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Glenn Greenwald: “a Globo e a força-tarefa da Lava Jato são parceiras”

Pública - ter, 11/06/2019 - 19:21

“Se você não quer esses riscos, você não deve fazer jornalismo”, afirma Glenn Greenwald sobre a série do The Intercept Brasil que revelou no último domingo trocas de mensagens nada republicanas entre o então juiz federal Sérgio Moro e a força-tarefa da Lava Jato.

As revelações, frutos de documentos enviados por uma fonte anônima, podem ter influenciado os rumos das últimas eleições no país e seu conteúdo dinamitou uma série de reações em todas as esferas de poder e da opinião pública.

Na entrevista à Pública, Greenwald fala sobre as reações dos envolvidos e trata da cobertura da imprensa sobre a Lava Jato antes e depois das reportagens do The Intercept Brasil. “Quando a grande mídia transforma Moro e a Força-Tarefa em deuses ou super heróis, se torna inevitável o que aconteceu. Os jornalistas pararam de investigar e questionar a Lava Jato e simplesmente ficaram aplaudindo, apoiando e ajudando”, avalia.

Segundo ele, há exceções como a Folha de S. Paulo e jornalistas independentes. E pondera: “preciso falar que depois de publicar o que publicamos, acho que com uma exceção, que é a Globo, a grande mídia está reportando o material de forma mais ou menos justa, com a gravidade que merece”.

Fernando Frazão/Agência BrasilGlenn: “Para mim foi muito parecido com a reportagem que fizemos com o caso Snowden”

Durante o processo de recebimento do material da fonte anônima e da própria produção das reportagens quais foram os momentos mais complicados na tomada de decisão jornalística? Como foi esse processo para vocês?

Para mim foi muito parecido com a reportagem que fizemos com o caso Snowden. Quando você recebe um arquivo gigante, é muito difícil, num primeiro momento, entender o que você tem e o contexto dos documentos que estão nesse arquivo. Segundo, quais os principais documentos que você vai usar, porque, obviamente, estamos lendo conversas privadas entre pessoas, e tem a questão do direito à privacidade mas, por outro lado, essas pessoas estão usando o poder público, então também precisam de transparência — exatamente o que eles fizeram quando interceptaram e divulgaram as conversas privadas do Lula.

Como você avalia a repercussão a partir da própria imprensa brasileira? Hoje, por exemplo, você disse que “a estratégia da Globo é a mesma que os governos usam contra aqueles que revelam seus crimes” e que “a Globo é sócia, agente e aliada de Moro e Lava Jato”.

É incrível porque, para mim, o tempo todo, a grande mídia não estava reportando sobre a Lava Jato, ela estava trabalhando para a Lava Jato. Com uma exceção que é a Folha de S. Paulo. A Folha, para mim, manteve uma distância, uma independência, estava criticando, questionando… Mas a Globo, Estadão, Veja, o tempo todo estavam simplesmente recebendo vazamentos, publicando o que a Força-Tarefa queria que eles publicassem. Mas, na realidade, preciso falar que depois de publicar o que publicamos, acho que com uma exceção, que é a Globo, a grande mídia está reportando o material de forma mais ou menos justa, com a gravidade que merece.

Por exemplo, o editorial de hoje do Estadão — que era um dos maiores fãs do Moro — falando que ele deve renunciar e Deltan ser afastado. Isso mostra a gravidade das revelações.

A única exceção é a Globo mas essa é uma exceção enorme por causa do poder do Jornal Nacional que está quase tratando a história somente como um crime — e o único crime que interessa é o da nossa fonte, que eles acham que ela cometeu. Eles não têm quase nenhum interesse nas gravações e no comportamento do Moro, do Deltan. Eles estão falando sobre o comportamento da fonte e, na realidade, eles não sabem nada. Mas é interessante por que isso é comportamento de governo.

Como assim?

Quando você denuncia ações de corruptos ou trata de problemas sobre o governo, ele sempre tenta distrair falando somente sobre quem revelou essa corrupção, quem divulgou esses crimes para criminalizar pessoas, jornalistas ou fontes que revelaram o material. Essa estratégia, não dos jornalistas, é o que a Globo está usando. Porque a Globo e a força-tarefa da Lava Jato são parceiras. E os documentos mostram isso, né? Não é só eu que estou falando isso por causa da Globo. Os documentos mostram como Moro e Deltan estão trabalhando juntos com a Globo e nós vamos reportar, então eu sei disso já e a reportagem está mostrando. Mas o resto da grande mídia está tratando a história com a gravidade que merece. É impossível para todo mundo que está lendo esse material defender o que Moro fez. Impossível!

Se eu entendi, Glenn, você está me dizendo que os documentos que vocês ainda estão trabalhando vão apontar uma relação mais próxima da Globo nesse processo com Dallagnol e Moro, é isso?

Eu não posso falar muito sobre os documentos que ainda não publicamos porque isso não é responsável. Precisa passar pelo processo editorial mas, sim, posso falar que exatamente como disse hoje, a Globo foi para a Força-Tarefa da Lava Jato aliada, amiga, parceira, sócia. Assim como a Força-Tarefa da Lava Jato foi o mesmo para a Globo.

Muita gente está querendo saber qual vai ser o próximo passo do The Intercept Brasil, as próximas reportagens. Queria que você esclarecesse o que é fundamental para essa apuração estar pronta jornalisticamente, para que vocês soltem novas revelações.

Não somos o Wikileaks. Não estamos simplesmente publicando material que nós temos, sem contexto ou reportando sem entender, sem analisar, sem pesquisar. Estamos fazendo jornalismo. E esses documentos são complexos. Entendo que todo mundo queira ver o que nós temos porque esse material tem interesse público e eles [o público] têm o direito de ver. Mas, por outro lado, nós temos a responsabilidade jornalística para usar o tempo que precisarmos para confirmar que tudo que nós estamos reportando é verdade. Por que se nós cometermos um erro, eles vão usar isso contra a gente para sempre, para atacar nossa credibilidade, da reportagem, de tudo. Por exemplo, todo mundo está falando: “onde estão os áudios?”. É muito complicado reportar áudios. Precisa confirmar quem está falando, precisa confirmar o contexto sobre o que estão falando. Precisa conectar isso com outros materiais, outros documentos e isso leva tempo. Nós vamos publicar logo, mas nós não vamos correr. Nossa prioridade é confirmar que tudo que estamos reportando está informando o público e não enganando o público, como eles fizeram.

Na sua avaliação, até pelo fato de você também ser advogado, se um escândalo como esse, que envolve um ministro da Justiça, fosse nos Estados Unidos, por exemplo, você acha que o ministro conseguiria se manter no cargo? E, pessoalmente, você acha que o Moro deveria renunciar ao Ministério da Justiça?

Eu tenho um amigo, dos meus melhores amigos da vida desde os 11 anos, agora um advogado na Flórida, que depois de ler nosso material, disse: “Se um juiz fizesse o que Moro fez, sem dúvida, esse juiz seria retirado, provavelmente não seria promovido porque é uma infração muito grave, colaborando com um lado e fingindo ser neutro”. Ele me disse ainda que todas as decisões desse juiz ficariam sob dúvida e que é impensável que o juiz pudesse manter qualquer cargo público, muito menos ser ministro da Justiça. Porque agora todos nós sabemos, porque nós lemos exatamente o que ele fez, o que ele disse, que ele vai quebrar qualquer regra de ética que ele quiser para realizar os objetivos dele.
Advogados brasileiros — que não são muito políticos — ficaram chocados e ofendidos quando olharam o material e eu também — porque o juiz tem muito poder, e com esse poder vêm muitas responsabilidades, muitas regras éticas. É um poder enorme para condenar alguém e botar alguém na prisão. E o Moro não quebrou uma regra uma vez, mas o tempo todo ele estava mostrando que ele não se importa nem um pouco com essas regras. Ele achou que era totalmente acima da lei e das regras, e é impossível ter alguém como juiz ou como Ministro da Justiça com essa mentalidade.

Como você avaliou a reação do Moro? Por exemplo, o primeiro pronunciamento escrito foi tuitar sua própria nota oficial via site do Antagonista. O que isso significa?

Primeiro, ele está usando o Antagonista para muitas coisas, o tempo todo. Ele está sempre citando o Antagonista, vazando para o Antagonista, todo mundo sabe disso…

O fato de ele usar o Antagonista mostra, para mim, que agora ele sabe que é o único apoio que vai ter — a identidade dele não é mais de juiz apartidário, agora Moro sabe que é uma figura da direita extremista.

E ele vai continuar assim porque todo mundo sabe que Moro não é uma pessoa contra a corrupção mas uma pessoa que faz corrupção quando quiser. E usar o Antagonista mostra que a única preocupação é o que a direita está pensando sobre os comportamentos dele.

E a reação dele, o que achou?

Foi totalmente arrogante, ele está quase falando: “Está me incomodando ter que responder isso”. E achei muito interessante a arrogância porque é exatamente: “Eu sou Sérgio Moro, eu não devo ser questionado, muito menos acusado”. É justamente essa arrogância que causou esse comportamento antiético: porque ele acha que está acima de tudo.

O vazamento do The Intercept Brasil demonstrou mais uma vez a importância de informações vazadas para jornalistas. O caso de pedido da extradição de Julian Assange foi pouco tratado na imprensa brasileira [Assange está com pedido de extradição para os Estados Unidos com 17 acusações como de espionagem e conluio para obter informações secretas]. Isso pode abrir precedente, com implicações até mesmo fora dos EUA?

Com certeza. Esse é o perigo principal que estão mostrando outros países que tentam criminalizar o jornalismo falando que, se você publica documentos secretos, que é o papel do jornalista, você pode ser processado criminalmente como parte dessa teoria de que está conspirando com a sua fonte. Antes desses episódios, sempre os jornalistas tiveram o direito de publicar qualquer material que eles recebessem, independentemente de como a fonte conseguiu obter os documentos. E esses casos, essas apreensões, são perigosas exatamente porque eliminam essa separação entre jornalista e fonte.

Você acha que a imprensa brasileira cobriu mal a Lava Jato durante esses mais de 5 anos? Queria que você me dissesse se sim ou se não e se você acha que foi falta de capacidade de investigação ou opção política?

Não. Acho que tiveram boa intenção. Corrupção é muito comum aqui no Brasil na direita, esquerda e no centro. Todo mundo chegou no limite e não aguentava mais. Eu entendo o apoio a Lava Jato ao ver políticos poderosos e bandidos finalmente na prisão, é natural. Eu também elogiei a Lava Jato, às vezes, por causa disso. Mas, exatamente como acontece com todos os humanos, qualquer grupo de pessoas que têm poder, como a Lava Jato, também tem a capacidade de abusar desse poder. E quando a grande mídia transforma Moro e a Força-Tarefa em deuses ou super heróis, se torna inevitável o que aconteceu. Os jornalistas pararam de investigar e questionar a Lava Jato e simplesmente ficaram aplaudindo, apoiando e ajudando.

Como eu disse, com exceção da Folha, que ficou sempre um pouco mais distante e mais independente e, obviamente, muitos jornalistas independentes. Estou falando sobre a grande mídia.

Eu vi que o Antagonista publicou que “uma denúncia anônima foi protocolada junto ao Ministério Público Federal contra o The Intercept”. E a gente está vendo desde a publicação da reportagem inúmeros ataques a você, ao seu companheiro David Miranda [deputado federal pelo PSOL], ataques homofóbicos, gente pedindo a sua deportação. Enfim, questões que te atingem pessoalmente. Você, sua família e também a equipe do The Intercept Brasil têm uma estratégia de defesa legal e digital? Como vocês estão pensando a questão da segurança daqui para frente?

Sim. Eu e meu marido estivemos juntos no caso do Snowden e nós lutamos contra os governos mais poderosos do mundo e a CIA, NSA Reino Unido… Estávamos sendo ameaçados o tempo todo. Então, nós já conhecemos essas questões muito bem. Eu moro aqui no Brasil há 14 anos, então conheço o Brasil muito bem. Eu sei como funciona.

Nós ficamos muitas semanas planejando como proteger a nos e a nossa fonte contra os riscos físicos, riscos legais, riscos políticos, riscos que vão tentar sujar a nossa reputação. Nós estamos prontos. Mas não existe nenhuma vida sem riscos. Não se pode eliminar riscos, pode-se tomar medidas para minimizar. Então, a equipe do The Intercept Brasil, que não tem a proteção como alguém com a minha visibilidade, que é casado com um deputado federal… Eles são jovens, 25, 30 anos, e são muito corajosos fazendo esse trabalho destemido. Sim, é muito perigoso, obviamente, e sou alvo dessa campanha para me expulsar do país, chamando-me de inimigo do Brasil, ameaça a segurança nacional e que devo ser preso.

Mas nós sabíamos que tudo isso iria acontecer, mas o que podíamos fazer? Têm jornalistas cobrindo guerras. Têm jornalistas sem visibilidade investigando corrupção contra pessoas muito perigosas. Se você não quer esses riscos, você não deve fazer jornalismo.

Após a publicação da entrevista na terça-feira, dia 11 de junho, a Rede Globo enviou uma nota na quarta-feira, 14 de junho. Leia aqui. Glenn respondeu por meio do seu twitter na quinta-feira, 13 de junho. Leia aqui.

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Guardia nacional aún no controla migración en el sur de México

IPS español - ter, 11/06/2019 - 16:32

La vida continúa con normalidad en el río Suchiate, que sirve de frontera natural entre Guatemala y México. El flujo de personas y mercancías permanece sin presencia de la Guardia Nacional mexicana, que según el acuerdo entre los gobiernos de Estados Unidos y México, va a controlar el flujo de migrantes centroamericanos en el sur del país. Crédito: Isaac Guzmán/En el Camino

Por José Ignacio De Alba
SUCHIATE, México, Jun 11 2019 (IPS)

El guatemalteco Fernando Hernández fue a entregarse a la Estación Migratoria Siglo XXI, en el estado mexicano de Chiapas para que lo devolvieran a su país, pero las autoridades mexicanas no quisieron detenerlo. Así que el muchacho tuvo que ir al río Suchiate para deportarse solo.

Se embarcó en una balsa para cruzar la afluente que divide a México de Guatemala y desde allí el inmigrante gritó con coraje: “hijos de su pinche madre los de migración”.

El día en que Hernández se autodeportó el gobierno mexicano debía reforzar la seguridad en la frontera con Guatemala con 6.000 efectivos de la Guardia Nacional.

En teoría los integrantes de la nueva policía militar se integrarían a personal de la Policía Federal y el Instituto Nacional de Migración para ayudar a contener la migración que llega por la frontera sur de México con Guatemala, dentro del acuerdo con la administración de Estados Unidos.

Pero en Chiapas, en el suroeste de México, poco detuvo al vibrante paso de personas.

El río Suchiate, la frontera natural, amaneció cargado de lancheros que navegan por debajo del puente que une oficialmente a Guatemala con México.

Por el pase legal algunos se forman, pero en el agua cientos de personas cruzan ilegalmente de un país a otro. Comerciantes que traen al lado mexicano principalmente verduras frescas, mientras que a Guatemala llevan atículos comestibles y de uso doméstico.

Familias enteras, televisores, bicicletas, detergentes, perros, cerveza mexicana, ventiladores, colchones, todo cabe en las balsas. El Suchiate no divide nada, es más fácil ir por el río que por el pase legal, a los lancheros les importa un comino cómo se llamen o si portan papeles. Por 25 pesos (1,3 dólares) cualquiera llega a México.

El balsero Cristian Alvarado trabaja en el Paso del Coyote, en Ciudad Hidalgo, cruza gente y mercancías de forma ilegal por el río.

Se le pregunta si le preocupa que desde este lunes 10 se empiece a desplegar la Guardia Nacional en la frontera, pero el muchacho está más preocupado de que las lluvias torrenciales hayan crecido el río. Se queja porque tiene que remar más por la misma paga.

Sonia Eloina Hernández, la presidenta municipal del municipio de Suchiate, dice en entrevista sobre el despliegue de la Guardia Nacional en la frontera sur, que “estamos esperando a la Guardia Nacional posiblemente hoy, mañana o pasado mañana”.

“No sabemos cómo va a estar, no sabemos a ciencia cierta sobre el despliegue. Lo único que reconozco al cien por ciento es la decisión del mi presidente de la República, Andrés Manuel López Obrador, un hombre de corazón bueno, nosotros aquí en Suchiate lo amamos”, añade.

Un efectivo del Ejército toma nombres de los periodistas en el retén El Manguito, en el kilómetro 299 de la carretera de Ciudad Hidalgo, en Tapachula, en la frontera de México con Guatemala, en el suroccidental estado de Chiapas. Crédito: Isaac Guzmán/En el Camino

Las preocupaciones de la presidenta municipal, perteneciente a Morena, el partido del presidente, giran en torno a un asunto: que la política del gobierno federal en la frontera no afecte a los almacenes de comestibles y productos domésticos que venden al mayoreo.

La funcionaria explica que el municipio de Suchiate vive esencialmente de vender productos a Guatemala, aunque algunos pasen de forma ilegal. Por eso, dice, la “Guardia Nacional debería enfocarse a tratar el tema de la migración, porque si no, se puede afectar a los comerciantes”.

Además de ser presidenta municipal, Hernández tiene una tienda de comestibles. Así que ella recomendará en reuniones que la Guardia Nacional se despliegue en las carreteras para detener migrantes y no en la orilla del Suchiate porque “seríamos afectados los comerciantes”.

El teniente de caballería del Ejército, Rogelio Bustos, encargado de la base de operaciones del municipio fronterizo Ciudad Hidalgo, rechaza ser entrevistado pero confía a los reporteros que “nosotros no sabemos nada de la Guardia Nacional”. Luego cuenta que hoy esta base opera de forma normal.

Uno de los militares encargados del apoyo a la Estación Migratoria Siglo XXI explica que no están seguros de cuándo les llegarán los brazaletes de la Guardia Nacional. Y a la pregunta de si recibirán capacitaciones, el militar responde: “nosotros ya estamos capacitados, en derechos humanos y en el uso de la fuerza”.

El lunes 10 se pudo constatar un retén donde elementos del Instituto Nacional de Migración, la Policía Federal y el Ejército detuvieron migrantes que viajaban en transporte público en las carreteras cercanas a Tapachula. Pero estas tareas no son excepcionales y no atienden al despliegue anunciado.

El gobierno mexicano contempla que operen 23 coordinaciones de la Guardia Nacional en la frontera sur del país.

El ministro de Relaciones Exteriores, Marcelo Ebrard, aseguró en días pasados que el lunes 10 se desplegarían 6.000 elementos de la Guardia Nacional en la frontera de México para contener la migración que llega del sur.

El anuncio se hizo mientras el gobierno mexicano terminaba de negociar el acuerdo con la administración de Donald Trump, que al menos por ahora evitó que Estados Unidos aplique su amenaza de establecer aranceles a productos mexicanos.

Pero esas negociaciones quedan muy lejos de las ocupaciones cotidianas de la gente que vive en esta frontera. Aquí, en el Suchiate, nadie parece entender de qué tratará la nueva política migratoria que se acordó allá en el norte. Y a nadie, tampoco, parece importarle.

Este articulo fue originalmente publicado por En el Camino,  un proyecto de Periodistas de a Pie . IPS-Inter Press Service tiene un acuerdo especial con Periodistas de a Pie para la difusión de sus materiales.

RV: EG

El artículo Guardia nacional aún no controla migración en el sur de México fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Desarrollo de tecnologías para economías europeas de cero carbono

IPS español - ter, 11/06/2019 - 14:00

Por Nils Røkke
TRONDHEIM, Noruega, Jun 11 2019 (IPS)

Nunca antes medio grado centígrado ha significado tanto para la humanidad. Nos estamos comportando como si tuviéramos tiempo para enfrentar el cambio climático. Y no es cierto. El principal problema es que creemos que debemos sacrificar el crecimiento y la prosperidad por el bien de la descarbonización. Y tampoco es verdad.

Aumentar las inversiones

Podemos descarbonizar la economía y crear al mismo tiempo empleos y crecimiento. En el caso de la Unión Europea (UE), esto requiere que los Estados miembros incrementen las inversiones en investigación de energía y tecnologías de energía renovable.

Europa puede tomar la iniciativa invirtiendo en investigación y revisando sus regulaciones para hacer de la sostenibilidad una ventaja competitiva. El sector público y el privado deben trabajar juntos para crear prototipos de tecnologías rápidamente y luego transformarlos programas piloto.

Esto requiere incentivos de investigación e innovación. Para mostrar el efecto de estos enfoques, me gustaría señalar algunos ejemplos concretos.

Para aumentar las inversiones en investigación en Europa, los institutos de investigación, el sector público y el privado deben vincular la financiación nacional a los programas de la UE. Los fondos de investigación existentes deben gastarse más sabiamente.

Nils Røkke

Simultáneamente, el sector público y el privado deben planificar, trabajar y evaluar proyectos como socios reales. Estoy seguro de que esto incentivará y acelerará los negocios e ideas amigables con el clima y que funcionen en el mercado.

Un ejemplo de una asociación público-privada efectiva es el apoyo del gobierno noruego a las instalaciones de investigación para la captura y almacenamiento de carbono en múltiples ubicaciones para múltiples industrias. Esto incluye la planta de cemento Norcem, en  Breivik, y el reciclaje de energía de la planta incineradora Klementsrud, en Oslo.

Aprovechando las asociaciones público-privadas

El gobierno noruego ha entendido que para equilibrar su presupuesto nacional de carbono, el sector público necesita apoyar a la industria privada. La prueba de que este enfoque funciona es la primera solución a gran escala de captura y almacenamiento de carbono que se implementará en la planta cementera en Brevik, un suburbio de la sureña ciudad de Porsgrunn.

Los planes apoyados por el gobierno para el desarrollo de capacidades, investigación e innovación han respaldado este desarrollo planificado. Esto también ha incluido proyectos que operan bajo los programas marco de la UE para la investigación.

Necesitamos más soluciones que sean sostenibles, efectivas y realistas para el 2030. Lo que significa que también necesitamos una mayor asociación público-privada.

Cambio regulatorio

Al mismo tiempo, los países deben regular para garantizar que los proyectos y desarrollos  sostenibles se conviertan en una ventaja competitiva y que las tecnologías sostenibles se implementen y se adopten rápidamente. Un claro ejemplo positivo en el campo industrial es el mercado europeo de cuotas de carbono.

Requerir que las compañías paguen por sus emisiones los incentiva a encontrar las formas más innovadoras y efectivas de reducir sus emisiones. Las empresas que pueden reducir las emisiones de la manera más rentable serán a su vez más competitivas. Las empresas que cambien captarán cuota de mercado y crecerán.

Las regulaciones también son una forma increíblemente eficiente de impactar en el comportamiento del consumidor y del mercado y, por lo tanto, qué tecnologías se venden, son rentables y se mejoran. Un ejemplo común de esto es el enfoque del gobierno noruego para regular el mercado de vehículos particulares.

Los vehículos eléctricos están exentos de muchos impuestos y tarifas en Noruega, lo que los hace muy atractivos en comparación con los vehículos con motores de combustión interna. Todos estos incentivos han tenido un impacto significativo en los consumidores que adoptan vehículos eléctricos.

En marzo de 2019, Noruega se convirtió en el primer país del mundo en vender más vehículos eléctricos que vehículos de combustión interna.

Incentivando la investigación energética

El aumento de los fondos para la investigación energética y el cambio de los comportamientos mediante la regulación son importantes para el cambio, pero los proyectos piloto a gran escala solo se realizarán cuando se incentive la investigación energética en sí misma. Ninguna tecnología o sistema único puede generar aisladamente una sociedad de cero emisiones.

Por lo tanto, cada país debe considerar las herramientas a su disposición para incentivar la investigación en tecnologías para la energía renovable.

Este fue el telón de fondo para establecer la iniciativa de Misión Innovación, lanzada en la cumbre climática de París, de diciembre de 2015, donde se aprobó el Acuerdo de París, destinado a contener el incremento de la temperatura en el planeta.

¿Por qué solo 1,8% del financiamiento público para investigación y desarrollo se invierte en energía limpia cuando la energía limpia es una de las formas más importantes de lograr la neutralidad climática?

Misión Innovación apunta a duplicar la inversión en energía limpia para generar más inversión del sector privado. Después de todo, el dinero público no puede resolver este desafío por sí solo.

Los países necesitan trabajar juntos. En la Alianza Europea de Investigación en Energía (EERA) trabajamos arduamente para asegurarnos de facilitar la cooperación en la mayor medida posible. Un proyecto concreto al que me gustaría llamar la atención es el Programa Conjunto para Energía Solar de Concentración (JP-CSP).

El objetivo clave de la estrategia de cooperación internacional del programa es fomentar la transferencia de conocimiento y tecnología de la investigación europea avanzada a las áreas más prometedoras para la energía solar térmica.

En el marco del programa de investigación integrado STAGE-STE (Alianza científica y tecnológica para garantizar la excelencia y liderazgo europeos en energía termosolar), financiado con fondos de la UE, el JP-CSP ha integrado con éxito socios de cuatro continentes: desde Australia a Chile, Brasil, México, India, China, así como a países de Medio Oriente y Norte de África como Libia, Marruecos y Arabia Saudita.

Pero la UE siempre puede hacer más. Una recomendación concreta que me gustaría dar como vicepresidente ejecutivo de Sostenibilidad en el Instituto de Investigación Independiente SINTEF, uno de los mayores de Europa,  y presidente de EERA es aumentar el presupuesto para el próximo programa marco de investigación Horizonte Europa. La sugerencia inicial de 100.000 millones de euros debería ampliarse a 120.000 millones.

Necesitamos una sala de presupuesto para poder perseguir completamente las ideas que tienen más sentido. Además, debemos asegurarnos de que la investigación que hacemos impregne completamente la industria.

Por lo tanto, debe fortalecerse aún más el denominado “segundo pilar” de Horizonte Europa, la parte que conecta la investigación con las oportunidades industriales.

Hay muchas soluciones y tecnologías que se requieren para generar las tecnologías y técnicas para un futuro más sostenible. Todos los países y Estados miembros de la UE deben aumentar sus inversiones, regular para garantizar que la sostenibilidad se convierta en una ventaja competitiva e incentivar la investigación para realizar tantas soluciones como sea posible.

La tecnología puede mantenernos en la carrera por prevenir el calentamiento planetario, los empleos y el crecimiento económico. ¿Cómo podemos derrochar en esa inversión?

T: MF

 

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Jair Bolsonaro exonera todos os peritos do Mecanismo de Combate à Tortura

Pública - ter, 11/06/2019 - 13:12

O presidente Jair Bolsonaro exonerou, através de decreto publicado hoje, dia 11 de junho, todos os peritos do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), órgão responsável por investigar violações de direitos humanos em locais como penitenciárias, hospitais psiquiátricos, abrigos de idosos, dentre outros.

O decreto 9.831, assinado ontem, ainda determina que a nomeação de novos peritos para o órgão precisará ser chancelada por ato do próprio presidente, e que esses novos membros não irão receber salário. Além disso, o ato de Bolsonaro ainda proíbe que os novos peritos tenham qualquer vinculação a redes e entidades da sociedade civil e a instituições de ensino e pesquisa, dentre outros.

“Fomos pegos de surpresa. É bastante claro que se trata de uma retaliação ao trabalho que a gente vem desenvolvendo”, afirmou à Pública um dos peritos demitidos, Daniel Melo. Como a Pública havia revelado, desde o início do governo Bolsonaro, os integrantes do Mecanismo vinham denunciando que a ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, trabalhava para impedir a atuação dos peritos. Em fevereiro, integrantes do Mecanismo e do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (CNPCT) afirmaram que a ministra impediu a vistoria a penitenciárias do Ceará para avaliar denúncias de maus tratos e tortura no sistema prisional cearense.

Acervo MNPCTApós primeira viagem ser negada pelo Ministério dos Direitos Humanos, peritos inspecionaram prisões no Ceará e denunciaram violações

Segundo o perito, o decreto também torna inviável a atuação dos futuros peritos já que, sem remuneração, dificilmente teriam capacidade de conduzir investigações extensas. “É inviável [o trabalho voluntário]. Para se ter autonomia, fazer visitas, conseguir minimamente organizar um trabalho, você precisa de sustento. O trabalho do perito não pode ser um cargo como o de um conselheiro, que você vai pontualmente a uma reunião e vai embora”, critica.

A denúncia dos peritos em fevereiro gerou uma crise no Ministério dos Direitos Humanos, que criticou o Mecanismo, mas autorizou posteriormente a inspeção nas penitenciárias do Ceará. Em abril, após realizarem as visitas, os peritos divulgaram um extenso relatório que apontou instalações superlotadas, presos com mãos e dedos quebrados e lesões na cabeça afirmando terem sido atingidos por chutes ou golpes de cassetetes, celas alagadas, tomadas por mofo, e falta de medicamentos para detentos com tuberculose e hepatite.

O relatório da inspeção ainda denunciou que presos soropositivos estavam sem acesso ao atendimento médico e impedidos de receber visita de familiares que poderiam trazer os coquetéis contra o HIV. Durante as vistorias, os peritos encontraram uma cela, nos mesmos presídios, ocupadas por detentos ex-policiais e filhos de policiais com colchão, ventilador e mosquiteiro.

A Pública procurou o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos mas ainda não obteve retorno.

Atualizado às 18h33. Resposta do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos: “As medidas adotadas pelo Governo, com a edição do Decreto n. 9.831/2019 visam garantir que os trabalhos desempenhados pelos peritos do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura sejam de natureza estritamente técnica e autônoma. Deste modo, os peritos poderão atuar normalmente, com independência funcional suficiente para a realização das perícias, o que foi reassegurado pelo novo decreto. Com a nova medida, o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura poderá ser, inclusive, ampliado, e o Governo Federal atuará nesse sentido.”

O Ministério também afirma que o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) permanece ativo e segue como órgão integrante da estrutura do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. “A exoneração dos cargos em comissão com a manutenção da função de perito, como serviço público relevante, apenas muda um paradigma, de modo que o serviço dos peritos continuará sendo desempenhado regularmente, mas sem remuneração, como afirmado anteriormente.”

Peritos devem denunciar decreto de Bolsonaro ao Ministério Público

“A gente aponta que o Estado brasileiro tem provocado a tortura e violado os direitos das pessoas privadas de liberdade. [O decreto de Bolsonaro] faz lembrar os Atos Institucionais [da Ditadura] porque somos garantidos por Lei Federal e, de repente, por meio de um decreto, somos exonerados”, critica o perito.

De acordo com o perito Daniel Melo, a demissão dos peritos será levada ao Ministério Público Federal (MPF), além de organismos internacionais. No início do ano, a denúncia que Damares havia impedido a visita do Mecanismo às prisões cearenses foi levada à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do MPF, à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Corte Interamericana

Contudo, mesmo após as denúncias, o Ministério de Damares não recompôs o quadro de peritos, já que vários estão com mandato vencido — dos 11 peritos previstos em Lei, o Mecanismo contava apenas com sete até a publicação do decreto, sendo que dois desses ainda aguardavam nomeação.

No último relatório bianual divulgado pelo sistema de proteção contra a tortura, o grupo relatou situações degradantes durante visita a presídios do Complexo do Curado, em Recife (PE). Pavilhões que deveriam abrigar 50 presos possuíam mais de 150 detentos. Havia uma série de espaços insalubres, com vigas expostas, vazamentos, mofos e sem circulação de ar. Em Belém do Pará, o grupo havia apontado superlotação no hospital psiquiátrico do sistema penitenciário. Segundo o relatório, havia 96 leitos para mais de 180 pessoas, além de cinco pessoas que permaneciam internadas apesar de já terem a medida de restrição extinta.

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The future of work ‘with social justice for all’ tops agenda of centenary UN Labour conference

UN SGDs - seg, 10/06/2019 - 15:26
The Centenary International Labour Conference got underway on Monday at the UN in Geneva, with ILO chief Guy Ryder, calling on hundreds of delegates from around the world to help “construct a future of work, with social justice for all”.
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UN makes ‘declaration of digital interdependence’, with release of tech report

UN SGDs - seg, 10/06/2019 - 15:06
The digital future must be safer and more inclusive, says a new tech report, “the Age of Digital Interdependence”, released on Monday by the UN High Level Panel on Digital Cooperation, almost a year after the Panel was launched by Secretary-General António Guterres.
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Emigrantes pueden invertir en Cuba, pero necesitan incentivos

IPS español - seg, 10/06/2019 - 14:48

En el oriental municipio de Palma Soriano, algunos obreros laboran en uno de los talleres de la estatal Empresa de Servicios Técnicos Industriales, destinada a dar soporte técnico y de servicios a la industria azucarera de Cuba, con el fin de sustituir las importaciones en el sector. Crédito: Jorge Luis Baños/IPS

Por Ivet González
LA HABANA, Jun 10 2019 (IPS)

Sorpresa, escepticismo, moderada esperanza y, sobre todo, dudas y preguntas, provocó la aclaración oficial de que las personas emigrantes de Cuba pueden invertir en grandes proyectos estatales, acogiéndose a una ley de 2014, que no pone restricciones al origen del capital extranjero.

El tema lo trajo a colación el viernes 7 el estatal sitio de noticias Cubadebate, que comienza por citar un tuit del 31 de mayo del ministro cubano de Comercio Exterior, Rodrigo Malmierca, en que tras invocar la Ley 118 de inversión Extranjera reitera que lo ciudadanos cubanos con residencia permanente en el exterior pueden invertir en la isla.

“No señala en ningún lugar la ciudadanía u origen, pero sí queda claro que el inversionista tiene el domicilio y capital fuera de Cuba”, añadió Déborah Rivas, directora general de Inversión Extranjera de ese ministerio, en una entrevista con el medio que brinda más detalles sobre el novedoso asunto.

Cientos de comentarios inundaron las páginas digitales informativas locales y las redes sociales sobre la que parece la primera gran medida de las autoridades para enfrentar la grave recaída económica, acentuada por el recrudecimiento del embargo y la política hostil del actual gobierno estadounidense.

La medida resulta controversial internamente porque los cubanos que viven en el país están impedidos de invertir en proyectos estatales, al contrario de lo que se ha precisado ahora que pueden hacer los que residen en el exterior.

De cualquier modo, especialistas cubanos que residen dentro y fuera del país consultados por IPS recomiendan el incremento de los incentivos para captar ese capital.

“En España y México hay una fuerte comunidad cubana con capitales dispuestos a invertir en Cuba”, dijo a IPS el economista Omar Everleny Pérez. “Pero no basta con una buena ley de inversión de 2014”, apuntó, para atraer a un segmento que sin reconocimiento ni protección específica ya tiene capital en el creciente sector no estatal.

“El entorno macroeconómico y la credibilidad del país, son elementos que no se pueden desechar para tomar una decisión inversionista”, continuó. “Y debe acabarse la discrecionalidad en la toma de decisiones y el excesivo tiempo que lleva la aprobación de un negocio”, reiteró, sobre obstáculos internos a las inversiones.

También lamentó que las autoridades cubanas no hayan aprovechado la etapa de mejores relaciones con Estados Unidos, en el bienio 2015-2016, para hacer esta aclaración.

“Interés por parte de la emigración cubana siempre ha existido, incluso en negocios grandes, como el azúcar, y nunca se dio una respuesta acertada después de 2015”, dijo, en referencia al año del restablecimiento de las relaciones diplomáticas entre los dos países.  “Muchas desavenencias han estado en ambas orillas”, balanceó.

Vista de la Zona Especial de Desarrollo de Mariel, en la occidental provincia de Artemisa, que surgió con la intención de convertirse en un polo de inversión externa y de logística en Cuba. Crédito: Jorge Luis Baños/IPS

En un estudio difundido en abril, la Organización Internacional para las Migraciones (OIM) contabiliza la diáspora en 1.558.312 de cubanas y cubanos que viven en 120 países y equivalen a 13,6 por ciento de los 11,2 millones de habitantes residentes en la isla.

El mayor número reside en Estados Unidos (1.252.037 personas), seguido por España (132.378). México, con 18.111, encabeza los países latinoamericanos que acogen migrantes de Cuba, por delante de Venezuela (11.601), Costa Rica (5.791), República Dominicana (3.927), Chile (3.173), Ecuador (3.083) y Panamá (2.917).

“Debe partirse de reconocer la realidad: desde hace tiempo los cubanos no residentes invierten en Cuba”, especificó por su parte el economista Pedro Monreal. “Una parte de las remesas se destinan a crear y ampliar actividades privadas y cooperativas que funcionan de manera legal”, añadió a IPS.

A su juicio, el reconocimiento a ese aporte que ya realiza la emigración cubana a la economía nacional, además de la legalización de las pequeñas y medianas empresas privadas, pueden ser señales que contribuyan a elevar la confianza y seguridad de la oferta del Estado cubano.

También sugirió a las autoridades revisar la actual carpeta de oportunidades, que está diseñada para empresarios con grandes montos financieros y que puedan enfrentar altos riesgos.

“Es poco probable que un inversionista cubano no residente -con capital pequeño o mediano- se decida a invertir legalmente, pero con un costo de transacción alto”, dijo Monreal sobre una característica de la mayoría de los actuales posibles negocios, que puede resultar desestimulante con respecto al sector privado.

La alicaída economía cubana requiere de altas sumas anuales de inversiones, que hasta el momento no se han logrado, para revertir la crisis casi crónica que soportan sus 11,2 millones de habitantes con altas y bajas desde 1991, cuando colapsó la Unión Soviética y el bloque socialista del este europeo, del que dependía la isla caribeña.

Personal técnico monitorea el proceso de producción de medicamentos, en un laboratorio perteneciente al estatal grupo empresarial Labiofam, en la occidental provincia Cienfuegos, en Cuba. El sector de la salud se considera uno de los que podría ser atractivo para la inversión externa. Crédito: Jorge Luis Baños/IPS

Fuentes oficiales indican que desde 2014, se ha comprometido capital por 5.500 millones de dólares, cifra muy por debajo de los 2.500 millones de dólares anuales que las autoridades aspiraban a captar para salir de la crisis.  Más de 30 proyectos adicionales, por un monto que supera los 1.500 millones de dólares, están en fase de negociación.

Y la actual cartera de oportunidades para la inversión extranjera cuenta con 525 proyectos estructurados, aunque especialistas sugieren ampliar las áreas previstas de cara al nuevo escenario y a las y los emigrados como posibles inversores.

“La cartera debería marcar las prioridades estratégicas, pero no constituir una camisa de fuerza”, evaluó para IPS el economista y académico Mauricio de Miranda. “Las opciones son inmensas pero no siempre se reflejan la cartera de posibilidades ofrecidas por el gobierno”, lamentó.

Para el experto, la diáspora puede apoyar en áreas golpeadas en la actualidad por la crisis.

“Un rubro que podría ser rentable para el inversionista y beneficioso para el consumidor cubano podría ser el establecimiento de negocios relacionados con cadenas de supermercados”, propuso. “Eso solucionaría en gran medida el desabastecimiento que resulta de la escasa liquidez del gobierno”, explicó De Miranda.

También observa potencialidades en servicios de Internet y telefonía, sector inmobiliario, transporte, comercio minorista y mayorista, servicios profesionales y logísticos, banca y finanzas, turismo y recreación, consultoría de empresas, servicios jurídicos, contables y de auditoría; ensamblaje de equipos electrónicos, proyectos agrícolas y construcción.

“El anuncio, más que efectos jurídicos, demuestra un posible cambio de política ante la necesidad económica y una demostración de que lo importante en Cuba no es el marco legal, sino las políticas que por detrás definen su uso”, explicó a IPS el jurista Eloy Viera, sobre la viabilidad de la medida en la legislación vigente.

No obstante, lamentó que la ratificación “no alcanza a otorgarles, a los cubanos residentes en el exterior, un trato preferencial en su condición de inversores nacionales”.

Especialistas que han propuesto a las autoridades cubanas replicar las reformas económicas realizadas en China y Vietnam, dos países de gobiernos socialistas como Cuba, reiteran que el capital de sus ciudadanos en el exterior resultó clave para el despegue de las economías de ambas naciones asiáticas.

Apenas tres días después de su publicación,  el artículo de Cubadebate había suscitado ya 115 comentarios, muchos referidos al hecho de que al cabo de cinco años de aprobada la Ley de Inversiones no existan proyectos presentados por ciudadanos de la diáspora.

Al respecto, Rivas, la responsable de Inversión Extranjera,  aseguró que sí han existido varias propuestas, pero algunas no han prosperado por orientarse a actividades que no están comprendidas en las políticas sectoriales definidas para el capital foráneo.

“También hay algunas en proceso de negociación y en preparación para presentarse a aprobación”, dijo.

Con aportes de Patricia Grogg, desde La Habana.

Edición: Estrella Gutiérrez

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El artículo Emigrantes pueden invertir en Cuba, pero necesitan incentivos fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Marina Ganzarolli: “Queria eu que o Judiciário valorizasse a palavra da vítima”

Pública - sab, 08/06/2019 - 13:31

Na última quarta-feira (6), o deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) apresentou na Câmara projeto de lei que altera o artigo do Código Penal sobre “denunciação caluniosa”. Se aprovada a proposta, a pessoa condenada por fazer uma falsa acusação envolvendo “crimes contra a dignidade sexual” pode ter a pena aumentada em um terço. Jordy anunciou o fato no Twitter e não demorou para que o PL fosse apelidado como lei “Neymar da Penha”, em referência ao caso do jogador acusado de estupro por uma modelo.

Ao jornal Estadão, o parlamentar admitiu que “o momento atual foi determinante” para que apresentasse o PL. O pai do jogador chegou a agradecer “o apoio” mas rejeitou os projetos de lei propostos em nome do filho.

Em entrevista à Pública, a advogada Marina Ganzarolli, cofundadora da Rede Feminista de Juristas e doutoranda em Sociologia Jurídica pela Universidade de São Paulo (USP), critica a proposição do projeto. Ela afirma que, além de desnecessária, uma vez que o Código Penal já prevê punições a falsas denúncias, a medida “não tem nada a acrescentar ao enfrentamento da violência e tampouco ao enfrentamento do falso testemunho”. Para a advogada, o PL “Cria mais uma barreira para algo que já possui diversas barreiras, traz mais um obstáculo, mais um desincentivo. Passa um recado para a mulher vítima de violência: não denuncie, porque você vai sofrer um processo e vai se ferrar, já que vai ser sua palavra contra a dele e ele vai ganhar”, explica.

Ganzarolli destaca ainda que os crimes de violência sexual são, na verdade, subnotificados devido às barreiras que as vítimas – em sua maioria mulheres – encontram para denunciá-los. “O gargalo se inicia antes da delegacia e prossegue pelo Judiciário. Ainda carecemos de capacitação em gênero adequada para as polícias militar e civil e aos juízes que integram as Varas de audiências de custódias.”

Victor Moriyama/Divulgação“Existe um custo psicológico, econômico, emocional e social para a vítima que denuncia”, diz a advogada e pesquisadora Marina Ganzarolli

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que os registros de estupro vêm aumentando no país e especialistas dizem que o cenário pode ser ainda pior porque há subnotificação. Segundo sua experiência no atendimento a mulheres que sofreram violência sexual, por que as vítimas ainda têm dificuldade de denunciar esses crimes?

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a notificação dos crimes de violência sexual no Brasil é de 35% [dados de 2015], ou seja, é um crime extremamente subnotificado. Isso porque existe um custo psicológico, econômico, emocional e social para a vítima que denuncia. O que observamos de forma estrutural e sistêmica é que a vítima é revitimizada e culpabilizada não só pela sociedade mas pelo próprio Judiciário, e nisso incluo todo o sistema de Justiça, da porta da delegacia ao promotor, juiz, desembargador. Quando falamos hoje de crimes sexuais no Brasil, estamos basicamente falando de crimes contra a criança e o adolescente – aproximadamente 70% deles são contra menores de 17 anos e cerca de 50% são contra menores de 13, segundo estatísticas da Plan International [a organização utiliza dados do Atlas da Violência 2018, produzido pelo Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública com números de 2016]. Estamos tratando de uma violência que acontece entre quatro paredes, num ambiente doméstico ou privado, cujo agressor é do círculo social e afetivo da vítima – pai, padrasto, irmão, cunhado, vizinho da família ou amigo. Estatisticamente falando, o usual é haver uma demora na denúncia, a mulher vai entender o que aconteceu com ela ou sentir a necessidade e coragem de falar anos depois, e a vítima inclusive continua em contato com o agressor porque ele é da família dela, da faculdade, escola, trabalho.

Na prática, quais os maiores entraves para que vítimas de violência sexual façam a denúncia?

Para ela entrar na delegacia, já rompeu uma série de barreiras, pois se chegou nesse estágio é porque já está entre os 35% de notificação. Todos os dias recebo uma denúncia dizendo “doutora, fui à delegacia fazer um BO e saí sem ele porque me dissuadiram” – isso na capital mais rica do país. O gargalo se inicia antes da delegacia e prossegue pelo Judiciário. Ainda carecemos de capacitação em gênero adequada para as polícias militar e civil e aos juízes que integram as varas de audiências de custódias. Ao longo desses anos, com a Lei Maria da Penha, conseguimos investir na capacitação dos juízes e juízas das varas de violência, mas não conseguimos formar todos os profissionais. Aqueles juízes que estão nas varas de execução penal e nas varas criminais, que fazem audiência de custódia, muitas vezes não passaram pela capacitação e sensibilização necessárias para o enfrentamento da violência baseada no gênero. Cada tipo de crime é uma especialidade dentro do Direito Penal; a violência baseada no gênero requer capacidade técnica específica e existem estudos e teorias sobre isso. Infelizmente, falta a capacitação dos agentes operadores do Direito para o enfrentamento desse tipo de crime.

A “denunciação caluniosa” em crimes de abuso sexual é uma questão no Brasil? Casos assim ocorrem com frequência e configuram um problema que precisa de solução urgente?

Hoje, no Brasil, temos um índice muito pequeno de falso testemunho nos crimes sexuais, semelhante ao de outros crimes. É um dado quase residual: os falsos testemunhos estão em porcentagem baixíssima e são desconstruídos ao longo dos inquéritos. O nosso sistema de Justiça preza o in dubio pro reo, busca garantir o amplo contraditório, o direito à defesa, e exatamente por isso os falsos testemunhos se desconfiguram muito facilmente. A mulher que entra em uma delegacia e descreve uma situação de violência sexual – e é interessante observar que essa vítima específica, do caso do Neymar, foi à delegacia e não à imprensa – já rompeu uma série de barreiras sociais, culturais e muitas vezes geográficas, mas com certeza será questionada sobre seu próprio comportamento sexual e sua autonomia. “O que você estava fazendo, por que estava lá, que roupa estava vestindo, quantos relacionamentos sexuais já teve, é casada?” Da minha experiência – há treze anos atendo vítimas de violência doméstica e sexual –, observo que nenhuma mulher ou ser humano em sã consciência quer passar por tamanho constrangimento. Não é agradável, ameno ou simples; é uma revitimização super pesada, tanto que eu mesma, como advogada, faço questão de conversar com as vítimas que atendo sobre o quão violento será o processo, para que iniciem o procedimento com plena consciência do que pode acontecer. Temos uma dificuldade no enfrentamento aos crimes sexuais porque quase 90% das vítimas são mulheres e em nossa sociedade existe desigualdade de poder entre homens e mulheres, o que não é uma questão de opinião, o machismo é quantificável – somos 51% da população brasileira mas ocupamos 15% das cadeiras da Câmara dos Deputados, ganhamos cerca de 20% a menos que os homens nos mesmos cargos. Aos homens é ensinada a ideia de que podem exercer sua sexualidade em todos os lugares, já às mulheres não cabe o exercício autônomo e livre da sua sexualidade. Negar que essa é uma expressão cultural da nossa sociedade que obviamente reflete no enfrentamento à violência sexual é negar um fato. É óbvio que qualquer mulher que sofra violência e busque seus direitos será colocada sob julgamento.

Michel Jesus/Câmara dos DeputadosO deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) apresentou projeto de lei que aumenta a pena para denúncias falsas de crimes sexuais

Na justificativa de seu projeto, o deputado Carlos Jordy diz que “as declarações da suposta vítima constituem importante meio de prova” em processos de violência sexual e que às vezes essas declarações são “suficientes para sustentar a condenação do réu na falta de provas mais consistentes”. Isso se observa na prática?

Queria eu que o Judiciário valorizasse a palavra da vítima. Não valoriza, pelo contrário: in dubio pro reo. Todo processo penal terá no mínimo o depoimento da pessoa que acusou e o da pessoa acusada, isso é básico, são os dois primeiros elementos de prova. A grande maioria das absolvições ocorre precisamente porque [os elementos de prova] se reduzem à palavra do agressor e da vítima, e aí, na dúvida, pro reo. Temos condenações em casos como o do estupro coletivo do Rio [em 2016, uma adolescente de 16 anos foi violentada por cerca de 30 homens em uma comunidade], em que havia uma gravação, algo inegável, ou quando há outras testemunhas. Quando é a palavra da vítima contra a do agressor, invariavelmente é in dubio pro reo, o acusado é absolvido. O que a gente precisa, no Brasil, é a valorização do depoimento da vítima, precisamente o contrário do que ocorre hoje.

De que forma os crimes de violência sexual são tratados pela Justiça brasileira?

Hoje no Brasil temos um índice baixíssimo de condenação em crimes sexuais, pouquíssimas pessoas são condenadas por estupro. Por sua característica intrínseca de ser cometida em um ambiente privado, em quatro paredes, normalmente por um conhecido, na grande maioria dos casos de violência sexual é a palavra da vítima contra a do agressor, os elementos de prova possíveis são muito restritos em termos de testemunho. A construção da narrativa se dá sempre a partir da perspectiva da vítima. Quando uma pessoa vai denunciar um furto ou roubo, ninguém pergunta a ela porque estava usando um Rolex, por que tem o carro do ano ou mora no Jardim América. Para a vítima de violência sexual, sim: há um deslocamento do foco. Quando há um crime, tenta-se traçar o perfil do agressor, e não da vítima, porque a intenção é condenar o agressor. Esse é um movimento natural em todos os processos, menos nos de crimes sexuais, em cuja composição entra o fator cultural. Isso é muito problemático porque cria uma série de mitos no enfrentamento à violência contra a mulher, mitos estes construídos ao longo de séculos. Um exemplo é o romance da Lolita e a ideia de que uma jovem mulher sedutora e precoce é capaz de encantar e ludibriar um homem direito. Essas ideias permeiam a cultura ocidental há muito tempo e são uma barreira cultural ao enfrentamento da violência sexual contra a mulher.

No geral, qual a sua avaliação sobre a proposição desse projeto de lei?

Essa proposta de lei, do ponto de vista científico, é absolutamente infundada, e do ponto de vista material, do que temos hoje enquanto barreiras no enfrentamento da violência contra a mulher, é totalmente desmedida e descabida. Já possuímos um tipo penal para denunciação caluniosa, não existe necessidade de criarmos um tipo específico para denunciação caluniosa nos crimes sexuais. Essa é muito mais uma medida factóide e oportunista diante de um caso de grande relevância na esfera pública envolvendo o Neymar, que vejo como uma ótima oportunidade de discutirmos a gravíssima situação da violência sexual no Brasil. Temos um índice baixíssimo de condenações e processos de violência sexual, são poucos os casos em que conseguimos disputar o Judiciário, as mulheres não querem denunciar. Essa medida não tem nada a acrescentar ao enfrentamento da violência e tampouco ao enfrentamento do falso testemunho. Cria mais uma barreira para algo que já possui diversas barreiras, traz mais um obstáculo, mais um desincentivo. Passa um recado para a mulher vítima de violência: não denuncie, porque você vai sofrer um processo e vai se ferrar, já que vai ser sua palavra contra a dele e ele vai ganhar, pois a você não cabe o exercício da sexualidade e a ele sim. E também um recado aos homens, não só aos agressores, como também àqueles que nunca agrediram mas que a partir disso se sentem legitimados a agredir, ou sentem que haverá impunidade para uma eventual denúncia.

Que tipo de medida – lei, política pública ou alguma outra – por parte das autoridades seria mais urgente para combater a violência sexual contra a mulher no Brasil?

Falta no Brasil um sistema de enfrentamento à violência sexual. A partir da Lei Maria da Penha, considerada pela ONU um dos melhores marcos de enfrentamento à violência doméstica do mundo, conseguimos desenvolver um sistema de proteção aos direitos da mulher. Ele envolve delegacias e Varas especializadas em Violência Doméstica, capacitação e política de reciclagem específica para os técnicos e operadores do Direito que estão nessas áreas especializadas, uma série de normativas do sistema público de saúde e de assistência social voltadas pra isso. Por que a Lei Maria da Penha é boa? Porque ela não fala de cadeia, não fala de prisão, fala de assistência social, de saúde, de medidas protetivas, de todas as outras coisas que garantem que a mulher vítima de violência doméstica possa romper o ciclo da violência. Porque prender o cara não resolve, ele sai e volta a bater nela ou bate em outra. A Lei Maria da Penha é boa porque é interdisciplinar. E isso falta ainda no Brasil, não do ponto de vista legal, mas do ponto de vista da política pública. Por exemplo, uma possibilidade seria – eu defendo muito isso como uma medida viável e factível – incluir na competência das Varas de Violência Doméstica a violência sexual contra a mulher. Que as Varas da Violência Doméstica sejam não só de Lei Maria da Penha, mas de todos os crimes baseados em gênero, porque é possível aplicar uma política pública de educação para as Varas de violência mas não é possível fazê-la para todos os operadores de Direito de todas as varas de todos os tribunais.

A gente trata a parte criminal na Vara de Violência Doméstica e a parte de divórcio, guarda, pensão, na Vara de Família. Isso é um problema, porque a juíza da vara de violência já tem um desenvolvimento técnico no assunto e tira a visita, já que o pai é agressor, mas o juiz da Vara de Família restitui a visita e fica um juiz brigando com o outro. Aí a gente não aplica a Lei Maria da Penha totalmente. Não acho que é uma carência legal, nao é uma carência legislativa, a gente ja tem leis suficientes para tratar dos crimes sexuais, recentemente teve a lei da importunação sexual, alteraram o crime de estupro, agora tem o estupro corretivo, o coletivo, tudo isso são alterações penais, criminais e ninguém é preso por estupro no Brasil, então nao adianta ficar mexendo no sistema penal. Tem que mexer no sistema de proteção, assistência social, saúde, educação. A barreira não é legislativa, mas sim de aplicação. Temos a Lei do Minuto Seguinte, que trata do atendimento do estupro no SUS, junta todas as normativas do Ministério da Saúde e diz para o operador da saúde como ele tem que atender a vitima de violência sexual. É uma lei que fala “você tem que dar a pílula do dia seguinte, você tem que dar o coquetel antirretroviral, você tem que informar que ela tem o direito legal a fazer o aborto, você tem que recolher o material biológico do canal vaginal”. Tudo isso isso que está lá é óbvio, não precisaria estar em uma lei. Isso já existia, já estava nas normativas do MS. Na época, a presidente [Dilma Rousseff] fez essa lei porque estava se questionando se podiam atender a vítima ou não. A gente tem lei, tem um monte, o problema é a aplicação. Eu acompanhei um caso de uma menina estuprada que foi toda ensanguentada para o hospital Albert Einstein porque era virgem e a mulher que a atendeu deu um contraceptivo de emergência pra ela, disse “vai na delegacia fazer um B.O” e a mandou ela embora. Não fez um laudo, não recolheu o material, não deu coquetel antirretroviral – disse que era caro, ia aparecer na cobrança do seguro saúde e o pai dela iria ficar sabendo. Não disse nem que ela poderia pegar o coquetel em qualquer posto de saúde em até 72h, ela soube disso uma semana depois quando já não podia mais tomar. Não estou falando de um hospital público de periferia, estou falando da falta de informação técnica no Einstein. É esse nível de precariedade que a gente tem na aplicação da legislação que já existe.

Então o que a gente precisa hoje pra enfrentar a violência sexual contra a mulher e principalmente contra a adolescente que é o mais grave no Brasil estatisticamente falando é de educação. A gente precisa de investimento em educação. Não adianta nada eu como advogada só trabalhar com a vítima e com o agressor. Eu preciso que o jovem seja trabalhado lá atrás sobre o que é consentimento. A gente tem legislações que dizem que a ausência de “não” expresso ou o silêncio não são sinônimos de “sim”. Sim é sim. Consentimento é expresso e pode ser retirado a qualquer momento. Ele não é definitivo e não é universal. Senão não existiria estupro marital. Não é a roupa, não é a bebida e não é o comportamento. O único responsável pela violência é aquele que a comete, é o agente. Precisamos de educação. De lei a gente está bem.

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Promoting gender equality a ‘crucial contribution’ in effort to restore, protect our planet’s oceans

UN SGDs - sab, 08/06/2019 - 10:23
Women are engaged in all aspects of interaction with our ocean, yet their voices are often missing at the decision-making level, the head of the United Nations cultural agency said on World Oceans Day, emphasizing that “we must ensure diversity and gender inclusiveness at all levels” to set a balanced course for humanity and foster innovative solutions for the ocean.
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Como surgem as teorias conspiratórias da direita?

Pública - sex, 07/06/2019 - 16:06

Globalismo? Climatismo? Marxismo cultural? Em março, a Casa Pública recebeu a socióloga Sabrina Fernandes, do canal TeseOnze, o pesquisador Marco Antônio Perruso, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRRJ, para um debate sobre teorias da conspiração, mediado pelo jornalista da Piauí Herald Roberto Kaz. Aqui, alguns trechos dessa conversa:

Roberto Kaz: Boa tarde. Tenho aqui a honra de estar ao lado da Sabrina Fernandes e do Marco Antônio Perruso. A Sabrina é criadora do canal TeseOnze, formada em sociologia no Canadá, e também tem mestrado e doutorado na área, pela Universidade de Carlton, em Otawa. O Marco Antônio é professor da Federal Rural, também na área de sociologia, com mestrado e doutorado pelo IFCS, da UFRJ, e com pós-doc em ciências políticas pela USP. Ele é especialista sobretudo em pensamento social brasileiro, também marxismo e globalização, entre outros temas. A Sabrina vai começar falando um pouquinho das origens dessas teorias conspiratórias da direita e da extrema direita, e o Marco Antônio continua falando sobre como isso tem repercutido aqui no Brasil. Abro aqui a palavra para a Sabrina.

Sabrina Fernandes: Olá a todos! Teoria de conspiração geralmente é coisa que você não consegue provar. Então, quando se fala assim: “há uma conspiração para tornar o Brasil comunista”, eu falo: “quem dera”. Não é a situação atual. E o que eles falam normalmente são deturpações que têm muito interesse em criar pânicos morais, pegar aquelas pessoas que não conhecem muito bem o tema, que às vezes já têm um certo medo, um certo receio, e criar uma história de bicho-papão na cabeça delas. “Vai destruir a família”, “estão vindo atrás das crianças”. Teorias como essas que são levadas a cabo pelo Olavo de Carvalho e outros teóricos mais recentes e pessoas que estão no YouTube que têm uma ideia de já chegar demonizando o que é a esquerda, o que é marxismo, o que é comunismo. Se pegam elementos fora de contexto e traz para por medo nas pessoas. E isso não é uma coisa recente. O Olavo de Carvalho é um plagiador. Várias coisas que ele fala, que as pessoas aqui pensam “nossa, o Olavo desvendou o marxismo cultural, o gramscismo”, ele está copiando um cara dos Estados Unidos chamado William Lind. Se você colocar um texto do William Lind ao lado de um texto do Olavo de Carvalho sobre marxismo cultural, você vai ver que o Olavo pegou trechos inteiros. E o William Lind já era famoso por ser um grande falsificador. Ele colocava coisas na boca de Gramsci, de Marcuse, que não eram verdade, que não tinha como comprovar. E a implicação que ele tinha com o Herbert Marcuse, que é um dos teóricos que eu mais estudo, marxista, era muito forte porque o Marcuse, além de ter sido um teórico famoso na época nos Estados Unidos, era militante também, protestou contra a Guerra do Vietnã, então ele irritava muito essa classe intelectual conservadora nos EUA. E escolheram Gramsci porque Gramsci tem um potencial transformador muito grande. Se você consegue demonizar o que é Gramsci logo de cara, você vai e descarta tudo que tem a ver com Gramsci depois disso.

Roberto Kaz: E eles usavam o termo “marxismo cultural”? Ou é um termo contra?

Sabrina Fernandes: É um termo contra porque não faz sentido falar em marxismo cultural. Marxismo é material, é materialismo histórico. Você tem que mudar a realidade, você tem que mudar as estruturas, só que se trabalha, por exemplo, na noção de consciência de que o Gramsci fala, é que você tem uma consciência prática e uma consciência teórica. Você pode estar todo alinhado, entendendo sua exploração, mas, se a ideologia dominante está disfarçando essa exploração para você, a gente tem um problema. Então, o objetivo, na verdade, é desmarcar e transformar a realidade – o que não tem nada a ver com o marxismo cultural que eles falam, que é atacar a família tradicional, tirar os valores que mantêm a sociedade unida, que na verdade é uma resposta conservadora a muitas coisas que não são nem os marxistas. Às vezes é simplesmente um movimento de direitos humanos ou um entendimento liberal de empoderamento, de dar voz às pessoas, que irritam os conservadores, que não são necessariamente do pensamento marxista.

Roberto Kaz: Marco Antônio, você quer continuar? Falar de alguma dessas definições?

Marco Antônio: Sim, eu acho importante, a partir do que a Sabrina começou a colocar sobre que teorias conspiratórias são essas, a gente se perguntar também qual é a efetividade e o que nos assusta nessas teorias. Nos assusta porque, de alguma maneira, elas estão tendo um encaixe significativo na sociedade, estão tendo uma audiência significativa. A gente tem em conta que as ideias podem ser manuseadas de várias maneiras. Elas podem ser manuseadas de um modo que envolve convicção íntima das pessoas, mas podem ser manuseadas enquanto propaganda de modo premeditado, enquanto cálculo. Então, a gente já fica com pé atrás em relação a acreditar que essas pessoas simplesmente acreditam em teorias da conspiração tão linearmente, tão generalizadamente assim. O que eu quero dizer com isso? A gente pode pensar teorias da conspiração como uma manifestação do que seria o racionalismo. Então, nós temos o mundo da razão, que sustenta e ajuda a estruturar a sociedade moderna, contemporânea, onde vivemos, e uma racionalidade. No entanto, torna-se senso comum que a razão substitui um tanto linearmente a falta de razão. Essa é a visão tradicional dos iluministas, dos liberais. Então, a gente conquista a razão, e cada vez mais nas sociedades os indivíduos estão emancipados, como diria Kant – estão transparentes, capazes de usar a razão. Essa é a narrativa tradicional do progresso, ou seja, é uma narrativa que inaugura a sociedade moderna. Outras teorias, inclusive a marxista, problematizam bastante essa linearidade, porque a sociedade que a gente vive, como sociedade capitalista, é generalizadamente fundada em contradições, e não necessariamente os indivíduos, os grupos sociais vão acionar o tempo todo a razão nesses processos de contradição, de conflito social. O marxismo é a teoria principal fundada na conflituosidade social. A gente tem que lembrar, portanto, que irracionalismo é um fenômeno mais longo. Ele não está colocado para trás. O irracionalismo é sempre uma possibilidade colocada na modernidade. É só pensar, por exemplo, o Brasil que elegeu Bolsonaro. É um Brasil com o maior nível de instrução educacional do que o Brasil de anos anteriores. Pequeno exemplo para a gente pensar que não necessariamente educação nos liberta com tanta facilidade assim. Se a gente pensar o racionalismo como presente o tempo todo na modernidade, a gente tem um monte de outros exemplos. Horóscopo. Tem uma galera que gosta de horóscopo. Eu não desgosto, inclusive, mas para uma leitura iluminista rígida, é puro irracionalismo. Aí vai entrar um debate de ciência ocidental. Isso tudo está na nossa sociedade. Então, olha como já tinha irracionalismo antes. É que agora o irracionalismo está configurado como arma de guerra política e cultural. Então, a gente já consegue ver com mais cuidado isso, por que essas teorias que a Sabrina começou a contar têm tanta audiência social. Essas teorias, na falsidade delas, autênticas no sentido da convicção de cada um, calculadas no sentido de quem propagandeia, porque a gente sabe que um monte de gente que propagandeia essas baboseiras não acredita nessas teorias, óbvio, mas por que que elas conseguem ter tanta audiência no Brasil contemporâneo? Essa é uma questão que eu acho que a gente tem que enfrentar, porque de fato o que parecia algo que estava num gueto de lunáticos tem uma disseminação social maior. Como a Sabrina colocou, o Olavo de Carvalho, a gente achava que era um pirado e, enfim, parece que chegou no poder. É uma boa questão se as ideias do Olavo de Carvalho chegaram ao poder ou se essas ideias são usadas como alegoria para o poder. Talvez as ideias do Paulo Guedes é que estejam no poder.

Roberto Kaz: É diferente das teorias de inimigos de, sei lá, da época da Guerra Fria? Como os inimigos comunistas de agora são diferentes do comunismo que havia antes de fato na União Soviética e tal? E uma segunda pergunta: e esse ciclo de extrema direita que se apresenta é um ciclo que no fundo, com o tempo, vocês acham que vai ser um ciclo apenas dessa direita que a gente conhece, mais militarizada e tal, ou vai continuar sendo esse ciclo das teorias conspiratórias?

Sabrina Fernandes: É diferente. Eles gostam de falar que é a mesma coisa, que o marxista de hoje é que nem o marxista da época. Só que é diferente porque naquela época eles tinham um Exército Vermelho, tinham todo um poder material que estava tomando territórios; Cuba estava forte, para representar a América Latina, que é bem diferente do que a gente tem materialmente hoje. A gente não tem materialmente, hoje, nem um centésimo da força que tinha a União Soviética na época, só que eu gosto de falar assim: a Guerra Fria não acabou. Ela não acabou, ela muda de etapa. Eles conseguem derrotar, através da globalização, do capitalismo, todo esse processo, mas eles pretendem manter mais baixa possível a possibilidade de uma revolução. Então, você mantém as mesmas teorias da conspiração. A teoria da conspiração da época da Guerra Fria é a mesma de hoje, que os comunistas vão comer as criancinhas. E aí hoje há pessoas como, por exemplo, o Jordan Peterson, que era um cara da autoajuda lá nos EUA, agora fica falando “não, porque o feminismo gayzista marxista pós-moderno” – o que já não faz sentido nenhum – “eles vão fazer coisas horríveis, vão destruir os valores ocidentais”. Então tem essa coisa do valor ocidental, que está muito forte também, que, na mente colonizada dos nossos governantes, no Brasil, é: “vamos proteger o Ocidente”. A gente tem que lembrar: a gente não é Ocidente. A gente é Brasil, que foi colonizado, que sofreu com escravidão e que até hoje não teve nenhuma reparação desse processo. A gente não é Ocidente. Acho que isso meio que vai ao encontro com o que o Marco estava falando em relação ao que é esse valor de progresso iluminista e tudo o mais, porque é muito relacionado ao Ocidente isso. E aí meio que o tiro sai pela culatra, porque tem uma galera que está tão disposta a preservar só o racionalismo ocidental que vêm os conservadores ocidentais e se aproveitam disso para virarem pessoas anticientíficas, para rejeitarem, como é o caso do negacionismo climático, e a gente fica rindo dos terraplanistas, mas a coisa está pegando porque o terraplanismo é um sintoma de uma ideia de que nós devemos questionar autoridades intelectuais. “Vou seguir meu guru, Olavo de Carvalho, vou chamá-lo de filósofo e de professor porque o diploma não vale nada.” E isso é algo para a esquerda manter em mente também, porque aí o que acontece? Teve um período em que a esquerda achou que um diploma valia mais coisa do que valia, então ficava muito na academia o debate, muito na teoria e não saía, e parou de se conectar com a realidade das pessoas. E é aí que eu falo: Gramsci é sensacional. E é por isso que eles gostam de deturpar Gramsci, porque ele é o cara que falava: você pode ser um intelectual tradicional, falar coisas muito acertadas, mas você não vai mudar a realidade se você não for um intelectual orgânico. Então, o diploma não vale tudo isso que a esquerda achou que valia. Mas, também, o jeito que a direita conservadora tem essas teorias da conspiração para negar qualquer conhecimento, validade e argumento, num ponto que uma pessoa fala uma coisa qualquer e fala “hahaha, tá refutado”, você tira a lógica de argumentação, isso é muito perigoso.

Marco Antônio: O que eu queria chamar atenção nesse caso, também, é como, de certa maneira – e aí a minha sugestão é restrita ao Brasil porque meu foco é mais no pensamento brasileiro, na sociedade brasileira –, a impressão é de que essa nova direita, muito mais extremista, radical, que aparece, copia em boa medida o repertório dos movimentos considerados de esquerda, os movimentos sociais, os movimentos sindicais. Isso faz sentido se a gente pensar que teve uma hegemonia política desde a década passada significativa do lulismo, do Partido dos Trabalhadores, que tem uma origem de esquerda. Tem um debate, também, se é de esquerda hoje ou não. Esse é um debate em que não dá para entrar aqui, mas efetivamente ainda é considerado de esquerda. Nesse quadro, é claro que, chegando a um quarto governo do lulismo, que foi o segundo da Dilma, o desgaste na gestão do capital chegaria mais cedo ou mais tarde, a não ser que acreditemos numa outra teoria da conspiração, de que é possível gerir o capitalismo na periferia sem ter acirramento dos conflitos sociais, que era a proposta dos governos do PT. Não vamos mexer na propriedade de terra, vamos apoiar as grandes empresas, mas a gente vai fazer políticas sociais que distribuem isso. A gente não vai brigar com ninguém de cima. E nesse quadro de desgaste de governos de esquerda, ou identificados como de esquerda, essa nova direita se coloca efetivamente como antipolítica, o que é estranho porque na verdade o papel de ser contrário à política tradicional é o papel da esquerda. Então, a gente tem uma dimensão de autocrítica da esquerda. Nós estamos correndo risco, hoje, de sermos defensores da política institucional. É algo meio fora do lugar para a esquerda fazer isso. Em vez de estar no trabalho de base, está defendendo/acreditando no Estado democrático de direito, no capitalismo periférico, em que a sociedade é originada na escravidão. Se isso não for uma teoria da conspiração, em que a gente tende a acreditar, não sei o que é. Agora, a gente vê uma cópia dos repertórios nas ações de rua que eles fazem, por exemplo.

Roberto Kaz: Mas e sobre a pergunta que eu fiz, você acha que esse futuro é conspiratório ou é um futuro linha-dura?

Marco Antônio: Veja bem, os cientistas sociais, os historiadores, eles não são bons profetas do futuro, só para colocar isso. A gente erra bastante porque, enfim, a ciência que a gente tenta fazer é do que acontece, não necessariamente do que vai acontecer, embora a gente possa ver elementos do que vai acontecer. Mas eu acho que tem uma disputa no governo. Acho que os estratos sociais, os quadros políticos do governo Bolsonaro que se alavancaram, se visibilizaram socialmente com as teorias da conspiração, a impressão que eu tenho é que eles não são capazes de gerir políticas públicas, que mal ou bem o Estado tem que fazer. Não são capazes nem de gerir a do desmonte das políticas públicas, que é o que o governo Bolsonaro está fazendo em grande medida. Acho que se vê um pouco disso no caso do MEC, que o ministro [ex-ministro Ricardo Vélez Rodrígues] é o chamado ministro nem-nem. Ele nem fez uma pós-graduação numa universidade importante nem foi professor em universidade importante nenhuma. Ele é essa figura, para usar o linguajar americano, é um loser no campo acadêmico. E, no entanto, assim como vários outros do bolsonarismo, foi alçado ao andar de cima. Só que a burocracia, a tecnoburocracia, como bem a escola de Frankfurt foi construindo junto com outros autores, é algo em que exige um conhecimento, um embasamento científico administrativo grande. Então, acho que, em boa medida, esses quadros do bolsonarismo que trabalham em cima da teoria de conspiração, fake news, tendem a ficar num papel mais agitador fora do governo. A meu ver, é um quadro, assim, péssimo, um político burguês tradicional, um cara que passou 30 anos encostado no Estado como político profissional e está falando de mercado, abrir empresas, empreendedorismo… Não é o mundo dele. Então, a impressão que eu tenho é que tem mais chance de ter um viés tecnocrático esse governo autoritário, antipopular, do que esse viés de realmente querer ganhar mentes massivamente via Estado.

Sabrina Fernandes: Mas isso cumpre um papel também, porque a ideia, por exemplo… Se pegar o chanceler e pegar o Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente. Um cara que escreve no blog dele que é negacionista climático e tudo o mais, e vai representar o Brasil lá fora dessa forma, muita gente vai rir disso, vai fazer chacota, porque, que absurdo, como é que o chanceler acredita nessas teorias de conspiração e, na verdade, é um promotor dessas teorias da conspiração? Só que isso traz uma certa legitimidade, um fundamento de consenso para as políticas do Ricardo Salles irem avançando em relação a isso, então não precisa ser o Ricardo Salles, o ministro do Meio Ambiente, falando as baboseiras de negacionismo climático, mas você pode ter um braço do governo que está plantando sementes, que está criando dúvidas na cabeça das pessoas, e que isso vai justificar várias das políticas públicas que vão seguir a partir disso. Eu lembro, assim, que o discurso do Bolsonaro em Davos foi muito claro nesse sentido de que não, a gente ainda tem muito espaço para avançar para cima da Amazônia para poder conciliar o desenvolvimento, porque conciliar o desenvolvimento é sempre mais desenvolvimento econômico, e aí você faz uma preservaçãozinha aqui ou ali. E essa é a lógica. Como é que você sustenta essa lógica quando as pessoas estão começando a ver as consequências da mudança climática? Quando as pessoas estão vendo que, se você desmata demais, diminui a quantidade de chuva na sua região? Você planta dúvidas. Então esse governo, além de ter essa parte da teoria da conspiração propriamente dita, sempre vai ter figuras que estão ali para colocar dúvida na cabeça das pessoas e para elas não irem mais a fundo e tentar compreender o que está acontecendo, e o antiambientalismo do governo Bolsonaro não é só essa parte da teoria da conspiração: ele é parte da tecnocracia também. Eles têm esse objetivo. Você precisa ter um discurso para fora que, para quem não está muito acostumado com aquilo ali, vai justificar alguma coisa.

Reprodução YoutubeA professora e socióloga Sabrina Fernandes, do canal TeseOnze, e o pesquisador Marco Antonio Perruso, do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da UFRRJ foram convidados para o debate. A mediação ficou por conta do jornalista Roberto Kaz, da Piauí Herald

Roberto Kaz: O Marco falou da crise de 2008, mas houve outras crises em outros momentos anteriores e que não geraram esse pensamento conspiratório coletivo. O que há a partir de 2008? O que aconteceu nesse momento em que a gente vive, que a última crise pela qual a gente passou, e se é só uma crise econômica ou também se são as mudanças comportamentais? Talvez isso também esteja nesse pacote, que fizeram esse… E digo aí os avanços do feminismo, avanços dos direitos das populações LGBT. Quero entender o que houve para que, a partir dessa última crise, a consequência fosse tão conspiratória.

Marco Antônio: Eu acho que… Tem um elemento que eu já chamei atenção, que é a hegemonia durante quase quatro governos inteiros identificados com a esquerda. Não é à toa que essas teorias da conspiração são todas, ou quase todas, conservadoras, ou de direita. Outro elemento, que aí tem dimensões que não ajudam a explicar só as teorias da conspiração, mas a própria ascensão do Bolsonaro: são movimentações sociais recentes, recentíssimas das conquistas de setores tradicionalmente subalternizados da sociedade brasileira – negros, mulheres, LGBT. O caso do nosso patriarcalismo: se a gente for trabalhar com esse conceito, uma crise tremenda, que é o que se viu aí nesse massacre de Suzano, e assim como de anos atrás, em Realengo, que não ficou nem visível esse link. Existe uma movimentação social muito significativa, que tem várias nuances, mas que envolvem conquistas, uma pressão difusa, pode parecer até tardia, desses setores: mulheres, negros, LGBT, populações tradicionais que são visibilizados. A extrema direita de hoje associa isso necessariamente aos governos do PT, por conta de políticas públicas importantes. Mas eu diria que os avanços são oriundos muito mais dos movimentos sociais desses setores, da ocupação de espaço desses setores. Então, tudo isso envolve o incômodo numa sociedade que é absurdamente desigual, racista, machista, patriarcal, homofóbica etc. Então, esse elemento, que a meu ver é excessivamente ligado aos governos do PT, é muito mais um movimento de base da sociedade, independente de que governo fosse, tanto que a gente pode colocar isso na conta do governo Fernando Henrique, que foram governos neoliberais, mas que a pauta de direitos humanos na época mal e mal avançava, com todos os problemas e críticas que a gente fazia na época. Então, acho que tem esse tipo de movimentação, a gente vê agora. Imagino que quem esteja aqui sejam setores jovens, ou não tão jovens, joviais, como a gente se sente, que têm um alto capital cultural, ou está em vias de ter, mas nosso capital econômico não deve ser lá grande coisa. Essa discrepância é significativa da crise do capitalismo brasileiro, porque o discurso do empreendedorismo e o discurso do conservadorismo bolsonarista vêm dizer: não precisa tanto de educação assim, precisa abrir um negócio e ganhar dinheiro. E esse é um desafio que a gente vai ter que debater. Por que será que o nosso padrão de desenvolvimento capitalista, superextrativista, baseado em soja, ferro e o escambau, precisa de nós, mão de obra tão qualificada assim? Olha o perrengue em que a gente está. Por isso as universidades estão sendo atacadas. Eu vi isso, alunos meus, durante a campanha, o drama dos meus alunos enfrentando as famílias, porque eles voltam para casa, e para que que serve esse diploma maluco aí, de filosofia, de sociologia? Está questionando tudo que eu faço… “E não tem trabalho para você, está aqui em casa torrando meu saco.” Então olha a conflituosidade social latente aí. Mas a gente resolve isso genericamente com mais educação? Que na verdade é uma bandeira dos liberais, eles são tão reacionários no Brasil que é a esquerda que tem a bandeira da educação. É só com a educação ou é com mudanças na estrutura social? Senão, a gente vai continuar produzindo… Isso é um fenômeno claro: excesso de diploma. Veja bem, eu quero cada vez mais diplomas, mas o nosso mercado de trabalho não dá conta dessa mão de obra tão qualificada, crítica, com maior consciência cidadã. E o resultado é que quem não entrou na universidade demoniza a universidade. Eu vejo isso cotidianamente. O primo, irmão, cunhado que é bolsonarista não está na universidade pública, onde a pessoa vai lá e aprende “ideologia de gênero”… Claro que não precisa da universidade para isso, mas acho que essa movimentação, essa irritação, que vem dos setores que não estão crescendo nesse período, mal ou bem, ajuda a jogar como uma boa audiência das teorias da conspiração, porque ele vai escolher um inimigo: o comunismo, a mulher que não dá mole para mim e todas essas coisas horrorosas que a gente vê aí. Tem toda uma animosidade social latente que infelizmente é a legitimidade social do Bolsonaro. A gente só resolve isso com trabalho de base, debatendo esses problemas na sociedade.

Sabrina Fernandes: E tem uma questão, também, em relação à gente ter tido avanços de políticas públicas, que vieram de uma pressão de movimentos sociais, mas que não foram acompanhadas da politização necessária ao redor delas. Então, eu bato muito na tecla da questão, por exemplo, do kit gay. Quem dera a gente tivesse tido realmente um kit gay, talvez a gente não estivesse na situação que a gente está hoje, que tem uma teoria de conspiração sobre mamadeira de piroca, porque as pessoas teriam visto o que era o kit da escola sem homofobia e como isso teria um impacto nas crianças respeitando outras crianças e teria sido diferente. Então, a gente, nos governos progressistas do Lula e da Dilma, teve avanços, e os avanços pararam no meio do caminho porque ficaram presos naquela lógica da aceitação da sociedade, e, se a gente tivesse politizado cada um desses temas, talvez o Bolsonaro não teria tido um terreno tão fértil para capinar, plantar e agora colher um governo desses.

Roberto Kaz: E vocês acham que a gente está no início de um longo ciclo de direita? Porque, se for pensar nos últimos 20 anos, e até talvez um pouco antes, a gente vinha num caminho progressista. Se for pensar mesmo, com todos os problemas do PT no Brasil, ou então se for pensar nos Estados Unidos. O governo Obama era um governo progressista. As minorias tendo mais voz e tal. Então é claro que isso gerou uma reação. Essa reação vocês acham que é uma coisa pontual, que, nesse momento, com a vitória do Trump, com a vitória do Bolsonaro, enfim, com o Brexit na UE e tal, é uma reação pontual contra esse novo mundo que se apresenta, que é assustador para muita gente, ou vem aí de fato um longo ciclo de direita?

Sabrina Fernandes: Eu acho que nesse caso a gente tem que pensar um pouquinho na conjuntura política de cada um desses lugares. Por exemplo, por que lá no Reino Unido o Brexit passa, mas meio que não passa. Por quê? Porque o Partido Trabalhista está se reorganizando, o Jeremy Corbyn é um fenômeno, traz a juventude de volta para se envolver com política no Partido Trabalhista, disputa com o campo do Tony Blair, que inventou mil mentiras sobre ele e tudo o mais. Há uma voz, há toda uma estrutura de contraposição ao discurso da direita mais conservadora na Inglaterra. Nos EUA, o Bernie Sanders já anunciou candidatura novamente, aí você já tem umas pessoas bastante combativas ali como a Alexandria Ocasio-Cortez… Então, você vai vendo que a gente está tendo certas figuras. E eu sou mais pessimista em relação ao Brasil, porque eu não acho que a nossa esquerda esteja pronta para ser uma contraposição. Unidade de esquerda é uma visão meio que artificial das pessoas. “A esquerda precisa se unir”, aí o pessoal fala como se fosse assim: “Vamos sentar todo mundo numa sala, e a gente vai entrar em acordos”. Não é assim. A esquerda tem as suas diferenças em relação a tática, estratégia, pensamento, objetivo. Tem gente que quer chegar no comunismo, tem gente que quer humanizar o capitalismo, tem gente que pensa num Estado de bem-estar social mais forte e tudo o mais, e aí eu vou criticar essas pessoas, vou falar: “Olha, a gente está sob o capitalismo dependente, num país colonizado. A gente não vai ter um Estado de bem-estar social feito o da Suécia, que inclusive está sendo desmontado atualmente”. Então, assim, tem essas diferenças, e elas são muito mais complicadas de se trabalhar, mas a nossa esquerda não está nem num ponto básico de ter alguma tática geral de contraposição a esse governo. A gente está perdido, gritando um monte de palavra de ordem de lá pra cá, a gente grita as mesmas palavras de ordem, e não acontece nada. O que que foi o “Fora Temer”, gente? Todo mundo: “primeiramente, Fora Temer”. As hashtags em todos os lugares. Ia para o ato: “Fora Temer”. O Temer ficou lá, ficou lá porque a gente não conseguiu organizar a sociedade para tirar o Temer, porque a gente não conseguiu disputar nem a narrativa do impeachment como golpe. Então, assim, todas essas discordâncias podem ser bastante nutritivas, podem nos ajudar a cozinhar uma receita de algo diferente, ou a gente pode ficar picando legumes numa salada totalmente aleatória, que é o que está acontecendo atualmente.

Roberto Kaz: Você acha a autoproclamação do Zé de Abreu como presidente interino um sintoma dessa esquerda?

Sabrina Fernandes: Foi uma piada de mal gosto, na minha perspectiva. Primeiro, despolitizou o que foi realmente o artefato constitucional jurídico que o Guaidó utilizou, que é algo que seria muito bom para a gente criar paralelos em relação ao próprio impeachment da Dilma, como eles se utilizam de coisas dentro da lei para tentar entrar no espaço, e a diferença é que Maduro conseguiu segurar, porque o Maduro tem uma certa hegemonia. A Dilma não convocou um movimento social para a rua. Ela ainda tentou negociar coisas até o último momento, então isso dificultou muito aqui no Brasil, porque muita gente querendo segurar junto com a Dilma, e ela estava lá assinando lei antiterrorismo. Então, isso tornou a situação um pouco mais complicada no Brasil. Mas o que acontece? A gente tem uma cultura, a gente adora meme. O brasileiro adora meme, eu adoro meme. Então, meme é maravilhoso, só que a gente tem que lembrar que meme não vai mudar a realidade. Em certos momentos, um meme politiza, mas, se alguém fosse se autodeclarar presidente, eu não escolheria o Zé de Abreu, porque ele é uma pessoa que gritava “vai, polícia” para cima de manifestante. E aí eu fiquei profundamente entristecida de ver figuras públicas da esquerda que eu respeito muito falando: “meu presidente”. Gente, que porcaria é essa? Então, se a gente vai escolher o humor como uma forma de estar questionando a realidade, vamos selecionar um pouquinho melhor as nossas referências e como a gente vai usar isso, porque o humor é uma ferramenta fantástica, mas tem protagonistas aí que não têm o respaldo político para estarem avançando dessa forma. E, no nosso caso, o que isso ajudou realmente a angariar solidariedade contra o imperialismo na Venezuela? Nada. Virou uma piada constante que não chegou a lugar nenhum e ninguém entendeu realmente o que que está acontecendo de disputa em relação a recursos nacionais, petróleo, a questão das sanções econômicas, toda a questão da Venezuela relacionada à própria crise de hegemonia do governo Maduro, que tem a ver com a crise econômica, que o governo Maduro também tem sua responsabilidade em relação a ela, qual é o horizonte do chavismo… Todas essas coisas que a gente poderia debater não conseguiu debater porque ficou duas semanas presas na piada de “olha meu presidente”. Porque isso provocava o Bolsonaro de alguma maneira. É aquela coisa da gente tentar enxergar quando uma coisa é tática e quando ela vira um escapismo. E eu acho que várias vezes as nossas palavras de ordem, os nossos memes, se a gente não tomar cuidado, vão virar escapismo. Porque, primeiro, ele não vai ter impacto nenhum com quem está fora daquela bolha da internet. Então, se você está num espaço de trabalho, num bar, e fazendo um trabalho com aquelas pessoas, o que elas têm a ver com o Zé de Abreu se autoproclamando presidente? Não vai ajudar elas a entender a Venezuela, porque, quando elas ligam o Jornal Nacional, vão ligar o Jornal Nacional e vão ver falando: “Nossa, tantas pessoas fugiram da Venezuela por conta do ditador sanguinário Maduro”, e aí elas não vão parar para ouvir sobre a questão econômica ali, sobre as sanções, sobre o poder da burguesia e tudo isso.

Roberto Kaz: Bom, mas então no Brasil, em face dessa fragmentação da esquerda, você acha que esse movimento da direita talvez seja mais a médio, longo prazo?

Sabrina Fernandes: Eu acho que a esquerda precisa ralar um pouquinho mais para ter algo de alternativa para oferecer, porque, fora do Brasil, em alguns lugares, eles estão conseguindo formar uma alternativa. Não adianta a gente só combater o Bolsonaro. Ser anti-Bolsonaro é fácil. Eu estou junto até com os liberais da direita em ser anti-Bolsonaro, porque, assim, na hora de bater no Nando Moura, todo mundo vai lá, mas, na hora da gente falar “olha, tem limites essa questão de humanização do capitalismo, olha, essa teoria da ferradura, isso é anticomunista”, eles não aceitam a gente falar. Então para a gente construir alternativas a gente tem um pouquinho mais de trabalho pela frente. Até hoje estamos vendo o desdobramento muito devagar das investigações em relação ao assassinato da Marielle, a esquerda brasileira não tem consenso em relação à prisão política do Lula… A gente não consegue resolver nem as questões básicas, internas nossas, quem diria conseguir apresentar uma alternativa mais coesa… Porque o pessoal vai falar: “Não, realmente esse Bolsonaro não é tudo que eu pensava, mas a esquerda também não presta”.

Marco Antônio: Eu olho mais para os movimentos sociais. Nessa década uma movimentação significativa de vários setores, de trabalhadores, de jovens, de mulheres, de negros, de LGBT, que se expressam em dados interessantes, que ficaram visibilizados em 2013, mas ao mesmo tempo, a partir do momento em que a conjuntura começa a pender para a direita, tornam-se invisibilizados de novo. A gente tem figuras importantes que aparecem nesses movimentos, que são assediadas fortemente pela política tradicional da esquerda, eu diria assim, pela política institucional, pelo mundo parlamentar, onde a esquerda em boa medida está, e que envolvem decisões que não estão claras ainda para que direção vão. Quando você pega, por exemplo, uma mudança histórica da esquerda brasileira, que foi o fim da hegemonia do PCB e do trabalhismo, que se dá com o golpe de 64. Aparece uma nova esquerda muito mais avançada e radical politicamente do que é a geração do Lula, a geração do novo sindicalismo, dos novos movimentos sociais urbanos, depois o MST nos anos 70 e 80. Essa geração obviamente nega a anterior. Até dá para entender o porquê. “Vocês fizeram essa lambança aí, propuseram um projeto de conciliação de classe, que tinha avanços, tinha até reformismo maior do que o do lulismo, mas deu isso aí, então vamos fazer algo com outros parâmetros.” Então, o Lula estava em plena ditadura militar propondo o fim do sindicalismo estatal, criticando a CLT. Essa é uma nuance que se perdeu. A gente defende a CLT, foi contra a reforma trabalhista, mas a CLT é aquela que dá, que garante a chancela estatal sobre os sindicatos. Você não pode criar um sindicato sozinho. Movimento social você pode, sindicato tem que pedir autorização para o Estado. Para ter uma ideia, vou botar uma frase do Lula da época em que ele era sindicalista, combativo, radical. No tempo de hoje, a galera mais nova vai achar bizarro. O Lula falava: a CLT é o AI-5 dos trabalhadores porque tirou a autonomia dos trabalhadores. Então ele está brigando não só com a ditadura, mas com o varguismo. Ou seja, na conjuntura da ditadura, essa nova esquerda tinha um programa máximo, tinha um programa radicalizado, combativo em cidade sindical, enfim, “vamos discutir depois, agora é combater a ditadura”. Tinha sua estratégia, que era baseada em ativação pela base da sociedade, trabalho de base, comunidades eclesiais de base, movimento sindical, e sempre se diferenciando do Fernando Henrique, do Brizola, das grandes figuras. E o que acontece hoje? O que acontece hoje é que o que seria a esquerda mais socialista, mais radical – o PSOL, PCB –, eles estão convergindo com a política que, na minha leitura, é a política do errado, com todos os méritos possíveis que foi o lulismo, que, no limite, explica um pouco a ascensão do bolsonarismo pela sua própria crise. E a convergência política da esquerda socialista com a esquerda do Estado democrata, eu não vejo como, porque foi essa política que levou a essa situação atual. A minha geração dos 40, 50 anos, que foi formada no PT e na CUT, essa geração está voltando um pouco na sua origem – eu, pessoalmente, não faço isso, mas enfim –, a maior parte da minha geração faz isso. O que eu acho temerário, porque está deixando de olhar para as novas questões que os movimentos, os diversos movimentos protagonizados pelas populações mais jovens estão fazendo, que questionam, por exemplo, todo o eurocentrismo do pensamento marxista, que querem colocar em diálogo outras questões.

Ismael Germano: As teorias de conspiração assumiram um vácuo deixado pelas instituições educacionais? Se sim, como combatê-las?

Vivian Soares: Você tinha falado que a educação por si só não foi a resposta para a crise da desvalorização da ciência, então como é que nós, educadores e educadoras, podemos ou devemos tentar lutar contra essa coisa toda das teorias da conspiração?

Marco Antônio: Eu diria que não só o papel da educação é disputado, mas que existe não só um senso comum, um certo senso ingênuo, que veio do Iluminismo, que é um dos estruturadores da modernidade, de que, enfim, educação emancipa, educação ilumina, né? A gente passa a usar razão porque a gente foi para a escola, a gente passa a usar razão o tempo todo. Só que essa razão é treinada nos espaços sociais onde você está. Então, se você vai para o mercado de trabalho desregulamentado, a tendência é você racionalizar o sentido da naturalização do trabalho sem direito, trabalho com poucos direitos, o empreendedorismo. O empreendedorismo popular parece uma coisa novíssima, ele é a continuidade contemporânea da tradição, da precariedade do trabalho brasileiro, que não é invenção do neoliberalismo, é estrutural do Brasil. Se pegar o início do século passado, quando aparece CLT, ela só é restrita ao trabalhador urbano industrial. Nunca chegou no campo, só com a Constituição de 1988. Então, a nossa realidade é precária. Como é que se exercita uma razão nesse espaço de trabalho? Nesse mundo do trabalho? Como se exercita uma razão emancipadora num outro… não num espaço do mercado, como esse do trabalho, mas no espaço do Estado, das políticas públicas, em que a tendência é a gente, membros do serviço público, meu caso, se tecnocratizar. Mesmo no espaço do Estado, que nós tendemos, a esquerda, aposta tanto no Brasil, a tendência é reproduzir de novo hierarquia, porque a gente vai se colocar como iluminado naquela concepção espacial de hierarquia social que é a escola, que é a imitação da fábrica. O professor fica no palco, os alunos todos sentados, passivos, que foi um dos elementos que o Paulo Freire foi rompendo. Ou seja, esse espaço também… Inclusive o espaço do Estado, no que tange à educação, esse espaço pode reproduzir cidadãos passivos, porque não é só por ali que vai resolver. Quem elegeu o Bolsonaro foi o Brasil mais educado, então tem alguma coisa contra o intuitivo aí. Aí a gente pode fazer uma separação que é do senso comum: uma coisa é você ser instruído e ter conhecimento, outra coisa é você ter sabedoria para operar, ter capacidade de crítica para operar os conhecimentos, porque não tenha dúvida: quem propaga, quem acredita ingenuamente em teoria da conspiração opera com alguma lógica, por mais bisonha que seja, por mais ridícula que seja. Opera aquilo com alguma autonomia, não é só um robozinho. E esses padrões de educação não são necessariamente emancipadores. No caso do brasileiro, se mostrou com a eleição do Bolsonaro que não são. E qual é a solução? Ninguém vai dar solução concreta aqui, mas veja bem: os grupos sociais constroem os processos de consciência, defendem seus direitos nos seus espaços sociais, onde eles estão com os seus iguais. Então, o movimento sindical, os movimentos sociais, o movimento feminista, o movimento negro, os movimentos LGBT, esses são espaços de educação em que você pode desenvolver uma contra hegemonia. Você pode construir uma outra educação que não vai entrar em contradição com a educação formal. Ela vai oxigenar, ela vai empoderar.

Roberto Kaz: Bom, gente, a gente está chegando ao fim da nossa conversa, e, para que a gente não saia daqui cortando os pulsos, queria saber se vocês conseguem dizer alguma coisa otimista.

Sabrina Fernandes: Nós não estamos num ponto de fazer a revolução comunista no Brasil, como o Bolsonaro alega. A gente não tem essa força material, mas eu tenho visto que a gente está tendo novas oportunidades de politização. Então, ao mesmo tempo que essas teorias da conspiração se levantam e elegem presidentes, a gente está aqui conseguindo debater e demonstrar “olha, é uma teoria da conspiração”. Então, nós estamos tentando fazer uma mudança material na sociedade, que passa por conscientização, por a gente ser sujeito político e saber o que a gente está fazendo e não ser manipulado. O acesso à informação, ao mesmo tempo que tendo essa faceta de manipulação, manipulação econômica, inclusive, com bots, manipulação de grupos de WhatsApp, correntes de fake news e tudo o mais, a gente está tendo muito acesso vívido a debates constantes, e está podendo às vezes descobrir coisas que não entendia nada no passado e agora entende um pouco mais. Então essa abertura está surgindo.

Marco Antônio: Acho que primeira coisa que a gente tem que fazer é deixar de ser derrotista, porque a gente acaba invisibilizando movimentações importantes de resistência. A gente teve uma greve geral em 2017, em que rolou um quebra-pau bonito lá em Brasília. A gente teve ocupação de escolas, uma coisa massiva, gigante, especialmente em São Paulo. Mas em outros estados também. Primavera feminista, uma coisa colossal. Então, acho importante primeiro visibilizar isso. Segundo, quando a gente fala do “eu avisei”, o nosso estrato social, a meu ver, entrou num certo trânsito no período eleitoral, e a gente inventou uma figura que é o pobre de direita. No entanto, enquanto tiver capitalismo, vai sempre existir pobre de direita. Senão, não teríamos o capitalismo. Tem que ter uma base significativa de membros das classes populares que apoiam a direita, a extrema direita, a centro-moderada. Então, a gente criou esse meme que no limite mostra um não entendimento nosso do funcionamento da sociedade capitalista, e que remete, no caso das ciências sociais brasileiras, a um raciocínio economicista que a ciência política viu demolida pelo bolsonarismo, porque, enquanto o povão estava votando no Lula, estava tudo maravilhoso. Dá política social, o povo, agradecido, vota. Esse é o raciocínio economicista da ciência política mais hard, aquela que nem é muito a nossa praia. Aí aparece uma outra figura que o povo aqui no Rio foi disparado. Povão, os mais pobres, os mais ferrados votaram no Bolsonaro. As pessoas viraram fascistas, porque essa galera era o eleitorado do Lula também. Aí não dá para entender, é um absurdo. Se aconteceu, tem que ter uma explicação. É a premissa básica da ciência: se é do mundo real, tem que ter uma explicação. A gente foi votar com um livro. Maneiro, mas a gente estava fazendo distinção, “nós temos capital cultural”. “Os burros, votando no Bolsonaro, não têm”. Eu diria que não é um bom patamar para a gente dialogar com a classe trabalhadora, com os jovens, que votaram no Bolsonaro. A ideia é dialogar com eles, não é ignorá-los ou, enfim, continuar deixando-os nas mãos do bolsonarismo, que obviamente faz isso com eficiência. A gente tem que tomar um certo cuidado com o nosso pessimismo, no sentido de que tem algum mínimo de privilégio aqui, não adianta cultivá-lo, a gente precisa estar em diálogo com quem ganha esse discurso, se não a gente… Volto a dizer: a gente vai acreditar numa teoria da conspiração, [de] que sempre fazer política social vá garantir o voto do povo sempre. Isso não existe, nenhuma pesquisa da ciência política do mundo aprova isso. Tem alternâncias de governos, e a gente pintar o Bolsonaro como um monstro invencível não nos ajuda. Está tudo horrível, tudo horroroso, é um retrocesso, fim do mundo. O capitalismo brasileiro leva a isso mesmo, né? A gente fala retrocesso no sentido propagandístico, perda de direitos etc. Mas parece que a gente acreditava que ia progredir sempre no capitalismo brasileiro. Não vai. Não adianta só pintar o pior porque, construindo o Bolsonaro só como pior, a gente não entende por que que os trabalhadores votaram, em sua maioria, no Bolsonaro. A gente precisa entender o processo para saber o que combater.

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Key economic forum in Russia: New technology a ‘vector of hope’ but also ‘a source of fear’ says Guterres

UN SGDs - sex, 07/06/2019 - 15:26
Technological innovation is continuing to transform the world, with the potential to propel us all towards reaching the 2030 Sustainable Development Goals (SDGs) said the UN Secretary-General António Guterres on Friday, at the Saint Petersburg International Economic Forum in Russia.
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Las madres en EEUU se están muriendo: ¿qué se hace para evitarlo?

IPS español - sex, 07/06/2019 - 14:02

Por Juan Pablo Segura
WASHINGTON, Jun 7 2019 (IPS)

La tasa de mortalidad materna en Estados Unidos es la más alta de todos los países industrializados, y está aumentando. Estados Unidos es actualmente el lugar más peligroso para dar a luz en el llamado mundo desarrollado.

Pocas o ninguna de esas muertes maternas obedecen a una mala gestión médica. En el centro de las elevadas tasas de mortalidad materna están los problemas de acceso y coordinación de la atención de salud, así como las desigualdades en los recursos para esa atención y en los servicios sociales de este país norteamericano.

Las mujeres pertenecientes a las minorías, particularmente aquellas que enfrentan desafíos socioeconómicos, son las principales víctimas detrás de estas estadísticas: a nivel nacional, las mujeres afroamericanas tienen tres o cuatro veces más probabilidades de morir a causa del parto que las mujeres blancas no hispanas.

Medios de comunicación con gran peso como The New York Times, USA Today, NPR y otros han resaltado el problema de la mortalidad materna y han llamado a la acción mientras que ciudades como Washington DC han respondido al llamado implementando grupos de trabajo sobre mortalidad materna.

Estos grupos de trabajo han llegado a la misma conclusión: las causas que afectan a las muertes relacionadas con el embarazo no son hilos separados, sino una red. Poe ello, estos factores sociales, económicos, de comportamiento y genéticos que se superponen no pueden ser abordados por compartimentos separados, para hacerlo de manera adecuada.

Hay muchos que han reconocido este problema desde hace tiempo, y algunos que han estado comprometiendo activamente recursos para crear soluciones. Han puesto la energía, el tiempo y el capital en la línea para interrumpir el estatus quo, abordando los problemas para lograr mejores resultados en la gestación, el parto y el postparto.

La organización Cradle Cincinnati es ejemplar en este proceso. Han formado una coalición que conecta a todas las partes interesadas importantes en el ámbito del embarazo para combatir las altas tasas de mortalidad infantil en el condado (municipio) de Hamilton Country, en el estado de Ohio, aglutinando a las familias de la comunidad con los entes pagadores y los sistemas de salud (incluidos los competidores tradicionales).

El modelo estratégico de Cradle ha dado pasos significativos en la mejora de los resultados: durante cinco años seguidos, el número de muertes infantiles vinculadas al sueño en el condado de Hamilton fue inferior a su promedio histórico, disminuyendo de 16 a 12 por año.

Pero 12 muertes anuales están todavía por encima del promedio nacional de nueve, y el promedio nacional también es demasiado alto. Mientras que una sola vida está en juego, debemos estar dando saltos, no pasos, para obtener mejores resultados.

Si bien son efectivos, modelos como Cradle y otros similares (cuidado prenatal grupal, por ejemplo) comparten una dependencia de la interacción humana, y este requisito físico es una gran limitación para escalar dichos programas.

Sin escalabilidad, los resultados continuarán mejorando al ritmo del caracol y eventualmente se estabilizarán. Se necesita poder escalar estas mejores prácticas en cada comunidad, ahora y no en el futuro.

Aquí es donde entra la tecnología. La tecnología puede cerrar la brecha creada por las limitaciones humanas de estos modelos e integrar flujos de trabajo y protocolos de atención probados en experiencias tecnológicas que permiten más intervenciones, como el monitoreo remoto de pacientes (RPM) a través de Internet de las cosas (IoT).

En este punto los dispositivos pueden ser la clave para escalar estos modelos de cuidado alternativos y más efectivos.

Las herramientas digitales proporcionan la conectividad que los modelos como Cradle brindan en el entorno físico, al tiempo que resuelven los problemas de costo, ineficiencias y escalabilidad que han frenado el progreso en el pasado.

Hace más de cuatro años, la Universidad George Washington y las Facultades Médicas Asociadas (GW-MFA) anticiparon esta visión. Fueron uno de los primeros proveedores en  Estados Unidos en reconocer el poder de la tecnología para superar los obsoletos e insuficientes estándares de atención en el ámbito del embarazo, que han fracasado estrepitosamente en su objetivo.

GW-MFA adoptó por primera vez un modelo novedoso que aborda directamente tres realidades problemáticas en el actual estatus quo: ausencia de educación, falta de acceso a la atención necesaria y falta de estratificación del riesgo.

Ese nuevo modelo se basó en una asociación para crear y desplegar una solución a las necesidades del embarazo basada en tecnología para impactar directamente el proceso de gestación y el parto.

Con esa base, se apoya a los pacientes y proveedores con un mayor número de puntos de contacto digitales, materiales educativos e intervenciones a través del monitoreo remoto y la participación digital.

Ahora, comenzando por la industria de la salud, se está incorporando la visión de conectar a todas las partes interesadas en el ámbito del embarazo, a través de una nueva asociación con AmeriHealth Caritas DC, una organización de atención administrada.

Esa organización se ha unido a GW-MFA para implementar una mejor y más amplia atención prenatal y posparto habilitada por la tecnología en la población que atiende el Medicaid, una población a menudo ignorada por la comunidad tecnológica.

Asociaciones como esta comienzan a resolver algunas de las dificultades estructurales en la coordinación de la atención entre las compañías de seguros y los médicos para los pacientes de Medicaid, el programa de cobertura médica del gobierno federal de Estados Unidos, administrado por cada estado y que respalda a la población con recursos limitados.

Se centrará en aumentar el acceso a la atención del embarazo habilitada por la tecnología que permite a todos los pacientes, independientemente de su estado socioeconómico, recibir los beneficios del control remoto y la atención virtual con la misma privacidad y seguridad que una interacción física en el consultorio del médico.

No hay excusa ni razón para las estadísticas actuales de muerte materna.

La industria de la salud ha tenido la tecnología para impactar positivamente en la atención a las mujeres gestantes, pero lo que ha faltado es la visión combinada para hacer que estas herramientas sean poderosos agentes de cambio.

Las madres y los bebés en nuestras comunidades tienen derecho a una vida segura y saludable, y las asociaciones como esta tienen el poder de hacer la diferencia.

El artículo Las madres en EEUU se están muriendo: ¿qué se hace para evitarlo? fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Refugiados y migrantes de Venezuela superan ya los cuatro millones

IPS español - sex, 07/06/2019 - 12:51

Una madre venezolana con su hijo cuando cruzaban el puente internacional Simón Bolívar, en Cúcuta, en la frontera de Colombia con Venezuela, en enero de este año. Crédito: Siegfried Modola/IPS

Por Corresponsal Fao
GINEBRA/PANAMÁ, Jun 7 2019 (IPS)

El número de venezolanos que abandonaron su país ha alcanzado los cuatro millones, anunciaron este viernes 7 la Agencia de la ONU para los Refugiados (Acnur) y la Organización Internacional para las Migraciones (OIM).

Los venezolanos desplazados fuera de su país son uno de los grupos de poblaciones desplazadas más grandes del mundo.

El ritmo de la salida de Venezuela ha sido asombroso. Unos 695.000 a fines de 2015, la cantidad de refugiados y migrantes de Venezuela se ha disparado a más de 4 millones a mediados de 2019, según datos de las autoridades nacionales de inmigración y otras fuentes.

En solo siete meses, desde noviembre de 2018, el número de refugiados y migrantes aumentó en un millón.

Los países latinoamericanos acogen a la gran mayoría de venezolanos, con Colombia que recibe alrededor de 1,3 millones, seguido por Perú, con 768.000, Chile 288.000, Ecuador 263.000, Argentina 130.000 y Brasil 168.000.

México y los países de América Central y el Caribe también albergan un gran número de refugiados y migrantes de Venezuela.

“Estas cifras alarmantes resaltan la necesidad urgente de apoyar a las comunidades de acogida en los países receptores”, dijo Eduardo Stein, representante especial conjunto de Acnur y OIM para los refugiados y migrantes venezolanos.

“Los países de América Latina y el Caribe están haciendo su parte para responder a esta crisis sin precedentes, pero no se puede esperar que sigan haciéndolo sin ayuda internacional”, añadió el diplomático guatemalteco.

Los gobiernos de la región han establecido mecanismos para coordinar su respuesta y facilitar la inclusión legal, social y económica de los ciudadanos venezolanos.

El principal de ellos es el Proceso de Quito, que ha reunido a los países latinoamericanos afectados por el flujo de refugiados y migrantes venezolanos.

Para complementar estos esfuerzos, el pasado mes de diciembre se lanzó un Plan de Respuesta Regional Humanitario para Refugiados y Migrantes (RMRP), dirigido a 2,2 millones de venezolanos y 580.000 personas en comunidades de acogida en 16 países.

Hasta ahora, el RMRP está financiado solo en un 21 por ciento.

Este artículo fue publicado originalmente por la Agencia de la ONU para los Refugiados (Acnur) y la Organización Internacional para las Migraciones (OIM). IPS-Inter Press Service lo reproduce por un acuerdo general con la Organización de las Naciones Unidas para la difusión de sus contenidos.

RV: EG

El artículo Refugiados y migrantes de Venezuela superan ya los cuatro millones fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Crisis de desplazados empeoran por falta de fondos y de voluntad política

IPS español - sex, 07/06/2019 - 11:05

El secretario general del Consejo Noruego para los Refugiados, Jan Egeland, durante su visita a Buea, capital de la región del Suroeste de Camerún, el 23 de abril. Allí se reunió con un grupo de mujeres que fueron desplazadas por el conflicto interno en las áreas anglófonas de Camerún. Crédito: NRC

Por Thalif Deen
NACIONES UNIDAS, Jun 7 2019 (IPS)

Un nuevo informe del Consejo Noruego para los Refugiados (NRC) resalta que las 10 mayores crisis de desplazados que hay en el mundo y que dejaron sin hogar a millones de personas, han empeorado debido a la negligencia política, la escasez de fondos y la falta de atención de los medios.

El secretario general de la organización no gubernamental, Jan Egeland, aseguró a IPS que la asistencia humanitaria debe brindarse en función de las necesidades, y solo de las necesidades. Sin embargo, cada día millones de personas desplazadas son desatendidas porque han sido golpeadas por una de las llamadas crisis olvidadas o los dólares necesarios se han agotado.

El Informe Global sobre Desplazamiento Interno, publicado en mayo por el observatorio sobre el tema del NRC, destaca que los países que sufrieron crisis de desplazamiento en 2018 se ubican en su mayoría en África, con Camerún a la cabeza de la lista, seguido por la República Democrática del Congo, la República Centroafricana, Burundi, Malí, Libia y Etiopía.

Los tres restantes, según la lista de NRC, fueron Ucrania, Venezuela y Palestina.

“Esta lista deprimente debe servir como una llamada de atención para todos nosotros. Solo atrayendo la atención a estas crisis, aprendiendo sobre ellas y ubicándolas en un lugar importante en la agenda internacional, podemos lograr el cambio tan necesario”, dijo Egeland, quien fue subsecretario general para Asuntos Humanitarios y coordinador de Ayuda de Emergencia de la Organización de las Naciones Unidas (ONU).

Martin Scott, profesor en la británica Universidad de East Anglia y autor principal de un informe sobre “El estado del periodismo humanitario”, dijo a IPS que estudios como el del NRC deberían ser un primer paso para elevar la atención sobre las crisis olvidadas, pero ello no sucede por la falta de la cobertura que merecen de los medios de comunicación.

“Lo que se necesita es una evaluación clara de por qué estas crisis de desplazamiento reciben tan poca cobertura. En parte, es un reflejo de modelos de negocios que están rotos en la mayoría del periodismo internacional, lo que significa que los medios de comunicación a menudo tienen dificultades para proporcionar una cobertura consistente con el valor público real (de esas crisis)”, argumentó.

Pero también es un reflejo de las prioridades políticas y las agendas de los países más poderosos, que reflejan y siguen a menudo los medios, agregó Scott.

De hecho, estos informes, señaló, también llaman la atención sobre lo que no funciona, en general, dentro del periodismo internacional.

“Pero hay medios de comunicación que regularmente informan sobre crisis de desplazados como estas, tal como Devex, News Deeply, The New Humanitarian e Inter Press Service (IPS)”, señaló. “Es importante destacar su trabajo, para que las audiencias sepan que hay una cobertura de estas crisis que pueden seguir”, declaró.

Egland, por su parte puso como ejemplo lo que está sucediendo en Camerún sobre la desatención de las crisis de desplazados, en que a su juicio la comunidad internacional actúa como un conductor que va dormido al volante y responde con “un silencio ensordecedor” a los asesinatos brutales, las aldeas quemadas y el desplazamiento masivo de personas.

Recordó que hasta ahora el conflicto ha desarraigado a medio millón de personas en el suroeste y el noroeste de Camerún. Cientos de pueblos han sido incendiados. Los hospitales han sido atacados. Los trabajadores de salud temen ser secuestrados o asesinados.

Más de 780.000 niños han visto cerrar sus escuelas y miles de personas sobreviven actualmente escondidas entre los arbustos, sin haber recibido ayuda humanitaria alguna.

Tampoco se han realizado hasta ahora grandes esfuerzos de mediación, no hay grandes programas de ayuda, un mínimo interés de los medios y muy poca presión sobre las partes para que dejen de atacar a los civiles.

“Esta cultura de parálisis de la comunidad internacional tiene que terminar. Todos los días se permite que el conflicto continúe, la amargura se está acumulando y la región se acerca más a la guerra”, dijo Egeland, quien visitó en abril el país de África central.

El Consejo Noruego para los Refugiados está pidiendo que se preste mayor atención a todas las crisis olvidadas para evitar el sufrimiento de millones de personas vulnerables.

“Esta lista deprimente debe servir como una llamada de atención para todos nosotros. Solo atrayendo la atención a estas crisis, aprendiendo sobre ellas y ubicándolas en un lugar importante en la agenda internacional, podemos lograr un muy necesario cambio”, dijo Egeland.

Al preguntarle si la ONU y la comunidad internacional se estaban quedando atrás en su apoyo, Tiril Skarstein, también de NRC, dijo a IPS: “Creemos que la comunidad internacional no está haciendo lo suficiente para resolver estas crisis. La falta de voluntad política para encontrar soluciones a estas crisis es frecuentemente resultado de la falta de intereses geopolíticos en el área”.

Sin embargo, señaló, también hay algunos países en la lista de los que tienen crisis de desplazados donde varias potencias mundiales tienen intereses en el conflicto. Eso coloca la situación de los desplazados en un punto muerto y una falta de soluciones políticas, como es el caso de Palestina o Ucrania.

Sobre si la falta de fondos obedece a la negligencia por parte de los donantes occidentales o más bien a limitaciones financieras internas dentro de los países donadores, Skarstein dijo que la clave es que la asistencia humanitaria se dé solo en función de las necesidades.

Sin embargo, es más fácil destinar los fondos humanitarios a algunas crisis y no a otras. A menudo, “vemos un vínculo estrecho entre la cantidad de atención de los medios que recibe una crisis y la cantidad de fondos humanitarios. Algunas de las crisis en la lista de crisis olvidadas recibieron menos de 40 por ciento del financiamiento (promedio) el año pasado”, dijo.

“Pero también hay un déficit general de financiación, admitió.

El año pasado, solo se financió alrededor de 60 por ciento del total de los llamamientos humanitarios de la ONU y las organizaciones asociadas.

“Esto significa que necesitamos que todos los donantes aumenten su apoyo humanitario para poder satisfacer las necesidades humanitarias reales, y también necesitamos nuevos donantes, incluidas varias economías emergentes, para intensificar esa ayuda”, planteó.

Sobre la razón de que las crisis olvidadas correspondan principalmente a naciones africanas, en comparación con las asiáticas y latinoamericanas, Skarstein dijo que “desafortunadamente, las crisis en el continente africano rara vez aparecen en los titulares de los medios o llegan a las agendas de política exterior antes de que sea demasiado tarde”.

La falta de financiación y atención política tiene consecuencias devastadoras para los pobladores civiles, que no reciben protección contra los ataques, ni el alivio necesario cuando han tenido que huir de sus hogares en busca de seguridad, argumentó.

La mayoría de los que huyen se dirigen a los países vecinos o son desplazados dentro de su propio país. “Sin embargo, el hecho de que la mayoría de estas personas no se presente en nuestras puertas aquí en Europa, por ejemplo, no elimina nuestra responsabilidad de actuar”, señaló.

Según el NRC, la crisis en Camerún tiene su raíz en la conflictiva historia colonial del país. Después de la Primera Guerra Mundial, la antigua colonia alemana pasó a un dividido mandato francés y británico.

El país tiene ahora tanto el inglés como el francés como idiomas oficiales, pero las personas de habla inglesa se han sentido cada vez más marginadas, dijo el NRC.

Y en 2016, los civiles tomaron las calles y una fuerte represión por parte de las fuerzas de seguridad llevó a la violencia generalizada y la formación de grupos armados opositores.

T: MF

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Around 23 million boys have married before reaching 15; ‘we can end this violation’ says UNICEF chief

UN SGDs - qui, 06/06/2019 - 21:30
An estimated 115 million boys and men around the world were married as children, 23 million of them before the age of 15, according to the first-ever analysis on child grooms, launched on Friday by the UN Children’s Fund (UNICEF).
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Entre laranjas, fantasmas e rachadinhas

Pública - qui, 06/06/2019 - 16:58

Descubra quem é quem entre os mais de 100 nomes envolvidos nas denúncias que rondam os Bolsonaro e o PSL.

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Los ataques se triplican contra indefensas escuelas de Afganistán

IPS español - qui, 06/06/2019 - 16:58

Por Charlotte Munns
NACIONES UNIDAS, Jun 6 2019 (IPS)

Los ataques contra las escuelas en Afganistán se triplicaron entre 2017 y 2018, según un nuevo informe de Unicef, cuando pasaron de 68 a 192, y es probable que esa alarmante cifra suba este año porque el gobierno va a utilizar nuevamente para unos comicios las instalaciones educativas, esta vez  para las elecciones presidenciales. 

El informe se lanzó en paralelo a la Tercera Conferencia Internacional sobre Escuelas Seguras, realizada en la ciudad española de Palma de Mallorca, donde la comunidad internacional discutió el cumplimiento de la Declaración sobre Escuelas Seguras, destinada a proteger a estudiantes, profesores, profesoras e instituciones educativas en medio de conflictos armados.

Se trata de un compromiso intergubernamental adoptado en Oslo en 2015, nacido como instrumento para propiciar esa seguridad. Pero los participantes en la Conferencia de Palma de Mallorca, celebrada entre el 27 y el 29 de mayo, criticaron su efectividad y dudaron de la voluntad de los gobiernos involucrados y la comunidad internacional en cumplir lo acordado.

La directora ejecutiva de Unicef (Fondo de las Naciones Unidas para la Infancia), Henrietta Fore, expresó su preocupación porque la educación esté “bajo fuego en Afganistán”, al presentar el informe el 27 de mayo.

“Los ataques sin sentido a las escuelas; los asesinatos, lesiones y secuestros de maestros; y las amenazas contra la educación están destruyendo las esperanzas y los sueños de toda una generación de niños”, dijo en un comunicado.

El martes 4, Farhan Haq, portavoz adjunto del secretario general de la Organización de las Naciones Unidas (ONU), dijo que “debido al conflicto en Afganistán, más de 1.000 escuelas cerraron a fines del año pasado, dejando a medio millón de niños sin escuela”.

De hecho, la mitad de los escolares de entre siete y 17 años no asiste a las escuelas en ese país de Asia, lo que equivale a 3,7 millones de niños y adolescentes.

La oleada de ataques se produce cuando las escuelas están siendo arrastradas a convertirse otra vez en foco del conflicto en Afganistán al mantenerlas como centros de registro electoral y votación para las elecciones presidenciales del 28 de septiembre, pese a que el país suscribió la Declaración de Escuelas Seguras.

El uso de los centros escolares como colegios electorales es habitual en el mundo pero en el caso afgano coloca a las instalaciones como foco de ataques, al igual que sucedió en los comicios de 2014 y 2018.

La mayoría de las escuelas atacadas en 2018 habían sido utilizadas durante las elecciones legislativas de ese año.

Anthony Neal, gerente de Defensa del no gubernamental Consejo Noruego para los Refugiados (NRC, en inglés) y participante en el encuentro de Palma de Mallorca dijo a IPS que “de los 192 ataques a escuelas que se llevaron a cabo el año pasado en Afganistán, 92 fueron relacionados con las elecciones”.

“Usar las escuelas de esta manera las coloca directamente en la línea del frente “, planteó.

“En muchos países del mundo, las escuelas se utilizan como centros de votación, incluso recientemente en toda Europa para las elecciones legislativas europeas”, dijo Neal. “Lamentablemente no es el caso en Afganistán, donde las elecciones se consideran la expresión de una gran división entre los diferentes lados del conflicto”, planteó.

Patricia Gossman, investigadora principal en Afganistán de Human Rights Watch (HRW), coincidió a IPS en que “un lugar de votación será un objetivo desafortunadamente, dada la actitud de los talibanes hacia las elecciones”.

Organizaciones sociales como NCR y HRW y agencias de la ONU han pedido que las mesas electorales y los centros de registro de votantes se retiren de las escuelas.

“Muchas escuelas en todo Afganistán están siendo utilizadas actualmente por las fuerzas armadas”, dijo Neal, “para proteger la educación en Afganistán, las personas que apoyan las elecciones deben encontrar sitios alternativos de votación y registro de votantes”.

A pesar de este llamado para encontrar nuevos lugares para las actividades electorales, el gobierno afgano no parece haber avanzado en la búsqueda de esos locales  alternativos, y los informes indican que ya están preparando edificios escolares para las elecciones presidenciales.

“No han hecho preparativos para utilizar otro tipo de instalación”, dijo Gossman,  aunque ello “no está fuera del alcance” de los responsables de los procesos electorales.

La activista sugirió usar tiendas de campaña como cabinas de votación, que se han utilizado con éxito en otros países en el pasado, y son independientes, neutrales y baratas.

Con las próximas elecciones programadas para septiembre, Afganistán podría ver un empeoramiento en una situación educativa ya precaria.

Según el Banco Mundial, Afganistán tiene una tasa de alfabetización de solo 31 por ciento, una de las más bajas del mundo. Esto se debe en parte a la prohibición casi completa de la educación femenina bajo el régimen islamista talibán de 1996 a 2001.

Los ataques a centros educativo y al propio derecho a la educación en Afganistán son parte de un problema global que la comunidad internacional ha intentado abordar.

Durante la Tercera Conferencia Internacional sobre Escuelas Seguras, Mark Lowcock, el secretario general adjunto de Asuntos Humanitarios y coordinador de Ayuda de Emergencia dijo: “en los últimos cinco años, se reportaron más de 14.000 ataques a la educación en 34 países”.

Afirmó que la falta de adhesión a la Declaración de Escuelas Seguras, de la que Afganistán es signatario, es en parte culpable; “cuando los países se suscriben a la declaración, tienen que cumplir con las obligaciones en virtud de ella”, agregó, “estamos viendo demasiados ejemplos de fuerzas que ocupan las escuelas. Eso tiene que terminar”.

Sin embargo, en el caso específico de Afganistán, la efectividad de la Declaración de Escuelas Seguras parece cuestionable.

Al reflexionar sobre la intensidad de la violencia en Afganistán, Gossman señaló que “incluso las mejores intenciones parecen palabras al viento una vez que te enfrentas a este tipo de ritmo de conflicto”.

Agregó que “hay todo tipo de promesas en papel que se ven muy bien, pero que faltan severamente la implementación y el cumplimiento”.

Si bien la Declaración de Escuelas Seguras puede apuntar a proteger la educación en tiempos de conflicto, cuando se enfrenta a un contexto en el que la educación está siendo atacada violentamente, parece impotente para impulsar un cambio real, coincidieron los expertos consultados, en coincidencia con participantes en la Conferencia de Palma de Mallorca.

T: MF

 

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Gobierno destructivo fractura incluso a sus filas en Brasil

IPS español - qui, 06/06/2019 - 15:00

El presidente Jair Bolsonaro introdujo personalmente en la Cámara de Diputados el proyecto de ley que reduce las normas de tráfico y los castigos para los conductores de vehículos, una medida criticada por especialistas, porque puede aumentar los accidentes y las muertes viales en Brasil, uno de los campeones en mortalidad vehicular. Bolsonaro también pretende disminuir los radares de control de velocidad, porque son “una industria de multas”. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Mario Osava
RÍO DE JANEIRO, Jun 6 2019 (IPS)

La “estrategia de la destrucción” es como define la investigadora Sonia Corrêa al modo de gobernar del presidente de extrema derecha de Brasil, Jair Bolsonaro, que se evidencia en acciones y medidas adoptadas desde que llegó al poder el primer día del año.

Recortes presupuestarios que amenazan asfixiar a universidades estatales e investigaciones científicas, decretos que facilitan la posesión y el porte de armas a civiles, vetos a la educación sexual y de género en las escuelas y el desmantelamiento del sistema de protección ambiental son ejemplos de retrocesos en marcha.

Además de actos y declaraciones que niegan la democracia, como cuando Bolsonaro llama a celebrar el golpe de Estado militar de 1964 y sus ministros de Educación orientan a los estudiantes a filmar y denunciar a profesores que hagan “predica ideológica” o “coaccionen” al alumnado a participar en protestas.“El estado de guerra permanente tiene sus límites, pero la destrucción avanza rápido, el Sistema Único de Salud pública ya sufrió una gran erosión y en las últimas semanas están bajo ataque intenso las tres mayores instituciones productoras de conocimiento”: Sonia Corrêa.

Las reacciones fueron inmediatas. Millones de estudiantes se manifestaron en las calles el 15 y el 30 de mayo. La aprobación del gobierno bajó a cerca de un tercio de los entrevistados en varias encuestas en abril, contra la mitad en enero.

Estallaron disensos entre grupos que componen el gobierno, mientras movimientos y líderes de derecha que contribuyeron al triunfo electoral de Bolsonaro en octubre de 2018, se apartan de las posiciones más extremas e irracionales del oficialismo.

“La gobernabilidad hace aguas, pero están haciendo lo que se proponen hacer, mantener activa su base electoral”, sostuvo Corrêa a IPS, quien ejerce de co-coordinadora del internacional Observatorio Sexualidad y Política.

Ella integra una corriente de analistas para quienes “hay método en el caos, o más exactamente el caos es el método” en este gobierno, como concluyó Marcos Nobre, profesor de Filosofía de la Universidad de Campinas, en un artículo para la revista Piauí, publicado en abril.

Se trata de “mantener el colapso institucional” que facilitó la elección de Bolsonaro y gobernar para una minoría de adeptos, “entre 30 y 40 por ciento del electorado”. Eso, sostiene Nobre, asegura su fidelidad para sostener el poder y servir de base en las próximas elecciones, a la hora de buscar nuevas adhesiones.

Solo un agravamiento de la crisis económica o de la popularidad del presidente por debajo del 30 por ciento podrían “socavar ese arreglo destructivo” y esas condiciones no aparecen en el horizonte, lamenta el profesor, quien además ve los grandes partidos impotentes y “radioactivos”, por su identificación con el sistema político ahora rechazado.

“No se puede hacer previsiones para más de 48 horas en el Brasil de hoy”, que no se puede analizar según los parámetros usuales, matizó Corrêa.

La investigadora Sonia Corrêa, una de las coordinadoras internacionales del Observatorio Sexualidad y Política. Crédito: OSP

“Hay tensiones y conflictos internos en el gobierno, de maduración inevitable” y puede que la situación se mantenga o estalle en cualquier momento, ya que además de “debilidades institucionales incluso en la derecha, tenemos al líder más errático y voluble” entre los ultraderechistas que ascendieron en el mundo, evaluó.

“El estado de guerra permanente tiene sus límites, pero la destrucción avanza rápido, el Sistema Único de Salud pública ya sufrió una gran erosión y en las últimas semanas están bajo ataque intenso las tres mayores instituciones productoras de conocimiento” en Brasil, lamentó la investigadora.

Hace referencia a los agudos recortes presupuestarios y descalificaciones por miembros del gobierno que afectan a la Fundación Oswaldo Cruz, centro de ciencia y tecnología médica; el Instituto Brasileño de Geografía y Estadística; y el Instituto Nacional de Investigaciones Espaciales que monitorea la deforestación amazónica. Las tres son instituciones autónomas estatales con alto prestigio.

La extrema derecha alcanzó el poder en Brasil con Bolsonaro, un excapitán del Ejército que fue un mediocre diputado entre 1990 a 2018, no por casualidad, sino tras un largo proceso de preparación, de construcción de alternativas y plataformas que es mundial, advirtió Correa quien es una estudiosa del tema desde hace años.

En Estados Unidos la derechización del Partido Republicano que desembocó en la presidencia de Donald Trump comenzó en los años 70.

En Brasil el proceso tomó cuerpo a comienzos de este siglo, con la expansión de movimientos religiosos de “restauración conservadora” y la acción del Instituto Liberal y del Instituto Millenium.

“El Partido Republicano sostiene institucionalmente a Trump y controla sus locuras si es necesario. La novedad brasileña es que no tiene un partido para ejercer esas funciones, ni algo parecido a la Liga Norte de Italia”, observó Corrêa.

El proceso más parecido al brasileño es el de Colombia, con el papel relevante de movimientos religiosos, la fragmentación partidista, la derecha extremista y la fuerte presencia de la violencia y la “parapolítica” armada en ambos países.

En América Latina la derecha ganó un gran argumento para sus varios triunfos electorales, recurriendo al espantajo de la “venezolanización”, ante la omisión de la izquierda en la crítica al autoritarismo y la corrupción, señaló la investigadora.

La presidenta del Instituto Brasileño de Geografía y Estadística, Susana Guerra, explica que el censo nacional de 2020 tendrá menos preguntas y datos, ante la reducción del presupuesto con que se contará para realizarlo, que involucra decenas de miles de entrevistadores en este país de dimensiones continentales y unos 209 millones de personas. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

En cambio, factores que favorecieron su ascenso al poder se volvieron dañinos a la hora de ejercer el gobierno, especialmente en Brasil.

Bolsonaro logró aglutinar militares, corrientes religiosas y otras fuerzas conservadoras en su campaña electoral. Ahora esos grupos aliados son fuente de conflictos, por intereses u objetivos discrepantes entre ellos.

Los numerosos generales en los ministerios, por ejemplo, viven en tensión permanente con los llamados sectores “ideológicos” del gobierno, que se orientan por moralismos y viejos nacionalismos y anticomunismo.

El uso permanente de las redes sociales, factor decisivo durante la campaña, ahora agrava las desavenencias entre los miembros del Ejecutivo. Provocó, por ejemplo, la destitución en febrero del ex secretario general de la Presidencia, Gustavo Bebianno, quien fue brazo derecho electoral de Bolsonaro.

Fue el primer ministro a caer, a causa de desentendimiento con Carlos Bolsonaro, hijo del presidente y encargado de su comunicación digital.

La guerra contra el supuesto marxismo cultural y la denominada ideología de género,  que la izquierda habría impuesto en las escuelas, una bandera electoral, desorienta la gestión educativa, defenestró al primer ministro de Educación nombrado por Bolsonaro, el teólogo Ricardo Vélez, y amenaza al segundo, el economista Abraham Weintraub.

El decreto que amplió el acceso a las armas de fuego a millones de brasileños, otra promesa electoral de Bolsonaro, debe restarle popularidad. Facilitar el porte de armas fue rechazado por 73 por ciento de los entrevistados en una encuesta del Instituto Brasileño de Opinión Pública, realizada en marzo.

Se teme que la medida incremente los homicidios en Brasil, donde alcanzaron la cifra de 63.722  en 2017 y 57.117 en 2018, según datos del  Monitor de Violencia del Foro Brasileño de Seguridad Pública. Esto ya coloca a este país de 209 millones de personas en el tope de las muertes violentas sin existencia de un conflicto armado.

Además el decreto podrá ser anulado por la Justicia o el parlamento. Es cuestionable su constitucionalidad por contrariar la Ley del Desarme, de 2003.

Otras medidas que el presidente juzga legitimadas por su triunfo electoral, porque responden a sus creencias, tienden a perjudicar su gobernabilidad.

El último ejemplo es un proyecto de ley que flexibiliza normas y castigos para los conductores, una iniciativa temeraria en un país que registra excesivos accidentes de tránsito, con el saldo de 38.281 muertos y 228.102 discapacitados permanentes en 2018, según la Aseguradora Lider, que administra el seguro obligatorio de los vehículos.

Si se aprueba, los conductores podrán cometer el doble de las infracciones permitidas hasta ahora antes de la suspensión del permiso. Además descarta multas para quienes transporten niños sin las sillas de seguridad propias y elimina pruebas toxicológicas para choferes profesionales.

Esas sillas reducen en 60 por ciento las muertes infantiles en los accidentes, según la Organización Mundial de Salud.

Edición: Estrella Gutiérrez

El artículo Gobierno destructivo fractura incluso a sus filas en Brasil fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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“Cada día consideramos que vivimos un milagro”

IPS español - qua, 05/06/2019 - 18:21

Francisco y Sofia, nombres ficticios, llegaron a pie procedentes de Venezuela. Vivieron un mes en la calle de Boa Vista y les robaron todas sus pertenencias. “La ropa se puede volver a comprar. Pero nuestros documentos, no”. Crédito: João Machado/Acnur

Por Victoria Hugueney
MANAOS, Brasil, Jun 5 2019 (IPS)

Ya había caído la noche cuando la amazonense Irajane Souza recibió una llamada de su hermano, que trabaja en el aeropuerto internacional de Manaos, en el norte de Brasil: una familia venezolana de 17 miembros acababa de descubrir que les habían engañado. Los billetes de avión que habían comprado eran falsos y no tenían forma de continuar su viaje. Su hermano quería ayudar a la familia, pero no sabía cómo.

Al igual que gran parte de los 3,7 millones de personas que han abandonado ya Venezuela en busca de protección y de una oportunidad para volver a empezar, la familia había vendido todo lo que tenía para comprar los billetes y solo llevaban consigo algunos objetos.

Cuando Irajane recibió aquella llamada, en agosto de 2017, se encontraba en el grupo de estudios bíblicos en el que participa con otros jóvenes manauaras. Al compartir la noticia con ellos, los amigos se movilizaron para acoger a la familia.

“En aquel momento nos miramos unos a otros y decidimos que íbamos a traerlos para acá”, afirma Caio Andrade, voluntario de Oásis, abogado e integrante del grupo de estudios.

Las 17 personas procedentes de Venezuela pasaron provisionalmente la noche en la oficina de uno de los integrantes del grupo, y la noche siguiente en un hotel que pagó otro de los miembros del grupo de estudios.

Además de dar cobijo a la familia, Irajane y sus amigos se movilizaron para suavizar su pérdida económica. En menos de 48 horas consiguieron comprar 17 nuevos pasajes de avión y la familia estaba lista para continuar con su viaje.

Irajane, que trabaja en el sector del turismo, encontró billetes baratos y movilizó a socios y conocidos que donaron dinero y millas aéreas para que la familia pudiera proseguir viaje.

Este fue el primero de otros casos de familias venezolanas que fueron engañadas en una trama de venta de billetes falsos, por lo que no pudieron realizar la conexión en el aeropuerto de Manaos, la capital del norteño estado brasileño de Amazonas.

“El personal del aeropuerto acabó conociéndonos, y cada vez que llegaba un grupo en estas condiciones nos llamaban”, cuenta Irajane. Hasta este momento, su red de amistades ha ayudado ya a más de 200 personas procedentes de Venezuela, cuyo sur es fronterizo con este y otros estados brasileños.

Desde que sucedió este episodio, Irajane y sus amistades empezaron a ofrecer comida, productos de higiene básica, ropa y acogida en sus casas a aquellas personas procedentes de Venezuela que se encontraban en situación de vulnerabilidad en la capital del Estado de Amazonas.

La implicación del grupo fue creciendo a medida que aumentaba el número de personas venezolanas que llegaban a la ciudad, y hoy coordinan la casa de acogida Oásis, en la región centro-sur de Manaos. “De ahí surgió nuestra motivación para tener un espacio de acogida”, nos cuenta Irajane.

Isabela, Irajane y Soraya dirige el albergue desde agosto de 2018. Todo, desde los alimento al mobiliario ha llegado por medio de donaciones. “Cada día consideramos que estamos viviendo un milagro”, aseguran. Crédito: João Machado/Acnur

Oásis

La casa de acogida se inauguró en agosto de 2018 y son Irajane, Soraya, Isabela, Magali, Jhonatan y Amália quienes llevan las riendas.

“Un día antes de conseguir la casa teníamos seis  platos, tres ollas y una nevera pequeña”, recuerda Irajane.

“A medida que fueron llegando los enseres, fuimos acogiendo familias. Y así, hasta hoy. Ahora tenemos la casa completa. Acaban de llegar el frigorífico, el congelador y los aparatos de aire acondicionado. Todo donaciones. Tenemos una zona para estudiar y alimentos para todas las comidas. Todos los días llega algo nuevo, y siempre es lo que estábamos echando de menos. Es verdad que cada día consideramos que estamos viviendo un milagro”, añade.

Según datos oficiales de la Policía Federal, en 2018, 10.500 personas solicitaron el reconocimiento de la condición de refugiado en el estado de Amazonas, lo que lo convirtió en el segundo estado de Brasil con mayor número de solicitudes, solo por detrás de Roraima, otro estado fronterizo con Venezuela.

Las iniciativas de organización de la sociedad civil forman una parte importante del proceso de acogida, albergue e integración social.

Desde su inauguración, el albergue se sostiene a través de donaciones voluntarias y Acnur, la Agencia de la ONU para los Refugiados, apoya la casa mediante la donación de productos necesarios y el acompañamiento de casos de protección.

Más de 90 personas han sido ya acogidas por este grupo desde que abrió sus puertas y, en la actualidad, unas 40 familias que están fuera del albergue siguen recibiendo el apoyo de Oásis. ´

Allí han recibido asistencia psicológica y orientación sobre la regularización de documentos y la inserción sociolaboral. Irajane, Soraya, Isabela y otros voluntarios trabajan a diario para construir un ambiente acogedor y seguro para niños, niñas y personas adultas que, poco a poco, consiguen superar las dificultades del camino hasta Brasil.

En la actualidad, 13 personas adultas y 7 niños y niñas procedentes de Venezuela viven en la casa, entre los que hay dos recién nacidos. Gran parte de las familias acogidas vivían en las calles, como Francisco, ingeniero de gas y petróleo de 27 años, y Sofía, estudiante de medicina de 20 años, ambos con nombres ficticios por su seguridad.

Durante el día, niños y niñas reciben clases de apoyo escolar y aprenden portugués. “Hablan mucho y mejor que nosotros”, afirma la madre de una de las niñas. Crédito: João Machado/Acnur

El equipo de Oásis los rescató de la estación de autobuses de Manaos en septiembre de 2018, donde llevaban durmiendo cinco días y sin apenas nada que comer. Llegaron a la ciudad después de un mes durmiendo en una chabola en la ciudad de Boa Vista y de que les robaran todas sus pertenencias.

“Conseguimos llegar aquí desde Boa Vista en un auto compartido. Nos fuimos de allí porque habíamos perdido todo lo que teníamos”, nos cuenta Francisco.

“Una noche, después de intentar conseguir algo de dinero vendiendo chicle en la calle, volvimos a la chabola y vimos que la puerta estaba abierta de par en par: se habían llevado todo lo que teníamos. La ropa se puede volver a comprar. Pero nuestros documentos, no. Nuestros pasaportes venezolanos, mi título de ingeniería, mis antecedentes penales en Venezuela y en Brasil… los documentos de asistencia prenatal de ella, su certificado de ingreso en la escuela de medicina… todo”, recuerda el joven sin consuelo.

Cuando llegó al albergue Oásis, Sofía estaba embarazada de seis meses y, desde ese momento, encontró las condiciones necesarias para cuidarse a sí misma y atender su embarazo, que fue diagnosticado como de riesgo.

“Anduve demasiado para llegar a Brasil. Mucho, muchísimo. Hasta que un día empecé a notar contracciones. Aquí en Manaos el médico me dijo que había sido por haber caminado tanto. Me mandó reposo absoluto, algo que pude conseguir gracias al albergue”, dice.

Tras concluir la estancia prevista de tres meses, Francisco consiguió un empleo formal y la familia se pudo mudar a su propia casa, en la que su hijo nació en condiciones de seguridad. Sofía nos cuenta que dejar a su familia en Venezuela fue lo más difícil.

“Vinimos solo nosotros dos pensando en nuestro hijo. Queríamos quedarnos, pero el dinero no alcanzaba ni para comer, así que imagine comprar pañales”, nos explica. Hace poco consiguieron financiar la venida de su madre y la de Francisco a Brasil en condiciones de seguridad.

En medio de tantas adversidades, la casa de acogida se convirtió en un verdadero oasis en Manaos para las duras y turbulentas jornadas de las personas procedentes de Venezuela que buscan un lugar seguro para vivir.

Además de los actuales 20 moradores, la casa recibe durante el día diversos visitantes venezolanos que participan en las comidas, preparadas colectivamente, y asisten a clases de portugués impartidas por una persona voluntaria distinta cada día de la semana.

Caio es uno de los voluntarios y entusiastas de este proyecto. Además de ceder una hora a la semana de su tiempo para las clases con adultos, apoya varias necesidades de la casa y ayuda a movilizar a nuevos voluntarios que se puedan adherir a la red de acogida.

“Hasta conseguí que mi madre se uniera al proyecto. Es profesora jubilada y estaba en casa sin hacer nada. Ahora, viene todos los lunes a dar clase. La gente dona muy poco, pero significa mucho para quien lo recibe”, afirma el abogado.

Los residentes se organizan a diario para cocinar y limpiar la casa. Todos se reparten las actividades domésticas. Crédito: João Machado/Acnur

El programa de clases de portugués fue elaborado por una pedagoga voluntaria y tiene como objetivo promover el intercambio cultural entre Venezuela y Brasil, así como ayudar a la integración sociolaboral de las personas acogidas.

“No se trata de un proceso de desapropiación de su cultura, sino de la incorporación de una nueva cultura”, afirma Caio. “Tenemos mucho cuidado de no quitarles Venezuela, porque Venezuela es suya. En vez de eso, se trata de incluir Brasil. Siempre decimos: ‘Si algún día pueden volver, ya tendrán este bagaje. Pero ahora, tienen la oportunidad de tener otro país que los apoya’”, asegura.

Con planes para el futuro, el grupo está aprovechando su creatividad y su unión para conseguir pagar gastos fijos como agua, electricidad y gas a finales de cada mes.

Con la donación de una cocina industrial y de un segundo frigorífico, una de las habitaciones de la casa se está convirtiendo en una cocina en la que personas acogidas y voluntarias pondrán en marcha un pequeño negocio de entrega de comida en tarteras en horario comercial de almuerzo.

“Queremos aprovechar que estamos en una zona muy comercial para incentivar la generación de ingresos y la autonomía de las familias”, concluye.

Para Irajane, lo más gratificante es ver que los habitantes del albergue consigan recuperar su autonomía y su autoestima.

“Dejan atrás mucho más que cosas materiales. Dejan a sus familias, sus sueños, una vida entera de trabajo… Las personas que acogemos aquí llegaron con la mirada perdida y desesperada… Y en el día a día se puede notar su transformación, ya que sienten que son recibidos y saben que tienen personas a quienes les importan”, afirma.

Este artículo fue publicado originalmente por la Agencia de las Naciones Unidas para los Refugiados (Acnur). IPS-Inter Press Service lo publica por un acuerdo general con la Organización de las Naciones Unidas para la redifusión de sus contenidos.

RV: EG

El artículo “Cada día consideramos que vivimos un milagro” fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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World Bank downgrades global growth forecasts, poorest countries hardest hit

UN SGDs - qua, 05/06/2019 - 17:10
The World Bank has lowered its expectations of global economic growth for this year in a new report. It says that, although the picture for poorer countries is expected to stabilize in 2020, economic momentum remains weak.
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