Pesquisa da Ancine sobre filmes lançados no Brasil em 2016 mostra ausência de diretoras negras


De cada quatro longas lançados no País naquele ano, três tiveram como diretores homens brancos; esses e outros dados foram levantados na pesquisa “Diversidade de gênero e raça nos lançamentos brasileiros de 2016”

O Brasil tem mais de 50 milhões de mulheres negras, mas no ano de 2016 nenhuma delas dirigiu ou roteirizou um filme. De cada quatro longas lançados no País naquele ano, três tiveram como diretores homens brancos. Os dados, que espelham a desigualdade de gênero e raça no País – segundo o IBGE, 54% da população é de negros e pardos e 51,6% é feminina, sendo que em dez pessoas, três são mulheres negras –, foram levantados na pesquisa “Diversidade de gênero e raça nos lançamentos brasileiros de 2016”, que a Agência Nacional de Cinema (Ancine) divulga nesta quinta, 25.

"Em 2018, as feministas vão estar na rua!” - entrevista com Sonia Corrêa


Sonia Corrêa é feminista e investigadora em estudos de género, com inúmeras publicações na área dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Desde 2002, é também co-coordenadora, com Richard Parker (EUA/Brasil), do fórum global Sexuality Policy Watch(Observatório de Sexualidade e Política), e investigadora associada da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) e do Departamento de Estudos de Género da London School of Economics and Political Science(link is external).

No final de dezembro de 2017, Sonia Corrêa esteve em Lisboa e conversou com o Esquerda.net sobre a primavera feminista que tem sacudido o Brasil, desde 2015, e também sobre os avanços e recuos na já tão longa luta pelo fundamental direito ao aborto. Não há desistências, “em 2018, as feministas vão estar na rua!”, garantiu-nos.

Dependentes do rio Doce, com medo da água


Foto: Bruno Fonseca/Agência Pública

Davi Sales não confia na água tratada do rio Doce que chega às torneiras de sua casa, em Governador Valadares, Minas Gerais. Motorista e vendedor de frutas, ele utiliza água mineral engarrafada para beber e cozinhar para si e a esposa – grávida do primeiro filho. A rotina que já dura mais de dois anos consumiu cerca de R$ 1,5 mil de seu orçamento familiar.

A mesma água encanada chega à residência de Lilian Meireles, uma casa simples de chão barrento à beira do rio Doce, no bairro São Tarcísio. Lilian e a mãe idosa não confiam no tratamento da água, mas não têm condições financeiras de comprar água mineral. Segundo elas, a desconfiança cresce no período chuvoso quando o nível do rio sobe, deixando turva a água das torneiras.

Ativistas do Levante Popular da Juventude são presos em Porto Alegre


Acusadas de formação de quadrilha e incêndio criminoso, 16 pessoas foram presas ontem (24) em Porto Alegre, após a divulgação do resultado do julgamento do ex-presidente Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

São 13 mulheres e 3 homens, todos parte do movimento Levante Popular da Juventude, segundo informações do coletivo Mídia Ninja. Uma pessoa que estava na rua e tirou fotos da ação também foi detida e passou a noite algemado, em situação vexatória e sem acesso às necessidades básicas. Ela não fazia parte do grupo.

A deputada Manuela D'avila (PCdoB-RS) esteve há pouco em frente ao presídio feminino, onde declarou que mantêm a expectativa de que as ativistas ganhem liberdade, como foi anunciado pela Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe).

“A detenção de ativistas em Porto Alegre logo após o resultado do julgamento dos recursos do ex-presidente Lula resgatou o arbítrio e truculência característicos da atuação das Polícias Militares brasileiras”, afirma o coletivo. “Direitos preconizados na Constituição Federal foram ignorados durante a condução e custódia dos militantes”.

“Ser negra dentro da universidade é fazer o dobro para ser reconhecida”


“Professores duvidavam da minha capacidade e cheguei a receber nota inferior, mesmo tendo feito tudo o que todo mundo fez”, conta Juliete a história de Juliete e todos os percalços que atravessou junto à sua família para alcançar o diploma de mestre.

Nesta semana, uma pesquisa sobre o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2016 mostrou que 72% dos estudantes que tiraram as mil maiores notas do exame são meninos, mesmo as garotas sendo maioria no total das inscrições. Os números mostram não apenas uma disparidade de gênero, mas também racial. Dentre as notas mais altas, que são aquelas acima de 781,68, só 6% são de jovens negras, enquanto os meninos brancos totalizaram quase 50% das melhores notas, no entanto, representam 15% dos inscritos. Esses números não são isolados, são recorrentes diante de nossa realidade enquanto mulheres periféricas.

Violência policial segue sem freios no Brasil, denuncia Human Rights Watch


Cela superlotada no Complexo Penitenciário da Papuda (Foto: Ministério Público/Divulgação)Organização dos direitos humanos destacou execuções extrajudiciais no país pelo segundo ano seguido em seu relatório mundial; violência doméstica generalizada também é tratada.

As mortes cometidas por policiais brasileiros e a violência doméstica generalizada seguem como problemas crônicos do Brasil, segundo relatório da organização Human Rights Watch (HRW) divulgado nesta quinta-feira (18).

No texto destinado ao Brasil de seu relatório mundial, a HRW denuncia pelo segundo ano seguido as execuções extrajudiciais no país, o que segundo ela “colocam em risco a vida de outros policiais que ficam sujeitos à retaliação pelos violentos abusos dos colegas, e acabam por aumentar a violência durante confrontos com suspeitos”.

A organização defende que medidas decisivas sejam tomadas para conter violência policial.

'Baderneiro é quem rasgou a Constituição', diz presidente da CUT


O presidente da CUT, Vagner Freitas, avaliou como mais uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais e sindicais e as lutas por direitos dos trabalhadores as declarações do presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Carlos Eduardo Thompson Flores, de que os desembargadores que julgarão o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do chamado triplex de Guarujá estão sendo ameaçados.

“A Sós”: Só um grande jornalista poderia fazer um documentário como este


Vinicius Lima é um jornalista recém-formado pela PUC-SP. Há anos ele trabalha no projeto SP invisível, um movimento que conta histórias  de moradores de rua e de pessoas que vivem ou trabalham nas ruas de São Paulo. Veja a página aqui.

A experiência serviu para apurar o olhar do jovem repórter. Ali, onde as pessoas genericamente vêem “mendigos”, “vagabundos”, “vítimas do sistema”, “craqueiros”, “coitados”, dependendo de onde o observador esteja no espectro político, Vinicius encontra histórias de vida, alegrias, tristezas, amores, escolhas, os porquês de estarem onde estão e fazendo o que fazem.

Vinicius vai muito além dos estereótipos porque sabe que eles servem apenas para reforçar as barreiras da invisibilidade e, por que não?, justificar nossa insensibilidade diante da dor e do sofrimento do “Outro” —ele não é um ser como nós, dotado de sentidos como os nossos.

Lei que proíbe propaganda sexista no Rio prevê multa de até R$ 1,3 mlhão


As companhias que veicularem campanhas publicitárias de conteúdo misógino e sexista ou que estimularem a violência contra a mulher de qualquer outra forma poderão ser multadas, de acordo com uma lei publicada no Diário Oficial do Poder Executivo nesta quarta-feira. O projeto foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) no ano passado e sancionada pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

A proposta da bancada feminina da Alerj prevê ainda a suspensão da divulgação das peças publicitárias em questão, com base na Lei 7.835, de 2018. Em vigor a partir desta quarta-feira, a nova legislação ordena a retirada “do ar de toda e qualquer veiculação publicitária misógina, sexista ou estimuladora de agressão e violência sexual, no âmbito do Rio”. Os valores das sanções, que variam conforme o tipo de veículo de mídia explorado, podem ser somados caso a empresa contrate mais de uma plataforma para o anúncio.

Incluem-se na fiscalização imagens, frases, áudios, outdoor, folhetos e cartazes de exposição, divulgação e estímulo ao estupro, à violência física, à misoginia e ao sexismo.

6 projetos de lei que podem mudar a vida das mulheres brasileiras em 2018


A tentativa de 18 homens para criminalizar o aborto até em casos de estupro. O fundo para a violência contra a mulher, previsto na Lei Maria da Penha, retirado da pauta do Congresso. Rebeca Mendes e o primeiro pedido concreto de aborto legal negado pelo STF. 2017 não foi um ano fácil para as mulheres.

Atualmente, existem mais de 1.700 propostas ligadas aos direitos da mulher em tramitação na Câmara e no Senado. Entre elas, questões ligadas ao aborto, direito à amamentação, mercado de trabalho, representatividade na política, discriminação por gênero, etc.

Abaixo, selecionamos 6 propostas que tratam dessas e outras questões consideradas essenciais para as mulheres brasileiras (e que podem mudar em 2018).

1. O direito ao aborto e a PEC ‘Cavalo de Tróia’