2016: o que fazer com a desesperança


por Bárbara Natália Lages Lobo*

Há quem fale que 2016 se prolongará pelos próximos 20 anos. Enganam-se!

Em 2016, retrocederemos, pelo menos, 20 anos.

Retornamos à época do acordo com os ditadores, que resultou na Assembleia Constituinte. Aquela era a época de se reconhecer a moratória dessa dívida que pagamos há anos.

Voltamos à época do acirramento das desigualdades sociais, em vez de sua eliminação, de vermos a parcela mais torpe da nossa sociedade comer todas as fatias do bolo que crescia. Voltamos às desigualdades raciais. Retrocedemos em liberdades sexuais pela consolidação da cultura do estupro.

33 homens contra uma menina. 53 senadores contra a Constituição.

Assistimos à horda de homens brancos, velhos e ricos que ditam as regras contra a população impotente, iludida e conivente.

Sim. A população brasileira está dividida: impotência, ilusão e conivência. Encontre-se em um desses grupos. Encontre-se em sua consciência.

O lábaro do autoengano - ensaio sobre o retrocesso nos direitos indígenas


Floresta não tem preço

*texto e foto por Helio Carlos Mello

Pesquisa: 67% dos brasileiros acham que violência sexual acontece porque homem não controla impulsos


Placa escrito machismo mataDados preliminares da pesquisa “Violência Sexual – Percepções e comportamentos sobre violência sexual no Brasil”, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, apontam que ainda é alta a porcentagem de brasileiros que concorda com frases que de alguma maneira justificam a violência sexual: Alarmantes 67% dos participantes acreditam que a violência sexual acontece porque os homens não conseguem controlar seus impulsos; 58% colocaram a culpa no álcool ou nas drogas e 32% creditaram a violência sexual à presença de “problemas mentais”.

A pesquisa, realizada em julho de 2016, ouviu 1.000 pessoas de ambos os sexos. Entre os homens, 42% disseram que a violência sexual acontece porque a mulher provoca, enquanto 69% das mulheres associaram a violencia ao machismo.

O que pensam os usuários de crack atendidos pelo programa De Braços Abertos


Centro de São Paulo, região da Luz. O alvo de uma das maiores polêmicas da cidade, que já permeia várias administrações e campanhas eleitorais, se concentra em apenas um quarteirão de cerca de 100 metros de extensão, no trecho da alameda Dino Bueno entre a rua Helvétia e o largo Coração de Jesus. É ali que se localiza o “fluxo” – um aglomerado de usuários e vendedores de crack que chega a reunir cerca de 500 pessoas.

Nossa reportagem passou cerca de um mês no local para produzir o minidoc Noia, agraciado no 8º Chamado Público do Núcleo de Jornalismo do Canal Futura.

Contrariando a ideia geral que classifica os usuários como “zumbis”, a reportagem compreendeu que o fluxo está em constante movimento. No meio da rua ficam as barracas de venda da droga – carros não passam. Nas calçadas os usuários consomem o que acabaram de comprar. O movimento é contínuo: usuários vão até a rua, compram a pedra, voltam para a calçada, consomem, entram de novo, compram mais, voltam para a calçada. Tudo é trocado, oferecido, pedido, num escambo contínuo: “Quem troca um maço de cigarro numa bermuda?”, “Quem tem um isqueiro pra trocar num cachimbo novo?” – as pessoas gritam.

Manifesto de Guadalajara pelos Direitos e Governança da Internet no Brasil


Nós, representantes de organizações da sociedade civil de todo o mundo presentes no 11º Fórum de Governança da Internet em Guadalajara, México, nos unimos para expressar nossa preocupação com as mudanças de políticas relacionadas ao acesso, governança e uso da Internet que têm ocorrido no Brasil este ano.

Movimentos sociais protocolam pedido de impeachment de Temer


Representantes de movimentos sociais protocolaram na última quinta-feira (8) na Câmara dos Deputados um pedido de impeachment contra o presidente Michel Temer. O documento é assinado por dezenove pessoas, entre juristas e líderes de organizações da sociedade civil, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).

O documento foi entregue à Secretaria-geral da Mesa Diretora da Câmara. De acordo com o texto, há “fortes indícios de atos ilícitos” por parte de Michel Temer no episódio em que o ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, pressionou o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, para que interviesse junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) a fim de liberar a construção de um edifício de alto padrão em Salvador, onde Geddel adquiriu um imóvel.

Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), afirma que o documento denuncia Temer pelo crime de advocacia administrativa, ou seja, utilização do cargo para patrocinar interesses particulares.  Freitas aponta que  o presidente apoiou em vez de reprimir um ministro que cometeu irregularidade.

Fórum Social Panamazônico: um novo modelo de globalização é possível?


Em 2017, comunidades tradicionais, povos indígenas e movimentos sociais de nove países da América Latina irão se reunir no Fórum Social Panamazônico,  entre os dias  28 de abril e primeiro de maio, na cidade de Tarapoto, no Peru. Para colocar em pauta desde já os temas que serão abordados no encontro, a Pulsar Brasil lançou uma série de dez reportagens especiais.

A série “Fórum Social Panamazônico – Um olhar do Brasil” traz a voz de especialistas e dos povos tradicionais sobre os temas que envolvem a vida, a identidade e os problemas enfrentados na floresta.

Esta primeira reportagem pretende abordar o que se pode esperar da oitava edição do Fórum. O encontro é estratégico para conter o avanço do impacto socioambiental  causado pelos megaprojetos e fortalecer as experiências de respeito à natureza e valorização da cultura popular.

Brasil, Equador, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Peru, Suriname, Guiana e Guiana Francesa irão se reunir para uma discussão profunda sobre um novo modelo de civilização.

Assista o vídeo teaser sobre a série de reportagens:

Ninguém vai tirar a Virada Cultural de nós!


Por Paulo Novielo, jornalista e ativista cultural, especial para os Jornalistas Livres

Virada Cultural em São Paulo

Sim, fui eu que criei o evento “Virada Cultural C L A N D E S T I N A de São Paulo 2017. Faz mais ou menos 24 horas. Eu tinha chegado em casa depois de um dia corrido, abro o Twitter no celular e me deparo com a notícia do G1: “Dória transfere a Virada Cultural para Interlagos e diz que São Paulo é um ‘lixo vivo’”. O sangue subiu na hora. Foi como um tapa na cara. Sou um paulistano, nascido e criado nessa cidade maluca, neurótica e fascinante, e apaixonado por essa metrópole difícil de amar.

PEC da Reforma da Previdência chega ao Congresso e é criticada por centrais sindicais


Nesta segunda-feira (05), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma da Previdência Social foi protocolada pelo presidente da República, Michel Temer (PMDB), na Câmara dos Deputados. Tramitando com o número PEC 287/2016, o texto prevê mudanças como idade mínima de 65 anos para aposentadoria e até 50 anos de contribuição para recebimento de benefício integral, e é criticado por sindicalistas.

De acordo com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Vagner Freitas, a idade mínima “não é justa com a classe trabalhadora, em especial com os que começam a trabalhar mais cedo e as mulheres”. Adílson Araújo, presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), participou do encontro de apresentação da proposta aos líderes sindicais e diz que se ela avançar, greve geral nacional pode ocorrer nos próximos três primeiros meses de 2017.

A Reforma da Previdência é uma das prioridades do governo Temer, com a justificativa de tentar equilibrar as contas públicas. Segundo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), a proposta deverá ser votada ainda no primeiro semestre de 2017.

Mudanças

Quilombolas discutem Cadastro Ambiental Rural (CAR) em seus territórios


Foto por Victor PiresO movimento quilombola discutiu a implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) nos territórios quilombolas, num seminário realizado, no fim de novembro, em Brasília, por iniciativa do ISA e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

As lideranças reunidas no evento criticaram o modo como o CAR está sendo feito nas comunidades. Um dos pontos mais polêmicos é o cadastramento individual, por família, ao invés de um coletivo, englobando todo o território tradicional. Quando oficializados pelo Estado, os títulos dos territórios quilombolas são coletivos, portanto, essas áreas não podem ser fracionadas em lotes individuais nem vendidas.