Novembro reforça a luta e a resistência das mulheres negras no Brasil


Novembro é um mês importante para as mulheres negras no Brasil. O dia 20 – Dia da Consciência Negra – e o dia 25 – Dia Latino-americano e Caribenho pelo fim da violência contra a mulher – são duas datas simbólicas para trazer à memória a história de luta e resistência das mulheres negras e refletir sobre as condições atuais de vida dessa população. Diante disso, diversos movimentos e coletivos feministas do Recife e Região Metropolitana realizam a Jornada Feminista em Combate ao Racismo e à Violência contra a Mulher, que iniciou no dia 11 e vai até o dia 25 desse mês com uma vasta programação.

Combate à cultura do assédio: por que devemos registrar a “cantada” de rua na delegacia


“Lute por seus direitos”, diz ilustração da artista Debi Hasky

Certa noite, Fernanda* chegou em casa e foi assediada no elevador do próprio prédio onde mora. “Gostosa, quanto é o programa?”, falou no seu ouvido um homem desconhecido se aproximando muito além do que ela gostaria. Ela reagiu com raiva e xingou o homem, que fugiu. Só que a portaria exige que todas as pessoas que entram no prédio deixem seus dados em um caderno. Fernanda, que é formada em Direito, recolheu os dados e foi até a delegacia mais próxima, a três quadras de onde mora. No caminho, passou por mais um assédio: três homens que cruzaram seu caminho tentaram se aproximar dela falando de sua aparência. Ao chegar na delegacia, um policial lhe atendeu de má vontade e registrou errado seu boletim de ocorrência, classificando o crime de injúria, como se ela tivesse se ofendido por ser confundida com uma prostituta, o que não foi o caso.

Assim se converte a floresta em dinheiro


Especialista do Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais alerta para riscos de inserir Brasil no mercado internacional de carbono — como quer o governo Temer

Por Daniel Santini*

Na sexta-feira, 4 de novembro, entrou formalmente em vigor o Acordo de Paris, aprovado na 21ª Conferência da ONU sobre o Clima, há cerca de um ano. O texto, ratificado pelo Brasil em 12 de setembro, estabelece como uma de suas bases a métrica “carbono” como unidade de medida para a economia internacional. Trata-se de um passo importante na estruturação de um mercado internacional em que empresas, países e regiões poderão justificar poluição, desmatamento, contaminação e destruição ambiental por meio de créditos ambientais adquiridos em zonas distantes. Agora, as negociações para aprofundar e detalhar o modelo devem prosseguir na 22ª edição da Conferência, que acontece de 7 a 18 de novembro em Marraqueche, no Marrocos.

Para 70% dos brasileiros, policiais cometem excessos de violência


Uma pesquisa nacional divulgada no dia 2 de novembro aponta que 70% da população sente que as polícias cometem excessos de violência no exercício da função. O percentual sobe entre jovens com idade entre 16 e 24 anos, chegando a 75%. Os dados foram apurados pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Mais da metade da população (53%) tem medo de ser vítima de violência por policiais civis e 59% temem ser agredidos por policiais militares. O índice também sobe entre os jovens – 60% têm medo da Polícia Civil e 67%, da Polícia Militar. O estudo ouviu 3.625 brasileiros com mais de 16 anos em 217 municípios de todo país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Policial vítima

A pesquisa revelou também que 64% dos brasileiros acreditam que os policiais são vítimas de criminosos. O anuário do FBSP aponta que, em 2015, 393 policiais foram assassinados 16 a menos do que no ano anterior.

Indígenas protestam contra expansão do agronegócio e em defesa de seus direitos


Protesto contra expansão do agronegócioCerca de 150 indígenas iniciaram protesto no dia 8 de novembro, no início da tarde, diante da casa utilizada para reuniões pela Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), em Brasília. Em seguida, o grupo foi para a Embaixada do Japão, onde protestou contra o apoio de empresários japoneses ao agronegócio, especialmente contra o Plano de Desenvolvimento Agropecuário Matopiba (a sigla se refere aos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Embora o decreto presidencial nº 8852 de 18 de outubro passado tenha colocado um fim nesse plano, os investimentos japoneses e de outros países nesses estados continuam.

Curso "Tudo que você precisa saber antes de escrever sobre ONGs"


A Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), através do projeto Observatório da Sociedade Civil, lançou um curso de Educação a Distância (EaD) voltado para estudantes e profissionais da comunicação, principalmente jornalistas.

Intitulado de “Tudo que você precisa saber antes de escrever sobre ONGs”, o curso é gratuito e procura explicar de modo simples o conceito de Organização da Sociedade Civil (OSC), como ela surge, onde atua e quem financia suas ações. A ideia de produzir um curso à distância com este tema inicia-se com a necessidade de quebrar mitos e preconceitos, desfazendo mal-entendidos gerados em torno das ONGs e movimentos sociais.

O curso é dividido em quatro aulas: O que é e para que serve uma ONG?; Fundação, Associação ou OSCIP – Dando nome aos bois; Por que eu deveria ouvir uma ONG para minha matéria?; O dinheiro das ONGs. Com o apoio do Instituto C&A, foi desenvolvido na Plataforma de EAD da Abong e é autoinstrucional, ou seja, os/as alunos/as são quem organizam suas aulas de acordo com ritmo de aprendizagem e disponibilidade de tempo, sem participação direta de professores/as ou tutores/as.

Acordo de Paris agora é lei


O Acordo de Paris contra a mudança do clima entrou em vigor nesta sexta-feira. De hoje em diante, ele é lei em todos os países que o ratificaram. Cada cidadão, governo, empresa e organização da sociedade civil torna-se hoje legalmente comprometido com a tarefa de estabilizar o aquecimento global em bem menos de 2ºC em relação à era pré-industrial e fazer esforços para limitá-lo a 1,5°C.

“O acordo do clima passa a vigorar quatro anos antes do prazo oficial de 2020. Em vez de enxergar isso como oportunidade para adiar sua regulamentação até lá, os governos do mundo inteiro precisam correr para deixá-lo plenamente operacional bem antes disso”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. 

“Todas as grandes economias precisam desde já ampliar radicalmente suas políticas climáticas já adotadas para 2020 e anunciar o aumento da ambição de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas já em 2018. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente acaba de dizer que, se esperarmos até 2020 para agir com ambição, fecharemos a porta para o objetivo de 1,5ºC – e condenaremos vários países e ecossistemas à extinção.”

Instituto Patrícia Galvão divulga dossiê sobre feminicídio #InvisibilidadeMata


Nomear o problema – o feminicídio – é certamente um passo fundamental, mas é preciso conhecer sua dimensão e desnaturalizar práticas, enraizadas nas relações pessoais e instituições, que colaboram para a perpetuação da violência contra as mulheres até o desfecho fatal.

Registros de estupros caem 10%, mas Brasil ainda tem 5 casos por hora


O número de estupros notificados no Brasil caiu 10% em 2015 na comparação com o ano anterior, segundo dados do 10º Anuário Brasileiro da Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (3) pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública.

No ano passado, foram notificados 45.460 estupros, uma taxa de 22,2 casos por 100 mil habitantes, contra 50.438 de 2014 –taxa de 24,9 por 100 mil.

Caso de estupros no Brasil

2014 – 50.438

2015 – 45.460

Em média, no ano passado, houve um estupro a cada 11 minutos e 33 segundos, pouco mais de cinco pessoas estupradas por hora. Segundo os dados, 24% dos casos ocorreram nas capitais e Distrito Federal.

O número de tentativas de estupro também caiu, de 7.846 (2015) para 6.988 (2014), redução de 10,9%.

Entre os Estados, o Acre tem a maior taxa de casos do país, com índice de 65,2 por cada 100 mil habitantes. Já o Espírito Santo tem a menor taxa, de 5,2.

Caso de tentativas de estupro

2014 – 7.846

2015 – 6.988

Duas análises possíveis

Maria do Rosário sobre ocupações de estudantes: “É um movimento profundamente pedagógico para todos”


Portal Fórum – Qual a sua avaliação a respeito das ocupações em escolas de todo o país? Que mensagem essa juventude tem passado sobre a necessidade de uma educação mais consciente e participativa?

Maria do Rosário - Considero que as ocupações em todo o Brasil demonstram a consciência política da nossa juventude. Essas meninas e meninos estão se apropriando da escola como um espaço seu e lutando pelo direito a uma educação de qualidade. Trata-se de um movimento profundamente pedagógico para todos os que participam e para a escola em si.

Além do debate educacional propriamente dito, estão mostrando para a sociedade que ela não pode aceitar passivamente os inúmeros e contínuos ataques que a democracia sofre no Brasil. Esses jovens são o rosto renovado, mais horizontal, menos institucionalizado, de uma inquietude que há muitas décadas é símbolo do movimento estudantil, que nos momentos mais difíceis sempre demonstrou sua força por meio de jovens que lutaram e lutam em prol de ideais libertários de justiça, igualdade, e em prol da democracia.