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Atualizado: 1 hora 36 minutos atrás

“Pessoas afetadas pela hanseníase sofrem múltiplas discriminações”

sex, 15/03/2019 - 18:44

RIO DE JANEIRO,  (IPS) – “Existem mais de 50 países com leis discriminatórias contra as pessoas afetadas pela hanseníase, e há muita discriminação também na administração do Estado e na sociedade”, disse em entrevista à IPS Alice Cruz, relatora especial das Nações Unidas para a eliminação da discriminação contra as pessoas afetadas pela hanseníase e suas famílias.

A relatora especial, de origem portuguesa, foi uma das participantes especiais do I Encontro Latino-Americano e Caribenho de Entidades de Pessoas Afetadas pela Doença de Hansen, também conhecida como lepra, realizado entre os dias 12 e 14 de março, na cidade brasileira do Rio de Janeiro.

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Afetados pela hanseníase na América Latina se unem por direitos e voz

sex, 15/03/2019 - 18:19

RIO DE JANEIRO, 14 de março de 2019 (IPS) – Com a decisão de fundar uma coalizão regional para promover direitos e maior participação em fóruns e decisões nacionais e internacionais, concluiu-se o I Encontro Latino-Americano e Caribenho de Entidades de Pessoas Afetadas pela Hanseníase, popularmente conhecida e estigmatizada como lepra.

A sessão final do encontro, no dia 14, aprovou 40 das 58 propostas apresentadas em três dias de debates pelos 111 participantes, na sede da Fundação Oswaldo Cruz, renomado centro de pesquisas científicas, médicas e epidemiológicas da cidade brasileira do Rio de Janeiro.

José Picanço, de 46 anos, separado de sua família e entregue recém-nascido a um orfanato porque seus pais foram diagnosticados com a doença em 1972, é uma das pessoas cujos direitos a uma reparação ainda não foram cumpridos, assim como de seus três irmãos.

Quando a família conseguiu se encontrar novamente, oito anos depois, o pai rejeitou os filhos. A mãe acolheu-os, mas morreu pouco depois. “Eu só vivi cinco meses com ela, uma santa”, lembrou Picanço, mal contendo as lágrimas durante seu depoimento no encontro.

“Humilhados como filhos de leprosos, sofrendo assédio escolar e sexual, muitos dos meus companheiros de orfanato entraram na droga, alcoolismo. Foi um holocausto”, disse Picanço. “Eu acertei meu irmão na cabeça, sem saber que ele era meu irmão”, lamentou.

“Das 15 mil a 20 mil crianças separadas de suas famílias, mais de 80% sofrem de depressão”, informou Picanço em entrevista à IPS, detalhando parte dos danos causados pela antiga regra de segregar os chamados leprosos.

O isolamento obrigatório foi generalizado no mundo, durante diferentes períodos históricos, e continua em alguns países, mesmo depois de se saber que a doença tem cura e deixa de ser contagiosa pouco depois de se iniciar o tratamento.

Oficialmente, o Brasil aboliu essa prática em 1976, mas de fato ela permaneceu por mais dez anos. Suas vítimas diretas foram compensadas a partir de 2007, mas não seus filhos. Estimular políticas de reparação para crianças separadas, propuseram os ativistas reunidos no Rio de Janeiro.

Suas reivindicações e propostas serão levadas em setembro ao Congresso Mundial das associações de pessoas afetadas, a ser realizado em Manila, nas Filipinas, que também vai acolher as contribuições da África e da Ásia, aprovadas em encontros semelhantes realizados anteriormente.

“O objetivo é formar uma grande rede de ativistas, para fortalecer o movimento” pela erradicação da doença e os cuidados para as pessoas afetadas, destacou Kiyomi Takahashi, da Fundação Nippon, que promove o processo internacional de debates e cooperação.

A reunião no Rio de Janeiro levou a um “diálogo de alto nível, resultado da longa história de atividades do Morhan e da Felehansen”, admitiu a especialista japonesa à IPS, referindo-se ao Movimento de Reintegração das Pessoas Afetadas pela Hanseníase, do Brasil, e a Federación de Entidades de Personas Afectadas por la Lepra, da Colômbia, os dois organizadores do encontro regional.

 

Os brasileiros José Picanço (em primeiro plano) e Evelyne Leandro deram seu testemunho sobre a maneira diferente como foram afetados pela doença de Hansen, durante um encontro latino-americano e caribenho sobre o assunto, na cidade brasileira do Rio de Janeiro. Picanço foi separado de seus pais, que tinham lepra, ao nascer, em 1972, e só pôde estar com eles oito anos depois, pouco antes de sua mãe morrer. Leandro escreveu um livro sobre as dificuldades de ser diagnosticado com a doença na Alemanha, onde mora. Crédito: Mario Osava/IPS

 

“O Morhan é meu porto seguro para propagar que crianças separadas devem ser ouvidas e ter oportunidades”, pontuou Picanço, lembrando que ingressou no movimento em 1992. Hoje ele dá palestras sobre os efeitos diretos e indiretos do estigma que ainda hoje a doença acarreta para os afetados e seus familiares.

 

Uma benção

A doença “foi uma bênção para mim”, testemunhou à IPS Isaías Dussan Weck, vice-presidente da colombiana Felehansen, de 50 anos. O diagnóstico, em 2006, derrubou-o, contou. Ele perdeu o desejo de trabalhar ou sair, deixou falir seu negócio de fornecimento de produtos de limpeza, e até pensou em suicídio. Ele ignorou as manchas em seu corpo que não o impediam de trabalhar e viajar, até que se espalharam para o rosto, e ele notou partes insensíveis.

Foi tratado e curado, deixando apenas uma certa insensibilidade no braço e dores na perna esquerda. Mas tudo foi mal até que foi convidado para reuniões com outros pacientes ou portadores de sequelas. “Comecei a entender, ouvindo seus testemunhos e prantos, porque uma garota negra com deficiências severas disse que a lepra foi uma bênção para ela”, explicou Dussan.

O ativismo em benefício dos afetados, contra os estigmas e os danos causados pela doença, na associação do departamento de Huila, no sudoeste da Colômbia, permitiu a ele “ganhar novo sentido para a vida, conhecer e praticar o verdadeiro amor ao próximo”.

“Ajudar e ver melhorar a vida de um paciente é uma emoção maravilhosa, levar vontade de viver para outras pessoas”, concluiu. Essa nova paixão levou-o à Felehansen e a assumir funções de liderança na federação.

Uma experiência semelhante foi experimentada por sua compatriota Irma Romero, 42 anos, presidente da Fundação Nuevo Amanecer, de Barranquilla, na costa norte da Colômbia. Sua longa odisseia, até o diagnóstico de um especialista há cinco anos, revela a incapacidade do sistema médico de atender a chamada hanseníase, doença ainda encarada como “um castigo divino”.

Romero parou de trabalhar na indústria têxtil devido a uma deficiência e à depressão. “Eu nem podia andar”, lembrou. “Até reneguei a Deus”, confessou à IPS. Um tratamento com plantas medicinais, automedicação, a rejeição de familiares, tentativas de separá-la dos dois filhos e o abandono do marido compuseram seu martírio, que não terminou com o tratamento e a cura.

Fisicamente só restou insensibilidade nas mãos e nos pés, bem como dores no nervo ciático, mas a discriminação continuou. “Minha vida mudou ao entrar na associação das pessoas afetadas”, há quatro anos. “Lá encontrei afinidades, despertou-me um amor pelo meu próximo que não sentia antes”, disse a ativista, que chegou à presidência da fundação no ano seguinte e reconciliou-se com Deus.

 

A colombiana Irma Romero, natural da cidade de Barranquilla, no ônibus que serviu de transporte para os participantes do I Encontro Latino-Americano e Caribenho de Entidades de Pessoas Afetadas pela Hanseníase, realizado entre os dias 12 e 14 de março na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. Crédito: Mario Osava / IPS

 

Sua fundação possui 60 associados, com adesões e abandonos frequentes. Em Barranquilla, ela estima que há “cerca de 200 afetados, mas muitos mais ocultos”. Esta é uma das dez associações que compõem a Felehansen, das quais oito abordam a enfermidade como hanseníase ou doença de Hansen, uma fala lepra e outra deficientes, mas que de fato limita-se àqueles que têm diagnóstico tardio.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a lepra, como a denomina, como uma doença infecciosa e crônica, que “não é muito contagiosa” e “é transmitida por meio de gotículas nasais e orais durante contato próximo e frequente com casos não tratados”. Seus últimos registros indicam que, em 2017, houve 211.009 novos casos globais, segundo dados oficiais de 159 países. Isso corresponde a 0,3 casos por dez mil habitantes, o que o torna “eliminado”, segundo o critério da OMS.

 

Mudança de denominação, outra proposta

Propor a hanseníase como denominação oficial é uma das propostas do encontro latino-americano, liderado pelo Brasil que já a adotou, proibindo inclusive a menção a lepra no sistema de saúde desde 1995.

São conceitos diferentes, porque lepra e leproso têm conotações muito negativas, de “sujeira, praga, impurezas e punição divina”, reforçadas por numerosas menções com essa carga moral na Bíblia, argumentou Faustino Pinto, um dos coordenadores nacionais do Morhan.

Os colombianos, no entanto, não estão convencidos dessa mudança. “As pessoas só conhecem a lepra, não sabem o que é hanseníase. Para levar e explicar a questão para a população, é preciso dizer lepra”, argumentou Romero.

“Teremos que educar as novas gerações com o conceito de Hansen”, ressaltou o médico norueguês Gerhard Hansen, que descobriu o bacilo causador da doença, porque os adultos dificilmente esquecerão o estigma. “É mais difícil desaprender do que aprender”, opinou Dussan.

Outra proposta do Encontro é ampliar o atual Comitê de Assistência ao Imigrante Brasileiro Afetado pela Hanseníase a todos os latino-americanos e caribenhos, além de estendê-lo a outras regiões. A referência dessa questão é Evelyne Leandro, uma brasileira de 37 anos que vive na Alemanha há nove anos e teve muitas dificuldades para ser diagnosticada com a doença em um país onde é muito rara e quase não há médicos que a conhecem.

Ela foi ajudada pela suspeita da mãe, informada no Brasil por uma campanha de divulgação sobre a doença, e pela existência de institutos de medicina tropical na Alemanha. Seu caso e o de outros imigrantes na Europa estão relacionados em seu livro Hanseníase, a Luta Contra uma Doença há Muito Esquecida.

Edição: Estrella Gutiérrez

 

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Na América Latina permanece um fardo simbólico e bíblico contra a lepra

qui, 14/03/2019 - 09:26

RIO DE JANEIRO, 13 de março de 2019 (IPS) – Cientificamente conhecida como doença de Hansen, a hanseníase carrega uma carga simbólica do passado, que hoje os afetados e especialistas no assunto da América Latina buscam derrubar, inclusive no uso da linguagem.

O debate ocorreu no âmbito do I Encontro Latino-Americano e Caribenho de Entidades de Pessoas Afetadas pela Doença de Hansen, realizado na cidade brasileira do Rio de Janeiro, entre os dias 12 e 14 de março, em um painel chamado Hanseaníase versus Lepra.

“As pessoas ainda usam o termo lepra como um forte instrumento de preconceito e discriminação, o que faz com que os afetados tenham medo e não busquem atenção médica e tratamento precoce”, explicou à IPS Francisco Faustino, um brasileiro tratado e curado da doença.

O ativista faz parte do Movimento de Reintegração de Pessoas Afetadas pela Hanseníase (Morhan), que organizou o Encontro junto com a Federación de Entidades de Personas Afectadas por la Lepra, da Colômbia.

O evento reúne instituições internacionais e representantes de sete países da América Latina, juntamente com outros do Norte industrial e conta com o apoio especial do Ministério da Saúde brasileiro e da Fundação Nippon, que acompanha o processo de encontros regionais para um Congresso Mundial sobre a doença, a ser realizado nas Filipinas, em setembro.

O Brasil é o único país que substituiu a palavra lepra em suas campanhas de saúde. Doença de Hansen ou hanseníase é normalmente utilizada como terminologia oficial na maioria dos países, juntamente com a de lepra, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) usa doença de Hansen como segunda denominação, mas ainda privilegiando o nome mais tradicional.

Além de sua denominação, o Brasil é o único país das Américas que, de acordo com dados oficiais, não eliminou a doença e concentra 95% dos cerca de 30 mil novos diagnósticos por ano no continente. Entidades como a Sociedade Brasileira de Hansenologia consideram que pode haver quatro ou cinco vezes mais novos casos por ano sem registro, enquanto a OMS considera erradicada a doença quando detectado menos de um caso por dez mil habitantes.

Faustino atribui isto, em grande medida, ao “preconceito que ainda existe nesse termo”. “Esperamos que a comunidade de saúde mude sua posição e que comece a tratar a doença como uma patologia que tem diagnóstico, tem tratamento, tem cura”, incentivou. A pessoa continua sofrendo os estigmas e discriminações, mesmo quando está curada. “Ainda se pensa que é uma doença contagiosa apenas com o contato, pela aproximação”, destacou a título de exemplo.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPS), essa doença “não é muito contagiosa” e “é transmitida pelas gotículas nasais e orais em contatos próximos e frequentes com casos não tratados”. A OMS e a OPS explicam em fascículos informativos conjuntos que a lepra é causada pela bactéria Mycobacterium lepra, também conhecida como bacilo de Hansen, é infecciosa e crônica, evolui lentamente, com um tempo médio de incubação de cinco anos e sintomas que podem aparecer até 20 anos depois.

 

O brasileiro Francisco Faustino, que tinha lepra e curou-se completamente, é um ativista para substituir esse termo por hanseníase, por causa da carga simbólica do nome tradicional, como propôs durante um painel especial no I Encontro Latino-Americano e Caribenho de Entidades de Pessoas Afetadas pela Doença de Hansen, realizado na cidade brasileira do Rio de Janeiro. Crédito: Fabiana Frayssinet/IPS

 

A doença afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, a mucosa das vias respiratórias e os olhos, podendo causar lesões progressivas e permanentes nessas áreas se não for tratada. Artur Custódio, coordenador da brasileira Morhan, lembrou que, na antiguidade, era considerada como lepra um conjunto de doenças como sífilis, elefantíase, vitiligo e a hoje chamada hanseníase.

“A lepra bíblica refere-se à escamação, sujeira, pecado, e a hanseníase não é nada disso. Temos que dar um novo significado a essa doença para enfrentar e combater o estigma. A palavra tem força”, argumentou Custódio em diálogo com a IPS. “Nós não vamos mudar os conceitos dos filmes de Hollywood sobre leprosos, ou as histórias bíblicas. O que temos que mudar também são as atitudes. É como se tivéssemos que criar um novo conceito, trabalhar um novo produto. Nenhum banco seria chamado de ‘banco falido sociedade anônima’ porque todos estariam com medo de colocar dinheiro nesse banco”, comparou.

Para Custódio, essa discussão sobre o nome e o ônus de seu significado também ocorre em países como a Colômbia, o Japão ou os Estados Unidos. “Este é um movimento importante. As palavras trazem estigma. O nome é uma estratégia”, resumiu.

O também brasileiro Luciano Curi, do governamental Instituto Federal do Triângulo Mineiro, fez uma pesquisa para seu doutorado sobre a história da lepra – antiga, medieval e moderna – que o levou a estar “convencido” de que essa imagem não se refere à hanseníase atual.

“Essa abordagem como sinônimo, além de não ter um fundamento histórico e científico, é muito perigosa. A lepra do mundo antigo e medieval era pensada a partir de uma matriz religiosa. Correspondia ao impuro. E hanseníase foi pensada a partir do pensamento médico. As primeiras obras médicas datam do século 19, quando a doença começou a ser compreendida cientificamente”, explicou Curi à IPS.

Uma imagem, lembrou Curi, existia em várias populações antigas da região mesopotâmica, no Egito e também entre os hebreus, atribuindo “algum tipo de contaminação espiritual” e designando um padre para expulsá-la.

No Brasil e em outros países da América Latina, essa definição levou-os da exclusão ao isolamento em leprosários, separados de todos, inclusive de suas famílias, até meados do século 20.

Segundo Curi, a “mudança de terminologia é urgente e necessária”. Nesse sentido, apontou que o Brasil foi pioneiro ao mudar outras terminologias. “Não dizemos mais loucura, dizemos doença mental, não dizemos mais peste. Esse esforço em todo o mundo é importante. O nome não é uma questão menor”, resumiu.

Jorge Domínguez, representante do Ministério da Saúde do Peru, também opinou à IPS que o nome “lepra” não contribui para a ida espontânea dos pacientes aos postos de saúde. Em seu trabalho de dez anos como coordenador regional de hanseníase, na província de Alto Amazonas, na fronteira com o Equador, ele testemunhou inúmeros casos de pessoas “escondendo-se” das autoridades de saúde por medo de serem enviadas para os “leprosários”, como eram chamadas essas instituições já abolidas em alguns países latino-americanos.

“A mesma coisa foi vivida nos tempos de Cristo, quando os leprosos eram banidos e isolados. O mesmo aconteceu na selva. Quando fui trabalhar, uma vez fiz uma visita e havia uma pessoa que tinha lepra e sua família a discriminava. Havia sido feito um quarto e passavam a comida por baixo da porta”, contou Domínguez, que é enfermeiro.

“A falta de conhecimento das pessoas com relação à doença era muito grande”, apontou Domínguez, acrescentando que, em sua rede de saúde, começaram a trabalhar “essa questão do estigma e da rejeição”, treinando em primeiro lugar médicos e enfermeiros, “porque havia alguns que, quando viam um paciente com lepra, escondiam-se”.

Essa campanha diminuiu a ocorrência de hanseníase registrada em sua região, de 35 a 45 no ano passado, para entre oito e dez novos casos hoje. “Por mais que tenhamos divulgado por meio da mídia, muitas pessoas ainda se assustam. Mudar a terminologia ajudaria as pessoas a não serem mais discriminadas”, disse Domínguez.

Porém, além da linguagem, Domínguez acredita que a pesquisa sobre essa doença, da qual sabe-se muito pouco, deve ser reforçada. “Por que afeta algumas pessoas mais do que outras? Por que no Brasil há tantos casos e são tão poucos no Peru e não se contagiam mesmo estando em lugares da fronteira comum?”, questionou.

“Também é importante fortalecer a comunicação, a informação para a população. A hanseníase tem tratamento gratuito de seis meses a um ano, tem cura e até pessoas que chegam com sequelas podem amenizá-las”, concluiu Custódio.

 

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Estigma persegue portadores de hanseníase na América Latina

qui, 14/03/2019 - 06:01

RIO DE JANEIRO, 12 de março de 2019 (IPS) – O estigma e a discriminação são feridas sociais que se busca exorcizar no I Encontro Latino-Americano e Caribenho de Pessoas Afetadas pela Doença de Hansen, também conhecida como lepra, um termo já abandonado pelos especialistas no Brasil, onde o evento reúne centenas de ativistas.

Os direitos e a integração dessas pessoas em todos os aspectos da Estratégia Mundial para a Hanseníase 2016-2020, da Organização Mundial de Saúde (OMS), são os temas do encontro, realizado na cidade brasileira do Rio de Janeiro, entre os dias 12 e 14 de março. Nesta reunião serão estabelecidas as estratégias da região, assim como em outros encontros que já aconteceram nas últimas semanas na Ásia e na África.

O objetivo é que todas as experiências e propostas se alinhem para o Congresso Mundial sobre a doença, a ser realizado nas Filipinas em setembro, destacou durante a sessão de abertura Kiyomi Takahashi, da Fundação Nippon, que dá um suporte especial ao encontro.

O Brasil ocupa uma posição de destaque nesse debate, pois é considerado o único país que ainda não eliminou a doença e registra a maior incidência no mundo, com 25 mil a 30 mil novos casos por ano, 95% do total das Américas, de acordo com dados oficiais.

É um número inaceitável de “uma doença que tem cura e é tratada no sistema de saúde pública”, destacou Artur Custódio, coordenador do brasileiro Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), que organizou a reunião latino-americana junto com a Federación de Entidades de Personas Afectadas por la Lepra, da Colômbia.

Além disso, o Brasil destaca-se por abolir a palavra lepra, que carrega uma alta carga acumulada de preconceitos. Desde 1995, a lepra passou a ser referida como hanseníase, ou doença de Hansen, no país, embora a Organização Mundial de Saúde e a Organização das Nações Unidas geralmente usem ainda o termo lepra para designar a doença.

 

Vista parcial dos participantes do I Encontro Latino-Americano e Caribenho de Entidades de Pessoas Afetadas pela Doença de Hansen, de sete países da região e organizações internacionais. É a primeira vez que ativistas regionais se reúnem para propor políticas em defesa da dignidade das pessoas afetadas pela hanseníase. Crédito: Mario Osava/IPS

 

Claudio Salgado, presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia, considera adequado que o Brasil não esteja entre os países que classificam a doença como eliminada, uma vez que o critério é de menos de um caso para cada dez mil habitantes.

As estatísticas mascaram a realidade de uma doença que permanece oculta. Elas apontam que, de 5,3 milhões de casos em 1980, houve uma queda para 597 mil em 2001, mas não atingiram a meta de eliminação prevista pela OMS até o ano 2000.

Os dados oficiais indicam que, de 2003 a 2005, os casos recuaram quase 65% no mundo, caindo para 169.709, um resultado considerado “impossível em epidemiologia”, explicou Salgado à IPS. Para ele, quando o combate a uma doença como a hanseníase é adequado, sua incidência cai de forma constante, mas de forma lenta e regular, não abruptamente ou em saltos, detalhou.

Os números nem sempre dão uma real dimensão da realidade. Como exemplo Salgado mostrou os dados da cidade de Palmas, capital do Estado do Tocantins, onde um esforço para o diagnóstico precoce apontou um aumento entre 2013 e 2016, de 41,9 casos para 219 casos por dez mil habitantes. Isso significa, segundo ele, que, quando se decide tratar a doença seriamente, o número de pessoas afetadas aumenta.

Outro indicador do Brasil mostra um problema adicional: há 39% de “demanda espontânea” por tratamento, o que aponta para a falta de informação e assistência. Isso ocorre porque as consultas espontâneas ocorrem em “casos avançados de sequelas já aparentes”, difíceis de tratar e por vezes incapacitantes, ressaltou Salgado.

“A meta de eliminação em 2000 teve um efeito positivo, ampliando iniciativas e programas de informação e assistência. Mas declarar que a meta foi alcançada gerou o efeito colateral de abandono do compromisso”, lamentou Salgado, que atua como professor da Universidade Federal do Pará, na Amazônia brasileira. Para ele, essa situação está levando à perda de conhecimentos, com redução da pesquisa em universidades e dos serviços de prevenção e tratamento. Somando-se a isso o estigma da doença, a tendência é que o número de casos volte a crescer.

Faltam pesquisas para explicar porque a doença afeta tantas pessoas no Brasil e tem baixa incidência do outro lado das fronteiras, disse Jorge Dominguez Sobrino, do Ministério da Saúde do Peru, que trabalha na prevenção e tratamento da hanseníase na província de Alto Amazonas, na fronteira com o Equador. “Talvez diferenças genéticas sejam uma causa”, ponderou à IPS.

No Peru, o número de novos casos indica a “eliminação”, mas há alta predominância em algumas províncias, especialmente em cidades pequenas. “Há uma grande prevalência oculta”, reconheceu Sobrino.

 

Norah Salcedo (D), da Bolívia, e Silvia Uieacu, do Peru, participantes da primeira
reunião de pessoas afetadas pela hanseníase, a lepra, queixaram-se da precariedade da
assistência em seus países para pessoas que têm a doença. Crédito: Mario Osava/IPS

 

O diagnóstico precoce é um direito primário em relação à hanseníase, concordaram Salgado e Custódio. Será necessário rever e mudar algumas bases das estratégias para eliminar a doença. Uma preocupação dos especialistas é a identificação de muitos casos em crianças, indicando contágio por parentes ou pessoas próximas não diagnosticadas.

Uma contradição nos dados oficiais é exatamente que muitos países, que declararam ter baixado a hanseníase a uma taxa inferior a um caso por dez mil habitantes, apontam um número preocupante de crianças afetadas.

Além disso, onde há menos casos registrados, como no sul do Brasil e em outros países latino-americanos, são mais sérios os danos nos afetados, devido ao diagnóstico tardio, quando os efeitos já estão instalados, como perda de nervos periféricos, dedos ou membros inteiros.

A hanseníase, presente na humanidade desde tempos imemoriais, é uma doença infecciosa e crônica, causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, como definido pela OMS, que afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, a mucosa das vias aéreas superiores, os olhos e outras estruturas.

Norah Salcedo, da cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, é uma das pessoas que sofreram danos irreversíveis nos membros e precisa de muletas. “Não há tratamento adequado no meu país, os pacientes continuam a perecer sem assistência”, queixou-se à IPS.

 

 

A Bolívia é um país que “eliminou” a hanseníase, de acordo com dados oficiais. A ignorância sobre a doença é grande, reconheceu Salcedo, assim como a peruana Silvia Uieacu.

Sete países latino-americanos estão representados nesta primeira reunião regional dos afetados, que reúne autoridades de saúde e representantes de organizações internacionais, como a Organização Pan-Americana de Saúde, e instituições japonesas, especialmente a Fundação Nippon, além de especialistas da Alemanha e Estados Unidos.

O Brasil também atrai a atenção internacional por conta da compensação para as vítimas do sistema de segregação nos chamados leprosários, onde os doentes eram isolados. Essa prática foi mantida por lei no país até 1986, embora já se soubesse sobre a possibilidade de cura desde 1941 e que o tratamento interrompe a infecção.

Desde 2007, o Estado brasileiro compensa as pessoas isoladas, mas agora a organização Morhan procura estender a reparação aos filhos que foram separadas de seus pais. Estima-se que cerca de 16 mil crianças sofreram essa separação forçada.

São políticas que interessam aos movimentos semelhantes em outros países da América Latina, explicaram os participantes durante os debates do primeiro dia.

Muitas pessoas segregadas nesses “leprosários” continuaram a viver neles depois da desativação, porque eles não têm chance de voltar para suas comunidades de origem ou de reconstruir suas vidas, destacaram os ativistas.

Edição: Estrella Gutiérrez

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América Latina e Caribe alinham ações para cumprir metas globais de educação

qui, 07/03/2019 - 18:50
Garantir progresso regional para atingir as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 4 — assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos — foi o norte do 1º Encontro do Comitê Regional de Gestão do ODS-E2030 para a América Latina e o Caribe, concluído no início de fevereiro em Santiago, no Chile.

A reunião apresentou avanços em relação aos mecanismos de monitoramento, acompanhamento e relato das metas do ODS 4 realizadas pelo Instituto de Estatística da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e pelo Laboratório Latino-Americano de Avaliação da Qualidade da Educação (LLECE).

Garantir progresso regional para atingir as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 4 — assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos — foi o norte do 1º Encontro do Comitê Regional de Gestão do ODS-E2030 para a América Latina e o Caribe, concluído no início de fevereiro em Santiago, no Chile.

Em dois dias de trabalho, os representantes dos países-membros desse comitê e das organizações envolvidas acompanharam o andamento dos compromissos assumidos na II Reunião Regional de Ministros da Educação da América Latina e do Caribe, realizada em Cochabamba em julho de 2018.

O comitê concordou em concentrar seu trabalho nas ações de equidade e inclusão durante os primeiros doze meses de trabalho. Em particular, os participantes concordaram em trabalhar para enfrentar os desafios educacionais que a migração intra-regional trouxe, como, por exemplo, medidas específicas para reconhecimento, certificação e acreditação de graus e competências, e iniciativas contra o abandono escolar.

Nesta reunião, foram definidas linhas de cooperação regional e foi elaborado um plano de ação para o período 2019-2021, à luz do roteiro para a implementação do ODS4-E2030 na América Latina e no Caribe.

Acordos foram tomados para iniciar as atividades dos quatro grupos de trabalho regionais com ações coordenadas e articuladas em políticas e estratégias; financiamento e governança; comunicação e conscientização; e revisão e monitoramento. Tudo isso à luz dos quatro temas priorizados pelos ministros da educação da região: aprendizagem ao longo da vida, igualdade e inclusão, professores e trabalhadores da educação e repensar a qualidade da educação.

A reunião apresentou avanços em relação aos mecanismos de monitoramento, acompanhamento e relato das metas do ODS 4 realizadas pelo Instituto de Estatística da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e pelo Laboratório Latino-Americano de Avaliação da Qualidade da Educação (LLECE).

Observou-se também o processo de coordenação regional da agenda de Educação 2030, após duas reuniões ministeriais, uma de alto nível técnico e duas reuniões de acompanhamento realizadas na região em 2017 e 2018.

(#Envolverde)

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Desertificação, Degradação do Solo e Mudança Climática andam de mãos dadas

ter, 29/01/2019 - 00:11
Por By Desmond Brown, IPS – 

GEORGETOWN, 28 de janeiro de 2019 (IPS) – A ligação entre a desertificação, a degradação da terra e mudanças climáticas está entre as várias questões que ocupam a atenção das 197 Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) para os próximos três dias.

A Guiana, um país membro da Comunidade do Caribe (CARICOM), está organizando a 17ª Sessão do Comitê para a Revisão da Implementação da UNCCD (CRIC 17) de 28 a 30 de janeiro. É a primeira reunião de um órgão subsidiário da UNCCD a ser realizada no Caribe de língua inglesa.

Troy Torrington, diretor de assuntos multilaterais e globais do Ministério das Relações Exteriores da Guiana, disse que a reunião é importante para o Caribe, pois destacará o papel da terra no combate ao desafio climático.

“É fundamental colocar maior ênfase na terra se quisermos ter sucesso em enfrentar o desafio climático global”, disse Torrington à IPS.

“De fato, a terra tem várias contribuições importantes para o clima. Um dos principais deles é em termos do sequestro de carbono. O sequestro de carbono enriquece a terra. . . e com um bom planejamento, gerenciamento e práticas de uso da terra, você pode de fato avançar significativamente as soluções para o desafio climático global ”.

Troy Torrington, diretor de assuntos multilaterais e globais do Ministério das Relações Exteriores da Guiana, diz que para ter sucesso em enfrentar o desafio climático global, maior ênfase deve ser dada à terra. Crédito: Desmond Brown / IPSEm 2009, a Guiana fez um acordo com a Noruega, onde o país nórdico concordou em pagar até US $250 milhões ao longo de cinco anos se a Guiana mantivesse sua baixa taxa de desmatamento. Foi a primeira vez que um país desenvolvido, consciente de suas próprias emissões de dióxido de carbono, pagou a um país em desenvolvimento para manter suas árvores no solo.

Sob a iniciativa, desenvolvida pelas Nações Unidas e chamada de REDD + (para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), a Guiana conseguiu continuar explorando enquanto a biodiversidade estiver protegida.

Melchiade Bukuru, chefe do escritório de ligação da UNCCD em Nova York, concorda com Torrington sobre a questão do sequestro, observando que o carbono, que outrora pertenceu e serve como fertilizante no solo, é um poluidor no ar.

Ele disse que, para alcançar a Neutralidade da Degradação do Solo (LDN), cerca de 500 milhões de acres de terra degradada devem ser recuperados e tornados férteis novamente.

“A menos que aproveitemos a capacidade de nosso solo para sequestrar carbono, para trazer de volta o carbono aonde ele pertence, não seremos capazes de atingir nem mesmo a meta da UNFCCC de 2° C”, disse Bukuru. A UNFCCC ou a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima é um tratado global intergovernamental formado para tratar da mudança climática. A Conferência das Partes (COP), o mais alto órgão de decisão da Convenção, se reúne anualmente para discutir o progresso e adotar novas decisões no combate às mudanças climáticas.

Na COP21, foi formado o Acordo de Paris, que se comprometeu a manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2° C, a prosseguir esforços para limitar o aumento a 1,5° C e a atingir zero de emissões líquidas na segunda metade deste século. .

Bukuru disse que a degradação da terra também continua a ser um grande desafio para os países, acrescentando que, a cada ano, o planeta está perdendo 12 milhões de hectares de terras privilegiadas devido à degradação.

Meteorologista do Instituto Caribenho de Meteorologia e Hidrologia (CIMH), com sede em Barbados Dr. Andrea Sealy (à direita), diz que episódios severos de poeira no Saara afetam significativamente a qualidade do ar, especialmente nos países do Caribe Oriental. Sealy aperta a mão de Melchiade Bukuru, chefe do escritório de ligação da UNCCD em Nova York (à esquerda). Crédito: Desmond Brown / IPSEnquanto isso, a questão das tempestades de areia e poeira também será discutida. A Dra. Andrea Sealy, meteorologista do Instituto Caribenho de Meteorologia e Hidrologia (CIMH), com sede em Barbados, disse que os graves episódios de poeira do Saara afetam significativamente a qualidade do ar, especialmente nos países do Caribe Oriental.

“Se você tem muita poeira, isso também compromete os painéis solares. Uma vez que os painéis solares estão cobertos de poeira, a quantidade de radiação que absorvem diminui. Então essa é outra questão que precisaríamos olhar porque na região somos muito dependentes da energia solar e estaremos nos tornando mais dependentes também ”, disse Sealy à IPS.

“Há também problemas com os ecossistemas marinhos, com poeira afetando-os. É possível que a poeira esteja afetando os ecossistemas terrestres. Eu sei com certeza que estudos foram feitos na Amazônia, onde mostra um efeito positivo sobre o solo. Em termos dos ecossistemas marinhos, porém, existem efeitos negativos porque você obtém as flores de algas. ”

Com vários países passando por períodos de extrema seca nos últimos anos, o chefe da pesquisa e terras da Guiana, Trevor Benn, disse que terra e água estão intimamente ligadas.

Ele apontou para os vizinhos Barbados. Benn explicou que a nação insular está ficando sem água, mas acrescentou que algumas pessoas não conseguem ver a ligação entre o uso da terra e a escassez de água.

“Acredito que, se Barbados começar a olhar com mais seriedade o modo como eles utilizam a terra, que tipo de cultivo [eles fazem], que tipo de infraestrutura eles colocam onde, você verá que as questões relativas à água podem diminuir”, disse Benn.

“A importância da terra não pode ser exagerada. É o auge de tudo o que fazemos ”.

De acordo com a UNCCD, o CRIC 17 irá rever a primeira avaliação global da degradação da terra com base em dados de observação da Terra relatados pelos governos. A avaliação, que foi realizada por países que relatam usando uma abordagem harmonizada, mostra as tendências na degradação da terra entre 2000 e 2015 com base em dados fornecidos por 145 dos 197 países que são parte da Convenção.

Espera-se que a avaliação forneça uma linha de base para avaliar o progresso na redução ou reversão da degradação do solo globalmente, daqui para frente. Contribuirá também para os esforços dos países para alcançar a LDN, que é a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 15.3.

O CRIC 17 também conduzirá diálogos interativos sobre três questões emergentes relacionadas – o plano de ação de gênero como uma ferramenta para melhorar as condições de vida das pessoas afetadas pela degradação da terra; fontes novas e inovadoras para financiar iniciativas de combate à degradação da terra; e o progresso em direção à meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na neutralidade da degradação da terra, para a qual a Convenção desempenha um papel de liderança.

No final da sessão, o CRIC 17 proporá recomendações que serão consideradas pelo seu corpo diretivo, a COP.

O CRIC se reúne uma vez entre as sessões da COP para revisar os relatórios dos países submetidos em conformidade com as decisões da COP. (#Envolverde)





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