Entrevistas

“A taxa de homicídio de mulheres negras é o dobro da taxa das mulheres brancas”, destaca pesquisadora


Diversificados agentes de agressão, incluindo o Estado, maior exposição à violência tipificada na Lei Maria da Penha, inclusive no ambiente de trabalho, como no caso das trabalhadoras domésticas, e maior insegurança até mesmo dentro do lar. Estas são realidades vividas pelas mulheres negras no Brasil que evidenciam a relação intrínseca entre o racismo estruturante da sociedade brasileira e as violações de direitos sofridas cotidianamente por um quarto da população nacional.

A pesquisadora Jackeline Aparecida Ferreira Romio é uma das colaboradoras do Dossiê Mulheres Negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil (publicado pelo Ipea em 2013). Mestre e doutoranda em Demografia pelo Instituto de Filosofia e Ciência Humanas da Unicamp, Jackeline destaca o peso da escravidão, do colonialismo, da ditadura e do neoliberalismo na maximização dos índices de violência contra as mulheres negras e outros grupos, com a “função de manter o sistema de exploração e privilégios”.

A próxima vítima: Beatriz Accioly fala sobre violência sexual, silêncio das vítimas e cultura de estupro


Trinta e cinco mulheres vestidas de preto, com idades entre 44 e 80 anos e uma lembrança em comum: elas teriam sido estupradas pelo comediante Bill Cosby entre 1960 e 2000. Dentre aquelas que contam sua história na matéria “Cosby: As Mulheres, uma Irmandade Indesejada”, tema de capa da revista New York Magazine, estão as atrizes Beverly Johnson e Lili Bernard e a modelo Janice Dickinson, ao lado de outras modelos, atrizes, jornalistas, esportistas e até colegas de trabalho de seu programa de TV, A Hora de Bill Cosby.

Sonia Corrêa afirma que a criminalização da transmissão do HIV se sobrepõe a outras estratégias na resposta à epidemia


O debate sobre a criminalização da transmissão do HIV ganhou as páginas nas últimas semanas por meio de diversas reportagens na mídia. Sonia Correa, pesquisadora associada da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) e co-coordenadora do Observatório de Sexualidade e Política (SPW, sigla em inglês), afirma que a falta de informação sobre o tema e o despreparo da mídia brasileira ajudaram a criar um clima de pânico moral que afetou a sociedade brasileira nas últimas semanas. Para ela, ao deslocar o foco para um pequeno grupo que tem práticas sexuais dissidentes, como o barebacking, fica obscurecido as condições e fatores que estão no centro do debate sobre aumento da epidemia.

Como você avalia esta onda de criminalização da transmissão do HIV no Brasil?

Entrevista com Action/2015


Em janeiro de 2015, ocorrerá o lançamento da campanha action/2015 cujo intuito é mobilizar a comunidade mundial para pedir a adoção de uma agenda ambiciosa para o desenvolvimento sustentável e um acordo do clima em 2015.

Com mais de 300 organizações, redes, e parcerias representando todos os continentes e regiões – o movimento action/2015 cresce rapidamente. A Action/2015 irá motivar o público sobre a possibilidade de mudança e mobilizar cidadãos ao redor do mundo a pressionar líderes mundiais a tomarem medidas ambiciosas pelo futuro das pessoas e do planeta.

Na entrevista abaixo, Marie L’Hostis, coordenadora do Núcleo Global da campanha action/2015, e Tom Baker, Diretor de Campanhas e Engajamento da Bond, falam de sua animação com a campanha e explicam como a sociedade civil e, particularmente, as plataformas nacionais de OSCs podem participar dela.

Quem se reuniu para dar início à action/2015 e como a campanha começou?

Democracia participativa e paridade de gênero são demandas do movimento feminista nas eleições


Com pouco mais de um mês para as eleições do próximo dia 5 de outubro, movimentos e organizações da sociedade civil seguem se mobilizando na tentativa de incidir nas pautas eleitorais. Para o movimento feminista, um dos grandes objetivos é a luta por uma reforma política que amplie a presença das mulheres nos espaço de poder e a democracia participativa, para que as mulheres também possam protagonizar as principais decisões e mudanças do país.

Para Sônia Coelho, coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres, o atual processo eleitoral apresenta um setor conservador muito forte que tende a travar as discussões propostas pelo movimento, principalmente em relação a questões como o aborto. No entanto, existe uma intensa articulação entre ativistas, movimentos e organizações na busca por melhor representatividade que possa alterar esse cenário.

“Nossas cidades são um grande negócio na mão de poucos”


Joana Tavares 
Belo Horizonte (MG)

Uma das principais pensadoras sobre as cidades brasileiras, Ermínia Maricato foi secretária executiva do Ministério das Cidades, formulou propostas para a área urbana para o governo Lula e recentemente foi conselheira das Nações Unidas para assentamentos humanos, além de dar aulas na USP e na Unicamp. Convidada para o Ciclo de Debates do Brasil de Fato MG, Ermínia fala nesta entrevista sobre a crise nas cidades e as perspectivas abertas com as manifestações de junho 2013.

Brasil de Fato - O movimento das ruas de 2013 trouxe uma série de reivindicações, entre elas a questão da ocupação do espaço urbano. Que conquistas esse movimento trouxe?

David Harvey quer, além dos protestos, um projeto


Entrevista a Jonathan Derbyshire, da Prospect Magazine | Tradução: Vila Vudu

Carajás, contradições do país num só projeto


Em março deste ano, parte da população ocupou a prefeitura de Parauapebas por cinco dias, reivindicando serviços públicos básicos, como saúde, transporte e habitação. Nesse período, a entrada da Floresta Nacional de Carajás (Flonaca), onde estão localizadas as minas do complexo de Carajás, foi bloqueada pelos manifestantes. E o que, afinal, o acesso a serviços básicos tem a ver com a atividade mineradora? Pouca coisa não é. O sinal dos tempos, porém, é o posicionamento da população em relação a isso. Parauapebas é hoje um caso que ilustra contradições repetidas em todo o território brasileiro.O município ultrapassou a capital do Pará, Belém, em Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e se tornou o mais rico do Estado. Tem altíssima renda per capita. Está encravado, porém, num paradoxo brutal. Parauapebas, que ganhou o noticiário nacional devido às manifestações contrárias à mineração e em prol de melhores condições trabalhistas, tem altos níveis de violência, ausência de saneamento básico e uma infraestrutura precária.

Pesquisa aponta tendências de investimento para a causa dos direitos das mulheres


Questões ligadas aos direitos das mulheres, cada vez mais, ganham projeção na imprensa, no mercado formal de trabalho e nas discussões sobre relações familiares. Contudo, ao passo que o tema engaja parte da população, alguns assuntos ainda são encarados como tabu.

A pesquisa “Onde está o dinheiro para os direitos das mulheres no Brasil?”, que teve dados preliminares apresentados em primeira mão no Congresso GIFE 2014, aponta como investidores se associam à causa e como organizações, coletivos e movimentos sociais lutam para sobreviver com poucos recursos.

Coordenada pela AWID (Association for Women’s Rights in Development), a sondagem foi realizada entre fevereiro e maio de 2013 e contou com a participação de 403 organizações na fase quantitativa e, na etapa qualitativa, com sete entrevistas com lideranças de organizações de mulheres e feministas e oito entrevistas com financiadores.

Política Nacional de Educação Popular requer intensa participação da sociedade civil


Em 2013, a Secretaria Geral da Presidência da República determinou como prioridade em seu planejamento anual a criação de uma Política Nacional de Educação Popular (PNEP). Três processos desenvolvidos pelo Departamento de Educação Popular e Mobilização da Secretaria formaram a proposta da PNEP. São eles: o diálogo com pesquisadores/as e estudiosos/as ligados à Educação Popular, a Articulação Governamental de Processos Formativo-Educativos e a Rede de Educação Cidadã (RECID), do qual faz parte Paulo Roberto Padilha.

Representante do Conselho Diretor da Abong em São Paulo e diretor de desenvolvimento institucional do Instituto Paulo Freire, Padilha acredita que as discussões sobre experiências e implementações no âmbito da educação popular requerem intensa participação da sociedade civil. "Se buscamos, de fato, ter uma sociedade e um Estado democrático, a Educação Popular, nos termos aqui defendidos, é fundamental nesse processo", afirma.