Cadernos

Violência contra jovens negros em pauta


O Brasil ocupa lugar de destaque em um ranking nada glamoroso: é o quarto colocado, entre 92 países, na taxa de homicídios entre crianças e adolescentes, segundo dados do Mapa da Violência 2012: Crianças e Adolescentes do Brasil.

Um olhar mais atento sobre este número, combinado a uma análise do Mapa da Violência 2012: os novos padrões da violência homicida no Brasil, revela uma realidade que envergonha: são os jovens negros os que mais morrem no país. Em 2010, 49.932 pessoas morreram vítimas de homicídios no Brasil. Deste total, 26.854 eram jovens, a maioria (74,6%) negra e do sexo masculino (91,3%). De 2000 a 2009, a diferença entre jovens brancos e negros, vítimas de homicídios, saltou de 4.807 para 12.190 mortes.

Nada queima por acaso nas favelas paulistanas


Por João Finazzi*

Segundo a física, propelente ou propulsante é um material que pode ser usado para mover um objeto aplicando uma força, podendo ou não envolver uma reação química, como a combustão. De acordo com o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, até o dia 3 de setembro de 2012, houve 32 incêndios em favelas do estado – cinco somente nas últimas semanas. O último, no dia 3, na Favela do Piolho (ou Sônia Ribeiro) resultou na destruição das casas de 285 famílias, somando um total de 1.140 pessoas desabrigadas por conta dos incêndios em favelas.

O evento não é novo: em quatro anos foram registradas 540 ocorrências. Entretanto, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada em abril deste ano para investigar os incêndios segue parada, desrespeitando todos os trabalhadores brasileiros que tiveram suas moradias engolidas pelo fogo.

Juntamente com o alto número de incêndios, segue-se a suspeita: foram coincidências?

Pesquisa analisa o tratamento dado pelos Tribunais de Justiça ao crime de tortura


A Conectas Direitos Humanos, em parceria com ACAT, Pastoral Carcerária, Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP) e IBCCrim, apresentou em julho os resultados preliminares da pesquisa “Levantamento Jurisprudencial sobre o Crime de Tortura nos Tribunais de Justiça da Região Sudeste”. Esses dados estão inseridos em uma pesquisa mais ampla, ainda em curso, que está se debruçando sobre os acórdãos (nome dado às decisões colegiadas da 2ª instância do Poder Judiciário) do crime de tortura em todos os Tribunais de Justiça do Brasil.

A apresentação dos dados preliminares aconteceu na manhã de do dia 26 de julho na Mesa de Estudos e Debates do IBCCrim, e teve a participação de Daneila Skromov, Defensora Pública, coordenadora do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo, como debatedora.

Organizações indígenas venezuelanas denunciam novo genocídio de Yanomami por garimpeiros brasileiros


O relato está baseado no depoimento de três sobreviventes, que estavam na floresta no momento do ataque dos garimpeiros contra a casa coletiva da comunidade Irotatheri, na fronteira do Brasil com a Venezuela. O número de mortos ainda é incerto. Depois de 20 anos do massacre realizado por garimpeiros brasileiros contra os Yanomami, no caso conhecido como Massacre de Haximú, três sobreviventes relatam nova barbárie ocorrida em julho deste ano em território venezuelano.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiam), que congrega 13 organizações indígenas da Amazônia Venezuelana, divulgou na segunda-feira (28), documento baseado no relato de sobreviventes Yanomami, da comunidade Irotatheri, localizada nas cabeceiras do Rio Ocamo, na fronteira do Brasil com a Venezuela. O relato dá conta de que garimpeiros cercaram a casa coletiva e dispararam contra eles, posteriormente ateando fogo à casa. Os sobreviventes estavam na floresta no momento do ataque. O número de mortos ainda é incerto.

 

Aids no Brasil hoje: o que nos tira o sono?


“O que nos tira o sono” é o mote do manifesto lançado nessa terça-feira (21/08) e que aponta sérios problemas no controle da epidemia de Aids no Brasil. Docentes, pesquisadores e integrantes da sociedade civil que assinam o manifesto estão preocupados com a resposta à epidemia no país, que tem apresentado indicadores negativos e produzido um senso comum de que a doença deixou de ser um problema de saúde pública.
 

OPAS estimula mobilização social contra marketing da indústria do tabaco no Brasil


O V Seminário de Alianças Estratégicas para o Controle do Tabagismo, cujo objetivo é fortalecer a sociedade civil para desenvolver ações efetivas para o controle do tabaco no Brasil, terminou em 15 de agosto, em Brasília (DF). Durante a abertura, Joaquín Molina, Representante da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, ressaltou a importância da mobilização das organizações da sociedade civil para fazer frente às interferências da indústria do tabaco.

25% da população mundial vive em regiões onde a água subterrânea é superexplorada


Cerca de 25% dos habitantes da Terra vivem em regiões onde as reservas subterrâneas de água são superexploradas, segundo um estudo publicado na quarta-feira na revista Nature. “Os países que mais superexploram as reservas de água subterrânea são Estados Unidos, Índia, China, Paquistão, Irã, Arábia Saudita e México, e as maiores populações que sofrem as consequências são da Índia e da China”, explicou à AFP o hidrologista canadense Tom Gleeson, um dos autores do estudo.

Cerca de 1,7 bilhão de pessoas, ou seja, 25% da população mundial, vive nessas regiões onde a água subterrânea é superexplorada.

Para entender melhor o fenômeno, este estudo propõe um novo dispositivo batizado de “pegada da água subterrânea”, ou seja, a superfície de uma região que depende da extração de água subterrânea. Os pesquisadores a comparam com a superfície das reservas de água subterrânea que alimentam a região.

Complexo hidrelétrico na bacia do Tapajós: o maior mosaico de biodiversidade do planeta corre risco


A determinação do governo em levar adiante o plano de construir a última grande hidrelétrica do Brasil poderá impor um custo ambiental sem precedentes na história do país, destaca reportagem de André Borges. Um custo ambiental ainda mais pesado do que Belo Monte e proporcional ao significado dos estragos de Itaipu na época da ditadura militar. O que está em jogo – destaca a reportagem — é a inundação total de 1.368 quilômetros quadrados de floresta virgem, uma área quase do tamanho da cidade de São Paulo, equivalente a duas vezes e meia a inundação que será causada pela hidrelétrica de Belo Monte, em construção no rio Xingu, também no Pará. A obra atingiria ainda populações indígenas.

 

Pescadores do Rio de Janeiro a caminho da extinção


Por Mario Osava
"Meus filhos serão qualquer coisa, mas jamais pescadores", afirmou o mais jovem dos dirigentes da Associação de Homens e Mulheres do Mar (Ahomar), o brasileiro Maicon Alexandre, de 32 anos, destacando a opinião compartilhada por seus companheiros. Um dos que coincidem com ele é Alexandre Anderson de Souza, que vive mais intensamente o drama. É que, além de ter maior responsabilidade pelo destino de seu povo pescador, sua vida pende por um fio bastante frágil.

Anderson, de 41 anos e líder do que pode ser a última geração de pescadores artesanais da Baía de Guanabara, foi alvo de vários atentados e ameaças de morte, e agora vive com escolta permanente de dois policiais militares, mobilizados por um serviço oficial de proteção impactado pela quantidade de conflitos que se tenta resolver a tiros por todo o Brasil. Esse risco nada tem de abstrato. Desde 2009, foram assassinados quatro membros da Ahomar próximos a Anderson.

Conselho de Enfermagem do Rio entrará com ação civil defendendo direito das gestantes a decidirem sobre seus partos


doulaO Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ) anunciou que irá entrar com ação civil pública contra as resoluções 265 e 266/2012 do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) que proíbem a participação de médicos obstetras em partos domiciliares e a presença das obstetrizes (profissionais da área de saúde que acompanham as gestantes no pré-natal, parto e pós-parto), doulas (acompanhantes) ou parteiras em ambientes hospitalares.