Em Destaque

Capitalismo de Vigilância, Eleições e o esgarçamento da Democracia


Flávia Lefèvre (*)

Em dezembro de 2017, publiquei algumas preocupações a respeito do processo eleitoral de 2018 e as ameaças à liberdade de expressão, especialmente por conta da escalada da discussão e histeria a respeito das chamadas fake news ou notícias falsas. De lá para cá essas preocupações se confirmaram. Principalmente as ponderações no sentido de que a grande ameaça que sofremos hoje não são as chamadas fake news, mas sim o poder das grandes plataformas da Internet que atuam em escala monopolista, como o Facebook e o Google em conjunto com outras empresas que integram seus grupos econômicos no cenário político em que nos encontramos.

Deputadas argentinas tentam votar lei sobre aborto no Dia da Mulher


Deputadas de diversas regiões argentinas estão se mobilizando para votar a realização de aborto até a 14ª semana no dia 8 de março.

As congressistas Mayra Mendoza, Mónica Macha e Lucila Masin assinaram o documento solicitando uma sessão especial no Dia Internacional da Mulher.

O governo argentino já havia deixado o caminho livre para que o assunto fosse discutido no Parlamento sem que precisasse passar por comissões especiais.

Porém, os líderes da coalizão Cambiemos (Mudemos, em tradução livre) já afirmaram que não participariam da sessão pois a decisão precisa ser tomada “passo a passo”, segundo o jornal Clarín.

O presidente Maurício Macri, que foi eleito por essa coalizão, afirmou que os deputados devem votar de acordo com suas consciências. A afirmação de Macri representa a cisão que o tema tem causado no país.

Aborto divide partidos

A presença dos copartidários de Macri é fundamental para que se consiga preencher o quórum mínimo de 129 deputados para iniciar a sessão especial.

No país com mais empregadas domésticas, a vida de 7 milhões de mulheres é uma luta


No início deste mês, o Brasil ratificou um tratado que oferece mais segurança às trabalhadoras; Número de profissionais está em declínio pelo esforço das novas gerações em buscar outros trabalhos

“Levanto todos dias às cinco da manhã, e todos os dias minha vida é uma luta”.  Edilene Pereira divide seu tempo entre trabalhar como diarista duas vezes por semana e cuidar sozinha de seus quatro filhos. Faz quatro anos que ela deu à luz a duas meninas gêmeas, sendo que uma delas, Alícia, nasceu com microcefalia e paralisia cerebral. Quando Edilene não está trabalhando, se dedica a levar a menina bem cedo a sessões de fisioterapia e fonoaudiologia em três lugares diferentes. Seu sonho, ela conta, é ver os filhos formados na faculdade e todo seu esforço recompensado. “Qual mãe não sonha com isso?”, questiona ela da casa onde trabalha, no bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo.

Pesquisa da Ancine sobre filmes lançados no Brasil em 2016 mostra ausência de diretoras negras


De cada quatro longas lançados no País naquele ano, três tiveram como diretores homens brancos; esses e outros dados foram levantados na pesquisa “Diversidade de gênero e raça nos lançamentos brasileiros de 2016”

O Brasil tem mais de 50 milhões de mulheres negras, mas no ano de 2016 nenhuma delas dirigiu ou roteirizou um filme. De cada quatro longas lançados no País naquele ano, três tiveram como diretores homens brancos. Os dados, que espelham a desigualdade de gênero e raça no País – segundo o IBGE, 54% da população é de negros e pardos e 51,6% é feminina, sendo que em dez pessoas, três são mulheres negras –, foram levantados na pesquisa “Diversidade de gênero e raça nos lançamentos brasileiros de 2016”, que a Agência Nacional de Cinema (Ancine) divulga nesta quinta, 25.

Dependentes do rio Doce, com medo da água


Foto: Bruno Fonseca/Agência Pública

Davi Sales não confia na água tratada do rio Doce que chega às torneiras de sua casa, em Governador Valadares, Minas Gerais. Motorista e vendedor de frutas, ele utiliza água mineral engarrafada para beber e cozinhar para si e a esposa – grávida do primeiro filho. A rotina que já dura mais de dois anos consumiu cerca de R$ 1,5 mil de seu orçamento familiar.

A mesma água encanada chega à residência de Lilian Meireles, uma casa simples de chão barrento à beira do rio Doce, no bairro São Tarcísio. Lilian e a mãe idosa não confiam no tratamento da água, mas não têm condições financeiras de comprar água mineral. Segundo elas, a desconfiança cresce no período chuvoso quando o nível do rio sobe, deixando turva a água das torneiras.

“Ser negra dentro da universidade é fazer o dobro para ser reconhecida”


“Professores duvidavam da minha capacidade e cheguei a receber nota inferior, mesmo tendo feito tudo o que todo mundo fez”, conta Juliete a história de Juliete e todos os percalços que atravessou junto à sua família para alcançar o diploma de mestre.

Nesta semana, uma pesquisa sobre o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2016 mostrou que 72% dos estudantes que tiraram as mil maiores notas do exame são meninos, mesmo as garotas sendo maioria no total das inscrições. Os números mostram não apenas uma disparidade de gênero, mas também racial. Dentre as notas mais altas, que são aquelas acima de 781,68, só 6% são de jovens negras, enquanto os meninos brancos totalizaram quase 50% das melhores notas, no entanto, representam 15% dos inscritos. Esses números não são isolados, são recorrentes diante de nossa realidade enquanto mulheres periféricas.

Violência policial segue sem freios no Brasil, denuncia Human Rights Watch


Cela superlotada no Complexo Penitenciário da Papuda (Foto: Ministério Público/Divulgação)Organização dos direitos humanos destacou execuções extrajudiciais no país pelo segundo ano seguido em seu relatório mundial; violência doméstica generalizada também é tratada.

As mortes cometidas por policiais brasileiros e a violência doméstica generalizada seguem como problemas crônicos do Brasil, segundo relatório da organização Human Rights Watch (HRW) divulgado nesta quinta-feira (18).

No texto destinado ao Brasil de seu relatório mundial, a HRW denuncia pelo segundo ano seguido as execuções extrajudiciais no país, o que segundo ela “colocam em risco a vida de outros policiais que ficam sujeitos à retaliação pelos violentos abusos dos colegas, e acabam por aumentar a violência durante confrontos com suspeitos”.

A organização defende que medidas decisivas sejam tomadas para conter violência policial.

'Baderneiro é quem rasgou a Constituição', diz presidente da CUT


O presidente da CUT, Vagner Freitas, avaliou como mais uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais e sindicais e as lutas por direitos dos trabalhadores as declarações do presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Carlos Eduardo Thompson Flores, de que os desembargadores que julgarão o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do chamado triplex de Guarujá estão sendo ameaçados.

Lei que proíbe propaganda sexista no Rio prevê multa de até R$ 1,3 mlhão


As companhias que veicularem campanhas publicitárias de conteúdo misógino e sexista ou que estimularem a violência contra a mulher de qualquer outra forma poderão ser multadas, de acordo com uma lei publicada no Diário Oficial do Poder Executivo nesta quarta-feira. O projeto foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) no ano passado e sancionada pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

A proposta da bancada feminina da Alerj prevê ainda a suspensão da divulgação das peças publicitárias em questão, com base na Lei 7.835, de 2018. Em vigor a partir desta quarta-feira, a nova legislação ordena a retirada “do ar de toda e qualquer veiculação publicitária misógina, sexista ou estimuladora de agressão e violência sexual, no âmbito do Rio”. Os valores das sanções, que variam conforme o tipo de veículo de mídia explorado, podem ser somados caso a empresa contrate mais de uma plataforma para o anúncio.

Incluem-se na fiscalização imagens, frases, áudios, outdoor, folhetos e cartazes de exposição, divulgação e estímulo ao estupro, à violência física, à misoginia e ao sexismo.

6 projetos de lei que podem mudar a vida das mulheres brasileiras em 2018


A tentativa de 18 homens para criminalizar o aborto até em casos de estupro. O fundo para a violência contra a mulher, previsto na Lei Maria da Penha, retirado da pauta do Congresso. Rebeca Mendes e o primeiro pedido concreto de aborto legal negado pelo STF. 2017 não foi um ano fácil para as mulheres.

Atualmente, existem mais de 1.700 propostas ligadas aos direitos da mulher em tramitação na Câmara e no Senado. Entre elas, questões ligadas ao aborto, direito à amamentação, mercado de trabalho, representatividade na política, discriminação por gênero, etc.

Abaixo, selecionamos 6 propostas que tratam dessas e outras questões consideradas essenciais para as mulheres brasileiras (e que podem mudar em 2018).

1. O direito ao aborto e a PEC ‘Cavalo de Tróia’