Entrevistas

Nordeste brasileiro vive quinto ano de seca e se não chover nos próximos dias, não há plano B


O setentrional nordestino, que há cinco anos vem enfrentando situações de seca, está em “estado de emergência” e muitos dos municípios da região, como o de Campina Grande, na Paraíba, que tem aproximadamente 355 mil habitantes, e Caruaru, em Pernambuco, com quase 300 mil habitantes, enfrentam problemas de abastecimento de água para o consumo, informa João Suassuna à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por telefone.

Assim se converte a floresta em dinheiro


Especialista do Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais alerta para riscos de inserir Brasil no mercado internacional de carbono — como quer o governo Temer

Por Daniel Santini*

Na sexta-feira, 4 de novembro, entrou formalmente em vigor o Acordo de Paris, aprovado na 21ª Conferência da ONU sobre o Clima, há cerca de um ano. O texto, ratificado pelo Brasil em 12 de setembro, estabelece como uma de suas bases a métrica “carbono” como unidade de medida para a economia internacional. Trata-se de um passo importante na estruturação de um mercado internacional em que empresas, países e regiões poderão justificar poluição, desmatamento, contaminação e destruição ambiental por meio de créditos ambientais adquiridos em zonas distantes. Agora, as negociações para aprofundar e detalhar o modelo devem prosseguir na 22ª edição da Conferência, que acontece de 7 a 18 de novembro em Marraqueche, no Marrocos.

Maria do Rosário sobre ocupações de estudantes: “É um movimento profundamente pedagógico para todos”


Portal Fórum – Qual a sua avaliação a respeito das ocupações em escolas de todo o país? Que mensagem essa juventude tem passado sobre a necessidade de uma educação mais consciente e participativa?

Maria do Rosário - Considero que as ocupações em todo o Brasil demonstram a consciência política da nossa juventude. Essas meninas e meninos estão se apropriando da escola como um espaço seu e lutando pelo direito a uma educação de qualidade. Trata-se de um movimento profundamente pedagógico para todos os que participam e para a escola em si.

Além do debate educacional propriamente dito, estão mostrando para a sociedade que ela não pode aceitar passivamente os inúmeros e contínuos ataques que a democracia sofre no Brasil. Esses jovens são o rosto renovado, mais horizontal, menos institucionalizado, de uma inquietude que há muitas décadas é símbolo do movimento estudantil, que nos momentos mais difíceis sempre demonstrou sua força por meio de jovens que lutaram e lutam em prol de ideais libertários de justiça, igualdade, e em prol da democracia.

Quem matou Eloá?: a mídia e a violência contra a mulher


Foi um “crime de amor”, um “crime passional”, diziam os noticiários em outubro de 2008 sobre os cinco dias em que Lindemberg Alves, o “jovem trabalhador de 22 anos que gostava de jogar futebol e teve uma crise de ciúmes”, manteve Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, em cárcere privado sob constante ameaça e violência.

As 100 horas em que ela ficou presa foram transmitidas por diversos canais da tevê aberta, em tempo real, com ar de filme de ação. O desfecho se deu no dia 17, quando a polícia invadiu o apartamento e Lindemberg matou a ex-namorada com um tiro na cabeça e outro na virilha.

Do caso nasceu o documentário “Quem matou Eloá?”, de Lívia Perez, que participou de 16 festivais brasileiros e internacionais, e ganhou cinco prêmios. A proposta da obra é discutir a naturalização da violência contra a mulher e a abordagem da mídia televisiva.

Jurema Werneck fala sobre 13º Fórum Internacional da AWID


O feminismo acaba de redesenhar seu rosto. Ele não é menos combativo, pelo contrário, está mais forte e plural. Foi o que se viu na Bahia, no evento que reuniu 1815 participantes, 156 nações, de todos os continentes do planeta. Pela primeira vez (de 8 a 11/9) um país da América do Sul sediou um Fórum da AWID, organização global de direitos e desenvolvimento da mulher. O ineditismo, porém, ocorreu para além da geografia: o novo movimento incorpora não só as mulheres mas as trans, os trans, e as pessoas não-binárias – que se afirmam longe da obrigação de ser homem ou mulher, amam e vivem fora do sistema político-comportamental que aceita apenas dois papéis.

Existe “ideologia de gênero”?, entrevista com a doutora em Educação, Jimena Furlani


Jimena FurlaniO debate sobre a inclusão dos temas de gênero e sexualidade nos planos de educação (nacional, estaduais e municipais) foi um dos principais fatores de ascensão do Escola Sem Partido, como admite seu fundador Miguel Nagib: “A tentativa do MEC e de grupos ativistas de introduzir a chamada ‘ideologia de gênero’ nos planos nacional, estaduais e municipais de educação ‒ o que ocorreu, principalmente, no primeiro semestre de 2014 e ao longo de 2015 ‒ acabou despertando a atenção e a preocupação de muitos pais para aquilo que está sendo ensinado nas escolas em matéria de valores morais, sobretudo no campo da sexualidade”, disse o procurador em entrevista a Pública (a reportagem pode ser lida aqui).

O Brasil precisa de uma revolução no que tange ao saneamento ambiental


Fernando Spilki - foto por FeevaleQuando se trata de analisar a qualidade da água que consumimos, “a inclusão de novos parâmetros, especialmente microbiológicos, é prioritária para lidar com os atuais desafios de proteção à saúde púbica”, defende Fernando Rosado Spilki, professor de Microbiologia, em entrevista à IHU On-Line.

Segundo ele, é fundamental, de um lado, incluir novos indicadores de contaminação microbiológica nas análises da água, além dos coliformes fecais, sobretudo aqueles que estão “associados às doenças de veiculação hídrica mais prevalentes hoje em dia, especialmente vírus entéricos e protozoários” e, de outro, “revisar valores máximos permitidos de poluentes e contaminantes com base no risco à saúde humana, e não em uma inferência baseada na possibilidade ou não de captar água, como fazemos atualmente”.

“Em casos de revenge porn, proteção do ECA é falha e Maria da Penha não é usada”, apontam integrantes do InternetLab


A divulgação de fotos íntimas não é nem de perto o único problema que as mulheres enfrentam nos casos de revenge porn, ou vingança pornográfica, que chegam à Justiça. Em muitos casos, o homem de posse de vídeos e fotos íntimas de mulheres faz extorsão e chantagem — chegando a obrigar a vítima a fazer sexo em troca de não divulgar as imagens. Nesses casos, o Ministério Público é o propositor da ação, e a Justiça paulista tem, muitas vezes, chegado a condenações.

O mapeamento dos casos foi feito pelo o InternetLab, Centro de pesquisa em Direito e tecnologia, baseado em São Paulo, financiado por doações, principalmente da Fundação Ford. O grupo foi a campo pesquisar como a Justiça lida com casos de disseminação não consentida de imagens íntimas na internet. Para isso, analisou todos os acórdãos do Tribunal de Justiça de São Paulo publicados entre meados de 2013 e 2015 que envolvem o tema.

Novo ministro das Comunicações quer agência para regular mídia


Dizendo-se admirador das lutas históricas do ex-governador Leonel Brizola, o novo ministro das Comunicações, André Figueiredo (PDT), defende a regulamentação da mídia e a criação de agência reguladora sem que seja exclusivamente estatal.

“Defendo a autorregulamentação do setor”, diz.

Figueiredo afirma ainda que não cabe ao governo controlar conteúdo. E, segundo ele, é papel do Judiciário coibir abusos. O ministro condena, no entanto, a concentração de meios de comunicação nas mãos de um mesmo grupo e família. “Não interessa monopólio em nenhum segmento”, argumenta.

“Quando um setor está concentrado em forma de monopólio, a gente não pode dizer que é livre”, conclui.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com o ministro:

Folha – Há um movimento do PT pela regulamentação da mídia. O sr recebeu alguma orientação da presidente Dilma?

Violência obstétrica: a (des)humanização e a mercantilização da saúde


O Brasil vive uma “epidemia de cesáreas”, que, segundo o Ministério da Saúde, está associada à desinformação, a questões culturais e à formação dos próprios profissionais da saúde. A opção por esse tipo de parto tem dividido a classe médica e gerado dúvidas nas gestantes, que se veem submetidas às restrições dos planos de saúde e da agenda do obstetra. Em busca do empoderamento do próprio corpo, muitas dessas mulheres enfrentam uma longa trajetória até estabelecer uma relação de confiança com o médico e suas escolhas.

Os críticos ao parto humanizado, sobretudo do tipo domiciliar, dizem que a opção consiste em um ativismo radical, um preconceito ideológico, que nega os avanços da Medicina e põe em risco a vida da mãe e do bebê. Um segmento de médicos reclama que esse discurso, supostamente “humanizador”, resulta numa banalização do parto e não permite realizar intervenções necessárias, no tempo correto. Consideram-se “injustiçados” por uma corrente que apresenta um viés de “puro apelo sentimental”.