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Em “presidencialismo sem presidente”, Congresso tem que ter “agenda própria”, diz Renan

Pública - qui, 23/05/2019 - 17:58

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) sempre esteve do lado certo, na hora certa. Sua habilidade de antecipar cenários, reconhecida pela classe política, garantiu sua manutenção no Congresso Nacional por seis mandatos — dois na Câmara e quatro no Senado. Ele é um sobrevivente da onda de renovação das eleições de 2018 e um dos últimos caciques da sua geração no Parlamento.

Desde a era Collor, quando atuou como líder de governo na Câmara, Renan foi aliado de todos os presidentes, mas pulou do barco quando eles começaram a afundar, caso de Collor, Dilma e Temer. Com o governo Bolsonaro não tem sido diferente. Renan iniciou o mandato demonstrando simpatia ao governo e agora se apresenta como oposição.

O senador recebeu a reportagem da Agência Pública na última quarta-feira em seu gabinete em Brasília. Foi uma conversa de quase duas horas e quatro cafezinhos. Para o senador, o futuro do mandato de Bolsonaro vai depender de como serão as manifestações pró-governo marcadas para domingo. “Se ele conseguir nessas circunstâncias colocar muita gente na rua, ele vai aprofundar o desgaste dos poderes e das instituições. Se não conseguir, ele vai se desgastar ainda mais”, observa. Na sua avaliação o governo perdeu a densidade política e está envelhecido, apesar de jovem. “O fato da economia não retomar o aumento da atividade só complica, o empobrecimento da população é visto por todos no dia a dia, o desemprego superficial e as pessoas perderam o que havia de esperança”, acrescentou.

Calheiros reconhece que seu partido tem responsabilidade na profunda crise que vive o país e confessa que Dilma errou ao deixar o MDB colocar as cartas de seu governo, indicando Temer na articulação política. “Acabou ela própria atentando contra o seu governo”, ressaltou. Derrotado à reeleição para a presidência do Senado, ele afirma estar aliviado por não estar no cargo. “Eu estaria no olho do furacão”.

Marcelo Camargo/Agência BrasilRenan Calheiros: “o presidente parece pouco informado, demonstra inaptidão para o exercício do cargo e enfatiza sempre que não gosta e não sabe conversar”

Senador, levando em consideração a sua experiência política, eu gostaria que o senhor fizesse uma análise do momento político do país.

Eu acho que a eleição inesperada do Jair Bolsonaro foi uma resposta à criminalização da política, levada a cabo pelo consórcio comandado pelo Ministério Público Federal. Com o desgaste radical da política, com o enfraquecimento da representação, nós tivemos uma resposta que foi essa eleição. No mundo todo onde esse fenômeno aconteceu, nós vimos praticamente a mesma coisa. Candidato de direita com discurso radicalizado, insuflando ódio e a divisão da sociedade que tem um nicho de votos que vai para o segundo turno e capitaliza no segundo turno um desgaste da política como um todo.

Na sua avaliação, quem são os responsáveis pela eleição de um presidente de extrema-direita?

Eu acho que nós tivemos um acúmulo de erros, que não se fez a reforma política e isso envenenou irreversivelmente esse cenário, o cenário político eleitoral. Então o Bolsonaro, ele acabou enfrentando a política. Houve uma inversão aqui no Brasil, uma característica local. Ele enfrentou a política no primeiro turno e no segundo turno juntou os cacos para derrotar o petismo. Não participou dos debates, teve o fato da facada, quer dizer, ele se colocou acima do próprio processo o tempo todo.

Agora, o inusitado é esse violento desgaste há cinco meses da posse. É algo nunca visto no Brasil. O governo rapidamente envelheceu e tem perdido densidade política. O fato da economia não retomar o aumento da atividade só complica, o empobrecimento da população é visto por todos no dia a dia, o desemprego superficial, e as pessoas perderam o que havia de esperança.

Existe hoje a possibilidade de um impeachment contra Jair Bolsonaro?

Muito cedo para fazer uma projeção sobre o que vai acontecer. Eu entendo que essa manifestação de domingo é determinante disso. Porque não se faz mais manifestação pró-governo. Nesse cenário econômico-social, ele conseguir fazer isso no Brasil, é algo que tem que se estudar a parte.

E se for um fracasso?

Se tiver gente ela [a manifestação] indicará saídas e se for um fracasso também. Por isso será determinante pelo inusitado que ela significa.

Já existe alguma articulação no Congresso pró-impeachment?

Acho que ninguém ainda se debruçou sobre essa hipótese porque o país tem uma história acidentada do ponto de vista institucional, político.

Qual é o sentimento em relação ao Mourão?

Isso não está posto. Nós teremos, a depender dessa conjuntura, dessa correlação, saídas variadas. O Mourão é uma delas, mas há muitas perguntas a serem respondidas. Você também não o conhece muito. Ele teve um papel na campanha, está tendo outro agora, no contraponto ao governo. É preciso que as pessoas que foram chamadas a esse momento político conversem mais, se conheçam mais. Eu acho que só assim você redireciona o país. Não está fácil, está muito difícil.

Na sua avaliação, qual seria a saída para o Brasil voltar a ter estabilidade política e voltar a crescer?

Em uma circunstância normal, a saída seria conversar, conversar, conversar. Nessa [a circunstância atual], é mais difícil porque parece que nós estamos convivendo com o que há de pior no sistema presidencialista que é um presidencialismo sem presidente porque o presidente parece pouco informado, demonstra inaptidão para o exercício do cargo e enfatiza sempre que não gosta e não sabe conversar.

E qual o papel do Congresso Nacional para tirar o país da crise?

Se essa convivência não evoluir, eu não tenho dúvida de que o Congresso vai ter que ter uma agenda própria, de reformas, de avanços no enfrentamento da insegurança jurídica, na desburocratização, na mudança desse sistema tributário que é anacrônico. Só com essas reformas que você vai devolver a competitividade da economia. Aguardar que isso se faça por influência do governo, ninguém acredita mais. Então, na continuidade desse cenário, o Congresso vai ter que ter agenda própria e aí o inusitado, porque quem se elege para ter agenda é o Presidente da República. A população atribui aos parlamentares outros papéis.

Como o senhor analisa o texto compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro a amigos via WhatsApp, que diz que o país é ingovernável sem conchavos?

Acho que o governo cria crise diariamente. A postagem no WhatsApp foi mais uma crise que o governo criou. Isso aí é um método. Na medida em que não consegue dar respostas em nenhuma área, o governo saca essa inevitável divisão da sociedade e repõe a agenda da campanha eleitoral. Só que o Brasil está enchendo o saco com isso. O país está enchendo o saco porque não é economia em retração, estamos chegando perto da depressão, desemprego nunca visto, empobrecimento das pessoas, é complicado.

Depois das eleições do Senado, o presidente ou alguém do governo te procurou para conversar?

Nós sempre conversamos com alguns setores. Conversei algumas vezes com o Paulo Guedes. Inclusive, essa semana. Ele parece bem intencionado. O problema é que o calendário dele é diferente do calendário do presidente e do calendário do país.

Ele te procurou? O que vocês conversaram?

Nós conversamos. Eu já o conhecia antes, mas com o governo, com o núcleo político, é mais difícil conversar. Hoje mesmo havia um convite para o café da manhã da bancada do Norte e Nordeste com o presidente, mas as pessoas ficam pouco à vontade para comparecer à eventos desta ordem.

O senhor não foi?

Eu não fui. Eu e outros.

A gente vê hoje insatisfação com o governo mesmo dentro de setores que o apoiaram, como os empresários e militares. Quem ainda está do lado do presidente Jair Bolsonaro?

Ele tem um nicho de apoio na sociedade, você percebe isso nas redes sociais e tentou montar um governo sobre os militares. São essas questões que você não sabe ainda para onde vão, né? Porque se por um lado você tem um governo que parece militar, por outro você não tem um regime a sustentá-lo como tivemos antes. E o fato de o presidente não ter uma agenda, não ter uma estratégia de desenvolvimento, defesa do interesse nacional, isso dificulta tudo e a cada dia o coloca aquém da nação. Por outro lado, nós temos um quadro partidário pulverizado. Existe no Congresso Nacional mais de trinta partidos em funcionamento. Isso também dificulta a governabilidade. O presidente criminaliza a política esquecendo que ele próprio é parlamentar há 28 anos. Se você somar os anos dele no parlamento, com o exercício de mandato de pessoas na sua casa — três filhos e a ex-mulher — eles terão passados juntos mais de 50 anos na política sem que nada de diferente, de extraordinário, tivessem feito no país.

O senhor tem conversado com empresários? Como o senhor percebe o sentimento deles em relação ao governo?

O empresário não conhecia o Bolsonaro. O Bolsonaro foi apresentado como alternativa à política nacional. Eu ouço que muitos estão decepcionados, mas vamos ver para onde vai essa manifestação convocada para o domingo. Acho que ela é o divisor, o ponto central. Se ele conseguir nessas circunstâncias colocar muita gente na rua, ele vai aprofundar o desgaste dos poderes e das instituições, se não conseguir, ele vai se desgastar ainda mais. Para um lado ou para o outro você tem várias alternativas, mas acho que a questão central é essa.

Mas o senhor acha então que as saídas são: renúncia, golpe ou impeachment?

Ou é renúncia, ou golpe, ou impeachment, pode apostar, que são apostas, apostas sem muito embasamento enfático ainda. Não acredito que ele seja um Getúlio, um Jânio. Eu vejo é semelhança dos processos. Acho que eles ficaram apavorados a partir das investigações, da suposição das ligações com as milícias e na política não adianta, você tem que garantir a transparência. O homem público instado a entregar o seu sigilo, ele tem que fazê-lo imediatamente, não deixar dúvidas de que ele é que tem mais necessidade de que as coisas se esclareçam. Você não pode fazer o movimento para dificultar luz naquilo que você faz, não pode, porque eles estão agindo mal. Quando ficou claro que havia uma perseguição contra mim, defendi a Lava Jato, mas condenei os excessos do Ministério Público e do Moro. Denunciei, fiz petições, questionei no Ministério Público Federal, fiz discurso, reclamei. Acho que é isso que tem que se fazer. Você não pode, por exemplo, pretender fazer uma manifestação para inibir o Ministério Público, para amedrontar uma investigação. Acho que isso não faz bem para democracia.

E como o senhor avalia a atuação dos militares no governo?

O bolsonarismo parece não ter quadros administrativos e políticos e ele, com a participação dos militares, tenta suprir essa deficiência técnica. Isso é o lado bom. O lado ruim é essa tentativa de sustentação nos militares porque ela se coloca acima da Constituição.

Qual sua avaliação dos ministros do presidente Jair Bolsonaro?

O ministério é ruim. Nós temos ministros bem postos. Um deles é esse ministro de Infraestrutura, o Tarcísio, esse é um bom ministro. Nós já o conhecíamos, ele conhece a pasta, quer fazer, tem capacidade de articulação. O outro é o Paulo Guedes que, para além do que ele pensa e quer para o Brasil, é bem intencionado e civilizado. Quando não houver mais o Paulo Guedes aí definitivamente teremos perdido o elo do governo com a civilização para além de qualquer resultado na economia, mas pelo menos ele é uma pessoa que conversa, que ouve. O Fernando Henrique quando ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco, dedicava uma grande parte do seu dia para afinar o seu pensamento econômico com o do presidente. Se o Paulo Guedes fizer isso, ele estará acertando um pouco. Porque se ele não afinar o que fazer com o Bolsonaro, quem vai conseguir fazer isso?

Durante as eleições, além do PSL, outros partidos pregaram o discurso da ‘nova política’. Tem alguém fazendo ‘nova política’ no Congresso, Senador?

Esse é um outro ensinamento desses meses. A nova política já parece balzaquiana. Houve uma enorme confusão de velha política com nova política, mas não há nova e velha. O que há é boa e má política. Quando você deixa de fazer política não é que você está adotando uma nova prática, você estará fazendo uma opção pelo vazio político que é ruim. O Congresso fortaleceu o Ministério Público, garantiu a sua autonomia, definiu os recursos, disponibilizou uma legislação para o enfrentamento do crime e da corrupção. O Brasil foi um dos países que mais avançou nessa área. Nós temos essas investigações porque o Congresso criou condições para isso tudo.

Qual é seu posicionamento em relação à Reforma da Previdência, a favor ou contra?

A Previdência precisa ser reformada. Depois da Constituinte nós já fizemos oito reformas da previdência. Ela tem que ser continuada, permanente, porque você hoje tem critérios até técnicos, populacionais, que obrigam a você fazer ajuste sempre. O que eu não defendo é que se faça uma reforma da previdência, se pretenda com ela [economizar] um trilhão e duzentos bilhões de reais, e colocar essa conta nas costas dos mais pobres.

O senhor então é contra a proposta que está tramitando?

Eu sou contra muitas coisas que a proposta contempla. Algumas que é consenso serão retiradas, outras é preciso de uma discussão maior, mas a proposta ainda está tramitando na Câmara dos Deputados e só no segundo semestre virá para o Senado Federal. A prudência recomenda aguardar.

A falta de articulação política da presidente Dilma Rousseff com o Congresso foi muito criticada e é apontada como uma das causas do seu impeachment. Qual relação o senhor faz com a falta de articulação com o Parlamento do governo Jair Bolsonaro?

Acho que o que agravou o governo da presidente Dilma foi que em determinado momento ela procurou uma solução no MDB e havia um conflito de interesses que meses depois foi demonstrado. Quando a presidente Dilma colocou o presidente Michel Temer como coordenador político do governo, colocou o MDB para dar as cartas, acabou ela própria atentando contra o seu governo porque colocou no Planalto um presidente da república. Como o governo se desgastou muito, perdeu densidade, perdeu apoio popular, ela enfrentou esses problemas todos. Eu era presidente do Senado e do Congresso Nacional. Em todos os momentos eu procurei ajudar, conduzir com isenção.

Mas o senhor votou a favor do impeachment.

Eu votei porque eu era o presidente da Casa e o presidente precisa nas suas manifestações representar sempre a maioria que o sustenta em contrapartida. Eu defendi a elegibilidade dela, por isso ela pôde ser candidata ao Senado por Minas Gerais e aprovamos isso com a minha defesa no próprio dia da votação do impeachment.

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilRenan Calheiros: “O Lula foi o maior presidente de todos os tempos e qualquer momento que puder ser candidato um dia, certamente ele vai ganhar a eleição”

Qual era o projeto do MDB pós-impeachment da presidente Dilma Rousseff?

A presidência do Michel Temer era uma oportunidade para ampliar e aquecer, atualizar o MDB, mas o que aconteceu nas urnas foi o contrário. O partido foi reduzido à metade e nós colhemos as derrotas dos nossos principais dirigentes. Aqui no Senado Federal, por exemplo, onde o MDB tinha maioria, só oito senadores se reelegeram. Destes, três do MDB, os demais foram derrotados, numa clara demonstração de final de ciclo. Então, o MDB acabou perdendo uma grande oportunidade de continuar sendo um grande partido do Brasil.

O senhor reconhece que o MDB tem responsabilidade na situação política atual do país? O partido já fez a autocrítica?

Tem. O MDB fará convenção em setembro, é uma nova oportunidade para renovação, para agregar novos quadros, para definir programas, bandeiras.

O ex-deputado Eduardo Cunha ainda tem influência dentro do MDB?

Eu não gostaria de tratar dessas questões porque eu não tenho uma boa relação com alguns, mas eu enxergo como única saída para o MDB a renovação da sua direção [hoje nas mãos do ex-senador Romero Jucá]. Só atraindo novos quadros, mudando direção, oxigenando partido, nós vamos voltar a cumprir o papel que o MDB sempre cumpriu.

E qual é o posicionamento do MDB em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro?

O MDB está dividido e com uma direção biônica porque o presidente do MDB ele é presidente em exercício, foi sempre um bom parlamentar, um parlamentar operoso, mas não agrega as várias correntes do partido. O partido é grande porque tem múltiplas correntes. O Romero tem sempre o pensamento político dele muito mais próximo do sistema financeiro do que do país. Isso atrapalha demais o MDB.

Senador, no início do governo o senhor estava com um posicionamento mais brando em relação ao governo, diferente do atual, de duras e frequentes críticas. A eleição do senado que te fez ir para a oposição?

O processo eleitoral, o presidente não é presidente da oposição ou do governo, ele precisa ter uma convivência com todos os lados, então, assim, o governo estava começando também. Ainda não era prudente você tratar objetivamente das questões que ainda não estavam postas.

O senhor voltaria a se candidatar à presidência do Senado?

Eu já fui quatro vezes presidente do Senado. Participei de muitos avanços e quero neste novo mandato colaborar com o país, mas na planície ali no Senado. Não tenho mais essa prioridade, não. Quero ajudar de outra forma. Como fui candidato à Presidência do Senado agora e não ganhamos, me sinto aliviado com isso. Eu estaria no olho do furacão. Como houve muito problema, eles abriram voto, teve traição de toda ordem, eu não quis. Passando dois dias sem que houvesse a eleição, eles tentando mudar o regimento na própria sessão preparatória, quando nós conseguimos fazer a eleição, eles colocaram mais um voto para anular a eleição e anularam. As pessoas já cansadas, indo embora, resolvi sair porque para mim não valeria ser presidente a qualquer custo.

E as investigações contra o senhor, senador? O senhor respondia a 25 processos, foram arquivados 13…

Ontem o Supremo Tribunal federal arquivou a décima terceira acusação contra mim. Eles não conseguiram me colocar como réu da Lava Jato, mas me investigavam por tudo, desdobravam investigações, repetiam objetos. Se investigou muita gente com culpa e acabou fazendo-se investigações de muita gente que não tinha nada a ver com a história. Mas isso pouco significava porque o objetivo era a criminalização da política como um todo.

Ao longo da sua carreira política, quais os principais erros e acertos, senador?

Acho que do ponto de vista do país o fato de não termos feito uma profunda reforma política ajudou a trincar a representação como um todo. Porque o prestígio da política foi colocado ao rés do chão. Nunca uma eleição teve a política com tão pouco prestígio como essa eleição de 2018. Acho que se tivéssemos feito uma reforma política e definido antecipadamente a modalidade e financiamento garantindo a transparência que o modelo anterior não possibilitava, não teríamos chegado a esse patamar de desgaste e indisposição. Acho que o Brasil fez muita coisa nesses anos de democracia, nós consagramos avanços em todas as áreas. Na área econômica tivemos a estabilização da economia, o país voltou a crescer, tivemos avanços sociais. Enfim, quase fomos a sexta economia do mundo.

O senhor tem visitado o ex-presidente Lula (PT)? E o ex-presidente Michel Temer (MDB)? O senhor tem falado com eles?

Conversei com o Lula antes da eleição, estou aguardando para conversar novamente, tenho muito respeito pelo Lula. O Temer eu conversei também. Eu conversei por causa da questão da eleição para presidência do Senado e condenei o exagero da sua prisão provisória, coisa excessiva, constrangedora, prender para investigar. O próprio processo penal já significa uma condenação e a extrapolação com relação a isso, as medidas cautelares, nas prisões injustificadas isso só faz mal ao estado de direito, mas apesar das divergências, me coloquei dessa forma. Com relação ao Lula, sempre fui contra desde que eu estava na Presidência quando ficou claro que o objetivo da Lava Lato era tornar o Lula inelegível pelo que ele significava para o país, pelo grande governo que fez, pelos avanços que possibilitou ao Brasil. O Lula foi o maior presidente de todos os tempos e qualquer momento que puder ser candidato um dia, certamente ele vai ganhar a eleição e voltar à Presidência da República.

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Mujeres en puestos directivos aumentan rendimiento empresarial

IPS español - qui, 23/05/2019 - 17:45

Nelia Fernández es la primera gerente en una compañía minera en Kalimantán, Indonesia. Crédito: Kevin Cassidy/OIT

Por Corresponsal Fao
GINEBRA, May 23 2019 (IPS)

Las empresas en las que se fomenta la diversidad de género, en particular a nivel directivo, obtienen mejores resultados y aumentan notablemente su beneficio, según un nuevo informe de la Oficina de Actividades para los Empleadores  de la Organización Internacional del Trabajo (OIT). 

En el informe, titulado Las mujeres en la gestión empresarial: Argumentos para un cambio , figuran los resultados de encuestas realizadas en casi 13.000 empresas de 70 países.

Más de 57 por ciento de las empresas participantes señalaron que sus iniciativas a favor de la diversidad de género contribuyen a mejorar su rendimiento empresarial.

En casi tres cuartas partes de las empresas que promovieron la diversidad de género en cargos directivos se registró un aumento de su beneficio de cinco a 20 por ciento, porcentaje que en la mayoría de las empresas osciló entre 10 por ciento y 15 por ciento.

Casi 57 por ciento de las empresas participantes en la encuesta señaló que dicha diversidad contribuyó de igual manera a atraer y retener a profesionales con talento.

Más de 54 por ciento de las empresas manifestaron que constataron mejoras en materia de creatividad, innovación y apertura, y un porcentaje análogo de empresas señaló que la inclusión de género mejoró su reputación; por último, casi 37 por ciento reconoció que dicha inclusión permitió evaluar de forma más eficaz la opinión de sus clientes.

En el informe también se pone de manifiesto que, a escala nacional, el aumento de la integración laboral de la mujer guarda relación directa con el desarrollo del producto interno bruto (PIB). Esa conclusión se apoya en el análisis de datos de 186 países para el período 1991-2017.

“Si bien esperábamos constatar una incidencia favorable de la diversidad de género en el éxito empresarial, los resultados del informe son muy elocuentes,” señala Deborah France-Massin, directora de la Oficina de Actividades para los Empleadores de la OIT, con sede en Ginebra.

“Su relevancia se pone claramente de manifiesto si se tienen en cuenta los esfuerzos que despliegan las empresas en otras esferas para lograr únicamente un dos o tres por ciento de aumento de su beneficio. Las empresas deberían considerar el equilibrio de género una cuestión primordial, no solo un aspecto de recursos humanos”.

En puestos de alta dirección, dicho equilibrio de género corresponde a una cuota de personas de cada sexo que oscila entre 40 y 60 por ciento, al igual que en el caso de la mano de obra general. Según el informe, la diversidad de género redunda en beneficios empresariales si las mujeres ostentan, por lo menos, un 30 por ciento de cargos directivos y de gestión.

Sin embargo, ese objetivo no se cumple en casi 60 por ciento de las empresas, que no pueden aprovechar, en consecuencia, las ventajas que les brindaría esa diversidad.

Por otro lado, puesto que en casi la mitad de las empresas analizadas en la encuesta menos de una tercera parte de las personas contratadas en puestos directivos de base son mujeres, sus cuadros, incluidos los cargos de alta dirección, se ven privados de todo el talento necesario a los efectos de gestión.

Casi tres cuartas partes de las empresas participantes en la encuesta han implantado políticas para fomentar la igualdad de oportunidades, la diversidad y la inclusión; no obstante, de los resultados del informe se desprende que es necesario abundar en medidas específicas que permitan aumentar la visibilidad de la mujer y facilitar su promoción en áreas empresariales estratégicas.

En el informe se determinan asimismo varios factores clave que dificultan el acceso de la mujer a puestos de toma de decisiones.

La cultura empresarial, que por lo general exige disponibilidad “en todo momento y en cualquier lugar”, afecta de forma desproporcionada a la mujer, habida cuenta de sus responsabilidades domésticas y familiares, de ahí que sea necesario hacer hincapié en políticas que fomenten la inclusión y la conciliación del trabajo con la vida personal (tanto en el caso del hombre como en el de la mujer), en particular en materia de horarios de trabajo flexibles y licencia de paternidad.

Cabe destacar asimismo el fenómeno de la “tubería con fugas”, en virtud del cual la proporción de mujeres que desempeñan cargos directivos en la empresa es cada vez menor a medida que se asciende en la jerarquía de gestión.

El concepto de “muro de cristal” se refiere a los obstáculos que ha de superar la mujer en puestos directivos, en particular al desempeñar funciones de recursos humanos, finanzas y administración, consideradas menos estratégicas y, por lo general, menos proclives a facilitar una promoción que permita ocupar un puesto de dirección ejecutiva o formar parte de un consejo de administración.

Menos de una tercera parte de las empresas participantes en la encuesta han alcanzado el umbral crítico de contar con un consejo de administración integrado, por lo menos, por un 33 por ciento de mujeres. Alrededor de una empresa de cada ocho señaló que su consejo de administración seguía integrado exclusivamente por hombres. El director ejecutivo de más del 78 por ciento de las empresas participantes en la encuesta es hombre, y solo es mujer, por lo general, en el caso de pequeñas empresas.

“La promoción de la mujer en puestos directivos está plenamente justificado”, señala  France-Massin.

“Habida cuenta de la escasez de personal cualificado en la actualidad, las mujeres constituyen una formidable reserva de talento que las empresas no aprovechan suficientemente”, añade.

Para la funcionaria de la OIT, “las empresas que deseen lograr avances económicos a escala mundial deberían promover la diversidad de género como elemento clave de su estrategia”.

“Las organizaciones empresariales, organizaciones de empleadores y asociaciones profesionales pertinentes deben asumir el liderazgo abogando por políticas eficaces, incluida la aplicación pertinente de las mismas”, plantea.

Este artículo fue publicado originalmente por la Organización Internacional del Trabajo (OIT). IPS-Inter Press Service lo reproduce por acuerdo especial con la Oficina de la OIT en América Latina y el Caribe, con sede en Lima.

RV: EG

El artículo Mujeres en puestos directivos aumentan rendimiento empresarial fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Cristina Fernández da un paso (atrás) y sacude Argentina

IPS español - qui, 23/05/2019 - 15:47

Cristina Fernández, al salir el 21 de mayo de los Tribunales en Buenos Aires, donde comenzó a ser juzgada bajo la acusación de haber liderado una asociación ilícita que defraudó al Estado argentino 1.000 millones de dólares. La expresidenta tiene otros 10 procesos abiertos y varias investigaciones más por corrupción. Crédito: Pepe Mateos/IPS

Por Daniel Gutman
BUENOS AIRES, May 23 2019 (IPS)

Son pocos los argentinos indiferentes ante Cristina Fernández: la mayoría la quiere o no la soporta. Presidenta entre 2007 y 2015, mostró que sigue en el centro de la escena con 72 horas frenéticas, en las que anunció que no será candidata a presidenta, sino a vice, y comenzó a ser juzgada por presunta corrupción.

“Le he pedido a Alberto Fernández que encabece la fórmula que integraremos juntos”, dijo en un sorpresivo video difundido por Twitter el día 18. Inmediatamente, analistas políticos e historiadores buscaron antecedentes en el mundo de un postulante a la vicepresidencia que haya elegido y anunciado a su candidato a presidente, y no al revés. Pero no encontraron ninguno.

Las elecciones presidenciales en la tercera economía de América Latina tendrán lugar el 27 de octubre, en un contexto extremadamente delicado: recesión, deterioro de la moneda local, inflación de más de 50 por ciento anual y un tercio de la población de 44 millones de personas sumergido en la pobreza.“Alberto Fernández no es el jefe político de nadie y no tiene votos propios. Con esta fórmula, Cristina quiere ablandar su oferta electoral y envía el mensaje de que en su (potencial) tercer gobierno el poder estaría más repartido”: Ricardo Rouvier.

Son comicios con resultados imposibles de pronosticar hoy, a los que este anuncio, que despertó interpretaciones diversas, le agregó incertidumbre.

Algunos ni siquiera están convencidos de que el actual presidente, Mauricio Macri –un empresario de 60 años que enfocó su carrera política en mostrarse como la contracara de Cristina Fernández, de 66-, sea candidato a la reelección.

Macri ha asegurado infinidad de veces que se presentará, pero dirigentes de Cambiemos, la gobernante coalición de centroderecha, reclaman su apertura a nuevos sectores políticos y la discusión de la candidatura, debido que el deterioro de la economía durante el último año ha hundido la imagen del presidente.

“La decisión de Cristina es un acto de realismo. Ante una Argentina en emergencia por su situación económica y financiera, y una región donde los populismos retroceden, decidió oxigenar la fórmula poniendo al frente a una figura más moderada”, dijo a IPS el sociólogo y analista de opinión pública Ricardo Rouvier.

La exmandataria de centroizquierda se la cataloga como populista por políticas como el congelamiento de las tarifas de servicios públicos en un contexto de elevada inflación y el otorgamiento de jubilaciones a personas que sin aportes al sistema, lo que según sus críticos fueron la causa del estancamiento económico en su segundo cuatrienio.

Su estilo personal propenso a la confrontación y el avance de las investigaciones por corrupción durante su gobierno hicieron el resto. Así, tiene una imagen negativa que hoy supera 50 por ciento en la mayoría de las encuestas pero que viene en descenso, a medida que crece el descontento con el gobierno de Macri.

“Alberto Fernández no es el jefe político de nadie y no tiene votos propios. Con esta fórmula, Cristina quiere ablandar su oferta electoral y envía el mensaje de que en su (potencial) tercer gobierno el poder estaría más repartido”, consideró Rouvier.

El político, de 60 años, fue el jefe de Gabinete de ministros durante el gobierno del ya fallecido Néstor Kirchner (2003-2007) y el primer año de su sucesora y esposa.

Se fue de mala manera del gobierno en 2008, cuando Cristina, como todos la llaman en Argentina,  inició duros enfrentamientos, que marcarían el resto de su gestión, con las cámaras de productores agropecuarios (de determinante peso económico) y con el Grupo Clarín, la más poderosa corporación de medios de comunicación.

El presidente Mauricio Macri durante la inauguración de una obra en Buenos Aires este mes, con la que trata de contrarrestar su imagen negativa por la crisis económica y social argentina. Macri asegura que será candidato a la reelección en octubre, aunque dirigentes de Cambiemos, la coalición gobernante le piden que desista, por el temor de que les conduzca a la derrota. Crédito: Presisdencia de la Nación

Fernández tuvo desde entonces severas críticas para Cristina, mientras desde un programa de la TV estatal que realizaba propaganda oficialista se lo descalificaba, como supuesto “lobbista” del sector rural y el Grupo Clarín.

Ese pasado reciente es ahora visto como un activo por quienes rodean a Cristina.

“Al elegir a un hombre que ha sido crítico de ella, Cristina demuestra apertura tanto de cara a la sociedad como a los factores de poder permanente, con los que Alberto tiene buen diálogo y ella no habla hace años”, dijo Graciana Peñafort, redactora de la ley de medios de comunicación con la que Cristina buscó en 2009 limitar el poder del Grupo Clarín.

“Ella comprendió que su figura es un obstáculo para ciertos sectores. Y quiere ganar la elección”, agregó a IPS quien ejerce como abogada de Cristina en algunas de las múltiples causas en la que está imputada, que se han traducido hasta ahora en 11 procesamientos.

Peñafort rechazó que exista un vínculo entre el anuncio y el comienzo, el martes 21, del primer juicio oral y público contra la expresidenta, de las 11 procesos  ya abiertos en su contra por presunta corrupción. Para algunos analistas, en cambio, lo que Cristina buscó fue quitar lo más posible el foco sobre ese frente

En el juicio en marcha se la acusa de haber liderado una asociación ilícita, integrada por funcionarios de su gobierno, que habría defraudado al Estado en 1.000 millones de dólares, a través de la adjudicación de obras públicas.

Un rato antes de sentarse a escuchar la acusación, Cristina denunció –por Twitter, ya que no habla con la prensa- ser víctima de una persecución política “que pretende distraer a los argentinos y argentinos de la dramática situación que vive nuestro país y nuestro pueblo”.

El abogado Andrés Gil Domínguez explicó a IPS que la expresidenta tiene inmunidad en materia de arresto en su calidad de actual senadora, siempre y cuando sus pares en la Cámara Alta no le retiren los fueros, y mantendrá ese privilegio si es elegida vicepresidenta, a menos que sea sometida a juicio político.

“A diferencia de otros países, como por ejemplo Brasil, donde Lula (el expresidente Luiz Inácio Lula da Silva) no pudo ser candidato en 2018, en la Argentina no existe impedimentos para la participación política de los procesados o condenados”, dijo este director del Instituto de Derecho Constitucional del Colegio Público de Abogados de la Capital Federal.

Para Gil Domínguez, “el juicio oral y público es positivo porque permitirá que sean expuestas todas las pruebas contra la expresidenta y se la condene o la absuelva, aunque la sociedad argentina está tan polarizada que la mayoría ya tiene una opinión formada sobre si Cristina es culpable o inocente”.

Justamente al día siguiente del inicio del juicio se difundió una encuesta electoral de la consultora Raúl Aragón & Asociados que puso en el primer lugar a la fórmula Fernández-Fernández, a pesar de que 37 por ciento de los consultados cree que la expresidenta es culpable de los delitos de los que se la acusan, contra solo 27 que entiende que se inocente.

Con su decisión, Cristina aseguró que aspira a reunificar al peronismo, dividido tras la brutal crisis económica social y política de 2001. A ello contribuyó el matrimonio Kirchner, que desdeñó a su corriente oficial y estableció su propio partido, el Frente de la Victoria.

Dentro del movimiento político que fundó hace más de 70 años por el general Juan Domingo Perón y que ha gobernado más de la mitad del último medio siglo, hay importantes dirigentes que estaban trabajando para armar una fórmula que representara a los argentinos que no quieren la continuidad de Macri y tampoco la vuelta de Cristina.

Ahora, nadie sabe qué escenario quedará definido el 22 de junio, que es el día en que deben presentarse formalmente las candidaturas de los partidos y alianzas electorales.

Después, todas las candidaturas deberán someterse a Primarias Abiertas Simultáneas y Obligatorias, el 11 de agosto, un imperativo legal en Argentina, donde los principales aspirantes no suelen contar con competidores internos, pero que resultan una medición decisiva de los apoyos ciudadanos.

Pocos, de todas maneras, creen que Macri, líder de una gestión que en lo económico fracasó, tenga alguna posibilidad de ser reelecto si la candidatura de Alberto Fernández es prenda de unidad del principal espacio opositor.

Edición: Estrella Gutiérrez

 

El artículo Cristina Fernández da un paso (atrás) y sacude Argentina fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Eles também são vítimas do Exército

Pública - qui, 23/05/2019 - 14:52

“De repente chegou o Exército atirando, eu só ouvi quando meu marido gritou e falou: Daiana, corre, se esconde. Eu fui pra trás dos carros que tavam na oficina, e ouvi muito tiro, muito mesmo, aí eu pensei na hora, eu falei, eles mataram meu marido”, descreve Daiana Horrara, esposa do catador Luciano Macedo, morto por fuzilamento no dia 7 de abril, quando tentava resgatar o músico Evaldo Rosa, cujo carro recebeu 62 tiros. Os soldados atiraram 257 tiros de fuzil. “Veio um homem do Exército, um soldado, veio apontando a arma, falou assim: sai daí, sai daí. E eu falei: pelo amor de Deus, meu marido não é bandido. Ele só foi ajudar. Ele olhou pra minha cara e riu, falou assim: ele é bandido sim, que eu vi ele sair de dentro do carro. Eu fiquei sem saber o que fazer”.

Mais de um mês depois da cena, Daiana ainda está em choque; ao descrever a morte do esposo, chora sem parar. Grávida de sete meses, ela lembra que este seria o primeiro filho do casal: “Ele queria muito uma menina. Deus levou ele sem ele saber que era uma menina. Eles tiraram isso de mim, tiraram isso dele. Destruíram a minha vida”.

Daiana é uma das testemunhas oculares do crime pelo qual doze soldados do Exército estão sendo julgados no Tribunal Militar. São acusados de duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio e omissão de socorro. A primeira audiência ocorreu nesta terça-feira, no Rio. Na sessão, Luciana dos Santos Nogueira, esposa do músico Evaldo Rosa dos Santos, também contou que os soldados debocharam dela quando ela afirmou que o marido não era bandido.

Não se trata de um fato isolado. No dia 9 de Maio, familiares de outras vítimas do Exército, fuzilados durante operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Rio de Janeiro, se reuniram na Casa Pública, em Botafogo, para contar suas histórias de busca por esclarecimentos e Justiça.

Desde 2010, membros do Exército e da Marinha são acusados pela morte de ao menos 34 civis em operações de policiamento, a grande maioria no Rio de Janeiro. Ao longo de oito meses, a Agência Pública levantou e acompanhou a tramitação de diversos casos na Justiça Militar e constatou que nenhum militar foi punido.

Diego Augusto Roger Ferreira tinha 25 anos quando foi alvejado pelas costas também próximo à Vila Militar, em maio de 2018, um ano antes do carro de Evaldo ser fuzilado. Morreu na hora. “Quando aconteceu com o Diego, eles falaram que o Diego já tinha duas passagens”, conta a sua mãe, Ana Cláudia Roger Marcelino, lembrando que o filho teve que prestar trabalhos comunitários quando era menor. “Mas eu quero saber se quando mataram ele, ele estava em ato que provava alguma coisa contrária à conduta dele. Ele não devia nada à Justiça. Aí vai trazer lá o passado dele pra quê? Aí pode matar?”, questiona.

Diego vivia com a avó, Vera Roger Marcelino no bairro de Magalhães Bastos, ao lado da Vila Militar. Naquela noite estava de moto, a um quarteirão da sua casa, quando foi alvejado. Segundo a família, tinha ido buscar gasolina para um primo. Os soldados que o mataram alegaram que ele tentou atropelá-los, e o caso foi arquivado na Justiça Militar por legítima defesa. Agora a família está processando a União e busca reparação na Justiça Civil.

“Meu filho entrou no hospital como bandido, como se tivesse trocado tiro”, revolta-se Irone Santiago, mãe de Vitor Santiago Borges, atingido por dois tiros de fuzil no Complexo da Maré em 12 de fevereiro de 2015. Vitor tinha 27 anos e ficou paraplégico na hora. No entanto, a mãe descobriu que, para a Justiça Militar, Vitor não era tido como vítima, mas como testemunha.

Em vez de investigar os soldados que atiraram contra o carro onde estava Vítor e mais quatro pessoas, o Ministério Público Militar estava investigando o motorista por tentativa de atropelar os soldados. “Então eles alegaram que o meu filho havia furado a blitz. Meu filho não estava dirigindo o carro”, diz Irone. “Aí eu falei não, peraí, e comecei eu mesma a fazer as minhas investigações. Então eles começaram a mudar as versões. Que eles [Vitor e os amigos] estavam bêbados”. Depois de cinco anos lutando por justiça, em 2018 Vitor venceu em primeira instância um processo que condena a União a uma indenização de R$ 950 mil.

AF Rodrigues/Agência PúblicaFamiliares de vítimas do Exército foram entrevistados por Natalia Viana, codiretora da Agência Pública , e Thales Treiger da Defensoria Pública da União

Além da tentativa de criminalizar as vítimas, os relatos apontam que os soldados não prestaram socorro e nem auxílio às famílias. Nenhum soldado foi punido por esses crimes e os familiares seguem buscando respostas.

“Você não acredita né? Porque são pessoas que têm que estar ali pra defender a gente, cuidar da gente, e nem um socorro pra minha mãe deram”, resume Fabíola Rocha Reis, cuja mãe, Raimunda Cláudia, foi alvejada por um tiro que provavelmente partiu do Exército durante a ocupação da Maré. No caso dela, nem houve investigação na Justiça Militar. “É uma dor que é inevitável. Amanhã é o dia das mães, não vou ter minha mãe do meu lado por conta de um erro do Estado. E o ruim é que eles não prestam auxílio pra gente em nada”.

Leia os relatos:

Daiana Horrara, esposa de Luciano Macedo, morto no dia 7 de abril de 2019 em Guadalupe AF Rodrigues/Agência PúblicaDaiana Horrara, esposa de Luciano Macedo, fuzilado quando tentava resgatar o músico Evaldo Rosa, cujo carro recebeu 62 tiros

“Naquele dia, eu e meu marido estávamos indo com o carrinho buscar madeira pra construir o nosso barraco, e a gente sempre cortou caminho ali por dentro da favela. Aí paramos numa lanchonete antes de chegar na saída da favela. Comemos um lanche ali, e levantamos. Aí ouvimos uns tiros. Ele me puxou pra trás do carro e falou ‘te esconde, abaixa aqui’.

Quando parou os tiros ele falou ‘vamos sair daqui’. E a gente ia atravessar a rua. Aí parou o carro dessa viúva [de Evaldo Rosa], da Luciana. Ela desceu do carro gritando: ‘me ajuda, alguém me ajuda!’. E o garotinho chorando, gritando muito. Aí meu marido, que gosta muito de criança, ele pegou e falou assim… Pegou e foi falar pra ela, ‘sai daqui’. Puxou o garoto. Ele foi pro lado do carona do carro, pro lado do músico. O músico ainda olhou pro meu marido e tentou falar e abaixou a cabeça de repente. Aí eu falei assim: ‘Luciano, ele já morreu, sai daí’. Ele: ‘não, eu vou tirar ele daqui’.

De repente chegou o Exército atirando, eu só ouvi quando meu marido gritou e falou: ‘Daiana, corre, se esconde’. Eu fui pra trás dos carros que tavam na oficina, e ouvi muito tiro, muito mesmo, aí eu pensei na hora, eu falei: eles mataram meu marido. Eu gritei: ‘Luciano, vem!’. Quando eu olhei pro lado, ele já tava do meu lado e olhou pra mim com a blusa na mão e falou assim: ‘Daiana, me ajuda, me tira do sol’. E eu peguei, arrastei ele, botei ele no pneu do carro onde eu tava escondida e falei: ‘Luciano, não dorme. Não dorme, não’. Ele falou assim pra mim: ‘me tira do sol’.

Nisso veio um homem do Exército, um soldado, veio apontando a arma, falou assim: ‘sai daí, sai daí!’. E eu falei ‘Pelo amor de Deus, meu marido não é bandido. Ele só foi ajudar’. Ele olhou pra minha cara e riu, falou assim: ele é bandido sim, que eu vi ele sair de dentro do carro. E eu fiquei sem saber o que fazer.

Aí os morador começou a gritar: ‘ele é trabalhador, é trabalhador, é morador’

Saía muito sangue, espirrava muito sangue. Eu arrastei ele pro canto do prédio, ele apertou minha mão e falou assim pra mim: fica calma.

Quando eu ouvi a primeira vez [O Exército] falando isso, que foi um acidente, eu senti uma revolta. Eu vou ser sincera: eles botaram a arma na mão de um bandido pra tirar a vida do meu marido. Eles destruíram a minha vida”.

Vera Lúcia Roger Marcelino, avó de Diego Augusto Roger Ferreira, morto em 12 de maio de 2018 próximo à Vila Militar AF Rodrigues/Agência PúblicaO homicídio de Diego Augusto Roger Ferreira, neto de Vera Lúcia, foi chamado por todos os jornais de “primeira morte provocada por militar durante a intervenção” no Rio de Janeiro

“O acontecimento foi na véspera do dia das mães do ano passado. Faz um não. Meu neto veio do trabalho. Ele trabalhava na Uruguaiana [centro do Rio de Janeiro] de camelô. Ele chegou em casa do trabalho, aí eu estava saindo pra ir no mercado. Aí ele trouxe aquele presentinho de dia das mães. Aí depois que ele foi cortar o cabelo, eu fui no mercado. Quando eu voltei, ele tava conversando com as meninas, já tinha cortado o cabelo. E eu falei: ‘Diego, vai pra dentro agora e vai tomar um banho, né, cê cortou o cabelo’.

Mas aí daqui a pouco perguntei por ele, o meu outro filho mandou ele comprar um óleo pra botar no carro, porque as meninas pediram o carro dele emprestado pra levar aquelas cestas que elas fazem no dia das mães pra vender. Porque ia ser domingo de manhã pra poder levar as cestas.

Aí Diego só foi comprar o óleo, aí quando eles vêem que ele tava de moto, minha filha… Aí eu peguei e falei assim ‘meu Deus, Diego tá demorando muito com esse óleo’.

Aí chegou uma pessoa, uma vizinha, e falou assim: ‘ô Vera, o Diego foi acidentado’. E eu: ‘mas acidentado? Onde foi?’

Em direção da nossa casa né, ele tava vindo já do posto. Aí os soldados que ficam ali, parece que pediu pra ele parar e de repente ele não escutou, porque ele também tinha um problema de audição. Aí eles atiraram.

Aí quando eu chego, não cheguei nem na metade do caminho porque eu passei mal. Aí eu só escutava: ‘não precisa nem ir que já tá morto. Foi só um tiro, só. Um só, um tiro só’.

Não cheguei a ver. Cheguei, já tinha morrido, aí eu tive que voltar porque eu não ia aguentar também ver ele morto ali.

Eles [os militares] não nos procuraram. Até hoje, nada. Foi muito triste, muito triste”.

Leia mais: Os soldados não têm o direito de atirar no meu neto

Irone Santiago, mãe de Vitor Santiago Borges, alvejado em 12 de fevereiro de 2015 no Complexo da Maré AF Rodrigues/Agência PúblicaO filho de Irone Santiago, Vitor Santiago Borges, foi atingido com 2 balas 762 do Exército na Maré e ficou paraplégico e teve uma perna amputada

“No dia doze de fevereiro de 2015, o meu filho saiu de casa pra assistir jogo do Flamengo. E ele tinha combinado com um amigo dele que é sargento da aeronáutica e era a primeira férias dele no Rio. E eles saíram. Então, na volta, pra dentro da favela, que eu moro no complexo de favelas da Maré e o Exército estava ocupando a Maré… Na volta eles foram parados, revistados e prosseguiram. De doze a quinze minutos, eles foram alvejados. Estavam cinco pessoas dentro de um carro branco.

Então, eles alegaram que o meu filho havia furado a blitz. Meu filho não tava dirigindo o carro. Meu filho entrou no hospital como bandido, como se tivesse trocado tiro. Como que ele trocou tiro se uma vez ele foi parado, é revistado e depois diz que trocou tiro?

Eu comecei a fazer as minhas investigações e, assim, claro que morador não quer testemunhar porque eles têm medo, é um medo terrível.

No caso do meu filho, eu fiz todos os papéis. Eu sou mãe, claro, eu fiz papel de detetive, de enfermeira, de médica, advogada… Eu fiz o papel de tudo e fui reunindo todas as provas. Até então, quando eu conheci o doutor João Tancredo, advogado. E foi que o caso do meu filho começou a andar.

Chegaram até a arquivar o caso do meu filho, entendeu? Só que eles tiveram que desarquivar.

Um ano [depois] eu descobri que meu filho só constava [na investigação da Justiça Militar] como testemunha. Nossa, a gente chorou muito…. Poxa, você saber que seu filho levou dois tiros de fuzil 7.62, e eles dizerem, ainda dizer que meu filho era bandido…

E eu consegui provar, sabe, a gente conseguiu botar isso abaixo, porque assim, uma coisa é você dizer que eu sou uma bandida, mas você também precisa provar. Eu não posso falar de você, eu não posso falar de ninguém aqui só porque é morador de favela, e não provar. Porque tudo tem que ser provado. É isso.

A gente nem responsabiliza tanto, esses rapazes [os soldados]. Sabe por quê? Porque eles obedecem uma hierarquia. Quem tinha que estar lá preso é quem deu a ordem pra eles atirarem. Porque eles receberam ordem. Eles não atiraram simplesmente, não. E porque a maioria, também, desses jovens são moradores, são oriundos de favela.

Então, assim, hoje, se eu estou na luta, hoje, se eu estou na militância, é porque eu quero que outras mães sigam o meu exemplo. Não se abaixem, não se curvem”.

Leia mais: O Exército no banco dos réus

Fabíola Rocha Reis, filha de Raimunda Cláudia, morta no dia 14 de abril de 2015 no Complexo da Maré AF Rodrigues/Agência PúblicaA mãe de Fabíola Rocha Reis, Raimunda Cláudia, foi morta durante uma ocupação do complexo da Maré

“O Exército tava fazendo a Pacificação lá na Maré. Eu tava no trabalho, e aí eu recebi uma ligação de que minha mãe tinha sofrido um acidente. Fiquei bem nervosa, pedi pra socorrerem ela, mas não tinha jeito. Minha mãe tava em casa e, no confronto que teve, tinha um comércio de frente à residência. E aí, quando minha mãe foi na janela pra falar com a menina pra fechar a loja, por conta do tiroteio, ela acabou sendo atingida com uma bala na cabeça, ou seja, não teve como socorrer. Foi tudo muito rápido, eu tava no trabalho tive que sair correndo.

O Exército viu o que aconteceu, não prestaram socorro pra minha mãe, não foram perguntar se ela era do tráfico ou não. Porque é indiferente se é cidadão, trabalhador ou alguém que tenha envolvimento… Não deveria ser assim. Eu acho que vida é vida, independente do que cada um faz.

E, assim, você não acredita né? Porque são pessoas que têm que estar ali pra defender a gente, cuidar da gente, e nem um socorro pra minha mãe deram.

Minha irmã na época tinha onze anos, foi quem desceu pra pedir socorro pra minha mãe. Eu cheguei e não tive mais o que fazer. É bem complicado. Essa história já tem quatro anos. E é uma dor que é inevitável. Amanhã é o dia das mães, não vou ter minha mãe do meu lado por conta de um erro do Estado né e, assim, o ruim é que eles não prestam auxílio pra gente em nada. Não querem saber se tem um filho menor, se tem alguém pra cuidar.

Porque hoje eu virei mãe. Tenho 28 anos, tenho uma filha de 14, porque eu não ia largar minha irmã, falar ‘se vira, vai pedir pro Estado te socorrer’, né?

Então eu tenho que me desdobrar em duas, tenho que trabalhar muito mais, tenho que correr muito mais atrás pra poder dar um apoio pra minha irmã, porque se não fosse eu, quem seria?

O Estado foi lá perguntar se ela tinha alguém pra dar comida pra ela, pra levar ela pro colégio? Pra saber se ela tá bem, se quer ir ao médico? Não tenho. Não tem.

São forças que eram pra ser pessoas mais treinadas, que deveriam saber o que fazer, mas é totalmente o contrário. Eles são muito perdidos. Não tem um meio termo de chegar e querer ajudar, de querer né, tá ali presente pra dar alguma força, não. Ou eles chegam lá atirando, realmente é assim, chegam do nada, uma muvucona, e sai da rua, sai da rua, e te empurram e te revistam. É muito triste, porque todo dia é uma coisa diferente, e a gente não vê a mudança para que isso não venha a acontecer novamente.

Teve a minha mãe, teve o filho da Irone, agora teve essa família dos 80 tiros, que, assim, a gente vem tendo dor atrás de dor e não tem mudança para não ter mais dores, evitar novas famílias a sentir essas dores.

É muito triste, é muito dolorido pra quem passa por isso”.

Leia mais: O Exército matou minha mãe e sumiu

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End ‘shame, isolation and segregation’ of fistula sufferers, urges UN reproductive health chief

UN SGDs - qui, 23/05/2019 - 12:36
Although obstetric fistula has largely been eliminated in developed countries, more than two million women and girls still live with the painful and disfiguring condition, according to UN data.
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Reconocimiento del pueblo afrochileno: de la negación al orgullo

IPS español - qui, 23/05/2019 - 12:28

Un grupo de músicos y danzantes afrochilenos de Arica y Parinacota baila en la plaza ante el palacio presidencial de La Moneda, en Santiago de Chile. Crédito: ACNUDH

Por Corresponsal Fao
SANTIAGO, May 23 2019 (IPS)

“Cuando era niña, me alisaba el pelo todos los días”, cuenta Azeneth Báez, evocando sus años de infancia en Arica, en el norte de Chile. “En esa época no teníamos esos alisadores modernos de ahora, así que yo usaba una vieja plancha de ropa. Hacía cualquier cosa para evitar que los otros niños me molestaran”, rememora.

Pero por más que Azeneth lo alisaba, su cabello siempre se volvía a rizar. Lo mismo ocurrió con su identidad afrodescendiente: nada logró impedir que floreciera.

Como Azeneth Báez, otras personas y familias del Valle de Azapa guardaban en secreto sus ceremonias, historias y tradiciones de características únicas. Como afrodescendientes, les unía el hilo invisible de su origen común.

“Empezamos a buscarnos y organizarnos como un movimiento para exigir nuestros derechos”, explica Cristian Báez, quien junto a Azeneth, lidera la organización no gubernamental Lumbanga.

El movimiento enfrentó cuestionamientos y mucho escepticismo. Pero a pesar de todo, estaban decididos a llevar su resistencia cultural al siguiente nivel.

Pasar del desprecio al activismo

Lumbanga Oro Negro son las organizaciones de afrodescendientes más destacadas en el país. Ambas han trabajado en conjunto para promover los derechos de las personas y grupos afrochilenos.

Pero antes, tuvieron que hacerse visibles.

Los activistas guardan en su memoria innumerables viajes a la capital, Santiago –distante a unos 2.000 kilómetros al sur de Arica-, así como reuniones con autoridades, manifestaciones en la calle y negociaciones fallidas.

“Algunos nos decían que no existíamos, otros nos trataban como extranjeros. Les costaba vernos como compatriotas”, recuerda Marta Salgado, líder histórica de Oro Negro.

Cuando era niño, en la escuela, al parlamentario ariqueño Luis Rocafull le enseñaron que no había afrochilenos. “Honrábamos a nuestros héroes nacionales de origen europeo, mientras ignorábamos el rol y las contribuciones que realizaron las comunidades indígenas y afrodescendientes a nuestra historia”, recuerda.

“Hace siglos, muchas personas fueron traídas desde África a esta tierra, contra su voluntad, y resultaron cruciales para la construcción de lo que hoy somos como región”, añade.

Rocafull fue testigo de la lucha de las comunidades y decidió apoyarla, presentando un proyecto de ley para otorgar reconocimiento a los afrochilenos como un pueblo tribal, honrando su cultura y tradiciones.

Tras un largo recorrido en el legislativo Congreso Nacional, la ley fue promulgada el 16 de abril de 2019.

“Celebramos la adopción de esta ley, que a su vez reconoce la labor de las y los defensores afrochilenos para hacerla realidad”, señala Birgit Gerstenberg, representante para América del Sur de la Oficina de Derechos Humanos de la ONU.

Gerstenberg cree que este avance es de especial relevancia en el marco delDecenio Internacional para los Afrodescendientes (2015-2024), que promueve la adopción de medidas concretas para apoyar a este grupo de la población, que suele enfrentar formas múltiples, agravadas o interrelacionadas de discriminación.

“Esta ley es un hito a nivel de reconocimiento -uno de los pilares del Decenio-, y sienta las bases para avanzar en justicia y desarrollo para todas las personas afrodescendientes en Chile”, añade Gerstenberg. “Esperamos que otros países de la región también avancen en esa línea”.

Como defensores de derechos humanos, Marta, Cristian y Azeneth concuerdan en el rol clave que la Oficina de Derechos Humanos de la ONU en América del Sur tuvo en este proceso.

“La Oficina ha sido un aliado estratégico en el marco del Decenio, en nuestros esfuerzos para lograr que las autoridades comprendan y cumplan con sus obligaciones internacionales en materia de no discriminación”, destaca Cristian.

Preocupados por el contexto global, estos activistas subrayan que los derechos humanos son cruciales para toda la sociedad.

“Este avance no solo beneficia a los afrochilenos, sino que es otra contribución de nuestro pueblo a este Chile multicultural. Y como afrochilenos, tenemos un rol especial en luchar contra cualquier forma de discriminación contra hermanos y hermanas afrodescendientes que vienen de otros países en busca de un mejor futuro”, añade.

En este momento feliz, los tres líderes afrochilenos piensan en sus ancestros. Sienten que heredaron de ellos su orgullo, fuerza y persistencia. “Sé que estarían muy contentos por este logro, y de que nunca nos rendimos”, reflexiona Marta.

“Hace tiempo dejé de alisarme el cabello”, añade Azeneth, mientras sonríe. “Mi pelo me recuerda el pueblo orgulloso del que provengo, y ahora pienso que mientras más rizado lo tengo, mejor”.

Este artículo fue publicado originalmente por la Oficina de la Alta Comisionada de las Naciones Unidas para los Derechos Humanos (ACNUDH), con sede en Ginebra. IPS-Inter Press Service lo publicada por un acuerdo general con la Organización de las Naciones Unidas para la redifusión de sus contenidos.

RV: EG

El artículo Reconocimiento del pueblo afrochileno: de la negación al orgullo fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Extinción de especies amenaza salud y alimentación humanas

IPS español - qua, 22/05/2019 - 16:15

El arroz es una de las materias primas básicas del sector alimentario. Crédito: Pixabay

Por Corresponsal Fao
PANAMÁ, May 22 2019 (IPS)

Los restaurantes en las ciudades de todo el mundo ofrecen platillos cada vez más variados, pero la ciencia indica que la dieta global, lo que realmente come la gente, se está homogeneizando.

El arroz, uno de los alimentos básicos más importantes a nivel mundial, ilustra vívidamente esta paradoja: de las 90.000 variedades almacenadas en bancos de genes, solo 40.000 se cultivan, y tal vez en un supermercado habitual no se podrá encontrar más de una docena.

Considerando los efectos de la agricultura intensiva de alto rendimiento, las opciones están destinadas a disminuir drásticamente en el tiempo. Esto es preocupante desde el punto de vista de la sostenibilidad, seguridad alimentaria, biodiversidad y salud.

Nuestros sistemas de alimentación, nutrición, salud, aire limpio, clima y agua dulce dependen de la biodiversidad y de la salud de los ecosistemas, que conforman una red interdependiente de vida animal, vegetal, fúngica y bacteriana.

Por ejemplo, sin polinizadores como las abejas o los murciélagos muchos de los alimentos que conocemos y amamos desaparecerían. El uso inadecuado de pesticidas e insecticidas está expulsando a estas especies de sus hábitats y de las tierras agrícolas.

La última evaluación global de la Plataforma Intergubernamental de Ciencia y Política sobre Biodiversidad y Servicios de los Ecosistemas (IPBES), publicada este mes, muestra que el impacto humano en el mundo natural se acelera a una velocidad sin precedentes. De acuerdo con el reporte, un millón de especies se dirige a la extinción.

“La apropiación sin precedentes de los humanos sobre la Tierra se basa en un conjunto de impulsores demográficos y económicos indirectos que han aumentado de escala y que interactúan entre sí de formas complejas”, indica el informe.

Y no estamos haciendo lo suficiente en términos de política para cambiar las cosas.

“A escala mundial, ha habido poco progreso hacia la eliminación total o gradual de los subsidios perjudiciales para la biodiversidad”, señala el estudio, y pone como ejemplo los precios de materias primas y bienes industriales que a menudo no reflejan los costos ambientales y sociales implicados.

Una dieta diversa es buena para la salud. Crédito: Amila Tennakoon/ Flickr

La industrialización a gran escala ha causado una fragmentación generalizada de los paisajes naturales en todo el mundo. Los hábitats que antes eran continuos ahora están divididos y aislados, lo que ha provocado el declive de algunas especies que no pueden dispersarse para encontrar comida o reproducirse, indica el Informe Fronteras 2018/19 de ONU Medio Ambiente.

Reducción de biodiversidad en el sistema alimentario y las dietas

En los últimos 100 años, más de 90 por ciento de las variedades de cultivos han desaparecido de los campos agrícolas. La mitad de las especies de muchos animales domésticos se ha perdido y los 17 principales bancos pesqueros del mundo se están pescando por encima de sus límites sostenibles. Tales prácticas tienen impactos ambientales, culturales y de salud.

Los sistemas de producción de alimentos localmente variados, que son más resistentes al cambio climático, están bajo amenaza; La agrobiodiversidad está desapareciendo y junto con ella, el conocimiento de la medicina tradicional y los alimentos locales.

“Esto necesita cambiar”, dice Marieta Sakalian, experta en biodiversidad de ONU Medio Ambiente.

“La gestión sostenible de la biodiversidad en los paisajes agrícolas y marinos puede respaldar la transición hacia dietas saludables y patrones de producción y consumo más sostenibles en condiciones climáticas cambiantes”, añade Sakalian.

La pérdida de dietas variadas está directamente relacionada con enfermedades o factores de riesgo para la salud, como diabetes, obesidad y desnutrición, además tiene un impacto directo en la disponibilidad de medicamentos tradicionales.

La Asamblea de la ONU para el Medio Ambiente, en su resolución de marzo de 2019 titulada: Innovación sobre la biodiversidad y degradación de la Tierra, “alienta a los Estados Miembros a fortalecer sus compromisos y redoblar esfuerzos para prevenir la pérdida de biodiversidad biológica y degradación de la tierra y el suelo, a través de su conservación, uso sostenible, implementación de políticas apropiadas y medidas innovadoras, como acuerdos de asociación, transferencia de tecnología mutuamente acordada y mecanismos de financiamiento”.

Además, insta a los gobiernos y a los demás interesados a que tomen en cuenta la biodiversidad en todos los sectores de la sociedad y participen en el proceso de la Conferencia de la ONU sobre Biodiversidad 2020, que se celebrará en Kunming, China.

Este artículo fue originalmente publicado por ONU Medio Ambiente América Latina y el Caribe, con quien IPS-Inter Press Service tiene un acuerdo especial para la difusión de sus materiales.

RV:EG

 

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Feminicidios aumentan en Brasil y reciben nuevos estímulos

IPS español - qua, 22/05/2019 - 13:49

La Ley Maria da Penha, que norma desde 2006 los delitos de violencia contra las mujeres, fue un hito en Brasil en la lucha contra violencia machista dentro y fuera del hogar, el acoso sexual y otros delitos de los que son víctimas las mujeres. Esa ley fue completada por la del Feminicidio, que desde 2015 agrava las penas a los asesinatos por razón de género, al tipificarlos como un “crimen horrendo”. Crédito: Paulo Pinto/PT

Por Mario Osava
RÍO DE JANEIRO, May 22 2019 (IPS)

El primer día de 2019, mientras Jair Bolsonaro asumía la presidencia en Brasil, el año se estrenaba con siete feminicidios y tres intentos frustrados. Unos cuchillos fueron el arma usada en ocho de los casos, con tres sobrevivientes. En otros dos, las mujeres fueron golpeadas hasta la muerte.

Excompañeros que no aceptaban el fin del matrimonio o del noviazgo constituyen la mayoría de los asesinos, en los registros diarios de Jefferson Nascimento, abogado y activista de los Derechos Humanos en São Paulo.

Hasta el 28 de abril, hubo este año un total de 620 intentos de feminicidio, la mayoría consumados, según su monitoreo a partir del noticieros televisivos, informaciones de la prensa y otras fuentes.“Es dramático, se retrocede a la ‘legítima defensa del honor’, que en el pasado fue el argumento para absolver a hombres que asesinaban a mujeres”: Joluzia Batista.

Ese total podría elevarse, porque seguramente hay casos que no trascienden públicamente. Por otro lado no todos los casos con víctimas femeninas son feminicidios o femicidios, que tipifican a los asesinatos de mujeres por su condición de género.

En 2018, por ejemplo, hubo 4.254 homicidios intencionales de mujeres, de los cuales solo 1.173 se tipificaron como feminicidios, según el Monitor de la Violencia del Foro Brasileño de Seguridad Pública (FBSP), que realiza en asociación con el Núcleo de Estudios de Violencia de la Universidad de São Paulo y el portal digital G1, del grupo Globo de comunicación.

Los datos indican que los asesinatos de mujeres cayeron 6,7 por ciento en comparación con el año anterior, algo menos de la reducción de 10,3 por ciento en los homicidios en general (de 63.722 en 2017 para 57.117 en 2018).

Pero, en contraste, los casos de feminicidio aumentaron 12 por ciento.

Esa tendencia se acentuó en este año, a juzgar por los datos del estado de São Paulo, que concentra 21 por ciento de los 209 millones de brasileños, donde los feminicidios subieron de 21 a 37 víctimas, entre el primer trimestre de 2017 y mismo período de este año.

“El principal factor es que las mujeres ya no aceptamos los papeles sociales que nos impone la sociedad patriarcal y machista. Algunos hombres reaccionan con violencia”, señaló a IPS la abogada Silvia Pimentel, profesora de Derecho en la Universidad Católica de São Paulo e integrante del Comité para la Eliminación de la Discriminación contra la Mujer de las Naciones Unidas (Cesaw).

Su temor es que la proliferación de armas, fomentada por el decreto que firmó Bolsonaro el 7 de mayo, convierta en fatal gran parte de la violencia machista que sufren las mujeres en Brasil.

En el estado de São Paulo, por ejemplo, en lo que va de año ocurrieron en promedio 88 agresiones diarias con lesiones corporales en mujeres. “Con más armas en circulación, más mujeres morirán, pues no hay como defenderse de tiros”, lamentó Pimentel.

Flavio Bolsonaro (D), senador e hijo del presidente Jair Bolsonaro, con el expolicía militar Fabricio Queiroz, su asesor cuando era diputado del estado de Río de Janeiro, hasta 2018, investigado por el manejo irregular de los salarios de miembros del equipo del senador y con relaciones con los grupos parapoliciales ilegales que dominan varios barrios cariocas. La afición del presidente y sus hijos por las armas de fuego los llevaría a otros lazos con esas milicias. Crédito: PT

La medida del presidente de extrema derecha amplía el derecho de portar armas de fuego a 19 millones de personas, estimó el Instituto Sou da Paz (soy de paz).

Podrán andar armados los adultos en el medio rural, camioneros, abogados, comerciantes, coleccionadores de armas, agentes públicos de varios sectores e incluso periodistas que cubren actividades policiales.

El derecho a poseer armas en la residencia o local de trabajo ya se había extendido a gran parte de la población, por otro decreto emitido en enero, pero sin facilitar el porte, que gana ahora una amplitud inesperada.

Según muchos juristas y políticos, la pretendida ampliación del porte es inconstitucional y viola el Estatuto del Desarme, una ley vigente en Brasil desde 2003 y que restringe la posesión y el porte de armas.

Gobernadores de 14 estados brasileños, de un total de 27, divulgaron un manifiesto conjunto pidiendo a los poderes Ejecutivo, Legislativo y Judicial la revocación del “decreto de las armas”.

Argumentan que la norma incrementará la cantidad de armas y municiones que caerán en manos criminales y convertirá en tragedias las peleas y discusiones entre ciudadanos.

Además el Ministerio Público Federal (fiscalía general) pidió la suspensión judicial de la medida y por lo menos dos partidos de oposición cuestionaron su constitucionalidad ante el Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro se vio forzado a admitir la revisión de algunos puntos ante la repercusión negativa en distintos sectores.

La Organización de la Aviación Civil Internacional podrá bajar la nota de seguridad de Brasil, ante la posibilidad de que personas armadas sean autorizadas a embarcar en los aviones. En consecuencia compañías aéreas extranjeras podrían suspender sus vuelos a Brasil.

Además las nuevas reglas permiten a civiles la posesión incluso de fusiles semiautomáticos, hasta ahora restringidos al uso militar y policial, constataron  especialistas al ahondar en detalles del decreto. El gobierno niega esa intención en la medida.

“Aun si se revoca el decreto, el mal está hecho”, se ha producido un estímulo a la violencia que se vuelve contra la mujer, evaluó a IPS la socióloga Joluzia Batista, asesora técnica del Centro Feminista de Estudios y Asesoría (CFemea).

El incremento de la violencia de género en el ámbito público se alimentó desde 2013 con posiciones como la del pastor evangélico Marco Feliciano, quien presidió la Comisión de Derechos Humanos de la Cámara de Diputados, “impulsando la intolerancia religiosa y ataques machistas a la libertad de las mujeres, con un discurso moral conservador”, recordó.

Luego la misoginia ganó nuevas fuerzas en 2015 con la Cámara presidida por otro diputado conservador conectado y parte de la llamada “bancada evangélica”,  Eduardo Cunha, quien promovió iniciativas en desmedro de las mujeres hasta ser destituido y preso en 2016 por corrupción.

Con el triunfo electoral de Bolsonaro en octubre de 2018, con propuestas de extrema derecha, “armamentistas”, moralistas en defensa de la familia tradicional y contra la educación sexual escuelas, se consolidó “el inmenso retroceso, sofocando el debate educativo”, subrayó Batista.

Se difundió como positivo un imaginario colectivo de violencias, de “afirmación machista, con el feminicidio como prerrogativa del poder masculino”, acotó.

Para agravar todo eso, el ministro de Justicia, Sergio Moro, famoso como el juez de la gran operación de anticorrupción Lava Jato (autolavado de vehículos), presentó al parlamento un paquete de modificaciones legales que busca fortalecer el combate a la criminalidad, endureciendo las penas y ampliando la protección legal a la policía en sus actividades.

Una de las medidas, que aplica para cualquier ciudadano, amplía el concepto de legítima defensa, reduciendo el castigo o incluso descartándolo a quienes maten a causa de “miedo, sorpresa o violenta emoción”.

Parece destinado a la impunidad de los feminicidios, ya que “violenta emoción” es una alegación usual en esos casos.

“Es dramático, se retrocede a la ‘legítima defensa del honor’, que en el pasado fue el argumento para absolver a hombres que asesinaban a mujeres”, un atenuante que costó muchos años de lucha feminista eliminar, destacó Batista.

En Brasil los varones representan más de 90 por ciento de las víctimas de homicidios. Pero aun así, entre 1980 y 2013 fueron asesinadas 106.093 mujeres, según datos del Sistema de Información de Mortalidad del Ministerio de Salud.

Y son cifras que están en aumento. La cantidad anual se elevó de 1.353 en 1980 a 4.762 en 2013 y el índice pasó de 2,3 víctimas por cada 100.000 mujeres a 4,8, más del doble.

Edición: Estrella Gutiérrez

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Preserving biodiversity vital to reverse tide of climate change, UN stresses on International Day 

UN SGDs - qua, 22/05/2019 - 12:42
The food people eat around the world is becoming “alarmingly homogenous” according to UN data, even though access to a wide variety of nutritious food has never been greater. That warning comes as the world marks the International Day for Biological Diversity on Wednesday, which this year highlights the impact of environmental neglect on food security and public health. 
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“Nós precisamos dar sustentação ao homem que elegemos”

Pública - qua, 22/05/2019 - 12:00

A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) foi direto ao ponto: “Eu peço pra vocês o apoio, principalmente sobre governabilidade. Eu tenho dado minha cara a tapa, às vezes eu falo mais do que eu deveria”, disse à plateia composta principalmente por representantes de entidades de classe do agronegócio. “Vocês têm que cobrar dia e noite”, reforçou.

O apelo da senadora do partido do governo para que o agronegócio pressione os parlamentares da bancada ruralista a trabalhar pela aprovação das reformas e do pacote anticrime do ministro Sergio Moro foi feito na cerimônia de lançamento do Movimento Brasil Verde Amarelo. Composto por 76 associações de produtores rurais de todas as regiões do país, o movimento foi anunciado na AgroBrasília – uma das maiores feiras agropecuárias do país. Entre os apoiadores estavam a Aprosoja (com diversas representações regionais), que reúne os maiores produtores de soja, diversos sindicatos patronais rurais e organizações como a Andaterra, Associação Nacional em Defesa dos Pecuaristas, Agricultores e Produtores Rurais, que “defende os interesses de classe perante três esferas do poder (legislativo, executivo e judiciário)”, segundo o site da entidade.

O movimento foi lançado no dia seguinte às manifestações pela educação, mas já estava sendo articulado por representantes dessas entidades em grupos de WhatsApp desde março. Em 25 de abril, a Andaterra, uma das coordenadoras do movimento, já divulgava em seu site o modelo de camiseta que os produtores deviam usar durante o ato.

Divulgação/AgroBrasíliaLideranças de 76 associações do agronegócio lançaram no último dia 16 de maio o Movimento Brasil Verde e Amarelo

Os representantes do agronegócio saíram na frente em defesa do governo por eles eleito, como lembraram diversos discursos na cerimônia de lançamento, à qual a Pública compareceu. No dia seguinte ao ato na AgroBrasília, o presidente Bolsonaro divulgaria um texto em grupos de WhatsApp em que se dizia impedido de governar por “corporações” que dominariam o país e o Parlamento. O texto atiçou a militância contra o Congresso e o STF – também citado – convocada pelo presidente para uma manifestação no próximo domingo, à qual as entidades se organizam para comparecer e dar apoio em suas regiões de influência. Além de mobilizações de rua, estão previstas manifestações em futuras feiras agropecuárias e eventos do setor, além do lançamento de um site que visa monitorar o posicionamento dos integrantes da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) em relação às reformas e ao pacote anticrime.

Os representantes do agronegócio já estavam preocupados há meses com a dificuldade de aprovar pautas do governo no Congresso. Uma situação que só se agravou, com o Legislativo emitindo sinais de independência. Nesta semana pode ser votado um projeto de reforma tributária próprio – já criticado por Guedes. Um texto de reforma da Previdência diferente da proposta do governo também está sendo cogitado, como anunciou na última sexta-feira o líder da Comissão Especial da Previdência, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), que declarou que o país já vive um “semiparlamentarismo”.

“O nosso papel como produtores, como lideranças, é justamente deflagrar, dar início a um grande movimento nacional que tem hora e tem dia pra começar, que é agora, mas não tem hora pra acabar. Nós só vamos nos desmobilizar quando a última das três reformas quedar-se aprovada pelo Parlamento, sancionada pelo Executivo”, disse um dos articuladores do Movimento Verde Amarelo, Jeferson Rocha, da Andaterra, durante o ato.

E o DEM? Pergunta senadora do PSL

A senadora do PSL, presidente da Comissão de Agricultura do Senado, apelou aos empresários para que se manifestassem junto aos partidos que apoiaram Bolsonaro na campanha e que não estão comprometidos com o governo, citando diretamente o DEM, legenda que abriga boa parte dos ruralistas. “Temos o PSL inteiro, temos o partido Novo dando apoio incondicional para a reforma [da Previdência], aí nós temos o DEM, que é da base do governo, tem três ministérios. Nós demos total apoio para eleger Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre [para a presidência da Câmara e do Senado, respectivamente]. E o DEM votando contra [a reforma da Previdência], um ou outro parlamentar a favor. Cadê a articulação desse partido?”, questionou Soraya Thronicke.

“Deveríamos ter elegido mais candidatos do PSL, que estão com o governo incondicionalmente. Ajudamos a eleger pessoas de outros partidos e coligações, que se utilizaram da imagem do presidente Bolsonaro na hora que era interessante. Cadê esses parlamentares? Vocês estão aqui do Brasil inteiro, em cada estado vocês sabem quem se utilizou da imagem do Bolsonaro. Essa conta tem que ser feita e essa pessoa tem que ser cobrada. Isso é estelionato eleitoral. É mentir”, acusou a senadora.

O superintendente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), Gil Reis, lembrou a plateia de sua força política para chamar os produtores à ação. “Nós precisamos dar sustentação ao homem que nós elegemos. Se não houver reforma, os que têm dinheiro vão mudar daqui. Os que têm conhecimento vão para outro país, onde ganham melhor. Vão ficar os produtores sofrendo aqui. Alguns governantes aqui nós tiramos do poder. O processo é muito simples: um santinho com o nome do político escrito “inimigo do agro” e sai distribuindo. Fizemos isso em vários lugares. Será possível que vocês não entenderam que vocês têm o poder na mão? Pelo amor de Deus, vão às bases. Pegue o deputado que está votando contra a reforma e comece uma campanha contra ele nas bases.”

Reprodução“Precisamos dar sustentação ao homem que elegemos”, afirma Gil Reis, da ABEG Convidados, maioria dos políticos faltou

Apesar do peso econômico e político do setor, os convidados do governo não vieram – os ministros Moro e Guedes mandaram representantes e o secretário da Previdência, Rogério Marinho, que havia confirmado presença, não compareceu. Outros parlamentares foram chamados, mas, além da senadora Soraya, só havia o deputado Giovani Cherini, do Rio Grande do Sul.

Divulgação/AgroBrasíliaÚnica parlamentar da base governista presente ao evento, Soraya Thronicke (PSL-MS) fez uma cobrança direta ao DEM

Expulso do PDT por apoiar o impeachment de Dilma, hoje ele está em um dos partidos do Centrão, o PR. Estranhando a ausência dos colegas parlamentares, seu discurso foi na contramão dos demais ao atribuir ao governo a dificuldade de se articular com o Congresso: “Vieram dois, né? Porque ninguém quer se comprometer”. “Há poucos dias um ministro me disse assim: ‘Deputado, tu que é coordenador da bancada gaúcha, temos que aprovar a reforma da Previdência’. Eu falei: ‘Eu voto. Fui da CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], votei a favor. Voto a favor agora na Comissão Especial, que eu sou membro. Só que esse discurso de vocês, dos técnicos, é um discurso lindo pra quem não entende de política’. Eu perguntei: ‘O senhor tem filhos?’. E ele disse: ‘Tenho’. E eu perguntei: ‘O que o senhor fazia pros seus filhos dormirem?’. Ele disse: ‘Eu cantava no ouvido deles’. E eu falei: ‘O governo tem que aprender a cantar no ouvido das pessoas’. Todo presidente da República precisa dialogar com o Parlamento. ‘Toma lá, dá cá’ é a coisa mais certa que existe na política no Brasil e no mundo, mas não o ‘toma lá, dá cá’ da corrupção”, disse. “Eu fiz 153 mil votos. Eu tenho que dar resposta para a minha Soledade, para a minha Não-Me-Toque, para São Borja, que eu fiz 6 mil votos, eu me elegi pra isso”, disse referindo-se a municípios do Rio Grande do Sul.

A mensagem de Cherini não agradou aos produtores ouvidos pela Pública. “Nós ouvimos aqui um parlamentar dizer que a grande solução é na base do toma lá, dá cá. Isso me deixou até um pouco constrangido em falar alguma coisa. Temos que nos mobilizar e cobrar que nossos representantes deem um pouco de si também, como nós estamos fazendo aqui, estamos deixando nossos afazeres e deslocando essa distância para dar um apoio às mobilizações”, afirmou Cícero José Teixeira, presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães (BA).

Divulgação/AgroBrasíliaMovimento do agronegócio promete mobilização permanente para pressionar o Congresso pela reforma da previdência, tributária e o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro
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Protección de derechos humanos recibe nuevo golpe en la ONU

IPS español - ter, 21/05/2019 - 16:23

Por Thalif Deen
NACIONES UNIDAS, May 21 2019 (IPS)

El mandato de la Organización de las Naciones Unidas (ONU) de promover y proteger los derechos humanos en todo el mundo, que ha pasado a ser socavado por gobiernos nacionalistas de derecha y regímenes autoritarios, ha recibido otro nuevo e importante golpe.

La Oficina de la Alta Comisionada de las Naciones Unidas para los Derechos Humanos (ACNUDH), con sede en Ginebra, informó el 17 de este mes en un comunicado que seis de los 10 órganos de esa máxima instancia en la materia se ven obligados a cancelar sus sesiones este año por razones financieras.

La situación fue descrita como “una consecuencia sin precedentes de que algunos Estados miembros de la ONU retrasen los pagos vencidos a la Organización”, lo que afecta profundamente a la ACNUDH, pese a que su presupuesto representa una mínima parte del presupuesto total del foro mundial.

Anna-Karin Holmlund, abogada principal de la ONU en Amnistía Internacional, dijo a IPS que “está profundamente preocupada por la demora de los estados miembros en el pago de sus contribuciones, lo que tendrá un efecto directo en la capacidad de la ONU para llevar a cabo su vital trabajo de derechos humanos “.

Sin estos fondos, los mecanismos de derechos humanos de la ONU y los tribunales internacionales podrían verse gravemente afectados, advirtió.

Para el 10 de mayo, solo 44 Estados miembros de la ONU, de un total de 193, habían pagado todas las cuotas adeudadas, y Estados Unidos permanecía como el mayor moroso.

“Desafortunadamente, esto es solo lo último en una tendencia preocupante de reducción en el presupuesto de la ONU asignado a sus mecanismos de derechos humanos. Para poner esto en perspectiva, el presupuesto del ACNUDH es solo 3,7 por ciento del total del presupuesto ordinario de la ONU”, subrayó.

Además de la posible cancelación de las sesiones de los órganos vinculados a tratados específicos,  los mecanismos creados por el Consejo de Derechos Humanos, el máximo órgano de la ACNUDH, también podrían verse obstaculizados en sus mandatos.

Se trata de las misiones de investigación y las comisiones de investigación, que monitorean violaciones graves de los derechos humanos en los países, lo que suele crear fricciones con los gobiernos involucrados.

Un mural en Colombia que aboga por la reconciliación, como un acto por las víctimas de derechos humanos. Crédito: Bibiana Moreno/ONU Colombia

La ACNUDH dijo que eso significaba que no se realizarán según lo programado las revisiones ya programadas con los Estados miembros, así como la consideración de las denuncias por parte de víctimas individuales de violaciones graves de derechos humanos, como tortura, asesinatos extrajudiciales, desapariciones forzadas.

“La cancelación de las sesiones también tendrá muchas otras consecuencias negativas y socavará gravemente el sistema de protección que los propios Estados han implementado durante décadas”, dijo un comunicado emitido por la ACNUDH.

Los presidentes de los 10 Comités adscritos a la ACNUDH están muy preocupados por las consecuencias prácticas de cancelar estas sesiones y han enviado una carta al secretario general de la ONU y a la propia alta comisionada, en que solicitan que, junto con los Estados miembros,  exploren como solventar la situación “como una cuestión de urgencia.

Alexandra Patsalides,  oficial del programa de Igualdad Legal en Equality Now (igualdad ahora), una organización internacional de defensa de los derechos de las mujeres y las niñas, dijo a IPS que está profundamente preocupada de que las sesiones de los órganos hayan pospuesto por causas financieras.

Recordó que entre los órganos afectados está el Comité de Expertos de la Convención para Eliminar toda forma de  Discriminación contra la Mujer (CEDAW), con su enfoque en acabar con todos Formas de discriminación de nuevo a mujeres y niñas.Comités de DDHH

Los 10 órganos creados en virtud de tratados de derechos humanos en las Naciones Unidas son: el Comité de Derechos Humanos, el Comité para la Eliminación de la Discriminación Racial, el Comité contra la Tortura, el Comité sobre Trabajadores Migrantes, el Comité sobre Desapariciones Forzadas, el Comité de Derechos Económicos, Sociales y Culturales, el Comité para la Eliminación de toda forma de Discriminación contra la Mujer, el Comité sobre los Derechos del Niño, el Comité sobre los Derechos de las Personas con Discapacidad y el Subcomité de Prevención de la Tortura.

Patsalides destacó que la crisis se produce particularmente en un momento en que los derechos de las mujeres se socavan y erosionan continuamente en todo el mundo, y las organizaciones de la sociedad civil están operando en un espacio que está siendo cada vez más frontalmente atacado y más reducido.

A su juicio, la ONU debería pedir enérgicamente a las partes estatales que prioricen sus obligaciones internacionales de derechos humanos.

“Los órganos de los tratados de la ONU son vitales para responsabilizar a los estados por sus compromisos con los derechos de las mujeres y las niñas, y ahora es el momento de aumentar la respuesta internacional, no de recortarla”, dijo Patsalides.

Estas sesiones de revisión ofrecen a las organizaciones de la sociedad civil una oportunidad determinante para que sus gobiernos rindan cuentas de sus compromisos internacionales de derechos humanos y aumenten la conciencia sobre las violaciones de derechos humanos en sus países.

En particular, con el retroceso en los derechos de las mujeres en todo el mundo, ahora es más urgente que nunca que los diversos mecanismos se levanten para defender las lo ganado con gran esfuerzo, señaló.

“Los órganos de tratados de la ONU son a menudo el único mecanismo para que las mujeres y las niñas hagan que sus países rindan cuentas de las violaciones de sus derechos”, afirmó la integrante de Equality Now.

Insistió en que “no podemos permitir que estas voces sean silenciadas y pedimos a la ONU que priorice la protección de los derechos de las mujeres y las niñas, garantizando r que estos órganos de tratados cuenten con una financiación adecuada y sostenible “.

Época de reveses

Los recortes presupuestarios se producen en un momento en que la ONU está luchando contra una serie de reveses en el campo de los derechos humanos.

La Oficina de Derechos Humanos de la ONU en Burundi se cerró en febrero por exigencia del gobierno de ese país, ante lo que la alta comisionada para los Derechos Humanos, Michelle Bachelet, expresó su “profundo pesar”, al forzarse el fin de 23 años de presencia allí.

Mientras, a fines de marzo la ONU se vio forzada e instar a Eritrea que investigue las denuncias de ejecuciones extrajudiciales cometidas por sus fuerzas de seguridad, incluida la tortura y la esclavitud de cientos de miles, tres años después que una comisión de investigación determinó que se habían producido esos crímenes de lesa humanidad.

Y bajo la administración de Donald Trump, Estados Unidos dejo de cooperar con algunos de los relatores de la ONU, y específicamente una investigación sobre la difícil situación de los migrantes en la frontera con México donde entre otras violencias, algunos han sido agredidos sexualmente, abusos que no han sido denunciados ni procesados.

El gobierno de Myanmar (Birmania) ha prohibido la visita al país de un experto de la ONU para investigar el estado de los refugiados rohinyás .

Sobre Colombia,  Robert Colville, portavoz de la alta comisionada para los Derechos Humanos, dijo el 10 de mayo: “Estamos alarmados por el chocante número de activistas asesinados, acosados o amenazados en Colombia, y el hecho es que esta terrible tendencia parece empeorar”.

“Pedimos a las autoridades que hagan un esfuerzo significativo para enfrentar el patrón de hostigamiento y ataques dirigidos contra los representantes de la sociedad civil y que tomen todas las medidas necesarias para enfrentar la impunidad endémica en torno a estos casos”, añadió.

Apenas en los primeros cuatro meses de este año, señaló, se denunciaron 51  asesinatos de supuestos defensores y activistas de derechos humanos. Una cifra que se suma a la ya alarmante de cifra de 115 defensores de derechos humanos asesinados en 2018, según registros de la oficina en Colombia de ACNUDH.

T: MF

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Mulheres virtuosas

Pública - ter, 21/05/2019 - 12:07
Julia Dolce/Agência PúblicaMarcas de vestido patrocinaram o desfile de noivas da Lagoinha, precedido por uma pregação sobre o papel da mulher

Após longa espera em uma das muitas filas compostas exclusivamente por mulheres, abro minha bolsa para que a moça com um sorriso no rosto e uma lanterninha na mão a vasculhe cuidadosamente. “Ah, amada, celular aqui não entra, você pode descer para guardar no nosso guarda-volumes”, diz, apontando para uma escada com a lanterna. Uma hora e duas filas depois – tivemos também que passar no detector de metais – adentro o gigantesco Templo de Salomão, sede mundial da Igreja Universal do Reino de Deus, para o que seria a “Reunião Autoajuda”, um encontro trimestral que traz orientações exclusivas para as mulheres.

Assim que uma das obreiras vestidas com túnicas abre as portas, vejo ao longe o altar com uma arca dourada com anjos imensos e quatro telões – dois do tamanho de telas de cinema – que exibem um vídeo do bispo Edir Macedo de joelhos fazendo uma oração fervorosa. O templo está à meia-luz, iluminado apenas pelas 12 réplicas de menorás judaicos de 5 metros de altura e 300 quilos de peso cada um, acoplados às paredes. Quando todas as mulheres se acomodam, o vídeo é desligado, as 10 mil lâmpadas de LED acopladas ao teto da nave principal se acendem e Edir Macedo aparece em pessoa para comandar a noite.

Na Universal, apenas homens podem ser pastores e bispos. O Templo de Salomão acomoda 10 mil pessoas sentadas. Naquela noite, todas as cadeiras estavam ocupadas por mulheres e havia muitas em pé.

Demétrio KochO Templo de Salomão é a sede mundial da Igreja Universal do Reino de Deus

Segundo o Censo de 2010, as mulheres são a maioria da população evangélica do país, com 55,57% de um total de mais de 42,3 milhões de pessoas. Entre as denominações, a Igreja Universal do Reino de Deus é que tem a maior proporção de mulheres, com pouco mais de 59% da sua congregação. Também é uma das igrejas que apoiaram a eleição de Bolsonaro à Presidência; o PRB, dirigido pelo bispo licenciado da Universal Marcos Pereira, faz parte da base aliada do governo.

Desde a indicação da pastora Damares Alves para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, uma equipe de repórteres da Pública (os relatos estão ao longo da matéria) tem frequentado congressos e palestras dirigidos a mulheres evangélicas e ouvido histórias de frequentadoras, ex-frequentadoras e de pastoras das mais variadas denominações para tentar entender até que ponto as convicções religiosas de Damares – ministra em um Estado constitucionalmente laico – comandam sua atuação à frente do ministério.

O bispo Edir Macedo abre a palestra exibindo nos telões uma foto de Facebook de um casal. “Vejam como eles estão felizes, como ele exibe sua mulher, todo orgulhoso”, diz. Em seguida, surge no telão um vídeo filmado por celular mostrando um homem entrando dentro de um carro em chamas logo reduzido a um corpo carbonizado. “Esse homem, que entrou no carro em chamas, é aquele da foto. Ele pegou sua esposa com outro homem. Perdeu a vontade de viver. E aí eu te pergunto: e a alma dele?”, conclui.

A pregação seguiria dizendo às mulheres que uma palavra é capaz de matar um casamento; que elas não podem ser tão ansiosas – “ansiedade é um espírito de Satanás”, afirma o bispo – e que, se queremos um príncipe encantado, precisamos pedir ao rei [Jesus Cristo] porque, se formos ansiosas, o diabo vai mandar o príncipe dele e a gente vai apanhar todo dia.

Macedo diria também que as mulheres precisam se casar com homens superiores em cultura e condições financeiras, porque o marido que deve suprir a casa. “Se você for a provedora, seu casamento está destinado ao fracasso.” E que o homem deve ser a cabeça da união e a mulher, o corpo. “Minha esposa substitui minha mãe, cuida de mim e eu dou pra ela do bom e do melhor. No casamento, o homem é Jesus e a mulher é a Igreja.” Após alguns pedidos de dízimos e ofertas – incentivados pela lembrança do luxo do lugar em que estamos – “Vocês estão confortáveis? Pois isso aqui tem uma despesa de mais de R$ 5 milhões por mês” –, da venda de Bíblia comentada e de outros acessórios, viria a frase que marcaria a noite. Chamando à frente as mulheres que quisessem receber oração, o bispo diz: “Você que sofreu abuso na infância, Jesus perdoa sua culpa”.

Godllywood

A Reunião Autoajuda faz parte de um programa da Universal voltado para as mulheres chamado Godllywood, criado pela filha de Edir Macedo, Cristiane Cardoso, em 2010. Cristiane, a filha do bispo, é também autora de um blog, vários livros que definem o que é ser uma mulher virtuosa e, na companhia do marido, o bispo Renato Cardoso, comanda programas de televisão com nomes em inglês que ensinam casais heterossexuais a ter sucesso no relacionamento.

Segundo explicação do site oficial, “Godllywood nasceu de uma revolta sobre os valores errados que a nossa sociedade tem adquirido através de Hollywood. Nesse trabalho, nosso principal objetivo é o de levar as jovens a se tornarem mulheres exemplares e se tornarem avessas às influências e imposições hollywoodianas. Elas desenvolvem laços familiares que têm se perdido nos últimos anos.”

Funciona mais ou menos como uma mistura de irmandade com gincana, em que mulheres e meninas, divididas por faixas etárias, têm que cumprir tarefas diárias, semanais e mensais que vão desde não comer carboidratos a fazer as unhas, penteados, cuidar da casa e preparar jantares para o marido. Quem não cumprir as regras é desligada do grupo, que possui ainda cursos específicos para mulheres em situação de violência, por exemplo.

ReproduçãoImagem apresentada no Curso de Autoconhecimento do Projeto Raabe: “Nosso cérebro é uma bagunça. Deus nos deu sensibilidade e o diabo a desequilibrou, transformando em emoções”

Um olhar alegre e uma fisionomia agradável

Mãe, de sangue ou em espírito; esposa honrada, seja pela união já consagrada, seja por destino; eterna noiva do senhor Jesus Cristo. Essas foram as principais referências do que é ser mulher em três igrejas evangélicas cujos espaços frequentei neste mês de maio – a Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Apostólica Renascer em Cristo e a Igreja Batista da Lagoinha, onde prega a nossa atual ministra Damares Alves.

“Ninguém aqui acha que os homens que têm que lavar as roupas deles, né?”, questiona a professora Fernanda Lellis, despertando uma série de risinhos condescendentes entre as cerca de 60 mulheres, de todas as idades, de maioria negra, reunidas no último andar do Templo de Salomão. “As mulheres têm o dever de cuidar, fazer comida, arrumar”, continua no microfone, caminhando de um lado para outro, em frente a um púlpito dourado. “A mulher primeiro tem que fazer o papel dela, deixar o homem feliz, e daí ele vai tratar ela bem também. Infelizmente é assim, a gente aguenta mais.”

A professora do Curso de Autoconhecimento do Projeto Raabe, criado para auxiliar mulheres que sofreram traumas como violência doméstica, abusos sexuais ou doenças psicológicas, cita Efésios 5:22-24: “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher”. E conclui, imperativa: “Mude sua referência de mulher, seja melhor!”.

Raabe, de acordo com o Livro de Josué, o sexto do Antigo Testamento, foi uma prostituta que viveu em Jericó e supostamente ajudou os israelitas na captura da cidade. De acordo com o site da Godllywood, Raabe se purificou.

As conselheiras do Projeto Raabe, de acordo com Lellis, são mulheres agora “lindas”, mas que uma vez chegaram àquele espaço depressivas, violentadas ou até mesmo com memórias de estupros que sofreram quando crianças. “Hoje são todas obreiras, levitas ou esposas de pastor.” E todas usam roupas pretas e lenços vermelhos amarrados no pescoço, em referência a Raabe, que pendurou uma fita escarlate na entrada de sua casa para não ser assassinada na invasão de Jericó.

Foi por uma dessas conselheiras amigáveis que fui recebida no iluminado Templo de Salomão. Me entregaram um panfleto com o lema “rompendo o silêncio” que trazia informações de atendimentos espirituais e profissionais, como orientação jurídica e social para mulheres que sofrem violência doméstica e abuso. Logo ficou claro, no entanto, que Lellis era apenas uma mediadora. A verdadeira professora apareceria apenas em vídeo.

De seu escritório, Cristiane Cardoso, a filha de Edir Macedo, usou dez minutos para explicar como se “autoconhecer” foi importante para salvar seu casamento com o bispo Renato Cardoso. “Eu não sabia das minhas falhas, inseguranças, e achava que só ia resolver meus problemas se os outros mudassem. Achamos que a culpa é da outra pessoa e não nossa.” Cris segue contando as crises de ciúmes que sentia, equiparando sua experiência à de mulheres que sofrem violência doméstica.

A pedagogia de elencar defeitos em um curso que tem como público-alvo mulheres traumatizadas e violentadas já havia sido aplicada na primeira lição de casa do curso: “Sem constrangimento, escreva quem você tem sido até hoje, descreva suas qualidades, descreva seus defeitos”, dizia o papel.

“Mulheres sábias edificam sua casa, e fazendo este curso você está sendo sábia”, afirma Cris em sua terceira videoaula. A herdeira do império religioso-midiático, bem-vestida e bastante maquiada, destaca que a mulher, originalmente, foi criada para ajudar de maneira idônea, com as qualidades adequadas – o que envolve desde cuidados com a aparência até não levantar a bandeira de que se é independente. “Ao longo dos anos a mulher foi perdendo essas qualidades, desenvolvendo vários defeitos. Se você não entende as referências certas de mulher, você vai sofrer”, afirma Cris, categórica.

Essa linha de raciocínio é logo retomada por Fernanda. Ela levanta o dedo para o alto ao pontuar que a primeira mentira que o mundo conta a nós, mulheres, é que somos iguais aos homens. “Hoje as mulheres são ‘empoderadas’, e por isso tem tanta gente se matando, sofrendo, com depressão.” A crítica ao empoderamento também aparece em um teaser da nova novela da Record, Jezabel, que conta a história da “cruel” princesa bíblica. “Eu sou empoderada”, diz Jezabel em um vídeo compartilhado no Facebook de Fernanda.

A conversa não era muito diferente nas três horas do culto de mulheres a que assisti no hall da igreja Renascer. O culto acontece às quartas-feiras a partir das 14h30, horário que reúne principalmente mulheres idosas de classe média alta. Ou, como explicam em um panfleto rosa-choque, “um exército de mulheres oriundas de costumes diferentes, origens diferentes… Brancas, negras, loiras (essas um pouco mais do que as outras, rsrs)”.

Entre cantar músicas da igreja e participar de um sorteio de produtos da Boticário, as cerca de 30 presentes ouviram um testemunho de uma mulher que decidiu largar o emprego para então se tornar uma bem-sucedida empreendedora de acessórios. Em resposta ao comentário de que hoje ela é, financeiramente, “o homem da casa”, a pastora Edilene Gimenez toma a palavra. “Sempre ganhei mais do que o meu marido. Quando me converti, eu orei para Deus honrá-lo profissionalmente e prometi que quando isso acontecesse eu dedicaria minha vida à igreja”. Dito e feito. Assim que seu marido, também bispo da Renascer, montou uma empresa promissora, Edilene largou o emprego, ouvindo do marido que “não precisava mais trabalhar”. “O primeiro ministério nosso é cuidar da nossa família. Você pode até não ser mãe de ter gerado, mas gera frutos espirituais. Vocês são todas mães espirituais”, reafirma a pastora.

No final do culto, todas as fiéis receberam chinelos estampados com os dizeres: “Mulher, mãe, filha. Você é eleita do senhor para ser MQV (mais que vencedora)! Amamos Você!”.

Para mulheres solteiras, as igrejas evangélicas reservam o papel de “noivas de Jesus”, como explicam as pastoras da Lagoinha, colegas da ministra Damares. No sábado (11 de maio), a sede da igreja no centro de São Paulo foi palco de um desfile-surpresa de noivas, depois do culto. As jovens frequentadoras da igreja mostravam vestidos de luxo emprestados das marcas BlackTie e Faggion.
“O senhor enxerga a igreja como noiva e nos enxerga como noivas de Jesus”, disse a pastora Vanessa Santos antes do desfile, pedindo para as cerca de 40 mulheres presentes, a maioria jovens, darem as mãos e repetirem em voz alta: “Mulher, você não está sozinha, você é a noiva!”.

Vanessa havia iniciado o bate-papo perguntando quantas das mulheres presentes eram solteiras, e cerca de metade levantou as mãos. Em seguida, veio o testemunho de uma psicóloga fiel da Lagoinha, identificada como Daniela, sobre a importância de saber onde procurar o amor para ter um casamento feliz. “‘Ah, Daniela, a minha amiga me chamou para ir numa balada do mundo [expressão utilizada para lugares, pessoas e culturas que não seguem a fé evangélica]’. É lá que você vai encontrar o seu amor? Não dá para achar o amor da sua vida vestida de pirigospel, né?”, diz, despertando risos da plateia.

Outra pastora convidada para o evento, Vanessa Batista, foca sua fala em dicas de comportamento para mulheres. “É muito importante termos um olhar alegre e uma fisionomia agradável”, recomendou. “Uma mulher alegre muda a atmosfera do lar. Uma mulher aborrecida também.”

Após a conversa, as jovens foram conduzidas ao andar de baixo pelas melodias melosas do cantor Ed Sheeran, tocadas por um saxofonista vestido com terno azul. Um corredor iluminado com neon e dividido por grandes buquês de rosas brancas era o cenário do casamento das noivas de Jesus. As fiéis desfilaram ao som de gospels internacionais, enquanto a plateia aplaudia animada a cada novo modelo branco. A missão estava cumprida: jovens mulheres e crianças se deslumbraram com o brilho do casamento abençoado por Deus. (Julia Dolce)

Julia Dolce/Agência PúblicaFiéis desfilam na passarela como “noivas de Jesus”. Evento foi organizado pela Igreja Batista da Lagoinha Controle da vida pessoal

A antropóloga, professora da USP e pesquisadora do Cebrap Jacqueline Moraes Teixeira pesquisa questões de gênero em igrejas evangélicas desde 2010. Segundo ela, para além dos papéis de gênero claramente delimitados entre a autoridade do homem e a submissão da mulher, regras impostas por programas como Godllywood (que se reproduzem de diferentes maneiras em outras denominações) pretendem gerir a vida das mulheres em todos os seus aspectos, para além do espiritual. O controle – que se torna autocontrole de variadas formas – é como essa dominação se impõe.

“Essa linguagem do controle não está só nas igrejas, é uma linguagem disseminada no modo como a gente se pensa neste mundo contemporâneo. Talvez a diferença é que, no Brasil, as igrejas se responsabilizam por essa gestão, ajudam as pessoas a desenvolver esse hábito de se controlar. A pessoa começa a fazer esses desafios – que não são para você passar tantas horas orando, para você decorar tantos versículos bíblicos. O desafio é fazer você perder peso, controlar o tempo que tem de uso de rede social, que gasta com atividade doméstica, controlar o quanto de dinheiro você gasta. Ou seja, é toda uma eticização da vida cotidiana”, explica.

Essa gestão da vida aparece depois nos testemunhos de sucesso, ferramentas importantes para as igrejas evangélicas. “Você está o tempo todo seguindo essas regras, e, quando as pessoas testemunham, elas vão falar o quanto elas emagreceram, que elas conseguiram abrir um negócio, que elas conseguiram um relacionamento. Ou seja, essa conversão é uma recuperação da vida civil, não é uma recuperação da vida religiosa.”

A ferramenta do “testemunho”, ouvida por todas nós nos cultos e palestras que frequentamos ao longo destes meses, também aparece muito forte nos discursos de Damares, como observa Jacqueline: “Ela é uma mulher que declara que sofreu violência sexual na infância. Nesses cursos e projetos, é muito comum as mulheres abrirem que sofreram violência sexual na infância. Dizerem que só conseguiram se restabelecer no momento em que se converteram. E Damares diz que foi a conversão que a fez de fato conseguir dar conta da sua vida. Que é sempre o ponto desses testemunhos. Consequentemente ela tem um discurso de vitória. Depois vai abrindo vários caminhos importantes. Torna-se assessora parlamentar, assessora política e chega a ministra. É um testemunho maravilhoso, é a história de uma vida que realmente deu certo, nessa lógica. Então, eu acho que para muitas pessoas ela pode ser classificada como uma série de coisas, e eu tenho profundos incômodos com o que ela diz, porque é muito difícil lidar com alguém que está em uma posição pública tão importante, defendendo declaradamente certas particularidades, mas para milhares de mulheres ela personifica uma trajetória de superação.”

José Cícero da Silva/Agência PúblicaDesde 2010, a antropóloga Jacqueline Moraes Teixeira, pesquisa questões de gênero em igrejas evangélicas

Uma tarde com a discípula da pastora Damares

“Doutora Damares, estamos contigo pela vida, pela infância e pela família. Juntos, somos mais fortes”, gritou o coro formado em sua maioria por professoras, na igreja Assembleia de Deus, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Era uma tarde de domingo, dia 10 de fevereiro. A igreja estava lotada, com centenas de mulheres de várias regiões do estado para participar da “Conferência Conectar Kids e Apascentar – Defensores de uma Geração em Perigo!” com a doutora Damares Alves, a missionária Joani Bentes, mais conhecida como Tia Jô, e participação especial da Tia Keyla.

De última hora, a recém-empossada ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos não pôde estar no evento, mas gravou um vídeo aos congressistas, que acabara de passar no telão. Estavam todos de pé para enviar uma mensagem para ela, que seria transmitida por sua amiga e discípula, Tia Jô. “Deixa Deus te usar para curar, deixa Deus te usar para salvar, enquanto Ele te usa, Ele cuida de tudo que te faz chorar”, continuaram os presentes, agora em canto. “É Minas Gerais com você doutora Damares!”, finalizou Tia Jô.

O congresso começou minutos depois das duas da tarde. Os participantes que chegavam confirmavam seu nome na lista, ganhavam uma apostila e o voucher para o lanche: um pão, uma maçã e um suco. O curso custou R$ 65 para quem fez inscrição até 31 de dezembro e R$ 70 para quem passou do prazo. O cartaz de divulgação trazia o conteúdo que cada uma das palestrantes pregaria. Métodos criativos de ensino, história bíblica terapêutica e musicalização seriam ensinados pela Tia Jô. Já Damares falaria sobre erotização infantil, maus-tratos, abusos, pedofilia e ideologia de gênero.

Na noite anterior ao evento, no entanto, uma mensagem de WhatsApp com um vídeo da missionária cancelando a participação da ministra Damares foi enviada a todos os inscritos. “Lutamos para que ela estivesse conosco de corpo presente, mas o Judiciário do ministério não a liberou para viajar, para ministrar em um púlpito de igreja, enfrentar públicos, devido o número de ameaças que ela tem sofrido”, justificou Tia Jô. Ficou a cargo dela transmitir os ensinamentos de Damares, a quem chama de “minha mentora”.

Reprodução FacebookJoani Bentes,  conhecida como Tia Jô, e a ministra Damares Alves

Antes de a pastora entrar para o governo Bolsonaro, as duas percorreram o Brasil juntas dando palestras para educadores em cultos da Assembleia de Deus. Hoje com 45 anos, Joani Bentes é missionária há 27. Ela nasceu no Pará, mas ainda criança mudou-se para a cidade de Urucará, no interior do Amazonas, onde seus pais se tornaram pastores e depois percorreram o estado realizando o trabalho missionário. Assim que concluiu o ensino médio, em 1995, ela foi estudar no Gideões Missionários da Última Hora, em Camboriú, Santa Catarina, e se destacou na liderança do grupo de crianças e no grupo de coreografias.

Em seu currículo, Tia Jô destaca os seguintes títulos: educadora cristã, conferencista, apresentadora de televisão e rádio, escritora com três livros publicados, cantora com cinco CDs e dez DVDs gravados, conferencista internacional. Casada com o pastor Josué Fernandes, que a acompanha nas missões e na administração dos negócios, Tia Jô também possui uma loja virtual onde vende seus CDs, DVDs, bonecos, camisetas, acessórios, livros, roupas e cosméticos com sua marca. “Comprando qualquer produto você estará ajudando projetos em andamento: Sertão da Bahia, Cabo Verde, Moçambique, Nepal, Peru”, diz o anúncio logo na home do site. Aonde vai, ela carrega os produtos, expostos logo na entrada da igreja.

O perfil é de uma apresentadora infantil. Tia Jô vestia saia rodada azul de bolinha branca, blusa amarela do Conectar Kids, duas marias-chiquinhas amarradas com flores amarelo-ovo, da mesma cor da blusa. Quase a todo momento de sua apresentação ela falou com uma voz de criança. O tom só mudou quando introduziu a matéria da Damares, logo depois de transmitir o vídeo da pastora.
“O que eu vou mostrar pra vocês agora é uma exceção para nós. Todos os celulares serão desligados agora. Se algum celular for ligado, nós vamos interromper o vídeo. Nós temos que desligar todos os celulares agora. Não transmita, não grava nem em áudio, por favor. Eu prometi ao Judiciário e ao Ministério Público, eu prometi à minha amiga doutora Damares que seria algo nosso”, conclamou. Damares aparece então no telão, em uma gravação feita de Brasília.

ReproduçãoBanner de divulgação do projeto Conectar Kids

“Têm sido dias muito difíceis para essa ministra. Eu aceitei o convite de ser ministra pensando especialmente na proteção da criança, na proteção do adolescente desse país. E quero, tudo que eu preguei a vida inteira, trazer a este ministério. São muitos os meus desafios. Vocês não têm ideia quão grande têm sido os meus desafios, mas o maior ainda têm sido os ataques”, disse Damares. “Se depender dessa ministra, nenhuma criança vai ser abusada no Brasil. Se depender dessa ministra, nenhuma criança mais será machucada ou será enterrada viva como acontece em algumas aldeias no Brasil”, prometeu.

Ela falou também do abuso sexual que sofreu quando criança. “Dores no corpo, como sofri dores no corpo, mas sofri dores na alma. Sabem por quê? Porque ninguém percebeu que eu estava sendo abusada. Ninguém me protegeu quando eu tinha 6 anos, ninguém me disse o que estava acontecendo”, relembrou. “A mídia ri da minha história, a imprensa ri da minha história, artistas riem da minha história, mas eles não podiam ter rido da fé de uma menina de 10 anos. Eles zombaram de mim quando eu disse que aos 10 anos de idade, em cima de um pé de goiaba tentando me suicidar, eu vi Jesus Cristo, mas eu sei que eu vi. Era eu e ele naquele pé de goiaba”, garantiu. “Vamos nos unir e dizer chega de violência, chega de dor, chega de sofrimento e vamos dizer Jesus Cristo é o Senhor das crianças do Brasil. Recebam o meu abraço, na próxima conferência eu prometo estar aí com vocês. Amo vocês, Deus abençoe vocês”, finalizou a ministra.

“Ah, o Bolsonaro ganhou, ele é a favor da infância e da família, a guerra só começou, gente. Agora começou a guerra, agora é para orar mais, agora é para trabalhar mais”, reforça Tia Jô em seguida.

No material entregue aos congressistas, Damares destaca a ideologia de gênero como “uma das mais terríveis violências contra nossos pequenos”. Ela cita quatro temas que a ideologia de gênero defende e que está nos livros didáticos e na política educacional hoje no Brasil: desconstrução da família natural, desconstrução da heteronormatividade, direito da criança ao prazer sexual, desconstrução e subversões de identidade (confusão na identidade biológica).

Entre as ações práticas para reagir à ideologia de gênero, Damares sugere aos educadores que peçam para as crianças levarem as mochilas escolares para que a igreja analise os livros e materiais didáticos que estão estudando; que orientem os pais a notificar a escola que não querem que os filhos aprendam sobre ideologia de gênero – ela indica o modelo que está no site www.infanciaefamilia.com.br; que façam chá de bonecas, encontro de carrinhos, cultos das princesas; que orientem os pais em relação às roupas das meninas, demonstrando a necessidade de reforçar a feminilidade, e às brincadeiras e jogos com meninos para reforçar a masculinidade; e que contextualizem as histórias contadas e as brincadeiras que são feitas com as crianças na igreja, sempre destacando que existem brinquedos de meninas e brinquedos de meninos.

De acordo com Damares, existe ainda nas escolas um ataque à fé da criança e do adolescente. “Observem que as leis determinam o ensino da cultura indígena e da cultura afro, mas infelizmente muitos professores estão burlando a lei, estão ensinando religião afro e religião indígena”, diz o texto da ministra.

Depois de passar por todos esses temas da apostila de Damares, uma pausa para o lanche, e Tia Jô volta já introduzindo o seu conteúdo, com métodos criativos para educadores abordarem temas religiosos com as crianças. “Eu posso tratar de proteção, pegando meu bonequinho de Adão e Eva e dizendo que papai do céu cobriu eles, protegeu-se as partes íntimas. Tantas outras histórias que podem nos levar ao conteúdo de proteção dentro da palavra de Deus”, destacou. E fechou sua apresentação contando algumas histórias bíblicas com bonecos recicláveis, “inspiração para os educadores infantis”. O seminário acabou pontualmente às 18 horas. De Contagem Tia Jô partiu para uma visita missionária no sertão da Bahia. (Alice Maciel)

Mariana, Clara, Lídia: vítimas de violência na igreja

Em uma casa no interior de São Paulo, sento-me para tomar um chá com três mulheres de uma mesma família, que sofreram diferentes formas de violência de gênero dentro da igreja evangélica. Mariana*, que foi pastora durante 15 anos, sua filha Clara* e sua irmã Lídia*. Quem começa a conversa é Mariana: “Eu fui para a igreja aos 13 anos de idade por curiosidade. Minha família era toda católica, mas eu comecei a ir nessa igreja que era perto da minha casa. Fiquei lá até descobrir que o líder do grupo de jovens, que tinha 30 anos na época, engravidou uma garota de 15. Então deixei de ir. Mas comecei a namorar um rapaz que me levou para outra igreja, a gente devia ter uns 16 anos. O pastor dessa igreja era famoso por fazer profecias de casamento durante os cultos. Ele apontava duas pessoas na igreja que nem se conheciam e dizia que se casariam e as pessoas obedeciam, por absurdo que pareça. Um dia, ele apontou para o meu namorado e para a sobrinha dele, que era bem mais velha que nós, já era uma mulher, maior de idade, e os chamou pra conversar após o culto. Eu não entendi, achei que era sobre outra coisa e fiquei esperando ele do lado de fora porque sua irmã me daria carona. Então ele passou abraçado na sobrinha do pastor e nunca mais falou comigo. Eu caí em depressão profunda, né? Não comia, não dormia, perdi minha vida social. Aos poucos, após muita insistência dos jovens da igreja, eu resolvi ir a um culto. Eu tive uma tontura durante a pregação e, quando acabou, fui conversar com esse pastor, disse que havia passado mal. Eu queria que ele me conhecesse, quem sabe perceberia que tinha cometido um engano, ainda não estava acreditando no que tinha acontecido. Ele colocou a mão na minha cabeça do nada, sem falar comigo, e começou a expulsar demônio. Aí saiu da sala e eu sentei no chão atordoada, chorando muito. Um rapaz entrou, perguntou o que estava acontecendo, eu disse e ele saiu novamente. Então logo entraram mais quatro homens…”. Mariana faz uma pausa, engasgada. “Eles me derrubaram no chão e ficou um segurando uma perna, outro segurando outra perna, outro segurando um braço e outro segurando outro braço, seguraram minha cabeça, eu não podia me mexer. Ficaram expulsando demônio de mim, com meu corpo totalmente imobilizado por suas mãos, durante muito tempo.” Mariana conta que só foi solta porque sua mãe, que tinha ido buscá-la, estranhou a demora e saiu procurando pelo prédio. “Minha mãe invadiu a sala, me arrancou dali e me levou pra casa, muito nervosa.” E você, o que sentiu?, pergunto. “Me senti culpada. Eu acreditei que estava com demônio. Acreditei durante anos.”

Sua filha Clara, que “nasceu em berço evangélico” e frequentou a igreja até a adolescência, lembra que também se sentiu culpada e acreditou na pastora que a levou à frente da congregação em um retiro para jovens, aos 12 anos de idade, e, com as mãos em sua cabeça, expulsou “o demônio da Pomba Gira”, que atraía a paquera dos rapazes da igreja. “Eu me senti envergonhada, culpada. Estava sozinha nesse retiro e nem sabia direito do que ela estava falando, era uma criança. Fiquei com medo do tal demônio e de ele ainda estar em mim. Só fui entender todo o machismo e o preconceito que aquilo significava muitos anos depois.”

A tia de Clara, Lídia, lembra que uma das irmãs dela e de Mariana estava nos últimos meses de gravidez quando um pastor da igreja que a família toda frequentava, em uma visita, tentou estuprá-la. Só não conseguiu porque ela vestia um macacão fechado por um zíper nas costas. “Como ele não conseguiu, obrigou ela a assistir ele se masturbar.” Ao contar o ocorrido para outros líderes religiosos, a família toda foi expulsa da igreja. “Ela ficou muito mal por muitos anos. Até hoje não consegue falar sobre isso, e por isso que eu vim contar essa história. É claro que a gente não voltaria lá mesmo” diz Lídia, que ainda frequenta igrejas evangélicas porque acredita que “o problema está no homem e não em Deus”. O que significa ser uma mulher na igreja, uma mulher de Deus?, pergunto. Mariana responde: “Submissão. Não questionar o marido, que é a autoridade espiritual dentro da casa, não questionar o pastor, que é autoridade espiritual constituída por Deus. Obediência e submissão”.

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Uma feminista na igreja

Pública - ter, 21/05/2019 - 12:06
José Cícero da Silva/Agência PúblicaSimony dos Anjos é evangélica, cientista social, mestre em educação e integrante do coletivo Evangélicas pela Igualdade de Gênero

Simony dos Anjos é evangélica, filha de pastor evangélico e de seminarista, cientista social, mestre em educação e integrante do coletivo Evangélicas pela Igualdade de Gênero. Composto por mulheres feministas e evangélicas, o coletivo promove a igualdade de gênero dentro e fora da igreja e dá palestras sobre direitos reprodutivos e violência doméstica. “A gente age em igrejas neopentecostais, casas-abrigo da prefeitura. Começaram a enxergar na gente, mulheres evangélicas, uma maneira de tratar problemas que a igreja tem enfrentado, a violência doméstica, por exemplo. Porque há duas décadas a violência doméstica era abafada. Hoje, com toda essa efervescência, essa primavera feminista, as mulheres se sentem encorajadas a denunciar e a igreja está em um ponto em que, se ela abafa, vai perder fiéis. Então, vai ter que tratar da violência doméstica de alguma maneira. E aí a gente começou a ser muito convidada”, conta. Ela acrescenta, porém, que o direcionamento quanto ao divórcio em caso de violência doméstica, por exemplo, ainda depende muito da opinião do líder espiritual de cada igreja: “Varia muito, porque há uma personalização da liderança, e as vontades pessoais dessa liderança vão influenciar muito no andamento da comunidade. Mas de modo geral o que se percebe é repúdio total à violência doméstica proporcional ao repúdio ao divórcio. O divórcio não é uma questão. O que as igrejas sempre orientam essas mulheres que sofrem é que elas saiam de casa um tempo, fiquem na casa de um parente e que orem pelo marido. Mas o divórcio não é uma opção na maioria das igrejas”.

Simony conta que teve uma criação “preconceituosa, conservadora e de intolerância total”, mas, ao entrar na faculdade de ciências sociais, levou um choque ao descobrir pessoas que pensavam de modo diferente de tudo que ela conhecia e passou a repensar a maneira de exercer sua fé: “A igreja é uma bolha. Eu acho, inclusive, que o primeiro grande aspecto do porquê de as pessoas não criticarem os políticos evangélicos é esse. Você socializa dentro da igreja, você namora dentro da igreja, você passa o Natal dentro da igreja, você passa a virada do ano dentro da igreja. Todas as datas comemorativas são dentro da igreja. Então, você vive como se tudo que estivesse sendo dito ali fosse a única possibilidade de enxergar o mundo”. Ela acredita que foi a antropologia que forneceu as ferramentas para que ela se mantivesse na igreja enquanto uma voz de resistência. “Existe também a Frente Evangélica pela Legalização do Aborto, essa bem atacada. Algumas integrantes recebem ameaças de morte, e uma delas deixou o país recentemente. Mas nós participamos de fóruns de discussão pela descriminalização do aborto, vamos para as ruas nas manifestações feministas, lutamos contra a PEC 181.” Ela conta que existe toda uma escola de teologia feminista que busca ler a Bíblia de uma perspectiva questionadora: “Como que nós, teólogas feministas, tratamos dos textos-chave do patriarcado? Que é submissão da mulher, a mulher deve ficar calada, a mulher virtuosa. São textos-chave do patriarcado para fazer com que a mulher pense que esse é seu lugar. A teologia feminista é a teologia da suspeita. Porque nós encontramos a palavra de Deus na Bíblia, mas ela não é integralmente a palavra de Deus. A teologia da suspeita sempre vai fazer uma perguntinha muito safadinha que é: quem escreveu? Foram homens sobre mulheres. Então por que o texto de Gálatas 3:28, que fala que não existe homem nem mulher, todos são em Jesus, não é tão utilizado? Há um uso interessado da Bíblia. Por exemplo, todo mundo gosta de colocar Dalila como traidora, mas ela não traiu ninguém porque ela não era judia, ela era filisteia! Sansão que era um cara egoico, um cara inconsequente. Ele apostava as coisas e depois não conseguia pagar e matava todo mundo. Ele se enrabicha com uma filisteia e essa mulher é pressionada pelos poderosos, pelos príncipes filisteus a matá-lo. A filisteia não traiu o povo de Deus porque ela não era do povo de Deus. Mas a gente constrói todo uma narrativa de traição”. Simony cita a freira Ivone Gebara, filósofa e uma das fundadoras da teologia feminista na América Latina, que incomodou tanto o Vaticano que foi obrigada a ficar dois anos enclausurada, sem se manifestar publicamente. “As mulheres constituem a base da igreja, são elas que abrem o templo, limpam, cuidam dos doentes. Se essas mulheres fugirem do controle, a igreja foge do controle. E por isso as mulheres que são consagradas pastoras muitas vezes são as que reproduzem o discurso machista. Como a menina pastora, como a ministra Damares Silva, como a Ana Paula Valadão, como a Helena Tannure. Mulheres que reproduzem e agradam esse discurso.”

Pergunto a Simony o que aprendeu sobre ser mulher na igreja e o que pensa hoje a respeito disso: “Eu aprendi que ser uma mulher era alguém que tinha que se preparar para casar. Eu aprendi que ser mulher era ser uma boa mãe, era ser uma boa esposa, era ser uma boa serva, era ser o arrimo da família, era ser o esteio do lar, era ser ajudadora idônea. Ajudadora idônea é aquela que ajuda o seu homem a não errar. Na igreja, eu aprendi que ser uma boa mulher era ser o contrário do que Eva foi. Eva levou o homem dela ao erro. Uma boa mulher é aquela que não leva o seu homem a errar e não leva homem nenhum a errar porque, quando eles nos estupram, eles nos assediam, somos nós quem seduzimos. Eu aprendi que ser sedutora, ser sensual, ser feliz com o meu corpo, expor o meu corpo era errado. E hoje você tem que achar o ponto ótimo entre a indústria de exposição da mulher e o recato que a igreja impõe porque, por exemplo, nossos jovens têm as suas vidas sexuais pautadas pelos filmes pornográficos, e você é uma mulher que não pode ser como Jezebel. Você tem que ter uma vagina adequada, você não pode ser gorda. Você vai por silicone. Você vai adequar o seu corpo ao modelo porque nós fomos criadas para agradar. Mas a gente vai fazendo isso sendo belas e recatadas. Tem uma loja de eróticos que chama Erótica Fé, e um dos adstringentes que são vendidos é o ‘virgem novamente’, que faz a parede da vagina se colar para que quando você vá ter relação sexual com o seu homem pareça que você é virgem novamente. Isso é um produto para mulheres evangélicas. O que eu estou querendo dizer, no limite, é que a gente vive em uma eterna luta contra o corpo feminino. Isso é ser mulher da igreja, é você estar lutando contra o corpo feminino o tempo inteiro, e a naturalidade do corpo feminino é ofensiva. Mas eu gostaria de encerrar dizendo o seguinte: quem é mais parecido com Jesus? Quem é que sangra e não morre? Quem é que gera a vida? Quem é que cuida? Quem é que apascenta? São as mulheres. O corpo feminino gera medo. É um corpo que sangra e não morre e de todo o tipo de sangue que há na sociedade, o único que causa nojo é o sangue da menstruação. Isso é ser mulher na igreja. É você equilibrar tudo isso, e, se você falhar nessa dança louca, a culpa é sua. Eu acho que é mais ou menos por aí”.

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Reducción de las abejas amenaza la seguridad alimentaria mundial

IPS español - seg, 20/05/2019 - 16:15

Una abeja recolecta polen y néctar en una flor de eucalipto en la Estación de Investigación Forestal Chesa en Bulawayo, en Zimbabwe. Crédito: FAO

Por Corresponsal Fao
ROMA, May 20 2019 (IPS)

El declive mundial en las poblaciones de abejas supone una seria amenaza para una gran variedad de plantas críticas para el bienestar humano y los medios de vida, y los países deberían hacer más para salvaguardar unas aliadas fundamentales en la lucha contra el hambre y la malnutrición.

Así lo destacó este lunes 20 la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO) en el Día Mundial de la Abeja, en su sede en Roma.

La cantidad de abejas y otros polinizadores se está reduciendo en muchas partes del mundo debido, en buena parte, a las prácticas agrícolas intensivas, el monocultivo, el uso excesivo de productos químicos agrícolas y a unas temperaturas más altas asociadas al cambio climático, que afectan no solo a los rendimientos de los cultivos sino también la nutrición.

Si esta tendencia continúa, cada vez con más frecuencias los cultivos nutritivos como frutas, nueces y muchas verduras serán sustituidos por cultivos básicos como el arroz, el maíz y las patatas, lo que podría derivar en una dieta desequilibrada.

“Las abejas están bajo la gran amenaza de los efectos combinados del cambio climático, la agricultura intensiva, el uso de pesticidas, la pérdida de biodiversidad y la contaminación”, dijo el director general de la FAO, José Graziano da Silva, en un mensaje de video grabado para el Día Mundial de la Abeja.

“La ausencia de abejas y otros polinizadores eliminaría el café, las manzanas, las almendras, los tomates y el cacao, por nombrar solo algunos de los cultivos que dependen de la polinización. Los países deben cambiar a políticas y sistemas alimentarios más amigables y más sostenibles para los polinizadores”.

En su mensaje, Graziano da Silva instó a todos a tomar decisiones respetuosas y amigables hacia los polinizadores. “Incluso cultivar flores en casa para alimentar a las abejas es una forma de contribuir a este esfuerzo”, agregó.

La ceremonia del Día Mundial de la Abeja celebrada en la sede de la FAO en Roma contó con la participación de la ministra de Agricultura, Silvicultura y Alimentación de Eslovenia, Aleksandra Pivec, del presidente de la Asociación Eslovena de Apicultores, Boštjan Noč, y del vicepresidente de Apimondia Peter Kozmus.

Eslovenia, junto con la FAO, contribuyó al establecimiento del día internacional a través de una resolución de la Asamblea General de las Naciones Unidas en 2017, con el apoyo de Apimondia, la Federación Internacional de Asociaciones de Apicultores.

Pequeñas criaturas, enormes beneficios

Las abejas se encuentran entre las criaturas que más duramente trabajan en el planeta, brindando el importante servicio de asegurar la polinización y, por lo tanto, la reproducción de muchas plantas silvestres y cultivadas, lo que es crucial para la producción de alimentos, los medios de vida humanos y la biodiversidad.

Las abejas y otros polinizadores, como las aves y los murciélagos, afectan al 35 por ciento de la producción mundial de cultivos, aumentando la producción de 87 de los principales cultivos alimentarios del mundo, además de muchos medicamentos derivados de plantas.

Aproximadamente dos tercios de las plantas de cultivo que alimentan al mundo dependen de la polinización de los insectos o de otros animales para producir frutos y semillas saludables para el consumo humano.

La polinización beneficia la nutrición humana: no solo permite la producción de una gran cantidad de frutas, nueces y semillas, sino también una mayor variedad y una mejor calidad.

La FAO lleva a cabo distintas actividades para alentar las prácticas favorables a los polinizadores en la gestión agrícola, incluida la Acción mundial sobre los servicios de polinización para una agricultura sostenible y la Iniciativa Internacional sobre polinizadores.

El reciente informe El Estado de la Biodiversidad para la Alimentación y la Agricultura de la FAO también destaca que muchas especies asociadas con la biodiversidad, incluyendo las abejas, están gravemente amenazadas y urge a los gobiernos a abordar los impulsores de la pérdida de biodiversidad.

Otro estudio, titulado Evaluación de Polinizadores, Polinización y Producción Alimentaria y lanzado por la Plataforma Intergubernamental de Ciencia y Política sobre Biodiversidad y Servicios Ecosistémicos (IPBES, en inglés), con colaboración de expertos de la FAO, destaca una serie de formas de salvaguardar efectivamente las poblaciones de abejas para asegurar la seguridad alimentaria y preservar la biodiversidad.

Este artículo fue publicado originalmente por la Oficina Regional de la FAO para América Latina y el Caribe. IPS lo distribuye por un acuerdo especial de difusión con esta oficina regional de la FAO.

RV: EG

El artículo Reducción de las abejas amenaza la seguridad alimentaria mundial fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Los riesgos de la ampliación de la Guardia de Fronteras de la UE

IPS español - seg, 20/05/2019 - 15:36

Migrantes recogidos por la guardia costera griega en el Mediterráneo. Para 2027, la Unión Europea planea ampliar de 1.500 a 10.000 la dotación de sus guardias fronterizos armados, para patrullar sus fronteras terrestres y marítimas. Algo que despierta la prevención de activistas humanitarios. Crédito: Nikos Pilos / IPS

Por Ida Karlsson
BRUSELAS, May 20 2019 (IPS)

La Unión Europea planea desplegar 10.000 guardias fronterizos armados para 2027, con el fin de ampliar el patrullaje de sus fronteras terrestres y marítimas. Los agentes tendrán la facultad de utilizar la fuerza armada en las fronteras exteriores del bloque.

La Agencia Europea de la Guardia de Fronteras y Costas, la antigua y reforzada Frontex, emplea actualmente a 1.500 efectivos y trabaja junto a las agencias nacionales de control de fronteras. El plan es fortalecer significativamente la fuerza existente.

Los guardias de la Unión Europea (UE) interceptarían a los recién llegados, detendrían los viajes no autorizados y acelerarán el regreso de las personas cuya solicitud de asilo ha fracasado. Los agentes también podrían operar fuera del bloque europeo, con el consentimiento de los gobiernos de terceros países interesados.

De acuerdo con el plan de gastos para 2021 a 2027 propuesto por la Comisión Europea, el órgano ejecutivo de la UE, el bloque aumentará el gasto en migración y seguridad en 20.300 millones de euros (22.700 millones de dólares).

El presidente de la Comisión Europea, Jean-Claude Juncker, anunció en un discurso en Estrasburgo en septiembre de 2018, el plan para fortalecer la Frontex, bajo el argumento de que “las fronteras externas deben protegerse de manera más efectiva”.

“La agencia apoyará mejor y más activamente a los estados miembros en el área de retorno para mejorar la respuesta de la Unión Europea a los desafíos migratorios persistentes”, dijo el comisionado europeo para Migración y Asuntos de Interior, Dimitris Avramopoulos.

La migración se convirtió en un tema que es objeto de división dentro de la UE desde la gran afluencia de refugiados en 2015. Los temores y preocupaciones sobre la migración han llevado a que los partidos neopopulistas y nacionalistas de derecha extrema ganen terreno y lleguen al gobierno en varios estados miembros.

Pero la realidad es que las fronteras europeas están bajo mucha menos presión que hace un par de años. El número de llegadas a la UE bajó desde la cifra más alta de un millón de personas que se alcanzó en 2015 a solo 144.000 en 2018, según la Organización Internacional para las Migraciones (OIM).

Los grupos de derechos humanos han advertido contra la creación de una “fortaleza europa” con campos de procesamiento externos y guardias de fronteras con capacidad del uso de la  fuerza.

Philippe Dam, director de la organización humanitaria Human Rights Watch para Europa y Asia Central, dijo que se observa un claro cambio en la UE en materia de asilo y la protección a la gestión y del retorno en las fronteras.

“La estrategia de la UE es empujar a los solicitantes de asilo y refugiados fuera de las fronteras de la UE”, dijo a IPS.

Eso, alertó, “plantea el interrogante de cuáles serán los caminos legales para las personas que necesitan protección. Esto está en contradicción con las mejoras del sistema de asilo. Las personas son enviadas de vuelta a las situaciones de abuso” que las forzaron a dejar sus lugares de origen.

Human Rights Watch, con su base central en Washington, ha documentado casos de violencia innecesaria por parte de guardias fronterizos en Grecia, Bulgaria y Croacia. Hungría también está apresando a las personas en su frontera y privándolas de alimentos.

“No está claro cómo se investigarán los abusos cometidos por la nueva fuerza de fronteras de la UE. Vemos el riesgo de la rendición de cuentas de estos fallos”, dijo Dam.

T: MF

El artículo Los riesgos de la ampliación de la Guardia de Fronteras de la UE fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Crisis humanitaria de Camerún alcanza su nivel más alarmante

IPS español - seg, 20/05/2019 - 15:22

Minette, de 38 años, tuvo que huir junto con su familia de una de las regiones anglohablantes de Camerún después, de que su hogar fue incendiado, y ahora sobreviven como desplazados internos. Crédito: Tiril Skarstein / NRC

Por Tharanga Yakupitiyage
NACIONES UNIDAS, May 20 2019 (IPS)

Las Naciones Unidas deben actuar para evitar una mayor devastación por la escalada de la crisis en Camerún, que desde 2016 ha provocado la muerte de casi 2.000 personas y el desplazamiento forzado de 430.000, plantearon con alarma organizaciones humanitarias.

Durante años, la Organización de las Naciones Unidas (ONU) ha permanecido prácticamente en silencio sobre la crisis en el país centroafricano, que ahora está empeorando en el noroeste y suroeste de su territorio.

Finalmente, el Consejo de Seguridad celebró una reunión informal el 12 de mayo para abordar la situación en Camerún, pero a juicio de los especialistas en la crisis humanitaria allí, se necesita hacer mucho más que eso, y rápidamente.

“Los miembros del Consejo de Seguridad deben pedir al gobierno de Camerún y a los líderes de los grupos armados separatistas que pongan fin a los abusos contra civiles en las regiones anglófonas y responsabilicen a los responsables de los abusos”, dijo Lewis Mudge, director de África Central de Human Rights Watch (HRW).

“Es una oportunidad para recordar a los agresores que el mundo está mirando”, agregó.

El secretario general del Consejo Noruego para los Refugiados (NRC), Jan Egeland, hizo comentarios similares destinados al Consejo de Seguridad, al lamentar su falta de atención y respuesta humanitaria.

“Cuando los enfrentamientos brutales desplazan a cientos de miles de civiles, generalmente eso hace sonar las alarmas internacionales”, planteó.

Pero “Las necesidades insatisfechas de decenas de miles de personas que huyen de la violencia en el sudoeste y el noroeste de Camerún no han dado como resultado ningún esfuerzo sistemático de mediación, ningún gran programa de ayuda, mientras hay poco interés de los medios y poca presión sobre las partes para que dejen de atacar a los civiles”, dijo el directivo de la organización humanitaria noruega.

“El silencio colectivo que rodea las atrocidades es tan impactante como las historias no contadas son desgarradoras”, agregó Egeland.

Lo que en 2016 comenzó como protestas contra el creciente dominio de la lengua francesa en las regiones anglófonas de Camerún se ha convertido en un conflicto entre el gobierno y los separatistas de habla inglesa que exigen la creación de un nuevo estado independiente con el nombre de Ambazonia.

Desde entonces, las fuerzas armadas de Camerún han reprimido a los separatistas y las comunidades locales, según las denuncias, matando a decenas de civiles, quemando casas y utilizando la tortura y la detención en régimen de incomunicación con casi total impunidad.

Por ejemplo, el 30 de abril, un grupo de soldados mató a un adolescente de 16 años en la aldea noroeste de Kikaikelaki. Según testigos, las fuerzas de seguridad entraron en la aldea y comenzaron a disparar indiscriminadamente.

Un hombre también le dijo a HRW que las autoridades incendiaron y saquearon 11 casas en la aldea. “Cuando llegaron los militares, me escondí por seguridad. Los observé robar galones de combustible de una tienda y prender fuego a todo mi complejo, y luego se han ido”, dijo el testigo.

Unos días antes, soldados atacaron un centro de salud en la región noroeste de Wum, cuando supuestamente buscaban algunos separatistas heridos, y golpearon a varios miembros del personal médico, lo que forzó el cierre temporal de la clínica.

“Como no encontraron a ningún joven (separatista), comenzaron a golpearnos. Me pegaron tanto que no pude comer ni tragar por días”, dijo una enfermera.

Los separatistas armados también han sido cómplices de la crisis con informes de agresiones a soldados y secuestros de personas, incluidos estudiantes y maestros.

En los últimos tres años, al menos 70 escuelas han sido destruidas y más de 80 por ciento de las escuelas permanecen cerradas, dejando a más de 600.000 niños sin escolarizar en las regiones de habla inglesa del país.

Camerún se convierte en una de las crisis humanitarias de mayor crecimiento en África, con un gran aumento de los desplazamientos forzosos, como confirmó el coordinador de Asuntos Humanitarios de la ONU, Mark Lowcock, para quien la situación “es más alarmante que nunca”.

“Tanto la situación humanitaria como la de seguridad continúan deteriorándose y corren el riesgo de salirse de control”, dijo Lowcock al Consejo de Seguridad.

Según este diplomático británico, con rango de secretario general adjunto de la ONU, el número de personas que necesitan asistencia humanitaria aumentó 30 por ciento desde 2018, para situarse en 4,3 millones de personas en la actualidad.

Esto significa que uno de cada seis cameruneses necesita ayuda, más de la mitad de los cuales son niños, subrayó.

Solo en las regiones anglófonas del noroeste y suroeste, hay más de 1,3 millones de personas que necesitan ayuda, ocho veces más que el año anterior.

La crisis humanitaria es avivada por el hecho de que las regiones del este y norte de Camerún están recibiendo junto con desplazados internos a refugiados que huyen de la violencia de los países vecinos de Nigeria y la República Centroafricana.

Entre los mayores desafíos está la falta de financiamiento, anotó Lowcock.

En 2018, el plan de respuesta humanitaria de Camerún solo fue financiado  un 44 por ciento. Este año, solo 13 por ciento de ese plan con necesidades crecientes tiene financiamiento.

Lowcock destacó que es indispensable que aumente la toma de conciencia internacional sobre la crisis humanitaria en el país centroafricano, mejorar el financiamiento y abordar las causas subyacentes de la crisis armada camerunesa.

Egeland confirmó el desaliento de las víctimas del conflicto de Camerún por la falta de atención de la comunidad internacional.

“Un grupo de mujeres desplazadas y desilusionadas que conocí me dijo que se sentían abandonadas por la comunidad internacional y por las partes en conflicto”, afirmó.

“Me preguntaron ¿dónde está la solidaridad internacional? ¿Dónde está la comunidad internacional? ¿Organizaciones africanas, las naciones donantes? ¿Dónde está Europa? Este conflicto tiene sus raíces en generaciones de interferencias de las potencias europeas”, añadió el activista humanitario noruego.

A su juicio, “la ausencia de una respuesta humanitaria proporcional a los cientos de miles de personas con grandes necesidades insatisfechas es sorprendente. Somos muy pocos actores humanitarios en el terreno, y tenemos una grave carencia de fondos”.

Para Egeland es indispensable y urgente que las agencias de la ONU que están en el terreno reciban los recursos humanos y financieros necesarios.

La organización humanitaria HRW, con su base central en Washington,  instó al Consejo de Seguridad a hacer de Camerún un tema formal en su agenda y presionar una investigación para procesar a los responsables.

Mudge también señaló la necesidad de que el país permita el acceso y la cooperación con organizaciones internacionales de derechos humanos.

En abril, el gobierno de Camerún negó la entrada de un investigador de HRW al país luego de documentar un ataque mortal de las fuerzas de seguridad en la región noroeste.

“La decisión de Camerún de bloquear a un investigador y observador de derechos humanos demuestra su determinación de ocultar su brutalidad … el Consejo de Seguridad de la ONU debería alentar al país a permitir el acceso a las organizaciones internacionales de derechos humanos y cooperar con ellos”, dijo Mudge.

La alta comisionada de las Naciones para los Derechos Humanos, Michelle Bachelet, quien visitó a comienzos de mayo a Camerún, también planteó el tema de la falta de acceso para los actores humanitarios y destacó la necesidad de actuar antes de que la situación pase a estar “completamente fuera de control”.

“Creo que hay una clara, aunque posiblemente estrecha, ventana de oportunidad para detener las crisis que ha provocada cientos de miles de desplazadas internas, así como los asesinatos y las brutales violaciones y abusos de los derechos humanos”, que han afectado zonas del norte y el oeste del país, dijo Bachelet en Yaunde, la capital del país.

A juicio de la expresidenta chilena, “no será fácil dar vuelta a estas situaciones” y para lograrlo “serán necesarias acciones significativas por parte del gobierno, y un apoyo sustancial y sostenido de la comunidad internacional, incluyéndonos a nosotros en las Naciones Unidas”.

“Las apuestas son altas, no solo para Camerún, sino para toda la región”, agregó al finalizar una visita de cuatro días.

T: MF

El artículo Crisis humanitaria de Camerún alcanza su nivel más alarmante fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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