas. Si se liberaran, equivaldrían a las emisiones anuales de China y Estados Unidos juntas.

Otro estudio señala que los manglares de Birmania, que representan tres por ciento de los del mundo, muestran “un enorme potencial de (carbón azul), en caso de que mediante la conservación se puedan prevenir nuevas emisiones por degradación y en el futuro se fomente más secuestro de carbono mediante la recuperación (del bosque)”.

La mitigación del carbón azul a escala nacional “está bien alineada con el Acuerdo de París y con las asociadas contribuciones determinadas a nivel nacional para algunos países”, señala el estudio.

El profesor Cameron Keith, de la australiana Universidad Southern Cross, visitó el Parque Climático Thor Heyerdahl en 2016 para evaluar la recuperación del bosque y su almacenamiento de carbono azul.

En su informe de validación, que ayudó al proyecto a calificar para la venta de sus reservas de carbono, Richards resume la iniciativa: “se asumió de forma razonable que representa unas 4,3 millones de toneladas de CO2 en el ciclo de vida  de 20 años de los árboles actuales y de los futuros que se planten en el marco del proyecto”.

El proyecto manglar en Birmania (Myanmar) ofrece medios alternativos para ganarse la vida y oportunidades capacitación para la comunidad. Crédito: Stella Paul/IPS

Desarrollo comunitario

El proyecto de recuperación del bosque de manglares ofreció medios alternativos para generar ingresos y capacitación para la comunidad pescadora de Shew Thaung Yan, de unas 11.000 personas.

En la temporada de monzones, cuando hay poco o casi nada de peces en el mar, los pobladores locales pueden ganarse la vida plantando manglares.

Las mujeres comenzaron un cultivo de almejas colectivo, formando una comunidad que ahora tiene 55 integrantes, donde antes solían tener como vivero con plántulas.

Primero recolectan las almejas y las llevan a la granja donde las cultivan. Cada una de las mujeres tiene una área cercada de 1,8 a tres metros, inundadas de forma regular por la marea. Luego, plantan las almejas en el fango, donde crecen y engordan.

“La tierra es gratis, las almejas son gratis y ya las conectamos con los compradores”, explicó Shwe Sandar Oo, coordinadora del proyecto de cultivo. Hay una gran demanda de hoteles y turistas para almejas grandes, y se venden a medio dólar cada una.

La ausencia de inversión inicial es lo que atrajo a Thein Thein Nwe al cultivo de almejas. Con lo que gana, la pescadora de 42 años podrá mandar a su hija a profesora particular para ayudarla en sus estudios.

La cultivadora de almejas Thein Thein Sein está feliz frente a su granja en Myagi, una de las aldeas de pescadores de Shwe Thaung Yan, en la región de Ayyerwady, en Birmania (Myanmar). Crédito: Stella Paul/IPS

Hacia el futuro

Al comienzo de este año, la comunidad ya se organiza para plantar 2.000 millones de árboles, la mayor cantidad plantada hasta la fecha. Cuando terminen la recuperación de Shwe Thaung Yan se habrá recuperado el bosque, que almacenará unas 300 millones de toneladas de CO2, destacó Uboni.

“Después iremos a la división de Yangón y también a la del delta. En el nuevo año, iremos a los estados de Bago y Mon a plantar manglares”, anunció.

Por su parte, Aung se concentra más en la vida subacuática, en especial en la conservación de las praderas marinas y del lecho de coral, que se encuentran frente a Shwe Thaung Yan.

“Las praderas marinas pueden almacenar mucho más carbono azul que los árboles. También sirven de alimento para los dugong o vacas marinas, un mamífero en peligro de extinción”, explicó.

“Con ayuda de la WIF y de la Universidad de Pathein, apuntamos a construir un santuario marino frente a Shwe Thaung Yan”, puntualizó.

Arne Fjortoft dijo a IPS que los fondos para el santuario se pueden obtener de la venta del carbono almacenado en el bosque de manglares.

Pero lo esencial de todo el proyecto es “ayudar a impulsar un desarrollo sostenible para 12 millones de personas de las comunidades costeras. Y ese es el futuro que esperamos ver”, subrayó.

Traducción: Verónica Firme

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Colapsa México ante solicitudes de asilo

IPS español - seg, 07/01/2019 - 14:02

Migrantes hacen fila para ser atendidos en la sede del Instituto Nacional de Migración en Tenosique, en la frontera mexicana con Guatemala. Crédito: Jaime Ávalos/En el Camino

Por Carlos Marí
TENOSIQUE, México, Jan 7 2019 (IPS)

En este municipio fronterizo con Guatemala cientos de centroamericanos están frustrados, viviendo desde hace meses en albergues, porque el gobierno de México les ha negado sus solicitudes para obtener su calidad migratoria de refugiado o una visa humanitaria.

Esto sucedió con la administración de Enrique Peña Nieto y sigue aconteciendo con la nueva de Andrés Manuel López Obrador, AMLO popularmente, que asumió el 1 de diciembre.

Y es que de los migrantes que ingresan a territorio mexicano, cada vez son más los que buscan quedarse y no continuar hacia Estados Unidos, ya que su prioridad es refugiarse. Es decir, México pasó a ser un país de tránsito a ser también receptor masivo.

De acuerdo con estadísticas de la gubernamental Comisión Mexicana para la Atención a Refugiados (Comar), en los últimos tres años, las solicitudes se dispararon geométricamente: En 2015, se registraron 3.424; ya en 2016 casi se triplicaron, con 8.796; y en 2017, fueron 14.603. Para el 2018 (con corte hasta el 3 de diciembre), se registraron 26.566.

Para Rubén Figueroa, activista del Movimiento Migrante Mesoamericano, ni a la Comar ni al también gubernamental Instituto Nacional de Migración (Inami) les basta el crimen organizado de las maras (bandas criminales) en Honduras ni la persecución del gobierno de Nicaragua a los activistas que encabezan las protestas contra Daniel Ortega, para atender con celeridad a los que huyen de esos países.

El Inami, añade, no cumple con entregar las visas humanitarias en 30 días; y la Comar tampoco lo hace con el plazo de 45 días para las constancias de refugiados, porque los funcionarios que atienden son insuficientes y todavía semanas después de la asunción de López Obrador, mantenían una postura de pedir a los migrantes que esperaran una o dos semanas más.

Figueroa explica que al problema de los refugiados le antecede la “política de rechazo” a la gran mayoría de los centroamericanos, cuyo propósito original era transitar como migrantes irregulares hacia Estados Unidos.

Ahora, ante la crisis de alojamiento observada en las fronteras sur y norte, México quiere reaccionar con una “política humanitaria”, pero no tiene recursos ni capacidad para atender a los que claman asilo.

“La política de Estado en materia de migratoria fue dictada por el gobierno de Estados Unidos y aceptada por el gobierno de México, para dilatar en todo momento los trámites y negarlos”, sostiene.

“A como están las cosas en la Comar y el Inami, se acumularán por miles las solicitudes de refugio, porque serán muchísimo más los centroamericanos que lleguen a México por la situación de violencia estructural que hay en Centroamérica. Tanto la Comar, como el Inami continuarán en el colapso, por tanta sumisión que ha tenido México ante Estados Unidos”, dice uno de los fundadores de “La 72”, un refugio reconocido por organizaciones internacionales.

El  22 de diciembre, cuando México tenía tres días de haber anunciado su Programa de Política Migratoria 2018-2024 y presumía su adhesión al Pacto Mundial para la Migración Segura, Ordenada y Regular –como parte de un acuerdo global impulsado por la ONU–, Martín Alonso Duarte, un nicaragüense que llegó el 31 de agosto huyendo del régimen de Ortega, no sabía aún si tendrá mejor suerte con el trámite de visa humanitaria o con el de refugiado.

Con carpeta de sus documentos de identidad en mano, son cada vez los migrantes que acuden a las oficinas de ACNUR o Comar en Tenosique, localidad fronteriza en el sur de México, para solicitar el estatus de refugiado, ante la crisis política y de inseguridad que viven en sus países de procedencia. Crédito: Jaime Ávalos/En el Camino

“Ya voy para cuatro meses con mi trámite aquí, porque hay una desinformación terrible. Mi visa la solicité un mes después de que pedí refugio en la Comar y no tengo ni uno ni otro documento”, lamenta.

Los nicaragüenses, como Martín Alonso, son los centroamericanos que en mayo del 2018 empezaron a ingresar por la frontera sur, huyendo de la crisis política de aquel país. De acuerdo con estadísticas de la Comar, de enero a agosto del año pasado, sumaron 353 solicitudes de refugio; mientras que a lo largo del 2017, apenas acumularon la quinta parte de esa cifra, sesenta y dos.

Rezagos pendientes, por “sismos”

De los migrantes centroamericanos, los hondureños son los que sobresalen en primer lugar, con un fenómeno migratorio que primero fue marcado por un “sueño americano”, de querer llegar a Estados Unidos por mejorar sus niveles de ingreso, y luego por la necesidad de huir ante el crimen organizado que les cobra “derecho de piso” por vivir en un barrio.

Según las cifras del Inami, en el 2017, solicitaron refugio 4.274 centroamericanos, pero en el 2018, otros 6.253 realizaron el trámite, hasta agosto.

Sin embargo, los propios boletines estadísticos de la Comar advierten que la cifra de constancias de refugiado emitidas es cada vez menor. En el 2015 fue 27,8 por ciento, pero en el 2018, 5,8 en relación al cúmulo de solicitudes.

En el 2015, la Comar recibió 3.424 solicitudes, de las cuales resolvió en sentido negativo 1.282. Otras 663 solicitudes se dejaron sin resolver ya que los solicitantes abandonaron el país antes, y otras 361 se desistieron. Otras 166 se retrasaron para otorgar la protección complementaria y 952 fueron en sentido positivo de refugio.

Pero ya 2016, empiezan a acumularse los pendientes de migrantes, con los primeros cuatro casos de quienes recurrieron a un recurso de revisión.

Y en 2018, en su boletín estadístico con registros hasta el mes de agosto, la Comar reportó que de 14.544 solicitudes registradas en ese año, 12.442 estaban pendientes del resolutivo, en tanto que solo a 796 se les otorgó refugio, a 495 la protección complementaria, a 286 les emitió una respuesta negativa, a 485 se les clasificó como “abandono” y a 28, “desistido”.

Alejandro Encinas, subsecretario de Derechos Humanos, Migración y Población, justificó que el cúmulo de peticiones y la tardanza obedece a que las oficinas de la Comar, en Ciudad de México, resultaron dañadas por los sismos y además, porque los migrantes deben documentar su vulnerabilidad.

“La verdad es que, en el caso del número de solicitudes de refugio, ahorita tenemos acumuladas desde el gobierno anterior más de 28.000. Hay que recordar que después de los sismos que se registraron aquí en la ciudad, las instalaciones de la Comar se vieron afectadas, y se suspendió durante varios meses.

“Y la solicitud de refugio lleva un procedimiento donde tiene que acreditarse la vulnerabilidad a la que está sujeta el solicitante, por supuesto, vinculado ya sea con la violación a sus garantías y derechos políticos, o la gente que ha sido desplazada por hechos de violencia”, expuso Encinas el 21 de diciembre, durante una conferencia de prensa que encabezó AMLO en el Palacio Nacional.

Migrantes esperan el tren conocido como “La Bestia” para avanzar desde la frontera sur de México hasta la norte, con la intención de penetrar a Estados Unidos. Crédito: Jaime Ávalos/En el Camino

Para el subsecretario, “Eso tiene que acreditarse y eso se hace en acompañamiento con ACNUR (La Agencia de la ONU para los Refugiados)”.

Pese a sus justificaciones, Encinas prevé que para 2019, las solicitudes de refugio y cualquier otro estatus migratorio, “por distintas connotaciones”, estará entre 48.000 y 80.000.

“Estoy decepcionado de México”

Martín Alonso Duarte narró lo que reportó a la Comar. Contó que huyó de Nicaragua, porque se le giró orden de aprehensión por participar en los bloqueos a carreteras por protesta, mas no se le ha otorgado su estatus de refugiado, por lo que decidió reclamar la revisión de su solicitud.

“A mí me imputaron el delito de terrorismo (en Nicaragua) por estar participando en los tranques a carreteras. Cómo no voy a huir si allanaron mi casa, golpearon a mi madre, a mis hermanas, una de ellas tiene cáncer, no respetan nada; decían que nosotros teníamos armas”, explica.

“Yo era el líder, el que movía a la organización en mi pueblo, Tecolostote, por lo que primero hui a la montaña por más de 10 días, donde me buscaron con militares y con drones, por lo que fui a la capital, donde no se imaginaban que me iba a meter. Estuve ahí en las manifestaciones, en protesta por las agresiones a los obispos.

“Ahora estoy aquí, pero imagínate que al líder de nuestro Movimiento Campesino, Pedro Medro, le acaban de clavar una sentencia de 73 años de cárcel. Esta pena por encabezar protestas pacíficas en las calles”, relata.

De la represión y persecución política en Nicaragua, el secretario técnico de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH), Paulo Abrão, tiene conocimiento. De hecho, el informe Graves violaciones a derechos humanos en el marco de las protestas sociales en Nicaragua, explica que el recrudecimiento y la prolongación de la violencia ha traído consigo que un número considerable de personas y familias nicaragüenses estén migrando a otros países.

Martín Alonso relata que al cruzar al territorio mexicano creía que se sentiría como en una segunda patria, donde se le echaría la mano, pero siguió recibiendo maltrato, ahora de las autoridades migratorias y de los habitantes de Tenosique, por lo que se encuentra decepcionado y atravesando una “situación muy dura” por los más cuatro meses de trámites.

“En Nicaragua por sus costumbres, hay un segundo México, y tanto cariño sentía cuando vine aquí, pero estoy decepcionado; encontré bastante apatía y discriminación, porque cuando buscábamos una casa donde vivir, nos costó mucho trabajo que confiaran en nosotros para que nos alquilaran”, dice.

La figura del presidente estadunidense, Donald Trump, está presente en los murales del refugio La 72, en Tenosique, en la frontera sur de México, que acoge a migrantes centroamericanos. Crédito: Jaime Ávalos/En el Camino

“Cuando recién llegué, me aventaron las puertas en la Comar en la cara, con la atención de un tipo que es de carácter muy pesado, que no me dejaban ni hacer preguntas, gritándome en la cara; es una situación en la que te sientes humillado”, comenta.

Crisis migratoria y recorte al presupuesto

El maltrato es a pesar de que ACNUR, en el documento Marco Integral Regional para la Protección y Soluciones, publicado en el 2017, estableció entre sus acciones inmediatas establecer una comunicación permanente con la Comar y el gubernamental Instituto Nacional de Migración (Inami) en estaciones migratorias para facilitar el proceso de identificación de migrantes.

ACNUR también encomendó desde entonces buscar alternativas al alojamiento administrativo, primordialmente a niños y adolescentes no acompañados (NNA), familias y demás personas en situación de vulnerabilidad.

Todo ello con el propósito de que México cumpla con el principio de no devolución, al que tienen derecho los migrantes si ingresan al país en búsqueda de ser refugiados.

Según la actual secretaria (ministra) de Gobernación, Olga Sánchez Cordero, con la llegada de López Obrador a la Presidencia, la política migratoria “está cambiando radicalmente, porque el programa en la materia está apegado a la Convención de Marrakech”, dijo.

La titular se refería al Pacto Mundial para la Migración Segura, Ordenada, emanado de la Conferencia Marrakech, el 6 de diciembre.

“La entrada a nuestro país va a ser ordenada, segura y regulada; es decir, no más violaciones, ni vejaciones, ni humillaciones a los migrantes, ni tampoco tienen por qué pasar en forma ilegal, sino ordenada y pacífica, y regulada, con respeto irrestricto a sus derechos humanos”, aseguró el 21 de diciembre.

Sánchez Cordero dijo que la reestructuración del Inami “será desde sus entrañas” para que cambie su visión y no se criminalice al migrante, al haber un respeto irrestricto a sus derechos humanos.

Prometió que cambiar reglamentos y procedimientos de presentación, aseguramiento, alojamiento y retorno de extranjeros en condición irregular, con criterios estrictos de debido proceso, y al mismo no sólo agilizar los trámites para los solicitantes de refugio, sino que también la regularización, a través de las visas de turismo, Tarjetas de Trabajador Fronterizo y Tarjetas de Visitante Regional.

En el mismo evento, el secretario ejecutivo del Sistema Nacional de Protección Integral de Niñas, Niños y Adolescentes, Ricardo Bucio, anunció la creación de una comisión para la protección de los menores migrantes, la cual estaría coordinada por el Inami.

Sin embargo, ni Sánchez Cordero ni Guillén López hablaron del presupuesto que, para entonces, ya estaba previsto con una reducción, tanto en el Inami, como en la Comar.

El Inami, según el Proyecto del Presupuesto de Egresos del 2019, disminuiría de 1.731 a 1.330 millones de pesos (cada peso equivale a 0,05 dólares), es decir, un 30 por ciento; en tanto la Comar tendrá recortada su partida en 20 por ciento, al asignársele 20 millones 843.000 pesos.

Para el activista Rubén Figueroa, el trato a Martín Alonso Duarte es el de la generalidad de los centroamericanos que solicitan refugio o visa humanitaria, y hasta hoy, las nuevas directrices de trato humanitario a los migrantes, emitidas por la secretaria de Gobernación no son acatadas in situ.

El albergue La 72, fundado por el fraile Tomás González en la localidad fronteriza mexicana de Tenosique, mantiene albergados a un promedio de 200 centroamericanos, en tanto esperan que las autoridades mexicanas les otorgue el estatus de refugiado o les entreguen visa humanitaria para seguir su ruta a Estados Unidos. Crédito: Jaime Ávalos/En el Camino

“Las prácticas en Comar han sido de una lentitud para otorgar el asilo a las personas solicitantes, pero sobre todo ha venido desarrollando una política de Estado, como herencia del gobierno de Peña Nieto, de negar la calidad de refugiado a la gran cantidad de personas que le solicitan”, explica Rubén Figueroa.

Entrevistado el 21 de diciembre, Pierre-Marc René, oficial de Información Pública de la ACNUR en México, manifestó su preocupación, porque prevé que este 2019 se duplicará el número migrantes que buscarán refugiarse en México.

“La estadística que tenemos a la fecha es de 28.000 solicitantes (de refugio) y según los datos de la Comar, estamos previendo que para el 2019, sea el doble, o sea 47.000 personas solicitantes”, dijo.

“Lo que nosotros hemos solicitado es que se incremente el presupuesto para la Comar, que se mejore la capacidad y capacitación del personal para recibir a esas personas y fortalecer su sistema de asilo”, explicó.

René indica que 45 por ciento de los solicitantes de refugio son de Honduras, 24 por ciento de Venezuela, 21 de El Salvador, cinco de Guatemala, y dos por ciento de Nicaragua.

“La mayoría está emigrando por el clima de violencia y persecución que viven en sus países y los tenemos que apoyar”, recalcó.

Señaló que la urgencia no es solo que el nuevo gobierno de México ofrezca protección y ayuda humanitaria a las dos caravanas de hondureños que desde noviembre se encuentran en la frontera con Estados Unidos, sino que atienda las solicitudes refugio que tiene y para ello, remarcó, se requiere de un mayor presupuesto.

“Ya hay nuevo gobierno, desde el 1 de diciembre, y lo que nosotros estamos pidiendo es asegurar la protección al número creciente de solicitantes de refugio, desde Tapachula hasta Tijuana y uno de los retos importantes de la Comar en materia de protección a personas, es atender las solicitudes que están todavía pendientes de resolución, por lo cual estamos pidiendo un aumento de su presupuesto”, planteó.

Cuando René manifestó su preocupación por el presupuesto de la Comar, el propio coordinador de ese organismo, Andrés Ramírez Silva, había recién confesado que estaba “sorprendido”, ya no porque no se le asignó un mayor monto que esperaba ante la crisis de refugiados, sino porque se le recortó un 20 por ciento en relación a lo ejercido en el 2017.

“Lógicamente, el presupuesto (de la Comar) tendría que incrementarse, si es que queremos responder de manera correcta y adecuada al gran reto que tenemos de las llegadas de personas en necesidad de protección internacional”, según publicó el portal Animal Político, el 19 de diciembre, al cuestionarlo sobre la partida prevista por el Proyecto de Egresos del 2019.

Ramírez Silva argumentó que el aumento presupuestal es necesario no sólo para atender las nuevas solicitudes de asilo, sino las que están acumuladas del 2017 y que han “colapsado” económicamente a la Comar.

Lo reclamado por ACNUR no obedece a una coyuntura nueva, sino a la situación de una creciente cantidad de migrantes centroamericanos desde hace más de una década, por lo que en el 2011, fue reformada la Constitución para garantizar el derecho a extranjeros a solicitar refugio por cuestiones humanitarias o políticas.

Sin embargo, en noviembre del 2015, una decena de organizaciones de la sociedad civil, a través del informe “Un camino incierto. Justicia para delitos y violaciones de derechos humanos contra personas migrantes y refugiadas en México”, pidieron al Gobierno de México instaurar una política de asilo y protección digna, ante el aumento de la violencia que obliga que hondureños y salvadoreños huyan de sus países.

Desde entonces, lesas organizaciones  –respaldadas por la ACNUR- consideraron que el personal de la Comar no es suficiente ni sensible para escuchar sus testimonios, lo que los desalienta en su petición.

Caravas bumerán

Con las dos caravanas de hondureños que, desde finales de octubre ingresaron a México para dirigirse a Estados Unidos, México previó ayuda humanitaria en tanto los migrantes fueran atendidos en aquel país con los trámites de asilo.

Pero a final de cuentas se le desató un efecto bumerán, al anticipar el presidente estadounidense Donald Trump que los retornaría en tanto son emitidas las resoluciones.

Así, la crisis de México por falta de atención y control de migrantes se extendió de la frontera sur a la norte, con los migrantes a los que se les ofreció “visa humanitaria”, con el fin de no deportarlos.

El 24 de diciembre, Marcelo Ebrard, secretario (ministro) de Relaciones Exteriores, insistió en que al aceptar México el retorno de los migrantes, no se trata asumir el estatus de tercer país seguro, porque de antemano no hay tratado alguno con Estados Unidos, al respecto.

“En el caso de un tercer país seguro, todo el trámite de asilo se hace en otro país, es decir, el tercer país seguro significaría que firmamos un tratado y que todo el procedimiento de asilo se haría en México. Entonces, ni hemos firmado un tratado, ni lo vamos a hacer, ni se va a hacer todo el procedimiento de asilo en México”, expuso.

Para Rubén Figueroa, de Movimiento Migrante Mesoamericano, todo cambio radical en la política migratoria de Estados Unidos trae consigo consecuencias muy graves para los centroamericanos que intentan refugiarse en aquel país, y que al cerrárseles las puertas, lo intentarán ahora México.

“La situación ahora de la decisión del gobierno de los Estados Unidos, de retornar a las personas solicitantes de asilo a suelo mexicano, va a alargar la agonía de solicitantes de refugio, porque incluso México no tiene  la forma de garantizar la seguridad y demás derechos humanos de estas personas”, considera.

“Son miles de personas las que solicitan refugio de lado de Estados Unidos y éstas se le sumarían a México, pues México ha aceptado acoger a estas personas, en una situación de sumisión a Estados Unidos, porque no hay un marco legal que indique que estas personas pueden ser enviadas a México para que esperen su resolución a la petición de asilo. Lo hace México bajo una sumisión y como una supuesta acción humanitaria”, recalca.

“Hay una fuerte problemática todavía con la caravana estancada en Tijuana, pero esto se va a agravar en el 2019. México en el tema migratorio va a colapsar aún más, porque tanto Centroamérica no responde (económicamente) y Estados Unidos avienta toda la responsabilidad a México, que sin tener capacidad la asume, bajo una sumisión, y quienes están aguantando toda esta situación para que no colapse del todo, son los albergues de ACNUR y otras organizaciones defensoras de derechos humanos”, añade Figueroa.

“La Cuarta Transformación no ha llegado para los migrantes centroamericanos que buscan refugio o que transitan por México hacia los Estados Unidos, pues para esto tiene que haber un cambio en el comportamiento de los agentes del INMI, con una actitud no sólo de respeto de derechos humanos y eso significa eliminar el perfil actual que tienen los agentes de migración, que sería como la eliminación reciente que hubo de los granaderos en la CDMX (Ciudad de México)”, aseguró.

Este artículo fue originalmente publicado por En el Camino,  un proyecto de Periodistas de a Pie . IPS-Inter Press Service tiene un acuerdo especial con Periodistas de a Pie para la difusión de sus materiales.

RV: EG

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Agricultores de la RDC se perfeccionan en “escuelas sin muros”

IPS español - seg, 07/01/2019 - 13:10

En la fotografía, pequeños agricultores en Mamani, a seis kilómetros de Kikwit, capital de la provincia de Kwilu, en República Democrática del Congo. Muchos de ellos aprenden técnicas agrícolas de forma práctica. Crédito: Badylon Kawanda Bakiman/IPS.

Por Badylon Kawanda Bakiman
KIKWIT, R.D.Congo, Jan 7 2019 (IPS)

Hace casi cuatro años, los integrantes del Marco de Agricultores de Idiofa, una organización campesina de República Democrática del Congo (RDC), producían apenas ocho toneladas de boniato en dos hectáreas de campo. La principal causa del bajo rendimiento no era el clima, sino la falta de capacitación.

“Gracias al conocimiento de técnicas agrícolas aprendidas en la Escuela de Campo para Agricultores, FFI produjo 30 toneladas de boniato en 2017 en una superficie de dos hectáreas”, relató Albert Kukotisa, presidente de la organización con sede en Kikwit, en la suroccidental provincia de Kwilu.

El grupo de FFI es solo un ejemplo de todos los agricultores que en distintas partes de la RDC aprenden nuevas técnicas agrícolas gracias a las Escuelas de Campo para Agricultores, una iniciativa de la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO).

Las escuelas de campo no son un nuevo concepto. Surgieron en 1989 en Indonesia, donde se lanzó el proyecto para que los agricultores pudieran hacer frente a los problemas derivados del uso de pesticidas.

Tampoco son nuevas en la RDC, pero están resultando muy efectivas para capacitar y asistir a los agricultores.

El experto de la FAO, Lazard Milambo, explicó que el nuevo elemento es que las escuelas de campo introducen a los agricultores a “nuevas ideas con ejercicios guiados, sin imposiciones y estimulando el debate entre ellos”.

También es nueva la participación de los agricultores en el proceso de capacitación, acotó.

Pero con las escuelas de campo, los agricultores no solo aprenden nuevas técnicas e investigan, sino que pueden implementar lo que aprenden.

Todas las semanas, un grupo de unos 20 a 25 agricultores se reúnen en uno de los campos y con la guía de un facilitador capacitados, implementan las nuevas técnicas agrícolas adquiridas.

Los facilitadores tienen distinta formación, pueden ser funcionarios de extensión, empleados de organizaciones no gubernamentales o agricultores ya capacitados.

“En grupos de cinco, observan y comparan dos terrenos durante una temporada entera de recolección”, explicó el agrónomo Patience Kutanga, uno de los facilitadores capacitados.

“Un terreno sigue los métodos de cultivos convencionales, mientras el otro, propiedad de uno de los integrantes, se usa para experimentar con las nuevas prácticas”, añadió.

Por su parte, Didier Kulenfuka, explicó que “los pequeños agricultores experimentan y observan elementos clave de los ecosistemas agrícolas al medir el desarrollo de la planta, tomar muestras de insectos, de hierbas y de plantas enfermas, y construyen sencillos experimentos o comparan características de diferentes suelos”.

“Al final de la reunión semanal, presentan sus conclusiones en un plenario, seguido de un debate y de una planificación para las próximas semanas”, añadió.

Según un informe del Banco Mundial: “Agricultores de la RDC son particularmente pobres y están aislados, por lo tanto son vulnerables a los impactos climáticos y a otros golpes externos”.

En un país de 80 millones de hectáreas de tierras cultivables, “hay más de 50 millones de agricultores con tierras, aunque la mayoría son pequeños productores”, precisó Milambo, de la FAO.

Según el estudio del Banco Mundial, el gobierno se comprometió a realizar una revolución verde, así como a reducir la pobreza rural para 2020 mediante sistemas de producción agrícola. Las autoridades destinaron ocho por ciento del presupuesto de 2016 al sector agrícola.

Pero Kikwit, la capital y ciudad más grande de Kwilu, donde viven 186.000 personas, tiene una sola universidad con una facultad de agronomía.

Los agricultores y pequeños productores dependen del asesoramiento y del conocimiento de los funcionarios de extensión. Y ahora, como señaló Milambo, unos dos millones de pequeños agricultores trabajan en todo el país con unas 20.000 escuelas de campo.

François Kangala, de 47 años, de Congo Central, explicó que aprendió mucho en el curso, incluso a saber identificar el mejor campo para plantar y cómo elegir las mejores semillas. Su mayor capacitación se tradujo en una mejor producción.

“Mi familia cosechó 20 toneladas de mandioca, una variedad para un campo de una hectárea. En 2014, no ocurrió eso. El mismo terreno produjo solo siete toneladas. La observación de los resultados según viejas y nuevas prácticas forma parte de las innovaciones de este enfoque”, acotó.

Para el pequeño productor John Masamba, de Goma, en la oriental provincia de Kivu del Norte, es necesario popularizar el sistema en la RDC “porque es una escuela sin muros”. Le gustó aprender de forma práctica, añadió.

“Juntos, los agricultores intercambian experiencias. Con el conocimiento adquirido en las escuelas de campo y usando semillas resistentes, produje 19 toneladas de maíz (en 2018) en una hectárea, muy por encima de las siete toneladas de 2016”, relató.

Hacia el futuro, una mayor producción de los pequeños agricultores será crucial para la seguridad alimentaria del país. La pequeña producción es responsable de alrededor de 60 por ciento de la seguridad alimentaria del país, según Milambo.

Traducción: Verónica Firme

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Cuba en la encrucijada económica, otra vez

IPS español - sex, 04/01/2019 - 13:39

Algunos consumidores adquieren alimentos en un mercado que gestionan trabajadores por cuenta propia, en el municipio de La Lisa, uno de los que integran La Habana. En torno a 80 por ciento de los alimentos que se consumen en Cuba son importados, una carga para su alicaída economía. Crédito: Jorge Luis Baños/IPS

Por Patricia Grogg
LA HABANA, Jan 4 2019 (IPS)

Cuba inició 2019 entre sentimientos encontrados de su población, en los cuales se entrecruzan desde la esperanza hasta la preocupación, desaliento y un moderado optimismo ante la marcha de una economía que no acaba de traer mejoría a sus vidas.

“Estamos cansados. Pasa el tiempo y la prosperidad no llega”, se quejó una profesora universitaria de 65 años que prefirió no identificarse, ante la pregunta de IPS sobre esa mezcla, quizás incompleta, de expresiones que se constata en conversaciones en las calles y en las cada vez más activas redes sociales.

“Pero yo creo que (el presidente Miguel) Díaz-Canel está haciendo bien su trabajo. Se ve que conoce los problemas, ha puesto a los ministros y otros dirigentes a rendir cuentas sobre su labor en la televisión y está propiciando el debate y diálogo permanente con la población. La gente aprecia esa forma de gobernar”, agregó la académica.

El nuevo año no es uno más, sino el del 60 aniversario de la Revolución cubana de 1959, cuya celebración este primero de enero tuvo por escenario el cementerio Santa Ifigenia, en la oriental ciudad de Santiago de Cuba, donde permanecen las cenizas del histórico líder cubano Fidel Castro (1926-2016).

Desde allí, el expresidente Raúl Castro (2008 -2018), quien se mantiene como primer secretario del gobernante Partido Comunista de Cuba, único legal en el país, admitió que un reto a enfrentar en 2019 “es la situación de la economía”.

Una afirmación en que coincidió con su sucesor, el presidente Díaz-Canel, para quien “el pueblo espera una respuesta económica que impacte en su día a día”.

Castro aprovechó la ocasión para respaldar la gestión de su sucesor en el gobierno, al que le esperan entre otras tareas priorizadas el referendo para la aprobación o no, en febrero próximo, de la nueva Constitución y la continuación del proceso de reformas aprobado en 2011, pero aún incompleto.

“Sin el ánimo de hacer una valoración apresurada, puedo afirmar que el proceso de transferencia a las nuevas generaciones de las principales responsabilidades marcha bien, digo más, muy bien, sin tropiezos ni sobresaltos, y estamos seguros de que así continuaremos”, subrayó el exmandatario.

Una de las mayores tensiones económicas se concentra en las finanzas externas debido al incumplimiento de los ingresos planificados por exportaciones, el turismo y la producción azucarera, cuya zafra apenas alcanzó el millón de toneladas el año que termina y obligó inclusive a la exportación de dulce para el consumo interno.

Una pancarta, con la imagen del líder Fidel Castro y la frase “La constitución de un país es la voz del pueblo”, destaca en la entrada de la sede de La Comisión Municipal Electoral de Palma Soriano, en la oriental provincia de Santiago de Cuba. La población cubana debe refrendar una nueva Constitución en febrero. Crédito: Jorge Luis Baños/IPS

A ese panorama se sumó el impacto de una prolongada sequía, seguida por el huracán Irma que en 2017 causó daños evaluados en 13.000 millones de dólares, lo cual condicionó la economía también en 2018 afectaciones en los arribos de materias primas, equipos e insumos.

En aras de recuperar la credibilidad crediticia, Castro logró reestructurar en 2015 la deuda con el Club de Paris, que aglutina a los gobiernos acreedores.

Según medios especializados independientes, el acuerdo condonó a Cuba 8.500 millones de dólares de la deuda oficial de 11.100 millones que había dejado de pagar hasta 1986, más otros cargos.

El resto de la deuda externa se reestructuró hasta 2033, lo que se tradujo en pagos de 40 millones de dólares en 2016 y 60 millones en 2017.  El gobierno no brinda mayores datos sobre este tema, debido al embargo estadounidense, que la actual administración de Donald Trump ha recrudecido.

Pero las continuas referencias a tensiones financieras que agravan las dificultades económicas, durante el último período de sesiones de la Asamblea Nacional (parlamento unicameral), hacen temer que Cuba está en problemas para el pago de su tercera cuota de la deuda renegociada.

El monto de las deudas a amortizar en 2019 será “ligeramente superior al monto de nuevos créditos que vamos a tomar, lo que significa que no vamos a incrementar el nivel de endeudamiento”, afirmó a ese respecto el ministro de Economía y Planificación, Alejandro Gil, al presentar ante la Asamblea las proyecciones del año que comienza.

Si 2018 terminó con un modesto crecimiento de 1,2 por ciento del producto interno bruto (PIB), se espera para 2019 un aumento de solo 1,5 por ciento, también insuficiente  para alcanzar los niveles de desarrollo necesarios “para satisfacer las siempre crecientes necesidades de la población”, según reconocen las autoridades.

A la luz de las pantallas de sus celulares y los faros de un viejo vehículo, dos jóvenes cubanos acceden a Internet a través de una red inalámbrica en el barrio de La Víbora, en el municipio de Diez de Octubre, en La Habana. Crédito: Jorge Luis Baños/IPS

En los últimos meses se hicieron evidentes las deficiencias en el transporte colectivo, más visibles a partir de la aplicación en diciembre de controles a transportistas privados, escasez de pan por falta de harina de trigo y problemas técnicos en los molinos, así como sensible disminución de la oferta de huevos.

El desabastecimiento incluso en el mercado en divisas era notorio y podría empeorar.  Tanto Díaz-Canel como Gil insistieron en que habrá que reducir las compras externas.

Se estima que el país importa alrededor de 80 por ciento de los alimentos que consume.

No obstante, se ha tenido cuidado en proteger la canasta familiar normada a precios subsidiados por el Estado, que incluyen productos cárnicos, leche, café, azúcar, pan, arroz, granos, huevos y combustibles domésticos, entre otros.

Esa canasta no cubre los requerimientos  de todo el mes y las familias requieren completar las necesidades en mercados de libre oferta y demanda.

La economía y sus complejidades no es el único problema a enfrentar por Cuba en los próximos meses.

“La región se asemeja a una gran pradera en tiempos de sequía. Una chispa pudiera generar un incontrolable incendio que dañaría los intereses nacionales de todos”, alertó Castro al analizar los efectos de la política de Washington hacia Venezuela, Nicaragua y este país.

Analistas desde Estados Unidos alertan que Trump podría endurecer aún más su política hacia Cuba y entre las opciones que baraja figura la de permitir la entrada en vigor del título tercero de la ley Helms-Burton de 1996, que endureció el embargo contra la nación caribeña.

La activación de esa norma, congelada desde hace 22 años, permitiría a los ciudadanos estadounidenses de origen cubano demandar en tribunales de Estados Unidos a las compañías que se están beneficiando de propiedades en Cuba que eran de su propiedad antes de la Revolución.

Al respecto, el economista cubano Luis René Fernández  comentó a IPS que “si eso sucede, será como un bumerán”.

Recordó que desde la aprobación de esa ley, todos los presidentes han decidido cada seis meses no aplicar ese título por intereses de Estados Unidos “mucho mayores que cualquier propiedad que tenían cubanos al momento de irse de Cuba”.

“En última instancia el asunto se decide en Cuba y económicamente, incluso, Estados Unidos ya no detenta la hegemonía de hace 10, 20, 30 y mucho menos 60 años.  El mundo ha cambiado y sigue cambiando”, remató el especialista en temas cubano-estadounidenses.

Edición: Estrella Gutiérrez

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Una lección de tolerancia desde Malí

IPS español - sex, 04/01/2019 - 13:14

Jan Landius entrevista a un morabito en un pueblo al norte de la ciudad de Markala, en Mali. Crédito: Mamadou Demblele.

Por Jan Lundius
ESTOCOLMO/ROMA, Jan 4 2019 (IPS)

Todos caemos en generalizaciones, como cuando se lee o se habla de musulmanes y cristianos, se puede fácilmente caer en prejuicios, en particular si no conocemos a ninguna persona que se ajuste a esas categorías.

Hace unos años, cuando trabajaba para una organización no gubernamental en Malí, conocí a un morabito y a un cristiano que demostraron que devotos de distintas religiones pueden apoyarse mutuamente en sus creencias individuales.

Los morabitos ofician de imanes, predican y se ocupan de las mezquitas, y suelen ser maestros. Con ayuda de mi amigo Seydou, quien me tradujo del mandé al inglés, pude conversar con aquel morabito respetado.

Después de un rato, me di cuenta de que Seydou solo hacía resúmenes de lo que el anciano decía. Le pregunté si realmente traducía todo y confesó que pensaba que el morabito “decía muchas cosas sin sentido”. Y al preguntarle qué le parecía especialmente desconcertante, respondió que al inicio había dicho que la gente vivía en la luna.

Como quería conocer su opinión sobre las visiones fundamentalistas del Corán, le pedí a Seydou que consultará al morabito, y mientras trataba de traducir lo que decía, palabra por palabra, este respondió:

“Los jóvenes fanáticos interpretan el sagrado Corán como si vivieran en el lado oscuro de la luna. Al vivir en el frío y oscuro lado de la luna, no pueden concebir la luz del sol ni sentir su calor. No basta con leer las palabras de Dios”, explicó.

“En mi vida, Dios es mi sol y mi alegría. Las palabras no alcanzan para comprender el mundo. El tiempo es un maestro estricto. Me enseñó a discernir qué está bien y qué está mal”, apuntó.

“El sagrado Corán es realmente la palabra de Dios, y a través de su Mensajero, la paz sea con él, se transmite la palabra de Dios a la gente, en todas partes y en todos los tiempos. Al traernos la palabra de Dios, el Mensajero, la paz sea con él, quería que cambiáramos para mejor, no para peor”, prosiguió.

“Dios dio a los seres humanos libre albedrío y quiere que elijamos qué está bien. Dios es justo. No quiere que elijamos lo que lastima a otros. Los fundamentalistas no creen en ningún libre albedrío. No saben qué es el amor. No quieren que la gente piense. Quieren que dejemos de elegir libremente. Por consiguiente, se colocan por encima de Dios. Solo Dios es omnisciente y todopoderoso”, subrayó.

“Creo que Dios le habla a todo el mundo a través del sagrado Corán, pero a través de mis experiencias y de mis sueños, me habla a mí”, añadió.

Después de nuestra reunión con el morabito, pedí a Seydou que se pusiera en contacto con un cristiano. Nos reunimos en la escuela del pueblo, en la que presidía la asociación escolar.

Me habían dicho que era el único malí cristiano del distrito, y le pregunté por qué él, en un país de mayoría musulmana, se había hecho cristiano. Y explicó que su padre era musulmán, pero también era miembro de la sociedad Chiwara, una organización de iniciación tradicional que a través de enseñanzas y rituales tradicionales enseñaba a los jóvenes bamana valores sociales.

Cuando estudiaba en Markala, leyó la Biblia por mera curiosidad. Al sentirse solo y desconcertado se distanció del estilo de vida de su pueblo agrícola. Pronto se identificó con Jesús, entendiendo que el hijo de Dios había pregonado que una persona debe ser un discípulo consciente, ser capaz de elegir en qué creer y no seguir ciegamente lo que otros dicen que hay que pensar o hacer.

Entonces se convirtió al cristianismo, regreso a su pueblo y comenzó a trabajar como maestro. Pero los pobladores lo despreciaron y trataron de que no diera clases. Para un hombre que no era blanco ni rico ni poderoso ni irrespetuoso, hubiera sido imposible abandonar la fe de sus ancestros. El maestro debe ser un idiota, y encima, totalmente peligroso.

Al consultarlo sobre cuánto tiempo había soportado ser el único cristiano del pueblo, el maestro respondió que había “seguido a Cristo” durante 20 años, considerando que era su deber transmitir a otros su fe, aun si los pobladores escupían a sus espaldas.

Fue el morabito quien cambió la vida del cristiano. Una noche se juntaron, y aquel le confesó:

“Me doy cuenta de que usted es hombre santo. Alguien tan solitario y fuerte como usted, debe tener una gran fe. Ha luchado por sus creencias, mientras yo nací en esta posición”, le dijo.

“Si dudara de Dios, no tendría que preocuparse de perder el respeto de la gente, de todas formas no lo veneran. En cambio, si yo demostrara dudas y debilidad, podría perder todo lo que tengo”, explicó.

“La gente no cree en usted, pero sí creen en mí. Cuando vivo momentos difíciles, no tengo a quién acudir. Pero confío en usted. Conoce a Dios, al igual que yo asumo que lo conozco. No sé si me necesita, pero yo lo necesito. Sé que si le traigo mis dudas y mis preocupaciones, usted me comprenderá. Asimismo, cuando se encuentre en problemas, puede acudir a mí”, añadió. Así, los dos hombres se hicieron amigos.

En una de las plegarias de los viernes, tras su reunión, el morabito mandó llamar al cristiano, y frente a su congregación, declaró: “Este es mi amigo. Es un hombre sagrado. Si lo respetan, me respetan a mí”. Desde entonces, el cristiano quedó integrado a la sociedad.

Entonces le pregunté si ahora todo el mundo lo respetaba. Sonrió y respondió: “Tal vez respetado, pero no totalmente aceptado”.

Malí es un país efervescente, con una cultura variada y antigua, y cuya frágil democracia se ha visto amenazada por golpes de Estado y yihadistas insurgentes.

En 2013, a pedido del gobierno maliense, Francia encabezó una intervención armada, reconquistando bastiones islamistas, y en 2015, se declaró un cese del fuego mediado por la Organización de las Naciones Unidas entre el gobierno y los separatistas tuaregs, aunque hay partes del país donde aún hay tensión y donde los yihadistas de Al Qaeda cometen atentados de forma esporádica.

Jan Lundius tiene un doctorado en Historia de la Religión, de la sueca Universidad de Lund, y ha trabajado como experto en desarrollo, investigador y asesor de SIDA, Unesco, FAO y otras organizaciones internacionales.

Traducción: Verónica Firme

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El artículo Una lección de tolerancia desde Malí fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Italia encabeza la agricultura verde en Europa

IPS español - qui, 03/01/2019 - 13:12

La Cooperativa Nueva Agricultura fue fundada en 1977 por un grupo de agricultores y jóvenes desempleados con dos objetivos principales: crear empleo en la agricultura y evitar la construcción de una gran área de enorme valor ambiental. En 1990, comenzó la conversión a la agricultura orgánica, seguida en 1996 por la conversión del ganado. Y en 2010, se paso a la agricultura biodinámica. Crédito: Maged Srour/IPS

Por Maged Srour
ROMA, Jan 3 2019 (IPS)

La agricultura italiana es ejemplar por sus cultivos orgánicos y prácticas sostenibles y porque está al frente de la conservación de la diversidad biológica, aunque sigue preocupando la escasez de agua, el número de trabajadores sin documentos, el papel de las mujeres y el envejecimiento de la fuerza laboral en el campo.

“La agricultura italiana es la más verde de Europa”, aseguró Lorenzo Bazzana, gerente económico de Coldiretti, la principal organización de agricultores en este país y en Europa.

“Italia también está al frente por sus productos orgánicos, con 72.000 operadores orgánicos”, prosiguió Bazzana en diálogo con IPS.

De hecho, 10,5 por ciento de las tierras cultivables están dedicadas a la agricultura orgánica, según datos de la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO).

“Nuestro país está al frente de la conservación de la biodiversidad, al decidir no cultivar organismos genéticamente modificados, y 40.000 haciendas comprometidas a mantener y preservar semillas y plantas en riesgo de extinción”, apuntó.

“Además, tiene primacía en términos de seguridad alimentaria, con el mayor número de productos agroalimentarios que cumplen (normativa de) residuos químicos irregulares”, del orden de 99,4 por ciento.

Italia y el Índice de Sostenibilidad Alimentaria

Varios estudios confirman los resultados positivos, como el Índice de Sostenibilidad Alimentaria (FSI), desarrollado por la Fundación-Centro Barilla para Nutrición y Alimentación (BCNF), un grupo de estudio multidisciplinario que trabaja por la sostenibilidad alimentaria.

El FSI es un indicador que analiza 34 países, que representan 87 por ciento de la economía mundial (es decir el producto interno bruto) y las dos terceras partes de la población mundial. Además, se concentra en tres pilares principales, vinculados a los 17 Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS).

*agricultura sostenible;

*pérdida y desperdicio de alimentos;

*desafíos nutricionales.

En lo que respecta a la agricultura sostenible, Italia es el que está mejor entre los 34 países listados. También está bien ubicado en función de otros indicadores como el “impacto ambiental del agua en la agricultura, la sostenibilidad del retiro del agua, la escasez y la gestión” del recurso, según el informe de la BCNF, que resume los datos enviados por el FSI en 2017.

“Italia es pionero en nuevas técnicas para reducir la pérdida de agua en contextos domésticos y agrarios”, precisa.

Pero la escasez de agua en el centro y el sur de Italia, por ejemplo en el verano boreal de 2017, reveló situaciones críticas en lo que respecta a la mala o inadecuada infraestructura hídrica.

Este país europeo registró resultados positivos en muchos otros indicadores como cultivos orgánicos y por su fuerte legislación para proteger los derechos de los pequeños agricultores.

Empleo ilegal en la agricultura

La participación de las mujeres es de uno por ciento y la de los jóvenes de 3,1 por ciento, una proporción muy baja en comparación con economías similares como la de España, donde casi una tercera parte de los trabajadores del sector son mujeres y jóvenes, según el informe del BCFN.

También es muy preocupante el empleo ilegal. Según el sindicato de agricultores, Flai-Cgil, un gran número de agricultores, unos 400.000, emplean trabajadores de forma ilegal.

Los agricultores emplean trabajadores sin documentos en regla a través de un mercado negro, gestionado por organizaciones para delinquir, lo que ha llevado a tildar el fenómeno de agromafia o caporalato, un flagelo económico y social para el país.

No hay rotación generacional en la agricultura

“Trabajo desde 1981 y dediqué mi vida a esta cooperativa de productos orgánicos”, relató uno de los integrantes de la Cooperativa Nueva Agricultura , en diálogo con IPS. La organización tiene cientos de hectáreas a solo 10 kilómetros del centro de Roma, dedicada a productos orgánicos.

“Nuestra cooperativa ya es una realidad, no necesita construirse desde abajo”, observó.

“Lo que me preocupa, y nos preocupa a todos, es el reemplazo generacional. La mayoría de los que trabajamos aquí somos mayores, más de 50 o 60 años. No hay jóvenes, no quieren trabajar”, acotó.

El temor de los agricultores, criadores y apicultores es que llegue el día en que esa área se muera porque nadie gestionará todas las actividades que la Cooperativa Agricoltura Nuova maneja en la actualidad.

“Me atemoriza esa perspectiva”, comentó Davide Pastorelli, uno de los más jóvenes integrantes de la cooperativa, en diálogo con IPS.

Pastorelli tiene 30 años y trabaja en la cooperativa desde hace 10, ocupándose de la producción de leche y queso. Cada poco tiempo, tiene que capacitar trabajadores porque se quedan se van.

“Muchos jóvenes simplemente no están dispuestos a trabajar duro en la tierra, esa es la realidad”, explicó. “Si no hubiera tantos migrantes y muchos discapacitados, que se quedan por un período relativamente largo de tiempo, no sé cómo podríamos avanzar”, añadió.

La suya es una “cooperativa integrada”, es decir que promueve una política de integración, lo que explica la presencia de inmigrantes y de personas con dificultades intelectuales.

“La ley nos exige que tengamos por lo menos 30 por ciento de personas discapacitadas, pero hay muchas más”, precisó Letizia, otra integrante de la cooperativa.

“Todavía le queda mucho por delante a Italia”

Los datos del FSI indican que Italia va por buen camino, pero al mismo tiempo, no debe subestimar los desafíos que tiene por delante, ya sea a corto como a largo plazo.

Por ejemplo, la puntuación de este país en el pilar nutricional fue solo moderado, aunque obtuvo buena nota en las categorías “calidad de vida” y “esperanza de vida”, y mala nota en los patrones de dieta.

En particular, los indicadores de “actividad física”, “número de personas por restaurante de comida rápida” o “respuesta política a patrones de dieta” no registraron buenos resultados, en comparación con otros países, lo que deja al pilar nutricional como el que más atención necesita en Italia.

Tampoco debe subestimarse el objetivo de reducir el desperdicio de alimentos y crear conciencia sobre la dieta.

Italia, gracias a una profunda atención a la calidad de los alimentos y a una tradición relacionada con la “dieta Mediterránea”, identificada por nutricionistas como la más equilibrada del mundo, está entre las mejores por su relación con la longevidad, ya que obtuvo 89,1 de 100 puntos otorgados por el FSI.

“Pero es verdad que, en especial en las nuevas generaciones, existe el riesgo de que los buenos hábitos alimentarios vinculados a la dieta Mediterránea se pierdan por otros modelos menos equilibrados, tomados de malos hábitos y de comportamientos importados”, alertó Bazzana.

“En las 130 investigaciones vinculadas al ‘Manifiesto de Alimentación y Salud’, un documento editado por por la organización Navdanya Internacional, que busca ser una herramienta útil para todos los que quieren comenzar una transición hacia un paradigma más sostenible, muchas de las cuestiones planteadas, conciernen a Italia”, indicó el especialista Lucio Cavazzoni.

“El hecho de que en la actualidad se compren alimentos enlatados e inundados de una comercialización artera en los supermercados, separa el conocimiento sobre los alimentos de su función nutricional, la que a menudo es muy pobre”, explicó. “Tenemos que recuperar esos pasos”, acotó Cavazzoni.

El punto fundamental de la discusión es que el consumo de los productos biológicos debe volverse algo “popular”, es decir “de la gente”, precisó.

“No quiere decir masificado y trivializado”, puntualizó.

“Y tenemos que revivir los mercados agrícolas porque la producción industrial y los supermercados no solo perjudican a los pequeños productores, sino que comprometen la calidad misma de nuestra comida”, alertó Cavazzoni.

“Conectar a los consumidores con los productores, sin abandonar la cuestión de la calidad y con ella el precio máximo de los alimentos, es un aspecto fundamental en el que tenemos que trabajar”, añadió.

Traducción: Verónica Firme

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Los indígenas argentinos luchan por el derecho sobre sus tierras

IPS español - qui, 03/01/2019 - 13:09

Un grupo de niños wichí juega en el barro en la comunidad indígena de El Quebracho, en el norte de Argentina. La legislación reconoce el derecho al apoyo bilingüe en la educación de la niñez originaria, pero en la práctica esa norma no se cumple y a los niños se les discrimina cuando hablan su lengua originaria. Crédito: Daniel Gutman/IPS

Por Daniel Gutman
TARTAGAL, Argentina, Jan 3 2019 (IPS)

Nancy López vive en una casa de barro, madera y latón, dentro de un terreno privado dedicado a la agricultura. Forma parte de una comunidad indígena del norte argentino de 12 familias que, como casi todas, no tiene título del suelo que ocupa y vive bajo la amenaza constante del desalojo.

Viuda y con nueve hijos, la mujer escuchó relatos de tiempos mejores. “Mi papá me contaba que antes podían ir, volver y quedarse donde quisieran. No se hablaba de tierras privadas, no había soja, no había alambrados. Se sentían libres. Hoy nos dicen usurpadores”, contó a IPS.

López pertenece a los wichí, uno de los pueblos indígenas más numerosos de los 31 registrados en Argentina. Según datos oficiales, los habitantes originarios representan 2,38 por ciento de la población total de este país sudamericano de 44 millones de personas, aunque especialistas y dirigentes indígenas consideran que el porcentaje real es muy superior."Los indígenas que viven en la periferia de las ciudades son refugiados, que han sido desplazados de su lugar en el bosque, desde hace 100 años por campesinos no indígenas que llegaron con sus vacas y, en las últimas décadas, por los intereses productivistas del agro”: John Palmer.

Actualmente, los indígenas argentinos luchan por conservar su forma de vida en un contexto crítico que se debe, fundamentalmente, a los conflictos territoriales.

El 92 por ciento de las comunidades no tiene título de propiedad de la tierra que habita, según un relevamiento publicado en 2017 por la Auditoría General de la Nación, organismo de control que depende del Poder Legislativo.

La dimensión del conflicto es enorme. Aproximadamente la mitad de las 1.600 comunidades originarias que existen en el país han realizado o están realizando el proceso de relevamiento de sus tierras que el Estado empezó hace más de 10 años y reclaman ocho millones y medio de hectáreas, más que la superficie de Panamá.

El telón de fondo es el patrón de discriminación que en Argentina persiste a pesar de los avances normativos, como lo percibió en 2011, durante una visita al país, el entonces relator especial de las Naciones Unidas sobre los pueblos indígenas, James Anaya.

“Existen todavía legados de la época de colonización y la historia de exclusión sigue siendo muy visible”, escribió el relator en su informe.

Nancy López, quien ejerce un papel de liderazgo en su comunidad, dice que los niños ya no quieren hablar la lengua wichí, porque si lo hacen los discriminan en las escuelas, en las que debe existir un auxiliar bilingüe, de acuerdo a la Ley de Educación Nacional, vigente desde 2006.

“Al auxiliar bilingüe lo ponen a sacar fotocopias o a hacer mandados. Apenas les traduce a los chicos cuáles son las tareas. Hay mucho racismo”, contó López, mientras los niños de la comunidad jugaban con barro bajo la lluvia.

Nancy López en la antesala de su casa construida con barro, madera y latón, en la comunidad wichí de El Quebracho, en la provincia de Salta, en el norteño Chaco argentino. La comunidad indígena vive en un terreno agrícola de propiedad privada, del que ya fue desalojada por la policía, pero retomó nuevamente. Crédito: Daniel Gutman/IPS

Su comunidad, El Quebracho, es una de las decenas que se ubican cerca de Tartagal, una ciudad de 80.000 habitantes en la provincia de Salta, sobre la ruta 86, que en realidad es un precario camino de tierra y barro que conduce a la frontera paraguaya.

López explica que su comunidad se instaló hace unos seis años en el campo donde hoy vive, sin permiso del dueño, “porque esto antiguamente era monte”, que es como en Argentina se llama a las áreas rurales naturales, que no han sido afectadas por actividades productivas.

Del monte, justamente, es de donde han nutrido históricamente sus necesidades de alimento, medicina o madera para construir sus casas los wichí y otros pueblos indígenas de la zona, que son cazadores-recolectores.

Pero cada vez hay menos monte. Junto con la vecina Santiago del Estero, Salta es la provincia argentina que más deforestación sufrió en los últimos años, por la expansión de la frontera agropecuaria, empujada principalmente por la soja transgénica, que hoy ocupa más de la mitad de la superficie sembrada en el país.

“A las comunidades indígenas nos fueron corriendo (echando) de Tartagal a medida que la ciudad se fue agrandando y entonces vamos donde podemos”, explica López, quien recuerda que hace un par de años fueron desalojados en un operativo en el que participaron unos 200 policías.

“Nos quedamos viviendo al costado de la ruta unos dos meses, hasta que los policías se fueron y volvimos a entrar. No tenemos otro lugar adónde ir. Antes todo era monte. Hoy estamos acorralados por la soja”, narró.

Desde su organización como nación, en 1853,  Argentina se fijó como uno de sus objetivos primordiales excluir o asimilar a los indígenas.

De hecho, su Constitución, promulgada aquel año, exhortaba a “conservar el trato pacífico con los indios, y promover la conversión de ellos al catolicismo”, mientras, en cambio, imponía al gobierno, en el artículo 25 aún vigente, la obligación de fomentar la inmigración europea.

Carteles en el ingreso a una comunidad indígena de la provincia de Salta resaltan que el Estado ya efectuó el relevamiento de esas tierras y las reconoció como ancestralmente ocupadas por pobladores originarios. Pero no se ha avanzado en la titulación de la propiedad comunitaria en esta zona del norte de Argentina. Crédito: Daniel Gutman/IPS

La directiva sobre la población originaria estuvo activa hasta hace apenas 25 años. Solo en 1994, durante la última reforma constitucional, se la reemplazó por un artículo que reconoce “la preexistencia étnica y cultural de los pueblos indígenas” y “la posesión y propiedad comunitarias de las tierras que tradicionalmente ocupan”.

Sin embargo, según el relator Anaya, el cambio constitucional no modificó una realidad marcada por “la desposesión histórica de grandes extensiones de tierras por estancieros y por la presencia de empresas agropecuarias, petroleras y mineras que operan en tierras reclamadas por comunidades indígenas”.

En 2006, el legislativo Congreso Nacional se hizo eco de la situación y sancionó la Ley de Comunidades Indígenas, que declaró la emergencia territorial indígena, ordenó la realización de relevamientos de los suelos ocupados ancestralmente y suspendió los desalojos, aun con sentencia judicial, por un plazo de cuatro años.

Desde entonces, sin embargo, el relevamiento ni siquiera empezó para la mitad de las comunidades, a pesar de que la ley ha sido prorrogada tres veces. Y aquellos que tienen relevamiento, en su gran mayoría tampoco tienen título de propiedad comunitaria.

Hoy en día se denuncia, además, que se siguen realizando desalojos, aunque la ley vigente los prohíbe hasta 2021.

Así, no extraña que sean territoriales la enorme mayoría de los conflictos que involucran a indígenas en Argentina, de acuerdo a Amnistía Internacional, que en 2017 difundió un estudio que detectó 225 situaciones no resueltas en todo el país.

“Algunas provincias han otorgado títulos de propiedad, pero no existen en la Argentina mecanismos institucionales de acceso a la propiedad comunitaria indígena. Hace falta una ley nacional”, dijo a IPS la abogada Gabriela Kletzel, del Centro de Estudios Legales y Sociales (CELS).

Esa organización no gubernamental tramita ante la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) el caso de un grupo de comunidades, cuya propiedad sobre 400.000 hectáreas fue reconocida por el gobierno de la provincia de Salta en 2014.

“Sin embargo, esas comunidades aún no pueden disponer del territorio porque no tienen título de propiedad. Y todavía no consiguen que familias criollas saquen de su tierra el ganado vacuno, que destruye los recursos naturales que son fundamento de la vida indígena”, dijo Kletzel.

John Palmer, un antropólogo inglés que llegó a Salta hace más de 30 años y se casó con una indígena wichí, explicó a IPS: “Los indígenas que viven en la periferia de las ciudades son refugiados, que han sido desplazados de su lugar en el bosque, desde hace 100 años por campesinos no indígenas que llegaron con sus vacas y, en las últimas décadas, por los intereses productivistas del agro”.

“La destrucción del monte acabó con todos los recursos de su economía. Así, como muchos animales que ya no tiene qué comer, vinieron a las ciudades”, concluyó Palmer, quien vivió largos años en una comunidad rural wichí hasta que se trasladó a Tartagal con su esposa y los cinco hijos de ambos.

Edición: Estrella Gutiérrez

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Una mujer brilla en investidura de gobierno antigénero en Brasil

IPS español - qua, 02/01/2019 - 17:18

Michelle de Paula Firmo Reinaldo, esposa del nuevo presidente de Brasil, Jair Bolsonaro, mientras se dirige en el lenguaje de signos a la audiencia, delante de su marido, durante uno de los actos de la investidura del militar retirado de extrema derecha como nuevo mandatario del mayor país de América Latina. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil-Fotos Públicas

Por Mario Osava
RÍO DE JANEIRO, Jan 2 2019 (IPS)

“Combatir la ideología de género” y el socialismo fueron las reiteradas promesas  deJair Bolsonaro, al tomar posesión como nuevo presidente de Brasil, en un acto en la capital en que destacó su mujer, Michelle de Paula Firmo Reinaldo, quien se dirigió a la adiencia en el lenguaje para sordos.

Un paquete de proyectos de asistencia social contará con el liderazgo de la nueva primera dama, de 38 años, que consideró las elecciones presidenciales de octubre un mensaje de que “el ciudadano brasileño quiere seguridad, paz y prosperidad en un país en que todos sean respetados”.

Su mensaje en la Lengua Brasileña de Signos (Libras), traducido al portugués hablado por una intérprete, fue ovacionado por las 115.000 personas que concurrieron a la Plaza de los Tres Poderes en la tarde del 1 de enero, según estimación del Gabinete de Seguridad Institucional, un ministerio especial para asesorar y proteger el presidente.

Elegante y austera, ella reveló carisma en la comunicación con el público. Su dedicación a la causa de los no oyentes, cuyo lenguaje aprendió por solidaridad, no por necesidad, se extiende a los demás  colectivos de personas con discapacidades. Sirve como intérprete de Libras en la iglesia evangélica Batista Actitud, de la que es asidua en Río de Janeiro.

Reinaldo tendrá posiblemente notable influencia en el área social del gobierno presidido por Bolsonaro, de 63 años, de la que es su segunda esposa y cuya familia incluye a un senador, un diputado y un concejal de esta ciudad carioca entre sus cinco hijos y constituye un importante apoyo político.

Puede ganar importancia su actuación al lado de un gobierno que cuenta con solo dos mujeres entre los 22 ministros que asumieron sus funciones este miércoles 2 de enero en Brasilia, y cuyo marido calificó a la hija que ambos tuvieron en común como “un momento de debilidad”, por haber procreado una mujer tras cuatro varones en su anterior matrimonio.

Además suaviza un poco el belicoso discurso del presidente, un capitán retirado del Ejército, que al ser investido reafirmó su disposición de eliminar “las ideologías que destruyen nuestros valores y tradiciones, destruyen nuestras familias, base de nuestra sociedad”.

Género es un concepto con que los marxistas tratan de “desconstruir la familia tradicional”, según los bolsonaristas, que pretenden excluir el tema en la enseñanza.

“Ideología de género” es la expresión elaborada por sectores conservadores, especialmente religiosos, y utilizada por la extrema derecha en alza en el mundo para combatir el feminismo y las luchas por legalización del aborto, diversidad sexual y los derechos reproductivos.

Hoy “el pueblo empezó a libertarse del socialismo, de la inversión de valores, del gigantismo del Estado y de lo políticamente correcto”, afirmó Bolsonaro en su discurso a la multitud en la plaza, tras ser investido presidente en la cercana sede del bicameral Congreso legislativo.

Diez jefes de gobierno o de Estado estuvieron presentes en Brasilia, una concurrencia dificultada por la singularidad brasileña de realizar la toma de posesión presidencial el primer día del año.

La presencia de los primeros ministros Benjamin Netanyahu, de Israel, y Victor Orban, de Hungria, y del presidente chileno, Sebastián Piñera, confirmaron el alineamiento derechista del nuevo presidente de Brasil en su política exterior.

“Quitar el sesgo ideológico de nuestras relaciones internacionales”, sin embargo, fue el propósito anunciado por Bolsonaro, aun habiendo nombrado un ministro de Relaciones Exteriores, Ernesto Araujo, que alaba al presidente estadounidense, Donald Trump, como salvador del Occidente cristiano.

Evo Morales y Tabaré Vazquez, presidentes de Bolivia y Uruguay, fueron las excepciones izquierdistas en Brasilia. Bolivia y Brasil “tienen raíces profundas de lazos de hermandad y complementariedad”, son “socios estratégicos”, justificó Morales su presencia en el acto, en un mensaje por Twitter.

Trump estuvo representado por su secretario de Estado, Mike Pompeo, y el presidente argentino, Mauricio Macri, también derechista, prometió visitar a Brasil este mes de enero.

Un vocabulario raro, con aparente desconocimiento de los conceptos, compone la oratoria de Bolsonaro y algunos de sus ministros, como el de Educación, el filósofo de origen colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, y el canciller Araujo, que identifican al “marxismo cultural” y el comunismo como fuerzas dominantes en las universidades brasileñas y en las organizaciones internacionales multilaterales.

Ideología aparece con frecuencia en sus declaraciones, pero como elemento exclusivo (y negativo) de las ideas de izquierda. Sus propuestas, netamente de derecha, significan oponerse a ese sesgo ideológico para ir al rescate de la verdad.

“Nuestra bandera jamás será roja, solo será roja si se hace necesaria nuestra sangre para mantenerla verde y amarilla”, así concluyó el presidente su discurso al público en la toma de posesión.

“Enfrentar los efectos de la crisis económica, el desempleo recordista, la ideologización de nuestros niños, la distorsión de los derechos humanos y la desconstrucción de la familia”, son las prioridades mencionadas por Bolsonaro.

Juntó en esa frase las políticas anunciadas en su campaña electoral, de liberalismo ortodoxo en la economía, con privatizaciones, desregulación y desburocratización de la economía, más abertura comercial al exterior, la “escuela sin partido”, guerra a la criminalidad y defensa de la familia tradicional, heterosexual.

La gestión económica se entregó a Paulo Guedes, un economista de la llamada escuela de Chicago, de total adhesión al libre mercado, elevado a superministro, al aglutinar bajo su jefatura los antiguos ministerio de Hacienda, de Planificación, Previsión Social e Industria y Comercio, además de otros órganos oficiales.

Sus primeros desafíos son reformar el sistema de previsión social, para contener un brutal déficit en los gobiernos central y de los 27 estados brasileños, y reducir los gastos corrientes del aparato estatal, considerado despilfarrador e ineficiente.

“El gobierno no gastará más de lo que recauda”, aseguró el nuevo presidente.

Se necesitarán medidas impopulares, que afectarán beneficiarios presentes y futuros de la seguridad social, además de los 12 millones de funcionarios públicos existentes en Brasil, 60 por ciento más que en 1996, según el Atlas del Estado Brasileño, del gubernamental Instituto de Investigación Económica Aplicada.

Será una prueba a la popularidad de Bolsonaro,  a quien se eligió con 55 por ciento de los votos válidos y cuenta con la confianza de dos tercios de los brasileños al comenzar su gobierno, según las últimas encuestas.

La seguridad pública quedó a cargo de otro superministerio, el de Justicia, encabezado por Sergio Moro, el juez que comandó la operación Lava Jato (lavado de vehículos), que combatió la corrupción los últimos cuatro años. Él protagonizará la lucha contra la delincuencia organizada y el narcotráfico, que Bolsonaro prometió intensificar a cualquier costo.

En este campo “es urgente acabar la ideología que defiende bandidos y criminaliza policiales”, según el presidente, que como muchos brasileños cree que los derechos humanos representan en realidad una protección a los criminales.

El “respaldo al trabajo de todas las fuerzas de seguridad”, prometida por el presidente, significa que la policía y los militares contarán con apoyo judicial y gubernamental cuando acusados de abusos en sus acciones. Es un estímulo a la represión en la frontera o más allá de la legalidad.

“Escuela sin partido”, otra promesa del nuevo inquilino del Palacio de Planalto, es un movimiento de la extrema derecha contra un supuesto dominio de los marxistas de la enseñanza pública. Es incluso el foco de un proyecto de ley, que está en sus trámites finales en el parlamento y que muchos juristas consideran ilegal.

La propuesta permitiría controlar profesores y denunciar los que usen términos como “género” y “orientación sexual” o utilicen su función para propaganda política y partidaria. Algunos de sus adeptos ya orientaron alumnos a filmar a sus maestros como base para denunciarlos.

Edición: Estrella Gutiérrez

El artículo Una mujer brilla en investidura de gobierno antigénero en Brasil fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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