Internacionais

Afinal, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxico do mundo?

Pública - seg, 24/06/2019 - 17:11

O título atribuído ao Brasil de “maior consumidor de agrotóxicos do mundo” é motivo de discordância entre grupos favoráveis e contrários à flexibilização da legislação sobre os químicos. A reportagem reuniu e analisou os principais levantamentos sobre o assunto para entender se há como bater martelo sobre a posição brasileira no uso de agrotóxicos mundial.

O principal dado sobre uso de agrotóxicos é o da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) feito pela consultoria de mercado Phillips McDougall. O trabalho é utilizado como referência tanto pelas indústrias do setor agroquímico, quanto por especialistas da área e ambientalistas.

O relatório compara o valor investido em pesticidas nos 20 maiores mercados globais em 2013 e atribui três rankings sob diferentes perspectivas: em números absolutos, número por área cultivada e por volume de produção agrícola.

A pesquisa mostra que naquele ano o Brasil foi o país que mais gastou com agrotóxicos no mundo: US$ 10 bilhões. Estados Unidos, China, Japão e França ficam, respectivamente, nas posições seguintes.

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Principais consumidores
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O segundo ranking divide os gastos totais pela área cultivada, ou seja, o quanto é investido em agrotóxico por hectare plantado. Na lista o Brasil fica em sétimo lugar, com US$ 137 por hectare. Atrás de Japão, Coreia do Sul, Alemanha, França, Itália e Reino Unido.

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Por área cultivada
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O terceiro ranking mostra quanto cada país gasta com pesticidas tendo o tamanho da produção agrícola como referência. Para isso, são divididos os gastos absolutos pelas toneladas de alimento produzidos. O Brasil é o 13º da lista (US$ 9 por tonelada), que mais uma vez é liderada por Japão e Coreia do Sul.

O informe anual sobre a produção de commodities da FAO, divulgado em setembro do ano passado, mostrou que o Brasil é o terceiro maior exportador agrícola do mundo. Segundo o levantamento, no ano de 2016, o país era responsável por 5,7% da produção agrícola do planeta, abaixo apenas dos Estados Unidos, com 11%, e da União Europeia, com 41%.

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Por tonelada
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Os dados brutos do levantamento podem ser conferidos em inglês no site da Consultoria Phillips Mcdougall.

O professor de Agroecologia do Instituto de Estudos Socioambientais
da Universidade Federal de Goiás (IESA/UFG) Adriano Rodrigues chama de “disputa de narrativa” a discussão em relação aos dados divulgados pela FAO.

“É justamente sobre a correlação da área produtiva coberta e do volume de agrotóxicos. Somos o país que mais utiliza veneno no mundo. Porém, efetivamente, quando você considera a quantidade de hectares de área plantada no Brasil, que é muito grande, essa correlação nos faz cair no ranking”, pontua.

Já a pesquisadora Larissa Mies Bombardi, professora da Faculdade de Geografia da Universidade de São Paulo, questiona o cálculo feito no Ranking da FAO sobre uso de pesticida por hectare. Para ela, o dado que coloca o Brasil na sétima posição não reflete a realidade. “Quando se divide o consumo de agrotóxico brasileiro pela área plantada você dilui esse volume gigantesco. São considerados área cultivada regiões como de pasto, que são terras improdutivas. Essa conta faz com que o Brasil fique lá embaixo no ranking”, explica.

Larissa é autora de um dos principais trabalhos brasileiros recentes sobre o nosso consumo de pesticidas é o Atlas Geográfico do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia. O livro, publicado em 2017, traz levantamento de dados inédito sobre o consumo de agrotóxicos no Brasil (todos com fontes oficiais) e faz um paralelo com o que acontece na União Européia.

A autora compara a média de aumento mundial no consumo de agrotóxico com o brasileira, tendo como base os números de vendas de pesticida. Entre 2000 e 2010, cresceu em 100% o uso de pesticidas no planeta, no mesmo período em que o aumento no Brasil chegou a quase 200%. Segundo a apuração, cerca de 20% de todo agrotóxico comercializado no mundo é consumido no Brasil. O atlas conta com 296 páginas e está disponibilizado na íntegra em e-book gratuitamente.

“Em termos de volume, desde 2008, Brasil e Estados Unidos revezam o primeiro lugar”, explica a professora, baseando-se em dados da própria indústria. A especialista diz que há dificuldades em fazer rankings dos países que mais utilizam pesticidas, pois as nações utilizam diferentes metodologias, o que dificulta comparações científicas. Sobre o levantamento da FAO, Larissa explica que as informações são passadas para a organização pelo próprios países.

“Não existe um monitoramento internacional para fazer a classificação”, pontua.

Para o professor Universidade Federal de Goiás (IESA/UFG) Adriano Rodrigues, além de observar os números da FAO é necessários analisar os efeitos causados pelo contato com os agrotóxicos. “Mais importante do que apenas dizer se somos ou não os maiores consumidores, é mostrar as consequências desse uso tão grande. O Ministério da Saúde emite relatórios que quantificam o número de intoxicações no Brasil por exposição a agrotóxicos, mais de 80 mil notificações”, diz.

Os dados citados pelo pesquisador fazem parte última edição do Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos, publicado em 2018, que traz um compilado de dados de 2007 a 2015. A publicação mostra que neste período foram notificados 84.206 casos de intoxicação no Brasil — em unidades de saúde pública e privada.

É possível estimar quantos litros de agrotóxico cada brasileiro bebe?

Outro dado comum no debate sobre agrotóxicos é a quantidade de defensivo que cada brasileiro consome. Em 2011, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida divulgou que cada brasileiro consumia cerca 5,2 litros de agrotóxico por ano. Para chegar ao número, a organização não-governamental dividiu o número de 1 bilhão de litros de pesticidas vendidos a cada ano pela população brasileira na época, de 192 milhões.

Quatro anos depois uma nova pesquisa da ong, junto agora da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), mostrou que o brasileiro estava bebendo ainda mais agrotóxico. Eles utilizaram números divulgados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em 2015, referentes à quantidade de princípios ativos de agrotóxicos vendidos em 2013, e a receita anual da indústria agroquímica — cerca de R$ 36,6 bilhões.

Com uma média dos preços ponderada pela participação no mercado, a pesquisa chegou ao valor médio de R$24,68 por litro de agrotóxico. Dividiu-se a receita anual da indústria (R$36,6 bilhões) pelo valor médio do litro de agrotóxico (R$ 24,68) — o que resultou em R$ 1,48 bilhão, número que foi dividido novamente pela população brasileira estimada pelo IBGE (201 milhões de pessoas). O resultado foi de 7,6 litros por pessoa.

Mas isso significa que o brasileiro literalmente bebe 7,36 litros de agrotóxico por ano? Não. Parte dos pesticidas são utilizados em plantações que não dão origem a alimento, como algodão, eucalipto ou soja. Além disso, boa parte da produção é exportada. E, segundo especialistas, é possível eliminar os agrotóxicos que ficam na parte de fora de alguns alimentos, embora seja impossível eliminar os que penetram dentro dos legumes.

Segundo a Abrasco, o objetivo do número é ter um indicador de aproximação do tema, com caráter pedagógico. “Ninguém literalmente bebe 7 litros de agrotóxico, porque se bebesse morreria. Trata-se de um número de aproximação, assim como o PIB, que não é demonizado. Nosso indicador tem objetivo pedagógico”, explica Fernando Carneiro, membro do Grupo Temático de Saúde e Ambiente da Abrasco.

“Evidentemente, quando calculamos o PIB per capita brasileiro e o comparamos com o de outros países, sabemos que a renda de todo brasileiro não é igual. Há grande desigualdade. Mas o PIB é um indicador de aproximação, assim como o nosso”, relata o especialista.

O que diz a indústria?

Multinacionais produtoras de agrotóxico negam que o Brasil mereça o título de maior consumidor de pesticidas do planeta.Em entrevista concedida em 2018 para a agência de notícias Deutsche Welle Brasil, a DW, o presidente da Bayer no Brasil, Theo van der Loo, explicou o motivo. “O uso dessas substâncias no Brasil é muito alto porque o Brasil é um grande produtor. Além de o país ser grande, tem duas safras por ano, às vezes até três. Na Europa e nos EUA é apenas uma safra por ano. Por hectare, de longe o Brasil não é o país que mais usa agroquímico”, disse o executivo paulista de 63 anos, no comando da empresa desde 2011.

A Syngenta tem posicionamento semelhante. Pelo Youtube, a empresa publica uma série de vídeos na qual afirma “desmistificar e esclarecer temas ligados à agricultura no Brasil”. Em um dos vídeos, a companhia diz que a afirmação do Brasil ser o maior consumidor de agrotóxico é verdadeira, “mas vem um pouco distorcida”. “No Brasil o clima quente e úmido possibilita a produção de até duas safras e meia por ano. O que é ótimo, mas contribui para o aumento do consumo de defensivos. Pois são mais safras anuais em um clima que favorece o desenvolvimento de pragas e doenças”, diz Gustavo Costa, engenheiro agrônomo da Syngenta, durante o vídeo.

A assessoria de imprensa da Syngenta diz que a imagem do Brasil como maior consumidor do mundo é “falsa”. “Essa informação é irrelevante se não compararmos os dados normalizados, ou seja, se não correlacionarmos a utilização de defensivos por área ou por produção”.

O uso de agrotóxicos continua subindo?

Desde 2013, nenhum outro estudo de tanta reputação foi realizado comparando os gastos mundiais de agrotóxico. Porém, desde então, dados nacionais mostram que a venda de agrotóxicos no Brasil cresceu quase todos os anos.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publica desde 2000 boletins anuais de comercialização de agrotóxicos no Brasil. Em 2013, foram 495,7 mil toneladas de pesticidas vendidos, enquanto em 2017 o número chegou a 539,9 mil toneladas. O recorde foi registrado em 2016, com 541,8 mil toneladas vendidas.

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Consumo de agrotóxico 2000-2017
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Os valores de 2018 ainda não foram divulgados. Mas a expectativa é que os números tenham aumento e sigam crescendo neste ano.

Isso porque o segmento de insumos foi o único do PIB do agronegócio brasileiro a apresentar alta no primeiro bimestre deste ano, mantendo a tendência observada em 2018. Segundo cálculo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor de insumos teve aumento de 2,35% em relação ao mesmo período do ano passado. Fazem parte dele os setores de fertilizantes e corretivos de solo, agrotóxicos, máquinas agrícolas, rações e de medicamentos para animais.

Apenas a produção de agrotóxicos aumentou em 34,10% na comparação com o ano passado, segundo o estudo.

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Sobrevivientes, el centro de solución a violencia sexual en conflictos

IPS español - seg, 24/06/2019 - 13:43

Un grupo de niñas en Darfur, una región conflictiva de Sudán. Los cuerpos de las mujeres y las niñas son un arma utilizada en los conflictos armados en el mundo, con consecuencias devastadoras para ellas y sus comunidades. Crédito: Albert González/ONU

Por Tharanga Yakupitiyage
NACIONES UNIDAS, Jun 24 2019 (IPS)

La violencia sexual se mantiene como un “arma” de uso común en conflictos armados, nacionales o internacionales, lo que sigue amenazando la paz colectiva y la seguridad en el mundo. ¿Qué hacer para mejorar esa situación? La respuesta es colocar a las personas sobrevivientes como protagonistas de sus derechos y de su erradicación.

Funcionarios de la Organización de las Naciones Unidas (ONU), junto con representantes del gobierno y de la sociedad civil, se reunieron este mes para abordar como reducir el arma de la violencia sexual en los conflictos y destacaron la importancia de un enfoque que ponga a las personas sobrevivientes de esa violencia, mayoritariamente mujeres, como prioridad.

Esta “es una oportunidad no solo para aumentar la conciencia de la necesidad de poner fin a la violencia sexual relacionada con el conflicto, sino también para ser solidarios y rendir homenaje a las sobrevivientes (mujeres, niñas, hombres y niños)”, dijo la representante especial del secretario general sobre Violencia Sexual en los Conflictos, Pramila Patten.

La también subsecretaria general de la ONU destacó de esos sobrevivientes el hecho de que “a pesar de los horrores han resistido, muestran la determinación, la resolución y el coraje inquebrantable para levantarse y hablar contra este flagelo”.

Amanda Nguyen, fundadora y directora general de la organización no gubernamental Rise, consideró que “la responsabilidad moral más fundamental de una nación es escuchar y ofrecer justicia a los más vulnerables. Y es la responsabilidad moral más fundamental de la comunidad internacional el hacer lo mismo”.

“Los líderes mundiales deben tomar en serio la violencia sexual, y deben ver a todos los sobrevivientes de violencia sexual como seres humanos con su dignidad humana completa”, agregó la activista a favor de las sobrevivientes de violencia sexual y promotora de una ley estadounidense al respecto.

La ONU estima que aproximadamente 35 por ciento de las mujeres y niñas del planeta, lo que equivale a 1.300 millones de personas, han sufrido violencia sexual, mientras que otro estudios elevan esa cifra hasta 70 por ciento, a lo que hay que sumar a hombres y  niños.

En abril, el Consejo de Seguridad de la ONU aprobó la Resolución 2467 sobre el problema que reconocía la necesidad de un enfoque centrado en las y los sobrevivientes de la violencia sexual para prevenirla y responder con servicios no discriminatorios y acceso a la justicia.

Patten aseguró entonces que “las guerras se siguen librando sobre los cuerpos de las mujeres y las niñas”, mientras lamentó que las partes en conflicto sigan ejerciendo esa brutal violencia porque “es un método eficaz para atacar a las personas y devastar comunidades enteras”.

Destacó que no hay suficiente conciencia de “las devastadoras consecuencias físicas y sicológicas y la carga social que soportan las sobrevivientes”.

Por su parte el secretario general de la ONU, António Guterres, para quien “la violencia sexual es una táctica de guerra y terrorismo”, ha destacado que “los extremistas y terroristas suelen construir sus ideologías sobre la subyugación de mujeres y niñas y usan la violencia sexual de distintas formas”.

La resolución, promovida por Alemania, salió adelante después que se logró el apoyo de Estados Unidos tras aceptar su exigencia de eliminar toda referencia a la salud sexual y reproductiva, mientras China y Rusia se abstuvieron pero no votaron en contra.

Pero, ¿cómo avanzar en un enfoque centrado en las personas sobrevivientes?

Patten subrayó la necesidad de que las y los sobrevivientes tengan asistencia personalizada que satisfaga sus necesidades específicas.

“La situación de todos las sobrevivientes debe ser la brújula moral que guía nuestras acciones… las sobrevivientes no son un grupo homogéneo. La violencia sexual tiene muchas víctimas”, dijo.

Si bien la historia de miles de mujeres y niñas yazidíes, usadas como esclavas sexuales por los militantes del grupo extremista Estado Islámico, saltó a los titulares internacionales, pero menos conocidos fueron los casos de la violencia sexual ejercida en los conflictos contra las comunidades de lesbianas, gays, bisexuales, transexuales e intersexuales (LGBTI).

En 2015, Estados Unidos reveló los ataques contra personas LGBTI que se efectuaron en Iraq por diferentes grupos armados como una forma de “limpieza”.

Mientras, la Oficina del Alto Comisionado de Estados Unidos para los Derechos Humanos encontró que 88 por ciento de los solicitantes de asilo y refugiados LGBTI de Honduras, El Salvador y Nicaragua fueron víctimas de violencia sexual y de género en su país de origen.

Nguyen, de la  organización Rise, destacó la necesidad de que las víctimas tengan acceso a la justicia y de incluir a las personas sobrevivientes en la redacción de la legislación para enfrentar este tipo de violencia.

“La paz no es la ausencia de conflicto visible. Para que haya verdadera paz, los sobrevivientes deben tener acceso a la justicia. Sus vidas son las zonas de guerra invisibles que corroen el potencial humano y frenan la promesa de un mundo justo. Su impotencia es nuestra vergüenza. Esta es una paz que todos podemos ayudar a lograr “, dijo.

“Nada es más sagrado que el derecho universal a la dignidad humana”, agregó.

Después de conocer las complejidades en la búsqueda de justicia para las víctimas en Estados Unidos, Nguyen ayudó a aprobar la Ley sobre los  Derechos de los Sobrevivientes de Asalto Sexual, vigente desde 2016, que incluye temas como el no tener que pagar un examen de violación, que puede costar hasta 2.000 dólares, o que esa prueba no se destruya hasta que prescriba el presunto delito.

Desde entonces, Rise ha puesto a los sobrevivientes a la vanguardia, ayudándolos a “defender la existencia de sus derechos civiles” como víctimas sobrevivientes.

“El cambio ocurre cuando podemos decidir y podemos  defender los principios de equidad, igualdad y justicia. Podemos decidir que nadie está impotente y vulnerable cuando estamos juntos. Podemos decidir que nadie es invisible”, dijo Nguyen.

Durante la reunión en la sede de la ONU en Nueva York, Patten destacó la naturaleza transformadora de un enfoque centrado en el sobreviviente.

Ese enfoque, dijo, “esa voz y opción a los sobrevivientes, restaura su acción y voluntad, fortalece su resiliencia… cambiando las dinámicas de poder. Un enfoque centrado en las personas sobrevivientes también puede ser un enfoque profundamente transformador que reafirma a esas sobrevivientes como titulares de derechos”.

T: MF

El artículo Sobrevivientes, el centro de solución a violencia sexual en conflictos fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Governo registrou 167 denúncias de violação sexual por líderes religiosos em três anos

Pública - seg, 24/06/2019 - 13:35

Nos últimos três anos, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos recebeu 462 denúncias de violações cometidas por líderes religiosos – o equivalente a uma média de três denúncias por semana. O dado inédito, obtido pela Pública através da Lei de Acesso à Informação (LAI), revela que, desse total, 167 casos envolvem denúncias de violência sexual. Esse foi o tipo de denúncia mais comum que o ministério recebeu em 2016 envolvendo lideranças religiosas.

As denúncias a que a Pública teve acesso foram coletadas pelo Disque 100, serviço 24 horas do ministério que recebe relatos de violações de direitos humanos por telefone, site e aplicativo e as encaminha a órgãos de proteção, como as polícias, promotorias do Ministério Público e tribunais de justiça, entre outros. O conteúdo das denúncias é mantido sob sigilo.

Bruno Fonseca/Agência PúblicaFonte: Disque 100/Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

Os dados vão ao encontro do que a ministra Damares Alves afirmou na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara – segundo ela, líderes religiosos são os principais abusadores de mulheres e crianças. A ministra chegou a afirmar que uma a cada dez denúncias do tipo envolve lideranças religiosas.

“Vou fazer esse enfrentamento. Vamos enviar uma proposta em que a pena por abuso seja agravada se for cometida por um líder religioso”, disse à época. Segundo reportagem, no início de maio, Damares enviou ao ministro da Justiça, Sergio Moro, um projeto de lei para agravar a pena de crimes de abuso sexual cometido por profissionais que se aproveitam de situações de confiança para cometer as violações. A Pública questionou o ministério sobre o conteúdo do projeto, mas a pasta não respondeu até a publicação da reportagem.

Denúncias acusam líderes religiosos de negligência, violência psicológica e sexual

Entre 2016 e 2018, a maior parte das denúncias envolveu situações de negligência, isto é, quando líderes religiosos são acusados de maus-tratos, por exemplo, como privação de cuidados básicos, como acesso a alimentação, medicamentos e higiene. O segundo tipo de violação mais denunciado foi violência psicológica; o terceiro, violência sexual.

Bruno Fonseca/Agência PúblicaFonte: Disque 100/Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

As cidades de onde mais partiram as denúncias são, em sua maioria, capitais. Dos dez municípios com maior número absoluto de relatos, sete são capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Manaus, Salvador, Fortaleza e Belo Horizonte, nessa ordem. As exceções entre as dez cidades com mais denúncias são Nova Iguaçu, no estado do Rio, Ribeirão Pires, no interior paulista, e Aparecida de Goiânia, em Goiás.

Igrejas e templos são o lugar onde mais teriam ocorrido as violações – quase uma a cada quatro denúncias revela esse tipo de local. O número é próximo ao das denúncias que apontam a casa da vítima. Em seguida vêm outros locais, casa do suspeito e na rua. Há, ainda, denúncias de escolas, manicômios, hospitais psiquiátricos, casas de saúde e abrigos para idosos.

Bruno Fonseca/Agência PúblicaFonte: Disque 100/Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Quem denuncia enfrenta demora no atendimento e pode não ter demanda atendida

Em maio deste ano, o Ministério dos Direitos Humanos divulgou dados oficiais que mostraram que a quantidade de denúncias em 2018 foi cerca de 10% menor que no ano anterior. “Não podemos precisar se isso [a queda das denúncias] foi em função da ineficiência do atendimento”, justificou o ouvidor nacional de Direitos Humanos, Fernando César Ferreira. Contudo, o próprio ouvidor reconheceu que o Disque 100 tem problemas, como a demora no atendimento – há casos em que o tempo de espera para atendimento de uma chamada chega a 50 minutos. Ainda de acordo com o ministério, 40% das chamadas não são respondidas.

A Pública questionou o ministério se há alguma estimativa de quantas denúncias recebidas foram confirmadas ou resultaram em alguma ação dos órgãos responsáveis, mas, novamente, não obtivemos resposta até a publicação da reportagem.

Segundo o ouvidor, será criado um Sistema Integrado Nacional de Direitos Humanos, que deve reunir as denúncias que hoje chegam pelo Disque 100 e aquelas do 180, destinado a denúncias de violência contra mulheres.

A Agência Pública quer seguir investigando violações cometidas por lideranças religiosas. Por isso, estamos em busca de relatos e histórias de pessoas que foram vítimas de violência ou conhecem alguém que passou por situações assim. Se este é o seu caso, você pode ajudar respondendo o formulário. Ajude a compartilhar o questionário para que chegue ao máximo de pessoas possível.

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It’s time we took a seat ‘at your table’: Guterres calls on world youth to keep leading climate emergency response

UN SGDs - dom, 23/06/2019 - 15:42
Older generations have “failed to respond properly” to the climate emergency said the UN chief on Sunday, while the young are “stepping up to the challenge” and taking the lead to slow the destructive pace of global warming. 
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Sudán entre la consolidación militar y la frágil esperanza de democracia

IPS español - sex, 21/06/2019 - 15:07

Un efectivo de la Operación Híbrida de la Unión Africana y las Naciones Unidas en Darfur, con la misión de asegurar que se cumplan los acuerdos para poner fin al conflicto en la zona del oeste de Sudán. Organizaciones humanitarias como Amnistía Internacional demandaron este mes que se suspenda su retirada por la nueva tensión en la región y en todo el país. Crédito: ONU

Por Daniel Yang
NACIONES UNIDAS, Jun 21 2019 (IPS)

Los civiles de Sudán siguen arriesgando sus vidas cada día para manifestarse a favor de que la democracia llegue a su país, pero se enfrentan a variados obstáculos para mantener activas sus movilizaciones, incluidos el cierre de calles y la falta de acceso a Internet.

La perspectiva de la democracia sigue siendo incierta en este país del noreste de África, ya que las autocracias regionales ayudan al gobierno militar, hay incesantes choques violentos entre los manifestantes y las fuerzas del gobierno y la Organización de las Naciones Unidas (ONU) se retiró a raíz de una masacre a comienzos de este mes.

Un manifestante sudanés, Abdelfatah Arman, dijo a IPS desde Jartum que la situación sobre el terreno se caracteriza por una violencia continua.

“Comenzamos a ver personal militar uniformado, junto con los Servicios de Inteligencia y Seguridad Nacional” desplegados en las calles, dijo Arman, al recordar a modo de ejemplo lo que sucedió en la última protesta en que había participado en Al Souq Al Arabi, el mercado al aire libre más grande de la capital.

“Estaban fuertemente armados y bloqueando, con sus camionetas pick-up, todas los accesos que conducían a Al Souq o al Palacio Presidencial. Usaron porras y gases lacrimógenos y además había francotiradores en algunos edificios”, dijo en una entrevista con IPS.

“Comenzamos a correr en todas direcciones para salir de allí”, recordó Arman, quien actualmente es estudiante de doctorado en la escuela de Educación de la Universidad de Penn State.

También es periodista e integrante de la plataforma opositora de Fuerzas de Libertad y el Cambio (FCC), que coordina y convoca las protestas.

Desde diciembre de 2018, los manifestantes encabezados por el FFC y la Asociación de Profesionales Sudaneses (SPA) han tomado las calles en media docena de ciudades, exigiendo la renuncia del gobernante de Sudán desde hace 30 años, Omar al Bashir.

Al Bashir fue destituido el 11 de abril y en su lugar se estableció un gobierno militar encabezado por el Consejo Militar de Transición, que ha rechazado la demanda civil de elecciones democráticas.

El 3 de junio la brutal represión de una manifestación pacífica, una acampada frente a la sede del Ejército en Jartum, se saldó con la muerte de más de 100 manifestantes,  lo que ocasionó una ola de indignación internacional.

Más de 40 cadáveres fueron arrojados posteriormente al río Nilo, según denuncias opositoras, mientras también personal de asistencia sanitaria resultó herido, junto con médicos y voluntarios, incluso en los centros hospitalarios.

Human Rights Watch, una de las organizaciones internacionales que ha condenado la masacre, solicitó una investigación de la ONU sobre la violencia desatada por el Consejo Militar.

“La decisión de desencadenar la violencia contra los manifestantes pacíficos es absolutamente injustificada e ilegal, y una bofetada en la cara para aquellos que han estado buscando el diálogo para lograr un traspaso al gobierno civil”, dijo la organización internacional con base en Washington.

La represión continuó con un cierre de Internet por parte del gobierno para desalentar las protestas, cuya convocatoria se produce por plataformas como Facebook, Twitter y WhatsApp.

El cierre de Internet ha empeorado la seguridad civil, dijo el periodista Zeinab Mohammed Salih, en una carta a la British Broadcasting Corporation (BBC).

“Los que estaban obligados a caminar lo hacían portando cuchillos y palos, especialmente en la ciudad gemela de Jartum, Omdurman, para protegerse”, dijo Salih.

El coordinador humanitario de la ONU en Sudán, Gwi-Yeop Son, ha destacado el “deterioro” de la situación humanitaria en Sudán, y ha expresado su profunda preocupación porque medio millón de personas corren el riesgo de contraer infecciones sin tener acceso a los suministros médicos adecuados.

A pesar de los crecientes obstáculos, la SPA reafirmó su demanda de un gobierno civil, convocó a un panel internacional para investigar la “bárbara” masacre del 3 de junio en Jartum y pidió que la población se mantenga en desobediencia civil al Consejo Militar.

Pero, en tanto, autocracias regionales como Arabia Saudita y los Emiratos Árabes Unidos están trabajando en apoyo al régimen de Jartum para fortalecerlo y que logre acallar las protestas.

En abril, se informó que los dos países del Golfo enviaron a los líderes militares de Sudán 3.000 millones de dólares en ayuda para fortalecer los esfuerzos de contrarrevolución del Consejo.

El príncipe heredero de los Emiratos Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed, prometió “preservar la seguridad y la estabilidad de Sudán” por temor a que la corriente democrática de ese país situado frente a las costas de la península arábiga, pudiera llegar hasta su controlado territorio.

El Grupo Soufan, una firma internacional que brinda servicios de seguridad e inteligencia a gobiernos y organizaciones, advierte que la confrontación sudanesa actual podría degenerar  en una guerra civil a gran escala.

“Hay claros paralelismos con algunas de las protestas de la Primavera Árabe que eventualmente desencadenaron insurgencias en toda regla, incluidas las de Siria, donde el bombardeo indiscriminado inicial contra civiles por parte de los militares incrementó los movimientos de protesta hasta eclosionar en un levantamiento más amplio”, dijo la organización.

Sin embargo, una eventual guerra civil podría terminar en otro regimen militar, repitiendo el camino de Egipto después de la Primavera Árabe.

La ONU ha instado a ambas partes a que reanuden las negociaciones pacíficas y busquen una solución política al conflicto.

En la reunión del Consejo de Seguridad del 14 de junio, los Estados miembros destacaron que el empeoramiento de la situación humanitaria exige un apoyo continuo de la ONU, pero también expresaron que Sudán debe tomar el control de su propio futuro político.

“Una transición pacífica y ordenada con el objetivo de lograr la transferencia del poder político a un gobierno civil, democrático y representativo es la única manera duradera de resolver la crisis actual”, dijo el representante de Bélgica, Marc Pecsteen de Buytswerve.

La ONU retiró a su personal civil en Jartum después de la masacre del 3 de junio, pero ya reanudó el resto de sus operaciones.

El opositor pro democracia Arman, en tanto, aseguró que el FFC, la organización que coordina las protestas, no mantendría negociaciones con el gobierno militar hasta que se investigue la última masacre.

Pero pese  a la tensión actual con el Consejo Militar, el representante de la FCC sigue siendo optimista para una transición democrática.

“Tenemos la esperanza de que si pudimos provocar el derrocamiento del dictador Al Bashir y su sucesor, el general Ahmed Award Ibn Auf, también podríamos lograr la salida del general Abdel al Burhan y la junta militar”, que el líder castrense encabeza.

“Continuaremos nuestra protesta y desobediencia civil hasta que salgan los militares”, dijo Arman. “No aceptaremos nada menos que un gobierno civil dirigido por civiles”, concluyó.

T: MF

El artículo Sudán entre la consolidación militar y la frágil esperanza de democracia fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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De Tony Blair a Mette Frederiksen

IPS español - sex, 21/06/2019 - 12:39

La nueva primera ministra de Dinamarca, Mette Frederiksen. Crédito: Flickr

Por Roberto Savio
ROMA, Jun 21 2019 (IPS)

En el último año, los socialdemócratas, que fueron desapareciendo poco a poco desde la crisis de 2008, protagonizan un discreto retorno. Están en el poder en España, Portugal, Suecia, Finlandia y, más recientemente, en Dinamarca.

Pero las estadísticas son desalentadoras. Las elecciones europeas dieron a los miembros del grupo socialista un 20% de los votos contra el 25% de 2014, en una evidente erosión del 34% alcanzado en 1989 y 1994.

El último éxito en Dinamarca fue de 25,9% de los votos, inferior a 2015. En Finlandia, obtuvieron 17,7%, solo dos décimas más que el Alt Right (derecha alternativa).  Y en Suecia, Stefan Lofven logró ganar su mandato con el voto más bajo en décadas.

En los grandes países, como Gran Bretaña, Alemania, Francia e Italia, se están volviendo irrelevantes. Lo interesante es que los votos perdidos no fueron a favor de la izquierda más radical. Los dos grupos europeos que se unen a Syriza, Podemos, Francia Insumisa, la alemana Linke, obtuvieron solo 5%, por debajo del 7% de 2014. Mientras, los votos se fueron básicamente para la Alt Right.

Ahora los socialdemócratas tienen apoyo popular solo en España (PSOE, 33%) y Portugal (PS, 33.4%). Desde la cuna escandinava de los socialdemócratas, el cambio se produjo en la península ibérica. Hoy Portugal es lo que fue Suecia hace 20 años: un modelo de valores cívicos, tolerancia e inclusión.

El debate se centra ahora en el modelo danés. La nueva primera ministra Mette Frederiksen  viene con un enfoque muy radical contra los inmigrantes, prácticamente idéntico a la visión de Alt Right: deportación de inmigrantes a una isla desierta (a la australiana); confiscación de joyas y otros objetos de valor que traen consigo, así como la prohibición del uso del burka y el niqab en espacios abiertos.

Este fue justo el programa de Alt Right. En 2015, casi 60.000 migrantes llegaron a Dinamarca, pero solo 21.000 obtuvieron asilo. En 2017, la cifra descendió a solo la  cuarta parte de las solicitudes. Al mismo tiempo, Frederiksen prometía aumentar el bienestar, los subsidios para los segmentos más pobres de la población, los incentivos para los jóvenes (ella quiere dejar de fumar: ha prometido aumentar radicalmente el costo de los cigarrillos).

El modelo danés se basa en un hecho simple. Hoy los europeos están gobernados por el miedo. Miedo al futuro, a la llegada de la inteligencia artificial y a los robots que podrían hacer desaparecer el 10% de los trabajos actuales: solo la automatización de los automóviles dejaría sin empleo a casi dos millones de taxistas, conductores de autobuses y de camiones (algo que nunca harán los inmigrantes).

El autor, Roberto Savio

La llamada nueva economía declara abiertamente que la mano de obra es un pequeño componente del producto industrial. El exceso de trabajadores disponibles ha puesto punto final a los tiempos de los puestos de trabajo fijo. Por supuesto, esta realidad contradice el hecho de que la población europea enfrenta un pronunciado declive.

De acuerdo con la  Organización Internacional del Trabajo,  Europa necesitará al menos 10 millones más de personas para seguir siendo competitiva en 2030. Cuando los sentimientos y no las ideas se convierten en la base de la política, y las decisiones se toman desde el instinto y no con el cerebro, entramos en la mitología y nos alejamos de la realidad.

La gran mayoría de los trabajadores italianos vota ahora por Matteo Salvini, el líder de la Liga Norte. Salvini ha hecho del miedo el tema central de su permanente campaña electoral. Como ministro del Interior pasó solo 17 días en su oficina ministerial y todos los demás en la carretera. Ha convertido a los inmigrantes en la principal amenaza para la seguridad de los italianos.  Realiza manifestaciones masivas, besa el rosario católico o la Biblia y asegura que Italia es una esclava de la Unión Europea.

Ha introducido nuevas leyes de seguridad que facilitan la posesión de un arma e impulsa una campaña abierta contra el papa Francisco y sus llamados a la solidaridad y la inclusión.  Sugiere que el papa Francisco podría acoger a todos los refugiados en el Vaticano y se ha aliado con el ala conservadora de la Iglesia para pedirle al papa Benedicto su regreso.

Así, ha duplicado sus votos y está en camino de convertirse en el próximo primer ministro de Italia. Ahora está desafiando a la Unión Europea con la declaración de que no aceptará el límite de déficit del 3%, alegando que actúa en nombre de los italianos y que los italianos van primero que los eurócratas.

Esa es una batalla que va a perder. Los jefes de gobierno europeos, no la Comisión, son los que establecen el límite del déficit. Y sus compañeros soberanistas, como Sebastian Kurz de Austria, Viktor Orbán de Hungría o Mateusz Morawiecki de Polonia, no harán ni un solo sacrificio para permitir a Italia incrementar su déficit.

Italia es un buen ejemplo para entender cómo la realidad ahora no es importante y no es la base para la política. El economista internacional Tito Boeri, director saliente del Instituto Nacional de Seguridad Social (INPS, una institución muy respetada), acaba de publicar su artículo «Los gerentes del miedo».

Los italianos ahora están convencidos de que hay un inmigrante por cada cuatro italianos: la realidad es que hay uno cada 12. Las encuestan muestran que los italianos (y esto es válido para todos los europeos) están convencidos de que enfrentan cuatro problemas con los inmigrantes: 1) les quitarán sus puestos de trabajo; 2) tendrán que financiar de su bolsillo el bienestar de aquellos que no trabajan; 3) hacen las ciudades menos seguras; 4) traen consigo enfermedades contagiosas.

Bueno, dice Boeri, casi 10% de los inmigrantes han creado empresas. Cada inmigrante que es empresario contrata a 8 trabajadores y el empleo de los inmigrantes está altamente concentrado en actividades que los italianos han abandonado. Ellos proporcionan el 90% del trabajo que se realiza en los campos de arroz, 85% en la industria de prendas de coser y 75% en la recolección de frutas y hortalizas. Los salarios en estos sectores no han aumentado en los últimos 20 años. Eran bajos  y siguen siendo bajos.

Pero la razón más importante (y esto también es para toda Europa), es que ahora cada cuatro italianos uno tienen más de 65 años. Mientras, uno de cada 50 inmigrantes tiene más de 65 años. ¿Cómo sobreviviría el sistema de pensiones sin los inmigrantes?

Sin embargo, los italianos de más de 65 años son ahora los que votan por Alt Right. En Italia hay 2 pensionados por cada 3 trabajadores y esta relación desequilibrada  seguirá creciendo. Para mantener el sistema actual, el 83% de un salario se destina al sistema de pensiones. ¿Cuánto le costará en el futuro a las pocas personas trabajadoras mantener a quienes se han jubilado?   En estos momentos, 150.000 jóvenes, los más cualificados, abandonan Italia cada año…

Veamos qué pasa con el crimen. Las estadísticas muestran que, al mismo tiempo que los inmigrantes han aumentado, el crimen ha estado disminuyendo. Y tenemos estadísticas sobre enfermedades contagiosas de la Organización Mundial de la Salud: Turquía, el país que ha recibido en poco tiempo más inmigrantes (más de cuatro millones), no tiene datos para demostrar un aumento de las enfermedades contagiosas. Alemania, la nación que recibió más inmigrantes en un período más corto de tiempo en Europa, tampoco muestra ni un solo incremento en el campo de las enfermedades contagiosas.

Para los historiadores, el miedo y la codicia son motores impulsores del cambio. ¿Cuándo empieza el miedo? Con la crisis económica de 2008, resultado de una financia irresponsable, el único sector global del mundo sin control. La crisis dejó claro el fracaso de la globalización. En lugar de impulsar todos los barcos como sus propagandistas proclamaban, optaron por unos pocos botes y los enriquecieron a un punto sin precedentes: ahora 80 individuos acumulan la misma riqueza que  2,3 mil millones de personas.

La codicia antecede al miedo. Tras la caída del Muro de Berlín, el mundo entró en una orgía de lo privado sobre lo público. El Estado era considerado el enemigo del desarrollo. Todos los costos sociales se redujeron, en particular los de la salud y la educación, por considerarse no productivos.

Jair Bolsonaro en Brasil sigue haciendo lo mismo: ha recortado el presupuesto de las universidades y ha anunciado que quiere «desalentar» la filosofía y la sociología, en favor de los «estudios prácticos», como los negocios, la ingeniería y la medicina. La ganancia pasó a considerarse una virtud esencial.

Se permitió a las empresas buscar el máximo beneficio, relocalizándose en países más baratos, desplazando a las fuentes locales de trabajo, reduciendo salarios y marginando a los sindicatos.  La globalización, en su trayectoria neoliberal, fue considerada imparable.  «No hay alternativa», dijo la famosa Margaret Tatcher, considerada la sirena del neoliberalismo junto a Ronald Reagan.

La marea fue tan fuerte que se llamó «la pensèe unique» (el pensamiento único). Al principio, la izquierda no tenía una respuesta. Pero en 2003 el primer ministro británico, Tony Blair, presentó una propuesta alternativa. Como la globalización es imparable, avancemos y tratemos de domesticarla: la Tercera Vía.

En esencia, se trató de una aceptación de   la globalización. El resultado fue que la socialdemocracia apenas se adaptó y que los perdedores de la globalización dejaron de sentirse defendidos por la izquierda. La globalización hizo movible todo lo que era remunerable (finanzas, comercio, transporte) y dejó al estado solo la responsabilidad de lo inalterable: educación, salud, pensiones y todos los gastos sociales.

Este proceso se acompañó de una reducción considerable de los ingresos nacionales puesto que la globalización pudo (y todavía puede) ocultar las ganancias del sistema fiscal nacional: se estima que 80 billones (millones de millones) de dólares se encuentran en paraísos fiscales, una de las principales razones de la disminución de los ingresos nacionales.

Había mucho menos dinero para distribuir. La deuda pública comenzó a acumularse. En el instante en que escribo asciende a 58.987.551.309.132 dólares (vaya al reloj de la deuda de The Economist para ver cuánto ha crecido). Como resultado, aumentan los servicios de la deuda y se reduce la cantidad disponible para gastos. Nadie habla de esta espada de Damocles que pende sobre la cabeza de los países y sus ciudadanos.

No es de extrañar que la Unión Europea introdujera un límite para los déficits nacionales… Italia debe pagar y debe pagar 30.000 millones de euros cada año por su déficit. La propuesta el gobierno de incrementar el déficit para ganar votos es absolutamente irresponsable…

Vale la pena señalar que antes de la crisis de 2008, no había partidos de la derecha alternativa en Europa, con la excepción de Jean Marie y Marine Le Pen en Francia. Era solo una cuestión de tiempo para que en todos los países alguien comenzara a manejar el miedo y el  declive de los partidos tradicionales que no tenían respuesta ante la marea masiva de la globalización neoliberal. Los inmigrantes están entonces a la mano para avivar el miedo.   Y todas las víctimas de la globalización se convierten en los nuevos campeones…

Ahora, es un lugar común decir que la derecha y la izquierda ya no existen. De hecho, la lucha es entre los soberanistas, nacionalistas teñidos de xenofobia y populismo, y contra los “globalistas”, aquellos que aún creen que la cooperación y el comercio internacionales son vitales para el crecimiento y la paz.

Este debate sobre el presente ignora que la izquierda es un proceso histórico, que data de la primera revolución industrial de principios del siglo XIX. Un número incalculable de personas ha dado su vida para alcanzar la justicia social, frenar la explotación de los trabajadores e introducir los valores de una sociedad moderna y justa en las relaciones internacionales: equidad, democracia participativa y transparente, derechos humanos, paz y desarrollo. Estas fueron las banderas de la izquierda. Este tesoro histórico debe vincularse necesariamente a los tiempos actuales.

La dialéctica derecha-izquierda no ha desaparecido. Basta mirar cómo el creciente movimiento ambientalista de nuestros días se ha visto afectado por la división. Desde Donald Trump hasta Bolsonaro, ven el cambio climático como una operación de izquierda. Y si lees la encíclica del papa Francisco, Laudato Si, (lamentablemente nadie lo hace), verás que la lucha contra el cambio climático es, ante todo, una cuestión de justicia social y dignidad humana. En ese sentido, los partidos Verdes están asumiendo parte de las batallas de la izquierda histórica.

Y esto nos lleva a una cuestión central. ¿Es la solidaridad una parte integral del legado de la izquierda? Porque Frederiksen consiguió su victoria en Dinamarca abandonando la solidaridad y utilizando el nacionalismo y la xenofobia.

Por supuesto, está ofreciendo a sus votantes daneses la suficiente seguridad de restauración de los privilegios para sus ciudadanos.

Está claro que esta es ahora mismo una fórmula ganadora como lo fue la Tercera Vía para Tony Blair en las elecciones británicas de 1997. Salvo su reverencia a la globalización como lo hizo la Tercera Vía. Se inclina ante el nacionalismo, el populismo y la xenofobia, el nuevo Pensè Unique para tantas personas en el mundo. Sería sensato observar si tiene un efecto duradero para lo que se llama a sí misma el ala izquierda…

Periodista italo-argentino, Roberto Savio  fue cofundador y director general de Inter Press Service (IPS), de la que ahora es presidente emérito. En los últimos años también fundó Other News, un servicio que proporciona “información que los mercados eliminan”. 

RV:EG

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Más megaciudades igual a más presión sobre los bosques

IPS español - qui, 20/06/2019 - 17:12

En 1990 había solo 10 megaciudades en el mundo, ahora el número se ha triplicado y son 33 las urbes con más de 10 millones de habitantes. Se espera que las megalópolis suban a 43 para 2030, situadas mayormente en países del Sur en desarrollo. Una explosión urbana que presiona sobre los recursos naturales y en especial sobre los bosques. Crédito: Desmond Brown / IPS

Por Desmond Brown
ANKARA, Jun 20 2019 (IPS)

Dos tercios de la población mundial se proyecta que vivirán en ciudades en ciudades en 2050. Un proceso que ya está provocando una presión adicional sobre los bosques, incrementando sus talas para incrementar la producción agrícola.

China, India y Nigeria están entre los países que protagonizan el incremento de la urbanización del planeta, donde se pasará del actual 55 por ciento de la población mundial viviendo en áreas urbanas, a un 68 por ciento en las próximas décadas, según cifras de la Organización de las Naciones Unidas (ONU).

Luc Gnacadia, exministro de Medio Ambiente de Benín y ex secretario ejecutivo de la Convención de las Naciones Unidas de Lucha contra la Desertificación (CNULD), afirmó que a medida que más personas se mudan a las ciudades y más de ellas se transforman en megaciudades, más presión se ejerce sobre los bosques.

Eso es así porque la población urbana tiene ingresos más altos y tiende a consumir más, en el caso alimentario más productos de origen animal o procesados, lo que requiere mayores porciones de tierra desarboladas para responder a esta demanda.

“El sistema que tenemos, que es el de la extracción de recursos naturales para atender patrones de consumo basados en el derroche, todavía es el sistema dominante”, dijo Gnacadia a IPS, durante el Congreso Internacional sobre Suelos, que acogió la capital de Turquía entre el lunes 17 y el miércoles 19.

“Hay menos gente (en el mundo rural) que produce más para las ciudades, lo que significa que pueden estar minando el suelo, talando el bosque y haciendo que nos volvamos cada vez más vulnerables a las perturbaciones climáticas y contribuyendo a esas perturbaciones”, dijo el especialista beninés.

Gnacadia subrayó que la neurálgica capa boscosa del planeta se está perdiendo por lo que describió como un mal uso de la tierra para la actividad agropecuaria.

La expansión de la frontera agrícola a nivel mundial se está produciendo mediante la errada formula de invadir y desmantelar ecosistemas tan indispensables como intocados, incluidos los bosques.

La Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO) puntualizó durante el Congreso que la expansión de las plantaciones y las áreas urbanas está ejerciendo una presión no sostenible sobre los bosques y sus recursos, lo que perjudica a las comunidades rurales y exacerba los efectos negativos del cambio climático.

“Si queremos disminuir esto, primero debemos considerar el potencial de la tierra y la capacidad de desmonte. Para que se puede usar adecuadamente la tierra, se debe identificar claramente antes la manera sostenible de hacerlo, antes de tomar decisiones”, dijo Gnacadia.

Luc Gnacadia, exministro de Medio Ambiente de Benín y ex secretario ejecutivo de la Convención de las Naciones Unidas de Lucha contra la Desertificación, en su entrevista con IPS en Ankara, durante el Congreso Internacional sobre Suelos, celebrado en la capital turca entre el 17 y 19 de junio. Crédito: Desmond Brown / IPS

“Cuando usamos la tierra para la agricultura, debemos trazar un mapa claro de esa tierra e identificar dónde goza de buena salud y asegurarnos de evitar su degradación. Todo lo que hagamos debe tener un objetivo. Utilizamos la tierra pero nos aseguramos de que no pierda su productividad, y no agotamos todos sus nutrientes”, planteó.

“Para las tierras que están experimentando alguna degradación, debemos adoptar medidas para reducirla… Se debe evaluar si aún existe, en términos socioeconómicos, el potencial para restaurarla y devolverla a la vida. Si existe ese potencial, entonces hay que hacerlo”, añadió.

En  1990 había solo 10 megaciudades en el mundo, que ahora se han triplicado para alcanzar al número de 33 las urbes con más de 10 millones de habitantes. Se proyecta que para 2030 serán 43 las megalópolis y la mayoría se situarán en países del Sur en desarrollo.

Tokio es la ciudad más populosa del mundo con unos 37 millones de habitantes, seguida de Nueva Delhi con alrededor de 29 millones y Shanghái con 26 millones. Pero se prevé que la capital de India supere la población de la capital japonesa en 2028.

Mariam Akhtar-Schuster, copresidenta de la Interfaz Ciencia-Política de la CNLUD, dice que los países deben implementar un mecanismo integral de planificación del uso de la tierra para poder satisfacer las demandas y necesidades de los hogares y, al mismo tiempo, administrar y conservar de manera sostenible la naturaleza.

“Tenemos que considerar que la población urbana también tiene una demanda de leña y de madera para cocinar y como material de construcción. Todas estas necesidades están afectando los bosques”, dijo la especialista de origen alemán a  IPS.

“Si se produce una expansión no regulada de las áreas urbanas, los bosques cercanos se verán dañados, pero incluso si los bosques no se talan para crear espacio para las viviendas,  son una fuente de leña para cocinar y esto puede conducir a un inmenso proceso de degradación”, añadió.

Akhtar-Schuster hizo hincapié en que la reducción y degradación de los bosques es un problema de gobernabilidad ambiental,

Por ello, a su juicio, “se deben crear procedimientos y regulaciones, sobre cuanta madera se permite sacar de los bosques y cuán lejos deben establecerse los mecanismos de control de los bosques para evitar la tala ilegal y la eliminación de madera para atender la demanda diaria”.

La planificación urbana también debe considerar que se necesita infraestructura para la energía, recalcó Akhtar-Schuster, para insistir en que los bosques son altamente vulnerables al uso humano y esto debe ser atendido.

“No estoy diciendo que no se deban usar los bosques, pero tienen que usarse de forma sostenible y eso significa que hay que establecer muchas regulaciones, especialmente si se produce una expansión urbana”, dijo la funcionaria de la Interfaz de la CNULD.

Consideró que “se requieren años y años y años hasta que un pequeño retoño se convierta en un gran árbol y esta dimensión temporal debe considerarse en cualquier planificación”.

“Debes tener una visión de muy largo plazo si deseas administrar tus bosques de manera sostenible y siempre tendrás que verificar la condición sobre si hay un rejuvenecimiento natural de los bosques, tendrás que controlar también la estructura de la edad de los bosques próximos a las áreas urbanas para que siempre se mantenga saludable”, añadió Akhtar-Schuster.

Otras situaciones que han disminuido los bosques y han cambiado para mal el uso de la tierra tienen su origen en la demanda mundial de productos básicos como el caucho o el aceite de palma.

En el tratamiento de la explotación de esos recursos se recordó especialmente en Ankara los casos de países como Indonesia y Papua Nueva Guinea, donde los gobiernos otorgaron amplias concesiones de tierras a las empresas para impulsar sus economías.

T: MF

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¿Un gobierno incompatible con la cultura nacional de Brasil?

IPS español - qui, 20/06/2019 - 14:31

El presidente Jair Bolsonaro tiene predilección por participar en actos militares, un sostén clave para su gobierno, con ocho de sus 22 ministros militares, la mayoría generales retirados del Ejército. EL mandatario de extrema derecha, un capitán retirado, manifiesta con frecuencia su nostalgia con la dictadura militar (1964-1985) y reivindica volver a la sociedad conservadora de entonces. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Por Mario Osava
RÍO DE JANEIRO, Jun 20 2019 (IPS)

Suena raro que Brasil haya elegido un gobierno extremista de derecha, moralista y retrógrado, el opuesto de un país cuya imagen internacional es de alegría, libertad de costumbres, convivencia interracial y creatividad cultural.

La contradicción, previsible desde las elecciones de octubre de 2018, tomó cuerpo con la extinción del Ministerio de Cultura, uno de los primeros actos del presidente Jair Bolsonaro luego de su toma de posesión el 1 de enero.

Apareció de forma más cruda en marzo, cuando el presidente difundió por Twitter un video en que dos hombres practicaban la “lluvia dorada” (práctica sexual de orinar sobre la otra persona), señalando que lo hizo para “exponer la verdad” sobre lo que ocurre en los desfiles de carnaval.“Mantienen en el gobierno la misma estrategia de la campaña electoral, hacen mucha agitación, aunque son minoritarios. Producen una sensación que contradice la pérdida de popularidad sufrida por el gobierno, para indicar que sus bases están inctactas”: Alessandra Aldé.

Fue una de las crudas maneras en las que evidencia su rechazo a la gran fiesta nacional, un símbolo global además de la entidad de la población de este país de 210 millones de personas.

En el mundo artístico y de espectáculos es casi unánime la oposición a Bolsonaro, quien en contrapartida fomenta la hostilidad de sus seguidores contra el sector cultural, que acusa de estar contaminado por el izquierdismo y el “marxismo cultural”, tal como las universidades.

Sus adeptos “parecen vivir en un universo paralelo” informándose entre ellos por redes sociales, últimamente usando más a videos en YouTube, según Alessandra Aldé, profesora de comunicación en la Universidad del Estado de Rio de Janeiro.

“Mantienen en el gobierno la misma estrategia de la campaña electoral, hacen mucha agitación, aunque son minoritarios. Producen una sensación que contradice la pérdida de popularidad sufrida por el gobierno, para indicar que sus  bases están intactas”, dijo a IPS la especialista, basada en datos de un grupo académico en participa y que investiga el uso político de medios digitales.

“La sociedad brasileña es más conservadora de lo que creíamos”, señaló para explicar el triunfo electoral del Bolsonaro, un capitán retirado del Ejército cuyas ideas no parecen compatibles con el estereotipo cultural de los brasileños.

El momento de rebelión contra el izquierdista Partido de los Trabajadores, que gobernó el paísl de 2003 a 2016, y contra la política en general encarada como corrupta “hizo emerger el reaccionarismo antes oculto”, sostuvo.

Algunos datos desnudan ese conservadurismo mezclado con racismo, homofobia y el machismo, señaló la investigadora, reflejados en los numerosos feminicidios y asesinatos de homosexuales que ocurren en el país.

Fátima Pacheco Jordão, socióloga especialista en sondeos de opinión pública, coincide que Bolsonaro no conquistó la presidencia por sus ideas, su liderazgo o organización partidista, sino por el fuerte sentimiento anti PT que “alimentó un conservadurismo radical”.

Los grandes escándalos de corrupción y la crisis económica, un coctel iniciado en 2014 y atribuido a los gobiernos del PT, debilitaron el principal adversario electoral, el petista Fernando Haddad, desbrozando el camino al triunfo de Bolsonaro.

Pero el excapitán tiene características que lo consagraron como el candidato antiPT y contra el sistema político corrompido, al defender valores del pasado, como la familia tradicional, la tradicional primacía patriarcal y la disciplina militar.

El vicepresidente Hamilton Mourão, general retirado del Ejército, en la ceremonia en que recibió el título de ciudadano de honor de Río de Janeiro, el 17 de junio. El vicepresidente ha asegurado que las familias sin padre o abuelo crían hijos “desajustados”, con gran probabilidad de volverse delincuentes, descalificando por lo menos 11,6 millones de familias de Brasil, que solo cuentan con una madre como cabeza y sostén. Crédito: Adnilton Farias/VPR

Sus seguidores lo llaman “Mito”, desde cuando aún era poco conocido y un diputado sin brillo y de opiniones condenables, como la defensa de la tortura y de la dictadura militar de 1964 a 1985, recordó Jordão.

La construcción de mitos, héroes a quienes confiar el destino, forma parte de la cultura brasileña y a Bolsonaro lo favoreció también el hecho de haber sido víctima de un atentado con una cuchillada que le perforó el intestino, durante la campaña electoral.

Tres semanas en cirugías y tratamiento en el hospital impidieron su participación en los debates electorales. Pudo así evitar debates públicos que lo hubiesen obligado a exponer sus planes de gobierno.

Su elección como mito la amplificaron las redes sociales, donde la difamación de adversarios fue un arma recurrente. Haddad, por ejemplo, fue acusado de promover la distribución del “kit gay”, un supuesto material escolar que estimularía la homosexualidad, cuando fue ministro de Educación (2005-2012).

Bolsonaro recuerda a Macunaíma, personaje que el escritor Mario Andrade creó “con precisión literaria y sociológica” para representar al brasileño promedio, tras viajar por el interior de Brasil en los años 20 del siglo pasado, evaluó Jordão a IPS.

Se trata de un “héroe sin ningún carácter”, perezoso, egoísta, inmaduro y vengativo, en la obra que es un hito del modernismo brasileño.

El presidente discrepa de la cultura brasileña, incluso la rechaza, en sus aspectos modernos, de conquistas recientes, como el ambientalismo y la creación artística y contemporánea.

Pero logró conquistar y movilizar millones de seguidores por atavismo, rescatando y proponiendo como objetivo la vuelta a valores y costumbres del pasado, muchos ya superados por la realidad.

“Representa algo retrógrado, un retroceso sobre todo en la cultura brasileña”, resumió Jordão.

La familia tradicional, heterosexual y encabezada por un hombre, es central en la “utopía” de Bolsonaro y sus fieles.

Familias sin padre o abuelo son “fábricas de personas desajustadas que tienden a incorporarse a las narcobandas”, afirmó el durante la campaña electoral el vicepresidente, el general retirado Hamilton Mourão.

En Brasil, sin embargo, 40,5 por ciento de las familias ya tenían como jefa solitaria a una mujer en 2015, según estudio de Eustaquio Diniz Alves, basado en datos estadísticos oficiales. En números absolutos eran 28,9 millones de familias, el doble de la cifra de 2001.

Las que más crecieron son familias con padre y madre, pero bajo jefatura femenina. Alcanzaron 9,9 millones, siete veces más que en 2001, golpeando viejas pretensiones machistas.

El culto de la familia única y tradicional se vincula a también al viejo dogma de que solo hay dos sexos y que género es una concepción ideológica que busca destruir la familia.

Bolsonaro criticó como “un error” que el Supremo Tribunal Federal haya decidido el 13 de junio equiparar la homofobia al racismo, con penas de hasta tres años de cárcel para sus delitos. Eso perjudicará a los homosexuales porque empresas dejarán de emplearlos, según su argumento desmentido por varios empresarios.

El presidente afirmó también que los extranjeros serán bienvenidos para hacer turismo heterosexual en Brasil, pero no el homosexual. Sus declaraciones homofóbicas agravan el riesgo para los homosexuales, víctimas de cerca de un asesinato homofóbico en este país sudamericano.

Además, ignoran la realidad de un país que ya aprobó el matrimonio entre personas del mismo sexo y atrae millones de personas a las Paradas del Orgullo Gay en muchas ciudades. En São Paulo tienen lugar desde 1997.

Bolsonaro enfrenta otras resistencias a su obsesión de borrar de la historia avances en áreas como ambiente, educación, seguridad pública, diplomacia, igualdad de género y derechos humanos. Un Brasil “similar al de 40, 50 años atrás” es su meta anunciada en vísperas de las elecciones.

Su decreto del 7 de mayo que facilita la posesión y porte de armas de fuego a millones de personas fue rechazado por el Senado el martes 18 de junio y depende de una próxima votación en la Cámara de Diputados.

Es inconstitucional, según la mayoría de los senadores, porque un decreto no puede alterar una ley. En ese caso busca retroceder a la situación anterior al Estatudo del Desarme, una ley vigentes desde 2003, para restringir y controlar las armas en manos de civiles.

Edición: Estrella Gutiérrez

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Do Stonewall à Parada do Orgulho LGBT

Pública - qui, 20/06/2019 - 12:32

Neste ano, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que ocorrerá no próximo domingo (23), celebrará o aniversário de 50 anos da Revolta de Stonewall. Em 28 de junho de 1969, frequentadores do lendário bar gay Stonewall Inn, localizado no bairro de Greenwich Village, em Nova York, reagiram a uma das corriqueiras batidas policiais no estabelecimento e deram início a seis noites de protesto que são consideradas um divisor de águas para o movimento LGBT nos Estados Unidos e no mundo. O Dia Internacional do Orgulho LGBT, inspirado pelo evento, é comemorado anualmente na mesma data.

A Pública entrevistou, em Nova Iorque, o jornalista e escritor norte-americano Eric Marcus sobre a importância histórica desses protestos. Ele é fundador do consórcio Stonewall 50, que tem realizado programação intensa em comemoração do 50º aniversário do fatídico evento, e criador e apresentador do podcast Making Gay History, cujos episódios narram memórias de personagens importantes para o movimento LGBT nos EUA.

Marcus explica que o ativismo gay [em tradução literal] já existia nos Estados Unidos antes da Rebelião de Stonewall, mas que a data é um marco porque, a partir dela, houve uma importante organização do movimento e a criação de novos grupos militantes no país, assim como marchas pelos direitos LGBT. “As paradas anuais têm o potencial de celebrar de onde viemos e mostrar para onde precisamos ir”, diz. E acrescenta: “Para o mundo lá fora, estamos dizendo: estamos aqui, nessa enorme comunidade LGBT, e não vamos embora. Especialmente nos Estados Unidos de hoje, onde temos um governo tão antigay, é muito importante deixar claro que não vamos desistir dos direitos que duramente conquistamos.”

Como você explicaria a Rebelião de Stonewall para quem nunca ouviu falar dela?

Em Nova York, nos anos 1960, eram comuns batidas policiais em bares gays, que não tinham licença para funcionar [era proibido vender bebidas alcoólicas a homossexuais, por isso os bares gay eram clandestinos]. O gerente e os bartenders eram presos, e o álcool, confiscado. Eram presas também algumas das pessoas que estavam no local, geralmente aquelas cujo comportamento não era o esperado para seu gênero, ou homens vestidos de mulher, porque era permitido prender homens que não estavam usando no mínimo três peças de roupa apropriadas para seu sexo biológico – por exemplo, se eu fosse um homem vestido como mulher, mas estivesse usando cueca, camiseta e alguma outra peça convencionalmente masculina, não podia ser detido. Normalmente, aqueles que não haviam sido levados pela polícia iam embora aliviados depois das invasões, que costumavam acontecer no início da noite. Por alguma razão, naquele dia, a ação policial se deu mais tarde, à 1h20 da manhã. Era uma noite quente de verão quando a polícia entrou e fez o que sempre fazia: ligou as luzes, verificou as identidades de quem estava ali e mandou todos para fora, mas já havia gente na rua por causa do calor. O que aconteceu foi que as pessoas não deixaram o local, ficaram na entrada do bar e comemoravam conforme seus amigos saíam – estavam se divertindo. Aparentemente, aquele não foi o único incidente da noite. Uma série de coisas ocorreu: uma drag queen, ao ser pega pela polícia, revidou e acabou apanhando; uma mulher lésbica resistiu à prisão. O que aquela noite teve de diferente foi o revide da comunidade LGBT contra a opressão policial. O episódio se prolongou pelas seis noites seguintes, sendo que, na primeira delas, a polícia mandou a força tática, e, quando a situação já começava a se acalmar, chegaram homens com escudos, máscaras e armas – acho que foi esse o estopim da revolta. Como o Stonewall fica numa parte antiga da cidade, onde as ruas se cruzam de maneiras diversas, os policiais não conseguiram encurralar os manifestantes porque eles conheciam a área. Se eram cercados por um lado, davam a volta no quarteirão. Ou seja, a combinação de vários fatores influenciou os acontecimentos daquela noite: a localização do Stonewall, a brutalidade da polícia, o horário da invasão.

André Lopes/Agência PúblicaFachada do bar Stonewall Inn, em Nova Iorque

Por que as invasões a bares eram tão comuns naquela época? Havia algum tipo de respaldo legal por trás delas?

Havia leis estaduais que regulavam a venda de bebidas alcoólicas. No estado de Nova York, era proibida a comercialização de álcool em “estabelecimentos de desordem”. Homossexuais eram por natureza considerados “desordeiros”, então você não podia vender a eles bebidas alcoólicas no seu estabelecimento. Como ninguém conseguia autorização para manter um bar gay, isso acabava nas mãos da máfia e do crime organizado. Sendo os bares ilegais, a polícia tinha permissão para invadi-los e fechá-los. A máfia fazia dinheiro com o público gay que frequentava seus bares – muitos deles, sem licença, eram chamados de dives, não tinham saídas de emergência ou água limpa e serviam bebidas em copos sujos. As autoridades queriam limpar o Greenwich Village e a Times Square, então a polícia invadia e interditava esses bares, além de prender quem estava lá. A máfia pagava a polícia para que fizesse vista grossa e reabria os bares no dia seguinte.

Pode-se dizer que a época foi outro fator que contribuiu para a Revolta de Stonewall ter ocorrido?

Num período em que já havia muitos protestos nos Estados Unidos – era o fim dos anos 1960 –, aquele foi pequeno em comparação, por exemplo, à convenção do Partido Democrata de 1968 em Chicago, às manifestações após o assassinato de Martin Luther King ou aos conflitos antiguerra contra a polícia. Esse foi apenas um de muitos conflitos contra a polícia em Nova Iorque, nos Estados Unidos e no mundo. Precisamos olhar para ele segundo o contexto da época: desafiar as autoridades era típico do momento. Mas, se não tivesse havido uma organização imediata para canalizar rapidamente a energia e a raiva resultantes desse processo, talvez não nos lembraríamos hoje do que foi Stonewall.

De que maneira ocorreu essa organização?

Os organizadores das primeiras reuniões pós-Stonewall eram pessoas envolvidas no movimento gay desde os 1960 ou antes. Além dos encontros, eles promoveram o primeiro Dia da Libertação Gay da Rua Christopher [em inglês, Christopher Street Gay Liberation Day, a primeira parada LGBT de que se tem notícia no mundo], em junho de 1970. Pediram também a outras organizações que promovessem eventos para marcar o primeiro aniversário da Rebelião de Stonewall e marchas ocorreram em Chicago e Los Angeles naquele ano. Essa primeira parada na verdade era a continuação de um protesto anual chamado Reminder Day, todo dia 5 de julho desde 1965 – o primeiro ocorreu na Filadélfia –, para relembrar a população dos Estados Unidos de que a comunidade gay não tinha seus direitos assegurados pela Constituição. Os organizadores dessa marcha se reuniram logo depois de Stonewall e decidiram transferi-la para o último domingo de junho, para se integrar ao Dia da Libertação Gay da Rua Christopher. Os organizadores transformaram Stonewall em uma marca, em um evento para ser lembrado, e ao longo dos anos seu simbolismo atingiu proporções maiores do que as do próprio evento. Em termos gerais, pode-se dizer que a comunidade LGBT revidou a opressão da polícia no Stonewall, inspirando uma expansão dramática do movimento por direitos gays nos Estados Unidos que eventualmente se espalhou pelo mundo. Stonewall é basicamente um símbolo da luta da comunidade gay por liberdade.

André Lopes/Agência PúblicaO jornalista norte-americano Eric Marcus é fundador do consórcio Stonewall 50

Havia lugares em Nova York onde as pessoas LGBTQ não eram bem-vindas?

Se você pudesse ser visualmente identificado como gay, precisava ter cuidado. Uma das pessoas que entrevistei, Martin Block [fundador e primeiro editor da One Magazine, revista pelo direitos dos homossexuais], era uma pessoa que se comportava de uma maneira não esperada para seu gênero; podia-se dizer que era um garoto homossexual. A preocupação em evitar ser espancado ou perseguido pela polícia era frequente em sua vida, e ele só se sentia seguro em algumas ruas no Greenwich Village, em um local como o Stonewall. No entanto, não podemos generalizar e dizer que isso valia para todas as pessoas gays. A maioria delas, homens e mulheres, vivia escondida: escondiam a orientação sexual e se vestiam de modo a se parecer com todo mundo. Mas, se você fosse visivelmente gay, com base nos estereótipos que as pessoas tinham, a vida poderia ser muito perigosa. Também dependia da sua profissão: se fosse um policial gay, não poderia frequentar os bares, teria que ter muito cuidado. A polícia assediava e às vezes batia em pessoas gays, invadia bares. Em muitos lugares do país, quando os bares eram invadidos, os indivíduos detidos tinham seus nomes publicados na primeira página do jornal no dia seguinte com informações sobre seu endereço e local de trabalho. Muitos deles tinham seus casamentos destruídos, perdiam os filhos, os empregos. Isso acontecia em todo o país, inclusive aqui em Nova Iorque. Há um ensaio da revista Time que eu cito no meu livro, publicado em 1966 e não assinado – por isso suponho que tenha partido dos editores da revista –, cuja última linha dizia que a homossexualidade nunca seria nada além de uma doença permissiva, e essa era uma das coisas mais gentis escritas ali. Toda a sociedade olhava a homossexualidade como uma doença, um pecado ou algo contra a lei.

O que mudou para a população LGBT nos Estados Unidos após Stonewall?

Imediatamente depois, muito pouco. Olhando para trás, parece que as coisas aconteceram da noite para o dia, mas levaram tempo. As primeiras organizações de defesa dos direitos gays eram pequenas e não tinham muito dinheiro, tampouco funcionários contratados. A crise da aids [ocorrida nos Estados Unidos na década de 1980] foi outro ponto de virada que forçou organização e tirou muitos gays do armário – se não fosse por isso, não acredito que estaríamos onde estamos agora, por mais trágico que tenha sido. O que aconteceu de novo nos anos seguintes à Rebelião de Stonewall foi o surgimento de múltiplas organizações ao redor do país que inseriram milhares de pessoas gays no movimento.

André Lopes/Agência PúblicaO Stonewall fica na Rua Christopher, no bairro de Greenwich Village

Transexuais, lésbicas, gays, drag queens, imigrantes, negros e até pessoas em situação de rua participaram dos protestos em junho de 1969. Depois de Stonewall, essas pessoas foram levadas em conta, na sua análise?

Acho que não. Os jovens que estavam nas ruas levavam uma vida anárquica, e alguns deles se envolveram com o movimento. Era difícil para eles e era difícil para os organizadores, porque eram culturas diferentes. Também havia preconceito contra os os jovens que não se comportavam da maneira esperada para seu gênero. Até mesmo a grande marcha dos direitos homossexuais em Washington em 1993 [uma das maiores da história dos EUA] foi gay, lésbica e bi. Isso agora é uma grande questão, mas não era, não se incluíam os transgêneros. Tem havido muita tensão ao longo dos anos sobre a expansão do movimento para incorporar outros grupos. Não era como se houvesse um corpo diretivo que estabelecesse o controle de tudo e um plano no sentido de incluir todos os grupos – o movimento não era muito hierárquico. E houve conflitos entre pessoas que estiveram no movimento desde os anos 1960 e 1950 e as pessoas que se juntaram a ele em 1969 e 1970. Eles acusaram os veteranos de serem dinossauros, e os veteranos acusaram os jovens de serem infiltrados do FBI que roubaram o movimento deles. Acho que, quando olhamos para trás agora, dizemos que houve muita insensibilidade. Os homens eram sexistas e as mulheres eram intolerantes com as pessoas transexuais. Elas eram frequentemente referidas como travestis, o que é uma palavra ruim agora aqui nos Estados Unidos. Foi bem complicado. Por isso, para as comunidades marginalizadas em Nova York, essa situação não acabou depois de Stonewall: a cidade ainda tem milhares de crianças que moram na rua, rejeitadas por suas famílias porque não têm gênero definido, e são principalmente “jovens de cor”, latinos e negros. Eles vêm de todo o país e vivem nas ruas aqui.

Apesar das limitações, por que é tão importante, ainda hoje, celebrar a Revolta de Stonewall?

As coisas não mudaram logo em seguida, mas ao longo do tempo. Acho que as paradas anuais têm o potencial de celebrar de onde viemos e mostrar para onde precisamos ir. Existem tensões agora entre as pessoas que dirigem a parada aqui em Nova Iorque e em outros lugares e as pessoas que dirigem a parada anual do Orgulho Gay: a parada deveria ser uma celebração ou um protesto? Este ano nós teremos a usual parada do Orgulho Gay, com os carros alegóricos e tudo o mais, e teremos uma parada de protesto, que se iniciará pela manhã e percorrerá a rota original. As pessoas têm a oportunidade de decidir o que Stonewall significa para elas e participar de um protesto, de uma celebração ou qualquer coisa que elas queiram fazer. Para o mundo lá fora, estamos dizendo: “Estamos aqui, nessa enorme comunidade LGBT, e nós não vamos embora”. Especialmente nos Estados Unidos de hoje, onde temos um governo tão antigay, é muito importante deixar claro que não vamos desistir dos direitos que duramente conquistamos.

Que lições o movimento LGBT brasileiro poderia aprender com o norte-americano, já que, com a eleição de Jair Bolsonaro, os contextos nos dois países se tornaram similares pelo menos no que diz respeito às pautas morais?

Sempre houve altos e baixos. Geralmente, quando damos dois passos à frente, temos que dar um passo atrás. Nos Estados Unidos, se você olhar para a história do movimento pelos direitos gays, repetidamente tivemos avanço e retrocesso. A chave é seguir em frente e, para isso, é preciso dar visibilidade aos LGBTs, o que significa se assumir sempre que puder, quando não for perigoso. Este tem sido nosso segredo aqui nos Estados Unidos: ganhar uma pessoa de cada vez, com sua família, com seus vizinhos, com seus colegas, se isso for possível. Esta é a chave: organização. Os direitos gays não surgiram de forma simples depois da Rebelião de Stonewall. Juntos somos mais poderosos.

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Otomíes demandan devolución de su bosque expropiado en México

IPS español - qua, 19/06/2019 - 18:41

Efrén Santana, segundo a la izquierda, durante el encuentro con los medios para explicar su demanda de que se devuelva el bosque expropiado a su comunidad otomí, en el centro de México. Crédito: Cencos

Por Ana Cristina Ramos
MÉXICO, Jun 19 2019 (IPS)

La comunidad otomí de Huitzizilapan, en centro de México, demandó que les regresen su bosque, expropiado hace cinco años para la construcción de la carretera Toluca-Naucalpan.

El plazo del constructor para terminar la obra venció el 29 de mayo sin que se haya concluido, aseguran representantes de la comunidad indígena de ese pueblo indígena que habita en forma dispersa por territorios del centro del país.

Hace  cinco años el gobierno de Enrique Peña Nieto (2012-2018) a través de un decreto presidencial, expropió 6.938.7 hectáreas de la comunidad San Lorenzo Huitzizilapan, en el estado de México,  para la construcción de la carretera Toluca-Naucalpan.

Ahora la comunidad otomí que vive en el pueblo le exige al gobierno de Andrés Manuel López Obrador la devolución de sus tierras, tras concluir los cinco años de plazo que se le otorgó a la empresa Constructora Teya –filial de Grupo Higa– para terminar de construir carretera.

“En los últimos recorridos que se han hecho; que son hace siete, ocho días; constatamos que en unas partes del trazo carretero no se ha empezado a  construir, otras partes está al 20, al 40, al 50 por ciento, hay partes donde ya hay una plancha asfáltica, pero ya está en muy mal estado por las condiciones climatológicas”, narró Efrén Santana en una  conferencia de prensa, este miércoles 18, en Huitzizilapan.

Debido al incumplimiento en los plazos asignados por el artículo 9 de la Ley de Expropiación, la comunidad indígena solicita la devolución de sus tierras. En el artículo noveno hay un apartado donde se puede hacer un proceso de reversión.

“Pero ese proceso de reversión es vía agraria, es lo más cercano que los pueblos indígenas tienen a la mano, pero está muy lejos de las necesidades de los pueblos indígenas”, advirtió el representante de la comunidad otomí.

Es por ello que los pobladores insisten en crear nuevos mecanismos que se vayan adaptando a cuestiones más allá de las agrarias y pase a los derechos humanos.

“Queremos recuperar las tierras y que el Estado y las empresas involucradas reparen el daño ocasionado y no nada más en cuestiones de la flora y la fauna o de los pasos ancestrales; sino también todo el daño psicológico que ha tenido la población porque hemos tenido represiones muy fuertes, la comunidad de Xochicuautla ha tenido presos políticos”, subrayó Santana.

El indígena otomí cuenta cómo el bosque sigue siendo una parte medular los pueblos; la gente sube por sus plantas medicinales, van por leña para combustibles, por hongos, ramas para hacer adornos.

La primera pista que los alertó de que algo estaba mal fue la tala indiscriminada de árboles que también afectaba sus veneros de agua; “cuando dejó de llegar el líquido a la comunidad fue cuando dijimos algo está mal”, contó Santana.

Añadió que el trazo carretero a ellos no les lleva progreso, más bien corta los siete cerros sagrados, rompiendo la espiritualidad y la conexión que tienen con ellos; los fisura como comunidades, y les quita identidad; todo esto lo cambia por algo muy popular en la ciudad: la contaminación.

El campesino otomí explicó el impacto de vivir alrededor de la carretera.

“Son los ruidos, las emisiones de gas, ya no vas a respirar el aire puro que respirabas; implica que ya no vas a poder comer tus hongos en temporada de lluvias”, afirmó.

Santana añadió que “no vamos a poder ni entrar a nuestros bosques, la única forma en que vamos a poder entrar es con una identificación en mano, pero para ser jardineros, para ser domésticas, para ser el chalán de ellos, cuando ese territorio es de los pueblos”.

Este artículo fue originalmente publicado por Pie de Página,  un proyecto de Periodistas de a Pie . IPS-Inter Press Service tiene un acuerdo especial con Periodistas de a Pie para la difusión de sus materiales.

RV: EG

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Los ODS transitan empedrado camino por contexto mundial adverso

IPS español - qua, 19/06/2019 - 17:38

Las mujeres son parte esencial para impulsar los 17 Objetivos de Desarrollo Sostenible, además de ser el centro de uno de los ODS, el cinco, el de la igualdad de género, un tema transversal para poder avanzar en todos ellos. Crédito: ONU

Por Thalif Deen
NACIONES UNIDAS, Jun 19 2019 (IPS)

Las Naciones Unidas advierten en un informe que se publicará en julio que “no hay escapatoria al hecho de que el panorama mundial para la implementación de los 17 Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS) tiene un deterioro general desde 2015, dificultando los esfuerzos de los gobiernos y otros socios” para alcanzarlos.

Una de las razones del negativo contexto es el hecho de que hay crecientes obstáculos para un claro compromiso con la cooperación multilateral, fundamental para los acuerdos de la comunidad mundial,  afirma el documento de 35 páginas, que se publicará antes del  Foro Político de Alto Nivel sobre Desarrollo Sostenible del Consejo Económico y Social (Ecosoc), del 9 al 18 de julio.

Detrás de esos obstáculos hay una recesión económica que está extendiéndose,  una disminución de la ayuda al desarrollo, el desvío de fondos a emergencias humanitarias, los conflictos militares generalizados, las crecientes pérdidas económicas a causa de desastres naturales.

También constituyen barreras para el avance en los 17 ODS la caída de los recursos y las operaciones de las agencias de la Organización de las Naciones Unidas (ONU), la multiplicación de gobiernos de derecha o de extrema derecha y los desafíos crecientes que afronta el multilateralismo, entre otras.

El estudio dice que “es motivo de gran preocupación que se proyecte que la tasa de pobreza extrema vaya a ser de seis por ciento en 2030, y que no se alcance el objetivo mundial de erradicar la pobreza extrema, mientras que el hambre haya amentado por tercer año consecutivo”.

Al mismo tiempo, la biodiversidad se está perdiendo a un ritmo alarmante con alrededor de un millón de especies que ya se encuentran en extinción, muchas en apenas décadas,  mientras que las emisiones de gases de efecto invernadero continúan incrementándose pese a las evidencias del impacto del recalentamiento global.

Además, el nivel requerido de financiamiento para el desarrollo sostenible y otros medios de implementación aún no están en funcionamiento y las instituciones no son lo suficientemente fuertes o efectivas para responder adecuadamente a estos enormes desafíos interrelacionados y transfronterizos.

En cuanto a la promoción de la igualdad de género, plantea que las mujeres representan menos de 40 por ciento de las personas empleadas, ocupan solo una cuarta parte de los puestos directivos en el mundo y (en un conjunto limitado de países con datos disponibles) enfrentan una brecha salarial de 12 por ciento.

Alrededor de una quinta parte de la población femenina de 15 a 49 años experimentó violencia física o de pareja en los 12 meses previos a la realización del estudio.

“Simplemente no hay manera de que podamos alcanzar los 17 ODS sin lograr la igualdad de género y empoderar a las mujeres y las niñas”, declara el documento, al subrayar el carácter transversal del objetivo 5, el de la igualdad de género.

Jens Martens, director del Foro de Políticas Mundiales y coordinador del Grupo de Reflexión de la Sociedad Civil en la Agenda 2030 de Desarrollo Sostenible, aseguró a IPS que “el nuevo informe de la ONU es una llamada de atención a los gobiernos, y muestra claramente que la mayoría los gobiernos no han logrado hacer realidad la visión transformadora proclamada en la Agenda 2030 en políticas reales”.

Los 17 Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS) en que las regiones y países trabajan desde el comienzo de 2016, con el objetivo de alcanzar sus 169 metas específicas para 2030. Crédito: ONU

“Estamos de acuerdo con la evaluación de que el compromiso con la cooperación multilateral está ahora bajo presión. Peor aún, el chovinismo nacional y el autoritarismo están aumentando en un número creciente de países”, agregó.

Pero a pesar de estas perspectivas sombrías, hay signos de cambio, dijo Martens.

Ante el fracaso o la inacción de los gobiernos, han ido surgiendo movimientos sociales en todo el mundo, principalmente encabezados por jóvenes o mujeres.

El informe de la ONU evidencia que la transformación estructural es más necesaria que nunca y que se requiere el fortalecimiento de la gobernanza de abajo hacia arriba, así como la coherencia en la gobernabilidad.

A nivel global, dijo el activista, la revisión del Foro Político de Alto Nivel debería usarse para superar la debilidad de este organismo y transformarlo en un Consejo de Desarrollo Sostenible.Foco en seis ODS

En el Foro Político de Alto Nivel sobre Desarrollo Sostenible, este año se pondrá el acento en los avances en seis de los 17 ODS.

Ellos serán el ODS 4, el de la educación de calidad; el ODS 8, el de trabajo decente y crecimiento económico; el ODS 10, el de reducción de las desigualdades; el ODS 13, el de la acción por el clima; el ODS 16, el de paz, justicia e instituciones sólidas, y el ODS 17, el de las alianzas y asociaciones para lograr los objetivos de la Agenda 2030.

Además, presentarán su informe nacional voluntario 47 países, 40 por primera vez los otros siete por segunda ocasión, desde que comenzaron a implementarse los objetivos en 2016.

Martens planteó que las instituciones responsables de la implementación de la Agenda 2030 y los ODS requieren más recursos financieros y efectivos instrumentos políticos y legales.

La denominada cumbre de los ODS, a celebrarse en la sede de la ONU en Nueva York el 24 y el 25 de septiembre, junto con el  75 aniversario del foro mundial en 2020, brindará oportunidades trascendentes para traducir los llamamientos de los movimientos globales a favor de la justicia social y ambiental en pasos políticos hacia un nuevo multilateralismo democrático, agregó.

Yoke Ling Chee, directora de la Red del Tercer Mundo, dijo a IPS que el mundo está muy lejos de cumplir con los compromisos de desarrollo sostenible, incluidas los objetivos establecidos en el Convenio sobre la Diversidad Biológica para el período 2011-2020, las conocidas como Metas de Aichi, que son una parte integral de los ODS.

Añadió que hay promesas de implementación, especialmente el tema de fondos nuevos y adicionales, que es una obligación legal de los países del Norte industrial en varios tratados multilaterales.

“La cooperación global forjada en los tratados de Río de Janeiro de 1992 (en la cumbre de la Tierra) sobre la biodiversidad, clima y lucha contra la desertificación se basa en el principio de equidad y responsabilidades comunes pero diferenciadas entre países en desarrollo y desarrollados”, subrayó Yoke Ling.

La reputada abogada china dijo que 27 años después, el multilateralismo está bajo ataque, con una erosión de todos estos principios y compromisos.

“La administración (estadounidense) de Donald Trump está empujando al mundo hacia el proteccionismo económico, mientras que los recursos de los países en desarrollo se enfrentan ahora a un nuevo nivel y forma de desvío a través de la digitalización”, agregó.

Advirtió que un puñado empresas transnacionales buscan agresivamente desde datos personales a información de secuencias genéticas, para reclamar derechos de propiedad privada con fines de lucro.

Hay ciertos avances

Mientras tanto, el nuevo informe de la ONU reconoce que se están haciendo progresos y que son evidentes algunas tendencias favorables en la implementación de los ODS.

La pobreza extrema y las tasas de mortalidad infantil continúan cayendo. Se está avanzando contra enfermedades como la hepatitis, donde la incidencia de nuevas infecciones crónicas por el virus de la hepatitis B se ha reducido considerablemente.

Ciertos objetivos relacionados con la igualdad de género están viendo avances, como la implementación de presupuestos sensibles al género, mientras que el  acceso a la electricidad en los países más pobres ha comenzado a aumentar.

A nivel mundial, la productividad laboral ha aumentado y el desempleo ha vuelto a los niveles previos a la crisis financiera global abierta en Estados Unidos en 2008. La proporción de la población urbana que vive en barrios marginales está disminuyendo.

Peor el progreso de los ODS aún es lento y “las personas y los países más vulnerables siguen sufriendo más y que la respuesta global hasta ahora no ha sido lo suficientemente ambiciosa”.

Roberto Bissio, coordinador de Social Watch, dijo a IPS que el informe de la ONU no menciona que, según sus estimaciones, la pobreza en realidad está aumentando en África subsahariana, donde en 2030 vivirán nueve de cada 10 personas en pobreza extrema.

Una mirada más cercana al crecimiento de los ingresos en los últimos 40 y en el promedio nacional, muestra que para más de un tercio de los países donde hay datos, la diferencia fue de menos de 0,5 por ciento, que se redondea a cero, considerando el error de margen de estos mediciones.

Además, en un tercio de los países, los ingresos de los últimos 40 en realidad disminuyeron, haciendo que los pobres sean más pobres. En muchos de ellos, el promedio nacional disminuyó aún más, dijo Bissio.

Además, el informe “tapa” bajo cifras globales las diferencias de la responsabilidad de los países industrializados y las personas de altos ingresos que viven en ellos en la producción y consumo insostenible, al utilizar los promedios mundiales.

Ello pese a que la Agenda 2030 es explícita al indicar que todos los países deben tomar medidas hacia el consumo y la producción sostenibles (ODS 12), “con los países desarrollados a la cabeza”, explicó Bissio.

Esas formas de establecer las mediciones evitan destacar la responsabilidad de los países industrializados en la actual en la actual insostenibilidad planetaria, en lugar de alentarlos a tomar la iniciativa para corregir esa tendencia.

T: MF

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Moro teria ignorado investigação da PF sobre provas ilegais em caso Odebrecht

Pública - qua, 19/06/2019 - 12:16

Documentos anexados pela defesa de executivos da Odebrecht no processo da Lava Jato sugerem que fatos ocorridos em 2013, quando a Lava Jato era restrita à Polícia Federal (PF), foram ignorados pelo ex-juiz Sergio Moro, que recebeu denúncias sobre supostas ilegalidades na obtenção de áudios e e-mails relacionados aos doleiros Carlos Habib Chater e Alberto Youssef.

Segundo recursos que tramitaram na 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba e em tribunais superiores, as decisões teriam caracterizado “eloquente cerceamento de defesa” e teriam levado o juiz a sentenciar réus de forma “açodada” e “à revelia de relevantes questões” levadas aos autos do processo pela defesa.

Depoimentos de policiais prestados no âmbito da ação penal 5036528-23.2015.4.04.700, segundo advogados, mostram que mensagens trocadas por celular entre os doleiros Carlos Habib Chater e Alberto Youssef foram obtidas diretamente pela PF de uma empresa de telefonia do Canadá, sem passar pelo crivo da Autoridade Central brasileira, gestora do acordo de cooperação internacional entre os dois países. O procedimento, conforme a defesa, foi ignorado por Moro, que também não teria levado em conta denúncias sobre grampos ilegais usados contra Youssef e sobre documentos da Suíça sobre os quais havia dúvida se poderiam ser usados como prova no processo.

WikipediaDepoimentos de policiais mostram que mensagens trocadas por celular entre Alberto Youssef (foto) e Habib Chater foram obtidas diretamente pela PF

A ação resultou na condenação de Marcelo Odebrecht, preso desde 2015, e Márcio Faria a 19 anos e 4 meses de prisão em março de 2016. Outros cinco executivos da empreiteira (Rogério Santos Araújo, Eduardo Oliveira Freitas Filho, Cesar Ramos Rocha, Alexandrino Alencar e Paulo Boghossian) e três ex-diretores da Petrobras (Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Pedro Barusco) também foram condenados a penas parecidas que, com o acordo de delação, acabaram sendo reduzidas ou suspensas. O mesmo aconteceu com a pena de 20 anos a que Youssef havia sido condenado. Nove meses depois dessa condenação, 77 executivos da Odebrecht – encabeçados por Emílio e Marcelo Odebrecht, donos da empresa – assinaram a maior delação em bloco da Lava Jato.

A Pública analisou os recursos da defesa anexados ao processo que resultou nessa primeira condenação.

No caso do grampo canadense, os advogados do escritório paulista Cavalcanti & Arruda Botelho Advogados, então responsável pela defesa do executivo Márcio Faria, da Odebrecht, afirmam em recurso que a força-tarefa descumpriu o acordo de cooperação entre Brasil e Canadá ao se utilizar de “canais diretos” entre policiais federais e a matriz do grupo de telefonia Research In Motion (RIM), do Canadá, sem comunicação oficial. O objetivo era obter cópias de e-mails enviados pelos serviços de mensagem BlackBerry Messenger (BBM), extraídos dos celulares dos doleiros Carlos Habib Chater e Alberto Youssef.

Os dois foram os primeiros alvos do que se tornaria a Operação Lava Jato, ainda em 2013, quando as investigações estavam restritas à PF. A fase ofensiva da operação, com a prisão de Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa seria deflagrada em março de 2014, quando o Ministério Público Federal (MPF) assumiria o protagonismo.

De acordo com a defesa, que se fundamenta em depoimento dos próprios policiais federais na ação penal, as ordens judiciais emitidas por Moro eram enviadas diretamente da PF, em Brasília, para a sede da empresa no Canadá. Pelo mesmo canal, os arquivos eram recebidos em Brasília.

Investigadores investigados

Segundo depoimentos transcritos pela defesa, os contatos eram feitos entre o delegado Márcio Anselmo, o primeiro investigador da Lava Jato, e um funcionário da divisão canadense responsável pelas interceptações da BlackBerry, Andrew Ma. “Não há a mais tênue indicação de intermediação de qualquer representante da empresa canadense no Brasil nas trocas de e-mails”, escreve a defesa, numa peça de 255 páginas, destinada, originalmente, a Moro e, depois, ao Tribunal Federal da 4ª Região (TRF4) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), pedindo a anulação das provas.

Segundo os advogados, o próprio Anselmo, em depoimento no processo como testemunha, admitiu que as comunicações seguiam diretamente da sala da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor), na direção geral da PF, em Brasília, para a RIM, no Canadá. No recurso, a defesa transcreveu os trechos em que questiona o delegado:

Defesa: O senhor sabe da DICOR em diante como era feita essa remessa desses ofícios para o Canadá?

Depoente: Eu acredito que fosse encaminhado, com a forma como eu remeti isso fosse encaminhado para RIM. […]

Defesa: Os e-mails, o senhor disse que mandava por e-mail, preenchia um formulário em PDF, criado pela DICOR, e mandava esse relatório para DICOR, da DICOR para o Canadá?

Depoente: Certo. Esse para interceptação de BBM.”

Também interrogado no processo, o agente Alonso Vinícius Caldas Souto, responsável por intermediar a comunicação entre a Dicor e a BlackBerry, confirma que o contato da polícia ficava no Canadá:

Defesa: O senhor conhece o Andrew Ma?

Testemunha: Pessoalmente não.

Defesa: Mas já ouviu falar?

Testemunha: Sei que ele trabalhava lá na Blackberry.

Defesa: Mas no Brasil, no exterior?

Testemunha: No Canadá.”

O mesmo policial, ao descrever o procedimento que realizava para encaminhar à BlackBerry as ordens judiciais determinando a quebra de sigilo de comunicações e dados, reconheceu que todas elas eram encaminhadas a um e-mail no exterior.

Defesa: Ok. O e-mail pso.br@blackberry.com?

Testemunha: Esse foi o e-mail que eu recebi para enviar as ordens judiciais.

Defesa: Então o senhor encaminhava as ordens judiciais para esse e-mail?

Testemunha: Positivo.

Defesa: O senhor referiu que era um e-mail único, isso? Então todas as ordens judiciais que o senhor recebe o senhor encaminha para esse e-mail?

Testemunha: Positivo.”

Nos primeiros seis meses dos contatos, ainda em 2013, conforme a defesa, Moro autorizou três quebras do sigilo telemático, executadas diretamente entre a PF e a matriz da BlackBerry, no Canadá. Nesse mesmo período, a polícia enviou sete ofícios diretamente à matriz da empresa. Só a partir do dia 2 de dezembro de 2013 é que as ordens judiciais de renovação do grampo, por mera formalidade, passaram a ser dirigidas à filial brasileira, na capital paulista. A PF, no entanto, continuaria enviando ofícios diretamente para o Canadá.

A própria empresa informaria, em carta anexada ao processo, que sequer tinha funcionários brasileiros com capacidade para atender a demandas sobre informações de usuários do BlackBerry, o que reforçaria a necessidade de que grampo e conteúdo fossem monitorados apenas no âmbito do tratado de cooperação, referindo-se ao Tratado de Assistência Mútua em Matéria Penal entre Brasil e Canadá. O acordo foi incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto 6.747/09, que prevê, nos artigos 10 e 11, que “fornecimento de informações, transmissão de documentos e outros registros devem passar pelo crivo das respectivas autoridades centrais”, que no Brasil é a Procuradoria-Geral da República e, no Canadá, o Ministério da Justiça. E afirma que o contato direto tem vedação expressa nos artigos 157, nos parágrafos 1º do Código de Processo Penal e 5º da Constituição.

“Se o acordo estipula os ritos para que um país realize diligência para obter provas que se encontrem no outro, ele deve ser simplesmente cumprido”, destacou a defesa.

Questionado pelos advogados sobre essa interceptação durante o processo, Moro respondeu em despacho que o grampo não teve papel relevante na investigação da Odebrecht e seus executivos e afirmou que o fato de a empresa estar sediada no exterior não altera o quadro jurídico por ela dispor de subsidiária no Brasil. Também garantiu que havia precedentes favoráveis à força-tarefa firmados pelo TRF4 e STJ. “A cooperação jurídica internacional só seria necessária caso se pretendesse, por exemplo, interceptar pessoas residentes no exterior”, escreveu Moro.

Os advogados contestaram. Segundo eles, antes de autorizar o monitoramento, Moro chegou a pedir que a polícia prestasse esclarecimento sobre o destinatário da ordem, que, em princípio, deveria ser uma empresa sediada no Brasil. Depois, sob o argumento de que os alvos eram brasileiros e os crimes haviam sido praticados em território nacional, autorizou que as ordens fossem executadas diretamente entre PF e a matriz da empresa “sem sequer ouvir o Ministério Público Federal”, destacam os advogados.

“Basta ler o teor das mensagens eletrônicas trocadas entre a Polícia Federal e a matriz da RIM do Canadá para constatar que elas não passaram pela filial brasileira da empresa canadense. […] Quanto mais clara fica a ilegalidade do procedimento adotado para a interceptação dos BBMs e a colheita dos dados cadastrais de seus usuários, mais vazios se mostram os argumentos com que se tenta driblar a decorrente ilicitude da prova”, alega a defesa.

“Não há como tergiversar” sobre os procedimentos autorizados por Moro, disse a defesa, que pediu aos tribunais superiores a anulação do conteúdo obtido diretamente pelos policiais com a matriz da empresa, assim como das provas que derivaram desse contato.

Os advogados de Márcio Faria levantaram outras suspeitas de grampos ilegais quando a Lava Jato já era conhecida como a força-tarefa do Ministério Público, em 2014: um deles na cela de Youssef e o outro numa escada que dá acesso à ala de fumantes da carceragem da Superintendência da PF em Curitiba.

O grampo na cela foi descoberto pelo próprio doleiro 24 dias depois de sua prisão, em 17 de março de 2014, data que marca o início oficial da Lava Jato. São conhecidas as imagens de Youssef mostrando a parafernália em selfies distribuídos às redes sociais.

O primeiro policial a contestar a ilegalidade foi o delegado Márcio Anselmo, que, apressadamente, negou o grampo e afirmou que a alegação dos advogados de Youssef era “estratégia visando pura e simplesmente desqualificar o trabalho realizado e tumultuar a investigação”.

Moro considerou que as explicações de Anselmo eram “plausíveis”. Cinco meses depois, em relatório ao juiz, o delegado Maurício Moscardi Grillo, responsável pela investigação (Sindicância 04/2014) aberta em decorrência do caso, afirmou que o grampo estava inoperante desde 2008, época em que havia sido autorizado para monitorar outro preso famoso, Fernandinho Beira-Mar.

O caminho da sindicância seria o arquivo se não fosse um conflito interno. O delegado Mário Fanton, que chegou a integrar a força-tarefa, e o agente federal Dalmey Fernando Werlang, que teria instalado o grampo na cela de Youssef, denunciaram a armação e ainda acusaram a cúpula da Lava Jato de tentar acobertar a ilegalidade. Os dois haviam sido afastados da operação e prestaram depoimento no Departamento de Investigação Policial (DIP), em maio de 2015, na sede da PF, em Brasília, e, em setembro do mesmo ano, convocados pela CPI da Petrobras, reafirmaram as acusações, segundo consta na mesma ação penal contra os executivos da Odebrecht.

Em vez de voltar à sua base, em Bauru, o delegado Fanton seguiu de Curitiba para a sede da PF em Brasília. No DIP e na Corregedoria, contou que havia relatado todas as irregularidades ao procurador Januário Paludo, integrante do MPF na Lava Jato, e afirmou que “a Sindicância 04/2014 foi forjada”.

Fanton entregou ao delegado Alfredo Junqueira, responsável por investigar os policiais, um depoimento de Dalmey, em que este teria confessado que colocou o grampo com a ajuda de uma agente, Maria Inês, com a ressalva de que a ordem teria sido dos delegados Rosalvo Ferreira Franco, Igor Romário de Paula e Márcio Anselmo.

Dalmey também teria afirmado que o delegado que presidiu a primeira sindicância, Maurício Moscardi Grillo (o mesmo que coordenou a Operação Carne Fraca, de 2017), teria pedido que ele afirmasse nos autos da sindicância que o grampo encontrado na cela de Youssef seria anterior à Lava Jato.

Acusados e promovidos

Os delegados Rosalvo, Igor e Márcio são o coração da PF na Lava Jato e homens de confiança de Moro, que, ao assumir o Ministério da Justiça e da Segurança, deu a eles cargos de relevo na Esplanada: Rosalvo é hoje o diretor-geral da Polícia Federal; Igor, diretor de investigação de combate ao crime organizado; Márcio Anselmo, coordenador-geral de repressão a corrupção e lavagem de dinheiro.

No depoimento de Dalmey, entregue por Fanton ao delegado Junqueira, o policial dizia que coletava os áudios do grampo em Youssef “quase todos os dias” e os entregava a Anselmo e à delegada Erika Mialik Marena, que, segundo ele, baixavam os conteúdos em seus computadores. Ele também afirmava ter sido pressionado pelos delegados para apagar os arquivos retirados do grampo.

A delegada Erika Marena foi nomeada por Moro para comandar o mais importante órgão abaixo do gabinete do ministro, a Diretoria de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI). Erika batizou a Lava Jato antes de a operação passar para o comando do MPF e comandava a operação que prendeu o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina que se suicidou ao ser solto por um habeas corpus em 2 de outubro de 2017.

Fanton ainda envolveria em escutas clandestinas a delegada Daniele Gosseheimer, esposa do delegado Igor Romário de Paula, que teria autorizado um segundo grampo, este no “fumódromo” da PF.

A Pública procurou os delegados citados na reportagem na PF para falarem, mas a assessoria da PF disse que “não há servidores para conceder a entrevista solicitada e atender sua demanda” e que, “por questões de política de comunicação social”, a corporação “não comenta possíveis investigações em andamento”.

Novos recursos sobre os grampos

Num pedido de correição parcial enviado ao TFR4, os advogados do executivo da Odebrecht, Rafael Tucherman e Dora Cavalcanti Cordani, pediram, em vão, que Moro não prolatasse a sentença antes que fosse esclarecida a investigação sobre os grampos que estava em andamento na Corregedoria da PF. Tanto Tucherman quanto Dora Cavalcanti deixaram a defesa de Márcio depois que o executivo assinou a delação premiada.

No recurso ao TRF4, os advogados dizem que Moro e os procuradores do MPF demonstravam “extrema preocupação em saber se haveria provas materiais das ilegalidades relatadas”. Já na fase processual, perguntava reiteradamente às testemunhas onde estariam os eventuais áudios na cela de Youssef, segundo o documento da defesa. Noticiário sobre o período mostra que peritos haviam recuperado mais de cem horas de áudios, material supostamente enviado à Corregedoria-Geral da PF em Brasília.

Moro, que havia deferido o pedido da defesa para que o resultado das investigações da PF fosse anexado ao processo, decidiu, no entanto, sentenciar os executivos da Odebrecht sem levar em conta essa investigação. Isso embora na instrução do processo, ao interrogar Fanton para saber se houve o grampo e se dele haviam sido extraídos os áudios, delegado e agente tenham reafirmado o que haviam dito à Corregedoria da PF sobre as supostas ilegalidades, segundo consta no recurso da defesa de Márcio Faria. Em resposta ao pedido da defesa de que não julgasse o processo antes de a investigação sobre os grampos ser concluída, deu um despacho dizendo que, uma vez entregues as alegações finais, “não se retornam as fases já superadas”. Considerou também que as provas buscadas pela defesa eram “manifestamente impertinentes ou irrelevantes”.

A defesa contestou: “Então por que Sua Excelência determinou sua produção? Por que o MPF insistiu e o Juiz deferiu a oitiva dos Delegados Igor Romário de Paula e Márcio Adriano Anselmo para falarem sobre o tema, mesmo tendo as defesas desistido das inquirições?”.

“Causa perplexidade que tamanha curiosidade de Sua Excelência sobre a existência ou não dos áudios tenha desaparecido, justamente quando anunciado que a conclusão da Sindicância se avizinha”, ironizou a defesa que insistia na relevância da suspeita. “Não interessa mais saber qual das versões defendidas pelas autoridades policiais em suas audiências na ação penal é a verdadeira? […] Tornou-se impertinente descortinar se os mais proeminentes Delegados que conduziram as investigações da Operação Lava Jato foram autores intelectuais não só da instalação da hipotética escuta, mas especialmente de uma posterior farsa para encobrir sua existência?”

Para a defesa, Moro não se interessou em requisitar cópia dos áudios quando o grampo veio à tona nem se preocupou em esclarecer se o conteúdo foi usado nas etapas posteriores da investigação, o que geraria, frisam os advogados, “automática contaminação das provas derivadas”.

A defesa insiste que, ao deixar de lado a investigação, Moro não tinha informações para sustentar que o grampo não originou diligências nas novas fases da Lava Jato ou não foi usado como provas nas sentenças que prolataria. Se a escuta existiu, diz a defesa, o argumento de Moro “cai por terra” e ainda coloca em xeque a credibilidade da Lava Jato.

Marcelo Camargo/Agência BrasilDe acordo com a defesa de executivos da Odebrecht na Lava Jato, o ex-juiz Sergio Moro, teria ignorado investigação sobre provas ilegais no caso “Provas principais”

No mesmo pedido de correição parcial, a defesa de Márcio Faria levantaria suspeição também sobre documentos bancários da Suíça que, segundo o MPF, representavam “as provas principais”, mas que chegaram ao processo com dúvida sobre se poderiam ser usados para sentenciar os executivos da Odebrecht. Os advogados Dora Cavalcanti e Rafael Tucherman pediram acesso ao conjunto de e-mails, mas Moro negou, forçando a defesa a recorrer ao DRCI do Ministério da Justiça.

O delegado Ricardo Andrade Saadi, que comandava o órgão, embora tenha afirmado que havia autorização de uso dos papéis, cita um e-mail de 17 de julho de 2015, em que as autoridades da Suíça faziam referência a uma possível “exceção” (termo que sugere a possibilidade de obstáculo) no conjunto de documentos, indicando que a força-tarefa verificasse se serviriam como prova no processo.

Moro deu razão aos acusadores, argumentando que não havia restrição ou proibição e, pelo tratado de cooperação, nem necessidade de autorização dos suíços. A defesa contestou, afirmando que não teve acesso à cadeia de e-mails e que a exceção era exatamente num ofício cujo teor não havia sido devidamente instruído pelos suíços.

“Se a aquisição e utilização da prova vinda do exterior foi pautada por completa lisura, por que tamanha resistência em fornecer à defesa os elementos essenciais para exercer o controle da legalidade dessa prova?”, perguntam os advogados no recurso.

Moro sustentou que, se não houvesse a autorização questionada, “já teria vindo alguma reclamação do estrangeiro” e, dois meses depois, condenou Márcio Faria e os demais réus, decisão que a defesa considerou “açodada” e “mais um atropelo na ordem processual”.

O pedido, que tinha base no artigo 263 do Regimento Interno do TRF4, normalmente aplicado em circunstâncias que possam causar dano irreparável ao acusado, foi negado em decisão mantida depois no STJ.

Com o acordo de delação consumado em dezembro de 2016 e, diante de uma das cláusulas nele embutida, os réus beneficiados por prêmios deixaram de questionar a sentença e os advogados do executivo da Odebrecht se retiraram do caso. Os documentos, no entanto, permanecem no processo original.

A Pública encaminhou pedido de entrevista ao ministro Sergio Moro e aos delegados citados no caso do grampo. A assessoria de imprensa de Moro disse que encaminharia as perguntas ao juiz, mas não deu nenhuma resposta até o fechamento da reportagem. Já a PF explicou que “por questões de política interna de comunicação não comenta possíveis investigações em andamento”, referência aos recursos pendentes sobre sindicâncias e processos administrativos que resultaram das denúncias de grampo.

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UN health agency steps up fight against ‘invisible pandemic’ of antimicrobial resistance

UN SGDs - ter, 18/06/2019 - 12:54
As resistance to antibiotics grows, the World Health Organization (WHO) has launched the latest stage of its campaign to fight this deadly health risk – likened by the agency to an “invisible pandemic”– with the launch of a new online tool for health professionals on Tuesday.
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Región de Asia-Pacífico corre el peligro de no alcanzar ningún ODS

IPS español - ter, 18/06/2019 - 12:52

La región de Asía-Pacífico ha avanzado con limitaciones en el primer Objetivo de Desarrollo Sostenible, el que propone alcanzar el fin de la pobreza para 2030. Crédito: ONU

Por Thalif Deen
NACIONES UNIDAS, Jun 18 2019 (IPS)

Un nuevo informe de  la Comisión Económica y Social para Asia y el Pacífico (Cespap) alerta que la región que alberga a los dos países más populosos del mundo, China e India, “no logrará” ninguno de los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS) si mantiene “su trayectoria actual”.

La región, al igual que el resto de la comunidad internacional, se comprometió a alcanzar los 17 objetivos y sus 169 metas y los respectivos indicadores, a completar para 2030.

El estudio de la Cespap  considera que “el progreso se ha estancado o se ha estado dirigiendo en la dirección equivocada en más de la mitad de los ODS”, que conforman la Agenda 2030 de Desarrollo Sostenible, acordada en el marco de la Organización de las Naciones Unidas (ONU) en 2015 y que los países comenzaron a implementar en 2016.

La secretaria ejecutiva de la Cespap, Armida Alisjahbana, pidió medidas urgentes para revertir estas tendencias negativas, al lanzar el 28 de mayo el “Informe sobre el progreso de los ODS de Asia y el Pacífico en 2019”, durante la 75 sesión de la agencia de la ONU, realizada en Bangkok, su sede central.

“Espero que este informe contribuya a orientar nuestros esfuerzos para acelerar el progreso hacia todos los Objetivos y para fortalecer el compromiso de la región de mejorar la calidad de los datos y estadísticas esenciales para medir el progreso”, dijo.

Según el estudio, la situación se está deteriorando en el logro del ODS 6, enfocado en proporcionar agua potable y saneamiento, al igual que el ODS 8, que promueve el trabajo decente y el crecimiento económico, y lo mismo sucede con el ODS 12, destinado a apoyar la producción y el consumo responsables.

La región si ha mostrado avances, así sean limitados, en el fin de la pobreza (ODS 1) y a garantizar que todos tengan acceso a una educación de calidad y al aprendizaje a lo largo de toda la vida (ODS 4). También hay logros en las medidas para alcanzar una energía asequible y no contaminante (ODS 7).

“Sin embargo, incluso cuando se ha logrado un buen progreso, este es muy lento para que estos objetivos se alcancen en 2030″, plantea el informe regional.

Stuart Kempster, analista de políticas de monitoreo y responsabilidad de la organización internacional WaterAid, dijo a IPS que “es sorprendente que, en su trayectoria actual, Asia y el Pacífico no alcancen ninguno de los 17 ODS para 2030”.

“Estamos especialmente alarmados de que algunas naciones pasarán años para lograr el cumplimiento del derecho humano al agua y al saneamiento, los componentes básicos de cualquier comunidad estable y próspera”, añadió el especialista de la organización con base en Estados Unidos, que se ocupa de ayudar a alcanzar ese derecho básico.

Kempster destacó que a las tasas actuales de avance, todos los países de ingresos bajos y medios de la región no gestionarán el agua de forma segura hasta 2064 y en el caso del saneamiento esa meta solo se alcanzará en 2107.

Los 17 Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS) en que las regiones y países trabajan desde el comienzo de 2016, con el objetivo de alcanzar sus 169 metas específicas para 2030. Crédito: ONU

“Solo nos quedan 11 años para mantener la promesa hecha a quienes viven sin agua limpia o un inodoro decente. Los gobiernos deben priorizar el agua limpia, el saneamiento decente y una buena higiene, asegurando que se establezca el financiamiento adecuado para construir un mundo más sostenible ahora y para las generaciones futuras “, señaló.

Arman Bidarbakhtnia, jefe de la División de Estadísticas de la Unidad de Gestión de Datos Estadísticos de la Cespap, dijo a IPS que el informe solo evalúa el progreso regional y subregional y no pretende realizar una evaluación de cada país.

A pesar de que hay muchas referencias a casos de países a nivel de indicadores, explicó, las conclusiones sobre los ODS no deben generalizarse a los países.

El análisis se basa en agregaciones a nivel regional y subregional, no ponderadas a nivel nacional. Por ello, los resultados no son representativos de China y la India como los países más grandes, subrayó.

Además, los pequeños estados insulares en desarrollo (PEID) son tan importantes como China e India en este análisis de la región.

El funcionario de la Cespap señaló también que por “la región” no debe entenderse a la región entera o a la mayoría de su población, sino que significa un “país típico en la región” o “la mitad o más países de la región (valores promedio)”.

El informe lanzado en mayo, detalló además, solo se enfoca en el progreso y no apunta a un análisis de “causa-efecto”.

El informe muestra diferencias importantes en el progreso entre las subregiones de Asia y el Pacífico que han registrado diferentes éxitos y enfrentan diferentes desafíos.

Pero, en cualquier caso, cada subregión necesita revertir las tendencias existentes para al menos tres ODS.

Por ejemplo, la subregión del este y el noreste de Asia está retrocediendo en objetivos como el de ciudades y comunidades sostenibles (ODS 11), acción por el clima (ODS 13) y la vida de los ecosistemas terrestres (ODS 15).

En tanto, el sudeste asiático ha retrocedido en los ODS 8 y ODS 13, al igual que en el de alcanzar la paz, justicia e instituciones sólidas (ODS 16).

Por su parte, el sur y el suroeste de Asia se está moviendo en la dirección equivocada en los ODS 6, ODS 12 y ODS 13.

Desde el año 2000, ha habido un descenso en el objetivo de la igualdad de género (ODS 5), junto con los ODS 8 y ODS 11 en Asia del Norte y Central. Por su parte, la  subregión del Pacífico ha retrocedido en los objetivos de hambre cero (ODS 2) y vida submarina (ODS 14), junto con los ODS 8 y ODS 16.

“La falta de datos confiables en todos los ODS y en todas las subregiones es uno de los mayores desafíos de Asia y el Pacífico”, asegura el informe de la Cespap.

A pesar de un aumento significativo en la disponibilidad de los indicadores de los ODS desde 2017, permanecen brechas en los datos de dos tercios de esos indicadores de los ODS.  Según el informe, casi una cuarta parte de todas las metas de los ODS que carecen de evidencia se relacionan con asuntos ambientales.

Bidarbakhtnia puntualizó a IPS que no se puede deducir por los reveses que se observan en el informe, que exista una falta de voluntad política o un déficit en la ayuda al desarrollo para que los países del Sur en desarrollo alcancen los ODS.

Definitivamente, a su juicio, esos reveses obedecen a causas diferentes según el país, incluidas la falta de voluntad política, de recursos financieros, de ayuda para el desarrollo, de prioridades y de modelos de desarrollo, entre otras.

Sin embargo, dijo, “puede inferirse de la publicación de la Cespap que el costo de cerrar estas brechas es asequible para los gobiernos, y definitivamente no todos los problemas son debidos a la falta de recursos financieros”.

Sobre la conclusión de la “falta de datos confiables en todos los objetivos”, que incluye el informe, el jefe de Estadísticas de la Cespap aseguró que se fundamenta en un análisis riguroso de la disponibilidad de datos que se presenta en la parte 3 del informe. La misma parte también proporciona algunos consejos para cerrar la brecha y superar los desafíos.

En particular respecto al ODS 1, reafirmó que “la tasa actual para poner fin a la pobreza no es suficiente para alcanzar las metas 2030”.

Puntualizó que el informe permite ver que la región, incluyendo a China e India, está en vías de erradicar la llamada “pobreza de ingresos”, si pueden mantener el mismo ritmo de progreso hasta ahora.

Pero recordó que el ODS 1 va más allá de esa pobreza de ingresos y que la región está rezagada en otras dimensiones de las metas incluidas en ese transversal objetivo, especialmente en cuanto al gasto gubernamental en servicios básicos (educación y salud) y la capacidad de recuperación ante desastres naturales.

El informe no presenta cifras específicas sobre China e India, pero “nuestros datos muestran que a ambos les está yendo mejor que a la región (en promedio) en el ODS 1 y van por buen camino si mantienen el actual nivel de progreso”, dijo Bidarbakhtnia.

Pero también, como el resto de la región,  “necesitan acelerar el gasto en servicios básicos”, indica. Además, hay varias otras dimensiones, como la protección social y la pobreza multidimensional, donde no hay datos que permitan medir la situación, agregó.

T: MF

El artículo Región de Asia-Pacífico corre el peligro de no alcanzar ningún ODS fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Dos barões amigos de meu avô às prisões de hoje

Pública - ter, 18/06/2019 - 12:03

Texto originalmente publicado na Newsletter dos Aliados. Financie a Pública e receba conteúdos exclusivos!

Graças ao financiamento dos leitores consegui contar histórias engasgadas na minha mente há anos. Não foram poucas as vezes que ofereci essa reportagem para outros meios nos quais trabalhei. O nome dela é “Sobrevivendo no Inferno: o relato íntimo de três condenados que não pertenciam a facções” e ela é uma das mais lidas do site da Pública de todos os tempos.

A questão prisional me desperta curiosidade desde sempre. Na minha adolescência, eu era uma espécie de chaveirinho do meu avô, um respeitado empresário da área de diversões – categoria que compreende dos fliperamas aos jogos de azar. Pelo menos uma vez ao mês ele me levava para churrascos na mansão de amigos contraventores. Quando eles finalmente foram parar na cadeia, os churrascos continuavam rolando todo fim de semana, do lado de dentro do presídio. E é claro que ele me levava. Foram várias unidades prisionais que eu visitei com meu avô, o clima era sempre familiar e os caras desfrutavam de regalias como churrasco, pelada, celas com ar condicionado split e TV de tela plana (isso no início dos anos 90). Eu não podia falar pra ninguém sobre essas visitas, acho que nem minha mãe sabia, mas aquilo me marcou profundamente, sobretudo a questão do poder do dinheiro, que se não fosse suficiente para comprar a liberdade, poderia pelo menos transformar a reclusão em algo um pouco mais suportável.

No ano 2000, um dos meus melhores amigos foi pego saindo da favela onde morava com uma boa quantidade de maconha como companhia. A sua pele parda e seu endereço periférico pesaram muito mais do que a quantidade da droga na hora de acusá-lo de tráfico, e ele ficou nove meses preso até nós, seus amigos, conseguirmos levantar grana para um pagar um advogado experiente e reverter a prisão. Eu o visitei algumas vezes e a realidade era bem diferente a dos poderosos amigos do meu avô: o pátio das visitas fedia a fezes, pois no dia anterior a galera da outra facção literalmente espalhava merda no pátio. Eu sempre dava um jeito de entregar 50 ou 100 pratas pro amigo, além de levar uma caralhada de cigarros paraguaios comprados ali mesmo do lado de fora do presídio. Quando ele saiu, me contou várias histórias de como os detentos usavam as quentinhas para fabricar circuitos elétricos e botar pra funcionar várias gambiarras. Eu já era jornalista e comentei a história pra um amigo editor de uma revista de entretenimento que eu trabalhava na época. Ele teve a ideia da gente reproduzir as gambiarras e fazer umas fotos em estúdio estilo publicitárias, o que acabou dificultando e encarecendo a pauta que, no final, nunca foi pra frente.

Quando o meu amigo Rafinha*, aquele que foi preso cheio de drogas numa rave na Bahia – descrito na reportagem – me contou a sua surreal história, minha cabeça foi a mil. Eu queria muito ter a oportunidade de contar essa história. Até o dia em que as editoras da Pública me convidaram a propor pautas financiadas pelos leitores.

Ninguém disse que ia ser fácil, mas desta vez meu compromisso não era com um editor ou uma banca de jurados, mas sim aos doadores que confiaram em mim para contar essa história. Eu tinha proposto contar a história do Rafinha e mais dois ex-detentos. Mas vamos combinar, é um tema muito explorado, existem vários livros, filmes, séries e até reality shows focando a questão penitenciária.

O Rafinha foi fácil de entrevistar, até porque eu já tinha ouvido ele contar sua história um milhão de vezes sem muita cerimônia. Já o Henrique, é um cara que eu conheci na militância pela legalização da maconha. Ele ficou dois anos preso em Brasília porque plantava a erva em casa. Voei até a capital para entrevistá-lo pessoalmente, foi extremamente doloroso ouvir sua história, pois diferente do Rafinha e Luan, ele não tinha grana pra se virar lá dentro, além de ter encarado um sistema muito mais rigoroso do que o da Bahia ou do Rio.

O cara era uma pessoa totalmente diferente da que eu havia conhecido, e foi muito difícil transcrever, decupar e editar as horas de entrevista. Tive crises de ansiedade e enrolei os editores da Pública por sete meses até entregar a matéria. Se fosse pra outra publicação provavelmente a matéria teria caído, ou o editor teria me mandado catar coquinho, ou eu teria desistido, considerando não valer a pena tanto esforço. Mas tinham pelo menos 1300 apoiadores aguardando essa matéria.

O sofrimento todo valeu a pena, e eu pude contar essas histórias do jeito que elas mereciam. A resposta veio numa audiência considerável para a reportagem, cheguei a receber feedback de uma juíza, que disse que todo magistrado deveria ler a matéria. Dos personagens, quem mais comentou, curtiu e compartilhou foi o Henrique, o que me deixou muito feliz e realizado.

Obrigado aos leitores da Pública por me permitirem contar mais uma história engasgada. Que venham outras.

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La importancia de las próximas elecciones de la FAO

IPS español - ter, 18/06/2019 - 10:22

Kip Tom, embajador de Estados Unidos ante las Agencias de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura en Roma

Por Kip Tom
ROMA, Jun 18 2019 (IPS)

Con cada día que pasa, el mundo se vuelve un poco más pequeño a medida que Internet y los teléfonos celulares unen a nuestras comunidades, revelan nuestros desafíos compartidos y ponen al descubierto nuestros fracasos. Como ciudadanos del mundo, a todos nos preocupa la creciente cantidad de personas que padecen hambre en todo el mundo y las amenazas a la seguridad alimentaria. 

El simple hecho es que más de 800 millones de personas pasan hambre todos los días, y si ese número los sorprende, sepan que los expertos predicen que el número se incrementará significativamente en los próximos diez años.

Estados Unidos es consciente de la situación y le preocupa el empeoramiento de la crisis. Nuestro país ha sido durante mucho tiempo el líder mundial en desarrollo agrícola gracias a nuestra innovación técnica, que nos ha permitido, durante muchas décadas, ser el principal donante de programas de asistencia agrícola en todos los rincones del mundo. Si bien esos esfuerzos han marcado una diferencia real, la necesidad es demasiado grande para que una nación, incluso la nuestra, pueda enfrentarla.

Como embajador de Estados Unidos ante las Agencias de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura y participante de toda la vida en la industria agrícola, todos los días veo no solo la gran necesidad sino también la gran oportunidad para que la comunidad internacional tenga un impacto profundo en el hambre y la seguridad alimentaria.

Esa es una de las razones por las que Estados Unidos ha trabajado estrechamente con otras naciones durante los últimos 75 años en la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO). En la FAO es donde las naciones del mundo se unen para identificar herramientas y prácticas para mejorar la producción agrícola, facilitar el comercio, mejorar la sostenibilidad y ampliar el conocimiento de manera que pueda mejorar la salud y el bienestar de las familias en todo el mundo.

Al igual que otros foros internacionales importantes, la FAO es tan fuerte como su membresía, y tan efectiva como sus líderes. A lo largo de su historia, la FAO ha disfrutado de períodos de excelencia en el liderazgo y también ha soportado eras de despilfarro, mala gestión y decepción.

En este punto de la historia, con el grado de necesidad mencionada anteriormente, la comunidad mundial necesita una FAO que sea eficaz, audaz y ágil. Este mes, los Estados miembros de la FAO se reunirán en Roma para elegir un nuevo director general, y al hacerlo establecerán la trayectoria de la organización para los próximos cuatro años críticos.

No los voy a distraer con una discusión sobre los detalles de las elecciones de la ONU, pero señalaré que hay tres candidatos para el puesto, de China, Francia y Georgia. Y si bien no es mi intención apoyar a ninguno de los tres, creo que es vital señalar los atributos que consideramos esenciales para el trabajo.

Cualquier nuevo director general debe comprometerse a mantener la reputación de la FAO como centro de conocimiento mundial sobre el desarrollo agrícola. Debe trabajar con una variedad de colaboradores, incluidos gobiernos, organizaciones no gubernamentales, instituciones académicas y el sector privado para respaldar las innovaciones basadas en la ciencia, las tecnologías emergentes y el valor indispensable de los mercados en funcionamiento.

El nuevo director general debe ser un administrador fuerte, dedicado a la transparencia, la responsabilidad, el empoderamiento de las mujeres y la neutralidad entre los miembros. Y, lo que es más importante, el nuevo director general debe representar a todos los estados miembros y no debe usar este puesto para promover los intereses de su propio gobierno nacional.

En el Consejo de la FAO en abril, los tres candidatos proporcionaron a los miembros declaraciones que describían sus habilidades y experiencias. Esas declaraciones se pueden encontrar en el sitio web de la FAO. Espero que todos los Estados miembros se tomen el tiempo de familiarizarse con estos candidatos antes de la elección del 23 de junio y presten especial atención al tema de la independencia. De esa manera, cada miembro puede ejercer un voto informado, protegido por el proceso de votación secreta que proporciona el anonimato para todos.

Solicito a los Estados miembros de la FAO que acudan a esta elección con un único objetivo: elegir como director general al candidato más capaz para dirigir esta institución vital de manera honesta, independiente, transparente y efectiva. El mundo necesita desesperadamente una FAO que refleje esos principios.

RV: EG

El artículo La importancia de las próximas elecciones de la FAO fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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Billions globally lack ‘water, sanitation and hygiene’, new UN report spells out

UN SGDs - seg, 17/06/2019 - 21:30
Some 2.2 billion people around the world do not have safely-managed drinking water, while 4.2 billion go without safe sanitation services and three billion lack basic handwashing facilities, according to a new report from the United Nations Children’s Fund (UNICEF) and the World Health Organization (WHO).
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Por la dignidad de las mujeres migrantes venezolanas

IPS español - seg, 17/06/2019 - 17:24

Una migrante venezolana con sus hijos. En su día a día, mujeres y adolescentes migrantes venezolanas encuentran a través de los programas del UNFPA, una respuesta humanitaria. Así mejora su calidad de vida en medio de la travesía que enfrentan en la frontera colombo-venezolana. Crédito: Tomer Urwicz/UNFPA

Por Tomer Urwicz y Liliana Arias Salgado
CÚCUTA, Colombia, Jun 17 2019 (IPS)

Nelsmar tiene 15 años y ya conoce la desesperación. Nadie está preparado para ello, menos a esa edad. Hace nada asistía a un colegio de clase media alta en Valencia, una ciudad en el centro de Venezuela, ahora duerme en un barrio de Cúcuta en una cama compartida con sus hermanos.

Antes soñaba con ser azafata de avión o psicóloga; hoy el afán por sobrevivir copa sus días.

En el desarraigo, Nelsmar ha tenido que ser fuerte y con coraje enfrenta cambios todos los días.

Se ha inscrito en un nuevo colegio, debe cuidar de sus hermanos mientras sus padres trabajan y ha tenido que aprender a cuidarse en una comuna que tiene problemas de seguridad.

Sin embargo ha aprendido a entender su condición e incluso se ha unido los sábados a un grupo voluntarios que  trabajan con temas juveniles.

Así lo confirma Dildar Salamanca, coordinadora en terreno del programa del Fondo de Población de Naciones Unidas (UNFPA). “La mujer adolescente y migrante es un ser infinitamente resiliente, fuerte, capaz de sobreponerse a la hostilidad de la vida”, explica.

A diario se evidencian largas filas de personas que acceden a Colombia sin control migratorio y cruzan el río Táchira pensando que el Edén está del otro lado de la frontera.

La crisis en Venezuela  golpeó a Nelsmar, y a más de 1,2 millones de venezolanos que han migrado a Colombia, seún cifras registradas en la página web www.R4V.info, sitio  oficial que recopila información sobre la respuesta humanitaria que presta la Plataforma de Coordinación Interagencial de Naciones Unidas para Refugiados y Migrantes de Venezuela.

Nelsmar, migró hace menos de dos años desde Valencia, la capital del estado de Carabobo. Tras ocho días caminando y el resto en autobús, llegó a la frontera con Colombia.

Y aunque pensó que aquella travesía era lo peor, recién luego, ya en Cúcuta, tomó consciencia de los peligros de la migración no planificada. O simplemente sintió el peso de ser venezolana.

Un grupo familiar cruza el río Táchira, para ingresar desde Venezuela a Colombia. Crédito: Tomer Urwicz/UNFPA

Durante varias semanas de recorrido, durmió en la calle y en una pensión que sus padres pudieron pagar, tuvo dificultades para asearse, encontrar un baño, acceder a un champú,  a unas toallas sanitarias o a una linterna para las noches de caminata.

Es en ese momento de tránsito, donde los suministros sanitarios se vuelven  importantes para preservar la dignidad, el bienestar y la movilidad de las mujeres, y más si son migrantes o viven situaciones de emergencia que les impide acceder a sus necesidades cotidianas.

Sucede así cuando “no tienes los medios para asearte y cambiarte” o cuando el dinero no alcanza, “algo tan natural como la menstruación se convierte en una dificultad”.

Respuesta integral ante la emergencia

Para el caso de la migración venezolana, donde el éxodo masivo en condiciones irregulares conduce al aumento de la violencia sexual y los abusos domésticos, UNFPA brinda apoyo técnico para la integración de la prevención, la respuesta y la mitigación de la violencia de género en el Plan Regional de Respuesta a la Migración (RMRP) y lidera el grupo de trabajo sobre violencia de género en la oficina de la Plataforma Regional para los Refugiados y Migrantes de Venezuela.

En este contexto los “kits de dignidad” actúan como herramienta primaria de protección porque brindan condiciones dignas (de ahí su nombre) para el autocuidado de una población que, en la vorágine del desplazamiento, ha perdido lo esencial para sobrevivir.

Esos kits también son la primera puerta de entrada a la respuesta humanitaria integral que UNFPA dirige para resolver las necesidades de salud de las mujeres y adolescentes migrantes; desde las más inmediatas relativas a la higiene, hasta las de salud prenatal como complicaciones del embarazo y el parto, que pueden amenazar sus vidas.

Otras líneas de la respuesta humanitaria son la entrega de anticonceptivos que en las ciudades fronterizas de Cúcuta y Maicao, llegaron a más de 2.600 mujeres en 2018 y la realización de talleres de prevención de violencia basada en género, que también hacen parte de las acciones estratégicas de apoyo técnico que brinda UNFPA a la población migrante.

Se trata de promover enfoques integrados y transfronterizos dirigidos a mujeres y niñas no sólo en Colombia sino también en Ecuador, Brasil y Perú, donde se evidencian las consecuencias del éxodo masivo.

“El objetivo del trabajo de capacitación es proporcionar espacios para la discusión sobre los derechos sexuales y reproductivos, prevenir la violencia de género y la violencia sexual, y dejar en claro dónde están los lugares para recibir la atención si son víctimas de agresiones”, explica Salamanca.

Nelsmar no imaginaba que iría a compartir un aprendizaje así. Al menos no lo pensaba cuando tuvo que cambiar aquella maleta que pensaba usar cuando se convirtiera en azafata por un equipaje lleno de miedos, como el que acarrea hoy.

“La mujer migrante es elevadamente valiente, puede cargar las hieles de la migración y al mismo tiempo las mieles de tener su familia unida, no se rinde ante un ‘no’ y mucho menos ante un ‘tal vez’”, agrega Salamanca.

Nelsmar podría haberse rendido y sumergirse en la ilusión perdida de lo que una vez fue, o encerrarse en el porqué de la situación compleja que ha vivido. Pero prefirió abrir ese equipaje para contar su historia y volver a emprender vuelo. Ella misma lo deja en claro.

—¿Cómo te sientes?

—Bien, con los sueños intactos.

Este artículo fue publicado originalmente por el Fondo de las Naciones Unidas para la Población (UNFPA). IPS-Inter Press Service lo reproduce por un acuerdo general con la Organización de las Naciones Unidas para la difusión de sus contenidos.

RV: EG

El artículo Por la dignidad de las mujeres migrantes venezolanas fue publicado originalmente en IPS Agencia de Noticias.

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