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Emirados Árabes Unidos expande suas colaborações com a Espanha na área de saúde

IPS português - qui, 11/10/2018 - 17:04

MADRID, 11 de outubro de 2018 (WAM) – A Embaixada dos Emirados Árabes Unidos (EAU) na Espanha assinou um acordo com os quatro principais prestadores de assistência médica do país para facilitar o compartilhamento de conhecimentos e o intercâmbio de conhecimentos no setor de saúde.

O Dr. Hissa Abdullah Al Otaiba, Embaixador dos Emirados Árabes Unidos na Espanha, assinou o acordo em nome do governo, na presença de Mohamed Al Hameli, Subsecretário do Departamento de Saúde de Abu Dhabi, além de um número de Diretores Executivos da Sant Joan de Deu Hospital Infantil de Barcelona, ​​Hospital Universitário de Quiron, em Barcelona, ​​Hospital Multidisciplinar Barnaclinic e Centro de Oftalmologia de Barraquer.

O acordo inclui a facilitação da troca mútua de conhecimento e perícia em diferentes áreas médicas como parte do programa Médicos Visitares para atrair especialistas médicos internacionais para os Emirados Árabes Unidos. Além disso, o acordo visa desbloquear o futuro potencial de cooperação entre os dois países para contribuir para alcançar as visões estratégicas de saúde de ambos os países. O acordo também visa desbloquear novas oportunidades de investimento que impulsionarão a expansão da capacidade de saúde para atender à crescente demanda por serviços de saúde em Abu Dhabi.

Dr. Hissa destacou que este passo apoia de perto os esforços do governo na construção de cooperação com a Espanha em várias áreas econômicas. Al Otaiba expressou sua confiança de que o acordo possibilitará mais colaboração UAE-Espanha e trará esforços unificados para contribuir para o desenvolvimento e a prosperidade do setor de saúde dos EAU e seus serviços.

Al Hameli disse que o acordo é outro marco para o setor que significa o compromisso do departamento de saúde em oferecer serviços de saúde de classe mundial e a mais alta qualidade de atendimento médico para pacientes em Abu Dhabi. Ele ressaltou a importância da cooperação mútua para continuar impulsionando o setor de saúde a níveis mais altos de desempenho. (#Envolverde)

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Município de Dubai lança drone de salvamento voador para resgate na praia

IPS português - qui, 11/10/2018 - 16:27

DUBAI, 11 de outubro de 2018 (WAM) – Como parte de seu empenho em manter a segurança dos usuários de praias públicas no emirado, o Município de Dubai desenvolveu o “Flying Rescuer”, um veículo aéreo não tripulado (UAV).

Comentando o anúncio, Khalid Sharif Al Awadhi, CEO do Setor de Meio Ambiente, Saúde e Segurança, disse: “O emirado está empenhado em fornecer todos os padrões de segurança para seus residentes e esforços estão sendo constantemente exercidos no Município de Dubai para implementar práticas para melhorar o princípio de segurança especialmente em destinos que estão testemunhando crescimento contínuo no número de visitantes, como praias.

O município presta grande atenção ao desenvolvimento de sistemas de segurança costeira de acordo com os métodos mais recentes e mais avançados. O Flying Rescuer é o primeiro de seu tipo no mundo UAV, que atualmente está sendo usado em todo o mundo projetado apenas para operações de resgate individuais.”

Por sua vez, Alia Al Harmoudi, diretora do Departamento de Meio Ambiente, disse: “O município desenvolveu um excelente UAV local ou drone, cujo design exclusivo é capaz de responder a casos de afogamento em grupo ou individuais. O drone pode transportar até quatro anéis de boias salva-vidas para a área do incidente de afogamento, que pode suportar até oito pessoas que se afogam ao mesmo tempo. Ele também pode ser usado com uma balsa de resgate que inflaciona automaticamente quando toca a água em vez de boias para salvar várias pessoas ao mesmo tempo. O Flying Rescuer dá a resposta inicial ao afogamento, de modo que os salvadores humanos tenham acesso à situação, o que facilita as operações de resgate nos feriados e finais de semana. ”

O Flying Rescuer é uma das inovações mais recentes adicionadas ao Sistema de Resgate e Segurança Costeira executado pelo município, que alcançou zero “mortes” devido a casos de afogamento desde sua abertura em 2016. O número total de casos de resgate e socorro foi de 2.139, dos quais 330 eram casos de afogamento em grupo ou 15 por cento de todas as operações de resgate e socorro a uma taxa de 3 a 4 pessoas se afogando ao mesmo tempo.

O drone consiste em um ventilador duplo montado em quatro braços dobráveis, conhecido como Octa-X8, capaz de transportar uma carga de 8 kg. Ele pode ser controlado remotamente manualmente ou determinando um caminho específico para o dispositivo e ativando-o no modo automático para seguir automaticamente seu caminho. Também é possível controlar remotamente o lançamento de boias de resgate ou jangadas que chegam ao local do afogamento.

O drone também é equipado com duas câmeras, uma para navegação de alta precisão para transmissão de vídeo ao vivo até um quilômetro do ponto de controle e outra para facilitar o lançamento de canos e boias de resgate para a área de afogamento com precisão. O UAV tem uma duração de bateria de até 30 minutos, permitindo vários voos sem ter que recarregar a bateria. Ele também tem a capacidade de operar em altas temperaturas em Dubai no verão.

O UAV é equipado com um sistema integrado para atender o público. O sistema permite que a orientação por voz remota seja fornecida a partir do ponto de controle do dispositivo, o que é muito útil em casos de afogamento coletivo ou no caso de correntes de varredura. (#Envolverde)

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Emirados Árabes Unidos participa da Feira Internacional de Pequenas e Médias Empresas da China em Guangzhou

IPS português - qui, 11/10/2018 - 16:18

GUANGZHOU, 11 de outubro de 2018 (WAM) – Os Emirados Árabes Unidos (EAU) estão participando como o primeiro parceiro árabe da 15ª Feira Internacional de Pequenas e Médias Empresas da China (CISMEF), inaugurada na última segunda-feira em Guangzhou, cidade da província de Guangdong, e continuará até o dia 13 de outubro.

O pavilhão dos EAU cobre uma área de 1.000 metros quadrados no local, com 78 plataformas diferentes dedicadas às pequenas e médias empresas (PMEs) do país e outras entidades nacionais.

A delegação do país é liderada por Abdullah bin Ahmed Al Saleh, Subsecretário do Ministério da Economia para Assuntos de Comércio Exterior, em nome do Sultão Bin Saeed Al Mansouri, Ministro da Economia e chefe do Conselho de Pequenas e Médias Empresas. A delegação inclui mais de 120 participantes de entidades federais e locais, bem como do setor privado, incluindo quase 85 empresários dos Emirados Árabes Unidos e proprietários de PME do país.

O CISMEF é considerado uma das mais importantes plataformas regionais e internacionais do setor de empreendedorismo, atraindo mais de 200.000 visitantes todos os anos.

Em seu discurso, Abdullah Al Saleh disse que o CISMEF evoluiu para uma plataforma líder de parceria econômica entre as PMEs em nível global e oferece uma oportunidade única para as PMEs dos países participantes trocarem conhecimentos e forjar relações comerciais estratégicas.

Ele disse que as relações bilaterais entre os EAU e a China são robustas e estão crescendo rapidamente, como evidenciado pela intensidade das visitas oficiais e comerciais entre os líderes de ambas as nações. Ele ressaltou que a visita histórica de Xi Jinping, presidente da República Popular da China, a Abu Dhabi há alguns meses desempenhou um papel de destaque na consolidação da parceria entre os dois países.

Al Saleh acrescentou que a China é o maior parceiro comercial não-petrolífero dos Emirados Árabes Unidos e que o comércio externo entre os dois países cresceu 15% em 2017, com um valor total de US $ 53,3 bilhões. Ele disse que os Emirados Árabes Unidos responderam por cerca de 30% do total das exportações da China entre os países árabes e por cerca de 22% do total do comércio árabe-chinês em 2017. A China é um dos dez principais mercados de turismo dos Emirados Árabes Unidos.

Ele destacou que a participação na exposição foi estrategicamente importante, pois proporcionou a oportunidade perfeita para educar o setor privado e empresários sobre as oportunidades de comércio e investimento, e disse que o setor de PMEs era o sustentáculo do desenvolvimento econômico, devido ao qual a Os Emirados Árabes Unidos atribuem a mais alta prioridade a este setor, bem como ao desenvolvimento de um sistema legislativo e de ambiente de negócios que favoreça o apoio aos empreendedores, de acordo com as melhores práticas internacionais.

O Dr. Adeeb Afify, Diretor do Programa Nacional de PMEs, enfatizou que o CISMEF é considerado a maior delegação comercial fora do país, em termos do número de proprietários de PMEs dos Emirados Árabes Unidos que participam da feira, incluindo 85 pequenas e médias empresas nacionais de vários setores de negócios e serviços, ressaltando que a visita vem em linha com os esforços do programa para promover e capacitar os empresários locais para acessar facilmente os mercados externos.

Wang Yongqing, vice-diretor do Ministro da Informação e Indústria e vice-presidente do Comitê Organizador da Feira, disse que o CISMEF é hoje uma das mais importantes exposições internacionais de apoio ao empreendedorismo. Ele destacou a importância da participação dos EAU na exposição como país parceiro, uma vez que desfrutava de fortes relações econômicas e comerciais com a China. Os Emirados Árabes Unidos são o maior parceiro comercial da China no Oriente Médio, bem como um pivô na iniciativa Belt and Road. (#Envolverde)

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Haddad não criou o ‘kit gay’

Pública - qui, 11/10/2018 - 14:00
Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilO deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) fez afirmação falsa sobre o envolvimento de Fernando Haddad em produção de material contra homofobia

“[Fernando Haddad] criou o ‘kit gay’.” – Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, em entrevista à rádio Jovem Pan.

Ao contrário do que afirmou o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) em entrevista à rádio Jovem Pan em 9 de outubro, seu adversário na disputa eleitoral, Fernando Haddad (PT), não criou nenhum “kit gay”. O termo pejorativo é usado por críticos para se referir ao Escola Sem Homofobia. O material – composto por um caderno e peças impressas e audiovisuais – foi encomendado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados ao Ministério da Educação (MEC) e elaborado por um grupo de ONGs especializadas, em conformidade com as diretrizes de um programa do governo federal lançado anteriormente, em 2004. Quando houve a polêmica sobre o seu conteúdo, em 2011, Haddad estava no comando do MEC.

A cartilha tinha como principal objetivo promover “valores de respeito à paz e à não-discriminação por orientação sexual”. Não há no documento nenhuma orientação que justifique a alcunha “kit gay”. Diversos especialistas em educação já se manifestaram favoravelmente ao material e entidades da sociedade civil avaliam o conteúdo como adequado para as faixas etárias indicadas. Além disso, não é possível atribuir a Fernando Haddad responsabilidade sobre a autoria do material, porque o projeto surgiu do poder Legislativo e não foi desenvolvido diretamente pelo MEC, mas por ONGs contratadas pelo ministério. Quando a cartilha foi vetada pela presidente Dilma Rousseff (PT), os materiais do kit ainda estavam sob análise da pasta. Por isso, o Truco – projeto de checagem da Agência Pública – classifica a frase de Bolsonaro como falsa.

A origem do material remonta a 2004, quando Haddad ainda não era ministro da Educação. Foi naquele ano que o governo federal lançou o “Brasil sem Homofobia – Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB e Promoção da Cidadania Homossexual”. No plano de implementação da proposta há recomendações para que sejam elaborados materiais educacionais que promovam valores de respeito à paz e à não discriminação por orientação sexual.

ReproduçãoImagem ilustrativa do caderno Escola Sem Homofobia

Seguindo com atraso a recomendação do programa, o projeto Escola Sem Homofobia foi financiado pelo Ministério da Educação por meio de recursos aprovados em 2006 por emenda parlamentar da Comissão de Legislação Participativa da Câmara de Deputados. O resultado do projeto foi uma cartilha dividida em três capítulos, subdivididos em tópicos, além de dois anexos com sugestões de sequências didáticas e de como utilizar os materiais em vídeo. Dinâmicas sobre o assunto de cada tópico são propostas pelos autores para professores e alunos.

Durante uma reunião da Comissão de Legislação Participativa sobre homofobia nas escolas realizada em 2010, Beto de Jesus, secretário de finanças da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), uma das entidades responsáveis pela criação do material, disse sentir falta da participação do então ministro da Educação, Fernando Haddad, no processo. “Eu sinto a ausência do ministro nas questões relacionadas a LGBTs”, afirmou. “Já conseguimos falar com os ministros, eles já estiveram em espaços nossos, mas o ministro Haddad ainda não esteve em espaços nossos; ele não foi nem na Conferência Nacional. Outros ministros foram.”

Em nota oficial divulgada em 20 de janeiro de 2011, as entidades envolvidas na elaboração da cartilha garantiram que todas as etapas de planejamento e execução do projeto “foram amplamente discutidas e acompanhadas de perto pelo MEC e pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secad)”.

Na época, o material teve sua distribuição aprovada e recomendada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Em nota, a Unesco disse que o conteúdo era adequado às faixas etárias e de desenvolvimento afetivo-cognitivo a que se destinam, em concordância com a Orientação Técnica Internacional sobre Educação em Sexualidade, publicada pela entidade em 2010. Além da Unesco, outros órgãos ligados à Organização das Nações Unidas (ONU), como o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Uniaids), mostraram-se favoráveis à distribuição da cartilha em 2011.

O Conselho Federal de Psicologia também emitiu um parecer técnico favorável ao Escola Sem Homofobia. “É notório o cuidado didático-pedagógico e qualidade visual com que foi criado e desenvolvido todo o conjunto educacional apresentado no kit – vídeos, livretos, cartilhas, boletins com temas específicos e panfletos. Trata-se de uma produção densa, cuidadosa e bem articulada”, afirma o parecer.

No entanto, pressões de grupos religiosos no Congresso levaram o governo federal a recuar e a presidente Dilma suspendeu a produção e distribuição do material, em maio de 2011. À época, o kit produzido pelas entidades Pathfinder do Brasil, Reprolatina e Comunicação em Sexualidade (ECOS), com apoio da ABGLT, ainda estava sendo analisado por técnicos do MEC.

Em entrevista à revista Nova Escola, o pedagogo Ricardo Desidério, que avalia alguns conteúdos do material anti-homofobia em seu doutorado na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), diz que o material representaria um avanço nas escolas. “Os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais, elaborados em 1997) eram o único documento que tratava de sexualidade, mas o faziam de forma genérica. Já esse material faz um recorte prático do que precisa ser trabalhado na escola hoje”, disse Desidério.

Outros especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo em 2011 também aprovaram o conteúdo da cartilha contra homofobia. “Não dá para dizer que há incentivo à bissexualidade, até porque [a orientação sexual] não é algo que se resolva de repente”, disse à Folha a professora de psicologia da educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Ana Mercês Bock.

O material é alvo de críticas de Jair Bolsonaro com frequência. A própria campanha de Haddad já desmentiu que o petista seria responsável pelo “kit gay” em uma publicação no site da coligação O Brasil Feliz de Novo. “A expressão preconceituosa vem sendo utilizada com intenções políticas nefastas, inclusive distribuindo imagens falsas do material e citando livros fora de contexto”, relata o texto da página.

Na mesma entrevista para a rádio Jovem Pan, Bolsonaro criticou novamente o projeto anti-homofobia falando que “não se aprende nada na escola, é filme de menino se beijando, filme de menina se acariciando”. Para o candidato, “a escola é para aprender matemática, química, física, e não sexo.” No entanto, no material do Escola Sem Homofobia não há representações de crianças mantendo relações sexuais.

Bolsonaro também direcionou recentemente suas críticas ao livro Aparelho Sexual e Cia. A obra, editada pela Cia das Letras, já vendeu 1,5 milhão de exemplares em todo o mundo e foi publicada em dez idiomas. Durante uma entrevista para o Jornal Nacional, da Rede Globo, o candidato afirmou que a obra seria distribuída nas escolas pelo MEC, relacionando-a ao “kit gay”. No entanto, o livro também não faz ou fez parte de nenhum programa do MEC, conforme desmentido pelo próprio ministério em nota oficial publicada em 2016.

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¿Por qué migra la población del Triángulo Norte Centroamericano?

IPS español - qui, 11/10/2018 - 13:08

Campesinos laboran en un campo de maíz, mezclado con otras plantas, en San Lorenzo, un municipio del sur de México, que está poblado por migrantes guatemaltecos que huyeron de su país en los años 80. Crédito: FAO

Por Julio Berdegué y Silvia Saravia
SANTIAGO, Oct 11 2018 (IPS)

De los 33 millones de migrantes internacionales originarios de América Latina y el Caribe, cerca de 15 millones provienen de México y de tres países que conforman el llamado Triángulo Norte Centroamericanos: Guatemala, El Salvador y Honduras.

Los migrantes de dichos países tienen como principal destino final Estados Unidos y su movimiento migratorio se da a través México, conformando así uno de los principales corredores migratorios de nuestra región y del mundo.

La importancia de la migración internacional no es menor en las economías de los países del Triángulo Norte Centroamericano: en 2015 las remesas representaron 18 por ciento del producto interno bruto (PIB) de Honduras, 17 por ciento del PIB de Salvador y 10 por ciento del PIB de Guatemala.

El crecimiento de las remesas también ha sido sustancial: entre 2007 y 2016, se expandieron en 75 por ciento en Guatemala, 47 por ciento en Honduras y 24 por ciento en El Salvador.

Julio Berdegué. Crédito: FAO

Si consideramos que cerca de 40 por ciento de las remesas internacionales se destinan a zonas rurales, queda claro hasta qué punto los flujos internacionales de personas y remesas son fundamentales para la subsistencia de las comunidades más rezagadas.

Las causas de la migración en el Triángulo Norte se asocian no solamente al deseo de buscar mejores opciones económicas, sino a la presión de escapar de la pobreza rural, el hambre, la inestabilidad climática y la violencia.

La inestabilidad climática como causa de la migración en el Triángulo Norte se hace evidente en el denominado Corredor Seco Centroamericano, una ecorregión de bosque tropical seco que abarca casi un tercio del territorio de América Central en la cual viven cerca de 11 millones de personas.

El 60 por ciento vive en pobreza y en años recientes se han registrado de forma más frecuente situaciones de “hambruna estacional”.

La violencia es otro aspecto que incide directamente en los flujos migratorios internos e internacionales del Triángulo Norte. En el caso de Guatemala, El Salvador y Honduras, la tasa de homicidios fue de 31, 64 y 74 personas por cada cien mil habitantes, respectivamente, en 2014.

Silvia Saravia. Crédito: FAO

En los países del Triángulo Norte, un estudio reciente de Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO) ha identificado 218 municipios con tasas extremadamente altas de emigración, en los cuales viven cerca de 4,5 millones de personas.

Si deseamos mitigar la migración, será indispensable estimular el desarrollo de estos territorios expulsores de migrantes, con estrategias que abarquen al menos cuatro dimensiones

Ellas son: acceso acelerado a niveles mínimos de bienestar, comenzando por la seguridad alimentaria y nutricional; nuevas y mejores oportunidades de empleo e ingreso; resiliencia a eventos climáticos extremos y adaptación al cambio climático; y fortalecimiento del tejido social y del estado de derecho para abatir el crimen organizado y la violencia.

La FAO junto a la Comisión Económica para América Latina y el Caribe (Cepal) y otros socios estratégicos, han conformado una Alianza para enfrentar con eficacia las causas de la migración rural en Mesoamérica.

El principal aporte de la Alianza serán propuestas de políticas concretas, adaptadas a la realidad de esa subregión, que puedan mitigar la presión migratoria propiciando el desarrollo de los territorios de origen.

Estas propuestas enfrentaran los factores que provocan o exacerban los grandes desplazamientos, y permitirán crear condiciones que permitan a las comunidades y personas desarrollarse y vivir en paz, pues la migración debe ser ante todo una opción.

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El artículo ¿Por qué migra la población del Triángulo Norte Centroamericano? fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Contra el cambio climático, “no tenemos tiempo que perder”

IPS español - qui, 11/10/2018 - 12:00

Las inundaciones en Puerto España, capital de Trinidad y Tobago, en mayo pasado. Crédito: Peter Richards/IPS

Por Tharanga Yakupitiyage
NACIONES UNIDAS, Oct 11 2018 (IPS)

Las conclusiones de un estudio del IPCC impactaron a la comunidad internacional por las consecuencias reales y agudizadas del cambio climático que se sentirán más temprano que tarde. ¿Y ahora qué?

El Grupo Intergubernamental de Expertos sobre el Cambio Climático (IPCC) reveló que la comunidad internacional está muy lejos de lograr contener el recalentamiento planetario y que el mundo tendrá 1,5 grados centígrados más para 2030, respecto de la era preindustrial, si no se toman medidas urgentes.

“Es bastante desalentador que te digan qué poco tiempo tenemos”, comentó la asesora de política de Amnistía Internacional, Chiara Liguori, en diálogo con IPS.

Por su parte, la directora de política del Programa de Clima y Energía de la Unión de Científicos Preocupados, Rachel Cleetus, coincidió: “Ese informe debería ser el impulso que necesitan los gobiernos. Pidieron esa información en 2015 y ahora la tenemos frente a nosotros, y es profundamente aleccionadora”.

Como las actividades humanas ya hicieron que aumentara un grado centígrado la temperatura actual, las consecuencias ya se sienten y se manifiestan en inundaciones, sequías y olas de calor.

Este año, hubo una ola de calor sin precedentes, desde el océano Ártico hasta Japón.

En Estados Unidos, el calor extremo dejó más personas muertas que los otros eventos climáticos extremos sumados. Mientras, en Japón, fallecieron 65 personas en una semana por la ola de calor, que se declaró como “desastre natural”.

El informe del IPCC, llamado Informe Especial sobre Recalentamiento Global de 1,5 grados, conocido como SR15, pronostica que los eventos climáticos extremos empeorarán si no se limita el aumento de temperatura a menos de 1,5 grados, en vez de los no más de dos grados centígrados acordados.

Por ejemplo, los 91 autores que participaron en la preparación del informe estimaron que habrá menos riesgos de morbilidad y mortalidad relacionadas al calor si la temperatura aumenta 1,5 grados, en vez dos.

El nivel del mar aumentará 0,1 metros menos con un aumento de temperatura global de 1,5 grados, es decir que 10 millones de personas menos se verán expuestas a riesgos derivados de inundaciones y de desplazamientos, en particular en los pequeños estados insulares.

También se pronostica que las consecuencias sobre la diversidad biológica y los ecosistemas, como la extinción de especies en los arrecifes de coral, será inferior con un aumento inferior a 1,5 grados.

“Aunque puede parecer una pequeña diferencia, hay una gran diferencia entre 1,5 y dos grados”, precisó Cleetus.

“Cada fracción de grado que podamos evitar es importante”, apuntó.

Mientras, los pequeños estados insulares en desarrollo defendieron con fuerza la necesidad de limitar el aumento de la temperatura global a 1,5 grados antes del Acuerdo de París, pero la comunidad internacional fijó el límite en dos grados centígrados.

Debido a la falta de compromisos climáticos, el mundo se encamina a un aumento de temperatura de más de tres grados.

“La viabilidad de 1,5 grados está ligada a las decisiones políticas que tomemos, a las opciones tecnológicas, sociales y económicas; no tenemos tiempo que perder”, subrayó Cleetus.

Cleetus y Liguori coincidieron en la necesidad de una transformación a gran escala en todos los sectores, incluido el de la energía.

El informe señala que las emisiones de dióxido de carbono deberán disminuir en 45 por ciento, respecto de las registradas en 2010, para 2030, para llegar al “cero neto” para 2050.

Es decir que habrá que sacar el dióxido de carbono que quede de la atmósfera.

Muchos se vuelven hacia la Bioenergía con captura y almacenamiento de carbono, un proceso que implica quemar biomasa, como plantas, para genera energía, recolectando el dióxido de carbono que emiten para luego almacenar los gases bajo tierra.

Pero Liguori señaló que la controvertida tecnología de generar Bioenergía con captura y almacenamiento de carbono necesita de grandes cantidades de tierra para cultivar la biomasa, lo que podría desplazar a la producción agrícola y hasta a las comunidades asentadas.

“Ya hemos visto medidas de mitigación del cambio climático que, al mismo tiempo, no respetan los derechos humanos y generan graves consecuencias para las poblaciones”, explicó a IPS.

“Pueden poner una carga muy pesada sobre personas que ya están muy expuestas al cambio climático y tienen menos posibilidades de defender sus derechos”, explicó Liguori.

En mayo de 2018, Amnistía Internacional documentó cómo miembros de la comunidad indígena sengwer, del bosque de Embobut, en Kenia, fueron expulsados de sus casas y les quitaron las tierras tras una campaña del gobierno para reducir la deforestación.

Sin embargo, no están comprobadas las acusaciones de que ellos destruyen el bosque, apuntó Liguori.

“Todas esas medidas deben respetar los derechos humanos porque no se puede simplemente transferir un problema a otro. Tenemos que pasar a una economía de carbono cero, pero no podemos replicar las violaciones de derechos humanos que tenemos actualmente”, añadió.

“Los países deben ayudar a realizar la transición hacia las energías limpias, así como ayudar a invertir en resiliencia para mantener a sus comunidades a salvo”, indicó Cleetus.

El Fondo Verde para el Clima ha sido un instrumento crucial para hacer frente al cambio climático en los países en desarrollo y para apoyar los esfuerzos para limitar las emisiones de gases invernadero.

Pero de los 10.000 millones de dólares comprometidos para el fondo, solo se reunieron 3.000 millones. Y Australia y Estados Unidos se negaron a las solicitudes de realizar más aportes.

Los fondos para el clima han sido de los mayores escollos en muchas de las negociaciones internacionales, como las conferencias de las partes, y se prevé que la próxima de Polonia no será la excepción. Los representantes de los gobiernos se reunirán para finalizar la implementación de las normas del Acuerdo de París, aprobado en diciembre de 2015.

Las soluciones para hacer frente y responder al cambio climático existen, pero lo más preocupante es la falta de voluntad política y de participación.

“Hay mucho que podemos hacer para limitar las emisiones, y depende de las autoridades y de los gobiernos redoblar esfuerzos”, subrayó Cleetus.

Hace poco la Corte de Apelaciones de La Haya confirmó un dictamen de 2015, que ordenó al gobierno holandés reducir las emisiones de gases contaminantes en 25 por ciento para 2020, respecto de los niveles registrados en 1990.

El caso, presentado por la Fundación Urgenda y un grupo de unos casi 1.000 residentes, arguyó que de no actuar contra el cambio climático, equivale a una violación de los derechos de la población holandesa por parte del gobierno.

“No tenemos que plantear una falsa elección entre desarrollo sostenible, erradicación de la pobreza y nuestros objetivos climáticos. Pueden ir de la mano y, de hecho, deben ir de la mano si pretendemos superar los obstáculos políticos que se presentan a la acción climática”, observó Cleetus.

“Nuestras preferencias todavía importan; de hecho, importan más que antes”, apuntó.

“Está en nuestras manos el futuro climático de nuestro mundo y el tipo de clima que dejaremos a nuestros hijos y nietos”, concluyó.

Traducción: Verónica Firme

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El artículo Contra el cambio climático, “no tenemos tiempo que perder” fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Frei Betto: “Vejo paralelo entre o momento atual e a eleição de Hitler na Alemanha”

Pública - qui, 11/10/2018 - 11:58

Frei Betto, 73 anos, é frade dominicano e um dos responsáveis na propagação da teologia da libertação no Brasil, movimento apartidário que interpreta os ensinamentos de Jesus Cristo como libertadores de injustas condições sociais, políticas e econômicas.

Autor de mais de 60 livros, Frei Betto falou à Pública, por e-mail, sobre o atual momento político e social do país. “Se o Bolsonaro ganhar a eleição, teremos um governo autoritário, uma ditadura revestida de democracia, como o governo de Hitler no início dos anos 1930 na Alemanha”, argumenta o dominicano, que recentemente lançou duas obras: Sexo, orientação sexual e “ideologia de gênero” e Por uma educação crítica e participativa (Anfiteatro).

Por razões políticas, Frei Betto foi preso duas vezes durante a ditadura militar (1964 e de 1969 a 1973). Já no período democrático, logo após a eleição de Lula, ajudou na elaboração do programa Fome Zero e trabalhou como assessor especial do ex-presidente (2003 e 2004).

O religioso nunca poupou de críticas o Partido dos Trabalhadores ao longo dos anos. “O PT, embora tenha feito o melhor governo de nossa história republicana nos dois mandatos de Lula e no primeiro de Dilma, não cuidou de promover a alfabetização política de nosso povo. E buscou assegurar a governabilidade por alianças, muitas delas promíscuas”, avalia.

Para ele, se Haddad vencer, “teremos um governo voltado às questões sociais”, mas alerta: nenhum dos candidatos “livrará o Brasil de intensa turbulência nos próximos dez anos”.

José Cruz/Agência Brasil“Bolsonaro soube surfar no vácuo da crise política, que levou ao descrédito das instituições, dos políticos e da política”

Qual avaliação política o senhor faz dessa disputa para presidente do ponto de vista dos discursos dos candidatos?

Até agora predominaram os discursos antipetista dos bolsonaristas e antibolsonaro dos haddadistas. Com o segundo turno parece que eles mudam de tom. Bolsonaro se apresenta como flor que se cheira, pleno de amor aos pobres, de defensor das mulheres, de respeitador dos homossexuais. E Haddad se foca em propostas efetivas de melhorias de vida do povo brasileiro, o que me parece acertado. Haddad se desloca do mero protesto para reais propostas.

Qual é, na sua opinião, a responsabilidade do PT nessa onda de direita? Por que o antipetismo é colocado à frente de questões que envolvem os direitos humanos?

Porque o PT, embora tenha feito o melhor governo de nossa história republicana nos dois mandatos de Lula e no primeiro de Dilma, não cuidou de promover a alfabetização política de nosso povo. E buscou assegurar a governabilidade por alianças, muitas delas promíscuas, com o que havia de mais retrógrado na política brasileira, quando deveria fazê-lo para mobilização de quem deu as vitórias do PT: os movimentos sociais.

Além disso, não criamos uma narrativa capaz de incluir o brasileiro como protagonista de um processo político. Acenamos com luz, casa, carro, escola etc., sem a contrapartida da densidade subjetiva, ou seja, uma cosmovisão que ajudasse o cidadão a se situar no conflito de classes.

O que o PT e Haddad precisam fazer para conter essa onda de direita?

Primeiro, ganhar a eleição dia 28 de outubro! Em seguida, fazer uma séria e profunda autocrítica dos equívocos cometidos ao longo de 13 anos de governo, como fiz nos livros A mosca azul e Calendário do poder, ambos editados pela Rocco, e apresentar um consistente programa de reformas estruturais.

Depois de se posicionar publicamente no primeiro turno das eleições gerais no país contra discursos de ódio e violência, agora a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pede ao eleitor católico que, ao escolher seus candidatos, na votação de segundo turno, atente para aqueles que ajudem a preservar, e não a destruir, sistemas democráticos. Como o senhor avalia esse posicionamento da CNBB?

A CNBB deveria ter se posicionado já no primeiro turno. Mas ainda bem que o faz agora. Porém, sem a força de mobilização que têm as Igrejas evangélicas. Nestas o pastor falou, o fiel calou porque aceitou. Na Igreja Católica há, infelizmente, grande contingente de bolsonaristas.

Como Haddad pode se aproximar dos católicos e quais seriam as demandas da igreja que ele teria que atender?

É um pouco tarde para essa aproximação. O PT deveria ter mantido um canal de diálogo com todas as instituições que têm um mínimo de abertura às suas propostas. Ainda assim, Haddad deve focar seu discurso no drama social do povo brasileiro, e não na pauta moralista de alguns setores religiosos.

Como a ascensão evangélica no Congresso está mudando as relações sociais e políticas no país?

Devo dizer que respeito todas as Igrejas evangélicas, mas discordo dos cristãos – sejam eles católicos ou evangélicos – que usam o nome de Deus para fortalecer a desigualdade social e o preconceito a gays, negros, quilombolas e movimentos sociais como o MST e o MTST.

No Congresso, infelizmente a bancada da Bíblia tem esse perfil conservador e se cumplicia com as outras bancadas do B: banco, bola, bala e boi. E essa gente demoniza tudo que foge a seus interesses corporativos, como promover a acumulação privada do capital e manter o abismo entre ricos e pobres no qual o Brasil afunda.

Na sua opinião, por que Bolsonaro conseguiu dialogar mais com essa parcela do eleitorado?

Porque soube surfar no vácuo da crise política, que levou ao descrédito das instituições, dos políticos e da política, e no moralismo suscitado pela partidarização da Lava Jato.

Aborto e questões de gênero são temas que racham tanto evangélicos quanto católicos. Qual sua avaliação sobre esses temas?

Acabo de publicar uma cartilha popular intitulada Sexo, orientação sexual e “ideologia de gênero”. Esses temas têm sido debatidos com mais ardor emocional que lógica racional. Os mesmos que não aceitam a descriminalização do aborto aplaudem quando a polícia atira antes de perguntar. E a diversidade de gênero é tão inquestionável como o fato de a Terra girar em redor do Sol. Mas há quem insista que é o Sol que gira em torno da Terra… Pobre Galileu!

O senhor foi um dos perseguidos pela ditadura militar de 1964 que Jair Bolsonaro (PSL) defende abertamente. Qual o seu sentimento em relação a essas declarações públicas?

Sentimento de que o Judiciário brasileiro falhou redondamente ao criar a lei esdrúxula da anistia recíproca e não punir os responsáveis por rasgarem a Constituição e impor ao Brasil um regime de terror que, impunemente, assassinou, estuprou, prendeu, torturou e exilou ao longo de 21 anos. Bolsonaro é resultado dessa grave omissão.

O senhor vê paralelo entre 1964 e nosso atual momento?

Não. Vejo paralelo entre o momento atual e a eleição de Hitler na Alemanha, pelo voto democrático, em 1933.

Pode, por favor, explicar um pouco mais esse paralelo?

Em 1964 houve um golpe militar que expulsou do poder o presidente da República e suspendeu todas as garantias constitucionais. Não se pode comparar uma eleição democrática, como a atual no Brasil, com o golpe de 1964. Mas sim com a eleição de Hitler na Alemanha, em 1933.

Veja: Ele nada entendia da situação real do país. Nem demonstrava interesse por ela, embora atuasse ativamente na política. Por isso não gostava de ser questionado, irritava-se diante das perguntas como se fossem armas apontadas em sua direção. Não queria que a sua ignorância se tornasse explícita.

Ser estranho, ele tinha olhos alucinados afundados nas órbitas, lábios espremidos, gestos cortantes. Todo o seu corpo era rígido, como se moldado em armadura. Ao ficar na defensiva, parecia uma fera acuada. Ao passar à ofensiva, a fera exibia garras afiadas e de suas mandíbulas pingava sangue.

Sua fala exalava ódio, rancor, preconceito. Aliás, não falava, gritava. Não sabia sorrir, tratar alguém com delicadeza, ter um gesto de cortesia ou humildade. Evitava ao máximo os repórteres. Julgava suas perguntas invasivas. E temia que a sua verdadeira face antidemocrática transparecesse em suas respostas.

Educado em fileiras militares, aprendera apenas a dar e cumprir ordens, enquadrar quem o cercava e ultrajar quem se opunha às suas opiniões. Jamais aceitava o contraditório ou praticava um mínimo de tolerância. Considerava-se o senhor da razão.

A nação estava em frangalhos, mergulhada em crise ética, política e econômica, e o horizonte da esperança espelhado em trevas. Pelo país afora havia milhares de desempregados, criminalidade generalizada, corrupção em todas as instâncias de poder. O câmbio disparara, a moeda nacional perdia valor, o descontentamento era geral. O governo carecia de credibilidade e se via cada vez mais fragilizado. O povo clamava por um salvador da pátria.

Jovens desesperançados viam nele um avatar capaz de inaugurar a idade de ouro. Era ele o cara, surfando na descrença generalizada na política e nos políticos. O Executivo se debilitara por corrupção e incompetência, o Legislativo mais parecia um ninho de ratos, o Judiciário se partidarizara submisso a interesses escusos.

Ele se dizia cristão e se considerava ungido por Deus para livrar o país de todos os males. Advogava soluções militares para problemas políticos. Movido pela ambição desmedida, se apresentou como candidato à eleição democrática para ocupar o mais alto posto da República, embora ostentasse a patente de simples oficial de baixo escalão do Exército.

De sua oratória raivosa ressoava o discurso agressivo, bélico, insano. Haveria de modificar todas as leis para implantar uma ordem marcial que poria fim a todas as mazelas do país. Eleito, seria ele o comandante em chefe, e todos os cidadãos passariam a ser tratados como meros recrutas obrigados a cumprir estritamente as suas ordens.

Prometia fortalecer o aparato policial e as forças armadas. Sua noção de justiça se resumia a uma bala de revólver ou a um tiro de fuzil. Eleito, excluiria da vida social um enorme contingente de pessoas consideradas por ele sub-humanos e indesejáveis, mulheres, homossexuais, trabalhadores em luta por seus direitos e comunistas. Todos que se opunham às suas opiniões eram por ele apontados como bodes expiatórios da desgraça nacional.

Seu mandato presidencial haveria de trazer a era de fartura e prosperidade. Reergueria a economia e asseguraria oportunidades de trabalho a todos. Exaltaria os privilégios do capital sobre os direitos dos trabalhadores. Aqueles que o seguissem seriam felizes, e livres para sobrepor a lógica das armas ao espírito das leis. Os demais, excluídos sumariamente do convívio social.

Enfim, após uma série de manobras políticas e forte repressão às forças adversárias, ele foi eleito chefe de Estado. A nação entrou um júbilo. O salvador havia descido dos céus! Ou melhor, brotado das urnas.

Tudo isso aconteceu há 85 anos, em 1933. Na Alemanha alquebrada pela derrota na Primeira Grande Guerra. O nome dele era Adolf Hitler.

As comunidades de base da Igreja Católica tiveram um grande papel na politização popular nos anos 1960 e na resistência à ditadura nas décadas seguintes. Qual a diferença que o senhor vê entre essa atuação e a que é feita pelas igrejas neopentecostais neste momento?

As CEBs [comunidades eclesiais de base] sofreram desvalorização sob os pontificados de João Paulo II e Bento XVI. Então muitos fiéis pobres migraram para igrejas neopentecostais. Agora, com o papa Francisco, as CEBs voltam a ter espaço na Igreja, mas infelizmente foram debilitadas. As CEBs são a fonte da teologia da libertação. E as igrejas neopentecostais adotam a teologia da prosperidade, ou seja, do próprio umbigo, sem nenhuma dimensão social da mensagem do Evangelho.

Em uma entrevista para o El País Brasil, o senhor diz que “a igreja evangélica está cometendo o mesmo erro que a Igreja Católica cometeu na Idade Média”. O que isso significa?

No período medieval, a Igreja conquistou a hegemonia sobre a sociedade, a ponto de o papa coroar reis e nomear príncipes. Hoje algumas igrejas evangélicas procuram confessionalizar a política e anular a laicização da sociedade civil.

Por meio do poder, em cujas estruturas há cada vez mais pastores, se empenham em fazer coincidir os preceitos religiosos com as leis civis, como a demonização dos homossexuais e a condenação do Carnaval.

Amanhã um pastor na Presidência da República ou no STF pode insistir em estabelecer, em todo o país, a Lei Seca, proibindo a fabricação, a venda e o consumo de bebidas alcoólicas, como se tentou nos anos de 1930 nos EUA.

A Igreja se afastou do povo? Por que esse trabalho com as comunidades de base perdeu força?

Porque não teve apoio da hierarquia, ou seja, de bispos e padres. Como adverte o papa Francisco, enquanto a Igreja Católica não se desclerizar, isto é, abandonar o clericalismo que a domina, ele não será em “Igreja em saída”, como frisa o papa.

A esquerda se afastou da Igreja Católica ou foi a Igreja Católica que se afastou da esquerda?

Sempre houve setores da esquerda na Igreja Católica, e eu me identifico com eles. Mas hoje é raro encontrar um cardeal de esquerda, como dom Paulo Evaristo Arns; um arcebispo de esquerda, como dom Helder Câmara; um bispo de esquerda, como dom Pedro Casaldáliga. Por isso a esquerda laica não tem muito interesse em manter vínculos com a Igreja Católica.

Se Bolsonaro ganhar, o senhor vê riscos à democracia? E quais seriam os riscos de uma vitória de Haddad?

Se o Bolsonaro ganhar a eleição, teremos um governo autoritário, uma ditadura revestida de democracia, como o governo de Hitler no início dos anos 1930 na Alemanha. Se Haddad vencer, teremos um governo voltado às questões sociais, ampliando nosso espaço democrático. Mas nenhum dos dois livrará o Brasil de intensa turbulência nos próximos dez anos. Contudo, insisto em meu axioma: guardemos o pessimismo para dias melhores!

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Reconocimiento y políticas piden mujeres rurales latinoamericanas

IPS español - qui, 11/10/2018 - 09:37

Yolanda Flores, una indígena aymara, habla a otras mujeres dedicadas a la pequeña agricultura, congregadas en la plaza de su aldea, en las alturas del sur andino de Perú. Ella está convencida de que participar en los espacios locales de decisión es fundamental para las mujeres rurales salgan de la invisibilidad y se reconozcan sus derechos. Crédito: Cortesía de Yolanda Flores

Por Mariela Jara
LIMA, Oct 11 2018 (IPS)

Las mujeres rurales de América Latina son determinantes en metas como un desarrollo sostenible en el campo, la seguridad alimentaria y la reducción del hambre en la región. Pero se mantienen entre invisibles y vulnerables y requieren reconocimiento y políticas públicas para salir de la situación de abandono.

Suman alrededor de 65 millones y configuran una amplia diversidad por sus orígenes étnicos, los territorios que ocupan, y por las actividades y roles que desempeñan, los que sin embargo carecen de valoración por parte de los Estados, en una deuda que  resalta cuando se celebra el Día Internacional de las Mujeres Rurales, el 15 de octubre.“Ellas cumplen roles claves, producen y trabajan mucho más que los hombres. En las huertas, en las cosechas, en las siembras, hacen los cultivos, ven los animales, después cargan desproporcionadamente con el trabajo de la casa, de los niños, etcétera, pero no ven un peso”: Julio Berdegué.

“El Estado, sea gobernante local o nacional, nos tiene abandonadas, en su cabeza está sembrar fierro y cemento, no entienden que vivimos de la agricultura y que somos las mujeres las más afectadas porque nos encargamos de la alimentación y de la salud de nuestras familias”, manifestó a IPS la aymara Yolanda Flores.

Perteneciente a Iniciati, una aldea de unas 400 familias indígenas y campesinas en el sureño y andino departamento peruano de Puno, situada a más de 3.800 metros sobre el nivel del mar, Flores se dedica desde siempre a “hacer la chacra”.

Eso significa cultivar en su parcela, heredada de sus padres, papa, habas y granos como quinua y cebada que lava, muele con batán (utensilio de piedra de uso ancestral) y coloca como alimento cotidiano en su hogar. El remanente lo comercializa en forma comunitaria.

“Cuando hacemos la chacra hablamos con nuestros productos, a cada papa abrazamos, le decimos qué ha pasado, por qué te has flojeado, por qué este gusano te ha entrado. Y cuando está grande le felicitamos, uno por uno, así nuestro alimento tiene mucha energía cuando comemos. Pero no entienden esa forma de vida de nosotros y se olvidan de la pequeña agricultura”, dijo.

Así como Flores, los millones de mujeres rurales de América Latina enfrentan la falta de reconocimiento a su trabajo productivo, así como el que realizan para mantener el hogar, atender a la familia, criar a los hijos o cuidar a las personas enfermas y ancianas.

Por esta situación, la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO) urge incentivar en la región compromisos de los Estados para revertir las históricas desventajas que enfrentan e impiden su acceso a los recursos productivos, el disfrute de sus beneficios y el logro de su autonomía económica.

“Dependiendo del país, entre dos tercios y 85 por ciento de las horas que trabajan las mujeres rurales, es trabajo no remunerado”, aseguró a IPS el representante regional de la FAO para América Latina y el Caribe, Julio Berdegué.

Mujeres que se dedican a la agricultura de sobrevivencia a más de 3.300 metros sobre el nivel del mar en las alturas de del sur del departamento de Cusco, en los Andes de Perú, en el municipio de Cusipata. Con el apoyo de organizaciones no gubernamentales han instalado invernaderos o fitotoldos que les permite producir hortalizas diversas venciendo las inclemencias climáticas. Crédito: Janet Nina/IPS

El también subdirector general del organismo deploró que no reciban pago por el duro trabajo que desempeñan en la agricultura y que se incrementa cuando son jefas de familias, de sus unidades productivas o durante la temporada de cultivo.Políticas públicas contra discriminación

María Elena Rojas, a cargo de la representación de FAO en Perú, indicó a IPS que si las mujeres rurales en los países latinoamericanos accedieran a la tenencia de la tierra, servicios financieros y asistencia técnica al igual que los hombres, incrementarían el rendimiento de sus parcelas entre 20 y 30 por ciento, y la producción agrícola mejoraría entre 2,5 y cuatro por ciento.

Ese incremento contribuiría a disminuir el hambre entre 12 y 15 por ciento.
“Eso demuestra el rol y aporte de la mujer rural y la necesidad de tener políticas públicas asertivas para lograrlo y que tengan oportunidades para ejercer sus derechos. Ninguna debe quedarse sin estudiar, sin alimentación sana y salud de calidad. Son derechos y no algo imposible”, expresó.

“Ellas cumplen roles claves, producen y trabajan mucho más que los hombres. En las huertas, en las cosechas, en las siembras, hacen los cultivos, ven los animales, después cargan desproporcionadamente con el trabajo de la casa, de los niños, etcétera, pero no ven un peso”, remarcó desde Santiago de Chile, sede regional de la FAO.

“Decimos: queremos que las mujeres se queden en el campo.  ¡Por Dios!, ¿por qué se quedarían?, trabajan para el padre, después trabajan para el marido o el compañero.  ¡No se vale, no se vale!”, exclamó Berdegué, para luego incidir en la necesidad de desterrar la justificación del trabajo no remunerado de las mujeres rurales, pues impide el logro de su autonomía económica.

Explicó que no tener ingresos propios, o que los generados con el fruto de su trabajo sean luego manejados por los varones, las coloca con menos poder en sus familias, en la comunidad, en el mercado y en la sociedad.

“Imagínense que fuera al revés, que a nosotros, alos hombres, nos dijeran: ustedes trabajan, pero no van a recibir ni un peso. Ya hubiéramos hecho la revolución.  Pero nos hemos acostumbrado que para la mujer rural eso está bien porque es el hogar, es la familia”, planteó Berdegué.

El representante regional hizo un llamado a los países a tomar conciencia de esa realidad y a afinar políticas para corregir esa situación de discriminación.

Una carga global de trabajo mayor que la de los hombres, la inseguridad económica, el reducido acceso a recursos como tierra, agua, semillas, créditos, capacitación y asistencia técnica son algunos de los problemas comunes que enfrentan las mujeres rurales de América Latina ya sean agricultoras, recolectoras o asalariadas según el  Atlas de las Mujeres Rurales ALC, publicado en 2017 por la FAO.

Aun en esas circunstancias, ellas son protagonistas de cambio como ocurre con el impulso de la organización sindical de mujeres rurales en los sectores de agroexportación.

La afrodescendiente Adela Torres, secretaria general del Sindicato Nacional de Trabajadores de la Industria Agropecuaria (Sintraingro), en la región bananera de Urabá, en el departamento colombiano de Antioquía, sentada en primer plano en el suelo con camiseta blanca, durante un encuentro de mujeres afiliadas. Crédito: Cortesía de Sintrainagro

Con la mayor venta de productos no tradicionales a los mercados internacionales como flores, frutas y hortalizas, las mujeres han engrosado este sector, indica otro estudio regional, aunque muchas veces en condiciones de precariedad y con normas que no aseguran el trabajo decente.

Sindicalización contra explotación

Existen , sin embargo, experiencias de sindicalización para que las mujeres no sean explotadas, como la que protagoniza la afrodescendiente colombiana Adela Torres.

Desde la infancia y siguiendo la tradición familiar, ella trabajó en una finca bananera en el municipio de Apartadó, en Urabá, una región productora de banano para la exportación ubicada en el caribeño departamento de Antioquia.

Ahora, con 54 años, dos hijas y dos nietas, Torres es la secretaria general del Sindicato Nacional de Trabajadores de la Industria Agropecuaria (Sintraingro) que agrupa 268 fincas, desde donde promueve la inserción de mujeres rurales, en un sector de rostro masculino.

“Cuando las mujeres ganan su propio dinero y lo administran, pueden mejorar su calidad de vida”, dijo a IPS en diálogo telefónico desde Apartadó.

Considera que la participación de las mujeres en la producción del banano debe ser equitativa y que su desempeño merece el mismo reconocimiento.

“Hemos conseguido que cada finca contrate a por lo menos dos mujeres más y entre los logros ya obtenidos están su contrato laboral, igualdad salarial, seguridad social e incentivos para educación y vivienda”, explicó.

A su juicio, las mujeres rurales pasan muchas dificultades, muchas no terminan la escolaridad básica,  son madres demasiado temprano y jefas de hogar, no tienen formación técnica y no cuentan con apoyo del Estado.

Pero pese a ese contexto, Con su trabajo ellas ganan seguridad para sacar adelante a sus hijos y superarse ellas mismas y contribuir a la seguridad alimentaria.

Dar el salto a los espacios de visibilidad, es también un desafío que Flores ha asumido en las alturas altoandinas de Puno para que sus propuestas y necesidades se escuchen.

“Tenemos que ganar espacios de decisión y entrar como autoridades, esa es la lucha ahora, hablar por nosotras mismas. Yo estoy decidida y estoy animando a otras mujeres para hacer ese camino”, dijo.

Ante la indiferencia de los Estados, más acción y más presencia es la filosofía de Flores, tal como le enseñó su abuela, que le repetía: “No seas floja y siempre trabaja”. “Ese es el mensaje y lo llevo en mi mente, pero quisiera hacerlo con más apoyo y más derechos”, dijo.

Con el aporte de Orlando Milesi desde Santiago de Chile

Edición: Estrella Gutiérrez

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Backed by UN, Asia-Pacific countries to advance space technology for ‘development transformation’

UN SGDs - qua, 10/10/2018 - 21:24
Gathered at a United Nations conference in Bangkok, countries from the Asia-Pacific region pledged to work together on Wednesday to leverage the power of space technology and boost sustainable development.
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Apoiadores de Bolsonaro realizaram pelo menos 50 ataques em todo o país

Pública - qua, 10/10/2018 - 18:55

Uma jornalista esfaqueada e ameaçada de estupro. Um carro jogado em cima de um jovem com camiseta do Lula que conversava em frente ao bar com os amigos. Uma jovem presa e agredida, jogada nua em uma cela da delegacia. Outro jovem recebe um adesivo colado à força nas suas costas, com um tapa, e depois recebe uma rasteira para cair no chão.

Todos esses ataques violentos aconteceram desde o dia 30 de setembro, em meio ao acirramento da violência eleitoral. Um levantamento inédito realizado pela Pública em parceria com a Open Knowledge Brasil revela que houve pelo menos 70 ataques nos últimos 10 dias no país.

A grande maioria dessas agressões foi feita por apoiadores de Jair Bolsonaro, candidato do PSL que está à frente nas pesquisas eleitorais. Isso mostra que as declarações de Bolsonaro que incitam a violência contra mulheres, LGBTs, negros e índios e a violência policial estão ecoando país afora e se transformaram em agressões físicas e verbais nestas eleições.

Por outro lado, seus eleitores ou pessoas relacionadas receberam 6 ataques. Em um deles está o caso de um professor da Universidade do Recôncavo Baiano (UFRB) que foi preso no dia 5 de outubro por atropelar comerciantes que vendiam camisetas do presidenciável do PSL. A Universidade nega. Existem ainda situações em que não é clara a afiliação política do agressor.

O levantamento inédito mostra como as situações de violência se espalham pelo país inteiro e não podem mais ser vistas isoladamente.

Indagado sobre as ações de seus apoiadores, Bolsonaro tentou minimizar a onda de violência política. “Eu lamento. Peço ao pessoal que não pratique isso, mas eu não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam”, disse Bolsonaro ao UOL. “Está um clima acirrado, pela disputa, mas são casos isolados que a gente lamenta e espera que não ocorram”, afirmou.

Bolsonaro foi vítima de um ataque a faca em 6 de setembro que o deixou em estado grave, enquanto fazia campanha em Minas Gerais. O agressor, Adélio Bispo de Oliveira, confessou o crime e está preso.

Entre os casos contabilizados pela reportagem da Pública, 14 aconteceram na região Sul, 33 na região Sudeste, 18 na região Nordeste, 3 na região Centro-Oeste e 3 na região Norte. Embora tenha havido também dezenas de casos de ameaças pelas redes sociais, o levantamento incluiu apenas casos de agressões e ameaças feitas ao vivo. Nesses episódios, a integridade física de pessoas ficou em risco por causa do ódio ligado à disputa eleitoral.

A partir de hoje, a organização Open Knowledge Brasil e a Brasil.io, em parceria com a Pública, vão recolher e monitorar casos de agressões ligadas às eleições de 2018. Os casos serão publicados no site Vítimas da Intolerância. Se você tem uma denúncia, envie pelo site.

Região Sul: jornalista foi atropelado

“Foi muito rápido, senti a roda como se estivesse me puxando, simplesmente caí no chão”, relata o jornalista e produtor audiovisual Guilherme Daldin, 26 anos, atropelado no dia 7 de outubro, dia da votação em primeiro turno, às 21 horas. Ele comemorava a vitória de um amigo do PDT para a Assembleia Legislativa do Paraná. Pelas circunstâncias, a vítima vê só um motivo: vestia camiseta vermelha, com uma imagem do ex-presidente Lula.

A violência ocorreu em frente ao Bar do Torto, na região central e boêmia de Curitiba, capital do Paraná, na qual é comum conversar na calçada. O jovem estava com os colegas no bicicletário. De costas para a rua, Daldin disse que repentinamente sentiu o carro, um Sandero branco, bater no lado esquerdo de sua cintura e passar por cima do pé.

“Com o movimento da roda passando sobre o meu pé, eu caí com tudo no chão e comecei a sentir a fisgada, como se estivesse puxando. Isso foi em milésimos de segundo. Não fazia ideia do que estava acontecendo, simplesmente caí e depois fiquei muito preocupado com minha perna, minha impressão é que tinha acontecido algo pior”, disse à reportagem.

Fotos: Melito/Agência Pública

O motorista fugiu sem prestar nenhum tipo de assistência. Seus amigos o seguiram. “Era um homem e uma mulher, segundo meus amigos. Ele estava com uma camiseta do Brasil [da seleção brasileira de futebol]. Pararam do lado do carro e perguntaram se era ele que tinha me atropelado. Relataram que ele abaixou o vidro e de forma bem fria fez um gesto de quem vai pegar algo no console, dizendo ‘eu tenho uma surpresinha aqui para vocês’”. Com medo de que fosse uma arma, eles foram embora. “Ninguém queria fazer justiça, mas sim averiguar, tentar entender o que motivou, pois todos que estavam na rua disseram que o cara claramente tacou o carro em mim.”

Passados três dias, Daldin conta que as dores estão aumentando, assim como a sensação de insegurança ao sair na rua. “Por sorte não foi nada grave, estou com muita dor no joelho e no pé. Agora, quando ouço um carro derrapando, sinto pânico, fico em alerta. É um misto de desespero com uma vontade de barrar a violência, ainda mais ao saber que tem muita gente com ódio exacerbado saindo às ruas. Ao mesmo tempo, bate uma angústia, medo de me identificarem na rua, sobretudo pela certa repercussão que o caso vem ganhando.”

Orientado pelos policiais militares que fizeram o primeiro atendimento no local da violência, Daldin foi no dia seguinte (8) até a Central de Flagrantes da Polícia Civil, no centro da cidade, para registrar um Boletim de Ocorrência (BO). Com a ajuda de amigos, o jornalista conseguiu identificar o motorista, pois a placa do carro foi registrada. Só que na Civil, o computador da escrivã tinha adesivos pró-Bolsonaro.

Fotos: Melito/Agência Pública

“Foi ali que me senti impotente, despossuído de direitos. Cheguei a ficar mais assustado naquele momento que no dia anterior. E agora, você vai recorrer para quem?” O jornalista mudou de delegacia e foi até o departamento da Polícia Civil em outro bairro, nas Mercês, com o objetivo de se sentir menos acuado para prestar a queixa.

Esse não foi o único caso registrado na última semana na região Sul. O levantamento da Pública verificou 14 situações de violência associadas às eleições nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As vítimas sofreram agressões físicas, uma urna eletrônica foi destruída a marretadas e duas ofensas verbais, sofridas na rua, foram denunciadas em redes sociais. Numa delas, a vítima relata que o agressor chutou o cachorro abandonado que ela alimentava, enquanto a ofendia.

No dia 6 de outubro, na cidade de Maringá, Vera Lúcia Pedroso, de 53 anos, foi ferida em um ataque ao seu carro modelo Voyage. Ela dirigia durante uma carreata em apoio a Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, quando um jovem numa moto emparelhou com o veículo e tentou tirar à força a bandeira que estava presa ao veículo.

“Estava com muita raiva. Na primeira puxada não conseguiu, na segunda quebrou o vidro, que cortou minha mão”, relatou à Pública. Foram quatro pontos no indicador da mão direita e um no mindinho. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Água, Esgoto e Saneamento de Maringá (Sindaen), Vera conta que o mesmo motoqueiro já tinha “atacado” outros carros da passeata antes de chegar ao dela.

um vídeo na internet sobre a ocorrência no qual dá para ver o motociclista sendo segurado pelas pessoas da carreata do PT. É que, depois de quebrar o vidro de Vera Pedroso, ele investiu novamente contra os veículos, sendo apanhado pelos manifestantes. “Foi quando chegaram três pessoas, que ajudaram ele a escapar e levaram a moto embora”, explicou ela. No vídeo, aparece o adesivo de apoio à candidatura presidencial do PSL.

“Não estou com medo”, disse a vítima à reportagem. “Ainda tenho muita esperança na democracia, acredito que podemos viver num país em que haja respeito e tolerância”, completou.

Foto: Arquivo Pessoal

Outro caso de violência registrado em Curitiba, capital do Paraná, ocorreu na noite desta terça-feira, 9 de outubro, próximo à reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Por volta das 20 horas, cerca de seis homens agrediram um estudante da universidade em frente à Casa da Estudante Universitária (CEU), que fica ao lado dos prédios em que são ministradas as aulas de ciências humanas.

O jovem de 26 anos, Khaliu Turt, que estava com boné do MST e camiseta vermelha, foi espancado por um grupo de torcedores com camisetas da Império Alviverde – torcida organizada do Coritiba Foot Ball Club. O estádio do Coxa, como o time é conhecido, fica a poucos metros do campus da UFPR. De acordo com um estudante, que pediu anonimato, os membros da torcida estavam se agredindo, o que teria causado pânico nas estudantes que moram ali.

Foi nesse contexto que Turt teria pedido que os homens saíssem de lá. A fachada envidraçada da Casa da Estudante foi danificada durante a arruaça. Foi aí que, de um grupo de 15 homens, seis deles começaram a espancar o jovem com chutes e golpes de capacete. No final, acrescentaram os gritos de “Aqui é Bolsonaro” e “Bolsonaro 2018”. A vítima foi levada ao Hospital Cajuru com escoriações pelo corpo e ainda realizava exames quando a reportagem foi concluída

A UFPR emitiu uma nota oficial na qual “lamenta profundamente o ato de violência ocorrido em frente às duas dependências”. E conclui: “A UFPR repudia veementemente todo e qualquer ato de violência, de preconceito ou de discriminação”.

Foto: Khaliu Turt Região Sudeste: ataques homofóbicos em nome de Bolsonaro

Ao todo, a Pública localizou 32 relatos de agressões cometidas por apoiadores de Bolsonaro na região Sudeste.

“O policial que me abordou na rua, que me agrediu, que me chutou no chão, que me deu a rasteira, ele olhou para minha cara e falou assim: ‘Ele não? Você acha gostoso? Não era isso que você queria? Eu só tiro você daí se você falar ‘ele sim’”, relatou a cozinheira e doula Luisa Alencar. Os policiais, durante a abordagem, fizeram declarações de apoio ao candidato à Presidência pelo PSL. O fato ocorreu na segunda-feira, dia 9 de outubro, na 64ª Delegacia de Polícia, no bairro Jardim Coimbra, em São Paulo.

Ela foi abordada por dois PMs por volta das 14 horas, próximo à sua casa. Estava fazendo um estêncil com os dizeres “Ele Não” em um muro. “Os policiais nem me chamaram nem me advertiram verbalmente, eles já chegaram me agredindo”, contou. Um deles arrancou sua mochila, torceu seu braço e a algemou. “Enquanto ele me prensava na parede, ele começou a gritar no meu ouvido: ‘Sua puta, ele sim, sua puta, vagabunda, ele sim. Não vai ter mais nenhum vagabundo igual a você na rua fazendo essas merdas’.”

Luisa disse que o policial pediu que ela cruzasse as pernas e depois deu uma rasteira. “Eu caí de peito no chão. Ele já prensou minha cara no chão e continuou falando ‘sua puta petista, fedida’. Ele ficou ali me agredindo.” O outro policial pediu reforço e, de acordo com a cozinheira, pouco tempo depois surgiu mais uma viatura e cinco motos da Polícia Militar. “Eles ficaram ainda fazendo uma cena, me prensando no chão, as pessoas me olhando naquela situação”, contou.

Luisa chegou à delegacia por volta das 15 horas. Ela conta que foi colocada em uma cela nua enquanto homens passavam, do outro lado das grades, olhando e rindo. “A delegada mandou eu tirar a roupa, algemada. Nisso, eles abriram já uma cela e me botaram lá dentro. Disseram que precisavam averiguar minha roupa, aí me deixaram pelada um tempo dentro da cela”, disse.

“Quem me conduziu e quem pediu para eu tirar a roupa era uma mulher, a delegada Cristiane. Só que enquanto eu estava dentro da cela passaram vários policiais homens, eles me olhavam e riam”, disse.

Ela conta que só saiu de trás das grades às 18:30, depois que obedeceu às ordens do policial e falou “ele sim”.

“Ele falava: ‘Olha pra mim, olha pra minha cara, fala ele sim’, dando risadas”, contou Luisa. “Eu saí da delegacia às 21h30. A sensação era que eu estava vivendo na ditadura.” Procurada para comentar o relato da jovem, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo enviou uma nota na qual afirma que “não há indícios de irregularidade na ação dos PMs e da delegada responsável pelo registro da ocorrência”. Afirma ainda que a autora “também carregava uma porção de maconha e foi encaminhada ao 64º DP, onde foi lavrado um termo circunstanciado de crime ambiental e porte de drogas para consumo próprio”.

Também em São Paulo, a família de Laura Carolinah estava na avenida Paulista, no domingo de eleições, quando ouviu uma ameaça: “Essa mamata vai acabar, Bolsonaro vai acabar com todos vocês, vamos poder meter bala”, disse um simpatizante de Bolsonaro.

Laura estava com seu namorado, duas sobrinhas e a irmã em uma padaria, programa típico paulistano para um domingo. Sua irmã foi falar com a atendente para saber onde sentar, quando passou por um homem que esperava uma mesa. “O homem, do nada, começou a gritar com minha irmã, disse que ela é vagabunda e que estava furando fila. Começou a gritar: ‘Pode sair daí, sua vagabunda’.” Pediu desculpas e tentou explicar que tinha sido um mal-entendido. Foi quando ele percebeu que ela não estava sozinha, mas se tratava de uma família negra.

“Quando ele me viu, viu meu namorado, minha sobrinha Any e a mais nova, Belinha [que está de rastafári], começou a gritar: ‘Essa mamata vai acabar, Bolsonaro vai acabar com todos vocês, vamos poder meter bala”, relata. Ele depois continuou para a irmã, segundo Laura: “Você é uma vagabunda, vai tomar no cu. Vocês votam no Haddad, vão perder de lavada’”, conta ela, um depoimento que fez na sua página do Facebook.

O áudio da carioca Juliana Sathler começou a circular nas redes sociais no início da tarde de terça-feira, dia 9 de outubro, alertando sobre o perigo de andar com adesivo escrito “Ele Não” na roupa. Um pouco antes de enviar o áudio para um grupo de amigos no WhatsApp, por volta de 12h30, um homem parou e empurrou Juliana em Copacabana, bairro da zona sul do Rio de Janeiro. “Ele segurou meu braço dizendo que eu era uma vadia, esquerdista, que eu deveria voltar pra casa pra aprender a lavar roupa, que o Bolsonaro ia assumir pra me ensinar tudo isso”, revela a voz ainda de choro da interlocutora. Termina o áudio com um aviso: ‘‘Eu vou pedir pra vocês tomarem muito, muito cuidado, onde andam, com quem andam, sempre que for andar de adesivo, anda em grupo’’, conclui.

Em conversa com a Pública, Juliana Sathler conta que estava perto do trabalho, em seu horário de almoço. “Eu estava vestida com a roupa de trabalho, superformal, eu estava com os adesivos do ‘Ele Não’. Ele esbarrou em mim e ele me empurrou e começou a gritar.” Conta que, quando começou a pedir ajuda, o homem soltou o braço dela e saiu correndo. “Na hora eu fiquei completamente perdida, eu fiquei assustada.” Na delegacia, informaram que ali não poderiam fazer muita coisa, que teria que fazer um BO online ou procurar uma delegacia da mulher, “visto que não tinha nenhum ferimento nem testemunhas”.

“Eu deixei bem claro que não foi um atentado por ser mulher, foi um eleitor do Bolsonaro, ele atacou uma pessoa, não o fato de ser mulher, ele atacou outra eleitora”, resume.

Um pouco menos de uma semana antes da eleição, no dia 2 de outubro, Ana Carolina Almeida foi perseguida na Linha Vermelha, na capital fluminense, quando dirigia seu carro indo do centro do Rio de Janeiro, por volta das 1h30 da madrugada, para Duque de Caxias. “Um homem emparelhou o carro comigo e gritou ‘Bolsonaro’. Eu fui acelerar, ele foi atrás de mim e me fechou, começou me emparelhar, começou a gritar comigo um monte de coisas, ‘nossa bandeira é verde amarela’, um monte de besteira aleatória’’. Ela acredita que o motivo da agressão foi porque a parte de trás do seu carro tinha adesivos escritos ‘Ele Não’. “Quando ele parou, pensei: ‘Ele vai me bater, ele vai me machucar’. Eu já estava chorando desesperadamente. Eu tinha que parar o carro porque poderia bater com ele, ia morrer nós dois.”

Ao sair do carro, o homem se apresentou como policial e mostrou um distintivo com o símbolo da República. “Falou que ia me prender, pegou uma algema, ficou me mostrando a algema, ele estava totalmente fora de si.” Ana se lembra de coisas que ele falou, como: ‘‘Vocês acham que vão mudar o mundo, não vão mudar, nossa bandeira é verde e amarela, nunca vai ser vermelha”. Mas ela acredita que o homem que a parou não era um policial. “Teve um momento que ele falou: ‘Eu vou chamar a polícia’, com distintivo no peito. E eu pensei: “Ele não é policial’, ele é maluco’’.

Ataques homofóbicos

Segundo apurou a reportagem da Pública, diversos ataques foram direcionados à comunidade LGBT na região Sudeste. São casos em que a homofobia se mistura ao ódio eleitoral.

Belo Horizonte, 09 de Outubro. Retrato de Guil, 21 anos, atacada por um eleitor de Bolsonaro esperando ônibus no centro de Belo Horizonte – Fotos: Tamás Bodolay – Horto Florestal – Belo Horizonte / Reportagem: Alice Maciel

Para a jovem transexual de Belo Horizonte Guilderth Andrade, conhecida como Guil, a única palavra que vale para descrever o momento atual é medo. “Medo. É a única coisa que consigo definir no momento”, afirmou a cabeleireira Guil, de 21 anos.

Era quase meio-dia, ela estava na praça da Estação no ultimo sábado, dia  de outubro, no centro da capital mineira, parada no ponto de ônibus. Na praça acontecia uma manifestação pró-Bolsonaro e um rapaz colou um adesivo do candidato em seu peito. “Eu falei: ‘Não quero votar nele, você tem que ter respeito’, e tirei o adesivo.” De repente, sentiu um “tapão” nas costas. O rapaz havia colado outro adesivo. “Eu o arranquei novamente.” O homem deu então uma rasteira na jovem. “Eu caí, a bota dele cortou meu tornozelo. Se eu tentasse levantar, ele ia continuar me agredindo”, afirmou Guil.

A única pessoa que a ajudou foi um homem que também estava no ponto de ônibus. “As pessoas que estavam na manifestação não fizeram nada”, lamentou. Guil disse que não fez BO por medo. “Fiquei com medo de falar”, justificou. “A situação está muito extrema, não que não era difícil, mas está ficando pior”, acrescentou.

Guil afirmou que está cada vez com mais temor de sair de casa, pois tem escutado muitos relatos parecidos com o seu, de amigos LGBTs. “A gente vai ficando acuado, trancado em casa, não estou conseguindo trabalhar. Eu quero poder existir sem ser questionada e pressionada o tempo todo”, exclamou.

Amiga de Guil, Isabela – ela pediu para não usarmos seu nome real por medo de sofrer represálias –, de 25 anos, também é transexual e foi atacada em Belo Horizonte por quatro homens vestidos com camisetas em apoio à Jair Bolsonaro, depois de ter saído de uma festa, no dia 30 de setembro. “Eles me puxaram para dentro do carro pela janela. Os dois de trás sentaram em cima de mim e deram muitos socos no meu rosto, jogaram cigarro aceso e ainda cuspiram”, contou. Segundo ela, um deles estava armado. “Durante todo o tempo, eu escutei: ‘Se ele ganhar, vamos poder caçar mais macacos’. Traveco. Não vamos te matar agora porque você ainda pode ter jeito, mas, se não tomar, você vai morrer de aids’.”

Depois dessa tortura, eles a mandaram descer sem olhar para trás, ameaçando atirar. “Meu amigo insistiu muito para que eu denunciasse à polícia, e a tentativa foi um total desastre. Todo o processo mais parecia uma tentativa de me incriminar de algo do que a solução de um crime cometido contra mim, a vítima”, relatou.

Em Niterói, um prédio na região sul foi atacado durante a comemoração da vitória de Carlos Jordy (PSL) a deputado federal.

Salomão Moutinho assistia à apuração dos votos no apartamento de uma amiga. “Estava uma gritaria entre todos os prédios, assim como em toda a cidade, de uma pessoas falando ‘ele não’, outras falando do Bolsonaro.” Mas a rixa, que no início parecia inofensiva, mudou de dimensão quando Salomão e os amigos resolveram sair de casa. “Quando a gente desceu e pisou na portaria, tinha tipo umas 30 pessoas apontando pra gente”, relata. “Eram uns 30 caras ou mais, todos com a camisa do Bolsonaro e a gente não conseguia sair.’’

Logo depois, começaram os ataques – em especial, xingamentos homofóbicos. “Também falaram para as minhas amigas rasparem o sovaco delas, começaram a gritar várias coisas, que o comunismo vai acabar, queriam que voltasse a ditadura, e uma das amigas começou a gritar que eles não sabiam o que era ditadura e que eles estavam sendo agressivos.”

Depois das ofensas, o grupo entrou no prédio, assustado. Ali, decidiu arrancar a bandeira LGBT da porta do apartamento e ficou um tempo com as luzes apagadas e em silêncio porque não sabiam se os agressores estariam dentro do prédio. Salomão diz que ligou para polícia, mas a polícia não chegou. O grupo de apoiadores do PSL ficou um tempo na frente do prédio, mas depois saiu.

“Desde o início da campanha, cada vez mais que eu vou na rua, vejo mais ataques, carro buzinando. Isso tudo era muito comum há sete anos, mas agora está voltando”, conta Salomão. “A gente está buscando sair sempre em grupo, não ficar na rua à noite. Está ficando uma relação muito ruim”’, desabafa.

Juliana Garcia estava no Bar do Zeca, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, na sexta-feira passada, dia 5 de outubro, com a namorada. Na camisa, trazia os adesivos “Ele não” e “O filho dele também não”. Quando levantou para ir ao banheiro, dois homens foram atrás. “Começaram a falar: ‘Você está totalmente equivocada, vai defender bandido, só Bolsonaro salva esse país’.”

Juliana disse que tentou argumentar, mas mesmo assim um dos homens continuou em um tom agressivo. “Teve um momento em que ele fez o movimento das armas com as duas mãos apontadas para o meu rosto. Aí eu não tive reação, o outro homem do lado começou a rir. Saímos correndo do bar.” Ela admite ter medo de voltar ao bar e andar por Caxias.

O estudante Gabriel Garcia foi agredido por dois homens enquanto caminhava pela rua, perto de sua casa, no bairro do Ipiranga, em São Paulo: “Aqui é Bolsonaro, caralho. A gente vai acabar com os viados do Brasil”, gritou um dos homens, direcionando a fala para ele. E o outro complementou: “É só eleger que vamos acertar lâmpada nessas porras”. “Infelizmente, tive que baixar a cabeça e seguir caminho com uma vontade imensa de retrucar sabendo já de antemão que iria terminar apanhando feio e que não teria nenhum efeito”, relatou Gabriel.

 

Região Nordeste: jornalista sofre ameaça de estupro

No domingo de eleição, começo de tarde, a jornalista pernambucana Silvia Castro – o nome é fictício –, 40 anos, foi ameaçada de estupro e de morte por ser uma profissional da imprensa. Com uma faca no pescoço e imobilizada por dois homens logo depois de ter votado, os agressores diziam: “Quando o comandante [Jair Bolsonaro-PSL] ganhar a eleição, a imprensa irá morrer”.

Logo na sequência, eles – um vestido de camisa verde e outro, de camisa preta estampada com o rosto de Bolsonaro – discutiam se iriam estuprá-la ou recortar seu corpo. “E aí foi quando ele botou a faca no meu queixo, cortou o meu braço e o meu rosto”, relata a jornalista à Pública. O ato só não foi adiante graças a uma motorista que, segundo ela, desceu a rua buzinando. “Eles se assustaram e saíram andando rápido em sentido contrário ao meu.”

Assustada e em pânico, a repórter foi em busca de ajuda, deu uma volta no quarteirão, mas não encontrou nenhum policial. Silvia foi à delegacia do bairro Espinheiro e tomou as medidas legais cabíveis. Agora aguarda a investigação e a captura dos homens que a agrediram. Segundo ela, ambos tinham entre 36 e 38 anos, estavam bem-vestidos e aparentavam ser de classe média.

O que ocorreu com a jornalista não foi um caso isolado. Houve pelo menos 18 registros apenas na região Nordeste. Dos casos levantados pela reportagem na região, apenas dois não tinham como agressores militantes partidários de Jair Bolsonaro (PSL).

Entre homicídios, espancamentos e agressões verbais, os atos de violência atingiram políticos, militantes e cidadãos que, pelo simples ato de declararem em quem haviam votado, tiveram suas vidas ceifadas.

Foi caso do mestre de capoeira, o baiano Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, conhecido como Moa do Katende. Ele levou 12 facadas nas costas depois de ter dito que havia votado em Fernando Haddad (PT). O assassino foi preso e confessou ter matado o capoeirista por ele ser petista.

Outro caso é referente à morte de um cachorro a tiros durante um ato pró-Bolsonaro, no último dia 30 de setembro, na cidade de Muniz. Durante a carreata um homem que participava do ato desceu do veículo e atirou três vezes contra o animal. Apesar de ter sido detido na hora, logo em seguida foi liberado alegando legítima defesa, pois se sentiu ameaçado pelo cachorro.

A raiva e o extremismo se concretizaram ainda no espancamento da travesti Netinha Matias, de 40 anos, que, após ter declarado ser contra a candidatura de Bolsonaro e ao fazer campanha nas redes sociais, teve sua casa invadida e foi fortemente agredida, os agressores desferiram socos no rosto e por todo o corpo. Em uma postagem nas foto postada nas redes sociais, Netinha aparece com o nariz sagrando e com marcas de violência no tórax.  O caso ocorreu na cidade Sigefredo Pacheco, no Piauí.

No Rio Grande do Norte, uma médica que trabalha em um hospital público na cidade de Natal rasgou a receita que tinha acabado de fazer para um paciente idoso, de 72 anos, após ele ter respondido que votou no candidato do PT à Presidência. Antes de se aposentar, o idoso havia trabalhado na unidade de saúde e tinha uma boa relação com a médica.

Todas as agressões motivadas por ódio relatadas foram confirmadas pelas secretarias de Segurança Pública de cada estado à reportagem. Em alguns casos, os agressores já estão presos, outros ainda estão em investigação, como é o da jornalista pernambucana. Somente no Maranhão e em Sergipe não foram encontrados registros de atos de violência dessa natureza.

Região Norte

Em Manaus, no Amazonas, o publicitário Elói Capucho também foi agredido por um simpatizante de Jair Bolsonaro por ser gay e contra a eleição do candidato do PSL. Na segunda-feira, como de costume, ele saiu de casa às 8h40 para trabalhar, de Uber. De acordo com Elói, durante o trajeto, o motorista lhe perguntou: “Qual a sua visão política sobre o cenário atual do país?”. “Eu disse para ele que eu, como LGBT, tenho muito medo pela comunidade, me referindo ao candidato Jair Bolsonaro, por conta dos discursos de ódio dele.”

Assim que ouviu a resposta de Elói, o motorista pegou a Bíblia, disse que Deus criou homens e mulheres e começou a agredi-lo. “Eu falei: ‘Eu exijo que você me respeite. Você deve fazer apenas o seu dever de motorista e eu de cliente’. E foi quando ele puxou meu braço e, simplesmente dirigindo em uma das avenidas de maior circulação aqui de Manaus, virou para trás e disse: ‘Cala a boca, eu vou te matar, ou você prefere que eu te jogue aqui do carro pra fora?’”.

Elói disse que ficou sem reação por algum tempo e em seguida teve coragem de abrir a porta do carro em movimento. O motorista estacionou o veículo e o passageiro saiu correndo. Elói registrou BO e está esperando resposta da empresa Uber.  No total, a reportagem localizou 3 relatos de agressões na região Norte.

Centro-Oeste

Em Brasília, a estudante e ativista Mayra de Souza, de 27 anos, foi vítima de um simpatizante de Jair Bolsonaro. Ela foi xingada e agredida com dois socos na madrugada do dia 9 de outubro. De acordo com informações do jornal Correio Braziliense, a militante do movimento social Levante Popular da Juventude estava em um bar com quatro amigas quando foi abordada pelo agressor. Após repetidos pedidos para que ele se afastasse da mesa, o homem começou a gritar “Bolsonaro 2018” e, no momento em que Mayra foi fumar um cigarro, ele deu o primeiro soco, no olho esquerdo. A mulher caiu no chão e recebeu outro golpe, dessa vez no queixo. O homem fugiu do local. Mayra registrou o caso na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher. Houve 3 casos registrados na região.

Eleitores de Bolsonaro também foram agredidos

Embora sejam ampla minoria, também há pelo menos seis relatos de simpatizantes do candidato que sofreram agressões de opositores. No dia 5 de outubro, um professor da Universidade do Recôncavo Baiano (UFRB) foi preso por atropelar um comerciante que vendiam camisetas do presidenciável do PSL. O comerciante conseguiu sobreviver e teve apenas os produtos danificados. Já o docente da UFRB responde em liberdade pelo ato de violência. O ocorrido foi em Salvador, na Bahia, na orla de Stella Maris. A Universidade publicou uma nota afirmando que “não houve atropelamento ou qualquer tentativa de atitude dolosa. Após se recusar a adquirir material de propaganda contendo imagem de um determinado candidato, o docente teria se sentido ameaçado, retirando-se bruscamente do local, causando danos materiais ao arrastar um varal contendo camisas que estavam sendo vendidas em via pública. Em seguida, o professor foi perseguido por um policial e levado à delegacia”. Na nota, a UFRB expressa solidariedade ao professor e diz: “Em um momento de extrema polarização, no qual as mensagens de ódio e de incitação à violência aumentam assustadoramente, a UFRB reitera sua crença na democracia e na valorização de princípios humanísticos, reafirmando o compromisso com a paz e com a defesa intransigente dos direitos humanos”.

Na noite de segunda-feira, dia 8 de outubro, Gilberto de Mattos levou um chute, caiu e machucou a cabeça depois de ter gritado “ele sim” quando passava por um grupo de pessoas que gritavam “ele não”, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Ele afirmou que foi cercado e impedido de sair do lugar por mais de 20 pessoas que estavam no teatro Galpão Folia, e na sequência foi agredido pelas costas por um homem identificado como Rafael.

Os policiais alegaram, no BO, que foram informados no local de que Gilberto teria empurrado e dado um soco no peito de uma mulher, identificada como Ariadna, durante a discussão política. Rafael teria dado o chute em Gilberto para defendê-la. Gilberto, no entanto, negou à Pública que tenha agredido a mulher.

Atualização em 11/11 às 13:35: O caso do jovem agredido por trazer um boné do MST estava com o  nome errado. O texto original dizia que ele se chamava  Calil Purt, mas o nome dele é Khaliu Turt. O texto foi corrigido.

Também foi incluído o posicionamento da Universidade Federal doo Recôncavo Baiano a respeito do seu professor envolvido em um dos casos de agressão contra apoiadores do candidato.

O dado de casos até o  fechamento desta reportagem no sudeste é 33, e não 32.

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Haddad erra histórico eleitoral de Paulo Maluf

Pública - qua, 10/10/2018 - 17:47
Wilson Dias/Agência BrasilPaulo Maluf, na época em que era deputado federal: político teve o mandato cassado em agosto

“Você sabe que o Maluf aqui em São Paulo quase ganhou duas eleições com mais de 45% dos votos no 1º turno, depois perdeu no 2º [turno].” – Fernando Haddad, candidato à Presidência pelo PT, em entrevista à rádio Guaíba.

Em entrevista à rádio Guaíba, em 9 de outubro, o candidato Fernando Haddad (PT) comparou o desempenho de Paulo Maluf em duas eleições com o resultado do 1º turno da atual disputa à Presidência. Jair Bolsonaro (PSL) ficou com 46,03% dos votos válidos, enquanto o petista teve 29,28%. Segundo Haddad, Maluf teve mais de 45% dos votos no 1º turno em duas eleições em São Paulo, mas perdeu na segunda etapa dessas disputas. A assessoria de imprensa do candidato não indicou as fontes. O Truco – projeto de checagem de fatos da Agência Pública – classificou a frase como falsa.

Desde a redemocratização, Maluf disputou o segundo turno quatro vezes para cargos do Executivo no município e no estado de São Paulo. De acordo com o repositório de dados eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na eleição para governador de 1990, Paulo Maluf (então no PDS) teve 5.872.473 dos votos (43,50%), enquanto Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB) conseguiu 3.803.159 (28,17%). A porcentagem é inferior à citada por Haddad. No 2º turno, o peemedebista venceu a eleição com 7.368.730 votos (51,77%) contra 6.865.157 (48,23%).

Em 1992, na eleição para a prefeitura da capital paulista, Maluf conseguiu 48,85% dos votos (2.036.776). Eduardo Suplicy (PT) ficou em segundo lugar, com 30,69% dos votos (1.279.231). Contudo, diferentemente da afirmação de Haddad, ele conseguiu ser eleito com 58,08% dos votos válidos (2.805.201) contra 41,92% do seu adversário (2.024.957).

Nas eleições de 1998 para o governo do estado, Maluf – então filiado ao PPB – obteve 32,21% dos votos válidos (5.351.026), enquanto Mário Covas (PSDB) ficou com 22,95% (3.813.186). Covas conseguiu a vitória no 2º turno, com 55,37% (9.800.253), contra 44,63% de Maluf (7.900.598).

A última vez em que o político conseguiu ir para o 2º turno foi nas eleições para prefeito de 2000. No 1º turno, Maluf obteve 17,39% (960.581) e Marta Suplicy (PT) conseguiu 38,12% dos votos válidos (2.105.013). A candidata petista elegeu-se com 3.247.900 (58,51%), enquanto Paulo Maluf teve 2.303.508 (41,49%).

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Cuba y la UE afianzan el diálogo sobre derechos humanos

IPS español - qua, 10/10/2018 - 16:39

Participantes en la ronda de diálogo entre Cuba y la Unión Europea, celebrada en La Habana el 9 de octubre y dedicada a los derechos humanos, que estuvo precedida por un encuentro de la sociedad civil de ambas partes el día antes. La delegación de Cuba aparece a la izquierda y la de la UE a la derecha. Crédito: UE

Por Ivet González
LA HABANA, Oct 10 2018 (IPS)

Con reuniones oficiales y de la sociedad civil, Cuba y la Unión Europea (UE) consolidaron sus relaciones con la primera ronda de diálogo sobre derechos humanos, tras la aplicación desde hace 11 meses del Acuerdo de Diálogo Político y Cooperación (PDCA).

Las conversaciones oficiales realizadas el martes 9 en La Habana trataron cuestiones de interés mutuo como el racismo, xenofobia, libertad artística, derecho a la salud y garantías judiciales, entre otras.

Por su parte, el encuentro de la sociedad civil, celebrado el día antes, abordó los derechos de lesbianas, gays, bi, trans e intersexuales (LGBTI) y la igualdad de género.

“Las dos partes tuvieron una extensa discusión sobre garantías legales en los procesos judiciales en la UE y Cuba”, indicó en un comunicado este miércoles 10 el bloque de 28 países y hasta el momento la única declaración sobre la reunión oficial, realizada  a puertas cerradas.

La participación ciudadana y libertad de asociación y expresión fueron analizadas en los diálogos liderados por el director general adjunto para las Américas del Servicio Europeo de Acción Exterior, Hugo Sobral, y el director general de Asuntos Multilaterales y Derecho Internacional del Ministerio de Relaciones Exteriores de Cuba, Rodolfo Reyes.

El texto reveló que otro tema tratado fue la protección de los derechos culturales, donde la UE remarcó su visión de que la libertad de la expresión artística y los emprendimientos son claves para logar un sector cultural vibrante que cree empleos, desarrolle industrias culturales y revitalice el patrimonio en ese sentido.

Según el bloque, se reconocieron los resultados de Cuba en la protección del derecho a la salud de su población de 11,2 millones de habitantes y en la solidaridad internacional, y las partes además revisaron oportunidades de cooperación en temas como moratoria de la pena de muerte en escenarios multilaterales.

“Las conversaciones reconfirmaron el deseo de la UE y Cuba de profundizar su diálogo y entendimiento en el área de los derechos humanos”, concluyó el documento, alojado en el sitio de la delegación del bloque en La Habana.

La jornada es la primera que se realiza sobre asuntos humanitarios desde que fuera eliminada la Posición Común, una cláusula unilateral impuesta en 1996 por Bruselas que condicionaba la cooperación a cambios políticos en Cuba, que entonces era gobernada por el histórico líder de la Revolución cubana, Fidel Castro (1926-2016).

La delegación de la Unión Europea, presidida por el director general adjunto para las Américas del Servicio Europeo de Acción Exterior, durante la primera ronda de diálogo sobre derechos humanos con Cuba, celebrada el martes 9 de octubre en La Habana. Crédito: UE

Este diálogo resulta “novedoso, porque se hace sobre un tema en el que habitualmente ha habido discordancias entre la UE y Cuba”, dijo a IPS el experto en relaciones cubano-europeas Eduardo Perera, quien resaltó que ahora la cuestión “se aborda de modo particularizado e institucionalizado”.

A su juicio, los derechos humanos revisten especial interés en la proyección internacional de la UE. También consideró que son relevantes para La Habana, “no solo por lo que se ha hecho en materia social, sino por la visión renovada que están adquiriendo”.

Para Perera, el nuevo cariz que toman en la isla caribeña los derechos humanos, que son innatos y resguardan la vida digna, “se aprecia concretamente en el proyecto de nueva Constitución y el debate público que lo ha acompañado”.

Desde el 13 de agosto y hasta el 15 de noviembre, los centros laborales y los barrios cubanos participan en la consulta popular del borrador del texto de la nueva Constitución, que aspira a sustituir la ley fundamental vigente desde 1976 mediante un proceso que concluirá con un referendo en 2019.

El anteproyecto incluye por primera vez el término derechos humanos, establece que pasaran a la legalidad local los tratados internacionales ratificados por Cuba, define al país de “Estado socialista de derecho” e incluye un artículo (68), que allanaría el camino al matrimonio igualitario.

Aunque especialistas critican que no establezca mecanismos autónomos de defensa de esos derechos, como Defensoría del Pueblo o un Tribunal Constitucional.

“Se reconocieron los logros pero también los temas pendientes, ya que debemos trabajar aún más como activistas y seguir sensibilizando y concientizando a la población sobre derechos LGBTI, en apoyo a la nueva Constitución”, indicó a IPS la activista Amelia Guerra, una mujer trans que coordina la Red Una Gran Familia.

 

Rodolfo Reyes, director general de Asuntos Multilaterales y Derecho Internacional del Ministerio de Relaciones Exteriores de Cuba, encabezó la delegación de su país a la primera ronda de encuentros con la Unión Europea tras la entrada en vigor del Acuerdo Político y Cooperación, celebrada en La Habana. Crédito: UE

Guerra participó el lunes 8 en el primer encuentro entre sociedad civil cubana y de la UE, que sesionó en un salón del Edificio Enrique José Varona, de la Universidad de La Habana.

Trascendió que participaron representantes de 21 organizaciones cubanas con registro legal y un número sin precisar de oenegés europeas, algunas con acápites en Cuba.

El concepto más amplio de sociedad civil cubana incluye las asociaciones fraternales, culturales y deportivas; sociales de masas; iglesias y congregaciones; oenegés de desarrollo; centros de investigación y publicaciones académicas; movimientos comunitarios; cooperativas, nuevos actores económicos y grupos disidentes.

“El intercambio de experiencias fue clave”, valoró la activista, que se enfrasca en la “incesante lucha” por lograr el matrimonio igualitario, a través de la red que conecta a 130 personas de diversas orientaciones sexuales e identidades de género de tres provincias cubanas: La Habana, Cienfuegos y Camagüey.

“Los temas de los derechos sexuales y a la vida no han llegado a tener una amplia divulgación, en ocasiones por el criterio fallido de que en Cuba las personas no están preparadas para recibir discursos de ese tipo”, indicó a IPS la documentalista Lizette Vila, quien también asistió al intercambio.

Vila coordina desde hace 16 años el Proyecto Palomas, una casa productora para el cambio social, que además divulga por el país sus obras sobre problemas discriminatorios y de derechos, en especial los relacionados con el género.

“Hay que avanzar en los problemas de la diversidad de mujeres y de hombres”, propuso la creadora, quien identifica retos tanto en Cuba como en los países europeos. En ese sentido, Vila promueve la inclusión de las personas heterosexuales en las acciones y campañas sobre derechos sexuales.

La reunión oficial tiene como antecedentes tres diálogos sobre derechos humanos sostenidos en junio de 2015, en Bruselas, junio de 2016, en La Habana, y mayo de 2017 en Bruselas. Cuba y la UE comenzaron sus negociaciones para el PDCA el 29 de abril de 2014 y concluyeron tras siete rondas bilaterales de trabajo en marzo de 2016.

El PDCA, en vigor noviembre de 2017, concede un marco legal y permite reforzar el diálogo y la cooperación entre Bruselas y La Habana. En mayo, durante el Primer Consejo Conjunto Unión Europea-Cuba celebrado en Bruselas, las dos partes se comprometieron a iniciar cinco nuevos diálogos políticos.

El plan de cooperación de la UE con Cuba destina 50 millones de euros: 20 para agricultura, 20 para energía renovable y 10 para la modernización de la economía.

Se prevé que en noviembre venidero, la capital cubana sea escenario de la primera reunión del Subcomité de Cooperación previsto en el vigente ADPC entre la UE y Cuba en el que se hará ya un primer intercambio de puntos de vista sobre las prioridades y montos de la cooperación para el periodo 2021-2027.

Con aportes de Patricia Grogg desde La Habana

Edición: Estrella Gutiérrez

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DP World, Região dos Emirados Árabes Unidos promove comércio e fabricação na cúpula de negócios

IPS português - qua, 10/10/2018 - 15:48

A DP World UAE Region sublinhou o seu compromisso em apoiar a diversificação da economia dos EAU e o crescimento do seu próprio setor manufatureiro através da inovação e da tecnologia SMART.

Em um discurso para a terceira Cúpula do Comércio e Indústria do Futuro de 2018, Abdulla bin Damithan, diretor comercial da DP World UAE Region, pediu aos fabricantes que criassem a mudança necessária para transformar vidas e comunidades.

A DP World, Região dos Emirados Árabes Unidos, é a parceira oficial da Zona Franca para o evento de dois dias que atraiu especialistas de vários setores, incluindo aeroespacial, serviços marítimos, produtos farmacêuticos e bens de consumo em movimento, entre outros.

Os participantes incluíram Suhail bin Mohammed Faraj Faris Al Mazrouei, Ministro da Energia e Indústria; Sami Al Qamzi, diretor do Departamento de Desenvolvimento Econômico de Dubai; Dr. Mukhisa Kituyi, Secretário-Geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento; e Dorothy Tembo, diretora executiva adjunta do International Trade Center.

O governo de Dubai pretende aumentar o PIB total em AED165 bilhões até 2030, como parte da Estratégia Industrial de Dubai. Também planeja a criação de 27.000 empregos, com previsão de aumento de exportações de AED16 bilhões. O setor industrial está projetado para crescer em mais AED18 bilhões até 2030.

Falando na conferência, Mohammed Al Muallem, CEO e Managing Director da DP World, Região dos Emirados Árabes Unidos, disse: “Os EAU são um elo vital na cadeia de fornecimento global em 11º lugar no mais recente Índice de Desempenho Logístico do Banco Mundial. É também um pioneiro no teste de tecnologias futuras que desempenharão um papel importante no crescimento futuro. Em 2021, o setor de inteligência artificial deve crescer 55,1%; Blockchain deverá crescer em 61,5 por cento; Automação em 28,1% e energia renovável em 40%. Todos esses setores estão descobrindo que Dubai é uma base ideal devido ao seu foco no comércio e na fabricação”.

“Nossos parques e zonas, especialmente o National Industries Park, estão transformando Dubai no principal centro de produção da região. A manufatura já é o terceiro maior setor de Dubai e estamos bem posicionados para capitalizar as oportunidades apresentadas pelo investimento inteligente em nosso pessoal, tecnologias relevantes e negócios na Quarta Era Industrial. Essas indústrias devem se unir para usar tecnologia e inovação para criar a mudança necessária para transformar vidas e comunidades”, acrescentou.

“Esse é um dos impulsionadores dos esforços da DP World para viabilizar o comércio em toda a nossa rede global. Do porto de Jebel Ali, em Dubai, aos nossos terminais espalhados por mais de 40 países, estamos criando o futuro da cadeia de suprimentos do mundo, tornando-o mais rápido e melhor, trazendo benefícios para as comunidades em que trabalhamos”, concluiu Al Muallem.

WAM / ئ / Rola Alghoul / Nour Salman

(#Envolverde)

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Asentamientos precarios de Buenos Aires, entre la exclusión y la esperanza

IPS español - qua, 10/10/2018 - 14:21

Edificios aún sin terminar del barrio Papa Francisco, un moderno complejo de viviendas sociales, y al fondo el asentamiento precario de Villa 20, donde viven casi 28.000 personas sin servicios básicos, en el sur de Buenos Aires, la capital de Argentina. Crédito: Daniel Gutman/IPS

Por Daniel Gutman
BUENOS AIRES, Oct 10 2018 (IPS)

“Acá estamos los excluidos del sistema”, dice Rafael Rivero, sentado en el comedor de su departamento, en un nuevo complejo de viviendas sociales, al lado de uno de los asentamientos precarios más grandes de Buenos Aires. El contraste resume la complejidad de la realidad social en la capital argentina.

Rivero, de 66 años, y su esposa, Felina Quita, 10 años mayor, vivieron durante 38 años en la Villa 20. Es un terreno de unas 30 hectáreas en el sur de la ciudad, donde se hacinan miles de familias que no pueden afrontar el alquiler de una vivienda en el circuito formal. Son 27.990 habitantes, de acuerdo al censo oficial realizado en 2016.

La parcela de al lado pertenecía a la Policía Federal, que durante décadas lo utilizó como depósito de vehículos chocados y abandonados y lo convirtió en una fuente de contaminación.“Es un gran avance que las autoridades hayan tomado la decisión de urbanización y estén destinando fondos para hacerlo. Aunque las obras avanzan con lentitud, ya nadie habla hoy de erradicar las villas”: Pablo Vitale.

En 2009 se comprobó que más de la tercera parte de la población infantil de Villa 20 tenía altas concentraciones de plomo en sangre y la justicia ordenó que se desalojara el terreno.

Esa tarea todavía no había terminado en 2014, cuando unas 700 familias indigentes ocuparon el lugar. Varios meses después, y en medio de un cuadro de emergencia social, los ocupantes aceptaron irse y las autoridades prometieron urbanizar la zona.

Hoy ese terreno es escenario de una imponente obra en construcción de 90 edificios de cuatro pisos, a cargo del Instituto de Vivienda de la Ciudad (IVC), organismo que tiene la monumental misión de solucionar el déficit habitacional de Buenos Aires.

En la capital argentina hay 233.000 personas -o 7,6 por ciento de la población, sin contar los populosos suburbios- que viven en asentamientos precarios, llamados localmente villas.

La obra, que recibió el nombre de Barrio Papa Francisco, el pontífice católico de origen argentino, consta de 1.671 departamentos y fue proyectada para que se trasladen allí familias de la Villa 20. Las mudanzas comenzaron en febrero, ya se entregaron 368 unidades y el IVC promete terminar el proceso el año próximo.

“La casa que teníamos en la Villa se inundaba siempre. Cada vez que llovía, había más agua adentro que afuera”, contó Rivero, que hace menos de dos meses se mudó a su nueva vivienda, de un ambiente con cocina, sala y comedor integrados, más un dormitorio, ya que el matrimonio vive solo. Los hay de hasta cuatro habitaciones.

Está feliz, aunque todavía no sabe cómo va a hacer pagar las tarifas de electricidad, agua, electricidad e impuestos municipales. Por ahora no le llegó ninguna de las facturas de servicios, que en los últimos dos años provocaron enorme malestar en la sociedad argentina, por sus aumentos que llegaron hasta 800 por ciento.

Felina Quita y Rafael Rivero, en la cocina-comedor del departamento al que se mudaron e agosto, tras 38 años viviendo en un colindante asentamiento precario. Fueron elegidos por las autoridades de Buenos Aires como beneficiaros del plan de viviendas sociales, porque su casa estaba en situación de emergencia por frecuentes inundaciones. Crédito: Daniel Gutman/IPS

Rivero rememoró a IPS en su vivienda, donde todo huele aún a nuevo, que llegó a la Villa 20, hace más de 50 años, desde la provincia de Jujuy, en el norte de Argentina.

“Yo era un chico y me trajo mi tía. Cuando se mecanizó el campo, la caña de azúcar ya no dio tanto trabajo, mucha gente se quedó afuera y se vino a Buenos Aires. Yo he trabajado de panadero, de carpintero, de albañil, de mozo…”, dijo Rivero. Su esposa trabajó como empleada del servicio doméstico y ya está jubilada.

El presidente del IVC, Juan Ignacio Maquieyra, explicó a IPS que “estamos trabajando a favor del paradigma de integración de las villas” a la ciudad.

“Junto con la construcción del barrio Papa Francisco, estamos urbanizando la villa 20, lo que implica la apertura de calles, la construcción de infraestructura y la instalación de pulmones de manzana, ya que uno de los problemas más graves es el hacinamiento y la falta de ventilación”, explicó.

Los elegidos para mudarse a los departamentos nuevos son aquellos cuyas casas estaban en peor estado o deben demolerse para abrir calles y urbanizar.

Muchos vecinos, sin embargo, señalan que las obras en la villa van sensiblemente más lentas que la construcción de los edificios.

“El gobierno de la Ciudad no cumplió con lo que se había comprometido. Las obras sanitarias todavía las estamos esperando. Los desagües pluviales se mezclan con las cloacas y, cuando llueve y desborda, seguimos pisando excrementos”, dijo a IPS Rubén Martínez, un hombre de 46 años que se crió y aún vive en la Villa.

Él es uno de los integrantes de la Mesa de Urbanización, una instancia de participación en el proceso.

Martínez se sumó a lo que otros muchos sospechan: que el barrio Papa Francisco se construyó para “ocultar” la Villa 20 de la vista otra construcción en la zona, que es la Villa Olímpica, donde se alojan los atletas de los Juegos de la Juventud que se están celebrando este mes de octubre en Buenos Aires.

Ingreso a un bloque de edificios ya terminados del nuevo barrio Papa Francisco, que tendrá 90 edificios y 1.671 departamentos. A esas viviendas sociales comenzaron a trasladarse pate de los residentes de la colindante Villa 20, una populosa barriada pobre y hacinada en el sur de Buenos Aires, en Argentina. Crédito: Daniel Gutman/IPS

 

De acuerdo a un relevamiento que el gobierno presentó este año, en Argentina hay 4.228 asentamientos precarios, de los cuales 45 por ciento nació a partir de 2001, cuando se produjo la brutal crisis económica y social que terminó con el gobierno de Fernando de la Rúa (1999-2001).

En esas barriadas viven tres millones y medio de personas, sobre una población total de 44 millones de habitantes en el país.

La situación social está hoy en pleno período de empeoramiento, según lo reconoce el propio presidente Mauricio Macri, que está siguiendo un plan de estricto ajuste fiscal y restricción de la emisión monetaria, acordado en septiembre con el Fondo Monetario Internacional (FMI).

El panorama más delicado se vive en los suburbios de Buenos Aires, donde hay cientos de estas villas y en las que la pobreza supera 50 por ciento entre los niños.

Este mismo año el gobierno presentó ante el legislativo Congreso Nacional un proyecto, acordado con organizaciones sociales, para reconocerles a los vecinos de los asentamientos la titularidad de sus tierras, lo que fue presentado como un primer paso en el reconocimiento de más derechos.

De todos modos, es únicamente en la oficialmente llamada Ciudad Autónoma de Buenos Aires donde el Estado empezó a dar pasos hacia la integración de las villas.

“Los reclamos de los vecinos de las villas de Buenos Aires de su urbanización venían desde hace décadas, pero solo en los últimos años el Estado reconoció el derecho. El primer impulso lo dieron sentencias judiciales”, explicó a IPS el defensor general de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Horacio Corti.

La Defensoría, justamente, defiende a los vulnerables ante el sistema local de Justicia, que en 2011, por ejemplo, ordenó que se urbanice la llamada Villa Rodrigo Bueno, que está muy cerca de Puerto Madero, el barrio más moderno y cotizado de la ciudad.

Para Pablo Vitale, de la Asociación Civil por la Igualdad y la Justicia (ACIJ), que hace 15 años trabaja en el apoyo jurídico a organizaciones territoriales de las villas, “es un gran avance que las autoridades hayan tomado la decisión de urbanización y estén destinando fondos para hacerlo. Aunque las obras avanzan con lentitud, ya nadie habla hoy de erradicar las villas”.

Vitale, de todas maneras, destacó a IPS el dato de que los planes de urbanización han comenzado por villas que por su ubicación podrían ser las más codiciadas por intereses inmobiliarios.

“Eso podría indicar que el objetivo es que el desalojo lo termine haciendo el mercado, si los sectores populares no pueden afrontar los mayores costos que significan pagar los impuestos y tarifas que trae la formalidad”, alertó.

Edición: Estrella Gutiérrez

 

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Mariposas y lagartos tropicales buscan sombra en la Amazonía

IPS español - qua, 10/10/2018 - 13:16

Un nuevo estudio del Centro Biológico CEIBA investiga el impacto del cambio climático en ectotermos tropicales, como mariposas y lagartos, cuya temperatura corporal se determina en función del ambiente. Crédito: Desmond Brown/IPS.

Por Jewel Fraser
PUERTO DE ESPAÑA, Oct 10 2018 (IPS)

Una investigación realizada en Guyana concluyó que algunos tipos de mariposas y lagartos de la Amazonía buscan refugiarse del calor a medida que aumenta la temperatura en la selva.

Bajo la conducción de su director, Godfrey Bourne, el Centro Biológico CEIBA, en Madewini, Guayana investiga el impacto del recalentamiento global sobre ectotermos tropicales, como las mariposas y los lagartos, cuya temperatura corporal está determinada por el ambiente.

La investigación realizada por los estudiantes Chineze Obi y Noreen Heyari, supervisados por Bourne, concluyó que “cambios en la posición de las alas (de las mariposas Heliconius melpomene) se asocian con la regulación de la absorción de la energía solar”.

Por consiguiente, la temperatura torácica se regula efectivamente para mantener la temperatura corporal entre 28 y 34 grados. Las mariposas Heliconius melpomene estaban totalmente activas en ese rango de grados centígrados.

Pero cuando hace demasiado calor para realizar maniobras con las alas, las mariposas se retiran y descansan, concluyeron los investigadores.

También observaron que la mariposa mantiene “temperaturas relativamente estables durante las fluctuantes” temperaturas exteriores.

Las conclusiones del estudio sugieren que algunos ectotermos de la Amazonía podrían estar ajustando su comportamiento para hacer frente al calor, pero a expensas de actividades normales y necesarias para su supervivencia y la reproducción.

“Debido a que la mariposa Heliconius melpomene y el lagarto de collar mantuvieron temperaturas más bajas que el ambiente durante la mayor parte (de la investigación), (eso indicaría que) podrían estar buscando mantenerse frescas, en vez de pasar el tiempo buscando alimentos, tratando de aparearse y defendiendo territorios”, explicó Bourne a IPS.

“Las conclusiones sugieren que el aumento de la temperatura global podría tener consecuencias negativas en (los animales)”, resumió.

En ese sentido, un artículo publicado en la revista “Comportamiento Animal”, explica: “Los comportamientos para regular la temperatura son muy importantes para que los ectotermos puedan soportar el impacto de las temperaturas extremas”.

“Esos comportamientos no solo traen beneficios, sino costos a nivel del organismo como la menor disponibilidad de alimentos y eficiencia en la búsqueda de alimentos, lo que genera costos energéticos y consecuencias para el metabolismo”, explica.

Bourne señaló que eligió estudiar a las mariposas y a los lagartos nativos de la Amazonía porque aun un aumento moderado de la temperatura puede tener un gran impacto en la función metabólica y en las actividades diarias de esas criaturas.

“Los ectotermos terrestres tropicales, como las mariposas y los lagartos, tienen una menor tolerancia térmica que las especies de latitudes más altas; en la actualidad viven cerca de su límite máximo de temperatura”, precisó.

El aumento de la temperatura en la Amazonía, que Guyana comparte con sus vecinos, fue de 0,25 grados centígrados por década en el siglo XX, con un incremento previsto de 3,3 grados este siglo si las emisiones de gases contaminantes son moderadas, apuntó.

En la fotografía una pequeña mariposa Heliconius sara azul. La investigación concluyó que algunos ectotermos podrían estar adaptando su comportamiento para hacer frente al calor, pero a expensas de las actividades normales necesarias para su supervivencia y su reproducción. Crédito: Cortesía: Godfrey Bourne.

“Mariposas (invertebrados) y lagartos (vertebrados) generan la temperatura corporal principalmente a partir de la temperatura del ambiente; (a diferencia de) los endotermos, un enfoque fisiológico de la vida de alto costo en el que la temperatura corporal se genera a partir de la ingesta alimentaria”, detalló.

“Las mariposas y los lagartos son taxones bien estudiados, visibles y manipulables que ofrecen evidencia fuerte de las consecuencias ecológicas del cambio climático”, explicó por correo electrónico.

La investigación se basó en otros estudios publicados.

Un artículo de la revista Global Ecology and Conservation, señala: “la disminución de la adecuación local del clima (magnitud) puede poner en riesgo a las especies que viven cerca de su límite de tolerancia climática, y la elevada velocidad del cambio climático puede afectar la capacidad de las especies para localizar condiciones climáticas adecuadas, en particular las que tienen una reducida distribución”, precisó.

Además, la proporción de sexos incide en las probabilidades de supervivencia de las especies.

“Si vemos dimorfismo sexual en los comportamientos, en que un sexo es más activo que el otro con elevadas temperaturas de día, es posible que veamos cambios en el dimorfismo sexual, favoreciendo al sexo que es más activo con temperaturas más elevadas”, explicó a IPS.

“En ese contexto, el desequilibrio en el dimorfismo sexual terminará por contribuir a la disminución de las poblaciones”, añadió.

Un estudio de unos científicos australianos, realizado en 2016 y publicado en la revista Ecological Modelling, concluyó que cuando el dimorfismo sexual se inclina hacia las hembras en climas más cálidos, hace que el tamaño de la población de reptiles aumente de forma significativa, pero cuando se inclina hacia los machos, “el tamaño de las poblaciones disminuye de forma drástica”.

El impacto acumulado podría “ser una menor tasa de reproducción y un menor crecimiento poblacional para las especies de lagartos y de mariposas que evitan el sol, pero mayor para sus parientes que prefieren el sol”, apuntó Bourne.

“Pero en 20 años, sospecho que todas las especies se extinguirán a escala local”, añadió.

Asimismo, los seres humanos también sentirán las consecuencias de la pérdida de esas criaturas en la lucha contra el cambio climático. Hay estimaciones que indican que una tercera parte de los alimentos consumidos por las personas resultan de la polinización.

“A la larga, los servicios de polinización se minimizarán, lo que llevará a una reducida producción de frutas y semillas, y finalmente al reducido reclutamiento de nuevas plantas para los bosques”, añadió.

Como los lagartos también desempeñan un papel en el reclutamiento de plantas, su desaparición tendrá un impacto negativo en la cadena alimentaria.

Los lagartos tropicales estudiados por Bourne comen pequeñas frutas caídas y cuando lo hacen “se desplazan varios metros de los árboles madre, donde descartan las semillas”, explicó.

Así “las semillas tienen una mayor probabilidad de escapar de insectos, aves y mamíferos predadores y tienen probabilidades de germinar”, explicó.

“Esas tienen mayores probabilidades de reclutamiento y de volver a asentarse en la matriz forestal”, añadió Bourne. Es decir que menos lagartos implicará menos alimentos procedentes de las plantas.

Traducción: Verónica Firme

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Disasters: UN report shows climate change causing ‘dramatic rise’ in economic losses

UN SGDs - qua, 10/10/2018 - 12:05
Climate-related and geophysical disasters such as earthquakes and tsunamis have killed 1.3 million people over the last 20 years and left a further 4.4 billion injured, homeless or in need of emergency assistance, UN experts said on Wednesday.
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Microbolsas: conheça os repórteres selecionados para investigar a volta da fome

Pública - qua, 10/10/2018 - 09:00

A Agência Pública e a Oxfam Brasil lançaram no final de agosto o concurso Microbolsas Fome, que abriu inscrições para que repórteres de todo o país propusessem pautas sobre a volta da fome à realidade brasileira.

Recebemos 83 propostas, vindas de 15 estados diferentes. Os vencedores foram definidos em conjunto pela Pública e pela Oxfam Brasil. “Estamos felizes pelas mais de 80 propostas enviadas. Eram de altíssima qualidade. Acreditamos que as quatro escolhidas vão contribuir muito para o jornalismo comprometido com a defesa de direitos no país”, diz Gustavo Ferroni, da Oxfam.

Para a seleção, foram consideradas a originalidade das pautas e sua capacidade de revelar os impactos da volta da fome sob diferentes aspectos. “Além da qualidade das investigações propostas, recebemos inscrições de muitos jornalistas experientes, o que revela um grande interesse em cobrir este tema tão atual. O resultado reflete isso”, comenta Natalia Viana,  co-diretora da Pública.

Nos próximos meses, os repórteres selecionados vão trabalhar com os editores da Agência Pública para produzir as pautas propostas.

Conheça os vencedores:

Chico Felitti –  mestrando de escrita na Universidade Columbia, em Nova York. Trabalhou na Folha de S.Paulo, onde foi repórter, colunista e editor, por 10 anos. Colaborador da Piauí, da Galileu e da Revista Joyce Pascowitch, foi o autor do perfil de Ricardo Pereira, um artista de rua conhecido como Fofão da Augusta, publicado pelo Buzzfeed em 2017 e que vai virar livro pela editora Todavia em novembro de 2018.

Elvira Lobato – Jornalista, formada pela UFRJ, atuou na imprensa escrita por 39 anos, 27 deles na “Folha de S. Paulo”, onde fez parte do núcleo de repórteres especiais de 1992 a 2011, quando se aposentou do jornalismo diário para se dedicar a projetos pessoais. É autora do livro “Instinto de Repórter”, sobre seus métodos de investigação jornalística. Está no ranking de jornalistas mais premiados do Brasil. Recebeu, entre outros, o Prêmio Esso de Jornalismo, em 2008, pela reportagem sobre o patrimônio dos dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus. Em janeiro de 2016, publicou a reportagem “TVs da Amazônia Legal-Realidade que o Brasil Desconhece”. É co-fundadora do projeto multimídia Mulheres 50+ (www.mulheres50mais.com.br).

A reportagem será feita em equipe com Angelina Nunes, Ana Lúcia Araújo, Claudia Lima, Cristina Alves, Regina Eleutério e Raquel Almeid.

Hévilla Wanderley Fernandes – é graduada em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e tem 29 anos. Após concluir o curso em 2012, iniciou a carreira no caderno Cidades do Jornal Correio da Paraíba. Em seguida, trabalhou na assessoria de imprensa do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e no Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNMP). Neste período, cobriu a votação da PEC 37, proposta que, se aprovada, daria exclusividade do poder de investigação criminal para as polícias federal e civis, retirando esta atribuição de alguns órgãos e, sobretudo, do Ministério Público. De 2014 até o início de 2018, trabalhou como repórter do GloboEsporte.com/pb, onde participou de diversas coberturas esportivas. Durante os anos de GloboEsporte.com, também fez algumas matérias especiais para o G1PB. Atualmente, trabalha na Associação Paraibana do Ministério Público (APMP), e faz mestrado em ciência política na UFPB, cuja pesquisa trata da autoafirmação da identidade nordestina através do futebol.

Júlia Dolce Ribeiro – Jornalista formada pela PUC-SP e estudante do curso Tecnólogo de Fotografia do Senac. Trabalha há três anos para o jornal Brasil de Fato, cobrindo economia, política e direitos humanos. Em 2017, trabalhou por 5 semanas no jornal palestino Alternative Information Center. Fará a pauta das Microbolsas em parceria com Rute Pina, jornalista formada pela PUC-SP e repórter do Brasil de Fato há mais de dois anos. Em 2015, integrou a 26ª turma de treinamento em jornalismo do Estadão. Tem interesse em Direitos Humanos, Política e Jornalismo de Dados.

Parabéns e bom trabalho aos repórteres!

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53 países para participar do WETEX 2018

IPS português - ter, 09/10/2018 - 20:40

DUBAI, 9 de outubro de 2018 (WAM) – A 20ª Exposição de Água, Energia, Tecnologia e Meio Ambiente, WETEX 2018, cobrirá uma área de 78.413 metros quadrados com a participação de mais de 2.100 expositores de 53 países.

O anúncio foi feito por Saeed Mohammed Al Tayer, diretor executivo e CEO da Autoridade de Água e Eletricidade de Dubai (DEWA) e fundador e presidente da WETEX, durante uma coletiva de imprensa na segunda-feira.

Organizado sob o tema “Na vanguarda da sustentabilidade”, o 20º WETEX acontecerá de 23 a 25 de outubro no Centro Internacional de Convenções e Exposições do Dubai. É organizado sob a égide da 5ª Semana Verde para apresentar os mais recentes desenvolvimentos e soluções inovadoras em energia renovável e tradicional em todo o mundo e proporcionar oportunidades de negócios e parcerias potenciais que promovem o setor empresarial.

A DEWA está organizando a WETEX sob as diretrizes do xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, primeiro-ministro e governante de Dubai, e sob o patrocínio do xeque Hamdan bin Rashid Al Maktoum, vice-governador de Dubai e ministro dos Emirados Árabes Unidos Finanças.

Durante a conferência de imprensa Al Tayer disse que o evento está em linha com a visão do Governador de Dubai para apoiar um futuro sustentável e economia verde nos Emirados Árabes Unidos e atingir as metas do Centenário dos EAU 2071, EAU Visão 2021, a Estratégia de Crescimento Verde dos EAU , O Dubai Plan 2021 e a Dubai Clean Energy Strategy 2050 para tornar Dubai um centro global de energia limpa e economia verde, fornecendo 7% da energia total de Dubai a partir de energia limpa até 2020, 25% até 2030 e 75% até 2050.

O WETEX 2018 se concentra em uma variedade de atividades de conservação de energia e água, proteção ambiental, gerenciamento de resíduos, construções verdes e redução de emissões de carbono. Ele também destaca as mais recentes tecnologias e inovações na proteção de recursos naturais, reforçando a segurança ambiental, motivando a criatividade e a inovação em energia. “Isso apoiará a sustentabilidade ambiental, social e econômica e afirmará o papel pioneiro dos EAU ao adotar a energia limpa e avançar rumo a uma economia verde”, continuou Al Tayer.

O evento também incluirá escritórios de energia e empresas especializadas em eletricidade, tecnologia, dessalinização de água e soluções de tratamento. Também contará com um salão para as atividades da Green Week, um stand de conservação e outros stands e pavilhões especializados para empresas nacionais e internacionais.

O WETEX 2018 contará com 17 pavilhões nacionais para compartilhar seus produtos e soluções de última geração, explicou Al Tayer, acrescentando que o pavilhão da China é o maior pavilhão dedicado a empresas chinesas especializadas em água, energia e meio ambiente.

A agenda do evento também conta com workshops e seminários nas áreas de energia, água e meio ambiente. A WETEX também apresentará sessões sobre programas de gerenciamento do lado da demanda e práticas sustentáveis. (#Envolverde)

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Tartarugas ameaçadas de extinção migram de Abu Dhabi para Omã

IPS português - ter, 09/10/2018 - 20:11

ABU DHABI, 9 de outubro de 2018 (WAM) – A recente marcação e liberação de tartarugas-verdes ameaçadas de extinção em Abu Dhabi revelou informações anteriormente desconhecidas sobre seus habitats de nidificação, marcando mais um sucesso de conservação no Ano de Zayed.

Em abril de 2018, como parte do Ano de Zayed, Razan Khalifa Al Mubarak, Secretário-Geral da Agência Ambiental – Abu Dhabi (EAD), liderou a captura, identificação por satélite e liberação de tartarugas-verdes ameaçadas da Ilha Bu Tinah, uma organização internacional, reconhecido santuário de tartarugas no Oceano Índico. Duas das tartarugas foram apropriadamente chamadas de Sabedoria e Respeito, representando os valores celebrados durante este ano de Zayed.

A iniciativa de pesquisa em andamento, liderada pela Emirates Nature-WWF em colaboração com EAD, visa avançar no conhecimento sobre o comportamento das tartarugas no mar e identificar áreas de proteção nos Emirados Árabes Unidos e na região para conservar estas espécies migratórias de importância global ameaçadas de extinção. Os dados de alta qualidade recebidos até agora a partir das tags nesta ocasião particular confirmam que as tartarugas partiram da Ilha Bu Tinah cerca de quatro a seis semanas após o seu lançamento. Sabedoria e Respeito seguiram o litoral em direção ao Estreito de Ormuz e chegaram a Omã algumas semanas depois, apesar do Respeito começar sua jornada 30 dias após a Sabedoria. Ambas as tartarugas agora descansam em Ras Al Hadd, em Omã, com um grande número de outras tartarugas verdes, potencialmente se preparando para depositar entre 4 a 5 ninhos de ovos como parte da temporada de nidificação. Curiosamente, ambas as migrações levaram cerca de 30 dias, e a viagem percorreu uma distância de cerca de 1100 km a uma velocidade sustentada de cerca de 36 km por dia, ou cerca de 1,5 km / h.

Das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo, duas ocorrem nas águas de Abu Dhabi: a tartaruga-de-pente criticamente ameaçada e a ameaçada tartaruga-verde. Estas duas espécies usam extensivamente as águas de Abu Dhabi para forragear alimentos e uma espécie, o pente, nidifica nas praias arenosas de várias ilhas. As tartarugas e seus habitats são indicadores-chave da saúde do meio ambiente, mas no nível regional, o número de habitats de forrageio e áreas de nidificação está em constante declínio devido a um aumento na urbanização e industrialização.

A marcação e a liberação ocorreram na Ilha Bu Tinah, que também é o lar de recifes de corais, dugongos, manguezais naturais, golfinhos, águias pesqueiras e cormorões Socotra. Localizada na região de Abu Dhabi, Al Dhafra, a ilha fica dentro da Reserva da Biosfera Marinha de Marawah, a maior e primeira reserva de biosfera marinha da UNESCO e uma das 19 áreas protegidas da Rede de Áreas Protegidas de Sheikh Zayed. A ilha recebeu fama internacional em 2011, graças à diversidade de vida selvagem que existe e à capacidade desses diferentes organismos de sobreviver sob temperatura e salinidade extremas, mas também depois que conseguiu ser finalista em uma competição global intitulada “Novas 7 Maravilhas” da natureza. (#Envolverde)

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O MBF Group Holdings analisa as oportunidades de investimento no Camboja

IPS português - ter, 09/10/2018 - 19:41

ABU DHABI, 08 de outubro de 2018 (WAM) – O MBF National Investment Group dos Emirados Árabes Unidos (EAU) discutiu com o Consulado Geral do Camboja várias oportunidades de investimento no Camboja, mais notavelmente uma joint venture para construir um resort de saúde na capital do Camboja, Phnom Penh.

Espera-se que o resort ofereça vários serviços e instalações, como tratamento médico e paisagens para áreas verdes do Camboja.

Sheikh Mohammed bin Faisal Al Qasimi, presidente do Grupo de Investimento MBF, e Kamal Je Augustin, cônsul cambojano, discutiram potenciais áreas de cooperação, formas de reforçar a sua parceria e oportunidades de investimento no Camboja, ao rever facilidades e vantagens oferecidas aos investidores do país, juntamente com suas atuais políticas de investimento.

O xeque Mohammed bin Faisal observou que o resort cobrirá uma área de cerca de 4 milhões de pés quadrados. A parceria com o governo cambojano para concluir o projeto será feita por meio de uma entidade nacional local.

O Presidente do MBF Investment Group explicou que o Camboja é conhecido por suas práticas e resorts fitoterápicos, enquanto reitera que o projeto incentivará famílias a visitarem o Camboja e está entre as principais prioridades do grupo. Ele acrescentou que entre novembro e o final do ano, o grupo visitará o Camboja para avaliar o projeto e elaborar projetos apropriados.

Je Augustin acrescentou que o Camboja é atualmente um dos centros de investimentos mais atraentes da Ásia, que tem uma história antiga e um ambiente natural atraente. Ele espera que o projeto desempenhe um papel vital na atração de visitantes, já que o Camboja tem uma história diversificada e é um dos principais locais históricos do sudeste asiático. (#Envolverde)

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