Entrevista com Action/2015


Em janeiro de 2015, ocorrerá o lançamento da campanha action/2015 cujo intuito é mobilizar a comunidade mundial para pedir a adoção de uma agenda ambiciosa para o desenvolvimento sustentável e um acordo do clima em 2015.

Com mais de 300 organizações, redes, e parcerias representando todos os continentes e regiões – o movimento action/2015 cresce rapidamente. A Action/2015 irá motivar o público sobre a possibilidade de mudança e mobilizar cidadãos ao redor do mundo a pressionar líderes mundiais a tomarem medidas ambiciosas pelo futuro das pessoas e do planeta.

Na entrevista abaixo, Marie L’Hostis, coordenadora do Núcleo Global da campanha action/2015, e Tom Baker, Diretor de Campanhas e Engajamento da Bond, falam de sua animação com a campanha e explicam como a sociedade civil e, particularmente, as plataformas nacionais de OSCs podem participar dela.

Quem se reuniu para dar início à action/2015 e como a campanha começou?

Marie – Em duas reuniões importantes ocorridas este ano, em Istambul e Johanesburgo, nas quais participaram mais de 50 representantes de redes e organizações que trabalham com desenvolvimento sustentável e mudança climática.[1] Todos concordaram que é hora de colocar no centro da discussão o atual debate sobre a agenda para o desenvolvimento sustentável pós-2015 e sobre o processo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês), no intuito de mobilizar o maior número possível de pessoas ao redor do mundo para formar um movimento mundial pela sustentabilidade, justiça, e prestação de contas. Alguns dos mais respeitados líderes mundiais já ficaram sabendo da campanha action/2015 e, em julho passado, Malala Yousafzai, Desmond Tutu, Graca Machel, Mohammed Yunus, Mo Ibrahim, e Bono se reuniram para escrever uma carta aberta a favor da campanha.

Em apenas alguns meses, a action/2015 deixou de ser ideia e partiu para a ação. Entre seus participantes estão desde movimentos sociais como o Wada Na Todo Abhiyan a grupos de desenvolvimento internacional, como a World Vision, desde redes nacionais como a Nigeria Network of NGOs ou a BOND a redes regionais como a CONCORD e a ACORD International, ativistas de justiça climática, e grupos religiosos como a All African Conference of Churches. Além da luta contra a injustiça e contra a pobreza e a mudança climática, todos trabalhamos para assegurar que o ano de 2015 seja marcado pela realização de acordos ambiciosos pelo desenvolvimento para o mundo e o meio ambiente que queremos.

Qual é a próxima ação da campanha action/2015?

Marie – Janeiro será um mês muito ativo para a Campanha. Em 1º de janeiro, planejamos organizar uma queima de fogos na virada do ano para promover a campanha e expressar a importância do ano de 2015 por meio de mensagens de Ano Novo dadas por personalidades. O lançamento mais formal ocorrerá no dia 15 de janeiro, com ações ao redor do mundo – tanto virtuais quanto físicas – para demonstrar apoio à definição de agendas políticas ambiciosas em 2015. A campanha será impulsionada por meio de mobilizações em massa, produtos criativos, eventos, filmes e shows. Há alguns momentos-chave globais que estamos observando, e nos quais planejamos realizar ações específicas. Entre eles estão o Fórum Social Mundial em março do ano que vem, o Financing for Development em julho, e é claro – dois momentos cruciais programados para o final de 2015 – a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, e a UNFCCC COP-21 em dezembro.

Como as OSCs podem participar da campanha action2015?

Marie – Desde que a campanha começou, concentramos nossos esforços na ampliação de iniciativas existentes. Há muitos trabalhos bem-sucedidos sendo realizados em comunidades ao redor do mundo, e a action/2015 servirá de plataforma para ajudar a construir um movimento maior e mais abrangente. As organizações podem se envolver na action/2015 da forma que for melhor para elas. Esta é uma coalizão opt-in e a porta está aberta para quem quiser vir e nos ajudar realizar em 2015 uma campanha enorme. Há muitas formas de as organizações se envolverem na campanha: seja expandindo os atuais planos de uma organização para 2015 ou entrando para um dos grupos de trabalhos da campanha nos níveis nacionais e regionais. A Action/2015 irá alavancar os pontos fortes de cada organização e amplificar a voz das OSCs por meio de movimentos ao redor do mundo, então, a campanha como um todo é maior do que a soma das suas partes.

Por que a action/2015 é importante para as plataformas nacionais de OSCs, em particular?

Tom – Um importante aspecto do trabalho da implantação da campanha ocorre nos níveis locais e nacionais, com a organização de eventos de mobilização da população apresentando a demanda dos cidadãos por um futuro melhor. As plataformas nacionais podem desempenhar um papel-chave na coordenação dessas atividades: unindo potenciais parceiros, facilitando o fluxo de informação, ajudando a identificar onde estão as oportunidades para colaborar, e dar apoio a essa colaboração. Esse trabalho pode ter um enorme impacto na expansão das atuais iniciativas realizadas nos âmbitos locais e nacionais.

Vocês podem nos dar um exemplo de trabalho atualmente sendo realizado pela action/2015 no nível nacional?

Tom – No Reino Unido, a Bond está trabalhando para apoiar alguns de seus membros a formar um Action Team [Força-Tarefa] como parte da campanha que impulsionará as atividades no Reino Unido, inclusive focar no desenvolvimento de ações durante as Eleições Gerais do país, em maio de 2015. O papel da Bond é apoiar o Action Team do Reino Unido, ajudando a convocar reuniões, fazer conexões com outras organizações (inclusive as que não são membros), partilhar informações e estimular a colaboração. A abordagem descentralizada da action/2015 significa que a Bond está desempenhando o papel de facilitadora, apoiando aqueles membros que gostariam de se unir em 2015 no Reino Unido.

Qual a visão da action/2015 sobre a conexão entre mobilização e incidência?

Marie – O único foco da action/2015 é a mobilização da população. Nosso objetivo é, por meio de nossos esforços de mobilização, complementar as iniciativas em curso cujos focos sejam ações de incidência. Assim como vimos em setembro, antes da Cúpula do Clima, mobilizações podem fortalecer a voz da sociedade civil e podem ajudar a pressionar os líderes mundiais a tomarem atitudes. Foi muito impressionante ver quase meio milhão de pessoas reunidas na Cidade de Nova York para a marcha do clima. Além disso, a estrutura da action/2015 é diferente daquela da maioria das campanhas. É uma abordagem descentralizada ao desenvolvimento e implantação de campanha. Nos níveis regionais e nacionais, grupos podem definir como será seu trabalho em conjunto e o financiamento irá para atividades, em vez de ir para um organismo central que depois distribui os recursos.

A action/2015 planeja trabalhar para unir os processos pós-2015 e COP?

Marie – Para potencializar ao máximo o momento histórico que o ano de 2015 pode se tornar, action/2015 está reunindo parceiros que trabalham na agenda mundial para o desenvolvimento pós-2015 e o processo COP. Acreditamos que obter um novo contrato social que reflita uma forte narrativa de esperança e transformação requer um esforço sistemático e acordado para reunir estratégias, competência técnica e recursos por toda uma diversa base mundial e uma cooperação efetiva com a mobilização de movimentos sociais, cidadãos e comunidades ao redor do mundo. Tal movimento contribuirá para que asseguremos que a próxima fase dos esforços pelo desenvolvimento “não deixe ninguém para trás”.

Para mais informação sobre a action/2015, basta acessar o site ou entrar em contato com Marie L’Hostis, coordenadora do Núcleo Global, por email.

Tom Baker, Diretor de Campanhas e Engajamento da Bond, está disponível para responder a questões por email sobre como sua organização está participando da campanha e ajudando as OSCs do Reino Unido a coordenar atividades.

[1] A lista de organizações que participaram da reunião em Istambul e Johanesburgo está disponível online.