No país com mais empregadas domésticas, a vida de 7 milhões de mulheres é uma luta


No início deste mês, o Brasil ratificou um tratado que oferece mais segurança às trabalhadoras; Número de profissionais está em declínio pelo esforço das novas gerações em buscar outros trabalhos

“Levanto todos dias às cinco da manhã, e todos os dias minha vida é uma luta”.  Edilene Pereira divide seu tempo entre trabalhar como diarista duas vezes por semana e cuidar sozinha de seus quatro filhos. Faz quatro anos que ela deu à luz a duas meninas gêmeas, sendo que uma delas, Alícia, nasceu com microcefalia e paralisia cerebral. Quando Edilene não está trabalhando, se dedica a levar a menina bem cedo a sessões de fisioterapia e fonoaudiologia em três lugares diferentes. Seu sonho, ela conta, é ver os filhos formados na faculdade e todo seu esforço recompensado. “Qual mãe não sonha com isso?”, questiona ela da casa onde trabalha, no bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo.

Em vitória histórica de quilombolas, STF declara constitucional decreto de titulações


Os quilombolas de todo o Brasil tiveram, ontem (8/2), no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vitória histórica em defesa de seu direito à terra. Já o governo de Michel Temer, a bancada ruralista, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) sofreram uma derrota igualmente importante.

Por 10 votos a 1, os ministros declararam constitucional o Decreto 4.887/2003, que regulamenta a oficialização dos quilombos e é considerado um avanço no reconhecimento do direito à terra dessas populações.

Que tiro foi esse?


Mario Tama/Getty Images

Por Cristiana Cordeiro*

O asfalto está começando a sentir o bagulho doido que rola na favela. A mãe não consegue sair pra trabalhar porque o tiro tá comendo solto. As crianças não sabem o que é passar um dia sem ouvir zunido de bala. E depois vai alguém dormir com um barulho desses!

O pai de família é preto e pobre. Já sabe que vai levar dura e tem que ser de cabeça baixa, senão rola esculacho. Não tem emprego não, tem trabalho: suado e cada vez mais precarizado.

Mulheres passam a procurar ajuda na primeira ameaça, revela Casa da Mulher


A Casa da Mulher Brasileira completou três anos de inauguração e comprova em números que a campo-grandense está se sentindo mais segura e informada. Balanço da unidade, aponta que os perfil das denúncias mudou, pois as vítimas que chegavam gravemente feridas, agora procuram auxílio na primeira ameaça.

A coordenadora geral da casa, Tai Loschi, informou em coletiva nesta quinta-feira, 1º de fevereiro, que nesses três anos foram feitos 34.631 atendimentos na recepção e, deste total, 179.877 resultaram em encaminhamentos judiciais.

Aumento da tarifa de transporte afeta saúde psíquica dos pobres, acredita psicanalista


Por Igor Ojeda, Le Monde Diplomatique Brasil

Não é só pelos 20 centavos.

Quer dizer, para as famílias mais pobres, o aumento de R$ 3,80 para R$ 4,00 nas tarifas de ônibus, metrô e trem em São Paulo, determinado pelo prefeito João Doria e pelo governador Geraldo Alckmin nesta virada de ano, não causam impacto apenas no orçamento. A maior restrição à mobilidade afeta, como consequência, a saúde psíquica das pessoas de baixa renda. Quem propõe essa análise é o psicanalista Daniel Guimarães, um dos criadores da Clínica Pública de Psicanálise. Ele escreveu sobre a hipótese num artigo para o site Outras Palavras.

“O meu ponto é baseado em levantamentos recentes de que o sofrimento psíquico, incluindo formas mais agudas como a loucura, é maior entre a população pobre. Portanto, qualquer medida que afete economicamente a população de forma negativa a coloca em riscos maiores dos que os que já vive. O que fiz, agora com alguns recursos da psicanálise, foi levar esse argumento para a dimensão da saúde psíquica”, explica.

Pesquisa da Ancine sobre filmes lançados no Brasil em 2016 mostra ausência de diretoras negras


De cada quatro longas lançados no País naquele ano, três tiveram como diretores homens brancos; esses e outros dados foram levantados na pesquisa “Diversidade de gênero e raça nos lançamentos brasileiros de 2016”

O Brasil tem mais de 50 milhões de mulheres negras, mas no ano de 2016 nenhuma delas dirigiu ou roteirizou um filme. De cada quatro longas lançados no País naquele ano, três tiveram como diretores homens brancos. Os dados, que espelham a desigualdade de gênero e raça no País – segundo o IBGE, 54% da população é de negros e pardos e 51,6% é feminina, sendo que em dez pessoas, três são mulheres negras –, foram levantados na pesquisa “Diversidade de gênero e raça nos lançamentos brasileiros de 2016”, que a Agência Nacional de Cinema (Ancine) divulga nesta quinta, 25.

"Em 2018, as feministas vão estar na rua!” - entrevista com Sonia Corrêa


Sonia Corrêa é feminista e investigadora em estudos de género, com inúmeras publicações na área dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Desde 2002, é também co-coordenadora, com Richard Parker (EUA/Brasil), do fórum global Sexuality Policy Watch(Observatório de Sexualidade e Política), e investigadora associada da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) e do Departamento de Estudos de Género da London School of Economics and Political Science(link is external).

No final de dezembro de 2017, Sonia Corrêa esteve em Lisboa e conversou com o Esquerda.net sobre a primavera feminista que tem sacudido o Brasil, desde 2015, e também sobre os avanços e recuos na já tão longa luta pelo fundamental direito ao aborto. Não há desistências, “em 2018, as feministas vão estar na rua!”, garantiu-nos.

Dependentes do rio Doce, com medo da água


Foto: Bruno Fonseca/Agência Pública

Davi Sales não confia na água tratada do rio Doce que chega às torneiras de sua casa, em Governador Valadares, Minas Gerais. Motorista e vendedor de frutas, ele utiliza água mineral engarrafada para beber e cozinhar para si e a esposa – grávida do primeiro filho. A rotina que já dura mais de dois anos consumiu cerca de R$ 1,5 mil de seu orçamento familiar.

A mesma água encanada chega à residência de Lilian Meireles, uma casa simples de chão barrento à beira do rio Doce, no bairro São Tarcísio. Lilian e a mãe idosa não confiam no tratamento da água, mas não têm condições financeiras de comprar água mineral. Segundo elas, a desconfiança cresce no período chuvoso quando o nível do rio sobe, deixando turva a água das torneiras.

Ativistas do Levante Popular da Juventude são presos em Porto Alegre


Acusadas de formação de quadrilha e incêndio criminoso, 16 pessoas foram presas ontem (24) em Porto Alegre, após a divulgação do resultado do julgamento do ex-presidente Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

São 13 mulheres e 3 homens, todos parte do movimento Levante Popular da Juventude, segundo informações do coletivo Mídia Ninja. Uma pessoa que estava na rua e tirou fotos da ação também foi detida e passou a noite algemado, em situação vexatória e sem acesso às necessidades básicas. Ela não fazia parte do grupo.

A deputada Manuela D'avila (PCdoB-RS) esteve há pouco em frente ao presídio feminino, onde declarou que mantêm a expectativa de que as ativistas ganhem liberdade, como foi anunciado pela Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe).

“A detenção de ativistas em Porto Alegre logo após o resultado do julgamento dos recursos do ex-presidente Lula resgatou o arbítrio e truculência característicos da atuação das Polícias Militares brasileiras”, afirma o coletivo. “Direitos preconizados na Constituição Federal foram ignorados durante a condução e custódia dos militantes”.

“Ser negra dentro da universidade é fazer o dobro para ser reconhecida”


“Professores duvidavam da minha capacidade e cheguei a receber nota inferior, mesmo tendo feito tudo o que todo mundo fez”, conta Juliete a história de Juliete e todos os percalços que atravessou junto à sua família para alcançar o diploma de mestre.

Nesta semana, uma pesquisa sobre o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2016 mostrou que 72% dos estudantes que tiraram as mil maiores notas do exame são meninos, mesmo as garotas sendo maioria no total das inscrições. Os números mostram não apenas uma disparidade de gênero, mas também racial. Dentre as notas mais altas, que são aquelas acima de 781,68, só 6% são de jovens negras, enquanto os meninos brancos totalizaram quase 50% das melhores notas, no entanto, representam 15% dos inscritos. Esses números não são isolados, são recorrentes diante de nossa realidade enquanto mulheres periféricas.