Capitalismo de Vigilância, Eleições e o esgarçamento da Democracia


Flávia Lefèvre (*)

Em dezembro de 2017, publiquei algumas preocupações a respeito do processo eleitoral de 2018 e as ameaças à liberdade de expressão, especialmente por conta da escalada da discussão e histeria a respeito das chamadas fake news ou notícias falsas. De lá para cá essas preocupações se confirmaram. Principalmente as ponderações no sentido de que a grande ameaça que sofremos hoje não são as chamadas fake news, mas sim o poder das grandes plataformas da Internet que atuam em escala monopolista, como o Facebook e o Google em conjunto com outras empresas que integram seus grupos econômicos no cenário político em que nos encontramos.

Tim Berners-Lee: a Web está ameaçada


Hoje (12 de março de 2018) é o 29.º aniversário da World Wide Web. Aqui está uma mensagem do fundador da Web Foundation, Sir Tim Berners-Lee, sobre o que precisamos para garantir que todos têm acesso a uma web que vale a pena ter.

Hoje, a World Wide Web faz 29 anos. Este ano é um marco na história da web: pela primeira vez, iremos ultrapassar o ponto crucial em que mais de metade da população mundial estará online. Quando partilho esta notícia emocionante com as pessoas, tenho tendência a obter uma de duas reações de preocupação:

Cândido Grzybowski: Os Desalentos


Na última semana, o IBGE divulgou dados sobre emprego no Brasil no quarto quadrimestre de 2017, com base na PNAD Contínua. De uma perspectiva de cidadania, continuamos mergulhados em uma grave crise de violação do direito ao trabalho de todas e de todos. Do total da força apta para trabalhar do país, 11,8% estava desocupada, que somada àquela que trabalha menos do que desejaria e poderia, temos uma taxa de subutilização de 23,6% no quadrimestre, aproximadamente uma pessoa em cada quatro do total. São mais de 26 milhões de brasileiros condenados a viver tal situação. Estamos diante de um câncer corrosivo do próprio sentido de ser integrante e conviver num mesma sociedade.

Deputadas argentinas tentam votar lei sobre aborto no Dia da Mulher


Deputadas de diversas regiões argentinas estão se mobilizando para votar a realização de aborto até a 14ª semana no dia 8 de março.

As congressistas Mayra Mendoza, Mónica Macha e Lucila Masin assinaram o documento solicitando uma sessão especial no Dia Internacional da Mulher.

O governo argentino já havia deixado o caminho livre para que o assunto fosse discutido no Parlamento sem que precisasse passar por comissões especiais.

Porém, os líderes da coalizão Cambiemos (Mudemos, em tradução livre) já afirmaram que não participariam da sessão pois a decisão precisa ser tomada “passo a passo”, segundo o jornal Clarín.

O presidente Maurício Macri, que foi eleito por essa coalizão, afirmou que os deputados devem votar de acordo com suas consciências. A afirmação de Macri representa a cisão que o tema tem causado no país.

Aborto divide partidos

A presença dos copartidários de Macri é fundamental para que se consiga preencher o quórum mínimo de 129 deputados para iniciar a sessão especial.

Organizações da sociedade civil se manifestam contra intervenção no Rio de Janeiro


A Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), entidade que articula centenas de instituições de defesa de direitos em todo o Brasil, publicou na segunda-feira (19) uma nota pública em que critica a intervenção federal no estado do Rio de Janeiro. A intervenção transfere para o general do Exército Walter Souza Braga Netto, do Comando Militar do Leste, plena autoridade sobre toda a política de segurança pública no Estado. Na nota, a Abong afirma que a medida “estabelece um estado de guerra” e criminaliza a sociedade.

Entrevista com a biológa Nurit Bensusan: devastação do Cerrado e crise hídrica


A capital federal continua vivendo sua mais grave crise hídrica. No ano passado, os dois principais reservatórios do DF, do Descoberto e de Santa Maria, chegaram a cerca de 5% e 21% de sua capacidade total, respectivamente. O racionamento de água completa mais de um ano. Os candangos ficaram, em média, 2 meses sem água nas torneiras – 24 horas a cada seis dias. Apesar das duas represas terem se recuperado, 2017 terminou com o volume de precipitações 15% abaixo do esperado. Ainda não se sabe quando o racionamento vai terminar.

A situação em Brasília é só o caso mais recente de um problema sério ainda enfrentado por vários Estados do Nordeste e pelo qual passaram São Paulo e Rio de Janeiro. E isso num cenário de agravamento de eventos climáticos extremos. Em geral, são eles a causa dessas crises, mas os especialistas já comprovaram que o desmatamento desenfreado está agravando o desabastecimento de água.

A crise hídrica acrescenta dramaticidade ao julgamento das ações contra a Lei de Proteção da Vegetação Nativa (12.651/2012), que revogou o Código Florestal de 1965. O caso será retomado no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta (21/2).

Celso Amorim: “Para quem viveu os tempos da ditadura, essa prioridade absoluta da segurança interna é preocupante”


Ex-ministro das Relações Exteriores no governo de Luís Inácio Lula da Silva e da Defesa durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff, o diplomata Celso Amorim considera “grave” a permissão para que as Forças Armadas atuem na segurança pública do estado do Rio de Janeiro. Para ele, é um erro separar o problema da segurança de questões sociais econômicas, como educação, saúde e emprego. “É um ataque ao sintoma e não às causas reais”, afirma.

A intervenção foi determinada por decreto presidencial assinado pelo presidente Michel Temer na última sexta-feira (16). Caso aprovado na Câmara dos Deputados em votação nesta segunda (19), segue para o Senado. A primeira operação após o anúncio da medida se iniciou na tarde desta segunda-feira na zona norte do Rio.

Em entrevista à Pública, Amorim falou também sobre o crescente fluxo de imigrantes venezuelanos ao Brasil e a forma com que o governo Temer tem lidado com a situação. Ambas as ações são, para ele, resultado de uma visão que tem a segurança interna como prioridade, em meio a “uma onda publicitária do governo para tentar encobrir os aspectos negativos da política econômica e social”.

Intervenção militar no Rio é fim, não é consequência


Por Hildegard Angel em seu blog

Sabendo dessa súbita decisão de se intervir militarmente no Rio, temos que dar o devido crédito à Globo, que fomentou, através de seus veículos, esse clima de horror e insegurança na população do Rio de Janeiro, onde não parece que houve carnaval. Só crimes.

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

No último mês todos os telejornais da emissora iniciaram com crianças mortas em tiroteios no Rio. Todos. E flagrantes de assaltos. Três ou quatro imagens de celulares, que eles repetiam à exaustão. Carnaval do Recife só tinha frevo. Da Bahia, só axé. Do Rio, só destacaram violência, o carnaval vinha depois. Vergonha. Como os jornalistas da emissora se prestam a isso? Vão arder no mármore do inferno dos comunicadores.

Carta de Repúdio ao black face no Festival de Marchinhas de Ubatuba


(Photo: Brittany Jones-Cooper)O Coletivo Afrobrasilidades – Articulação Negra de Ubatuba – vem por meio desta carta apresentar sua indignação e repúdio ao black face apresentado pelos artistas Julio Mendes e Claudia Gil durante o Festival de Marchinhas Carnavalescas de 2018. A apresentação de duas músicas, pela dupla, inscritas no evento contou com essa “performance” historicamente opressora e racista e, como se não bastasse, o corpo de jurados do festival  premiou  uma delas como melhor fantasia dentre as demais apresentadas.

Diante de tal situação, que mais uma vez coloca o negro enquanto ser ridicularizado, como elemento à margem da sociedade, carregado de chacota, estereótipos e demais estigmas de um país que viveu séculos de escravidão, nós, ativistas desse movimento negro, nos colocamos perante a Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba – FundArt e à esses artistas para evidenciar que tal ato é violento.

No país com mais empregadas domésticas, a vida de 7 milhões de mulheres é uma luta


No início deste mês, o Brasil ratificou um tratado que oferece mais segurança às trabalhadoras; Número de profissionais está em declínio pelo esforço das novas gerações em buscar outros trabalhos

“Levanto todos dias às cinco da manhã, e todos os dias minha vida é uma luta”.  Edilene Pereira divide seu tempo entre trabalhar como diarista duas vezes por semana e cuidar sozinha de seus quatro filhos. Faz quatro anos que ela deu à luz a duas meninas gêmeas, sendo que uma delas, Alícia, nasceu com microcefalia e paralisia cerebral. Quando Edilene não está trabalhando, se dedica a levar a menina bem cedo a sessões de fisioterapia e fonoaudiologia em três lugares diferentes. Seu sonho, ela conta, é ver os filhos formados na faculdade e todo seu esforço recompensado. “Qual mãe não sonha com isso?”, questiona ela da casa onde trabalha, no bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo.