Visibilidade lésbica: pior preconceito é no ambiente familiar, diz pesquisadora


Elas são inexistentes para o poder público, enfrentam preconceitos no ambiente de trabalho, são vítimas de violência física e moral e, muitas vezes, não são aceitas dentro da própria família. Para combater o tabu presente na sociedade em relação à orientação homossexual de mulheres, estabeleceu-se o 29 de agosto como Dia Nacional da Visibilidade Lésbica

A pesquisadora da lesbianidade Bianca Chella, em entrevista nos estúdios do Seu Jornal, da TVT, relata que a invisibilidade da população lésbica persiste inclusive nos círculos acadêmicos. Segundo ela, até na área de saúde sexual faltam pesquisas voltadas para o público lésbico que, por desinformação, fica mais vulnerável a todo tipo de preconceito e até de doenças. 

A ponte entre Belo Monte e o cobre da reserva


Em dezembro de 2011 centenas de jovens bloquearam a avenida Paulista, deitando-se no asfalto, simbolizando o que morreria com a construção da hidrelétrica de Belo Monte.  O ovo do belo monstro, em alegoria ideal, fora botado às margens do rio Xingu em 1972 pela promiscuidade militar e os negócios amazônicos, os desejos do país do futuro. O ovo não gorou e a choca percorreu muitos governos, no ninho quente das polêmicas.

Em 2005 deu-se os primeiros trincos na casca do ovo da serpente com o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) nº 1.785/05 aprovado pela Câmara, em julho e posteriormente no Senado, sendo denominado PDS nº 343/05. Sua construção começou em 2010 envolvendo os municípios de Vitória do Xingu, Senador José Porfírio e Altamira, no estado do Pará. Muitos foram os protestos dos povos indígenas e movimentos sociais. Várias disputas judiciais ao longo do processo e conjunturas políticas e econômicas marcaram a gestação e trajetória de Belo Monte, até sua inauguração pela presidente Dilma Rousseff em 5 de maio de 2016.

Governo temerário traz a fome de volta


É preciso resistir mais que nunca e lutar para impedir os retrocessos. A maioria da população só tem a perder com o arranjo político em exercício

Por Nathalie Beghin e Iara Pietricovsky*

As Nações Unidas abrigaram recentemente em Nova York uma reunião de alto nível para discutir o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Um dos temas em discussão foi o Objetivo 2, batizado de Fome Zero, inspirado na bem-sucedida experiência brasileira de eliminar a fome, atestada pela FAO em 2014.

Note-se a relevância que o Brasil já teve no cenário internacional, pois suas políticas públicas foram capazes de influenciar um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, assinada em 2015 por 193 países.

Xinguanos protestam contra indicação política na Saúde


Xinguanos ocupam pacificamente o Dsei de Canarana (MT) desde o dia 25 de agosto|Kamikiá KisêdjêOs indígenas do Território Indígena do Xingu (TIX) exigem a revogação imediata da Portaria nº 2.058, que exonerou a coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena, Alessandra Santos Abreu, indicada por eles no ano passado. Para o lugar dela foi nomeada Creusa Lopes Farias no lugar. Os indígenas alegam que a nomeação tem cunho político e que ela não é apta para o cargo.

Belo Horizonte: A Ocupação está de volta contra políticas higienistas


Dezenas de coletivos autônomos de Belo Horizonte se mobilizaram para organizar um ato político e cultural nesse domingo, 27 de Agosto. A Ocupação 9 – A Rua Vive! contará com 12 horas de programação para diversos públicos, contando com atrações musicais, performances teatrais, aulas e oficinas, além de brincadeiras infantis. “Esperamos uma festa maravilhosa no domingo” disse Nathalia Orleans Barcelos, ativista do movimento Viaduto Livre e uma das colaboradoras desta edição de A Ocupação. “Temos muita gente somando, muita gente querendo fazer acontecer e buscando que algo diferente aconteça na cidade”,

No apagar das velas


Age na calada o que destrói. Época de grandes atentados, não seria diferente com a floresta. A Reserva Nacional do Cobre foi extinta entre Amapá e Pará. Tumucumaque, Paru, Maicuru, Jari, Cajari, Iratapuru, Waiãpi; tudo vivo inibe agora ao metal para moeda, minérios para receitas, é necessário suprir o déficit.

Na noite o corpo habita outras formas nos dias desse momento, não sabemos se é o porte ou a luz que inibe o tom das cores, mas ao breu e seus ardis se mostra, em economia, o país . Temer desregula o que se mantinha ao resguardo, quer em golpe comercializar o ouro da terra.

Nos anos 80 uma geração pedia demarcação. Agora no século 21 desmarcam. Por que retrocedemos tão rapidamente em noite fria?

Em vigília guarda o índio o fogo. O silêncio nos congela.

Decreto 9142/17: https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/491144356/decreto-9142-17

Sistema político inviabiliza eleição de negros para cargos legislativos


Para alguém que entra numa câmara legislativa, o Brasil nem parece o que de fato é: um país complexo, composto de uma ampla população de diferentes etnias. A representatividade de indígenas, negros e mulheres no poder é bastante reduzida. A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e a Câmara de Vereadores da capital paulista são um bom retrato desse quadro – mesmo que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de negros e indígenas no Estado seja de 37% do total.

Empresas saem do armário e adotam políticas voltadas para LGBTs


Formado em Engenharia e funcionário da área de TI, Marcos Sato, 28 anos, sabe o que é não poder ser ele mesmo no ambiente de trabalho. Aos 21 anos, assumiu para si ser gay, mas passou alguns anos dentro do armário corporativo, por não saber como seus chefes e colegas reagiriam.

“Quando você está dentro do armário, tem medo de ser julgado e de não conseguir promoções. As pessoas precisam olhar para isso, porque o profissional deixa de entregar tudo o que poderia, já que tem essas preocupações na cabeça”, diz ele, relatando que deixava de agir naturalmente e pulava os convites de happy hour por receio de represálias caso descobrissem sua orientação sexual.

“Eu namorava, mas sempre chamava ele de ela. Também cortava um pouco da intimidade com os meus pares por medo de descobrirem”, conta Sato.

Ciência no Brasil pode estar perto de sua meia-noite


Fonte: CBPF  (16/08/2017)

Em 1947, o Boletim dos Cientistas Atômicos estampou em sua capa um relógio prestes a marcar meia-noite, para ilustrar o quão perto a humanidade estava de uma catástrofe de ordem planetária – à época, imposta pelo avanço das armas nucleares. Nos últimos 70 anos, o 'relógio do dia final’, como ficou conhecido, atrasou ou adiantou alguns minutos, segundo ameaças de conflitos ou avanços rumo a um mundo mais pacífico.

Em 2017, o relógio da ciência brasileira também está se aproximando de sua ‘meia-noite’. E as consequências imediatas – e, principalmente, por incertas, as futuras – serão certamente graves não só para a comunidade científica do país, mas também para o governo e, sobretudo, para a sociedade.

Urgências e resistências na sociedade civil


Cândido Grzybowski (*)

Nesta minha crônica semanal decidi compartir indagações que me fiz durante os três dias de um importantíssimo seminário de caráter nacional promovido pela ABONG e parceiros, em São Paulo, na semana que passou. O seminário “A agenda das resistências e as alternativas para o Brasil: um olhar desde a sociedade civil" (arquivo anexo abaixo) contou com cerca de 70 participantes de movimentos sociais, organizações e redes. Dada a conjuntura de crise e de um horizonte turvo, encontros assim são oportunidades fundamentais para compartir análises e angústias, fortalecer-se mutuamente e buscar saídas. Afinal, como disse o ex-governador e ex-ministro Olívio Dutra – convidado para integrar uma mesa denominada aula pública do evento, realizada na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, no dia 17, quinta feira, à noite: “A política é construir o bem comum de forma compartilhada”.